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13 de outubro de 2024

O Auto da Maga Josefa

 

Editora Autêntica

Paola Siviero se deu um desafio: escrever um livro de fantasia com a mitologia local, brasileira. Criou a Maga Josefa, o caçador de criaturas sobrenaturais Toninho, e nos deu esse livro de pequenas aventuras com lobisomem, sereia, chupa cabra, fantasma e até golem. 

Não só o nome, "O Auto da Maga Josefa", remete a "Auto da Compadecida" e outras histórias afins, mas a atmosfera do livro também - que se passa ali na década de 60, no interior do nordeste. Embora com riscos de vida e personagens que dão medo, é um livro divertido, leve, e, então eu acredito que pode ser lido até por crianças mais velhas. 

É uma boa oportunidade para conhecer mais da nossa cultura popular, e se encantar pelas histórias nacionais.

17 de setembro de 2021

Babbit

 

Editora Bibliolife

Babbit é uma sátira, ou seja, uma história contada com muita ironia para criticar os costumes da sociedade ou de uma parcela da mesma. Escrito por Sinclair Lewis na década de 1920, retrata a vida de um homem classe média no interior dos Estados Unidos - que venceu na vida por trabalho e motivos escusos, e seu relacionamento com a sociedade, a política, a igreja, o casamento e os filhos.

É interessante como estudo humano e cultural da época, mas - e é um grande mas - o personagem principal, que dá título ao livro é um grandíssimo chato.

Até entendo que era essa a intenção do autor, levar ao ridículo o homem comum norte-americano, mas foi bem difícil engatar no livro e fiquei imaginando que, se eu estivesse um pouco mais próxima do objeto do livro - geográfica ou temporalmente - teria aproveitado melhor.


6 de julho de 2021

Mrs Palfrey at the Claremont

 

Editora Virago

Mrs Palfrey é uma senhorinha inglesa que, para não morar sozinha e cuidar da casa e de si, pega todas as economias e vai morar em um hotel em Londres. A filha mora na Escócia e tem suas preocupações. O neto trabalha no Museu Britânico e não tem tempo de visita-la. 

Mas no hotel, há outros idosos que vivem ali na mesma situação - entre alguns turistas que são a população flutuante, eles são os residentes, tornam-se uma comunidade, e o livro de Elizabeth Taylor vai acompanhar essa dinâmica.

O livro "Mrs Palfrey at the Claremont" é de 1971, então fala sobre um mundo que não existe mais - mas o que eu mais gostei é de ser uma história sobre uma idosa, sem ser depressivo - e os personagens mais jovens são secundários. 


9 de abril de 2021

The Vanishing Act of Esme Lennox

Eu sou fã de carteirinha da Maggie O'Farrell, então estou nessa jornada de ler todos os livros que ela escreveu e, entre eles, O ato de sumiço de Esme Lennox, que não tem disponível em português. O estilo da autora está lá, histórias começando em paralelo, que se cruzam e entre o passado e o presente a trama vai se desenrolando, segredos são revelados e você passa a entender mais os personagens. Há passagens chocantes (principalmente do ponto de vista psicológico), e uma visão interessante da psiquiatria no meio do século passado. Recomendo para quem gosta de tramas com boa densidade de personagens.

29 de março de 2021

Last Things

 

Editora Delta

O livro de Jenny Offill, Últimas Coisas, é mais uma história contada do ponto de vista de uma criança (que sempre é mais precoce e/ou observadora que as crianças "comuns"), num momento particular em que o casamento dos seus pais está passando por uma crise. 

A mãe é toda peculiar e é o foco dessa narrativa - seu jeito diferente de viver, suas crenças fora do comum (como o monstros marinhos desconhecidos), e como ela impacta sua filha. 

É interessante do ponto de vista psicológico, mas apesar do começo interessante, acabei por não simpatizar por ninguém ali, e o livro passou sem me prender.


7 de março de 2021

O Tigre Branco

 

Editora Harper Collins


Balram Halwai mata o seu patrão e resolve escrever cartas ao primeiro ministro chinês explicando o que aconteceu - por mais bizarro que isso possa parecer - e é através desse relato que somos levados a um passeio pela estrutura social da Índia. As castas, as famílias do interior, a corrupção, a tentativa de enriquecer na cidade grande, e os jogos políticos e sociais. 

Surpreendentemente, não é um livro pesado, e chega a ser divertido, apesar dos temas sensíveis. Por "O Tigre Branco" (raro, valioso - a quem o narrador é comparado quando criança), o autor Aravind Adiga ganhou o Man Booker Prize de 2008.

Não assisti o filme,  mas recomendo o livro, com certeza!

