Mostrando postagens com marcador clube do livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador clube do livro. Mostrar todas as postagens

17 de dezembro de 2013

O Grande Gatsby

Editora Companhia das Letras - Capa Raul Loureiro e Cláudia Warrak
Quando eu era adolescente, eu li uma versão adaptada do livro "O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald, e tudo o que eu lembrava era que se tratava de pessoas ricas de Nova York, na década de 1920, e o livro era meio chato. Nada como ler o original, quando se está mais madura!

Primeiro, se trata de uma história de amor - e isso sempre me atrai. Segundo, é um retrato da sociedade norte-americana da época muito bem feito. O autor mostra a sedução do dinheiro e do status, e brinca com o jogo de aparências de tal forma, que alguns personagens parecem artificiais, forçados, tamanha a superficialidade que eles vivem. 

O livro é relativamente curto e bem fácil - fiquei com vontade de assistir o filme, porque não deve ter sido difícil adapta-lo para o cinema.

23 de setembro de 2013

Chamadas Telefônicas

Editora Companhia das Letras - Capa warrakloureiro 

"Chamadas Telefônicas" é o primeiro livro do Roberto Bolaño que eu leio. São narrativas curtas, mas com personagens complexas e conflitos densos. Não percebi uma temática comum nessa coletânea de contos, mas há muitos personagens chilenos como o autor e muitas histórias se passam na Europa, particularmente na Espanha, onde o autor morou por um tempo.

Esse não é seu livro mais famoso, mas foi uma sugestão de um fã do Roberto Bolaño como "porta de entrada" para sua obra. Não é possível negar que o autor é muito bom e suas histórias muito bem construídas, mas ele não "me conquistou"...

30 de julho de 2013

Memória da Pedra

Editora Companhia das Letras - Capa warrakloureiro

Um dos eventos principais em "Memória da Pedra" é o personagem principal, Eduardo, a entregar um cartão com seu endereço para um menino de rua, Romário, o qual ele achou particularmente esperto ao inventar uma história para conseguir uma esmola de uma mulher rica num semáforo da cidade. Eduardo mora junto com a namorada, é professor de filosofia numa universidade, e deixa o garoto dormir na sua casa, e começa um relacionamento estranho com ele, paternal, mas não muito.

A história se passa no Rio de Janeiro, na década de 90, e no clube de leitura surgiu a discussão se essa situação só é verossímil porque se passa no Rio, e isso não faria sentido algum para os paulistanos, mais medrosos e distantes dos "excluídos sociais", para ser politicamente correta...

Para não deixar de mencionar, o livro também trata das relações entre 2 casais, entre si e entre eles - Eduardo e Laura, Gustavo e Marina, personagens muito bem construídos e uma história muito bem amarrada no romance de estreia do Maurico Lyrio. Que venham os próximos!


19 de junho de 2013

Oracle Night

Editora Faber and Faber Fiction
"Noite do Oráculo" é o primeiro livro do Paul Auster que eu leio, por causa do clube do livro, e esta foi uma ótima descoberta - gostei do estilo do autor e fiquei com vontade de ler mais. 

O personagem principal desta história, Sidney Orr, é um escritor (nesses casos, eu sempre penso o quanto do autor está no personagem...) e nós acompanhamos também a história que ele está escrevendo, a qual também é muito boa. Mesmo tendo muita "ação" psicológica, tem bastante ação "real", então a história faz você pensar sobre a humanidade e os relacionamentos, sem ser chata. Interessante também que se passa na década de 80 - e como o mundo mudou nesse período! Sem celular, sem e-mail, sem internet, o quanto isso muda a vida de pessoas, as tramas e conflitos!




28 de abril de 2013

O Castelo

Editora Companhia das Letras - Capa Jeff Fisher

Parece que Franz Kafka pediu a um amigo para destruir todos os seus manuscritos quando ele morresse. Claro que o tal amigo não fez isso, por isso que temos aí tantas obras dele para serem trabalho de escola, temas de dissertação e fontes de espanto para leitores em geral.

