2 de outubro de 2026

The Other Moctezuma Girls

Editora Amazon Crossing

Sofia Robleda escreveu uma ficção histórica sobre a família real do império Asteca assim que os espanhóis chegaram - o livro se passa em 1551: As outras garotas Moctezuma.

É realmente muito interessante ler sobre a cultura asteca, aprender um pouco sobre culinária e a sociedade da época. Apesar de ser a mesma época do início da colonização portuguesa aqui no Brasil, o processo na região que hoje é México foi muito diferente.

A personagem principal, Isabel, parece bastante empoderada, e embora eu concorde que há mulheres atuantes e inteligentes em basicamente todos os momentos da humanidade, qualquer época, qualquer lugar, ficou um tanto artificial. A irmã dela é surda, e elas desenvolveram uma linguagem de sinais, realmente complexa para o nível das conversas, e quando elas estão fugindo, no escuro, ela também lê o movimento dos lábios das pessoas com as mãos - ela também consegue ler, porque ficou surda depois de uma infecção, então, aparentemente, não há dificuldades de fala. Eu acho ótimo ter personagens diversos, mas ficou extremamente elaborado e inverossímil em certos momentos.

Além disso, há simplesmente TANTA EMOÇÃO descrita. Os personagens estão extremamente tristes num parágrafo, e bravos no seguinte, e frustrados no próximo, e com medo no seguinte. Cansativo.

Eu não gostei, mas entendo o apelo de aventura que deixa esse livro tão bem avaliado no Goodreads.

Agradeço a editora pela cópia avançada através do netgalley, por uma revisão sincera.


 

24 de setembro de 2026

Orbital

 

Editora DBA

Orbital, de Samantha Harvey, ganhou o The Booker Prize de 2024 e entrou no meu radar: uma história um dia de 6 astronautas na estação espacial mais para lírica do que ficção científica, certamente é algo que me interessa.

O livro é realmente bonito, toca em vários aspectos da identidade humana, os relacionamentos ocasionais e longos, a tensão entre tecnologia e o mundo natural, até o propósito da vida de cada um. Acredito que, num clube do livro com as pessoas certas, o sentido poderia até se expandir e meu apreço pelo livro também, mas não consegui dar as 5 estrelas que eu imaginei que teria. É um ótimo livro mesmo assim. 

18 de setembro de 2026

The Remains of the Day

 

Editora Farber & Farber

Eu lembro vagamente de assistir o filme Os Vestígios do Dia, e só depois de realmente gostar do livro Never let me go, colocar "The Remains of the Day" na lista de interesse. Posso então afirmar com certeza: Kazuo Ishiguro, ganhador de prêmio Nobel, não decepciona.

Logo no começo da história, eu já estava encantada pelos personagens, pela forma delicada de narrativa, pelo tecido literário que nos envolve. Existem as dimensões humana, sociais e políticas da narrativa, mas nada é forçado ou demasiado, é denso, sem ser pesado. 

Brilhante, eu diria.


13 de setembro de 2026

Fique Comigo

 

Editora Harper Collins

Vejam bem, eu gosto de livros tristes. Tragédias. Mas novelão pelo novelão, sem algum requinte literário, tem me deixado apenas mal humorada com tanto drama. Talvez seja por conta da idade, mas "Fique comigo" da Ayọ̀bámi Adébáyọ̀, acabou caindo nessa categoria.

Começa com uma questão de infertilidade, e aí passa por perda de filhos, crise no casamento, infidelidades, com um pano de fundo político que eu acho que só foi sendo tecido ao longo do enredo para uma cena ficar mais tensa, mas sem um sentimento real envolvido. 

Eu entendo o apelo, de verdade, entendo quem se comoveu, sofreu, chorou, achou ótima a história, mas realmente me cansou a beleza. Não desisti porque é difícil mesmo prever aonde isso tudo ia parar, mas recomendo só para quem gosta de drama mesmo.

7 de setembro de 2026

The sea, the sea

 

Editora Penguin


"O mar, o mar", escrito por Iris Murdoch, ganhou o Booker Prize em 1978, e por isso que entrou na minha lista de leitura.

Antes mesmo de saber que o livro são as memórias de um ator-diretor inglês, não parece que existe algo de teatral, dramático e empoado nesse título? 

Charles Arrowby vai viver numa casa a beira-mar e já declara que está escrevendo suas memórias, mas também um diário. O livro tem mais de 500 páginas e, na primeira parte do livro, eu tive a impressão de que simplesmente QUALQUER coisa poderia acontecer. É um drama? Um romance? Vai surgir um ser mitológico e começaremos uma fantasia? Simplesmente qualquer coisa.

Logo em seguida, quando surgiram interações com mais personagens, comecei a perceber que Charles era a definição de narrador não confiável - até por seu excessivo egocentrismo, não era simplesmente possível acreditar no que ele estava escrevendo. Eu comecei a achar que ele estava mentindo propositadamente, depois achei que ele não percebia que estava mentido, ou se enganando. 

