2 de agosto de 2020

O Fim da História

 

Editora José Olympio

Em "O Fim da História", acompanhamos o relato em primeira pessoa de romance que a personagem teve anos atrás, que durou pouco e a deixou arrasada. A escrita da história não é linear, e a personagem já comenta o fato de que a sua própria organização das memórias já modifica o que aconteceu, e a sua situação atual (muitos anos depois, em um relacionamento estável, geograficamente distante) também interfere no que ela está contando.

Então, a graça da história não é o que aconteceu mas como está sendo relatado e revivido pela narradora. É o tipo de personagem que dá vontade de entrar em diálogo, e questionar suas decisões de vida, aquela amiga que precisa de uma intervenção urgente, hahaha. 

Lydia Davis aparenta ser uma mestre em narração e alma feminina... Com certeza gostaria de ler outros livros dela.

29 de julho de 2020

Feminilidade Radical

 

Editora Fiel

Eu tenho ouvido falar tanto do livro "Feminilidade Radical", que me parecia algo novo - e aí que eu fui reparar que ele é de 2008, ou seja, não exatamente recente. 

A autora Carolyn McCulley deixa bem claro que tem um passado de feminista e questionamento da situação feminina no mundo atual, mas, depois de convertida a fé cristã, teve uma mudança de postura radical, e esse livro é sua argumentação para sua posição.

No início, ela traça um panorama histórico do feminismo, apontando a participação de cristãs - reivindicando o seu valor na sociedade norte-americana, e as campanhas pelo voto feminino. Eu acredito que esse é o maior valor do livro, conhecer um pouco mais da história, e mais informações sobre o contexto norte-americano (já que muito do que é apresentado ali só chegou como rebarba e impacto secundário aqui no Brasil).

Eu fiquei com a impressão também que parte das fontes históricas que ela usa são casos isolados, como se fossem tiradas conclusões de fatos ou manifestações pontuais sem necessariamente verificar se foram abrangentes como aparentam.

Ela reforça a importância da Bíblia e da fé cristã para sua vida prática, mas depois de tanto criticar o outro lado, tem pouco espaço para afirmações positivas ou algo concreto que signifique a tal fé feminina ou a feminilidade radical.

Eu realmente sinto falta de livros que falem com a nossa realidade aqui no Brasil, de mulher e cristã, e esse não é um dos livros que suprem essa carência.


23 de julho de 2020

Lendo de Cabeça para Baixo

 

Editora Rocco

A capa desse livro de Jo Platt, Lendo de Cabeça para Baixo, tão bonitinha, tem alguns elementos importantes dessa história: um gosto por livros e chá, a participação especial de um porquinho da índia, uma cerca e o vizinho do outro lado.

A frase do título é mencionada na história, mas, realmente talvez funcione melhor em inglês.

Há romance, drama, comédia, reviravoltas e o final feliz tão esperado - um chick lit razoável, leve para essa época de pandemia.


15 de julho de 2020

Little Fires Everywhere

 

Editora Penguin Books

Eu já li outro livro da Celeste Ng (Tudo o que eu nunca contei) e ler "Pequenos incêndios por toda parte" só me faz estabelecer a minha admiração dessa autora como contadora de histórias sensíveis e de relacionamentos intrincados, tudo que eu gosto num bom livro de romance.

Temos aqui uma pequena cidade de classe média, pais que trabalham, filhos adolescentes, e a entrada de uma "estrangeira", uma mulher que não só vem de fora mas representa escolhas totalmente diferentes da maior parte das pessoas ali. É de se pensar e repensar a própria vida com certeza.

Há um discussão boa sobre adoção também, muito mais complexa do que já imaginamos.

Eu não assisti a série ainda, mas estou curiosa porque sei que a Reese Whiterspoon produz séries ótimas de personagens femininos incríveis - a melhor dica é seguir o seu clube de leitura, porque ela faz indicações muito boas (que depois ela acaba produzindo, olhe só!).

5 de julho de 2020

15 Contos Escolhidos de Katherine Mansfield

 

Editora Record

No prólogo, Katherine Mansfield é nos apresentada como uma autora neozelandesa do começo do século XX que escreveu muitos contos e, muitos anos depois e meio mundo de distância, foi lida por Clarice Lispector, que se encantou com sua obra ainda em pé numa livraria.

