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27 de janeiro de 2020

Destinos e Fúrias

Editora Intrínseca

Destinos e Fúrias é um livro pesado, embora não muito comprido, uma história densa de dois personagens, Mathilde e Lotto, dividida em 2 partes: primeiro, a história da vida de Lotto, com a visão que ele tem da esposa, e depois a história da vida dela com a revelação de detalhes surpreendentes, que ela esconde.

Se a verdade é escondida, o amor é verdadeiro?

Como se define e se mede amor de um casal?

Eu não simpatizei tanto com os personagens, mas a construção do caráter e da humanidade deles realmente me surpreendeu positivamente.

Além de ter algo que eu adoro, que é um narrador que faz comentários. Tem algo mais legal que um narrador - essa voz do além - para contradizer ou confirmar o pensamento dos personagens? [Tem.]

Gostei muito desse livro e acho que ele é ótimo para um clube do livro. Aliás, procuro alguém que já tenha lido!

4 de janeiro de 2020

Amigos e Amantes

Editora Vida Nova - Capa 

A proposta da Série Cruciforme é apresentar livros simples sobre temas relevantes para a vida prática do cristão, e com esse livro de Joel R. Beeke, eles acertam em cheio. "Amigos e Amantes" tem pouco mais de 100 páginas, texto fácil com dicas práticas e pertinentes, sem delongas.

Como o próprio autor fala, é fácil ver livros sobre relacionamentos amorosos falando de amor, sexo, finanças, resolução de conflitos, etc, mas não tanto sobre amizade. Geralmente um namoro começa com a amizade, mas parece que isso "tem que acabar" quando se é "promovido a cônjuge". Não são mais amigos, são casados. Acredito que a lembrança de que amizade importa e sempre importará é muito válida.

Recomendo o livro para homens e mulheres casados - é realmente rápido de ler e com dicas práticas, embasando o subtítulo: "como cultivar a amizade e a intimidade no relacionamento".

29 de julho de 2017

A febre do amanhecer

Editora Companhia das Letras - Capa Cláudia Espínola de Carvalho

Quão delicioso é ver uma história de amor verdadeira e emocionante?

Muito!

Eu adoro romances. Adoro. Por isso, assim que eu vi a sinopse desse livro, fiquei encantada, e coloquei na minha lista de desejos, que virou sonho realizado rapidinho.

O autor Péter Gárdos escreveu a história do namoro dos seus pais, húngaros judeus sobreviventes do Holocausto que foram se recuperar na Suécia. Miklos, 25 anos, está a beira da morte e está desenganado pelos médicos que lhe dão 6 meses de vida, mas pensa: eu não sobrevivi a guerra para morrer aqui, solteiro. Então, ele consegue uma lista das mulheres judias da sua região da Hungria que estão na Suécia, e manda uma carta para cada uma delas. Algumas escrevem de volta, ele filtra algumas respostas, e a troca de correspondência vai em frente com Lili, que só respondeu porque teve uma crise e foi internada, e queria uma distração no hospital.

Eu gosto desse amor deliberado - pessoas que decidem deixar-se envolver-se, rendem-se a um sentimento amoroso (amor, paixão), e firmam um compromisso. É a vitória humana sobre a tragédia da guerra, manter a capacidade de amar e a vontade de viver.

Tem gente que faz isso todos os dias, depois de uma tragédia... 

Eu achei muito interessante um detalhe da história - que mostra tanto a humanidade dos médicos suecos que receberam esses refugiados da guerra em missões humanitárias: quando Lili tem uma crise e precisa ser internada, o médico descobre quem são suas amigas, e as "interna" também, para que Lili não fique sozinha no hospital. Ela já tinha sofrido tanto na guerra, estava longe da sua família, e o médico teve esse cuidado de lhe dar companhia. 

Cuidar de uma pessoa é dar atenção aos detalhes também, de cuidar do corpo e da alma...

27 de junho de 2017

O caminho estreito para os confins do norte

Editora Globo - Capa Bloco Gráfico

Um dos meus melhores livros do ano: O Caminho Estreito para os Confins do Norte, Richard Flanagan. Ganhou o Man Booker Prize - e eu estou percebendo que esses prêmios funcionam como atestado de qualidade sim.

