11 de agosto de 2019

O rei se inclina e mata


Editora Globo Livros - Capa Delfin

O livro "O rei se inclina e mata" tem um título intrigante, e a explicação que a autora Herta Müller dá para essa expressão também é, de certa forma, intrigante. Esse livro não é ficção, mas trata-se mais de um ensaio em que ela comenta suas memórias e vai desenrolando alguns assuntos que lhe povoam a mente.

Temos a infância no interior da Romênia numa vila de cultura alemã. O crescimento num governo totalitário, e a censura de pensamento e as restrições de movimentação. A perda de amigos, o distanciamento da família e a mudança de país e de cultura. A vida na literatura e a literatura como vida. São situações críticas e não usuais para a maioria de nós, assim como a forma da prosa de Herta Müller.

Não achei um livro fácil, e me falta o contexto político da Romênia para entender melhor algumas referências que ela faz e não explica, mas foi possível conhecer um pouco mais do universo particular dessa autora.

2 de agosto de 2019

O Peso do Pássaro Morto

Editora Nós
O livro "O peso do pássaro morto",  de Aline Bei acompanha o fluxo de pensamento da personagem principal em várias idades (essas da capa). No primeiro trecho, ocorre o evento marcante da sua vida, aos 8 anos, e, de certa forma, carrega-se esse peso por todos os outros eventos, embora ocorram outras coisas difíceis também. (E estou sendo vaga porque a forma como se desenrola os eventos é bem interessante, então dar spoilers sobre esse evento estraga de certa forma a construção do texto).

Um ponto a se notar é a abordagem da maternidade, sem aquela aura de santidade que é carregada pela vida e pela arte. Pode parecer grosseiro e dolorido, mas eu acho válido ter retratos diferentes desse mesmo fenômeno.

Por fim, como se trata de fluxo de pensamento, principalmente quando ela tem 8 anos, não me parece muito natural, parece que se busca uma profundidade e uma ingenuidade, ou uma simplicidade, que não combinam entre si. O livro é curto, e a história é original, mas realmente não é um livro que eu possa dizer que gostei muito.

17 de julho de 2019

Ratos e Homens


Editora L&PM

"Ratos e Homens" é um clássico. Assim como "Vinhas da Ira", estamos falando de uma história forte e incrivelmente humana de John Steinbeck, embora muito mais breve. Talvez até pela brevidade, o impacto de mergulhar na vida de dois homens - tão sofridos e tão esperançosos - fica mais forte.

Por livros assim, que eu me surpreendo e me impressiono com o poder da literatura de fazer viver histórias de ficção que poderiam muito bem ser reais, e que mudam um pouco a nossa forma de ver o mundo.

É impossível não ler esse livro e se questionar: o que você faria naquela situação? E, em seguida: eu sou quem eu gostaria de ser?

Não dá para passar incólume.

14 de julho de 2019

A Jane Austen Education

Editora Penguin

Eu amo os livros de Jane Austen. Todos os 6 e os contos reunidos depois. Gostaria muito que ela tivesse escrito mais. No entanto, o livro de William Deresiewick aumentou o meu conhecimento sobre as obras dela, e me fez admira-las ainda mais pela profundidade e perspicácia que ela teve na construção de suas histórias, o que, realmente, me passou desapercebido antes.

Esse livro chama-se "A Jane Austen Education", traduzido como "O que aprendi com Jane Austen - como 6 romances e ensinaram sobre amor, amizade e as coisas que realmente importam" (disponível pela Editora Rocco). O autor estuda literatura e vai permeando sua experiência na faculdade, no mestrado, nesse começo de vida adulta com o que ele percebe de profundo e intencional em cada uma das 6 obras de Jane Austen. 

É incrível como podemos ver o tanto que ela entende da natureza humana e como ela prenunciou uma estrutura social mais moderna naquele cenário inglês interiorano do século XIX. O que importa para um casamento, como fazer e manter amigos, o que é ter caráter e ser realmente bondoso - está tudo ali, e como William Deresiewick percebeu, tudo ainda importa para nós.