Continuei lendo, deveras curiosa, e sinto em dizer que continuo muito curiosa com tantas interpretações. Fico igual às leitoras de young adult: cadê o POV da mulher? Do outro personagem? de qualquer um?

Se você já leu, por favor, entre em contato. 


5 de setembro de 2026

Economia do Reino

 

Editora Thomas Nelson

O assunto de dinheiro - riqueza e pobreza - na perspectiva cristã sempre foi do meu interesse, e já vi muita discussão sobre isso, com diferentes pontos de vista.

Matheus Ortega, em seu livro Economia do Reino, apresenta uma abordagem simples e clara, estruturada em 4 perfis de pessoas que agem juntas em favor do reino de Deus (diferentes partes, o mesmo corpo). Para cada perfil, ele cita 3 boas características específicas e 2 perigos, ou seja, não há melhor ou pior. O fato de ser estruturado dessa maneira ajuda no entendimento (assim como partes ficcionais do livro), mas não me convenci completamente que todas as pessoas cabem exatamente nessas 4 caixinhas.

No entanto, não é esse o ponto - as pessoas podem mudar, e podem agir de maneiras diferentes em diferentes situações, então o entendimento do que é ensinado biblicamente sobre o assunto é o que importa. Há muitas citações bíblicas e referências a teólogos e escritos cristãos do primeiro século até hoje, então é realmente um livro repleto de ensinamentos muito ricos.

Eu recomendo com certeza, para aprender e também descansar em Deus sobre esse assunto.


1 de setembro de 2026

Histórias Apócrifas

 

Editora 34

Histórias Apócrifas foram escritas por Karel Capek há cerca de 100 anos, mas poderiam ter sido escritas ontem - de tão atuais. O autor da Tchéquia pega eventos da mitologia, bíblia ou mesmo de Shakespeare, e reconta trazendo muita humanidade, uma universalidade de emoções e desejos, tudo com muito bom humor.

Um livrinho gostoso de ler e de fazer pensar. Quem diria?



31 de agosto de 2026

Felizes os felizes

 

Editora Âyiné

No primeiro capítulo de "Felizes os Felizes", uma personagem vai para a fila do queijo no supermercado, que está muito longa. Não precisa dizer mais nada para caracterizar o local da história como "França". Mas há sim outras referências (que eu sei porque minha amiguíssima Fernanda mora lá e eu já a visitei algumas vezes) que criam as circunstâncias específicas para esse livro da Yasmina Reza, que estava ali bobeando no kindle unlimited.

Cada capítulo é quase um conto, focando em um personagem, mas há tanta gente envolvida, que eu realmente me perdi no quem é quem a medida que os pontos de vista mudam. É um bom livro, mas nada fenomenal, interessante para ver uma cultura diferente e pessoas inusitadas.


29 de agosto de 2026

Canto eu e a montanha dança

 

Editora Mundaréu

Amo títulos diferentes. 

Assim, "Canto eu e a montanha dança" é simplesmente irresistível.

Já me leva a lugares diferentes, sensações diferentes mesmo, do que pode ser esse mundo de uma montanha dançando.

É com alegria que digo: Irene Solà corresponde às expectativas e esse livro fantástico, repleto de lirismo (telúrico, como é dito no prefácio), é realmente maravilhoso.

Ele quebra expectativas, traz personagens diferentes, e vai construindo uma história humana e poética.

Recomendo, com certeza.


27 de agosto de 2026

Mulher Única

 

Editora Universidade da Família

Não fiz o curso, mas li o livro Mulher Única, de Edwin Louis Cole e Nancy Corbett Cole, e agora posso criticar com propriedade.

Embora seja um livro escrito originalmente em 1991, não é tão conservador quanto alguns conservadores poderiam apreciar (por exemplo, defende que uma mulher tenha uma carreira e um emprego), mas tem algumas passagens no mínimo estranhas, como aconselhar a deixar o seu marido errar com as finanças ou a administração da casa (mesmo se a mulher souber lidar melhor com dinheiro), porque "assim ele aprende" e "não faz mal". 

Entendo que fazer parte de um grupo de estudos sobre esse livro pode criar bons relacionamentos de apoio e suporte, mas eu poderia discutir bastante sobre a base teológica de alguns pontos apresentados como verdade nesse livro. 



26 de agosto de 2026

Auto da Compadecida

 

Editora Agir

Incrivelmente, demorei quase uma vida inteira para ler esse livro delicinha do Ariano Suassuna, Auto da Compadecida.

Eu lembro de ler peças teatrais na escola ou mesmo um pouco de Shakespeare, mas foi o Clube do Livro no meu trabalho que me ajudou a colocar Auto da Compadecida na lista de leituras, com muito sucesso - é divertido, fácil de ler, e ainda faz pensar.