“O Castelo” não é diferente de outros livros dele: uma situação inusitada leva o personagem principal – K. – a trilhar um labirinto confuso para ele e para o leitor. K. é um agrimensor que chega numa aldeia, para trabalhar para o Castelo (a instituição de poder local), mas é envolvido num mar de burocracia, e num estranhamento com os próprios aldeões e o comportamento destes com relação ao Castelo.

Há muitas falas longas, em que os personagens falam muito e dizem pouco, então é um livro cansativo, mas mesmo sem muita gente ler até o final, foi uma discussão boa no clube de leitura. Vale dizer que o livro é inacabado mesmo, então só é bom ler se você sabe lidar com esse tipo de “situação”.

31 de março de 2013

As Intermitências da Morte

Editora Companhia das Letras - Capa Hélio de Almeida
"As Intermitências da Morte" é um dos meus livros preferidos do José Saramago, o qual é um dos meus autores preferidos. Então esse é um livro que eu recomendo certamente, e foi a minha escolha para iniciar um novo clube de leitura. Embora a temática "morte" não seja leve, o livro é todo entremeado com a fina ironia característica do autor, e uma virada no meio da história bem surpreendente.

Eu acho que a morte é um assunto tabu na sociedade de hoje - e como comentaram no clube, antigamente, com os velórios em casa, as crianças já eram acostumadas a isso - e hoje não é só da morte que fugimos e ignoramos, é também do próprio envelhecimento e do que é o curso "natural" da vida.

Cedo ou tarde, teremos que lidar com o envelhecimento e a morte de parentes, amigos, e também com o nosso próprio envelhecer e morrer. Contudo, por causa de uma pessoa, tudo pode ser diferente. Jesus morreu para justificar os nossos erros, mas ressuscitou para vencer a morte por todos nós. Por enquanto, ainda temos que lidar com a morte, que sempre será estranha, porque a vida eterna vai voltar - como Deus planejou para nós inicialmente.

Feliz Páscoa!!!

17 de março de 2013

O Professor do Desejo

Editora Companhia das Letras - Capa João Baptista da Costa Aguiar

Depois de ler um dos seus livros (O Avesso da Vida), eu não pretendia dar a Philip Roth uma chance tão cedo - o livro é bom, mas não era do meu estilo. Mas o clube de leitura escolheu "O professor do desejo", o qual foi muito bem recomendado, então, vamos lá.

O foco é o professor de literatura David Kepesh e seus relacionamentos enquanto um jovem adulto. Uma pessoa do clube que adora Philip Roth  comentou que ele sempre parece escrever sobre o mesmo personagem, talvez um alter ego - homem, norte-americano, judeu, com problemas para se relacionar com as mulheres, com grande destaque para a sua sexualidade. Nesse livro que se passa no auge da revolução sexual (ele foi publicado na década de 70), há trechos tão explícitos que, se houvesse censura, seria 18 anos.

Eu acredito que os homens tem mais facilidade para entender esse livro, esse personagem, esse desejo - para as mulheres, pode ficar o questionamento: ok, e quando ele vai amadurecer? Aprender a se relacionar direito? Mas pode servir também como uma pequena janela para a mente de tantos homens seja hoje, seja 50 anos atrás. Humanidade é sempre humanidade.

19 de fevereiro de 2013

Os Versos Satânicos

Editora Companhia das Letras - Capa Jeff Fisher
Às vezes parece que existe uma fórmula para um livro ganhar prêmios - e ela deve passar por uma história complexa, com saltos temporais, elementos fantásticos e abordagem inusitada de assuntos polêmicos. Tudo isso faz parte de "Versos Satânicos" de Salman Rushdie, o livro que o condenou a morte pelo Aiatolá Khomeini. Compreensível, pela versão que ele conta das circunstâncias das revelações do profeta Maomé...

É possível perceber como uma história vai ser não convencional quando o resumo do livro é: dois atores indianos caem de um avião que explode no ar e se transformam num anjo e num diabo. Vai ser realmente uma viagem. 

