31 de maio de 2026

Liderança

 

Editora Cultura Cristã

Paul Tripp escreve um livro sobre liderança voltado àqueles que servem: sem ser extenso, ele traz princípios chaves que podem ser colocados em prática em qualquer comunidade de fé ou qualquer nível de hierarquia de uma igreja, do conselho ou direção até em pequenos grupos. Ele conta relatos de sua experiência pessoal e de vezes em que foi chamado a ajudar, mas também usa histórias e versículos da Bíblia para ilustrar seus princípios e torna o embasamento mais forte.

Em todo capítulo, ele mostra a vulnerabilidade da posição do líder, identifica ameaças e problemas que toda liderança enfrenta, mas traz também a resposta que é a graça e misericórdia de Deus, de quem a comunidade de líderes é apenas instrumento.

Assim, esse é um livro de liderança que não exalta o trabalho, capacidade e potencial do líder, não oferece técnicas e estratégias para ter um ministério ou grupo que atinja os objetivos com sucesso, como outros livros sobre liderança, mas que sirva a Deus e a comunidade, amando a Deus e ao próximo.

É interessante a sistematização líder em princípios como forma didática, mas alguns pontos parece repetidos ou extensões de pontos anteriores, como o autor mesmo afirma, então me pareceu que havia uma intenção deliberada em chegar ao número de 12 princípios – e então essa quantidade poderia ser menor, ou mesmo maior, com criatividade.

De qualquer forma, é uma maneira de reforçar atitudes desejáveis em um líder cristão, principalmente a necessidade de ter a identidade, o foco e a atenção em Cristo, e ter uma comunidade ao redor disposta a apoiar a caminhada de santificação e maturidade espiritual uns dos outros.

Liderança, de Paul Tripp, é um bom livro para cristãos já convertidos há algum tempo, em posições de liderança ou que estejam se preparando para isso, para aprenderem que os parâmetros da liderança na igreja são diferentes da liderança praticada no mundo secular.

Esse livro pode ser lido por uma comunidade de líderes conjuntamente, para que Deus trabalhe em cada um deles, ou pode ser usado para iniciativas de transformação e crescimento por um pastor junto aos seus líderes de ministério ou conselho.


24 de maio de 2026

Nós matamos o cão tinhoso!

 

Editora Kapulana

Luís Eduardo Honwana publicou esse pequeno livro de contos: "Nós matamos o cão tinhoso!" quando era jovem, na década de 1960 em Moçambique. Embora ele deve ter ficado mais sábio e maduro ao longo dos anos, é emocionante ver a sensibilidade que ele traz os assuntos da sociedade do seu país, de crianças a jovens e velhos. 

Eu comentei que o livro Manual da Faxineira me cansou recentemente, e eu me senti afastada dos personagens e costumes, então não sei explicar porque um livro de pessoas que vivem na zona rural de um país na África, mais de 70 anos atrás fez muito mais sentido para mim. 

Algumas histórias me tocaram mais, algumas menos, mas só o primeiro conto vale muito a pena.


21 de maio de 2026

Malária

 

Editora Tinta da China

Carmen Stephan é alemã e morou aqui no Brasil por um tempo, essa história - Malária - não podia nascer de outra forma. Eu quis ler porque o narrador é um mosquito - a mosquita fêmea que pica a personagem principal e transmite a doença. Apesar de ter muito mais justificativa do que seria necessário para uma história com tal premissa, viajamos com elas através de cidades, hospitais e a história da doença. 

É um livro interessante, com um pensamento ecológico, uma leve crítica aos médicos, e escrito há mais de 10 anos, e só agora publicado no Brasil. Vale a leitura.

17 de maio de 2026

Se eu soubesse contar infinitos

 

Editora Rocco

Esse livro começa ali na ditadura, fala de artistas se exilando na Europa, mas com uma fortuna de fazendeiro por trás, aí eles voltam e se mantém em algo que pode ser definido como a fatia privilegiada da população do Rio de Janeiro. Não é que seja tudo bom - há muitos problemas e dramas - mas o dinheiro não é uma questão, e parece algo tão fora da nossa realidade. Mas por que o livro brasileiro precisa ser a realidade? Aliás, geralmente ele não é, ele pode falar só de personagens específicos em situações bem específicas e mesmo assim ganhar nosso coração.

Eu não sei explicar porque esse livro pareceu tão artificial, mas é assim que me pareceu, mas com certeza pode fazer sentido para outras pessoas.

