21 de maio de 2018

O Gato diz Adeus

Editora Companhia das Letras - Capa warrakloureiro
O Michel Laub tem um estilo peculiar de contar histórias, fazendo com que a forma seja tão importante quanto a história em si. Em "O Gato diz Adeus", um dos seus primeiros livros, já vemos o nascimento desse estilo, através de uma narrativa por 3 personagens, em que um deles vai tendo sua própria história revelada a medida em que escreve.

É um livro curto, para ler de uma sentada só, bem curioso - assim como o título que não entrega nada.


18 de maio de 2018

Os Pilares da Terra

Editora Arqueiro - Capa Ana Paula Daudt Brandão

Logo na introdução, o autor Ken Follett fala sobre sua saga de escrever um livro sobre a construção de uma igreja na época medieval - como nasceu seu interessa, sua pesquisa, os vários anos detalhando a história - e depois como foi difícil publica-lo, e como o sucesso veio organicamente, através do boca a boca e influenciadores especiais, como a Oprah, que divulgou o livro em seu clube de leitura. Hoje, já existe até uma minissérie sobre ele.

"Os Pilares da Terra" é um mega tijolo - mais de 800 páginas - numa história que cobre várias décadas. Há personagens cativantes, mulheres fortes e empreendedoras (o que eu não sei dizer se é projeção da nossa modernidade ou algo real), mas muito muito sofrimento como só uma civilização na base do salve-se como puder pode oferecer a você.

Eu desanimei um pouco no começo do livro porque eu imaginava as centenas de páginas que faltavam (no livro digital não são fisicamente tangíveis) e pensava: nossa, como eles ainda vão sofrer!... Mas perseverei, e cheguei no bom final.

Esse livro é anterior ao Mundo sem Fim, que também foi escrito depois. Eu achei Pilares da Terra muito interessante, mas eu gostei mais do Mundo sem Fim, achei mais elaborado, talvez, mais tramas principais que evitam que tudo de mal e de bem aconteçam com os mesmos mocinhos das história. No entanto, ambos valem muito a leitura pelo panorama incrível da Idade Média que trazem e nós desconhecemos em sua maioria.

29 de abril de 2018

Como ser mulher

Editora Paralela - Capa Alessandra Kalko

"Como ser mulher" tem o seguinte subtítulo: "Um divertido manifesto feminista" e é exatamente disso que se trata: uma discussão feminista sobre temas práticos e diretos - trabalho, estética, maternidade - sem papas na língua e uma ótima dose de humor.

Eu me diverti muito com  a Caitlin Morán, ela parece ser uma mulher muito engraçada e culta também. O mais interessante é que ela é a mais velha de 7 ou 8 irmãos, e foi criada por pais "hippie" no interior da Inglaterra, e não teve nada parecido com uma educação formal - pelo visto, em sua adolescência, ela era "ensinada" em casa pelos pais, o que significava na prática: ler todos os livros que ela quisesse da biblioteca. Minha teoria é então que livros podem complementar e até substituir a escola, desde que, é claro, seja bons livros - e não qualquer livro para adolescentes que estão abundando por aí. 

Eu realmente gostei muito de tudo o que ela escreveu, e achei que faz todo o sentido mundo, e eu concordo bastante com quase tudo - menos com o capítulo sobre o aborto - aí divergimos completamente.

Eu grifei alguns trechos e passei para alguns amigos e um dos que eu mais gostei foi esse:

"Por que não fizemos nada? Com base em minhas próprias experiências pessoais, 100 mil anos de superioridade masculina têm sua origem no simples fato de que os homens não pegam cistite. Por que não foi uma mulher que descobriu a América em 1492? Porque, na época anterior aos antibióticos, que mulher ia se arriscar a chegar no meio do Atlântico e passar o resto da viagem agarrada à latrina chorando e ocasionalmente berrando pela escotilha: “Alguém aí já está vendo Nova York? Preciso de um cachorro-quente”. Do ponto de vista físico, somos o sexo frágil. Não somos tão boas erguendo pedras, matando mamutes ou remando. Além do mais, o sexo com frequência acarreta na complicação adicional de nos deixar grávidas e faz com que nos sintamos “gordas demais”para liderar um exército que vai invadir a Índia. Não é coincidência que as iniciativas em prol da emancipação feminina só tenham começado a surgir depois das exegeses gêmeas da industrialização e da contracepção —quando as máquinas fizeram com que ficássemos iguais aos homens no local de trabalho e a pílula fez com que ficássemos iguais aos homens na expressão do desejo. Em épocas mais primitivas —que eu pessoalmente considero qualquer época antes do lançamento de Uma secretária de futuro, em 1988 —, o vencedor sempre seria qualquer um que tivesse força física suficiente para derrubar um antílope e uma libido que não terminasse com gravidez e morte no parto. Por isso, aos poderosos era dada educação, discussão e concepção da “normalidade”. Ser um homem e viver como um homem era o normal: todo o resto era “o outro”. E, como “o outro”—sem cidades, filósofos, impérios, exércitos, políticos, exploradores, cientistas e engenheiros —, as mulheres saíam perdendo. Não acho que o fato de as mulheres serem vistas como inferiores seja um preconceito com base no ódio que os homens têm de nós. Quando se olha para a história, é um preconceito baseado em fatos."