Nesse livro, encontramos os "15 contos escolhidos de Katherine Mansfield", pela Editora Record, e embora sejam boas histórias - dá para perceber como Clarice Lispector levantou a mesma proposta a outro patamar. Então, embora cronologicamente anterior, para a gente que é brasileiro e conhece a Clarice de perto de longe de todo lugar, não se encanta da mesma forma...

Mas é sempre interessante ver histórias humanas, pequenos relatos sobre a vida no interior da Nova Zelândia ou em Paris, de gente nova ou gente idosa, de pobre e de rico.


24 de junho de 2020

Philippians

 

Editora Baker Academy

O livro Philippians do Moisés Silva foi me indicado pelo Victor Fontana para preparar aulas sobre essa carta de Paulo aos Filipenses para a Escola Bíblica Dominical. Achei a leitura acessível e clara (passando por cima das notas que discutem a tradução do grego, que não me é familiar), e gostei muito do posicionamento analítico do autor.

21 de junho de 2020

A História de Pedro Coelho

 

Edições Barbatana

Tem até filme falando sobre Beatriz Potter, que ficou famosa pelas lindas ilustrações de coelhinhos fofos, e eu fiquei muito curiosa de ler um dos seus livrinhos, e comprei "A história de Pedro Coelho" para as minhas filhas (se vocês acompanham aqui, sabem que eu mato muito da minha curiosidade de livro infantil através de compras para elas, né.)

É uma história super simples (deve ter demandado muito roteirista para virar um longa metragem como virou, que eu não assisti).

Eu sinceramente estava esperando algo mais interessante, mas o melhor mesmo são as ilustrações, delicadas e fofíssimas.




14 de junho de 2020

The Amazing Adventures of Kavalier & Clay

 

Editora Fourth State

Mais um livro que só aparece aqui porque ganhou um Pulitzer: As Incríveis Aventuras de Kavalier & Clay, de Michael Chabon, do ano de 2000. É um tijolão e eu fui lendo devagar, pois foi difícil de me envolver com a história... Parecia a história de um menino que queria ser mágico, depois de um menino que fugia do nazismo na Europa, depois de primos (o Kavalier & Clay) criando histórias em quadrinhos - e é claro que era tudo isso, mas ficava bem difícil de prever o que ia acontecer. 

Eu digo que o Pulitzer tende a premiar boas histórias humanas, e essa é mais uma delas - de judeus no meio do século passado em Nova York. Também tem bastante coisa sobre Histórias em Quadrinhos e é muito curioso como parece tudo fato mesmo (existem até notas dizendo quanto custa tal primeira edição, ou o que acontece com o escritório "na atualidade"). 

Eu achei mais interessante que legal, pelo panorama histórico e a construção de personagens... Acredito que gosto mais de histórias com mais personagens femininos.

6 de junho de 2020

Um Urso chamado Paddington

 

Editora WMF Martins Fontes

Comprei o livro "Um Urso chamado Paddington" para as minhas filhas antes de assistir o filme, só pelo meu amor por Londres e livros clássicos infantis. O livro é uma graça, com bons paralelos entre adoção, e muito respeito pela simplicidade da vida.

O filme já é bem mais moderno, com um vilão mais atuante e mais emoção, por assim dizer, mas também é legal. 

3 de junho de 2020

O Crime da Galeria de Cristal

Editora Companhia das Letras - Capa Raul Loureiro


O advogado Boris Fausto escolheu 3 crimes famosos do início no século XX em São Paulo para recontar em seu livro "O Crime da Galeria de Cristal e os dois crimes da mala - São Paulo, 1908-1928" e, embora tenha muito ali de um linguajar jurídico e um interesse técnico no assunto, há muito mais sobre a cultura e a sociedade da época.

O crime da galeria de cristal, que cronologicamente é o segundo da tríade, é contado primeiro por ter sido executado por uma mulher, e não é lá muito comum um assassinato a faca e arma ser feito por uma mulher. Nos outros dois crimes, temos uma mulher como vítima e uma mulher como suspeita, e dessa forma, o autor traz uma discussão sobre questões de gênero interessantes de 100 anos atrás. 

Há também registros da repercussão nas mídias escritas, e como jornais diferentes abordavam o assunto dependendo de sua posição e público. 

