14 de novembro de 2018

Na Dor e na Alegria

Editora Cultura Cristã - Capa Ideia Dois Design

Eu gosto de ler livros sobre casamentos - afinal, não é nada trivial uma empreitada em que se pretende passar décadas.

"Na dor e na alegria" já se mostra interessante por ter sido escrito por um casal, Jim e Sally Conway, que nós vamos descobrindo ter vários anos de casados e vários anos de aconselhamento a outros casais, como pastor e líderes da igreja. O livro foi escrito na década de 90, e realmente não sofre os efeitos do tempo: "as características de um casamento duradouro", como diz o subtítulo, parecem continuar as mesmas.

Eles são bem diretos para apontar dedos para atitudes erradas típicas de um e de outro lado da relação, mas também mostram o caminho para entender quem pode ser essencialmente diferente de você. Diante de qualquer crise, vale a máxima: o que você pode fazer para mudar e melhorar essa situação? E não esperar que o outro magicamente fique melhor.

Em vários pontos do livro, eles se referem a uma pesquisa que fizeram com centenas de casais, separando as respostas de "casais felizes" e "casais em crise", então dá para diferenciar o que um tem e por isso deve estar relacionado com o sucesso do casamento e o que faltou para o outro.

Como spoiler especial, a característica mais importante que eles consideram como preditivo de um bom casamento é o compromisso. (Vocês realmente não pensaram que era o amor, né?) Trata-se da decisão de ficar junto, comprometer-se com a outra pessoa, não importa a situação ou circunstância, na dor ou na alegria, na riqueza ou na pobreza, no stress ou nas férias.

Esse livro vale a leitura como momento de reciclagem para os casais casados há algum tempo, estejam passando por calmarias ou mares revoltos.

9 de novembro de 2018

O Amor segundo Buenos Aires

Editora Intrínseca - Capa Cláudia Warrak

Eu adorei esse livro do Fernando Scheller, a começar pela forma inusitada de narração. A cada capítulo, um personagem descreve outro, um amigo, o que acha dele, sua interação com essa outra pessoa. A partir daí, vamos entendendo cada um deles, de uma perspectiva de seus relacionamentos. O foco é realmente isso: relações que começam, que terminam, que se renovam - e não necessariamente amorosas, temos as relações de amigos também.

"O Amor segundo Buenos Aires" é sensível e romântico, e daria um filme, digno de seus personagens carismáticos. Aliás, a maioria deles é brasileiro vivendo lá, e junto com outros estrangeiros que passam por lá, temos um bom panorama de quem mora fora do seu país natal.

Por fim, Buenos Aires. A cidade está presente, onipresente, e, de certa forma, também se manifesta.

Um livrão de amor.

6 de novembro de 2018

The 7 habits of Highly Effective People

Editora RosettaBooks - Capa Alexia Garaventa

Para mim, "Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes" era um clássico da auto-ajuda do século passado. Interessante, mas não diferente de qualquer livro sobre o tópico voltado para o trabalho e a carreira. No entanto, eu realmente me surpreendi.

O autor Stephen R. Covey deixa claro que o livro foi feito após muita pesquisa e muita prática de consultoria. Ele repete reiteradas vezes que não está inventando estratégias ou hábitos, mas está compilando o que ele vê que funciona - e muita coisa não parece original mesmo, que eu já vi em treinamentos, palestras ou outros livros mais recentes que esse. Também não se trata de algo limitado ao trabalho, ou como se comportar relativo ao seu trabalho, é uma mudança pessoal que pode afetar todas as áreas da sua vida.

É realmente uma proposta de mudança profunda, bem fundamentada e coerente para cada pessoa, que obviamente não é fácil. Nessa edição especial de 25 anos, há uma entrevista com o autor um pouco antes do seu falecimento em que ele diz que ainda, todos os dias, tenta dominar os 7 hábitos, principalmente aqueles que são mais difíceis para ele - e que isso depende de pessoa para pessoa. Mesmo se parecer uma empreitada muito complicada, há dicas valiosas no livro, que podem ser usadas independente de seguir todos os 7 hábitos.

Eu terminei a leitura muito impactada pelo conteúdo e consegui fazer algumas mudanças na vida. Gostaria de fazer outras, claro, mas tudo tem seu tempo certo...




3 de novembro de 2018

As Vinhas da Ira

Editora Record - Capa Victor Burton

Eu comecei a ler As Vinhas da Ira, e parei. Achei descritivo demais, e não me parecia o momento. Voltei a ele por determinação de atingir a meta de leitura dos livros mais queridos da pesquisa da BBC - e como valeu a pena!

O livro é incrível, forte, impressionante.

Apresenta um momento histórico dos Estados Unidos que eu não conhecia: a migração humana dos camponeses substituídos por máquinas no centro-sul, para a colheita das frutas na Califórnia. É algo como uma desgraça social tão grande, tão revoltante, que não é possível ficar passivo. O drama humano foi tão belamente retratado por John Steinbeck, que solidarizar-se mesmo com personagens sem nomes (tem a vó, o vô) é compulsivo.

Falando assim, parece um pouco com Vidas Secas, mas o estilo dos autores é diferente e no livro do Steinbeck mais coisas acontecem - há também o choque da chegada ao lugar a que eles se dirigiam.

Esse livro deve ser leitura obrigatória nos Estados Unidos, por ser um clássico, e aqui também o poderia ser. Ele está disponível no kindle unlimited!

31 de outubro de 2018

A Estrela mais Brilhante do Céu

Editora Bertrand Brasil - Capa Carolina Vaz

Marian Keyes nunca decepciona, gente.