Piada, com fundo de verdade. A melhor forma de piada e de verdade.

25 de abril de 2018

March


Editora Harper Perennial

Mais um livro da lista de Pulitzers: March, de Geraldine Brooks. Confesso que fiquei desconfiada do livro assim que o comecei a ler: é a história do pai da família do livro Adoráveis Mulheres (Little Women), de sobrenome "March" (em português, "O Senhor March"). Quem já leu o clássico original, sabe que o pai está ali de relance, ele logo parte para a guerra, e não se vê muito mais dele. Então parece - e assim é - uma grande liberdade artística da autora essa recontagem da história. No final dessa edição, ela explica que usou de inspiração a vida do pai da autora do Little Women, Louisa May Alcott, já que claramente ela se inspirou na própria vida e de sua família para escrever seu livro.

Nessa narrativa, o pai está na Guerra da Secessão, como ministro / capelão de uma divisão do exército do Norte, mas por meio de flashbacks ele reconta toda sua vida, seu namoro, casamento, e seu envolvimento político com essa guerra antes mesmo de ela começar efetivamente. Uma personagem que parece completamente diferente é a mãe das quatro meninas, que é retratada de uma maneira mais sanguínea, enérgica e politicamente envolvida do que o clássico original parece sugerir (embora eu esteja escrevendo a partir das minhas lembranças do livro, não fatos fidedignos).

Assim como em "E o Vento Levou...", gostei de ler sobre esse episódio da história dos Estados Unidos por meio da literatura - me parece tão real embora seja ficcional - e alguns episódios levarei para sempre comigo.

23 de abril de 2018

Somebody´s Luggage


Eu gosto muito do Charles Dickens, mas fazia muito tempo que esse livrinho, Somebody's Luggage, estava me esperando para lê-lo. Depois fui ler sobre ele na internet e parece que Dickens não escreveu todas as pequenas histórias que o compõem, mas convidou algumas pessoas para agregar seus contos sobre partes da "Bagagem de alguém". Certo é que eu gostei mais do início do texto, em que um mordomo encontra essa bagagem abandonada num hotel há anos - paga a taxa de armazenagem - para abrir e descobrir o que tem dentro.

Não é lá uma história fantástica, mas é Dickens - pelo menos parcialmente, até onde a internet diz.

20 de abril de 2018

Crianças Dinamarquesas

Editora Schwarcz - Capa Jess Morphew
Eu gosto muito de ler sobre educação infantil - é uma forma de me educar para ser mãe, já que não é algo que se aprenda na escola. Há muitas fontes de informação para "parentar": a sua própria intuição, a inspiração dos seus próprios pais - ou de outros que foram observados, além dos pares e as infinitas conversas com outras mães. Mas eu gosto de ler algo mais estruturado, às vezes até científico. E quando eu identifico com algo - algo que eu possa dizer: isso! eu quero fazer isso! nisso eu acredito! - eu fico extremamente feliz.

Recentemente, o livro Crianças Dinamarquesas me deixou super feliz - algo tão razoável, tão coerente - com recomendações que eu já sigo, e outras que eu quero seguir. Logo no começo do livro, eu já comecei a falar dele para minhas amigas, e eu recomendo de coração para todos nessa jornada de serem os melhores pais possíveis. É CLARO que nem todo mundo vai concordar com tudo, ou vai querer fazer tudo, mas as autoras já consideram essa possibilidade, não é uma doutrinação que elas buscam - só o fato de dar a informação e permitir que haja discussão de possibilidades diferentes, já há um enriquecimento de vida.