Não há um interesse mórbido no assunto "crime" e sim um pequeno estudo social, o que torna esse livro interessante para quem gosta de história e causos reais.

30 de maio de 2020

A Estranha Madame Mizu

Editora Companhia das Letrinhas - Capa Silvia Ribeiro

A minha filha de 7 anos trouxe "A Estranha Madame Mizu" da biblioteca da escola, e cá estamos a quarentena toda com essa obra de Thierry Lenain que eu nunca tinha ouvido falar.

Nele, a garota Zoé passa muito tempo sozinha em seu apartamento, e preenche de imaginação e criatividade a vida, principalmente conjecturando sobre a vizinha do andar de cima, a Madame Mizu, que deve ser uma bruxa, de acordo com vários indícios da cabeça dela. 

O que eu mais gostei desse livro é a que o narrador, a princípio onisciente, entra na história quando algum personagem fala com ele ("ei você que está escrevendo a história"), e emite opiniões sobre se deve ou não participar de algum acontecimento. Eu sempre gostei desse tipo de narrador, e ainda mais num livro de criança.

Se você quiser saber o que a Anna achou desse livro, pode ver aqui.

Caminhando com Deus em meio à Dor e ao Sofrimento

Editora Vida Nova

Falar de sofrimento e de Deus nunca é fácil. Quando se menciona um Deus bom e justo, então... parece quase impossível. Mas o incrível Timothy Keller atende ao desafio e supera as expectativas com o livro "Caminhando com Deus em meio à dor e ao sofrimento".

É um pouco dolorido ler esse livro se você estava passando pelo sofrimento (como eu) (aliás, eu fugi dele por um tempo), mas ele atende a várias perspectivas: tem uma apresentação teórica teológica, muita base bíblica (comparando até com outras explicações para o sofrimento humano), e depois fala na prática - se você está passando por isso, ou se precisa suportar alguém passando pela dor.

Ninguém passa pelo sofrimento da mesma forma, e o que funciona com uma pessoa pode não funcionar com outra, mas ele ressalta a importância de conhecermos os planos de Deus por meio da Bíblia, para que o consolo divino faça sentido em nossas vidas quando precisarmos.

23 de maio de 2020

Diário de Pilar na Grécia


Editora Pequena Zahar - Projeto Gráfico Joana Penna

Eu sempre achei que, quando as minhas filhas começassem a ler livros interessantes sozinhas, eu iria conseguir lê-los também, compartilhando com elas esse novo mundo da literatura infantil, agora de um olhar adulto. Mas eis que a Anna chega nessa fase e a quarentena traz todo mundo para dentro de casa (inclusive o trabalho), e ela começa a consumir livros com uma velocidade impressionante, que não dá para acompanhar (a menos que eu abra mão dos livros de adulta que eu estou lendo). 

Assim, comecei a colocar os livros dela na minha lista, para ir acompanhando mesmo, e o primeiro foi esse: Diário de Pilar na Grécia, que ela ganhou da avó Rita de aniversário. Eu li em pouco mais de uma hora, de uma sentada só. 

A Pilar tem 10 anos, é filha única, mora com a mãe e o avô, e tem um amigo chamado Breno. O pai foi viajar um dia e não voltou mais. Um certo dia, ela deita numa rede mágica amarela e é transportada para a Grécia, para onde ela queria ir procurar o avô que tinha viajado  alguns dias antes. 

O livro é uma verdadeira aventura, em que Pilar faz amizade com um avô e uma neta gregos e também conhece seres mitológicos. O livro tem notas sobre mitologia e história, além de ser muito bem ilustrado, o que torna o livro educativo sem ser chato, sensível sem ser meloso.

Toda a série foca em viagens com atenção para assuntos relacionados a mitologia e religião, em lugares como Amazônia, China, Egito - todos esses 4 já lidos pela Anna, em poucos dias cada um (ela tem 7 anos e está no 2o ano).

Nessa jornada pela literatura, acabei levando-a também para o mundo dos blogs, então você pode ver a opinião dela sobre esse e outros livros em Leituras da Anna.