No livro "A Estrela mais Brilhante do Céu", o ponto de partida é um personagem - espírito? força? energia? - que observa os moradores de um prédio, de uma forma quase onisciente, conseguindo não só ver o que eles fazem assim como também o que eles estão pensando, e uns vislumbres de passado e futuro. Esse personagem indica que tem um prazo a cumprir, uma decisão a fazer, e a medida em que as tramas dos personagens se desenrolam, também vamos entendendo um pouco mais desse personagem misterioso (mas ele faz parte do gran finale mesmo!).

Eu li esse livro de mais de 500 páginas em 3 dias, porque não dá para parar de ler. É muito envolvente, ir conhecendo as pessoas que parecem reais, seus relacionamentos e seus dramas. Marian Keyes sempre traz um tema pesado a baila, e esse livro não é diferente, mas ele não tinge de preto todo o livro, embora seja sensível e relevante.

É muito difícil Marian Keyes em promoção, mas podem gastar a mais, sempre vale a pena.


28 de outubro de 2018

Olive Kitteridge

Editora Simon & Schuster

Olive Kitteridge ganhou o Pulitzer em 2009 e já é uma série da HBO, que eu não assisti, mas adorei o livro. São vários contos que circulam em torno de um longo período de tempo, cada um focando em uma pessoa dessa cidadezinha no interior dos Estados Unidos, mas principalmente a personagem título.

Uma amiga não gostou desse livro, achou chato mesmo, mas ele focar o cotidiano, o trivial, personagens mais velhos - nada de muita ação ou grandes romances por aqui, faça dessa obra de Elizabeth Strout pouco atrativa.

No entanto, eu amei os dramas humanos, principalmente os ligados ao envelhecimento. De certa forma, já me sinto na 2a metade da vida, e esse livro me fez pensar muito sobre o que eu espero que aconteça no futuro. Sinto que, às vezes, os nossos planos de adolescência se resumem a se formar numa profissão, casar, ter filhos (esses grandes eventos) e pouco pensamos sobre o que vai ser o dia a dia depois dessas metas serem concluídas.

Reitero como é muito satisfatório ler livros bons, e o Pulitzer tem se mostrado um selo muito bom de qualidade.




12 de outubro de 2018

Outros Jeitos de Usar a Boca

Editora Planeta - Capa Victor Igual, S.L.

Um livro de poesia! Algo que é raro nas minhas listas de leitura - não é que eu não goste de poesia, mas ler um livro inteiro de poesia de uma vez só, não me empolga muito. Eu gosto de ler uma ou outra aqui e ali - ou melhor, eu adoro ouvir poesias lidas pelo Fábio Malavoglia, de segunda a sexta, por volta de 9h25, na rádio Cultura FM. Ele dá o contexto do autor, do poema, e lê maravilhosamente (ele também é o tradutor de vários poemas).

Voltando ao assunto do post, foi fácil ler "Outros jeitos de usar a boca", são poemas curtos, então o livro todo não me custou 1h, para ler de uma sentada só. A autora, Rupi Kaur, é jovem, e publicou muito dos seus poemas no instagram, então eles são breves, diretos, com temas jovens - auto-afirmação, romance, separação, sexo, abuso (não necessariamente nessa ordem). São fortes, intensos, poéticos. 

Eu consegui entender como ela se alinha com a cabeça de muitas mulheres por aí, que devem se identificar com os assuntos ou o formato, mas acredito que o público é realmente mais jovem do que eu. Vale a leitura - está no kindle unlimited. 



6 de outubro de 2018

Serena

Editora Companhia das Letras
Ian McEwan não me decepciona. Eu li que "Serena" não é dos seus melhores livros, que tem gente que não gostou, mas eu gostei sim. É uma prosa gostosa, uma história interessante - que brinca com o tema espionagem e interferência cultural, algo meio teoria da conspiração (no sentido de que a gente acha que fazem isso mesmo), mas que é um romance - há um relacionamento no centro da história.

A história se passa há décadas atrás, pós II Guerra, e fala do papel da literatura, pelo potencial de influenciar uma sociedade a tomar uma decisão ou outra, a ir num caminho ou outro. Agora na era da comunicação rápida, vejo isso ocorrer de maneira muito mais danosa ao se propagar notícias falsas e análises sem profundidade de maneira tão corriqueira e afetar uma eleição em nosso país.

Acredito que o papel da literatura - e principalmente da literatura na sala de aula, como forma de aprender interpretação de texto, análise, pensamento crítico - torna-se cada vez mais importante e essencial. Mas para algumas pessoas, isso já foi tarde demais.


12 de setembro de 2018

O mito da mãe perfeita

Editora vida Melhor - Capa Rafael Brum

Ao ler o título desse livro: "O mito da mãe perfeita", você pode pensar assim: "sim! eu sempre soube que se trata de um mito! não dá mesmo para fazer tudo!" e passar adiante, mas você pode ler o livro - que é fácil e rápido - e aquecer o seu coração ao ver histórias de outras mães, que pregam o "não julgamento", o apoio mútuo e uma forma mais leve de maternar.

Karen Ehman e Ruth Schwenk apresentam "Dez coisas sobre a maternidade das quais você precisa desapegar", e algumas você já pode ter desapegado, outras estão mais arraigadas ou você está trabalhando com elas na etapa de "negação", mas eu tenho certeza que vão ressoar fundo na sua vida e levá-la a pensar diferente. Elas não escrevem para um tipo de mãe (que trabalha fora / que fica em casa / nova / mais velha / com filho único / com muitos filhos / casada / solteira), mas para todas as mães que estão buscando ser a melhor (perfeita, pronto, eu disse) mãe para seus filhos (-as, -o, -a).