O filme substitui bem, claro, porque é literalmente o livro todo com imagens e música, mas por que não ir à fonte? 


22 de agosto de 2026

Corra com os cavalos

 

Editora Mundo Cristão

Eugene Peterson é um teólogo cristão e um pastor muito sensível, então, com esse livro sobre o livro de Jeremias (e também sobre o próprio profeta), temos um estudo bíblico com orientações práticas.

O livro foi primeiro publicado em 1983, então em termos de circunstâncias sociais, bastante coisa mudou - mas a humanidade continua a mesma, seja em 2026, 1983 ou na época de Jeremias. 




21 de agosto de 2026

Tethered

 

Editora Penguin

Tracy Anne Ong, a autora desse livro, conta com muita vulnerabilidade a sua jornada de recuperação de um derrame cerebral com 35 anos. É algo tão impensado para nós, uma doença tão debilitante, que não dá para ler sem se impressionar com o relato. A sua determinação em melhorar, e o apoio da família também foram fundamentais - assim como sua boa condição de vida. Um bom lembrete de como a vida pode mudar repentinamente.

20 de agosto de 2026

O meu pé de Laranja Lima

 

Editora Melhoramentos

"O meu pé de laranja lima", de José Mauro de Vasconcelos, é um clássico - virou até novela - e a minha memória era que ele foi o primeiro livro que me fez chorar. Mesmo assim, tantos anos depois, eu não lembrava exatamente o que acontecia de tão triste.

Eu li com as minhas crianças recentemente (11 e 13 anos), e fiquei espantada com tanta coisa que acontecia para o pequeno Zezé (que, a toda hora, o autor nos lembra que tinha apenas 5 anos). É uma infância dolorida, de restrição financeira e castigos físicos, mas também de estripulias e uma certa independência, que parece não existir mais.

(Assim como livros chamados infantis com palavrões - literalmente palavrões - na boca do personagem principal).

Não choramos.

E também não sei se eu recomendo para outras famílias. Esse livro definitivamente não é infantil, mas com certeza é um retrato de uma outra época do nosso país.



14 de agosto de 2026

De Jogos e Festas

 

Editora Companhia das Letras

Esse é o primeiro livro que eu leio de José J. Veiga: De Jogos e Festas, que contém 3 contos (pequenas histórias? novelas?). A primeira, de um homem lidando com a morte do irmão, um mistério repleto de personagens, sem o esquema de uma história tradicional. Na terceira história, sobre um governador lembrando seus dias de juventude, eu já me deixei levar pela estranheza.

Agora, a segunda história é genial: "Quando a Terra era redonda". Ela é a menor de todas, e eu não sei o seu impacto em 1980, mas em 2026 - considerando todo a discussão da terra plana recente - é espetacular. Recomendo muito.



10 de agosto de 2026

Warbreaker

 

Editora Gollancz

Li o meu primeiro Brandon Sanderson!

Warbreaker (O sopro dos deuses) é bom, diverte, flui, tem magia, tem emoção, tem um mundo muito bem construído e apresentado. 

Fiquei feliz que é volume único (com mais de 600 páginas), mesmo tendo um possível gancho para aventuras futuras. 

Pena que é tããããão caro aqui no Brasil (até a versão kindle, que não paga papel e transporte, é mais cara que a versão física).




9 de agosto de 2026

Bom dia, Inverno

 

Editora Companhia das Letras


Eu não gosto de frio e inverno, mas ler sobre uma mulher brasileira que resolveu passar meses sozinha no pólo norte (ou bem próximo disso), parecia uma boa ideia - e é realmente uma boa ideia.

De forma leve, Tamara Klink nos leva nessa aventura de dizer "Bom dia, Inverno", e apresentar-se como personagem principal dessa história, mas também uma representante da geração mais jovem, de 20 e tantos anos, que pensa diferente em alguns pontos, iguais a mim em outros pontos, e tem qualidades e defeitos, como todo mundo.

Incrível como a história de uma viagem em solitário tem tanto personagem secundário interessante, e traz temas tão bons. Virei fã. 

3 de agosto de 2026

Sanatório sob o signo da clepsidra

 

Editora 34

O estranho título desse livro, Sanatório sob o signo de clepsidra, fala bastante sobre os contos de Bruno Schulz reunidos aqui.

Clepsidra é um relógio de água (igual tem no shopping iguatemi da faria lima em São Paulo), então, intrinsicamente impreciso. 

Signo, nesse caso, quer dizer símbolo.

Sanatório é o lugar que as pessoas vão para ficar saudáveis - de doenças físicas, e algumas vezes mentais. Doidos, que chamavam?

O autor apresenta histórias doidas, incômodas, manipulando o tempo de maneiras não usuais. É bastante desconfortável, mas, como disseram no meu clube do livro, parece que o cara é um gênio.

