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| Editora L&PM Pocket |
A Abadia de Northanger é um livro leve de Jane Austen - repleto de reviravoltas e mal entendidos, levado pela inocência da personagem principal, que fica vendo coisas que não existem. É um ótimo livro.
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| Editora Riverhead Books |
Aliás, são muitos, muitos personagens mesmo, e às vezes a gente se perde, mas é como se fosse um caleidoscópio, com algum tipo de fechamento no final (talvez não o fim que queríamos).
Recomendo para os fortes (e particularmente os interessados nessa fatia da população dos Estados Unidos).
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| Editora Todavia |
Três pessoas falam sobre uma mulher, mas ela não - e nós vamos nessa trajetória tentando compreender, estranhando, nos aproximando e nos afastando do que está acontecendo com essa pessoa.
É um ótimo livro, bom também para clubes de leitura, muitos que aconteceram durante esse ano.
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| Editora Farrar, Strauss and Giroux |
A partir da história de dois irmãos, num espaço relativamente curto de tempo (considerando a vida toda deles), dá para falar de amizade, relações familiares, amorosas, relação com trabalho, maternidade, religião... Tanta coisa! Tanto assunto bom! Recomendo de ler num clube do livro ou com algum amigo, porque a conversa vai render.
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| Editora Todavia |
Se o tema já é inesperado (quem pensa em pequena plantação de tabaco quando imagina a agricultura brasileira??), a autora surpreende mais ao trazer os narradores do texto: a árvore, a caminhonete, a roupa de proteção contra agrotóxico, o espelho - todos observadores únicos do que se passa com aquela família.
Eu discuti esse livro com o clube do livro que eu participo, e foi ótima, completar a história com as experiências e perspectivas diferentes de cada participante.
O livro é envolvente e de uma sensibilidade singular.
Recomendo para clubes de leitura de adultos, pessoas que já gostam de literatura contemporânea brasileira, e para aqueles que querem descobrir um Brasil diferente.
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| Editora Ática |
Carolina Maria de Jesus queria ser escritora - e foi - escrevendo romances, poesia, teatro, contos... Mas quando conheceu um jornalista e mostrou seus escritos, ele a incentivou a fazer um diário para que ele pudesse publicar. Ao ler o apêndice dessa edição, há inclusive a menção do fato do gênero de literatura "Diário" ser tão difundido fora do Brasil, mas aqui ser considerado algo menor (eu mesma sempre associo a crianças.)
Após alguns anos, Carolina Maria de Jesus entrega os manuscritos ao jornalista Audálio Dantas, que faz uma boa edição tirando trechos, e corrigindo apenas palavras que não eram compreensíveis, mantendo erros gramaticais e ortográficos e a cadência de escrita da autora, e consegue publica-lo.
São esses escritos que ficaram famosos e chegaram até nós - seu diário, relato do seu dia a dia - não aquilo que ela planejou e quis escrever como literatura, e realmente escreveu. Parece-me que ela ainda é restrita ao que queremos saber dela: o insólito sobre viver numa favela, a dificuldade de trabalho e de dinheiro, mas não mais que isso.
Não me levem a mal: isso já é bastante para desconstruir nossa visão de escritor, alguém com muitos anos de estudo e técnica, com o português padrão, seguindo uma fórmula de narrativa conhecida (por exemplo, a jornada do herói). Ler um livro publicado da Carolina Maria de Jesus mostra que toda linguagem é válida, toda circunstância é válida, toda história vale ser contada. Humanos são serem narrativos, com certeza.
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| Editora Hogarth |
O livro causa um estranhamento, mas a autora vai nos levando pela mão, através das conversas diferentes, dos relacionamentos diferentes, da forma de lidar com problemas de dinheiro, saúde, família, identidade e autoestima. Faltou só terapia para os personagens, mas até religião aparece em certo momento.
Eu já vou me colocar na fila para os outros livros dela, boa literatura sempre vale.
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| Editora Todavia |
Para mim, me trouxe uma acolhida, um conforto de perceber o que eu senti relatado preto no branco porque outras pessoas também passaram por algo parecido. Somos mais parecidos do que diferentes.
Na terceira parte do livro, a narradora Natália faz uma viagem pela região da qual seus avós judeus vieram, próximo a Turquia e a Ucrânia, na Moldávia, região de fronteiras móveis por situação política. Aprendi mais um pouco sobre história judaica, mas aí não aconteceu a conexão que eu tive com o relato da morte e luto.
É um livro muito bonito e dolorido.
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| Editora Todavia |
A prosa poética do livro me lembrou a Carla Madeira, com frases postáveis, bonitas em si mesmas. Mas achei a trama mais ousada, com um poliamor bem estabelecido. Muito moderno, muito atual.
No entanto, a protagonista Dora é uma chata - e acredito que isso é um problema da construção do enredo, ou então o fato de eu ser velha considerando o público alvo do livro (ou seja, não sei se foi de propósito ou não, ela ser chata). Ela foi abandonada pela mãe muito pequena, e o pai ficou muito deprimido para cria-la direito (ou seja, por essa trauma, merece nossa empatia). Mas outras pessoas na comunidade assumiram o papel de ser família - a vizinha Inês e a amiga Esmê, e a Dora cresceu para ter inveja e preconceito da filha da Inês (uma pessoa trans), e se posiciona como criança mimada ao ver que a casa "surpreendentemente" parou de ficar limpa e ter comida quando o pai - que ela parece desprezar - fica doente e não levanta mais da cama.
Assim, é um livro e uma história interessante, mas os personagens nem tanto.
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| Editora Intrínseca |
Mas ficou chato - todo mundo deprê, muitos subentendidos, muitos desvios sem propósito nenhum além de exercitar a escrita do autor. Poderia tirar as historietas e transformar num livro de contos, e reduzir bastante os ocorridos. Não ajuda que praticamente não tem mulher na história também. Algumas personagens importantes, mas é claramente uma minoria.
Entendo o furor que deve ter causado, mas não recomendo.