A história é sobre um prisioneiro de guerra australiano que é levado para trabalhar numa ferrovia impossível na Ásia (veja Burma Death Railway), após ser preso pelos japoneses durante a II Guerra Mundial. O livro vai e volta no tempo, mostrando Dorrigo Evans antes e depois da guerra (achei um pouco confuso no começo), e sua narrativa é muito fria e cruel, cheia de detalhes sobre o estado miserável dos prisioneiros - fome, doença, cansaço, agressões. É de embrulhar o estômago, é de chorar.

Eu já li muitos livros sobre a II Guerra na Europa, mas esse traz uma perspectiva totalmente nova - o que os japoneses estavam fazendo, como eles eram, e o envolvimento da Austrália nesse conflito. Além disso, dá para ter uma perspectiva do que é uma Guerra Mundial mesmo: Japoneses aprisionando australianos na Síria e levando-os para trabalhar no Sião. 

Como todo bom livro, ele também fala de amor - como é possível falar de humanidade sem falar de amor? E que dádiva é ver o amor sendo descrito de uma maneira completamente nova e que mesmo assim faz tanto sentido. 

"Tenho uma amiga em Fern Tree que ensina piano. Ela é muito musical. Já eu tenho dificuldade de reconhecer as notas. Mas um dia ela estava me dizendo que cada sala tem uma nota. Basta encontrá-la. Ela começou a modular a voz, mais grave e mais aguda. E, de repente, uma nota retornou a nós, simplesmente ricocheteou das paredes e se ergueu do chão e preencheu o lugar com seu zumbido perfeito. Um som maravilhoso. Como se arremessássemos uma ameixa e recebêssemos de volta um pomar. Foi inacreditável, sr. Evans. Duas coisas completamente diferentes, uma nota e uma sala, encontrando uma com a outra. Soava... correto. Estou sendo ridícula? Acha que é isso que queremos dizer com amor, Sr. Evans? A nota que retorna a nós? Que nos encontra mesmo quando não queremos ser encontrados? que um dia encontramos alguém, e tudo que a pessoa é volta para nós numa estranha maneira de zumbir? Que se encaixa? Que é maravilhosa. Não estou conseguindo me explicar muito bem, não é?, disse ela. Não sou muito boa com as palavras. Mas era assim conosco. Jack e eu. Não nos conhecíamos muito. Não tenho certeza se gostava de tudo nele. Imagino que algumas coisas em mim o tenham irritado. Mas eu era aquela sala, e ele era aquela nota, e agora ele se foi. E tudo está em silêncio."

Eu realmente recomendo ler esse livro, para aprender um pouco mais de história, e para aprender muito mais de humanidade (a qualidade de ser humano, não a qualidade de ser bonzinho).

11 de setembro de 2015

Amor Veríssimo

Editora Objetiva - Capa Crama Design Estratégico

O livro "Amor Verissimo" reúne as crônicas usadas como base para a série de televisão GNT de mesmo nome. Embora a maioria já tenha sido publicada antes, algumas são inéditas (pelo menos em livros). Eu vi alguns episódios e achei interessante comparar como o texto foi expandido (como de costume, as crônicas de Luis Fernando Verissimo são pequenos episódios, rápidos) para ter duração de quase 30 minutos na telinha. Eu gosto da temática de relacionamentos amorosos, que sempre dá pano para manga para o humor. O livro é curto e um entretenimento fácil. Vale a pena para comprar em promoção (como eu fiz, livro digital para kindle). 

20 de julho de 2015

Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento

Editora Globo - Capa Mariana Newlands

Alice Munro ganhou o Nobel de Literatura de 2013 e assim mostrou a importância dos contos. Talvez isso faça sentido nos dias atuais, de correria e enxurrada de informações - a literatura também se apressando, mas o fato é que ela é muito boa. Seus contos são acessíveis e mostram a complexidade da natureza humana de forma simples e direta.

Vários livros dela estão disponíveis para quem assina o "kindle unlimited", e é uma das poucas coisas boas desse catálogo. Eu gostei muito de ler "Ódio, amizade, namoro, amor, casamento", livro no qual esses sentimentos estão em foco - mas quando é que não estão?


