1 de julho de 2019

I know why the caged bird sings

Editora Virago

É impossível não ficar emocionada e impressionada com o começo da história de Maya Angelou, "I know why the caged bird sings" ou "Eu sei porque o pássaro canta na gaiola". Ela vai crescer para se tornar uma artista conceituada, famosa, admirada, mas logo no início dá para ver que é uma garota muito inteligente e muito forte, sem pretensão e sem vitimismo. A narrativa da sua infância é feita de uma maneira distanciada, que nos favorece o assombro por tudo que ela viveu, e cria o amor por essa garotinha.

Eu não quero dar spoilers que você pode encontrar em seu verbete da wikipedia, mas comentar como eu fiquei impressionada de reparar os livros que ela lia. Ainda antes dos dez anos, por exemplo, Um conto de duas cidades (que eu amo!), e muitos outros livros clássicos. Ela e seu irmão eram leitores vorazes, e liam o que estava disponível na escola / na comunidade em que viviam, clássicos. Acredito que a literatura infantil só estivesse começando - e o que existia não deveria estar disponível.

Fiquei imaginando se fazemos certo em postergar tantos clássicos para a vida adulta - se é preciso maturidade para entendê-los e admirá-los, ou se a exposição precoce ajuda na construção da maturidade.

Eu mesma comecei a ler os clássicos na adolescência (em toda época, eles são os mais abundantes em bibliotecas públicas), mas hoje acho que era muito jovem para alguns deles. Talvez o que seja necessário não é idade, mas algum direcionamento. Se o livro é realmente um clássico (como esse já é!), ele tem o seu valor.

30 de junho de 2019

Todos os contos

Editora Rocco

Vejam bem, eu gosto da obra de Clarice Lispector. Acho uma autora inteligentíssima e muito original. Mas, ler o livro "Todos os contos" foi uma jornada cansativa. Os contos da Clarice demandam uma atenção e apertam muitos botões psicológicos, esforço que é muito acima do trivial. A empreitada de reunir todos os contos da Clarice resultou numa jornada longa: 656 páginas.

Eu li então aos poucos, entremeando com outros livros, e talvez essa seja a melhor forma mesmo de apreciar essa autora sem saturar de epifanias e mergulhos internos em pessoas extremamente comuns, assim como nós todos.

A Primeira Pessoa

Editora Companhia das Letras - Capa warrakloureiro

"A primeira pessoa" é o primeiro livro da Ali Smith que eu leio, e deu para perceber que ela foge mesmo do lugar comum. Escrever contos já não é lá muito "mainstream", geralmente são livros curtos, e como dizem por aí, escrever pouco e bem é um desafio bem maior do que escrever histórias longas.

Ela usa de um recurso que eu gosto que é falar com o leitor, se colocar no texto, falar sobre o processo de lembrança e escrita - e assim, as histórias ficam meio ficção, meio auto-biográficas, sem sabermos o quanto é realidade.

As histórias também são de certa forma desconfortáveis, sem um final que resolve tudo que se apresenta. Há reflexões profundas e romance também. Um livro contemporâneo de uma sociedade fluida.

8 de junho de 2019

A Mulher na Cabine 10

Editora Rocco
"A mulher na cabine 10" é um daqueles suspenses modernos do gênero que Gillian Flynn inaugurou - a narradora e personagem principal é uma mulher, com algum problema mental ou vício que a deixa levemente não confiável, e agora ela é a única que pode solucionar o mistério all by herself.

Ruth Ware entrega, mas Gillian Flynn é melhor. Eu achei que ficou bem forçado toda a premissa, uma viagem de luxo num barco, só para convidados. A mulher que não sabe bem o que quer da vida. Muitos convidados em posições suspeitas.

É um bom passatempo, mas não mais que isso.

5 de junho de 2019

Comfort Reading

Eu reli Harry Potter 5, 6 e 7, e também Orgulho e Preconceito como leitura de conforto, aquele momento bom garantido.

Qual é a sua a leitura de conforto?

7 de maio de 2019

Kindred

Editora Headline - Capa Yeti Lambregts

"Kindred" é um livro impressionante, daqueles que mexem com nosso âmago, criam um desconforto. A premissa é simples: uma mulher negra, da década de 70, viaja no tempo de maneira inexplicável e chega a uma fazenda na época da escravidão a ponto de salvar o filho do dono do local, quase se afogando.

Entre idas e vindas, temos o choque cultural de duas épocas, e a questão de sobrevivência, bondade e ódio transbordam pelas páginas e nos fazem perguntar: o que eu faria nesse lugar? E se fosse eu que tivesse de ser submetida a uma condição sub-humana de escravidão? Como isso já existiu no mundo? Como isso continua a existir?

O mundo é realmente mau, e a literatura pode nos sensibilizar para isso de uma maneira especial, ainda mais quando tão bem escrita, mesmo sendo tão fantástica que envolva viagens temporais.


4 de maio de 2019

Garra

Editora Intrínseca

Eu vi uma palestra da Angela Duckworth sobre o seu conceito de "Garra" e achei muito interessante, e coloquei o livro na minha lista de leituras. Esse assunto é o tema da sua vida: "O poder da Paixão e da Perseverança", o que quer dizer que ela, como psicóloga, direcionou sua vida de estudos (pós gradução, doutorado) para levantar dados sobre o que é necessário para suceder na sua área de atuação, e ela identificou esse conceito de "Garra".

Ela própria é um bem sucedido exemplo de Garra, como mostra ter sido agraciada pela bolsa "MacArthur" normalmente dadas para "gênios" em seus campos de estudo.

Este é um dos livros de "auto-ajuda" mais consistentes que eu já li, pois não só apresenta o conceito, as instruções para atingir o conceito, alguns "cases" explicativos, mas também muitas pesquisas científicas que a Angela Duckworth fez ou que usou para endossar sua tese (de que Garra é o "segredo" do sucesso). Sendo cientista, ela explica exatamente a relevância de suas pesquisas, ou o que não tem relevância científica, como "o que é necessário para criar filhos que tenham Garra". Nessa época que muita gente afirma qualquer coisa em se preocupar em mostrar evidências reais, esse livro é um bálsamo racional.

Eu recomendo para todos aqueles que querem aprender mais sobre motivação, como atingir objetivos e também, apesar das limitações científicas, quem quer educar crianças que desempenhem bem o que quiserem fazer.