Manual da Faxineira

 

Editora Companhia das Letras

Eu entendo que Lucia Berlin é uma grande escritora, e provavelmente a análise dos contos seja muito enriquecedora, mas como entretenimento, ler 500 páginas dos contos dela, realmente me cansou.

Tem bastante violência, alcoolismo, drogas, e cada conto deixa aquele desconforto de algo inacabado, ou um choque. Tem personagens que se repetem em diferentes contos, mas sem a preocupação de contar uma história linear ou, ao me ver, de manter uma coerência entre os contos. Alguns são mais interessantes do que outros, mas eu realmente cansei, e fui ficando cada vez mais distante.

Cada vez mais, eu estranho a sociedade dos Estados Unidos, principalmente como retratada aqui, sem conseguir me conectar emocionalmente - com a única exceção, da mulher que vai viver com sua irmã com câncer terminal - ainda tem o alcoolismo presente e uma desintegração de família que geralmente não vemos por aqui - mas pareceu bem mais humano e universal.

Talvez se esse livro fosse menor, eu teria curtido mais.


8 de maio de 2026

A menina e a pipa

 

Editora Intrínseca

A mim, parece que Laetitia Colombani se preocupa mais em ensinar sobre um assunto que lhe interessa, do que realmente em fazer uma história. É aquele livrinho com moral escritos para crianças pequenas, mas na escala de literatura adulta. Nesse, o foco é a população pobre da Índia, e a falta de acesso a educação, principalmente das meninas. Tema sério e preocupante, claro, mas o livro parece um panfleto. Bom, é isso, embora a capa seja muito bonita, não gostei.





3 de maio de 2026

Orgulho e Preconceito

Editora Antofágica

Li de novo Orgulho e Preconceito, como se a TBR não existisse?

Sim.

Valeu a pena?

Sim.

Depois de assistir a série da BBC no Prime da Amazon, resolvi ir ao original da Jane Austen para saber o quanto do humor é da autora e quanto é da adaptação, assim, nos detalhes, e sim, senhoras e senhores, o livro tem muito de irônico e engraçado, e o que às vezes ficou estranho na adaptação, é muito bom no papel.

Que genialidade é esse texto!

Essa edição da Antofágica é repleta de ilustrações muito boas de Jess Vieira. Recomendo! (Li no biblion.)


 

2 de maio de 2026

Moçambique com Z de Zarolho

 

Editora Dublinense

O governo de um país que fala português decide pela modernização: inglês torna-se a língua oficial.  Manuel Mutimucuio, a partir dessa ideia, traça a breve fábula Moçambique com Z de Zarolho, e temos nisso um pequeno retrato de diferentes camadas sociais do país e sua situação social contemporânea. 

É interessante, mas não é nota 10. Recomendo para curiosos.

1 de maio de 2026

Trilogia dos Gêmeos

 

Editora Dublinense

Ágota Kristof, húngara, escreveu livros geniais - uma afirmação nada ousada, depois de ler Trilogia dos Gêmeos.

O primeiro livro, O Grande Caderno, dá arrepios. Todo escrito em "nós" fala de guerra, família, identidade. Muito muito bom.

O segundo livro, A Prova, parece um balde de água fria - faz perder o rumo e está em outro lugar (e eu não achei tão bom quanto os outros dois, parece mais "comum" de certa forma, relativo aos outros dois.

O terceiro livro, aí sim, partimos numa viagem com a autora, Klaus Lucas, Claus, Lucas (um ANAGRAMA), uma loucura. Genial.

Recomendo de olhos fechados (mas é bom mantê-los abertos).


Estela a esta hora

 

Editora Todavia

Um título maravilhoso...

Uma capa incrível...

Ficou na minha lista de a ler por muito tempo... 

E aí quando eu finalmente leio (pelo biblion, salve!), simplesmente... me frustro.

Expectativa é a fonte da maioria das tristezas. 

Acho que eu ainda espero muito de médicos - mesmo os ficcionais - e ver alguém tão perdido e tão confuso é muito estranho - mas depois de ler A Pediatra, dá para saber que é possível chocar e trazer desconforto melhor que o proposto pela Natália Zuccala nesse livro. Não sei o que faltou, talvez uma maior conexão com essa personagem tão humana em suas imperfeições, mas o tanto que não é dito acabou fazendo falta.