9 de março de 2015

Amor Líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos

Editora Zahar - Capa Sérgio Campante

Eu me interesso muito sobre relacionamentos humanos, principalmente os amorosos, por isso fiquei curiosa para ler esse livro de Zygmunt Bauman, um sociólogo polonês que, depois de descrever a sociedade atual como "líquida", escreveu o livro "Amor Líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos".

Ao contrário das minhas expectativas, o autor não fala só sobre relacionamentos amorosos, mas de relacionamentos em geral, o que inclui por exemplo a relação entre refugiados e os cidadãos dos países que os recebem.

Para quem gosta de sociologia, é uma leitura interessante pela análise abrangente, principalmente considerando a questão dos relacionamentos virtuais e o comportamento das pessoas nas redes sociais (mas não algo muito extensivo). 

O único ponto que eu achei um pouco viagem do autor é do que ele fala sobre as separações entre as pessoas de classes sociais diferentes, que as pessoas "mais ricas" querem se sentir parte de grupos exclusivos, então criam muros e redes de segurança em volta de si mesmas para se manterem afastados das pessoas "mais pobres", como se a questão da violência urbana não existisse e fosse uma ameaça real a propriedade de pessoas muito ricas, ricas, e nem tão ricas assim (e Bauman cita especificamente São Paulo nesse capítulo).

26 de dezembro de 2014

Looking for Alaska


Contos:
The Imperfectionists - Tom Rachman

Infantil:
Ter um patinho é útil - Isol

Contemporâneo:
Não me abandone jamais - Kazuo Ishiguro

Clássico:
To kill a Mockingbird (O sol nasce para todos) - Harper Lee

Não ficção:
Crianças Francesas não fazem manha - Pamela Druckerman

Hors Concurs:
Harry Potter, claro!

10 de maio de 2014

The four loves

Editora First Mariner Books

C. S. Lewis é um autor fantástico que sabe explicar conceitos cristãos como ninguém. Em "Os Quatro Amores", ele distingue quatro tipos desse sentimento que é de uso tão geral, que por vezes se banaliza. Os conceitos que ele apresenta são: Afeição, Amizade, Eros e Caridade, explicando como é o lado positivo e quando eles podem se tornar danosos.

Eu fui impactada bastante por esse livro, principalmente pelo capítulo da Amizade, que realmente foge um pouco do conceito atual, em era de rede social, principalmente. Nele também, há um ponto super polêmico sobre o fato de que homens e mulheres não podem ser amigos porque não tem assuntos em comum. Que se uma mulher está num grupo de homens, eles não conseguem conversar sobre política e filosofia, ou qualquer um desses assuntos sérios, porque ela não acompanha, e vai trazer a discussão para assuntos mais mundanos, como moda ou crianças.

De primeira, é fácil ficar ofendida. Aí você se lembra que esse livro é de mais de 50 anos atrás, então o autor estava simplesmente observando o seu ambiente (ele era professor de faculdade em Oxford, Inglaterra). Então, você pensa que o mundo mudou, as mulheres estão no mercado de trabalho, e as conversas num grupo misto podem conter um alto nível intelectual, e serem sobre "ideias" e não sobre "pessoas", como dizem por aí... Ou nem sempre. (E nem por culpa de um dos lados).

7 de abril de 2014

The fault in our stars

Editora Dutton Children's

Finalmente li meu primeiro livro do Jonh Green, e percebi que não será o último. Gostei do estilo do autor, com várias frases bonitas, que dá vontade de grifar (não cheguei ao ponto de querer tatuar, como eu vi pela internet - rs).

A culpa é das estrelas (em inglês, achei melhor: The fault in our stars) é um livro daqueles que pega pesado: é a história de amor de dois adolescentes com câncer. E não parece piegas ou uma chantagem emocional, é sensível e delicado. 

O autor afirma se tratar de ficção, mas parece realmente que foi inspirado numa garota que existiu de verdade - não me interessei em saber mais sobre ela, porque eu gostei muito do livro e isso me basta. Não sei se o filme, que estreia esse ano vai conseguir corresponder ao livro, já que, como eu disse, há citações tão boas que valem a leitura.