As autoras Jessica Joelle Alexander e Ibsen Dissing Sandahl são amigas, uma jornalista e outra psicóloga, uma dinamarquesa e outra norte-americana, e resolveram escrever o livro depois de começarem a discutir a possibilidade do segredo da felicidade do povo dinamarquês ser a criação dos filhos - quando elas próprias já eram mães. Houve um trabalho de pesquisa, houve uma estruturação da teoria, e há referências científicas de pesquisas em outros lugares do mundo, embora a maioria das referências seja realmente dinamarquesa.

Como eu já disse, a leitura vale. Não é um texto vazio para vender livros com base num bom slogan ("o que as pessoas mais felizes do mundo sabem sobre criar filhos confiantes e capazes), mas realmente um bom trabalho de pesquisa e estruturação que pode enriquecer bastante a vida dos pais por aí.

16 de abril de 2018

A Luz entre Oceanos

Editora Rocco

Uma amiga me indicou esse livro e explicou: "é um novelão" - e "A Luz entre Oceanos" é isso mesmo: drama, drama, drama. Na Austrália, pós II Guerra, duas pessoas se casam, vão morar isoladas numa ilha do farol - sem vizinhos, sem mais ninguém, um único contato externo a cada 3 meses. Aí surge uma situação crítica, que fica insustentável - e a gente ali sem saber se torce para quem ou para o quê.

O filme baseado no livro de M.L. Stedman deve ser bem bonito - mas eu ainda não assisti. O livro é um pouco lento e dramático demais, então recomendo para quem estiver nessa vibe.

3 de abril de 2018

The Sympathizer

Editora Grove Press - Capa Christopher Moisan

Esse livro entrou na minha lista de leituras porque é um ganhador do Pulitzer: O Simpatizante, Viet Thanh Nguyen - um americano. É daqueles livros TÃO diferentes da nossa realidade, que o assombro é impossível de evitar.

Nessa história, o narrador é um infiltrado comunista nas tropas "capitalistas" vietnamitas. Quandos os Estados Unidos perdem a guerra efetivamente, com o abandono de Saigon, ele é "evacuado" junto com o general para o qual ele serve para a Califórnia.

Ele não conta só da guerra e da sua vivência em solo norte-americano, mas também da sua infância, e suas convicções políticas e seus relacionamentos. É estranho, é chocante, e em determinado momento do livro, MUITO MUITO sofrido.

Para mim, foi particularmente interessante ler sobre a Guerra do Vietnã, já que não lembro de ter livros sobre ela, e é assim que eu mais gosto de aprender um pouco de história - através de obras ficcionais. Sei que não se trata de história com H maiúscula, mas a impressão do evento é bem mais marcante.

30 de março de 2018

O Conto da Aia

Editora Rocco - Capa Laurindo Feliciano

Eu li O Conto da Aia! Mas ainda não vi a série.

A história de Margaret Atwood é incrível e fantástica - escrita há 30 anos atrás, relata um futuro distópico - quando os Estados Unidos são dominados por um poder religioso cristão que proíbe as mulheres de terem cidadania. A ideia dos líderes é voltar ao tempo bíblico de Abraão, no que é conveniente e da forma que é conveniente, o que dá uma boa discussão sobre tradição, religião, cristianismo e poder.

A narrativa é feita por uma mulher, a Aia do título, rememorando o que se passou. No entanto, a forma em que isso é feito - a velocidade dos acontecimentos, as explicações, mesmo a própria personagem - deixa muito a desejar. Dá para entender porque esse livro ficou no esquecimento por tanto tempo (não havia uma edição disponível para venda aqui no Brasil quando a série foi lançada). Aliás, seu sucesso atual é por conta da série realmente - ouvi muitos comentários positivos - que deve ser mais emocionante que o livro.

Geralmente o livro é melhor que o filme, mas aqui não parece ser o caso. Vale a leitura se você não for assistir a série, ou se quiser mesmo saber detalhes da história.

27 de março de 2018

A girafa, o pelicano e eu

Editora Editora WMF Martins Fontes - Capa Kátia Harumi Terasaka

"A girafa, o pelicano e eu" é o quarto livro do Roald Dahl que eu leio esse ano, e o mais parecido com uma fábula, já que o foco é o relacionamento de um menino com uma Girafa, um Pelicano e um Macaco (não entendi porque ele não faz parte do título) que se tornam amigos e ajudam uma pessoa mal humorada e é recompensada por ela. Tem uma moral, tem uma graça, e tem assunto sério também já que os 3 animais da história tem uma empresa de lavar janelas, ou como usar as características e talentos naturais de cada um para fazer negócio.