As autoras são cristãs e falam de Deus na criação dos filhos. Confesso que é um pouco mais fácil ser mãe quando você sabe que não é superpoderosa, mas tem alguém superpoderoso cuidando deles pessoalmente - e é essa perspectiva que elas apresentam ao longo do livro. Mas também há menção há estudos científicos e experiências de vida delas, de amigos e conhecidos. 

Elas tem blog ativo na internet, e especialmente o da Ruth Schwenk tem sido fonte de inspiração, alento e consolo para mim recentemente: www.bettermom.com, dá para programar para receber os textos em inglês diretamente no seu e-mail.

Eu realmente adorei esse livro (que eu li digital), e fiquei tão empolgada com ele que comprei mais cópias para presentear minhas amigas.

30 de agosto de 2018

João - As glórias do Filho de Deus

Editora Hagnos - Capa Hagnos

Hernandes Dias Lopes já escreveu muitos livros sobre livros bíblicos, e João - As glórias do Filho de Deus é mais um deles. Os capítulos são relativamente cursos, e completos em si mesmo, porque foram pregações, e também possuem várias referências (outros livros de estudo), que enriquem a análise. No entanto, não é simplesmente uma livro de interpretação bíblica, mas possui aplicação,  uma "moral da história", o que seria esperado de uma pregação de um culto de domingo.

O evangelho de João é um evangelho denso, e com muito conteúdo para entender, então esse pode ser um bom livro como porta de entrada para caminhar na sua compreensão.

21 de agosto de 2018

Apesar dos Filhos

Editora Vida Melhor - Capa Douglas Lucas
O título desse livro é ótimo em inglês e compreende bem a sua motivação: For Better or For Kids, que remete aos votos tradicionais de casamento em inglês:

"I, ____, take you, ____, to be my lawfully wedded (husband/wife), to have and to hold, from this day forward, for better, for worse, for richer, for poorer, in sickness and in health, until death do us part."

Que seria traduzido por:

"Eu,____, aceito você, ____, para ser meu legalmente casado (esposo / esposa), para ter e manter, desse dia em diante, para o melhor, para o pior, para a riqueza, para a pobreza, na saúde ou na doença, até que a morte nos separe."

Então, sim, os autores substituíram a parte de "para o pior" por "crianças" - o que faz muito sentido, porque crianças geram uma tensão em casamento que antes - quando se tratava do relacionamento entre dois adultos capazes e sensatos - não existia (ou é bem mais fácil de lidar).

Os autores Patrick e Ruth Schwenk falam com conhecimento de causa: são casados, com 4 filhos, e eles relatam episódios pessoais, além de dar fundamentos e estratégias para lidar melhor com essa fase delicada - para que todos saiam vivos: os filhos, os pais e, principalmente, o casamento.

Eles defendem o casamento com base bíblica, mas não deixam de empatizar com as dificuldades características desse relacionamento humano, não há mundo cor de rosa ou problema besta que é minimizado. O livro é ótimo mesmo.

A Ruth Schwenk mantém um blog maravilhoso para mães: "The Better Mom" e foi através dele que eu cheguei nesse livro. Ela envia os textos do blog também por e-mail periodicamente, e eles são realmente inspirados, consoladores e encorajadores para as mães - eu não poderia desejar mais que outras mães lesses esses textos também.

5 de agosto de 2018

Regarding Anna

Publicado por Florence Osmund - Capa Tugboat Design

Confesso que li "Regarding Anna" só porque tinha "Anna" no título, e continuei para ver no que ia dar. É uma história de mistério na década de 60 nos Estados Unidos, com a personagem principal (Grace) descobrindo que era adotada após os pais morrerem num acidente com monóxido de carbono em sua própria casa - então fica a curiosidade de saber quem é a mãe dela, e porque há um rastro de violência e ganhadores de dinheiro na sua história. Mas é uma trama um pouco forçada, e a escrita de Florence Osmundo não ajuda muito. É um livro só para quem gosta muito de livros de mistério e não tem mais o que ler mesmo.

1 de julho de 2018

Harry Potter and the Cursed Child

Editora Scholastic

Finalmente, li "Harry Potter e a criança amaldiçoada" - o livro que não ia existir e, bem, praticamente não existe, já que é uma peça de teatro. Confesso que eu estava guardando - essa última expectativa de acompanhar a história do Harry Potter e os incríveis personagens que o rodeiam (não me venham com Bichos Fantásticos, que ainda não rolou uma motivação para ler o livro ou assistir a série. Não é HP sem HP).

Eu acredito que John Tiffany e Jack Thorne, os criadores da peça e do roteiro que envolveram J.K. Rowling nesse projeto, para nossa felicidade, fizeram um ótimo trabalho. A história, 19 anos depois, é ótima. Continua trazendo conflitos humanos num universo mágico, e também dá respostas ou sacia o apetite para os fãs que ficam remoendo revisitando a história original.

Eu fiquei obviamente muito curiosa para ver a peça ao vivo - deve ser algo realmente impressionante, porque as cenas descritas são realmente coisas de filme. Depois de Londres e NY, será que é uma peça que chegará aos mares brasileiros? Esperamos que sim!

24 de junho de 2018

The Woman in White


"A Mulher de branco", de Wilkie Collins é um tijolo - 800 páginas e bem poucos personagens, então a história é lenta, cheia de enroscos - mas é interessante: um mistério bem articulado com pressupostos assassinatos e roubos de fortunas - e o pior de tudo: perdas de honra! (Aí prova-se que o romance tem mais de 150 anos mesmo).