19 de maio de 2020

Lost in Translation


Editora Livros da Raposa Vermelha

Um livro lindo. Em "Lost In Translation" (Perdido na Tradução), são apresentados termos de diferentes idiomas (português, japonês e até línguas tribais mais desconhecidas) que a autora Ella Frances Sanders foi reunindo ao longo do tempo.

Uma ilustração linda e uma explicação para a palavra, que pode não ter tradução exata em nosso idioma, mas faz sentido dentro dessa comunidade que chamamos de humanidade. 

Um livro que eu fui lendo aos poucos, para durar mais, ser um deleite, e tenho para ser visitado sempre que quiser.

16 de maio de 2020

Did you see Melody?

Editora Hodder & Stoughton

Sophie Hannah foi escolhida pela família de Agatha Christie para continuar a escrever histórias sobre Hercule Poirot, o que eu considero um grande mérito que fala por si mesmo. Assim, estava curiosíssima para ler algum livro dela, e comecei por esse, Did you see Melody? (Você viu Melody? - ainda sem tradução no Brasil, Keep her safe - nos Estados Unidos).

É uma daquelas histórias que estão fazendo sucesso agora, em que o personagem principal não é confiável (Cara Burrows) que parece ter visto uma criança que foi assassinada pelos pais há alguns anos (a Melody, cujo corpo nunca foi encontrado). É uma trama cheia de problemas familiares, com exploração da cultura judicial em programas de televisão nos Estados Unidos, além do desdobramento do crime em si (não há dúvida que a personagem realmente viu a Melody, só como vai se desenrolar a história de um assassinato que não ocorreu).

Não achei nada assim genial, embora muito interessante, principalmente a personagem Tarin Fry, uma florista que se mete a investigadora, e é uma ótima leitora de pessoas, como uma atitude positiva em relação a vida em geral. Virei fã, e adoraria que ela, coincidentemente, aparecesse em outros lugares onde ocorrem crimes, tipo uma Miss Marple moderna.

14 de maio de 2020

Os 4 temperamentos na educação dos filhos

Editora Kirion - Capa Gabriela Haeitmann

Italo Marsili é um psiquiatra que, recentemente, tornou-se celebridade de instagram, com mensagens de encorajamento e comportamentais. Um coach? Um consultor? Um terapeuta? Pode ser tudo isso, e, se você já o ouviu falar, sabe também que adora uma polêmica.

Nesse livro: Os 4 temperamentos na educação dos filhos, não há polêmica, não há política, só realmente uma apresentação sobre os temperamentos e aplicações práticas na educação dos filhos (nisso ele está fazendo PhD: já são 6). No final do livro, ele também menciona a sua teoria das camadas (eu já o tinha ouvido muito falar sobre isso, mas nunca tinha visto um estruturação formal). 

Depois que eu acabei de ler esse livro, vi uma resenha que diz que é a transcrição de um curso, então justifica um pouco o formato de algumas partes da obra, em que alguns temperamentos recebem mais detalhes que os outros, e que a linha de raciocínio não é a mesma para todos - característico de uma fala oral. 

Como eu já disse, o final do livro fala sobre personalidade e a teoria das camadas, e o começo do livro apresenta uma filosofia sobre os temperamentos, e ambas eu não achei tão interessantes. No entanto, o "miolo", a parte em que são apresentados os temperamentos e as implicações práticas, são realmente muito boas. Consegui ver as minhas filhas em alguns perfis, e entender melhor como lidar com cada uma delas - algo que eu já intuía e ele confirmou, ou então dicas muito boas. 

Há considerações específicas sobre as interações, por exemplo, pais de um temperamento e filhos de outro, como deve ser o caso geralmente. Gosto também da abordagem dele sobre educação que envolve a formação do caráter, de um ser humano responsável e livre. Não é disciplina autoritária, nem educação livre, me parece um meio do caminho que sempre me interessou.

Ele também apresenta alguns pontos sobre espiritualidade, e, embora não defenda nenhuma religião, ele é católico e é possível ver esse viés nos exemplos dados, mesmo sem atrapalhar o texto para aqueles que professam outros pontos.

Assim, eu recomendo o livro, reforçando essa diferença entre autor e obra, que nem sempre pode ser feita (em termos de polêmica), mas aqui realmente independe.