A minha história preferida é a do pai que se tornou um lagostim (pré-kafka).




29 de julho de 2026

Dando nome ao elefante

Editora Monergismo

O nome do livro de James W. Sire é ótimo, Dando nome ao Elefante, mas a parte acessível do livro praticamente acaba aqui. Acho bem interessante o conceito de Cosmovisão, mas achei esse livro difícil, como se fosse necessário ter sido uma aluna de humanas (filosofia? sociologia? história do pensamento filosófico?) antes de ler esse livro - o que eu não sou.

Até as citações no livro são frustrantes: quando eu resolvia ir ler as notas de rodapé, achava só a referência ao livro que estava sendo citado, sem maiores explicações sobre a tal ideia do autor que estava sendo referenciada, sem considerar que, não sendo acadêmica nem filósofa, eu não vou ler lá no original.

Li inteiro porque fazia parte da matéria que eu estava cursando, mas realmente pouco me acrescentou (fora a tal história dos elefantes, a qual eu tenho muitos comentários - realmente me compadeço da criança que perguntou o que sustenta o mundo e ouviu "elefantes a perder de vista". Prefiro, inclusive, a versão da tartaruga. Aliás, prefiro explicar o big bang e a teoria gravitacional do que essa resposta de elefante. Afe.)

28 de julho de 2026

Árvore Velha


Árvore Velha é um livro sobre velhice, escolhas de vida e relações familiares. Sem papas na língua, de uma narradora muito interessante, de uma escritora brasileira muito boa: Marta Barbosa Stephens.

De vez em quando, livros assim, me fazem pensar se agora é tudo auto-ficção, mas um livro de literatura contemporânea bem escrito é realmente algo tão bem feito que poderia ser a vida, mas é tão engenhoso para ser sobre a vida, e como não é sempre sobre a vida?
 

26 de julho de 2026

Criaturas Extraordinariamente Brilhantes

 

Editora Tag

Temos um título incrível: Criaturas Extraordinariamente Brilhantes, temos um narrador incrível: o polvo Marcellus, temos uma idosinha incrível repensando a vida, Tova - ou seja, um livro irresistível. 

E o livro é bom mesmo, talvez falte alguma coisa para ser espetacular, mas até o fato de ser um pouco surpreendida pelo fim foi bom. 

Vale o hype!


21 de julho de 2026

Lanterna de mar

 

Editora Heziom

O Guilherme Iamarino pode ser mais conhecido por ser parte do Projeto Sola, mas ele também começou uma carreira de autor literário, com livro infantil e agora um livro para adultos, Lanterna de Mar.

É muito interessante termos histórias com uma estrutura cristã, sem mencionar diretamente Deus e Jesus, o que é feito aqui. Há referências que são mais diretas, mas há uma sensação sobre algo maior, que pode levar a boas conversas.

O Jogador de Xadrez

 

Editora Montecristo

Stefan Zweig é austríaco e judeu, fugiu da crise da primeira metade do século XX na Europa e veio parar no Brasil, onde, desiludido com a situação da humanidade, se suicidou com sua companheira. 

Um pouco antes disso, escreveu o conto "O Jogador de Xadrez", em que aborda a tortura psicológica de prisão. É uma história angustiante, mesmo sendo uma lembrança da prisão (através do personagem), e uma abordagem nem sempre descrita do nazismo. 


17 de julho de 2026

Cidades afundam em dias normais

 

Editora Rocco


Em "Cidades afundam em dias normais", Aline Valek parte de uma cidade que foi tomada pelas águas (lago? represa?) e depois de alguns anos começa a ressurgir (poucos anos, é algo bem contemporâneo, entre afundar e ressurgir passam uns 20 anos, se muito). 

É uma boa premissa, mas parece de certa forma pretexto para apresentar personagens interessantes, e apontar para várias direções possíveis sem exaurir nenhuma delas (é um livro curto). 


12 de julho de 2026

Da Magia à Sedução

 

Editora Jangada

Gente, que título terrível. "Da Magia à Sedução" parece bom, entendo que tem o filme com esse título que marcou a vida de muita gente, mas é simplesmente um título MUITO RUIM para esse livro. Temos magia, claro, mas ela realmente não leva à sedução, não me parece um caminho para sedução, e a história não é como se chegar a sedução.

Que tristeza.

Posto isso, e toda minha revolta sobre esse assunto, Alice Hoffman escreve um livro muito bom, sobre mulheres, família, e uma época ligeiramente diferente (a década de 80/90, o livro foi publicado em 1995).

Eu adorei. Achei realmente muito bom. Não assisti ainda o filme, mas amigas que eu respeito muito disseram que o filme é ótimo - entrou na lista, quem sabe eu assisto o original e a continuação ainda esse ano?