Essa leitura mudou minha forma de ver alguns dos livros da Jane Austen (até o que eu menos gosto, Emma, e eu acredito que chegou a hora de reler outros dela), e para mim é uma leitura obrigatória para quem realmente gosta da autora.

6 de julho de 2019

A mensagem

Editora Vida

Embora o subtítulo de "A Mensagem" seja "Bíblia em linguagem contemporânea", não é mais uma tradução da Bíblia com palavras modernas, e é sim uma paráfrase, ou seja, quando alguém usa outras palavras para manter o sentido do que está sendo dito. Só que, com a Bíblia, às vezes há mais de um "sentido" para ser escolhido, e, nessa escolha, o texto é reduzido a uma de suas vertentes.

Vejam bem, algumas passagens me emocionaram como se eu os tivesse lendo pela primeira vez, descortinou-se um sentimento inédito. Ao ir para uma tradução mais fiel, eu pude ver aquele significado ali também, mas não era o que chamava mais atenção, ou o mais óbvio. Assim, eu gostei de ler essa versão da Bíblia, que renova nossa paixão pelas Escrituras e pelo cristianismo, no entanto, essa não é uma Bíblia de estudo, ou para ser usada como referência principal de qualquer teologia cristã séria.

Eu recomendo muito a leitura, e sei que pode funcionar até em momentos de culto, mas sempre deve-se lembrar que se trata de uma versão, e não uma tradução que busca ser fiel ao texto original.

1 de julho de 2019

I know why the caged bird sings

Editora Virago

É impossível não ficar emocionada e impressionada com o começo da história de Maya Angelou, "I know why the caged bird sings" ou "Eu sei porque o pássaro canta na gaiola". Ela vai crescer para se tornar uma artista conceituada, famosa, admirada, mas logo no início dá para ver que é uma garota muito inteligente e muito forte, sem pretensão e sem vitimismo. A narrativa da sua infância é feita de uma maneira distanciada, que nos favorece o assombro por tudo que ela viveu, e cria o amor por essa garotinha.

Eu não quero dar spoilers que você pode encontrar em seu verbete da wikipedia, mas comentar como eu fiquei impressionada de reparar os livros que ela lia. Ainda antes dos dez anos, por exemplo, Um conto de duas cidades (que eu amo!), e muitos outros livros clássicos. Ela e seu irmão eram leitores vorazes, e liam o que estava disponível na escola / na comunidade em que viviam, clássicos. Acredito que a literatura infantil só estivesse começando - e o que existia não deveria estar disponível.

Fiquei imaginando se fazemos certo em postergar tantos clássicos para a vida adulta - se é preciso maturidade para entendê-los e admirá-los, ou se a exposição precoce ajuda na construção da maturidade.

Eu mesma comecei a ler os clássicos na adolescência (em toda época, eles são os mais abundantes em bibliotecas públicas), mas hoje acho que era muito jovem para alguns deles. Talvez o que seja necessário não é idade, mas algum direcionamento. Se o livro é realmente um clássico (como esse já é!), ele tem o seu valor.

30 de junho de 2019

Todos os contos

Editora Rocco

Vejam bem, eu gosto da obra de Clarice Lispector. Acho uma autora inteligentíssima e muito original. Mas, ler o livro "Todos os contos" foi uma jornada cansativa. Os contos da Clarice demandam uma atenção e apertam muitos botões psicológicos, esforço que é muito acima do trivial. A empreitada de reunir todos os contos da Clarice resultou numa jornada longa: 656 páginas.

Eu li então aos poucos, entremeando com outros livros, e talvez essa seja a melhor forma mesmo de apreciar essa autora sem saturar de epifanias e mergulhos internos em pessoas extremamente comuns, assim como nós todos.

A Primeira Pessoa

Editora Companhia das Letras - Capa warrakloureiro

"A primeira pessoa" é o primeiro livro da Ali Smith que eu leio, e deu para perceber que ela foge mesmo do lugar comum. Escrever contos já não é lá muito "mainstream", geralmente são livros curtos, e como dizem por aí, escrever pouco e bem é um desafio bem maior do que escrever histórias longas.