Há um professor de desenho, Hartright, que conhece uma mulher, que, de costas, olhando por uma janela, é linda, elegante, interessante - e ela vira e ele se choca: é feia! Aí aparece a meia-irmã, muito parecida nas proporções, na elegância e - é linda! A primeira é inteligente, decidida, e sabe que é feia - então já se conformou em continuar solteira e apoiar a irmã linda (e rica) no que ela precisar. (Ou ela sabe que o melhor é não ter um marido que vá tolher sua relativa liberdade de solteirona). A irmã bonita é toda frágil, naive, limitada mesmo, mas por ser linda (e rica) tem os homens aos seus pés, inclusive o professor de desenho - que, verdade seja dita, amou-a pela beleza, por ser esse ideal feminino, e não por sua riqueza.

Vi agora que a BBC fez uma série, mantendo a época, mas dando toques atuais para alguns diálogos - deve valer a pena.


31 de maio de 2018

A Guerra não tem Rosto de Mulher

Editora Companhia das Letras - Capa Daniel Trench

Svetlana Aleksiévitch ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2015, e comentaram que sua escrita era documental, baseada em relatos de depoimentos relacionados a sobreviventes da II Guerra Mundial e Tchernobyl. Fiquei curiosa, é claro, e esse ano chegou a hora de me surpreender.

"A guerra não tem rosto de mulher" é incrível, supreendente, um lado da humanidade - um lado da guerra - que a gente não imagina, não consegueria imaginar se não fosse contado para a gente. Incrível que tem tantos filmes e livros sobre guerra, e como essa visão feminina não tenha aparecido antes. Sabemos da Joana D´Arc, claro, mas e todas as mulheres que resolveram pegar em armas? As espiãs? As com funções administrativas? As enfermeiras? As mulheres que lavavam roupas... existiam lavadeiras na guerra, e eu nunca tinha pensado nisso.

Esse livro reforça a minha ideia de que homens e mulheres são diferentes sim. Mesmo nas mesmas funções, no mesmo lugar, no mesmo evento - são diferentes. E isso não é ruim.

No livro, a autora tanto descreve o que ela ouviu das mulheres que entrevistou, assim como também a sua jornada de busca por depoimentos, e como foi filtrar / escolher o que entraria no livro e até com que ela queria falar, já que era muitas mulheres mesmo que a começaram a procurar quando descobriram o trabalho que ela estava fazendo.

Realmente, digna de ganhar um prêmio nobel e, seu livro, digno de ser lido por todo mundo que quer conhecer o que é humanidade.

21 de maio de 2018

O Gato diz Adeus

Editora Companhia das Letras - Capa warrakloureiro
O Michel Laub tem um estilo peculiar de contar histórias, fazendo com que a forma seja tão importante quanto a história em si. Em "O Gato diz Adeus", um dos seus primeiros livros, já vemos o nascimento desse estilo, através de uma narrativa por 3 personagens, em que um deles vai tendo sua própria história revelada a medida em que escreve.

É um livro curto, para ler de uma sentada só, bem curioso - assim como o título que não entrega nada.


18 de maio de 2018

Os Pilares da Terra

Editora Arqueiro - Capa Ana Paula Daudt Brandão

Logo na introdução, o autor Ken Follett fala sobre sua saga de escrever um livro sobre a construção de uma igreja na época medieval - como nasceu seu interessa, sua pesquisa, os vários anos detalhando a história - e depois como foi difícil publica-lo, e como o sucesso veio organicamente, através do boca a boca e influenciadores especiais, como a Oprah, que divulgou o livro em seu clube de leitura. Hoje, já existe até uma minissérie sobre ele.

"Os Pilares da Terra" é um mega tijolo - mais de 800 páginas - numa história que cobre várias décadas. Há personagens cativantes, mulheres fortes e empreendedoras (o que eu não sei dizer se é projeção da nossa modernidade ou algo real), mas muito muito sofrimento como só uma civilização na base do salve-se como puder pode oferecer a você.

Eu desanimei um pouco no começo do livro porque eu imaginava as centenas de páginas que faltavam (no livro digital não são fisicamente tangíveis) e pensava: nossa, como eles ainda vão sofrer!... Mas perseverei, e cheguei no bom final.

Esse livro é anterior ao Mundo sem Fim, que também foi escrito depois. Eu achei Pilares da Terra muito interessante, mas eu gostei mais do Mundo sem Fim, achei mais elaborado, talvez, mais tramas principais que evitam que tudo de mal e de bem aconteçam com os mesmos mocinhos das história. No entanto, ambos valem muito a leitura pelo panorama incrível da Idade Média que trazem e nós desconhecemos em sua maioria.

29 de abril de 2018

Como ser mulher

Editora Paralela - Capa Alessandra Kalko

"Como ser mulher" tem o seguinte subtítulo: "Um divertido manifesto feminista" e é exatamente disso que se trata: uma discussão feminista sobre temas práticos e diretos - trabalho, estética, maternidade - sem papas na língua e uma ótima dose de humor.

Eu me diverti muito com  a Caitlin Morán, ela parece ser uma mulher muito engraçada e culta também. O mais interessante é que ela é a mais velha de 7 ou 8 irmãos, e foi criada por pais "hippie" no interior da Inglaterra, e não teve nada parecido com uma educação formal - pelo visto, em sua adolescência, ela era "ensinada" em casa pelos pais, o que significava na prática: ler todos os livros que ela quisesse da biblioteca. Minha teoria é então que livros podem complementar e até substituir a escola, desde que, é claro, seja bons livros - e não qualquer livro para adolescentes que estão abundando por aí. 

Eu realmente gostei muito de tudo o que ela escreveu, e achei que faz todo o sentido mundo, e eu concordo bastante com quase tudo - menos com o capítulo sobre o aborto - aí divergimos completamente.