12 de julho de 2013

Les Yeux Jaunes des Crocodiles

Editora Le Livre de Poche
Eu estudei só uns dois anos de francês, mas eu consigo ler livros nessa língua mais por força de vontade do que por proficiência. Com um pouco de paciência, por ser uma língua próxima do português, é ótimo exercitar a dedução lógica para o significado: ver o que a palavra lembra e pensar em sinônimos - aí é só confirmar no dicionário. Ainda mais se o livro é bom, como "Os olhos amarelos dos crocodilos", aí sim é entretenimento garantido.

Esse livro da Katherine Pancol acompanha a vida de Josephine, casada, duas filhas, em Paris (mas o interessante que os crocodilos do título não são metafóricos como pode parecer). Eu a-do-rei ela, uma heroína normal, embora dê vontade de sacudi-la às vezes para falar: "acooooorda". Muito bom entrar num livro assim!!

Vale a pena deixar aqui o texto da contracapa do livro, muito bonito, numa tradução livre minha:

Esse romance se passa em Paris. E ainda nos deparamos com crocodilos. Esse romance fala dos homens. E das mulheres. Aqueles que nós somos, aqueles que queremos ser, aqueles que não seremos jamais, aqueles que nos tornemos talvez. Esse romance é a história de uma mentira. Mas também uma história de amor, de amizades, de traições, de dinheiro, de sonhos. Esse romance é cheio de risos e de lágrimas. Esse romance é a vida.

Trata-se de uma trilogia, e muito me interesse ler os próximos! (Aqui no Brasil, só o primeiro foi publicado... espero que venham aí os outros!)

8 de março de 2013

Fazes-me falta

Editora Objetiva - Capa Erika Azuma e Rodrigo Disperati

"Fazes-me falta" é um livro lindo. Lírico. Sensível. Uma história de amor. De amizade. Diferente.

Um homem e uma mulher dialogam, próximos, mas numa distância infinita: ele tenta superar a morte prematura dela, que também revive sua vida e seus relacionamentos.

Inês Pedrosa nos envolve aos poucos dentro desse universo, (sua prosa parece ter outro ritmo, apesar de ser o mesmo português), e vamos nos aproximando cada vez mais desse casal, indo para dentro de suas mentes e corações - e podemos até encontrar um pouco de nós mesmos e nossos sentimentos...


24 de fevereiro de 2013

O significado do casamento

Editora Vida Nova - Capa Souto Crescimento de Marca
 
Definitivamente, esse é um dos melhores livros sobre casamento que eu já li. O autor Timothy Keller e sua esposa Kathy, com vários anos de experiência prática e de aconselhamento conjugal, conseguiram fazer uma obra que apresenta e explica "O significado do casamento" mesmo.
 
Há muitas referências a estudos e pesquisas científicas, geralmente recentes, que embasam bastante do que é dito, embora a referência principal seja a Bíblia, sendo um livro notadamente cristão. O livro se posiciona sobre os conceitos contemporâneos de relacionamentos e casamentos, sem perder a visão histórica - e não simplesemente dizendo: "na época dos nossos avós era melhor", mas sendo realista sobre esse projeto de Deus para a nossa vida, e o que é um casamento saudável.
 
Também existem capítulos específicos sobre namoro e ser solteiro, de uma maneira bem lúcida - Timothy até diz que é muito importante para os solteiros entenderem do que se trata o casamento para saber o que aspirar - ou não, conforme o caso.
 
Por fim, o livro é dedicado a 5 casais que são amigos dos autores há mais de 30 anos, desde quando eles namoraram e casaram - e eles mencionam como isso foi importante para a caminhada deles, ter amigos para compartilhar os altos e baixos. Eu sou grata a Deus por também ter encontrado casais para cultivar uma amizade de longo prazo - é preciso escolher bem, mas é uma benção quando essas pessoas certas existem!

23 de dezembro de 2012

The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society

Editora Dell - Capa Roberto de Vicq de Cumptich
"A Sociedade Literária e da Torta de Casca de Batata de Guernsey" é  um retrato maravilhoso de uma pequena comunidade pós a ocupação alemã da ilha de Guernsey no canal da Mancha. A história é tão singular e os personagens, carsmáticos, que você deseja que eles existam, e seus filhos e netos estejam vivos por aí até hoje como uma lembrança viva do que se passou.
 
