3 de dezembro de 2016

Bleak House

Domínio Público
Eu realmente gosto do Charles Dickens, adoro sua maneira de contar histórias e construir personagens. Mas eu não fui fisgada por Bleak House, ou A Casa Soturna. O livro se arrastou por vários meses esse ano, e eu não simpatizei muito com a personagem principal, Esther, que é super boazinha e sofredora sem nunca reclamar de nada.

O que eu achei mais interessante é o retrato do sistema judicial da época, com o relato de um caso que se estende por tantas décadas que ninguém sabe qual era mesmo o conflito inicial, e ele tem tanto papel que quem se interessa por tentar resolvê-lo acaba ficando louco. 

Ao pesquisar sobre esse livro, li que ele ajudou a mobilizar as pessoas por pedir reforma no sistema, e que realmente funcionou. Livros gigantes podiam ser o facebook de uma época.

At Bertram's Hotel

Editora Harper

Agatha Christie escreveu por um período de tempo bem longo, então ao ler seus livros, é interessante ver que ela também "passou o tempo" para seus personagens. Nós associamos a Miss Marple a uma vida rural inglesa, bem pacata e provinciana, mas nesse livro ela relata como "o mundo mudou" ao longo da sua vida, ao ir novamente a um hotel em Londres que era referência de requinte na sua infância.

"O caso do hotel Bertram" mostra a sagacidade de Miss Marple em perceber mais do que a superfície das coisas, ou melhor, das pessoas, e, é claro, salvar uma pessoa qualquer de assassinato. É uma análise breve de mudança do tempo e como nunca é possível entrar no mesmo rio duas vezes...

26 de novembro de 2016

The Girl Who Circumnavigated Fairyland in a Ship of Her Own Making

Editora Much-in-Little 

O livro de Catherynne M. Valente tem um título bem poético especialmente em inglês: The Girl Who Circumnavigated Fairyland in a Ship of Her Own Making (e a cena em que isso acontece é realmente significativa), a tradução da Editoria Leya não é exata: A Menina que navegou ao Reino Encantado no Barco que ela mesma fez, e está até errada com o que acontece (a garota chega na Terra das Fadas levada pelo vento criado pelo Leopardo).

Ler a história de uma menina levada pelo vento para a terra mágica de fadas, que recebe uma missão e faz as amizades mais diferentes é ter todo o tempo O Mágico de Oz pipocando na mente. Não é uma versão, mas parece quase uma homenagem, sendo, é claro, muito mais moderno: a garota, Setembro, se dá mal por diversas vezes, não sabe o que fazer, é enganada, mas sua integridade e inteligência a leva mais longe e lhe dá as saídas mais engenhosas, com ajuda dos amigos, claro.

O universo de Fairyland é bem complexo, com várias leis e criaturas diferentes e interessantes. Eu particularmente achei complexo demais, o que tornou o livro cansativo, mas entendo que terá apelo para muitas pessoas (por isso ganhou prêmios e há sequências publicadas) - para quem gosta, é um retrato de girl power, assim como O Mágico de Oz (a coleção completa, também tem a resenha nesse blog).

23 de setembro de 2016

O leitor do trem das 6h27

Editora Intrínseca - Capa Mariana Newlands
A editora Cosac Naify está considerando destruir o estoque de livros restantes, e há bons motivos - comerciais e logísticos - para tanto, e se a maioria das pessoas estranha o ato, o diretor da editora diz que se trata de uma "prática comum de mercado", o que pode parecer mais estranho ainda.

Nisso, lembrei do livro "O leitor do trem das 6h27", em que o personagem principal trabalha num lugar de destruir os livros, em Paris. Caminhões chegam todo dia carregados de obras que são jogadas na máquina chamada "A Coisa", e o operador principal - o tal leitor do título - sente a gravidade do "crime" contra os livros - mas é o seu trabalho, e sua ação é salvar algumas folhas diariamente que ele lê no trem do dia seguinte, para quem quiser ouvir.

Esse é só o contexto da história, depois temos um manuscrito misterioso, uma busca pela autora, uma cruzada por todas as impressões de um livro, duas velhinhas simpáticas, eventos e pessoas que enriquecem esse pequeno livro de Jean-Paul Didierlaurent. 

Gosto do mundo em que destruir livros é polêmica. Gosto mais ainda do mundo que lê os livros.


7 de setembro de 2016

A Vida do Livreiro A.J. Fikry

Editora Paralela - Capa estúdio insólito
"Nenhum homem é uma ilha, cada livro é mundo" é o slogan da livraria do personagem título de "A vida do livreiro A. J. Fikry", e eu concordo com isso mesmo - em cada livro, um universo. 

O que mais me atrai nos livros é a possibilidade de observar várias vidas, diferentes trajetórias, complexas interações. Esse livro de Gabrielle Zevin apresenta, obviamente, o livreiro A. J. Fikry, mas ela também inclui personagens secundários muito interessantes, com suas histórias que traçam uma rede em torno da livraria - todos estão interconectados, às vezes de maneiras ainda mais profundas do que eles jamais saberão. (Sim, eu gosto de histórias bem amarradas - e o gênio dessa arte é Charles Dickens).

Além disso, no começo de cada capítulo há uma indicação literária, sincera e direta, da maneira como você recomenda um livro para um amigo. Eu mesma fui anotando os que mais me chamaram atenção na minha lista de desejos de leituras (que só cresce).

O livro é curtinho e gostoso de ler. Depois fiquei sabendo que essa autora escreve livros "Young Adult", mas esse é só "adulto" mesmo, com todos seus dramas, sem ser dramático. 

6 de setembro de 2016

A Caribbean Mistery

Editora Harper Collins
Mais um livro da Agatha Christie sobre a Miss Marple: Mistério no Caribe - sim! a senhorinha mais fofa e perspicaz da Inglaterra viaja para o Caribe e, claro, desvenda um assassinato lá. Como era de se esperar, o que aparenta ser não é verdade, e temos a Miss Marple clamando por Nêmesis (a deusa grega da vingança) durante a noite. Quem conhece sabe que a Nêmesis Marple ainda volta mais uma vez (num livro com o mesmo nome).
Vale também a variação do cenário: da chuvosa vila St. Mary Mead para o calor das ilhas caribenhas - tem gostinho de férias esse livro.

24 de julho de 2016

The mirror crack'd from side to side

Editora Harper

Eu li "A Maldição do Espelho" da Agatha Christie há muitos anos, e o reli agora, e eu nem sei dizer se realmente gosto dele, pois o que mais me impressiona e deixa desconfortável é o motivo do assassinato. Algo assim que pode acontecer com qualquer pessoa... E talvez entrar no rol de "motivos justos", embora eu não acredite em motivos justos para matar alguém.