Eu grifei alguns trechos e passei para alguns amigos e um dos que eu mais gostei foi esse:

"Por que não fizemos nada? Com base em minhas próprias experiências pessoais, 100 mil anos de superioridade masculina têm sua origem no simples fato de que os homens não pegam cistite. Por que não foi uma mulher que descobriu a América em 1492? Porque, na época anterior aos antibióticos, que mulher ia se arriscar a chegar no meio do Atlântico e passar o resto da viagem agarrada à latrina chorando e ocasionalmente berrando pela escotilha: “Alguém aí já está vendo Nova York? Preciso de um cachorro-quente”. Do ponto de vista físico, somos o sexo frágil. Não somos tão boas erguendo pedras, matando mamutes ou remando. Além do mais, o sexo com frequência acarreta na complicação adicional de nos deixar grávidas e faz com que nos sintamos “gordas demais”para liderar um exército que vai invadir a Índia. Não é coincidência que as iniciativas em prol da emancipação feminina só tenham começado a surgir depois das exegeses gêmeas da industrialização e da contracepção —quando as máquinas fizeram com que ficássemos iguais aos homens no local de trabalho e a pílula fez com que ficássemos iguais aos homens na expressão do desejo. Em épocas mais primitivas —que eu pessoalmente considero qualquer época antes do lançamento de Uma secretária de futuro, em 1988 —, o vencedor sempre seria qualquer um que tivesse força física suficiente para derrubar um antílope e uma libido que não terminasse com gravidez e morte no parto. Por isso, aos poderosos era dada educação, discussão e concepção da “normalidade”. Ser um homem e viver como um homem era o normal: todo o resto era “o outro”. E, como “o outro”—sem cidades, filósofos, impérios, exércitos, políticos, exploradores, cientistas e engenheiros —, as mulheres saíam perdendo. Não acho que o fato de as mulheres serem vistas como inferiores seja um preconceito com base no ódio que os homens têm de nós. Quando se olha para a história, é um preconceito baseado em fatos."

Piada, com fundo de verdade. A melhor forma de piada e de verdade.

25 de abril de 2018

March


Editora Harper Perennial

Mais um livro da lista de Pulitzers: March, de Geraldine Brooks. Confesso que fiquei desconfiada do livro assim que o comecei a ler: é a história do pai da família do livro Adoráveis Mulheres (Little Women), de sobrenome "March" (em português, "O Senhor March"). Quem já leu o clássico original, sabe que o pai está ali de relance, ele logo parte para a guerra, e não se vê muito mais dele. Então parece - e assim é - uma grande liberdade artística da autora essa recontagem da história. No final dessa edição, ela explica que usou de inspiração a vida do pai da autora do Little Women, Louisa May Alcott, já que claramente ela se inspirou na própria vida e de sua família para escrever seu livro.

Nessa narrativa, o pai está na Guerra da Secessão, como ministro / capelão de uma divisão do exército do Norte, mas por meio de flashbacks ele reconta toda sua vida, seu namoro, casamento, e seu envolvimento político com essa guerra antes mesmo de ela começar efetivamente. Uma personagem que parece completamente diferente é a mãe das quatro meninas, que é retratada de uma maneira mais sanguínea, enérgica e politicamente envolvida do que o clássico original parece sugerir (embora eu esteja escrevendo a partir das minhas lembranças do livro, não fatos fidedignos).

Assim como em "E o Vento Levou...", gostei de ler sobre esse episódio da história dos Estados Unidos por meio da literatura - me parece tão real embora seja ficcional - e alguns episódios levarei para sempre comigo.

23 de abril de 2018

Somebody´s Luggage


Eu gosto muito do Charles Dickens, mas fazia muito tempo que esse livrinho, Somebody's Luggage, estava me esperando para lê-lo. Depois fui ler sobre ele na internet e parece que Dickens não escreveu todas as pequenas histórias que o compõem, mas convidou algumas pessoas para agregar seus contos sobre partes da "Bagagem de alguém". Certo é que eu gostei mais do início do texto, em que um mordomo encontra essa bagagem abandonada num hotel há anos - paga a taxa de armazenagem - para abrir e descobrir o que tem dentro.

Não é lá uma história fantástica, mas é Dickens - pelo menos parcialmente, até onde a internet diz.

20 de abril de 2018

Crianças Dinamarquesas

Editora Schwarcz - Capa Jess Morphew
Eu gosto muito de ler sobre educação infantil - é uma forma de me educar para ser mãe, já que não é algo que se aprenda na escola. Há muitas fontes de informação para "parentar": a sua própria intuição, a inspiração dos seus próprios pais - ou de outros que foram observados, além dos pares e as infinitas conversas com outras mães. Mas eu gosto de ler algo mais estruturado, às vezes até científico. E quando eu identifico com algo - algo que eu possa dizer: isso! eu quero fazer isso! nisso eu acredito! - eu fico extremamente feliz.

Recentemente, o livro Crianças Dinamarquesas me deixou super feliz - algo tão razoável, tão coerente - com recomendações que eu já sigo, e outras que eu quero seguir. Logo no começo do livro, eu já comecei a falar dele para minhas amigas, e eu recomendo de coração para todos nessa jornada de serem os melhores pais possíveis. É CLARO que nem todo mundo vai concordar com tudo, ou vai querer fazer tudo, mas as autoras já consideram essa possibilidade, não é uma doutrinação que elas buscam - só o fato de dar a informação e permitir que haja discussão de possibilidades diferentes, já há um enriquecimento de vida.

As autoras Jessica Joelle Alexander e Ibsen Dissing Sandahl são amigas, uma jornalista e outra psicóloga, uma dinamarquesa e outra norte-americana, e resolveram escrever o livro depois de começarem a discutir a possibilidade do segredo da felicidade do povo dinamarquês ser a criação dos filhos - quando elas próprias já eram mães. Houve um trabalho de pesquisa, houve uma estruturação da teoria, e há referências científicas de pesquisas em outros lugares do mundo, embora a maioria das referências seja realmente dinamarquesa.