O romance é espitolar, ou seja, tudo o que lemos são as cartas que os personagens trocam, numa época que não havia a pressa da comunicação instantânea, e embora você ficasse curiosa em receber logo uma resposta - ou conhecer pessoalmente o outro! - tudo era feito com mais calma, o que, por sua vez, tornava comum que visitas durassem semanas quando uma viagem realmente acontece.
 
É triste saber que não teremos mais livros como esse, pois a primeira autora, Mary Ann Shaffer, faleceu. Ela era idosa quando escreveu esse livro, e precisou da ajuda da sobrinha, Annie Barrows, para finaliza-lo.
 
Uma nota final: o livro não tem a receita da torta de casca de batata que eles faziam durante a guerra, mas há algumas receitas na internet, e eu pretendo testar alguma um dia!

28 de outubro de 2012

The perks of being a wallflower

Editora Gallery Books
Quando eu comentei com algumas pessoas que eu estava lendo o livro do filme "As vantagens de ser invisível", o que eu mais ouvi foi: "que filme é esse?", embora ele tenha estreado no cinema esse mês, e conte com pelo menos uma atriz famosa - Emma Watson, a Hermione. Então, se o filme não alcançou um grande público, imagina o livro de Stephen Chbosky, escrito no final da década de 90... Mas pelo que eu pesquisei, ele foi sim um best-seller nos Estados Unidos, e o seu retrato da adolescência estereotipada americana - com sexo, bebidas, drogas e até rock n'roll - chegou a ser proibido em alguns estados.

O livro é uma coletânea de cartas do personagem principal, Charlie, que decide escrever para alguém que ele não conhece sobre sua vida, suas emoções e seus pensamentos. É nítido que o garoto não é normal, tem algum tipo de imaturidade emocional que torna deturpada a sua visão de mundo. E ele chora muito. É um pouco irritante até, o tanto que ele chora, por diversos motivos. (Mas talvez seja eu, um pouco sem coração).

Eu não conheço os outros atores, mas puder ler o livro todo vendo a Emma Watson no papel de Sam, então perdi a vontade de ver o filme no cinema - é como se já tivesse assistido tudo na minha cabeça. Fora que é algo beeeeeeem adolescente, então, se você está próximo dessa época, pode rolar uma identificação e empatia, eu já estou acá pensando "crianças..." :-D Incrível como envelhecer altera mesmo as suas lentes de ver o mundo (e isso não é ruim). 

23 de julho de 2012

Uma nova visão do amor

MG Editores - Capa Alberto Mateus
Flávio Gikovate é um psiquiatra que direcionou sua carreira para relacionamentos amorosos, elaborando teorias sobre o amor, sexo e afins e ajudando na prática milhares de pessoas através do que ele chama de terapia breve. Além de ter um programa de rádio semanal chamado "No divã com Gikovate", ele tem muitos  artigos e livros publicados, então é muito difícil você não ter esbarrado num texto dele por aí - ou mesmo numa novela que ele participou - mas talvez não ligue a pessoa a esse nome que eu cito aqui.

Interessada como sou pelo tema, escolhi começar a ler sua obra através do livro "Uma nova visão do amor", do começo da década de 90, mas revisado recentemente. É engenhoso ver como ele racionaliza o que nós acostumamos a chamar de sentimento, " que não dá para explicar e não faz sentido", de maneira lógica que nos faz pensar: "mas será que não é isso mesmo?" ao lembrarmos de amigos e amigas que encaixam direitinho no que ele está dizendo, ou mesmo até a gente...

Como teoria, Gikovate já deixa claro que o livro é a sua proposta do que melhor encaixa ao que ele vê acontecendo nos relacionamentos humanos. Talvez por isso que o "amor ideal" ou "+amor" que ele apresenta no final me parece o que é mais utópico e desconectado da realidade.

Ele diferencia bem um amor saudável de um problemático, que levará quase que certamente ao fracasso / divórcio, mas não apresenta soluções para esses problemas. De qualquer forma, o auto-conhecimento sempre pode ser um primeiro passo para se desenroscar de uma relação complicada e procurar mares mais tranquilos. 