23 de março de 2018

As Rãs

Editora Companhia das Letras - Capa Carlo Giovani

O livro "As Rãs" foi escrito pelo autor chinês Mo Yan, ganhador do Prêmio Nobel em 2012. É incrivelmente perturbador por focar a narrativa a médica / parteira de uma região do interior, que também tem a responsabilidade de colocar em vigor a política de Filho Único do governo, o que inclui abortos de "filhos não autorizados", operações de vasectomia, e colocações de DIU em pessoas reticentes.

É chocante.

Incrível que eu nunca tinha parado para pensar no que realmente significava a política de filho único na China. Algo impessoal como: as pessoas só podem ter um filho, e assim elas faziam e pronto. Mas não, óbvio, não basta uma lei para decidir isso - ainda mais para pessoas cujos filhos representam riqueza em mão de obra... Como deve ter sido difícil!

O narrador passa uma ideia de insensibilidade também, não só com essa questão social como nos seus próprios relacionamentos, o que dá um teor estranho para o livro - o que é aprofundado pelas diferenças culturais entre brasileiros e chineses.

Não posso dizer que eu adorei o livro, mas recomendo, claro, porque é sempre interessante ler sobre outras culturas num livro de um bom autor reconhecido.

17 de março de 2018

Dying to Read

Editora Revell

Eu peguei esse livro de graça numa promoção na Amazon, principalmente por causa do título algo como "Morrendo para Ler - uma Novela" (de Lorena McCourtney).

É um livro de mistério, do tipo "whodunit" (quem fez?), ou seja, a linha é descobrir o assassinato do cadáver que aparece no primeiro capítulo. No caso, uma senhora que está morta quando as amigas chegam para um clube do livro na casa dela.

A personagem principal, Kate, não está dando certo na vida e resolve ajudar o tio na empresa de investigação particular e acaba sendo levada para o meio desse "mistério".

Eu achei interessante que a personagem é cristã, então tem uma referência aqui e ali, mas não é o tema do livro nem o assunto principal. No entanto tem algumas partes bem forçadas, principalmente quando aparece o mocinho da história.

O que me decepcionou mesmo foi que, fora a morta estar participando de um clube de leitura, não tem mais nada a ver com "livro" ou "ler", que era o que eu esperava a partir do título.

As bruxas

Editora WMF Martins Fontes - Capa Kátia Harumi Terasaka

O filme "A Convenção das Bruxas" fez parte da minha infância e por muito tempo essa foi a minha definição de bruxas (até Harry Potter, claro).

Então, ler esse livro agora foi uma delícia: lembrar da infância, imaginar lê-lo com as minhas filhas (no futuro, não recomendo para menos de 7 anos) e descobrir outro livro ótimo do Roald Dahl. 

Como é gostoso ler um bom livro infantil - com muitas páginas, poucas ilustrações, e ainda assim para crianças, e para viajar junto com essa história muito louca. 

7 de março de 2018

A Restauração das Horas

Editora Nova Fronteira

A maior vantagem de ler os ganhadores do Pulitzer é que são livros bons. Livros que foram lidos, analisados, e receberam um selo de qualidade, que nem todos - aliás a maioria - tem.

No entanto, não quer dizer que todas as histórias vão ser realmente legais - como esse "A Restauração das Horas", de Paul Harding (em inglês: Tinkers, que pode ser traduzido como Latoeiro). Aqui, um homem está no leito de morte - literalmente a horas de morrer (o autor informa: "faltando 86 horas para que o fulano morra"), e ele começa a divagar sobre a sua vida, e o narrador vai misturando com relatos da vida do seu pai e do seu avô.

É um retrato cultural interessante do interior dos Estados Unidos - como em 3 gerações há tanta mudança de ocupação, convívio familiar, tipo de domicílio - mas não sei se pela profusão de personagens masculinos, não me envolvi tanto com a história como em outros casos. Em li em paralelo com o livro As Horas, e este foi tão melhor!

Mas, é claro, que se trata de um livro bom.