Como eu já disse, a leitura vale. Não é um texto vazio para vender livros com base num bom slogan ("o que as pessoas mais felizes do mundo sabem sobre criar filhos confiantes e capazes), mas realmente um bom trabalho de pesquisa e estruturação que pode enriquecer bastante a vida dos pais por aí.

16 de abril de 2018

A Luz entre Oceanos

Editora Rocco

Uma amiga me indicou esse livro e explicou: "é um novelão" - e "A Luz entre Oceanos" é isso mesmo: drama, drama, drama. Na Austrália, pós II Guerra, duas pessoas se casam, vão morar isoladas numa ilha do farol - sem vizinhos, sem mais ninguém, um único contato externo a cada 3 meses. Aí surge uma situação crítica, que fica insustentável - e a gente ali sem saber se torce para quem ou para o quê.

O filme baseado no livro de M.L. Stedman deve ser bem bonito - mas eu ainda não assisti. O livro é um pouco lento e dramático demais, então recomendo para quem estiver nessa vibe.

3 de abril de 2018

The Sympathizer

Editora Grove Press - Capa Christopher Moisan

Esse livro entrou na minha lista de leituras porque é um ganhador do Pulitzer: O Simpatizante, Viet Thanh Nguyen - um americano. É daqueles livros TÃO diferentes da nossa realidade, que o assombro é impossível de evitar.

Nessa história, o narrador é um infiltrado comunista nas tropas "capitalistas" vietnamitas. Quandos os Estados Unidos perdem a guerra efetivamente, com o abandono de Saigon, ele é "evacuado" junto com o general para o qual ele serve para a Califórnia.

Ele não conta só da guerra e da sua vivência em solo norte-americano, mas também da sua infância, e suas convicções políticas e seus relacionamentos. É estranho, é chocante, e em determinado momento do livro, MUITO MUITO sofrido.

Para mim, foi particularmente interessante ler sobre a Guerra do Vietnã, já que não lembro de ter livros sobre ela, e é assim que eu mais gosto de aprender um pouco de história - através de obras ficcionais. Sei que não se trata de história com H maiúscula, mas a impressão do evento é bem mais marcante.

30 de março de 2018

O Conto da Aia

Editora Rocco - Capa Laurindo Feliciano

Eu li O Conto da Aia! Mas ainda não vi a série.

A história de Margaret Atwood é incrível e fantástica - escrita há 30 anos atrás, relata um futuro distópico - quando os Estados Unidos são dominados por um poder religioso cristão que proíbe as mulheres de terem cidadania. A ideia dos líderes é voltar ao tempo bíblico de Abraão, no que é conveniente e da forma que é conveniente, o que dá uma boa discussão sobre tradição, religião, cristianismo e poder.

A narrativa é feita por uma mulher, a Aia do título, rememorando o que se passou. No entanto, a forma em que isso é feito - a velocidade dos acontecimentos, as explicações, mesmo a própria personagem - deixa muito a desejar. Dá para entender porque esse livro ficou no esquecimento por tanto tempo (não havia uma edição disponível para venda aqui no Brasil quando a série foi lançada). Aliás, seu sucesso atual é por conta da série realmente - ouvi muitos comentários positivos - que deve ser mais emocionante que o livro.

Geralmente o livro é melhor que o filme, mas aqui não parece ser o caso. Vale a leitura se você não for assistir a série, ou se quiser mesmo saber detalhes da história.

27 de março de 2018

A girafa, o pelicano e eu

Editora Editora WMF Martins Fontes - Capa Kátia Harumi Terasaka

"A girafa, o pelicano e eu" é o quarto livro do Roald Dahl que eu leio esse ano, e o mais parecido com uma fábula, já que o foco é o relacionamento de um menino com uma Girafa, um Pelicano e um Macaco (não entendi porque ele não faz parte do título) que se tornam amigos e ajudam uma pessoa mal humorada e é recompensada por ela. Tem uma moral, tem uma graça, e tem assunto sério também já que os 3 animais da história tem uma empresa de lavar janelas, ou como usar as características e talentos naturais de cada um para fazer negócio.

23 de março de 2018

As Rãs

Editora Companhia das Letras - Capa Carlo Giovani

O livro "As Rãs" foi escrito pelo autor chinês Mo Yan, ganhador do Prêmio Nobel em 2012. É incrivelmente perturbador por focar a narrativa a médica / parteira de uma região do interior, que também tem a responsabilidade de colocar em vigor a política de Filho Único do governo, o que inclui abortos de "filhos não autorizados", operações de vasectomia, e colocações de DIU em pessoas reticentes.

É chocante.

Incrível que eu nunca tinha parado para pensar no que realmente significava a política de filho único na China. Algo impessoal como: as pessoas só podem ter um filho, e assim elas faziam e pronto. Mas não, óbvio, não basta uma lei para decidir isso - ainda mais para pessoas cujos filhos representam riqueza em mão de obra... Como deve ter sido difícil!

O narrador passa uma ideia de insensibilidade também, não só com essa questão social como nos seus próprios relacionamentos, o que dá um teor estranho para o livro - o que é aprofundado pelas diferenças culturais entre brasileiros e chineses.

Não posso dizer que eu adorei o livro, mas recomendo, claro, porque é sempre interessante ler sobre outras culturas num livro de um bom autor reconhecido.

17 de março de 2018

Dying to Read

Editora Revell

Eu peguei esse livro de graça numa promoção na Amazon, principalmente por causa do título algo como "Morrendo para Ler - uma Novela" (de Lorena McCourtney).