Ela usa de um recurso que eu gosto que é falar com o leitor, se colocar no texto, falar sobre o processo de lembrança e escrita - e assim, as histórias ficam meio ficção, meio auto-biográficas, sem sabermos o quanto é realidade.

As histórias também são de certa forma desconfortáveis, sem um final que resolve tudo que se apresenta. Há reflexões profundas e romance também. Um livro contemporâneo de uma sociedade fluida.

8 de junho de 2019

A Mulher na Cabine 10

Editora Rocco
"A mulher na cabine 10" é um daqueles suspenses modernos do gênero que Gillian Flynn inaugurou - a narradora e personagem principal é uma mulher, com algum problema mental ou vício que a deixa levemente não confiável, e agora ela é a única que pode solucionar o mistério all by herself.

Ruth Ware entrega, mas Gillian Flynn é melhor. Eu achei que ficou bem forçado toda a premissa, uma viagem de luxo num barco, só para convidados. A mulher que não sabe bem o que quer da vida. Muitos convidados em posições suspeitas.

É um bom passatempo, mas não mais que isso.

5 de junho de 2019

Comfort Reading

Eu reli Harry Potter 5, 6 e 7, e também Orgulho e Preconceito como leitura de conforto, aquele momento bom garantido.

Qual é a sua a leitura de conforto?

7 de maio de 2019

Kindred

Editora Headline - Capa Yeti Lambregts

"Kindred" é um livro impressionante, daqueles que mexem com nosso âmago, criam um desconforto. A premissa é simples: uma mulher negra, da década de 70, viaja no tempo de maneira inexplicável e chega a uma fazenda na época da escravidão a ponto de salvar o filho do dono do local, quase se afogando.

Entre idas e vindas, temos o choque cultural de duas épocas, e a questão de sobrevivência, bondade e ódio transbordam pelas páginas e nos fazem perguntar: o que eu faria nesse lugar? E se fosse eu que tivesse de ser submetida a uma condição sub-humana de escravidão? Como isso já existiu no mundo? Como isso continua a existir?

O mundo é realmente mau, e a literatura pode nos sensibilizar para isso de uma maneira especial, ainda mais quando tão bem escrita, mesmo sendo tão fantástica que envolva viagens temporais.


4 de maio de 2019

Garra

Editora Intrínseca

Eu vi uma palestra da Angela Duckworth sobre o seu conceito de "Garra" e achei muito interessante, e coloquei o livro na minha lista de leituras. Esse assunto é o tema da sua vida: "O poder da Paixão e da Perseverança", o que quer dizer que ela, como psicóloga, direcionou sua vida de estudos (pós gradução, doutorado) para levantar dados sobre o que é necessário para suceder na sua área de atuação, e ela identificou esse conceito de "Garra".

Ela própria é um bem sucedido exemplo de Garra, como mostra ter sido agraciada pela bolsa "MacArthur" normalmente dadas para "gênios" em seus campos de estudo.

Este é um dos livros de "auto-ajuda" mais consistentes que eu já li, pois não só apresenta o conceito, as instruções para atingir o conceito, alguns "cases" explicativos, mas também muitas pesquisas científicas que a Angela Duckworth fez ou que usou para endossar sua tese (de que Garra é o "segredo" do sucesso). Sendo cientista, ela explica exatamente a relevância de suas pesquisas, ou o que não tem relevância científica, como "o que é necessário para criar filhos que tenham Garra". Nessa época que muita gente afirma qualquer coisa em se preocupar em mostrar evidências reais, esse livro é um bálsamo racional.

Eu recomendo para todos aqueles que querem aprender mais sobre motivação, como atingir objetivos e também, apesar das limitações científicas, quem quer educar crianças que desempenhem bem o que quiserem fazer.



21 de abril de 2019

A mulher segundo a Bíblia

Editora Cultura Cristã - Capa Lela Design

Eu gosto de ler sobre cristianismo e temas femininos - é uma polêmica pronta nos dias de hoje, e eu acho que informação nunca é demais se o senso crítico estiver ligado.