1 de março de 2018

The Hours

Editora Picador USA

Além de ter ganhado um Pulitzer, "As Horas" foi adaptado para um filme de sucesso com Meryl Streep, Nicole Kidman e Juliane Moore. Eu não lembro de ter assistido o filme, então fui me surpreendendo com a história, de um dia na vida dessas 3 mulheres em momentos de vida e épocas tão diferentes, mas tão naturalmente similares.

Michael Cunnigham realmente me surpreendeu pela sensibilidade de apresentar um fluxo de pensamento tão coerente para pessoas do sexo oposto. Eu sei que é isso que os bons escritores fazem: se multiplicam em diversos personagens, mas isso é feito com maestria nessa obra.

Parece ser um dia comum para as três, mas enquanto a superfície é calma e rotineira, por dentro, borbulham inquietações, dúvidas e crises. Com relação a Virgínia Wolf, sabemos o que irá acontecer por ser um fato histórico (mas que ocorre no futuro do tempo do livro), mas para as outras duas, vamos acompanhando passo a passo como vai se desenrolar.

A história começa mais devagar - porque é uma apreciação dessa superfície inócua, mas a medida que os eventos aceleram - na verdade, a medida que as conhecemos melhor (o que inclui lembranças, conversas, reflexões), o livro vai se tornando muito mais interessante e é difícil parar até chegar ao fim.



26 de fevereiro de 2018

Se vivêssemos em um lugar normal

Editora Companhia das Letras - Capa Elisa von Randow 

Eu gosto muito das crônicas do Juan Pablo Villalobos no blog da Companhia das Letras, e gostei muito do primeiro livro que li dele - Festa no Covil (foi até um dos meus top livros de 2015), mas nesse livro com um título ótimo: Se vivêssemos em um lugar normal, eu acredito que ele perdeu um pouco a mão.

A história começa bem, uma família de pai professor, 7 filhos com nomes gregos,  a mãe que todo dia serve quesadillas no jantar - tão recheadas quanto possível, variando com a renda do dia, na periferia de uma cidade no interior do México. É interessante, é engraçado, mas lá pelas tantas o autor desbanca tanto para o fantástico, com ETs e tudo o mais, que causa muito estranhamento e parece que um limite foi transpassado sem vantagem para o leitor.

Para comentar melhor minha frustração - um spoiler de uma parte que me entristeceu logo abaixo.

No começo da história, os filhos gêmeos da família somem - são perdidos no meio de uma confusão num supermercado, em que a mãe estava tentando comprar comida, e não viu para onde eles foram. Ela fica desesperada, claro, o pai também - e no começo sobra mais comida para os outros irmãos - mas é isso. Eles são tão pobres e pouco importantes, que esse sumiço não dá em nada, e, no meu ponto de vista, nem é parte da trama principal. É triste como isso pode acontecer - e tenho certeza que acontece até hoje - e só ficou a sensação de que eu sofri mais com isso do que os próprios personagens.

Acho que a leitura do livro vale para conhecer a cultura, a situação econômica e social do México na década de 80, mas Festa no Covil é melhor.



24 de fevereiro de 2018

O Fantástico Senhor Raposo

Editora WMF Martins Fontes - Capa Kátia Harumi Terasaka

A história de "O Fantástico Senhor Raposo" parece um conto antigo, desses de tradição oral que muitos autores infantis registraram em seus livros. Nessa obra de Roald Dahl, um raposo e sua família são perseguidos por 3 donos de fazendas muito chatos e folgados, que querem vingança por tantos anos de roubo. Claro que a construção é tão bem feita, que ficamos automaticamente do lado do pequeno ladrão, que pelo menos tem um bom caráter (?!) ao roubar para alimentar sua família, e se há em excesso dividir com os vizinhos.

A história é divertida, e boa como início de conversa com as crianças.

19 de fevereiro de 2018

Os Íntimos

Publicações Dom Quixote

Eu gostei muito desse livro da Inês Pedrosa, assim como eu gostei do primeiro que li dela (Fazes-me falta), e principalmente porque eu gosto muito da sua prosa, o seu jeito de escrever poético e sensível, como nesse trecho:

"Estou dentro de um cenário de cinema. Como se as casas fossem de cartão prensado, e a vida se suspendesse para poder ser inventada, debaixo das luzes que vacilam na noite por causa da chuva, uma chuva miudinha, falsa, melodiosa, regulada como banda sonora."