7 de julho de 2026

A Contagem dos Sonhos

 

Editora Companhia das Letras

Eu já li alguns livros da Chimamanda Ngozi Adichie e esse foi, particularmente, um dos mais difíceis de engatar. Um tanto pelo livro trazer o cenário da pandemia com todo o impacto que foram os primeiros meses de 2020, um tanto pelas descrições dos relacionamentos entre Chiamaka e homens tóxicos. Dá vontade de entrar na história e sacudir essa mulher até ela dar conta de si (ou recomendar o podcast Não Inviabilize).

Então, apesar de temas duros, Chimamanda nos entrega novamente sua análise sensível da vida das mulheres e seu momento histórico. O foco está um pouco mais na classe abastada da Nigéria, ricos que não temos nem noção (em certo momento, uma personagem secundária comenta que vai fazer compras de mercado em Londres toda semana), e Kadiatou (da Guiné) traz a realidade completamente oposta, já nos Estados Unidos. 

"A Contagem dos Sonhos" nos leva a um redemoinho de pesadelos, mas saímos mais empáticos dele.

Agradeço a Editora Companhia das Letras que me ofereceu uma cópia do livro em troca de uma crítica sincera. 

4 de julho de 2026

Um Cavalheiro em Moscou

 

Editora Intrínseca

Eu procurei brevemente na internet se o nome desse autor, Amor Towles, é por conta da palavra Amor em português mesmo - e não encontrei (e os irmãos chamam Stokley e Kimbrough, então reparem na peculiaridade). Mas o que eu tenho certeza é que esse livro, Um Cavalheiro em Moscou, é um amor. 

O personagem principal é um encanto, e toda a história nos transporta para um outro mundo - em tempo e espaço - e dá vontade sim de conhecer essas pessoas e morar um hotel para sempre (mas talvez não na antiga URSS).

A história nos surpreende, diverte e ainda dá esperança na humanidade. Não dá para querer mais que isso. Vou entrar na fila para ler outros do mesmo autor, com altas expectativas.


3 de julho de 2026

Lésbia

 

Editora 106

Maria Benedita Borman escreveu "Lésbia", sob o pseudônimo "Délia" em 1890 e isso já explica que, nesse caso, o título não indica um romance com personagem lésbico - mas é uma referência a uma sociedade que daria sim mais liberdade para as mulheres.

É incrível ver mulheres de outras gerações falando conosco através dos livros, e desmistifica essa "mulher do passado" que a gente acha que conhece (e até o homem - nesse caso, a personagem quer se separar, e o pai fala: pode voltar para casa, para que ficar sofrendo aí).

Muito bom esse movimento de publicar as brasileiras que conseguiram escrever numa outra época e depois foram esquecidas. Disponível no biblion!


1 de julho de 2026

A Ascensão dos Lobos

 

Editora Companhia das Letras

Na saga de procurar uma romantasia que valha a pena enquanto não vem o livro 4 de Quarta Asa, trago a vocês: A Ascensão dos Lobos, de Sable Sorensen. Aparentemente, foi escrito em paralelo ao livro da Rebecca Yarros, então não é inspirado dele, mas é MUITO parecido. Tem uma magia específica, uma escola, provas mortais, realeza fazendo decisões duvidosas. No entanto, lobos (mesmo lobos gigantes como é enfatizado em cada página) não são dragões.

Quem curte mais violência e mais conteúdo explícito pode gostar mais, mas não é o meu caso. O plot twist é interessante, e o segundo volume promete ação, mas aaaaaaaah, que venha o quarto livro.


30 de junho de 2026

A misteriosa confeitaria da meia-noite

 

Editora Paralela

"A Misteriosa Confeitaria da Meia Noite" tem uma capa fofa, doces e gatos, e mesmo uma tentativa de romance, mas o que mais me chamou a atenção é a apresentação de ideia religiosa do livro - passando um pouco do que seria uma "healing fiction" (ficção de cura), ao me ver. 

O livro de Lee Onhwa até traz a mesma estrutura: pequenas histórias com moral para nos tocar a "aproveitar melhorar a vida", mas a história básica, da Yeonhwa, que perde a avó e recebe de herança a tarefa de cuidar da confeitaria da família, parece construída de qualquer jeito, sem a preocupação de fazer sentido, de ter coerência entre os personagens e os eventos.

Por fora, bela viola...






29 de junho de 2026

Caminhando com os mortos

 

Editora Companhia das Letras

Esse é o terceiro livro que eu leio da Micheliny Verunschk. Em "Caminhando com os mortos", ela traz a história do fanatismo religioso de uma família, que leva a morte queimada de uma mulher. Em capítulos curtos, conhecemos vários personagens que participam mais e menos dessa história, alguns muito característicos do Brasil, o que passa uma incrível verossimilhança, mesmo apesar da situação crítica.

No entanto, me parece que falta algo - fica um desassossego em todos os livros da autora, como se ele não completasse totalmente o potencial que apresenta.