Rebecca Jones deu um título ousado para seu livro: O Cristianismo oprime as mulheres?, mas a versão brasileira resolveu ir de "A mulher segundo a Bíblia", e talvez esse tenha sido um acerto. Os dois ou três primeiros capítulos discutem um pouco do papel feminino no mundo de hoje e o que é "certo" do ponto de vista cristão. Aí, em certa altura, ela coloca a culpa na vítima (algo como: se a mulher sofre abuso sexual, é porque não tem uma atitude correta, se o marido resolve abandonar a mulher e os filhos, é porque ela quis se dar liberdades), e convenhamos que 2019 não está aí para isso, nem 2005 quando o livro foi publicado, nem em nenhum ano desse planeta.

Quando pediram para Jesus julgar uma mulher adúltera (um "crime" horroroso na época), ele abriu espaço para que cada um percebesse o seu próprio erro e e não fez uma comparação de quem é mais santo, ou discorreu como aquela mulher era pecadora. Ele a perdoou e a liberou para "não pecar mais", ou seja, a todos é dada a oportunidade de fazer o melhor frente a Deus.

Os outros capítulos fazem breves perfis de mulheres citadas na bíblia e o que podemos aprender com cada uma delas, mas, é algo bem rápido e rasteiro. O livro realmente me perdeu no começo e eu só li até o final para ver se algo se aproveitava. Leiam outras coisas.




10 de abril de 2019

The Proposal

Editora Headline Eternal

A Reese Whiterspoon mantém um "clube do livro" virtual, divulgado pela internet, e esse foi o livro de abril: The Proposal, da autora Jasmine Guillory. É um chick lit, claro, fácil e simples. Eu gostei que a mocinha era negra e o mocinho era latino - na ensolarada Califórnia - e embora a questão de raça estivesse lá, não era o foco da história, e me pareceu tudo tratado de uma forma leve e ponderada.

Interessante foi o mocinho, Carlos, mencionar que ele não foi criado falando espanhol pelos pais que o queriam bem adaptado ao Estados Unidos, e aí - com a maior cara de latino - ele sofria o estranhamento de não saber falar espanhol e queria aprender após adulto.

Não é dos melhores da categoria, mas eu achei que vale a pena. 

6 de abril de 2019

A história da sua vida e outros contos

Editora Intrínseca

Eu adorei o filme "A Chegada", e quando vi que era baseado em um conto de Ted Chiang, coloquei o livro todo na minha lista de desejos. Comprei em promoção, claro, e adorei. São livros de ficção científica, mas não quer dizer que sempre ocorram no futuro, uma das histórias é claramente de uma civilização de centenas de anos atrás, enquanto outra parece uma história de amor com algumas referências ao que não existe.

Eu gostei do estilo do autor também, sem muitos rodeios, enfeites ou sentimentalismo, mas trazendo assuntos interessantes para o centro da história - e porque não - ao centro do debate. Um dos contos, sobre a estética e a influência em nossas vidas, contada por várias fontes diferentes, é incrivelmente perturbador e, embora no terreno da ficção científica, totalmente verossímil num curto espaço de tempo.

Um livro ótimo de se ler.

16 de março de 2019

A glória e seu cortejo de horrores

Editora Companhia das Letras - Capa Alceu Chiesorin Nunes

Fernanda Torres é muita conhecida por ser atriz, e filha da Fernanda Montenegro, mas ela também é escritora e eu gosto muito dos dois livros que eu li dela: o Fim e esse mais recente: "A glória e seu cortejo de horrores", que só o título já é ótimo.

Interessante que os dois livros tem narradores - e personagens principais - masculinos, e eu realmente nunca vi dentro da mente de um homem, mas a narrativa da Fernanda Torres é envolvente, e totalmente verossímil. No caso desse último livro, um ator conta toda sua vida desde a juventude no teatro até o sucesso na TV, passando por uma peça shakesperiana patrocinada com dinheiro público fracassada, e a chegada na emissora religiosa. 