11 de maio de 2020

Bufo & Spallanzani

Editora Nova Fronteira - Capa Leandro B. Liporage e Cássio Loredano

Prezados leitores desse blog, segue pequena dica fúnebre: se um autor morrer, alguns dias depois, alguns livros deles, no formato ebook na Amazon, ficam em promoção. (Às vezes tem promoções para autores que ganham prêmios também, numa nota mais alegre). Foi assim que eu comprei Bufo & Spallanzani, de Rubem Fonseca, que faleceu no último dia 15 de abril. Um grande autor de contos e romances contemporâneos, vale sempre a pena ser lido. (Coincidentemente, terminei de lê-lo no dia em que ele faria 95 anos. Uma vida bem vivida!)

Eu gostei muito dessa obra, cujo personagem principal é um escritor falando sobre um caso policial no qual foi envolvido e também sobre o processo de escrita. É muito bom ir descobrindo aos poucos mais sobre a trama, e ainda ter uma surpresa no final. Recomendo!

16 de abril de 2020

As Perguntas

Editora Companhia das Letras

Nesse livro "As Perguntas" acompanhamos a trajetória da personagem principal Alina por um curto espaço de tempo quando ela se envolve com um grupo secreto e místico. Ela é uma aluna de pós graduação de História, que tem um emprego que odeia para pagar as contas, circula ali pela Paulista, Augusta, Consolação. É um cotidiano bem familiar para jovens em São Paulo, com esse toque de suspense (uma delegada entra em contato com ela sobre um símbolo religioso estranho - tema que ela estuda) e mistério (ela resolver ir no encontro secreto de uma seita).

É um livro bem curto, fácil de ler, com um título pertinente, com a proposta de incomodar o leitor - já que não há lá muitas respostas para as pontas que vão se abrindo na trama. Eu preferia algo com mais fechamento, com certeza, mas é um bom livro.



8 de abril de 2020

Raising Worry-Free Girls

Editora Bethany House
"Raising Worry-Free Girls" parece ser um livro bem específico - como educar meninas que não sejam preocupadas - e é mesmo, embora os conhecimentos podem ser aplicados para outras pessoas (como adultos e meninos).

No entanto, a autora Sissy Goff explica que viu um aumento muito grande de crianças ansiosas nos últimos anos em seu consultório, e que a maioria delas é menina. A partir disso, veio a ideia do livro, de dar orientações específicas para esse público.

Eu gostei muito da abordagem - é explicado o contexto, como se manifesta a ansiedade, e abordagens de curto, médio e longo prazo dependendo da situação (e de como a preocupação ou a ansiedade se manifesta ), assim como indicação de quando é necessário uma ajuda profissional, e as vantagens de ter um acompanhamento externo a família.

A autora também é muito cuidadosa com as preocupações dos pais que estão lendo esse livro, que estão querendo "resolver" uma situação que não é simples e geralmente não é incluída naqueles cursos de "como cuidar do seu bebê". Aliás, como há muito mais a se aprender para ser a mãe que a gente quer ser, além de trocar fralda e fazer refeições nutritivas, né?

7 de abril de 2020

A Primeira Aula

Editora Itaú Cultural

Eu peguei o livro "A primeira aula" de graça na Amazon, porque me interessei pela temática: professores de literatura brasileira falando sobre a primeira aula no estrangeiro. Adoro literatura, então vamos lá ler. São crônicas curtas de várias pessoas, organizadas por Pedro Meira Monteiro, de forma que o livro flui rápido, mas eu o considerei realmente para "iniciados". Pessoas que trabalham com literatura ou são professores no exterior, pois não se fala muito nem de literatura nem de como as pessoas de fora percebem a literatura local, mas é algo mais filosófico e reflexivo sobre dar uma primeira aula sobre esse tema para estrangeiros.

29 de março de 2020

Dando um tempo

Editora Bertrand Brasil

Mais um ótimo livro da Marian Keyes: Dando um tempo, ao qual eu dei 5 estrelas sem hesitar. Eu gosto demais dessa autora, que tem uma capacidade única de unir um conflito comum e talvez até cotidiano (um pedido de separação, assédio, vício em drogas legais) e unir com humor, com personagens totalmente verossímeis.

Nesse tijolo de 800 páginas, ela aborda vários aspectos de relacionamentos duradouros (a personagem principal está na faixa de 40 anos, mas há um casal de idosos também), e também fala sobre criação de filhos adolescentes, aborto e rede sociais. Tudo muito atual, tudo muito pertinente.