6 de janeiro de 2021

A primeira dama da Reforma

 



Um livro muito muito muito ruim. Todo feito de conjecturas, baseado em pouquíssimos dados históricos. Há alguma informação de contexto histórico da sociedade da época, mas é difícil de dizer o que é real e o que é baseado na imaginação - fértil - da autora.

19 de dezembro de 2020

Nadando de Volta para Casa

 

Editora Rocco

Eu me interessei pelo sinopse desse livro, Nadando de volta para casa, e esperei um tempão para entrar em promoção e compra-lo. No entanto, foi realmente uma decepção lê-lo, uma história confusa e pretensiosa, cheia de conflitos, mas que não me fez simpatizar com nenhum dos personagens do livro.

Esse livro de Deborah Levy entrou na lista curta de indicados para o Man Booker Prize, mas não ganhou, e as críticas na Plataforma Goodreads apresentam bem os dois lados - quem ama e quem odeia. Depois que eu acabei de ler, percebi que, até o que as pessoas que gostaram dizem trazem indicações de que não é mesmo o meu tipo de livro.

Assim, recomendo a plataforma Goodreads para considerar uma compra de livro - mesmo se ele quase ganhou um prêmio literário. Ela indica com bastante acurácia quando há um spoiler relacionado a história, e ele é geralmente escondido (é preciso clicar para que a frase apareça).

21 de novembro de 2020

Junia is not alone

Nesse pequeno livro, Scot McKinght fala sobre Junia - uma mulher citada pelo apóstolo Paulo - e que, pelo contexto, levou a estudiosos recentes (dos últimos 200 anos) a identifica-la como homem. Era mais fácil justificar que "Junia" talvez - remotamente - com uma pequena probabilidade - fosse um nome masculino do que dar a ela uma posição de liderança na igreja primitiva, e isso mostra como a cosmovisão pode mudar a forma de ler a Bíblia, mesmo contra todas as evidências.

Assim, "Junia não está sozinha", e há outras mulheres incríveis que foram ignoradas para manter uma posição confortável sobre o que se espera dos papeis dos homens e das mulheres na sociedade. 

Esse livro é uma pequena provocação e uma porta de entrada, mas não é definitivo pelo tema que é urgente dentro do contexto cristão. Recomendo!

31 de outubro de 2020

Bonsai & A vida privada das árvores

 

Editora Tusquets

Nesse livro, temos duas histórias: Bonsai e A vida privada das árvores, sobre pessoas e literatura - escrever ou não escrever, eis a questão. É boa literatura, que deixa um certo desconforto e uma porta aberta.


13 de setembro de 2020

Úrsula

Edições Câmara

Maria Firmina dos Reis é uma mulher bastarda negra do século XIX que fez história - no sentido de pessoalmente ter feitos atos notórios historicamente - mais de 100 anos depois. Um deles é a publicação desse livro, Úrsula, ainda enquanto era viva. (Outros estão relacionados a sua atuação como professora e diretora escolar.)

Nesse livro, lemos a história de Úrsula, nos moldes românticos da época - amor de morrer por, o vilão, o mocinho, as paisagens bucólicas, o decoro e a religião. Mas com posicionamentos claramente abolicionistas - não há como não se impressionar que os relatos sobre a vida, o sofrimento e a dor dos escravos estavam sendo narrados por alguém que viu tudo de perto. 

Interessante também é que esse livro foi publicado pela Câmara dos Deputados, junto com capas bonitas que aumentam o interesse pela leitura (mesmo do livro digital). Eu peguei de graça numa promoção da Amazon, mas este e outros livros clássicos estão disponíveis para venda também no site da Câmara

11 de maio de 2020

Bufo & Spallanzani

Editora Nova Fronteira - Capa Leandro B. Liporage e Cássio Loredano

Prezados leitores desse blog, segue pequena dica fúnebre: se um autor morrer, alguns dias depois, alguns livros deles, no formato ebook na Amazon, ficam em promoção. (Às vezes tem promoções para autores que ganham prêmios também, numa nota mais alegre). Foi assim que eu comprei Bufo & Spallanzani, de Rubem Fonseca, que faleceu no último dia 15 de abril. Um grande autor de contos e romances contemporâneos, vale sempre a pena ser lido. (Coincidentemente, terminei de lê-lo no dia em que ele faria 95 anos. Uma vida bem vivida!)

Eu gostei muito dessa obra, cujo personagem principal é um escritor falando sobre um caso policial no qual foi envolvido e também sobre o processo de escrita. É muito bom ir descobrindo aos poucos mais sobre a trama, e ainda ter uma surpresa no final. Recomendo!