Esse livro é muito bem elaborado, original e criativo, mas é difícil de não se perder um pouco e, no meu caso, de criar empatia com os personagens. Talvez um pouco pela falta de familiaridade com a cultura indiana e, particularmente, a religião muçulmana - e há muitas referências a elas. Quem estiver curioso, precisa ter bastante motivação, essa edição de bolso tem 600 páginas.

17 de janeiro de 2013

A Brincadeira

Editora Companhia das Letras - Capa Jeff Fisher


Milan Kundera é mais conhecido pelo seu romance "A Insustentável Leveza do Ser", que com um título tão marcante e bonito pode ser sobre qualquer coisa, que tudo bem. O título do seu primeiro livro, "A Brincadeira" é muito mais singelo, e diretamente relacionado com a história.

Quem faz a tal da brincadeira é Ludvik ao mandar críticas ao regime comunista num cartão postal, aberto, para a sua namoradinha em um encontro político. Ao ser confrontado, ele explica que é só uma brincadeira, mas como tudo é levado muito a sério, ele é expulso do partido, perde a vaga na universidade, e ainda é mandado para um quartel de trabalhos forçados.

A política é muito presente nesse romance, especificamente, como a estrutura comunista (socialista?) em vigor na República Tcheca influenciava e dirigia os rumos das vidas dos personagens. Verdade ou exagero, é um choque de cultura em relação a nossa vida hoje.

Eu particularmente não simpatizei com o Ludvik (principalmente da metade para a frente do livro) e isso impactou na minha leitura do livro, mas quem tiver curiosidade sobre esse regime, essa época (50 - 60 anos atrás), vale a pena.

17 de dezembro de 2012

Barba Ensopada de Sangue

Editora Companhia das Letras - Capa Alceu Chiesorin Nunes
Como título, "Barba Ensopada de Sangue" é uma imagem muito forte para se visualizar... Então, ao começar a ler esse livro, eu esperava algo como clube da Luta, cheio de socos e violência. Mas logo me surpreendi com uma narrativa muito mais humana de Daniel Galera, um autor jovem brasileiro. Existe a expectativa sim do personagem principal levar a tal da "coça" na barba que ele começa a deixar crescer no começo da história, mas tanta coisa acontece no meio tempo...

O tal dono da barba sai de Porto Alegre depois do suicídio do pai para investigar a morte do avô em Garopaba, mais de 30 anos depois, que ocorreu em uma situação suspeita. Ele é personal trainer, e sua característica mais marcante é que ele tem uma deficiência neurológica que o impede de memorizar e reconhecer fisionomias.

O que eu mais gostei, com certeza, é o quão moderno e próximo esse livro é - além de se passar no Brasil, óbvio - ele é super recente, acontece ao mesmo tempo das enchentes que assolaram Santa Catarina poucos anos atrás. O vocabulário, a sociedade, as circunstâncias, estão logo aí, praticamente jornal de antes de ontem - interessante demais ver literatura saindo tão quentinha do forno! 

7 de setembro de 2012

O avesso da vida

Editora Companhia das Letras - Capa Jeff Fisher

A proposta desse livro é inusitada: a cada capítulo, a narrativa volta e muda um ponto crucial da história, que é o que dá vontade de fazer com a nossa vida, às vezes - não em escolhas, mas em fatos grandes - o que aconteceria se fulano não tivesse morrido?

Se fosse só isso, o livro seria simplesmente uma viagem, mas o autor Philip Roth resolve mergulhar nas questões de identidade judaica, e aí, para o leitor brasileiro, o livro se torna realmente uma viagem. O núcleo principal são de judeus norte-americanos, mas há também uma viagem para Israel e para a Inglaterra, e há uma reflexão e discussão sobre o papel e a posição dos judeus no mundo, do ponto de vista de diferentes personagens. A história se passa cerca de 30 anos atrás, então, está muito mais próxima das guerras que consolidaram o território de Israel no pós-guerra.

Esse foi a leitura do clube do livro, e realmente não houve muita empatia, apesar dos pontos interessantes que ele pode aborda. Parece que há outros bons livros desse autor (super prestigiado nos Estados Unidos), mas acho que ele vai demorar para voltar a minha lista de leitura.