Com capítulos curtos e muito diálogo, é um livro fácil de ler, e vai muito rápido, apesar do tamanho. Claro que eu recomendo!

16 de março de 2020

Whisper Network

Editora Sphere

O livro "Rede de Sussuros" traz para a literatura um tema que esteve nos noticiários do mundo todo, o #metoo. A autora Chandler Baker acompanha cinco personagens, cinco mulheres que trabalham no departamento jurídico de uma grande empresa de material esportivo que se encontra em frente ao dilema ético de expor uma situação de abuso de poder e abuso sexual.

São cinco mulheres bem diferentes e assim a autora consegue abordar de certa forma todos os aspectos desse tipo de problema - quem não teve escolha, quem teve escolha, se beneficiou e se arrependeu, quem não estava em condições de ter escolha, quem não se envolve diretamente. O livro traz uma situação extrema, para aumentar a energia da trama, mas as reflexões sobre o ambiente de trabalho, os abusos possíveis e o impacto em diferentes pessoas são muito pertinentes.

É interessante também como expõe os mecanismos de proteção que as mulheres desenvolveram ao longo dos anos - e eu me peguei pensando: olha como aceitamos como normal uma situação que simplesmente não deveria ser admissível. Espero que estejamos caminhando na direção de não ter mais as situações e não só meios de escape.

No livro, há trechos no plural - um coletivo se manifestando sobre a história, indicando sentimentos e opiniões. No final, a autora indica que teve necessidade de colocar no livro as vozes dessas mulheres que passaram por situações parecidas, que estão buscando ser ouvidas. Eu, particularmente, fiquei confusa pensando: quem é esse povo? Quando vai ser explicado quem elas são na história? e achei estranho ver essa explicação só no final. 

É uma boa história e um bom livro, recomendo inclusive para clubes de leituras, porque dá vontade de conversar bastante sobre ele.

24 de fevereiro de 2020

Antes da Queda

Editora Intrínseca
O livro "Antes da Queda" de Noah Hawley é um mistério daqueles que ganha muito de uma narrativa não linear, costurada entre momentos diferentes e visões de diferentes personagens. Parece que o autor trabalha em televisão, então o livro tem essa pegada cinematográfica, que viraria um roteiro facilmente.

É um livro para férias, para não parar de ler e descansar a cabeça. Recomendo!


5 de fevereiro de 2020

Até que a culpa nos separe

Editora Intrínseca

Adoro os romances da Liane Moriarty, tem mistério, tem drama, tem romance, tem vida real urbana classe média com crianças pequenas.

"Até que a culpa nos separe" é um história emocionante de um incidente totalmente extraordinário e como impacta cada pessoa envolvida de uma forma completamente diferente, e como cada um lida de forma diferente com sua responsabilidade em relação ao que aconteceu.

Essa autora realmente não decepciona, é uma leitura ótima para entretenimento.

1 de fevereiro de 2020

E não sobrou nenhum

Editora Globo Livros - Capa Rafael Nobre / Babilônia Cultura Editorial
Eu ainda lembro quando li esse livro pela primeira vez, e fiquei com tanto medo que fui sentar ao lado da minha mãe para ler o final. Quem pode ser o assassino se 10 estranhos, aparentemente sem nada em comum, se reúnem numa casa isolada numa ilha e começam a morrer um após o outro?

Só Agatha Christie para escrever uma história tão incrível, um mistério tão bem intrincado como "E não sobrou nenhum", que eu sinceramente acho que merecia um filme assim como Assassinato no Expresso Oriente.

31 de janeiro de 2020

O cérebro da criança

Editora nVersos - Capa Misa Erder

Eu realmente gostei bastante do livro "O cérebro da Criança", tanto que eu gostaria de recomendar a todos os pais de crianças pequenas por aí. Com esse título que parece científico ou técnico, e escrito por um médico professor de psiquiatria, o Dr. Daniel J. Siegel, e uma psicoterapeuta, Tina Payne Bryson, é surpreendentemente simples. Os conceitos são explicados com clareza e há inclusive "histórias em quadrinhos" para que você explique os conceitos para as crianças.