27 de janeiro de 2020

Destinos e Fúrias

Editora Intrínseca

Destinos e Fúrias é um livro pesado, embora não muito comprido, uma história densa de dois personagens, Mathilde e Lotto, dividida em 2 partes: primeiro, a história da vida de Lotto, com a visão que ele tem da esposa, e depois a história da vida dela com a revelação de detalhes surpreendentes, que ela esconde.

Se a verdade é escondida, o amor é verdadeiro?

Como se define e se mede amor de um casal?

Eu não simpatizei tanto com os personagens, mas a construção do caráter e da humanidade deles realmente me surpreendeu positivamente.

Além de ter algo que eu adoro, que é um narrador que faz comentários. Tem algo mais legal que um narrador - essa voz do além - para contradizer ou confirmar o pensamento dos personagens? [Tem.]

Gostei muito desse livro e acho que ele é ótimo para um clube do livro. Aliás, procuro alguém que já tenha lido!

15 de janeiro de 2020

Pastoreando o Coração da Criança

Editora Fiel - Capa Tobias outerwear for books ​(Adaptação: Edvânio Silva)

Recentemente, eu vi duas pessoas falando sobre esse livro, e quando vi que ele está no kindle prime (disponível para assinantes prime da Amazon), resolvi lê-lo, e usei toda minha força de vontade para termina-lo de ler. 

Ele foi publicado em 1995, mas do fundo do meu coração, me pareceu mais antigo que isso. Toda uma parte da psicologia, inteligência emocional e etc, parece inexistente. Dá vontade de falar para o autor: você REALMENTE acha que faz sentido isso que você está propondo?

Veja bem, ele defende que funciona. E funciona bem, dada a experiência dele como pai e de pastor que influenciou outros pais, mas acho que é para um tipo bem específico de pai e mãe. 

Existem porções aproveitáveis do livro, como todo o capítulo de comunicação, embasado em textos bíblicos muito pertinentes e uma análise de cada fase etária das crianças. Mas eu diria que a parte "aproveitável" (segundo a minha opinião) chega a 30%, no máximo. 

Embora fale de coração da criança, e da importância de cuidar da vida espiritual dela, muita da disciplina é baseada em vara e regras, com pouca graça. E quem é cristão sabe: graça faz toda a diferença.


30 de dezembro de 2019

Be Frank with me

Editora Corvus

Esse livro eu escolhi pelo título: Be Frank with me, um trocadilho com o nome do personagem principal, Frank, uma criança excêntrica, filho de uma escritora excêntrica. Acho ótimo histórias que trazem um pouco do absurdo (verossímeis ou não) para um pouco mais perto de nós.

Esse livro foi escrito pela Julia Claiborne Johnson e não foi publicado no Brasil, só em Portugal com o título: "Quem não sonha voar, Alice?". É um livro fácil e com a quantidade de certa de eventos e revira-voltas para não ficar maçante e nem tão exagerado.

Há um "problema principal" que é resolvido de maneira bem criativa, e outros probleminhas com indicação de solução, mas eu fiquei incomodada com a falta de solução para o Frank especificamente. Por sua excentricidade, com características de autismo de alto desempenho, ele não se encaixa na escola, e lá pelas tantas é dito que ele já passou por várias escolas e foi convidado a se retirar. Eu acho esse assunto triste e complexo e fiquei um pouco decepcionada do livro não aborda-lo melhor - com uma indicação de solução que seja. Claro que Frank não é um menino real que precisa ser integrado e ter um cuidado específico, mas acredito que seria uma maneira de atingir pessoas que possam ter conhecidos, familiares ou amigos, nessa situação.


27 de dezembro de 2019

Noite em Caracas

Editora Intríseca - Capa Lola Vaz

Karina Sainz Borgo é venezuelana, radicada na Espanha, e escreveu um livro em primeira pessoa sobre uma venezuelana que quer sair do país. Impossível não cogitar o tanto do que ela escreve em "Noite em Caracas" é verdade, mas logo no final do livro é declarado que se trata de uma "história de ficção. Alguns episódios e personagens do romance são inspirados em fatos reais, mas não atendem à exigência dos eventos. Desprendem-se da realidade om uma vocação literária, não de testemunho."

De qualquer forma, não dá para não ficar impressionada com essa história que se passa num país tão próximo, a tanto tempo numa "ditadura de esquerda", com relatos de miséria, violência, anarquia impressionantes. É uma história forte sobre uma pessoa levada a um extremo por situações extremas, e justamente por não se apegar a realidade, a história fica melhor ainda. Vale a leitura.