Em "Os Íntimos", a autora descreve uma noitada entre amigos homens, em que a voz narrativa passa de um para outro - mas mais seus pensamentos e falas, monólogos que não temos certeza se são pronunciados em voz alta.

Há personagens femininas, mas elas são secundárias - e eu achei o livro muito interessante e bonito, mas eu o terminei sem saber se o retrato dos homens é convincente, ou só como uma visão feminina.

20 de janeiro de 2018

Short Stories from Hogwarts of Power, Politics and Pesky Poltergeists

Editora Pottermore

Nesse outro pequeno livro publicado pela J.K. Rowling, "Shorts Stories from Hogwarts of Power, Politics and Pesky Poltergeists", o maior foco é realmente em política, tendo uma lista de todos os Primeiros Ministros da Magia. É interessante como ela promoveu diversidade - há mulheres no poder - boas e más - e ainda "conversou" com a história política real da Inglaterra, como por exemplo nos períodos de I e II Guerra Mundial.

Há uma pequena nota no final a respeito do Poltergeist favorito da galera, Pirraça, e como ele se relaciona com as autoridades ao seu redor - a bagunça e desobediência não deixa ser uma forma de poder não oficial que ele tem mesmo, mas que é possível ser limitada por pessoas de respeito (e eu vejo muito da relação de criança e pais nisso, hahahaha).

12 de janeiro de 2018

Matilda

Editora WMF Martins Fontes - Capa Katia Harumi Teresaka

Nos últimos anos, a editora WMF Martins Fontes tem feito o favor de publicar novas edições dos livros de Roald Dahl, muito bonitas, e que está trazendo esse autor para as prateleiras de livrarias no Brasil. A princípio, poucos podem conhecer o nome dele, Roald, não Ronald, filho de noruegueses, criado no país de Gales, mas muitos já viram filmes adaptados de suas obras, como A Fantástica Fábrica de Chocolate, James e o Pêssego Gigante, Matilda, e mais recentemente, O Bom Gigante (há outros, eu sei).

Acontece que eu só fui ler livro dele agora, comecei com "Matilda" e, gente, é demais! Uma escrita gostosa, uma história interessante, personagens muito engraçados. Mesmo se você conhece o filme, que é bem fiel, vale a pena ver ela assim, descrita em palavrinhas, como o autor imaginou.

Quero ler todos, quero ter em casa todos para minhas filhas lerem. Nada como boa literatura infantil!





9 de janeiro de 2018

O Projeto Rosie

Editora Record

Um livrinho bonitinho estilo férias e disponível no unlimited: O Projeto Rosie, de Graeme Simsion. Nesse chick lit, o protagonista é um professor de genética com quase quarenta anos, Don Tillman, tirando o foco da estrutura tradicional desse tipo de livro - que geralmente foca nas meninas. É claro que a Rosie do título também é importante, mas o livro é todo do ponto de vista dele, que tem realmente algum tipo de espectro autista. Ele parece com o Sheldon de Big Bang Theory, mas ele transgride muito mais facilmente suas próprias regras - é a estratégia do autor para mostrar o quanto o personagem está apaixonado, mas ficou parecendo "fácil demais" para mim.

É daqueles livros que não dá vontade de parar de ler, mesmo sabendo o final, mas não é tão cativante a ponto de querer ler a continuação. Aproveitem esse!

3 de janeiro de 2018

Snow Hunters

Editora Simon & Schuster - Capa Christopher Lin
O começo do ano trouxe um livro de autor americano sobre um personagem coreano que emigra para o Brasil. Eu achei a história toda muito curiosa, em que o Yohan encontra pessoas como Peixe, Bia e Santi numa cidade portuária não identificada.

O livro mostra uma visão bem delicada de quem emigra para cá de uma cultura tão diferente, sem se limitar a isso. É a história particular de Yohan, esse homem quieto, que foi prisioneiro de guerra, assume uma alfaiataria, e seu caminho de reconstrução de relacionamentos.

Não é uma história longa (mas confesso que demora um pouco para se familiarizar com o texto), e essa edição digital original, há um comentário do autor sobre o livro no final, o processo de criação da história, e um pouco até de interpretação do texto, o que, para mim, enriqueceu muito a leitura.

"Caçadores de Neve", de Paul Yoon, ganhou um prêmio internacional, mas ainda não foi publicado aqui no Brasil, e acho que dificilmente vai ser.