17 de julho de 2012

Great House

Editora W. W. Norton & Company
A primeira impressão sobre esse livro foi um estranhamento com relação ao título em inglês, Great House (Casa Grande) e o título em português: "A Memória de Nossas Memórias". Por que, oh!, por que a tradução foi tão criativa?

Aí que se começa a ler o livro, e então tudo fica mais confuso, você não sabe quem está falando, há parágrafos de outras histórias sendo intercalados no discurso principal, e há evidências de pulos no tempo além de no espaço... O que aparentemente conecta tudo é uma escrivaninha monstruosa (no tamanho), com diversas gavetas pequenas e grandes, que alguns personagens possuem por um tempo e passam para outra pessoa. Organizar linearmente o trajeto da escrivaninha é um desafio, e só no clube do livro, em que outras pessoas tomaram notas e nós trocamos ideias, conseguimos chegar a um esquema que talvez resolva o mistério, mas é definitivamente um livro aberto.

Mas tirando esse ponto que, dependendo do seu ponto de vista, pode ser frustrante ou intrigante, a autora Nicole Krauss apresenta relatos de relacionamentos humanos muito tocantes, como o marido que descobre o segredo da esposa depois de sua morte, o pai que não sabe se comunicar com o filho, a mulher que não se conecta com o marido, a mãe que dá o filho para adoção. Por esses pontos, vale a pena.

Quanto ao título, quando ele é explicado (lá pelo final do livro), entende-se o nome em inglês e em português... Mas não, claro, porque não colocar o nome que a autora escolheu.

25 de abril de 2012

A língua absolvida

Editora Companhia das Letras

Elias Canetti é um ganhador do prêmio Nobel (1981) que escreveu as memórias de sua infância / juventude nesse livro, "A língua absolvida". Nós somos apresentados a um mix de cultura surpreendente: ele é judeu sefardita (de origem ibérica), que nasceu na Bulgária, morou na Inglaterra, na Áustria e na Suiça, tudo isso antes dos 16 anos, no começo do século passado (com a Grande Guerra de pano de fundo, quando não se sabia que ela era a primeira).

A língua aqui pode ser uma das várias que ele falava: o ladino (um dialeto de judeus sefardins), o búlgaro, o inglês ou o alemão, mas há maiores chances de ser esta última, que foi inculcada em sua cabeça pela sua mãe em 3 meses, de uma maneira deveras traumática. Mãe esta com a qual ele tem uma relação das mais estranhas, pois ela é claramente desequilibrada, e tem 3 filhos para criar (ele é o mais velho), depois que o marido morreu precocemente (enquanto eles moravam em Manchester, com cerca de 30 anos).

Embora psicólogos de plantão possam deitar e rolar para destrinchar essa relação complicada de mãe e filho, o que me chamou atenção mesmo é a relação dele com a literatura, como ele chegou aos clássicos tão cedo, a própria censura que sua mãe foi fazendo de umas e outras obras, e o seu processo de auto-descobrimento como escritor. Do menino que inventava histórias para as figuras do papel de parede até o primeiro livro, dedicado a mãe (sim, sempre ela!), que ele sabia que era muito ruim.

Como o conhecimento literário dele é construído com autores de língua alemã, principalmente, toda uma gama de autores não muito usuais para nós, brasileiros, é apresentada ao longo do livro. Vale a pena para os interessados no assunto.

(Ah, um comentário curioso, mesmo sabendo tantas línguas, ele declara ter escrito todos os seus livros em estenografia, a qual ele aprendeu no começo da adolescência. Que louco, não?)


12 de abril de 2012

Desonra

Editora Companhia das Letras

Quando me perguntaram no Clube do Livro se eu tinha gostado desse livro, minha resposta imediata foi "não". Depois, eu articulei um pouco mais: eu não gostei dos personagens. Eles são tão diferentes da minha concepção de mundo, que fica muito difícil compreendê-los e empatizar com eles. E o autor, J.M.Coetzee, não se dá ao trabalho de explicá-los muito, então fica mais difícil ainda - ou por outro lado, mais interessante, e isso rendeu várias discussões no clube.