26 de dezembro de 2019

Gilead

Editora Virago / Picador

Depois que eu acabei de ler esse livro, que eu achei incrível, fui pesquisar sobre ele no google, e algumas informações chamam a atenção. "Gilead", além de ser ganhador do prêmio pulitzer, é um dos livros favoritos de Barack Obama (que até entrevistou a autora), e é considerado o segundo livro dos 100 melhores deste século pelo The Guardian.

John Ames, um idoso já doente, escreve um relato de suas memórias e do seu dia a dia para o filho, que ele não espera ver adulto (a criança tem 7 anos na história). Ele é um pastor de uma cidade pequena dos Estados Unidos, na década de 1950, e há reflexões sobre a vida, a morte, família, amizades, religião e cristianismo. É incrível como a autora Marilynne Robinson consegue passar por tantos assuntos espinhosos de maneira tão serena e sensata.

Eu estou gostando muito de ler livros com personagens mais velhos, e acho que isso é um reflexo do fato de eu já estar na minha segunda metade da vida, praticamente. É possível apreciar mais a sabedoria e a experiência de quem já viveu muito, e como isso pode ser libertador.

25 de dezembro de 2019

As Doze Tribos de Hattie

Editora Intrínseca

Confesso que eu adorei o título desse livro: "As doze tribos de Hattie", mas foi só isso que eu adorei mesmo. Eu li a sinopse: a história de uma mãe e seus 11 filhos contada em 12 narrativas diferentes, o livro sendo descrito como: épico, angustiante, imprevisível, cheio de vida, de uma autora (Ayana Mathis) madura.

O livro é realmente angustiante: tudo é um drama e uma tragédia. Nada dá certo para praticamente ninguém da família. Então, lá pelo meio do livro dá para perceber que vai ser sempre assim, triste, e essa é a previsibilidade da coisa. Nós ficamos sabendo de episódios curtos de cada pessoa, e no final mal dá para ter um retrato completo da família da Hattie, então não me pareceu muito épico também.

Pode ser que exista mesmo famílias com toda essas tragédias, mas acho que o livro só me deixou com essas situações desoladas, sem esperança, sem uma forma de ruptura, sem nenhuma motivação, e eu acho que a literatura pode ser mais que isso.

9 de dezembro de 2019

Pilgrim´s Regress

Editora Harper Collins

Vejam bem, eu adoro C.S. Lewis, particularmente seus livros de não ficção. Eu gostei das crônicas de Nárnia, mas eu realmente gosto mais de suas discussões teológicas diretas. Depois de ter lido "Regresso do Peregrino", eu realmente posso dizer que prefiro mesmo os livros de não ficção.

Talvez o fato de ter lido em inglês tenha sido uma dificuldade a mais, mas foi realmente um desafio terminar de ler esse livro (sendo quem é o autor, eu não queria abandonar), mas foi quase um suplício apesar dos capítulos curtos. Eu sabia que tudo deveria ser cheio de significado e profundidade, mas a maior parte da coisas eu não conseguia entender. (Talvez uma edição com notas seja mais fácil.)

Por fim, no epílogo, o próprio C. S. Lewis admite que fez essa história muito complicada mesmo (e ufa, eu não estava boiando sozinha). Esse livro então é para quem estuda mesmo o autor, o contexto social e teológico da época, e sua própria trajetória pessoal.

1 de dezembro de 2019

A Redescoberta do Mundo

Editora Nova Fronteira

O livro de Thrity Umrigar começa com uma mulher de origem indiana, nos Estados Unidos, descobrindo que possui câncer cerebral em estágio terminal e decide convidar as 3 melhores amigas da juventude (na época da faculdade) a ir visita-la para uma despedida. Duas delas continuam amigas, mais de 20 anos depois, mas a outra "sumiu" e não tem contato nem com os próprios pais. 

A partir daí somos levadas pela retomada da amizade e lembranças da trajetória de cada uma, num momento de reflexão sobre a vida toda que só uma crise como essa proximidade da morte pode trazer. É literalmente "A redescoberta do mundo", título da obra.

Embora com uma carga sentimental bem alta, a história é dinâmica, tocada pelo próprio andamento da doença, que vai se agravando e trazendo urgência para todo processo. Ele nos leva a pensar sobre o que define as amizades da juventude e como elas permanecem (ou não) em nossas vidas. Além disso, é muito interessante o retrato cultural da Índia, um pouco da pluralidade religiosa, das disputas políticas, e as classes sociais. 
 
É mais um romance do que um retrato cultural, mas acredito que isso realmente enriquece a literatura, quando você tem uma ótima história muito bem amparada no seu mundo literário (seja ele real ou imaginário).