É tão interessante ver que a educação é tratada como parceria entre o adulto e a criança, uma relação a ser trabalhada de maneira muito intencional. Tudo é tratado de maneira muito prática também, com dicas bem específicas, e não cheio de teorias difíceis de aplicar.

Acredito que é um dos melhores livros de educação para se ler logo após a criança fazer uns 2 anos, e ter ali na cabeceira para consultar sempre que necessário.

27 de janeiro de 2020

Destinos e Fúrias

Editora Intrínseca

Destinos e Fúrias é um livro pesado, embora não muito comprido, uma história densa de dois personagens, Mathilde e Lotto, dividida em 2 partes: primeiro, a história da vida de Lotto, com a visão que ele tem da esposa, e depois a história da vida dela com a revelação de detalhes surpreendentes, que ela esconde.

Se a verdade é escondida, o amor é verdadeiro?

Como se define e se mede amor de um casal?

Eu não simpatizei tanto com os personagens, mas a construção do caráter e da humanidade deles realmente me surpreendeu positivamente.

Além de ter algo que eu adoro, que é um narrador que faz comentários. Tem algo mais legal que um narrador - essa voz do além - para contradizer ou confirmar o pensamento dos personagens? [Tem.]

Gostei muito desse livro e acho que ele é ótimo para um clube do livro. Aliás, procuro alguém que já tenha lido!

15 de janeiro de 2020

Pastoreando o Coração da Criança

Editora Fiel - Capa Tobias outerwear for books ​(Adaptação: Edvânio Silva)

Recentemente, eu vi duas pessoas falando sobre esse livro, e quando vi que ele está no kindle prime (disponível para assinantes prime da Amazon), resolvi lê-lo, e usei toda minha força de vontade para termina-lo de ler. 

Ele foi publicado em 1995, mas do fundo do meu coração, me pareceu mais antigo que isso. Toda uma parte da psicologia, inteligência emocional e etc, parece inexistente. Dá vontade de falar para o autor: você REALMENTE acha que faz sentido isso que você está propondo?

Veja bem, ele defende que funciona. E funciona bem, dada a experiência dele como pai e de pastor que influenciou outros pais, mas acho que é para um tipo bem específico de pai e mãe. 

Existem porções aproveitáveis do livro, como todo o capítulo de comunicação, embasado em textos bíblicos muito pertinentes e uma análise de cada fase etária das crianças. Mas eu diria que a parte "aproveitável" (segundo a minha opinião) chega a 30%, no máximo. 

Embora fale de coração da criança, e da importância de cuidar da vida espiritual dela, muita da disciplina é baseada em vara e regras, com pouca graça. E quem é cristão sabe: graça faz toda a diferença.


11 de janeiro de 2020

Ironweed

Editora Simon & Schuster

Ironweed, de William Kennedy, é um livro ganhador de Pulitzer, mas não é um livro que me ganhou. Contando a história de um morador de rua, que rememora os eventos principais da sua vida, ao mesmo que passa por uma crise ao ter a melhor amiga doente. É um panorama dessa sociedade que não me é familiar, de um outro país, de uma outra época, e realmente não me conectei aos personagens. 

Como curiosidade, a adaptação a filme foi feita sob direção do Hector Babenco, e os dois atores principais foram indicados ao Oscar: Jack Nicholson and Meryl Streep.



4 de janeiro de 2020

Amigos e Amantes

Editora Vida Nova - Capa 

A proposta da Série Cruciforme é apresentar livros simples sobre temas relevantes para a vida prática do cristão, e com esse livro de Joel R. Beeke, eles acertam em cheio. "Amigos e Amantes" tem pouco mais de 100 páginas, texto fácil com dicas práticas e pertinentes, sem delongas.

Como o próprio autor fala, é fácil ver livros sobre relacionamentos amorosos falando de amor, sexo, finanças, resolução de conflitos, etc, mas não tanto sobre amizade. Geralmente um namoro começa com a amizade, mas parece que isso "tem que acabar" quando se é "promovido a cônjuge". Não são mais amigos, são casados. Acredito que a lembrança de que amizade importa e sempre importará é muito válida.

Recomendo o livro para homens e mulheres casados - é realmente rápido de ler e com dicas práticas, embasando o subtítulo: "como cultivar a amizade e a intimidade no relacionamento".