Por enquanto, o que eu mais gostei mesmo foi "Depois do Trovão".




28 de junho de 2026

The very Secret Society of Irregular Witches

 

Editora Berkley

Um livro perfeito da Sangu Mandanna para férias: A sociedade muito secreta de bruxas irregulares. Tem magia, tem rede social, tem diversidade étnica, tem senhorzinhos simpáticos, tem crianças encantadoras, confusões e um romance previsível.

Vale a pena!

27 de junho de 2026

O gato que salvou a biblioteca

Editora Planeta

"O gato que salvou a biblioteca" é um livro escrito por um médico com o objetivo claro de defender os livros num mundo muito apressado - com uma pegada de aventura para atrair os jovens (quiçá crianças até). Não é nada muito elaborado, mas é bem feitinho - e quem não ama gatos e crianças, e um final feliz?

 

25 de junho de 2026

Catorze Camelos para o Ceará

Editora Todavia

O título do livro é "Catorze Camelos para o Ceará", o que, com certeza, atraiu mais leitores se fosse "A história da primeira expedição científica brasileira" (o subtítulo) - mas, fato é, que o livro está mais para o subtítulo do que para o título.

Não é que Delmo Moreira não conte sobre os camelos - quem teve a ideia, como vieram, o que fizeram, e prováveis fins - mas realmente me pareceu só um gancho para contar a história da expedição, com contexto histórico, geográfico, sociológico. 

É interessante, mas não tão divertido com o título.

 

Corpo Desfeito

 

Editora Alfaguara

"Corpo Desfeito", de Jarid Arraes, não é um livro fácil porque não é sobre uma vida fácil, e sendo tão bruto e direto, consegue também ser muito sensível e tocante.

Dói, mas é muito bom.



22 de junho de 2026

O Mapa de Sal e Estrelas

 

Editora Dublinense

O livro de Zeyn Joukhadar traz duas histórias paralelas e emocionantes: da Rawiya, aprendiz de cartógrafa há mais de mil anos, numa aventura digna de as Mil e uma noites, e da Nur, uma refugiada da Síria em 2011. 

A forma narrativa é muito boa, a parte de "conto de fadas" dá uma aliviada de acompanhar o que é fugir de um país em guerra - crianças sofrendo perigos e vulneráveis ao pior lado da natureza humana. A gente vai sofrendo junto, mas como a IA do google fala, o final é esperançoso e dá tudo certo no final das duas viagens das histórias paralelas, aventuras memoráveis.

É muito bom um livro que nos faz viajar para uma cultura tão diferente da nossa.

 

21 de junho de 2026

Isto é filtro solar

Editora Montergismo

O Pr. Emilio Garofalo Neto fez uma série de pregações sobre Eclesiastes e transformou nesse livro de quase 500 páginas - bastante, né, para um livro bíblico tão curto - para tratar o assunto com profundidade, mas ele não faz isso como um estudo acadêmico (mesmo com muitas citações a comentários bíblicos).

Em capítulos curtos, recheados de citações a cultura popular, vamos aprendendo mais sobre a vida, Deus, e o que fazemos com isso tudo.

Eu imagino que deve ser muito legal conversar com alguém com tantas referências boas, e com certeza vou procurar os outros livros dele.

 

20 de junho de 2026

Mil navios para Troia

 

Editora Jangada

As tragédias gregas marcaram tanto nossa civilização ocidental, que é impressionante lembrar que não lemos os originais (Odisseia, Ilíada, e outros autores gregos da mesma época), mas sabemos tanto dessa cultura e de alguns personagens.

Aí, quando temos recontos como "Mil Navios para Troia" de Natalie Haynes, é uma ótima oportunidade não só para conhecer mais um pouco do que já sabemos como apreciar uma expansão do que não ficou relatado, como a versão das mulheres, foco desse livro.

Realmente o que mais me impressionou, afinal, foi o Epílogo em que a autora fala sobre suas fontes, e o que ela acha sobre uma visão machista dos "heróis" das histórias. Coloca o livro todo numa perspectiva boa.

Discutimos esse leitura no clube do livro do meu trabalho e cada pessoa trouxe algo que impressionou em relação às personagens - e como a Penélope é a personagem mais chata porque ela só fala sobre o Odisseu e não sobre ela. 

Que venha o filme (Odisseia, Christopher Nolan) nesse mês de julho!


13 de junho de 2026

Uma igreja chamada tov

 

Editora Mundo Cristão

O livro "Uma Igreja chamada Tov" é uma resposta a diversos escândalos de pastores nos Estados Unidos - de mega igrejas e igrejas não tão megas - que resolveram se defender e negar acusações em caso de denúncias de más condutas. 