Não parece ficção, parece realmente a biografia de alguém que existe de verdade tamanhas as referências a fatos culturais do nosso país, sem realmente incluir alguém realmente conhecido.

Por fim, eu fui no lançamento do livro em São Paulo e foi fenomenal vê-la pessoalmente e ver sua mãe lendo o seu livro e dando vida para o personagem, junto com Antônio Fagundes. Ótimo também foi ver o Michel Laub na plateia, que é um dos meus autores preferidos, com certeza.

8 de março de 2019

The One and Only

Editora Hodder & Stoughton

"The One & Only" é um chick lit padrão, com uma personagem feminina bonita, inteligente, independente, e seus conflitos para ter um romance a altura das outras áreas da sua vida. Encosta-se em um ou outro assunto mais sensível, mas é isso.

Eu precisei ler a sinopse para lembrar da história, então não é nada marcante. A personagem principal adora futebol americano, e se torna jornalista esportista, então o assunto aparece pelo livro todo.

3 de março de 2019

Americanah

Editora Companhia das Letras - Capa Cláudia Espínola de Carvalho

As questões de racismo e gênero estão a cada dia mais expostas e a cada dia mais polêmicas. Não sei onde isso vai parar, mas espero que seja um caminho para mais respeito e apreciação pelas diferenças.

Dessa forma, um livro como Americanah é uma joia rara, ao trazer uma visão não "tradicionalmente ocidental" do tema. Escrito pela Chimamanda Nogzi Adichie, nigeriana, é uma visão de uma negra da sociedade norte-americana atual, e é tão bem feito, tão perfeitamente contextualizado, que é fácil esquecer que é um trabalho de ficção.

A personagem principal, que vai para os Estados Unidos após a faculdade, até tem um blog em que comenta as questões raciais que se apresentam a ela, e ela vira uma referência no assunto, conseguindo até sobreviver de patrocínio e palestras - é uma vida de blogueira!

Outro ponto interessante do livro é o tanto de adjetivos e descritores para a pele negra - vários tons são diferenciados, e sempre de maneira positiva. 

Eu gostei muito de ler esse livro, assim como o outro livro dessa autora (Meio Sol Amarelo), e recomendo para todo mundo.

1 de março de 2019

The Year of Magical Thinking

Editora Harper Collins - Capa

Quando eu estava pesquisando livros sobre luto, essa obra de Joan Didion, "The year of magical thinking", aparecia em várias listas. Eu comprei, e demorei vários meses para começar a ler. Só a sinopse mostra o tamanho da tragédia: a filha de Joan é internada de emergência numa UTI, inconsciente. O marido morre de ataque cardíaco. Algum tempo depois, sendo escritora, ela começa a escrever sobre esse processo.

No prefácio, há uma citação do The Guardian dizendo que esse livro não tem respostas fáceis. Aliás, acredito que nem resposta tenha. É sobre o luto de alguém, elaborado em palavras, com algumas informações técnicas e psicológicas sobre como se lida com a morte e as doenças graves. 

Uma das informações que eu achei interessante é que já caracterizaram o luto como uma doença, dada às alterações emocionais e físicas que ele causa. Embora seja algo a que praticamente todas as pessoas passam, não se parece tornar mais simples a medida que a humanidade "evolui". A morte não nos é natural mesmo.

Além disso, é um retrato sobre um casamento duradouro e feliz, algo que parece tão raro hoje em dia, principalmente entre famosos. Joan e seu marido Jonh tem um relacionamento estável, com respeito e conhecimento mútuo profundo. De certa forma, além de falar de luto, esse livro fala também desse tipo de amor, e o que ele deixa de vazio quando uma parte vai embora - sem briga, sem conflito, sem um aviso prévio.

É um livro triste, real, relevante. Sem respostas, sem soluções, sem saídas. É um livro humano.