É um livro de mistério, do tipo "whodunit" (quem fez?), ou seja, a linha é descobrir o assassinato do cadáver que aparece no primeiro capítulo. No caso, uma senhora que está morta quando as amigas chegam para um clube do livro na casa dela.

A personagem principal, Kate, não está dando certo na vida e resolve ajudar o tio na empresa de investigação particular e acaba sendo levada para o meio desse "mistério".

Eu achei interessante que a personagem é cristã, então tem uma referência aqui e ali, mas não é o tema do livro nem o assunto principal. No entanto tem algumas partes bem forçadas, principalmente quando aparece o mocinho da história.

O que me decepcionou mesmo foi que, fora a morta estar participando de um clube de leitura, não tem mais nada a ver com "livro" ou "ler", que era o que eu esperava a partir do título.

As bruxas

Editora WMF Martins Fontes - Capa Kátia Harumi Terasaka

O filme "A Convenção das Bruxas" fez parte da minha infância e por muito tempo essa foi a minha definição de bruxas (até Harry Potter, claro).

Então, ler esse livro agora foi uma delícia: lembrar da infância, imaginar lê-lo com as minhas filhas (no futuro, não recomendo para menos de 7 anos) e descobrir outro livro ótimo do Roald Dahl. 

Como é gostoso ler um bom livro infantil - com muitas páginas, poucas ilustrações, e ainda assim para crianças, e para viajar junto com essa história muito louca. 

7 de março de 2018

A Restauração das Horas

Editora Nova Fronteira

A maior vantagem de ler os ganhadores do Pulitzer é que são livros bons. Livros que foram lidos, analisados, e receberam um selo de qualidade, que nem todos - aliás a maioria - tem.

No entanto, não quer dizer que todas as histórias vão ser realmente legais - como esse "A Restauração das Horas", de Paul Harding (em inglês: Tinkers, que pode ser traduzido como Latoeiro). Aqui, um homem está no leito de morte - literalmente a horas de morrer (o autor informa: "faltando 86 horas para que o fulano morra"), e ele começa a divagar sobre a sua vida, e o narrador vai misturando com relatos da vida do seu pai e do seu avô.

É um retrato cultural interessante do interior dos Estados Unidos - como em 3 gerações há tanta mudança de ocupação, convívio familiar, tipo de domicílio - mas não sei se pela profusão de personagens masculinos, não me envolvi tanto com a história como em outros casos. Em li em paralelo com o livro As Horas, e este foi tão melhor!

Mas, é claro, que se trata de um livro bom.


1 de março de 2018

The Hours

Editora Picador USA

Além de ter ganhado um Pulitzer, "As Horas" foi adaptado para um filme de sucesso com Meryl Streep, Nicole Kidman e Juliane Moore. Eu não lembro de ter assistido o filme, então fui me surpreendendo com a história, de um dia na vida dessas 3 mulheres em momentos de vida e épocas tão diferentes, mas tão naturalmente similares.

Michael Cunnigham realmente me surpreendeu pela sensibilidade de apresentar um fluxo de pensamento tão coerente para pessoas do sexo oposto. Eu sei que é isso que os bons escritores fazem: se multiplicam em diversos personagens, mas isso é feito com maestria nessa obra.

Parece ser um dia comum para as três, mas enquanto a superfície é calma e rotineira, por dentro, borbulham inquietações, dúvidas e crises. Com relação a Virgínia Wolf, sabemos o que irá acontecer por ser um fato histórico (mas que ocorre no futuro do tempo do livro), mas para as outras duas, vamos acompanhando passo a passo como vai se desenrolar.

A história começa mais devagar - porque é uma apreciação dessa superfície inócua, mas a medida que os eventos aceleram - na verdade, a medida que as conhecemos melhor (o que inclui lembranças, conversas, reflexões), o livro vai se tornando muito mais interessante e é difícil parar até chegar ao fim.



26 de fevereiro de 2018

Se vivêssemos em um lugar normal

Editora Companhia das Letras - Capa Elisa von Randow 

Eu gosto muito das crônicas do Juan Pablo Villalobos no blog da Companhia das Letras, e gostei muito do primeiro livro que li dele - Festa no Covil (foi até um dos meus top livros de 2015), mas nesse livro com um título ótimo: Se vivêssemos em um lugar normal, eu acredito que ele perdeu um pouco a mão.

A história começa bem, uma família de pai professor, 7 filhos com nomes gregos,  a mãe que todo dia serve quesadillas no jantar - tão recheadas quanto possível, variando com a renda do dia, na periferia de uma cidade no interior do México. É interessante, é engraçado, mas lá pelas tantas o autor desbanca tanto para o fantástico, com ETs e tudo o mais, que causa muito estranhamento e parece que um limite foi transpassado sem vantagem para o leitor.

Para comentar melhor minha frustração - um spoiler de uma parte que me entristeceu logo abaixo.

No começo da história, os filhos gêmeos da família somem - são perdidos no meio de uma confusão num supermercado, em que a mãe estava tentando comprar comida, e não viu para onde eles foram. Ela fica desesperada, claro, o pai também - e no começo sobra mais comida para os outros irmãos - mas é isso. Eles são tão pobres e pouco importantes, que esse sumiço não dá em nada, e, no meu ponto de vista, nem é parte da trama principal. É triste como isso pode acontecer - e tenho certeza que acontece até hoje - e só ficou a sensação de que eu sofri mais com isso do que os próprios personagens.

Acho que a leitura do livro vale para conhecer a cultura, a situação econômica e social do México na década de 80, mas Festa no Covil é melhor.