10 de junho de 2012

Para sempre

Editora Alfaguara - Capa Victor Burton
Fazia tempo que eu não me apaixonava a primeira vista por um livro, como esse, da Ana Maria Machado: "Para sempre". Olha o começo do livro:

Pode chamar de amor eterno. Tem muita gente que chama.
Com mais frequência em poemas, novelas e romances do que ensaios. E isto não é um ensaio. A rigor, também não é uma novela. Mas numa época que vem abolindo cada vez mais as distinções entre os gêneros masculino e feminino, também é natural que as fronteiras entre os gêneros literários deixem de existir. Chamemos, portanto, de amor eterno.
Claro que depende do que se entende por eterno. E por amor.

Eu simplesmente adoro narrador que conversa com o leitor - pode ser de maneira mais direta,  chamando de "você" e fazendo perguntas ou dando sugestões (como Brás Cubas), ou assim, num diálogo mais sutil, que pode parecer uma voz na sua cabeça costurando o pensamento, ou uma conversa entre amigas - daquelas compridas, que se aprofundam e se superficializam sem perder o tema condutor.

E nesse caso, o tema também é um dos meus preferidos: o amor. Sem teorizar muito, através de histórias "de gente de verdade", pouco romantizadas, mas românticas em si, a autora apresenta a sua tese sobre o amor que é para sempre, o tal do amor eterno.

Eu que conhecia a Ana Maria Machado da literatura infantil, já estou empolgada para ler outros livros da sua literatura adulta - esperando que todos sejam lindos como esse. Acredito que não vou me decepcionar...

17 de março de 2012

Na Praia

Editora Companhia das Letras

Eu só conhecia o autor Ian McEwan de ver o filme Desejo e Reparação, que foi adaptado do livro Reparação, que foi realmente um chute no estômago - principalmente para quem, enganada como eu por um título brasileiro e a mesma Keira Knightkey, se remeteu ao fofíssimo Orgulho e Preconceito. Aí a mediadora do meu clube de leitura fez uma analogia dos livros desse autor como uma bala de puxar: ele pega uma situação comum e puxa, estressa, até ver quando vai romper. E o pessoal comprou a ideia de ler Na Praia (On Chesil Beach) para esse mês de março.

A história se passa no comecinho da década de 60, antes da revolução sexual, e começa com um casal, virgem, num hotel na sua noite de núpcias. A gente entra na cabeça dele, e entra na cabeça dela, e pode ver como eles estão totalmente descompassados: ele está louco para consumar o ato e ela sente nojo de sexo (a começar por beijo na boca) e gostaria de fugir da situação, mas não quer desapontá-lo como esposa.

Há alguns flashbacks para entender melhor os personagens, e mesmo sendo uma história curta, ela é um mergulho profundo nesses dois, Edward e Florence, e também um retrato de uma época, principalmente do que se tratavam os namoros. No entanto, há algo de atemporal no casal: o ponto principal de conflito é que eles não sabem conversar. Simplesemente assim, não sabem. Pensam algo e falam outra coisa, não sabem expressar seus sentimentos. Embora a relação sexual seja a base para mostrar a crise de diálogo do casal, eu tenho tanta certeza que há tantos casais por aí hoje em dia, sofrendo e debatendo-se (struggling, é o que me vem a cabeça) exatamente com o mesmo problema...

Eu me apaixonei realmente pelo autor, gostei do estilo, da forma de apresentar os personagens, da trama bem traçada, da linguagem. Recomendo mesmo, e outros dele já estão na minha lista por ler. Aguardem...
  

27 de janeiro de 2012

História do cerco de Lisboa

Editora Companhia das Letras - Capa Hélio de Almeida sobre relevo de Arthur Luiz Piza

O meu livro preferido do José Saramago é esse, uma verdadeira história de amor. Ou duas: nos dias de hoje, a tensão crescente entre Raimundo Silva e Maria Sara, e na época do ataque mouro a Lisboa, em 1147, entre Moogueime e Ourona. As histórias se entrelaçam porque Raimundo Silva, revisor de texto, resolve colocar um "não" numa frase de um livro da história de Portugal - que os cruzados NÃO ajudaram os portugueses a retomar Lisboa das mãos dos muçulmanos, e daí surge toda uma história paralela considerando que isso é verdade.

Meio contemporâneo, meio histórico, mas inteirinho Saramago, com muitos diálogos e orações curtas dentro de frases e parágrafos gigantes, a narração vai encantando e envolvendo. Esse livro tem um dos diálogos mais românticos que eu já li, e que me dá frio na barriga toda vez que eu releio. Para ver a genialidade de Saramago, o clímax da conversa é a simples frase "eu gosto de si".