25 de fevereiro de 2019

50 Brasileiras Incríveis para Conhecer antes de Morrer

Editora Record - Capa Renata Vidal

Esta aí uma moda boa: livros com perfis de mulheres para divulgação de conquistas e sucessos de pessoas reais. O livro "50 Brasileiras Incríveis para Conhecer antes de Morrer" é o exemplar tupiniquim dessa tendência, preparado por Débora Thomé.

O livro de capa dura é para durar bastante tempo, os textos são breves e claros, sem linguagem difícil, bom para crianças mesmo (sugiro a partir de 5 ou 6 anos), e cada brasileira tem seu retrato lindamente ilustrado. São várias ilustradoras diferentes, então é uma beleza apreciar diferentes estilos.

A autora compilou mulheres antigas e mulheres recentes, algumas ainda vivas, das diferentes áreas - ciência, humanas, artes, esporte. É uma grande inspiração para todas as meninas e meninos.

21 de fevereiro de 2019

O orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares

Editora Intrínseca - Capa (adaptada): Vivian Oliveira

Eu não sei o que veio primeiro: a ideia de escrever uma história e ilustrar com fotos com "efeitos especiais" antigas ou usar as fotos antigas para escrever uma história, e de ambas as formas é uma boa ideia. Ransom Riggs tornou crianças reais às antigas manipulações, e criou um universo em que elas tinham que se esconder para sobreviver. Em ambientes parecidos com escolas, onde elas vivem eternamente um único dia, não envelhecem e são supervisionadas por mulheres especiais. Aí chega o protagonista que é mágico sem saber que é mágico - e é surpreendido por uma missão de salvar o mundo. Bom, aí temos Harry Potter tudo de novo.

Os livros tem nomes interessantes: "O orfanato da Srta Peregrine para crianças peculiares", "A Cidades dos Etéreos" (Londres, by the way), e "Biblioteca das Almas". (Parece que lançaram um 4o livro, além do filme). (Mudaram praticamente todos os super poderes das principais crianças entre o livro e o filme, e realmente parece que mudaram cenas essenciais, porque as soluções do livro não vão funcionar na tela dessa forma - e eu não vou assistir para saber).

A ideia é boa, as situações inusitadas, mas realmente não me encantei pelos personagens - principalmente pelo garoto que fica sofrendo por 3 livros inteiros sem saber o que quer da vida. Ok que isso é a maioria dos adolescentes, deve ser intrínseco, mas eu prefiro que líderes sejam líderes com um pouco mais de determinação, mesmo que de vez em quando transpareça uma auto-dúvida (Sim, Harry Potter).

19 de fevereiro de 2019

Obra Completa

Editora Companhia das Letras

A Obra Completa de Raduan Nassar não é extensa, mas é incrivelmente densa. Com uma linguagem elaborada e um estilo característico, não é uma leitura simples. O leitor é jogado para dentro da mente do personagem, e fica ali, mudo de espanto, vendo se desenrolar um conflito imprevisível e tenso. 

Sem informações externas, temos o que o personagem vê, ouve, pensa, e vamos construindo uma realidade que talvez exista, talvez não exista, e é totalmente enviesada. Certamente, são histórias boas de ler com um amigo, e ir destrinchando o texto, discutindo pontos de vista, desdobrando toda profundidade psicológica que ele apresenta.

Literatura brasileira de qualidade.

9 de fevereiro de 2019

The Shipping News

Editora Fourth State

"The Shipping News" é um livro ganhador do Pulitzer e é por isso que ele está aparecendo por aqui. Annie Proulx escreveu uma obra bonita, com personagens psicologicamente complexas, que realmente faz pensar sobre a natureza humana e o relacionamento entre as pessoas. Acho que isso é uma característica dos livros ganhadores do Pulitzer. A história começa bem lenta, e parece que vai ser uma calmaria numa cidade em que nada ocorre, mas a gente vai se envolvendo com os dramas do vilarejo e se interessando aonde isso vai dar.

Não é dos livros mais interessantes, mas é obviamente bom.