O personagem principal, David Lurie, foi classificado de tonto ou arrogante, miserável ou obcecado, dependendo da leitura que a pessoa fez dos acontecimentos. Toda essa interpretação psicológica variada, que obviamente é influenciada pela nossa visão de mundo, é a grande riqueza de uum clube do livro, e por isso, novamente, eu estimulo a quem gosta de ler procurar um.


Sobre a história? Na África do Sul, num momento não muito bem definido, mas pós-apartheid, o descendente de holandês David Lurie é um professor frustrado de uma universidade que se envolve com uma aluna, e depois é acusado por ela de estupro. Verdade ou não, ele assume, e é expulso da faculdade, e resolve visitar a filha, que mora numa fazenda no interior - antes uma comunidade de hippie, na qual ela tinha uma namorada, agora vive a vida sozinha ali vendendo flores e hospendando cachorros. Pronto, nesse cenário pouco complexo, vem o fato que é o soco no estômago propriamente dito.

O livro flui bem e eu li em dois dias. Dá para discutir muito - sobre o homem, a mulher, a vida, a cultura tribal africana, o mundo ocidental, a moral, a honra, etc, etc, mas não é um livro confortável, de nenhuma maneira.


17 de março de 2012

Na Praia

Editora Companhia das Letras

Eu só conhecia o autor Ian McEwan de ver o filme Desejo e Reparação, que foi adaptado do livro Reparação, que foi realmente um chute no estômago - principalmente para quem, enganada como eu por um título brasileiro e a mesma Keira Knightkey, se remeteu ao fofíssimo Orgulho e Preconceito. Aí a mediadora do meu clube de leitura fez uma analogia dos livros desse autor como uma bala de puxar: ele pega uma situação comum e puxa, estressa, até ver quando vai romper. E o pessoal comprou a ideia de ler Na Praia (On Chesil Beach) para esse mês de março.

A história se passa no comecinho da década de 60, antes da revolução sexual, e começa com um casal, virgem, num hotel na sua noite de núpcias. A gente entra na cabeça dele, e entra na cabeça dela, e pode ver como eles estão totalmente descompassados: ele está louco para consumar o ato e ela sente nojo de sexo (a começar por beijo na boca) e gostaria de fugir da situação, mas não quer desapontá-lo como esposa.

Há alguns flashbacks para entender melhor os personagens, e mesmo sendo uma história curta, ela é um mergulho profundo nesses dois, Edward e Florence, e também um retrato de uma época, principalmente do que se tratavam os namoros. No entanto, há algo de atemporal no casal: o ponto principal de conflito é que eles não sabem conversar. Simplesemente assim, não sabem. Pensam algo e falam outra coisa, não sabem expressar seus sentimentos. Embora a relação sexual seja a base para mostrar a crise de diálogo do casal, eu tenho tanta certeza que há tantos casais por aí hoje em dia, sofrendo e debatendo-se (struggling, é o que me vem a cabeça) exatamente com o mesmo problema...

Eu me apaixonei realmente pelo autor, gostei do estilo, da forma de apresentar os personagens, da trama bem traçada, da linguagem. Recomendo mesmo, e outros dele já estão na minha lista por ler. Aguardem...
  

16 de janeiro de 2012

A letra escarlate


Editora Companhia das Letras - Capa: Raul Loureiro e Claudia Warrak
Este clássico da literatura norte-americana pode ser conhecido através dos 2 filmes baseados nele - sendo que o último, com a Demi Moore, é considerado ruim, principalmente a atuação da própria - mas a minha experiência com esse livro começou com a leitura e acabou hoje com a discussão no clube do livro. É incrivelmente enriquecedor ver a mesma história através de perspectivas de pessoas diferentes. Minha mente voltou cheia de várias ideias e comentários!

A narração sobre Hester Prynne, condenada a andar com a letra "A", de adúltera, costurada em escarlate no peito numa comunidade puritana do séc. XVIII nos Estados Unidos leva a discussões sobre culpa, pecado, moralidade, sociedade e o amor, além de relacionar com outros livros e filmes, como Crime e Castigo, O Crime do Padre Amaro e Dogville.