Os autores, Scot McKinght (Teólogo) e Laura Barringer (sua filha), abordam diretamente as questões - citando reportagens e entrevistas pessoais com envolvidos, principalmente da Willow Creek que ela frequentava. Mas eles também são propositivos: descrevem o que uma igreja "tov" ou "boa" poderia ser e como a liderança deve agir, de maneira bíblica, para ser uma igreja da maneira que Deus pensou.

Li outros livros mais fáceis de aplicar aqui no Brasil para liderança e igreja, mas talvez seja uma boa fonte para se pensar em mega igrejas aqui no Brasil também.

7 de junho de 2026

Cláudia Vera Feliz Natal

 

Editora Todavia

Mariana Salomão Carrara é advogada da Defensoria Pública e escreve "nas férias" como ela mesmo diz, mas, seus últimos livros - de uma maturidade literária admirável - passeiam por diversos temas - infância, plantações de tabaco, amizades e luto. Só agora ela traz para o foco sua área de formação, através do narrador que é um juiz - alocado nas pequenas cidades do interior do Mato Grosso: Cláudia, Vera, Feliz Natal, que formam o título desse livro recém lançado.

É uma história de homem branco triste - que geralmente me cansa - mas essa tem humor, sensibilidade e abre uma janela para todo um mundo que eu desconhecia, tão perto aqui do nosso quintal, mas mesmo assim tão distante.

Gostei muito e recomendo.

5 de junho de 2026

Uma vida pequena

 

Editora Record

Cheguei no hype: li as quase 800 páginas de Uma Vida Pequena, de Hanya Yanagihara. 

Um livro sofrido. Dolorido. Mais sofrido. Quando você acha que não dá para piorar - até porque as circunstâncias parecem estar melhorando - dá sim. Piora.

Saúde mental é assim mesmo: não linear, que não é lógico, não resolve o que já passou, só se aprende a lidar.

Achei muito sofrido e não recomendo.

Mas o que eu gostei menos (e aqui tem spoiler) é que uma história de amizade virou romance. Eu gosto muito de livros de amizades, e acredito que amizade é um dos relacionamentos mais bonitos da vida, e não entendo essa desvalorização que às vezes acontece. Como se ela não pudesse bastar por si só e precisa virar um relacionamento amoroso. Claro que aqui foi uma escolha da autora, fez todo sentido, mas eu estou gostando mais de ver amizades redentoras, amizades interessantes, amizades amorosas. Amizades tudo de bom. Fiquei aqui meu pequeno protesto. 

4 de junho de 2026

A ilha das árvores perdidas

 

Editora Harper Collins

Eu já tinha lido outro livro da Elif Shafak antes, mas esse parece escrito por outra pessoa e também é muito bom. Mais suave, traz eventos da história do Chipre e choques culturais entre turcos, gregos e ingleses.

Além disso, temos a voz da Figueira e muitas informações sobre árvores e biologia.

Eu, que adoro árvores, amei "A Ilha das Árvores Perdidas" e estou recomendando por aí.


2 de junho de 2026

Veríssimas

 

Editora Objetiva

É a primeira vez que eu leio um livro de citações - e todas do mesmo autor, o Luís Fernando Veríssimo. O Jornalista Marcelo Dunlop organizou em ordem alfabética frases marcantes - as Veríssimas - e mostrou como (quase) tudo continua bem atual. Tem desenhos e quadrinhos também. Uma leitura leve, como deveria ser.

Paraíso

 

Editora Companhia das Letras

Paraíso é o segundo livro que eu li do prêmio Nobel Abdulrazak Gurnah e, na minha humilde opinião, é realmente o mais legal. Embora seja um livro de 300 páginas, flui bem, tanto o estilo como a história. No clube de leitura da Livraria da Travessa, rendeu bastante a conversa, com visões diferentes e tantos personagens e aspectos para comentar.

É incrível como conhecemos tão pouco da África - essa costa leste com negros, árabes, indianos, principalmente, tão culturalmente rica. Recomendo muito!

Alice no país das maravilhas

 

Editora Ática


Li o meu livro de infância da Alice no País das Maravilhas com as minhas filhas e foi ótimo. Vale a leitura acompanhada - teve até crise de riso, e uma compreensão mais clara da história, sem a edição dos filmes da Disney.

Literatura boa é assim, sempre vale a pena.

31 de maio de 2026

Liderança

 

Editora Cultura Cristã

Paul Tripp escreve um livro sobre liderança voltado àqueles que servem: sem ser extenso, ele traz princípios chaves que podem ser colocados em prática em qualquer comunidade de fé ou qualquer nível de hierarquia de uma igreja, do conselho ou direção até em pequenos grupos. Ele conta relatos de sua experiência pessoal e de vezes em que foi chamado a ajudar, mas também usa histórias e versículos da Bíblia para ilustrar seus princípios e torna o embasamento mais forte.