24 de fevereiro de 2018

O Fantástico Senhor Raposo

Editora WMF Martins Fontes - Capa Kátia Harumi Terasaka

A história de "O Fantástico Senhor Raposo" parece um conto antigo, desses de tradição oral que muitos autores infantis registraram em seus livros. Nessa obra de Roald Dahl, um raposo e sua família são perseguidos por 3 donos de fazendas muito chatos e folgados, que querem vingança por tantos anos de roubo. Claro que a construção é tão bem feita, que ficamos automaticamente do lado do pequeno ladrão, que pelo menos tem um bom caráter (?!) ao roubar para alimentar sua família, e se há em excesso dividir com os vizinhos.

A história é divertida, e boa como início de conversa com as crianças.

19 de fevereiro de 2018

Os Íntimos

Publicações Dom Quixote

Eu gostei muito desse livro da Inês Pedrosa, assim como eu gostei do primeiro que li dela (Fazes-me falta), e principalmente porque eu gosto muito da sua prosa, o seu jeito de escrever poético e sensível, como nesse trecho:

"Estou dentro de um cenário de cinema. Como se as casas fossem de cartão prensado, e a vida se suspendesse para poder ser inventada, debaixo das luzes que vacilam na noite por causa da chuva, uma chuva miudinha, falsa, melodiosa, regulada como banda sonora."

Em "Os Íntimos", a autora descreve uma noitada entre amigos homens, em que a voz narrativa passa de um para outro - mas mais seus pensamentos e falas, monólogos que não temos certeza se são pronunciados em voz alta.

Há personagens femininas, mas elas são secundárias - e eu achei o livro muito interessante e bonito, mas eu o terminei sem saber se o retrato dos homens é convincente, ou só como uma visão feminina.

20 de janeiro de 2018

Short Stories from Hogwarts of Power, Politics and Pesky Poltergeists

Editora Pottermore

Nesse outro pequeno livro publicado pela J.K. Rowling, "Shorts Stories from Hogwarts of Power, Politics and Pesky Poltergeists", o maior foco é realmente em política, tendo uma lista de todos os Primeiros Ministros da Magia. É interessante como ela promoveu diversidade - há mulheres no poder - boas e más - e ainda "conversou" com a história política real da Inglaterra, como por exemplo nos períodos de I e II Guerra Mundial.

Há uma pequena nota no final a respeito do Poltergeist favorito da galera, Pirraça, e como ele se relaciona com as autoridades ao seu redor - a bagunça e desobediência não deixa ser uma forma de poder não oficial que ele tem mesmo, mas que é possível ser limitada por pessoas de respeito (e eu vejo muito da relação de criança e pais nisso, hahahaha).

12 de janeiro de 2018

Matilda

Editora WMF Martins Fontes - Capa Katia Harumi Teresaka

Nos últimos anos, a editora WMF Martins Fontes tem feito o favor de publicar novas edições dos livros de Roald Dahl, muito bonitas, e que está trazendo esse autor para as prateleiras de livrarias no Brasil. A princípio, poucos podem conhecer o nome dele, Roald, não Ronald, filho de noruegueses, criado no país de Gales, mas muitos já viram filmes adaptados de suas obras, como A Fantástica Fábrica de Chocolate, James e o Pêssego Gigante, Matilda, e mais recentemente, O Bom Gigante (há outros, eu sei).

Acontece que eu só fui ler livro dele agora, comecei com "Matilda" e, gente, é demais! Uma escrita gostosa, uma história interessante, personagens muito engraçados. Mesmo se você conhece o filme, que é bem fiel, vale a pena ver ela assim, descrita em palavrinhas, como o autor imaginou.

Quero ler todos, quero ter em casa todos para minhas filhas lerem. Nada como boa literatura infantil!





9 de janeiro de 2018

O Projeto Rosie

Editora Record

Um livrinho bonitinho estilo férias e disponível no unlimited: O Projeto Rosie, de Graeme Simsion. Nesse chick lit, o protagonista é um professor de genética com quase quarenta anos, Don Tillman, tirando o foco da estrutura tradicional desse tipo de livro - que geralmente foca nas meninas. É claro que a Rosie do título também é importante, mas o livro é todo do ponto de vista dele, que tem realmente algum tipo de espectro autista. Ele parece com o Sheldon de Big Bang Theory, mas ele transgride muito mais facilmente suas próprias regras - é a estratégia do autor para mostrar o quanto o personagem está apaixonado, mas ficou parecendo "fácil demais" para mim.

É daqueles livros que não dá vontade de parar de ler, mesmo sabendo o final, mas não é tão cativante a ponto de querer ler a continuação. Aproveitem esse!

3 de janeiro de 2018

Snow Hunters

Editora Simon & Schuster - Capa Christopher Lin
O começo do ano trouxe um livro de autor americano sobre um personagem coreano que emigra para o Brasil. Eu achei a história toda muito curiosa, em que o Yohan encontra pessoas como Peixe, Bia e Santi numa cidade portuária não identificada.

O livro mostra uma visão bem delicada de quem emigra para cá de uma cultura tão diferente, sem se limitar a isso. É a história particular de Yohan, esse homem quieto, que foi prisioneiro de guerra, assume uma alfaiataria, e seu caminho de reconstrução de relacionamentos.

Não é uma história longa (mas confesso que demora um pouco para se familiarizar com o texto), e essa edição digital original, há um comentário do autor sobre o livro no final, o processo de criação da história, e um pouco até de interpretação do texto, o que, para mim, enriqueceu muito a leitura.

"Caçadores de Neve", de Paul Yoon, ganhou um prêmio internacional, mas ainda não foi publicado aqui no Brasil, e acho que dificilmente vai ser.