O livro é bem descritivo, tanto do ambiente como de personagens e circunstâncias, então ele vai devagar, com detalhes muito bem pensados e cheios de significado. (A introdução, em que Nathaniel Hawthorne fala sobre o serviço público em que trabalhava e como chegou até a história de Hester, eu considerei chatinha, embora possa dar uma melhor visão da sociedade da época).

Um dos personagens mais intrigantes é a Pérola (Pearl, mas aqui a tradução cabe) justamente a filha que Hester tem enquanto o seu marido está longe da cidade (provando o adultério) que é retratada como uma criança linda, inteligente e encantadora, vista como quase um ser élfico. E para explicar porque a criança foi batizada assim, há um dos trechos que eu mais gostei:

 "Sua Pérola - porque assim Hester chamou-a, não um nome expressivo de seu aspecto, que não tinha nada com o lustre calmo, branco, desapaixonado que seria indicado pela comparação. Mas ela nomeou a criança "Pérola" como sendo de grande preço - comprada com tudo o que ela tinha - o único tesouro de sua mãe!"

A Letra Escarlate é realmente um clássico, tanto por ser bem escrito como por retratar uma sociedade da época e fazer-nos pensar até sobre os dias de hoje (as relações entre o comportamento daquela pequena vila e o nosso mundo global). Além disso, é relativamente curto, cerca de 130 páginas e, além de edições em português, pode ser conseguido de graça em inglês no Kindle . Só vantagens para você que quiser ler. :)

19 de outubro de 2011

Antes de nascer o mundo

Editora Companhia das Letras - Capa: Rita da Costa Aguiar
Tudo começou com a vontade de encontrar mais interlocutores para falar de livros (uma das motivações básicas desse blog também, assim como a divulgação da literatura). Em uma busca na internet por "clube de livros", encontrei o site da Companhia das Letras, com divulgação de várias datas e locais de reunião (inclusive por skype). Considerei bem o nome do autor: "Mia Couto", imaginei ser uma escritora brasileira, e enviei email para me inscrever.

(Três dias depois, é publicada a reportagem da Veja citando justamente esses clubes que começam a se espalhar pela cidade).

Quando fui procurar o livro para comprar, qual a minha surpresa ao descobrir que a brasileira Mia Couto era na verdade um escritor de Moçambique?

No interior de um país (não definido), mora um pai, dois filhos, um agregado, e um tio que vem e que vai. O filho mais novo, Mwanito, por volta de 9 anos, nunca viu o "mundo lá fora", que supostamente acabou - segundo afirmação do pai. Eles foram para esse lugar isolado, depois da morte da mãe, e estão num ambiente criado pela vontade do pai: ele batizou o lugar de Jesusalém (assim mesmo, dizendo que Jesus vai nascer ali de novo), mudou o nome das pessoas do pequeno clã para lhe dar mais significado, e dita as regras que ali reinam. A crise acontece quando chega uma mulher de fora, estremecendo o frágil equilíbrio daquelas relações familiares.

O livro, embora em prosa, é pura poesia. Totalmente lírico, cheio de metáforas que nos apresenta um mundo diferente e encantandor. Mwanito nunca viu uma mulher, e poder vê-lo descrevendo o seu espanto e admiração é algo incrível.

"Foi então que sucedeu a aparição: surgida do nada, emergiu a mulher. Uma fenda se abriu a meus pés e um rio de fumo me neblinou. A visão da criatura fez que, de repente, o mundo transbordasse das fronteiras que eu tão bem conhecia."

Eu lembrei um pouco do Guimarães Rosa ao ler o livro, a mesma cadência musical de leitura, a maneira tão poética e figurada dos personagens falarem, e depois descobri que ele é uma grande influência do Mia Couto mesmo.

A conversa sobre o livro, onde obtive essa informação e outras, ocorreu nessa segunda, num grupo de 10 pessoas (sendo só um homem). O papo fluiu leve, sem nenhum acadêmico fazendo dissertação, um só compartilhar de sensações e impressões. Foi uma experiência muito boa - o livro, o clube do livro - então decidi que vou voltar. Por que você não se aventura também?