Então vem um grão de sabedoria: quando a pessoa resolve falar, logo em seguida a essa primeira declaração, "Posso dizer-lhe que o/a amo?" (estou tentando não dar um spoiler muito nítido, por isso os dois possíveis gêneros), a conversa continua assim:

"Não, diga só que gosta de mim, Já o disse, Então guarde o resto para o dia emque for verdade, se esse dia chegar, Chegará, Não juremos sobre o futuro, esperemo-lo para ver se ele nos reconhece, ..."

(Fica subentendido, é claro, que a pontuação em Saramago é assim, sem ponto final ou de interrogação, as pessoas do discurso mudam na letra maiúscula, o que eu acho que dá muita agilidade ao texto - procure ler em voz alta.)

Gosto dessa abordagem de que o amor é algo que vem com o tempo, um sentimento construído em cima do relacionamento e um pouco de destino - desconfio das pessoas que saem amando assim a primeira vista (ao contrário da paixão, é claro, que geralmente é súbita). Mas ver o romance surgindo - que delícia que é! - é viver junto com os personagens, é aquecer o coração, é lembrar da nossa própria história ou sonhar com emoções futuras (repetidas ou novas). Genial, esse Saramago.  

16 de dezembro de 2011

Desperate Marriages

Editora Northfield Publishing - Capa The DesignWorks Group
Eu ia começar escrevendo que "um casal amigo meu está enfrentando dificuldades no casamento...", mas vocês não iriam acreditar, claro, né? Então não vou falar nada de motivos para comprar esse livro no Kindle, vou focar no livro mesmo, que é muito bom.

O título é "Casamentos desesperados - caminhando em direção a esperança e cura em seu relacionamento", do mesmo autor de As Cinco Linguagens do Amor, Gary Chapman. Ele já foi piblicado em 1998 com o título de "Loving Solutions", e como tradução de título de livro aqui no Brasil é complicado, eu acho que se trata do livro "Castelo de Cartas" da editora Mundo Cristão.

Como todo livro de auto-ajuda, ele apresenta uma fórmula simples, e nesse caso, mostra como ela pode ser aplicada nas mais diversas situações que podem levar um casamento a uma crise: como um cônjuge workaholic ou alcoólatra, controlador ou infiel, que abusa verbal ou fisicamente seu parceiro, ou então que foi abusado sexualmente no passado. O livro pode ser lido pelos dois (quem está sendo magoado ou quem magoou e agora está querendo mudar), mas reforça que um dos dois pode começar a mudança pela restauração do casamento sozinho e que há muitos casos de sucesso em que o outro foi tocado e também se comprometeu a batalhar pelo relacionamento.

Primeiro, ele apresenta 4 mitos em que as pessoas acreditam:

1) O meu estado da mente é determinado pelo meu ambiente.
2) Pessoas não podem mudar.
3) Quando você está num casamento ruim, você só tem duas opções: se resignar a uma vida de miséria ou cair fora.
4) Algumas situações são sem esperança.

E então ele apresenta o que chama de Reality Living, ou Vivendo na Real, baseado em 6 princípios que podem realmente mudar a sua vida:

1)  Eu sou responsável pelas minhas próprias atitudes (pare de culpar o mundo!)

2) Atitudes afetam ações. (atitudes positivas geram ações positivas.)

3) Eu não posso mudar os outros, mas eu posso influenciar os outros (não devemos manipular o outro, mas suas ações positivas podem gerar mudanças no outro.)

4) Minhas ações não são controladas pelas minhas emoções (nem que você tenha que respirar fundo antes de falar alguma besteira, você consegue.)

5) Admitir as minhas imperfeições não significa que eu sou um fracasso (isso é realmente verdade, sempre.)

6) Amor é a arma mais poderosa para o bem no mundo (ou seja, não tente conseguir um bom retorno com ações de ódio e raiva.)

É realmente inspirador poder ver as as histórias que foram modificadas por meio dessa "formulinha", que obviamente envolve também muita força de vontade e às vezes meses e meses de terapia e aconselhamento. Não há mágica, claro. Mas casamento nenhum se sustenta com mágica mesmo.