Em todo capítulo, ele mostra a vulnerabilidade da posição do líder, identifica ameaças e problemas que toda liderança enfrenta, mas traz também a resposta que é a graça e misericórdia de Deus, de quem a comunidade de líderes é apenas instrumento.

Assim, esse é um livro de liderança que não exalta o trabalho, capacidade e potencial do líder, não oferece técnicas e estratégias para ter um ministério ou grupo que atinja os objetivos com sucesso, como outros livros sobre liderança, mas que sirva a Deus e a comunidade, amando a Deus e ao próximo.

É interessante a sistematização líder em princípios como forma didática, mas alguns pontos parece repetidos ou extensões de pontos anteriores, como o autor mesmo afirma, então me pareceu que havia uma intenção deliberada em chegar ao número de 12 princípios – e então essa quantidade poderia ser menor, ou mesmo maior, com criatividade.

De qualquer forma, é uma maneira de reforçar atitudes desejáveis em um líder cristão, principalmente a necessidade de ter a identidade, o foco e a atenção em Cristo, e ter uma comunidade ao redor disposta a apoiar a caminhada de santificação e maturidade espiritual uns dos outros.

Liderança, de Paul Tripp, é um bom livro para cristãos já convertidos há algum tempo, em posições de liderança ou que estejam se preparando para isso, para aprenderem que os parâmetros da liderança na igreja são diferentes da liderança praticada no mundo secular.

Esse livro pode ser lido por uma comunidade de líderes conjuntamente, para que Deus trabalhe em cada um deles, ou pode ser usado para iniciativas de transformação e crescimento por um pastor junto aos seus líderes de ministério ou conselho.


24 de maio de 2026

Nós matamos o cão tinhoso!

 

Editora Kapulana

Luís Eduardo Honwana publicou esse pequeno livro de contos: "Nós matamos o cão tinhoso!" quando era jovem, na década de 1960 em Moçambique. Embora ele deve ter ficado mais sábio e maduro ao longo dos anos, é emocionante ver a sensibilidade que ele traz os assuntos da sociedade do seu país, de crianças a jovens e velhos. 

Eu comentei que o livro Manual da Faxineira me cansou recentemente, e eu me senti afastada dos personagens e costumes, então não sei explicar porque um livro de pessoas que vivem na zona rural de um país na África, mais de 70 anos atrás fez muito mais sentido para mim. 

Algumas histórias me tocaram mais, algumas menos, mas só o primeiro conto vale muito a pena.


21 de maio de 2026

Malária

 

Editora Tinta da China

Carmen Stephan é alemã e morou aqui no Brasil por um tempo, essa história - Malária - não podia nascer de outra forma. Eu quis ler porque o narrador é um mosquito - a mosquita fêmea que pica a personagem principal e transmite a doença. Apesar de ter muito mais justificativa do que seria necessário para uma história com tal premissa, viajamos com elas através de cidades, hospitais e a história da doença. 

É um livro interessante, com um pensamento ecológico, uma leve crítica aos médicos, e escrito há mais de 10 anos, e só agora publicado no Brasil. Vale a leitura.

17 de maio de 2026

Se eu soubesse contar infinitos

 

Editora Rocco

Esse livro começa ali na ditadura, fala de artistas se exilando na Europa, mas com uma fortuna de fazendeiro por trás, aí eles voltam e se mantém em algo que pode ser definido como a fatia privilegiada da população do Rio de Janeiro. Não é que seja tudo bom - há muitos problemas e dramas - mas o dinheiro não é uma questão, e parece algo tão fora da nossa realidade. Mas por que o livro brasileiro precisa ser a realidade? Aliás, geralmente ele não é, ele pode falar só de personagens específicos em situações bem específicas e mesmo assim ganhar nosso coração.

Eu não sei explicar porque esse livro pareceu tão artificial, mas é assim que me pareceu, mas com certeza pode fazer sentido para outras pessoas.

Manual da Faxineira

 

Editora Companhia das Letras

Eu entendo que Lucia Berlin é uma grande escritora, e provavelmente a análise dos contos seja muito enriquecedora, mas como entretenimento, ler 500 páginas dos contos dela, realmente me cansou.

Tem bastante violência, alcoolismo, drogas, e cada conto deixa aquele desconforto de algo inacabado, ou um choque. Tem personagens que se repetem em diferentes contos, mas sem a preocupação de contar uma história linear ou, ao me ver, de manter uma coerência entre os contos. Alguns são mais interessantes do que outros, mas eu realmente cansei, e fui ficando cada vez mais distante.

Cada vez mais, eu estranho a sociedade dos Estados Unidos, principalmente como retratada aqui, sem conseguir me conectar emocionalmente - com a única exceção, da mulher que vai viver com sua irmã com câncer terminal - ainda tem o alcoolismo presente e uma desintegração de família que geralmente não vemos por aqui - mas pareceu bem mais humano e universal.

Talvez se esse livro fosse menor, eu teria curtido mais.