16 de janeiro de 2019

Objetos Cortantes

Editora Intrínseca

Gillian Flynn definiu um estilo próprio de escrever livros de mistério, e é uma fórmula de sucesso - seja porque vendeu muitos livros, seja porque realmente consegue prender a atenção do leitor - é difícil parar de ler.

"Objetos Cortantes" não é tão bom quanto "Garota Exemplar", mas é uma ótima história, com uma personagem feminina com um histórico de problema psiquiátrico também, mas muito forte. O final também é surpreendente, bem ali, nas últimas páginas. Vale a pena como leitura de entretenimento.

13 de janeiro de 2019

The Hobbit

Editora Houghton Mifflin

Eu li "Senhor dos Anéis" em 2000, e embora eu tenha gostado bastante - de não conseguir parar de ler - ficou mais na categoria dos livros que eu admiro do que na categoria dos livros que eu amo. Talvez essa seja a melhor explicação para eu demorar tanto tempo para ler "O Hobbit" (ver os filmes, então, nem fale). Tudo tem o seu tempo certo, e agora eu achei esse livro encantador.

É uma história simples, sem tramas paralelas, e personagens mágicos e misteriosos e incríveis, que envolvem a leitura e transportam o leitor para o seu mundo fantástico. Embora não seja curto, é mais próximo de um livro infantil, não chega nem perto dos tijolos da trilogia mais famosa. J.R.R. Tolkien foi definitivamente o mestre dos mundos encantados, e com certeza essa aventura do Hobbit que viajou para ser um ladrão, mas voltou com muito mais do que poderia imaginar, é uma boa introdução ao universo desse autor.



7 de janeiro de 2019

The rest of us just live here

Editora Walker Books - Capa Erin Fitzsimmons

Eu comecei a ler "The rest of us just live here" e desisti. Era um livro sobre adolescentes, mais uma aventura com jovens mágicos e perseguidos numa cidadezinha no interior dos Estados Unidos. Eu cansei desse tipo de livro, então desisti. Aí chegou um outro momento (tipo férias) que eu queria ler algo leve, e eu resolvi encarar novamente esse livro - e dessa vez cheguei até o final.

Não que seja melhor ou mais interessante do que eu imaginei que seria, mas um mérito há: Patrick Ness realmente usa de auto ironia para colocar uma história dentro da história sobre jovens mágicos e perseguidos. O amigo do personagem principal é um neto de um deus-gato e tem poderes, então isso também é um detalhe inesperado.

Leiturinha fácil e realmente despretensiosa.


4 de janeiro de 2019

Em busca de Watership Down

Editora Planeta - Capa Sophie Eves

"Em busca de Watership Down" entrou na minha lista de leitura por ser um dos livros que aparecem nos 100 preferidos da BBC. Depois eu fiquei sabendo que era uma história sobre coelhos, que um pai contava para as filhas e não fiquei tão animada. (Um dos livros da BBC que também fala sobre animais humanizados era bem chato). Aí comecei a ler, porque vi que já tinha a série no Netflix.

E é espetacular!

No prefácio, o autor conta como gostava de inventar história para as filhas, e ao ler alguns livros tão toscos, achou que poderia fazer melhor, e a filha incentivou com a história dos coelhos. 

E que história!

Eu nunca me envolvi tanto com uma história com animais - humanos são mero coadjuvantes, e todo o contexto que Richard Adams criou: há uma "religião", há mitos, há um passado, as relações comunitárias e extra comunitárias são muito interessantes mesmo, fui surpreendida.

E que surpresa!

Fiquei com vontade de ler para as minhas filhas, fiquei com vontade de assistir a série com elas (após ler o livro), mas acredito que ainda não é o momento certo. Primeiro, porque a menor, com quase 4, não tem tanta concentração para livros sem figuras ainda. Segundo, porque é violento (e essa restrição é mais para assistir a série). Há lutas, derramamento de sangue, alguma tortura. Nada muito longe de filmes de heróis por aí, mas acho que é uma questão sensível para se abordar. 

De qualquer forma, espero que a série ajude a popularizar o livro aqui no Brasil, porque é realmente muito bom!