14 de dezembro de 2017

Sobre a brevidade da vida

Editora L&PM - Capa Néktar Design

Sêneca é um escritor do primeiro século depois de Cristo, e o seu livro Sobre a brevidade da vida é muito bonito - uma reflexão sobre o que importa realmente, e onde devemos investir o tempo, que é limitado, uma discussão sobre o que vale a pena.

Um dos pontos que eu achei interessante é que ele cita pessoas de 70, 80 anos - e aí a gente tem essa impressão que viver muito é algo moderno, mas na verdade é a expectativa média de vida que aumentou, não a longevidade básica da pessoa.

Outro ponto é que eu achei a temática e até algumas conclusões parecidas com a de Salomão, em Eclesiastes, que veio antes. 

Eu li assim, por ler, sem me demorar nos pensamentos profundos, que talvez seja a maneira mais correta de ler esse livro - mas mesmo assim, sem compromisso, deu para aproveitar. 

12 de dezembro de 2017

Landline

Editora Orion Books

Eu sei que a Rainbow Rowell faz livros românticos açucarados, com uma pitada de modernidade. Então, quando peguei Landline para ler (Ligações, no Brasil), eu estava esperando exatamente isso, o que não é muito. Mas eu realmente me surpreendi.

Na história, temos um casal mais perto dos 40 anos do que dos 20, com filhos, vivendo uma crise, num desentendimento de prioridades e comunicação. De maneira inexplicável, a mulher se vê falando num telefone com o marido anos atrás, antes de eles se casarem, quando também ficaram separados. Ok, parece besta resumindo assim - mas é só o ponto de partida para acompanharmos a mulher repensando toda sua vida, seus relacionamentos, a própria decisão de casar com o marido na época, e agora de continuar casada.

É mais do que eu esperava, e eu realmente me surpreendi de ver uma história tão densa - porque depois de um tempo você percebe que chegar ao altar não é tão difícil quanto viver junto pelo resto da vida.

"As vidas das pessoas não se encaixam automaticamente. Você tem que trabalhar para as vidas se encaixem. É algo que você faz acontecer - porque vocês amam um ao outro."



11 de dezembro de 2017

Made for me

Editora Kathryn R. Biel - Capa Becky Monson
"Made for me" de Kathryn R. Biel é o clássico chick lit, livro fácil, com uma heroína que não confia muito em si mesmo, mas se supera, realiza sonhos e até arranja um namorado no processo - tudo simples e inspirador. Vale a pena mencionar que essa protagonista aqui não tem o corpo magro perfeito de revista - mais baixa, um pouco mais cheiinha, e a valorização disso durante a história não deixa de ser um trunfo. Para entretenimento e diversão sem ligar o cérebro.

10 de dezembro de 2017

Treasure Island

Editora Wisehouse Classics - Capa Louis Rhead

A ilha do tesouro é o clássico livro infanto-juvenil de pirata. Já tem mais de 130 anos, mas o apelo de buscar um tesouro escondido numa ilha e fazer fortuna não deixa de ser atual. Acredito que o livro de Robert Louis Stevenson funciona para os pré-adolescentes de hoje, no entanto com uma linguagem atualizada seja mais fácil de levar.

7 de dezembro de 2017

História Bizarra da Literatura Brasileira

Editora Planeta

Eu entendo o que a editora pensou: "olha aquela coleção de livros que não para de crescer! Vamos entrar nessa onda e dar o título "História Bizarra da Literatura Brasileira" para esse livro, vai chamar atenção." Mas a verdade é que ficou estranho, e não condiz com o conteúdo. Não há tanta coisa bizarra sim na história da literatura brasileira - mas não temo como negar como é interessante ter mais informações e saber anedotas peculiares sobre nossos autores e livros mais famosos.

Marcel Verrumo condensou uma coletânea de anedotas muito interessante - e no começo da literatura brasileira (tudo antes do século XIX) - há um trabalho de pesquisa ótimo, com muitas informações que eu desconhecia, apesar de sempre gostar das aulas de literatura da escola (geralmente nessa época, ficamos na literatura de Portugal).

Os capítulos são curtos, a linguagem é simples, e o foco é sempre "humanizar" os autores, e não discutir suas obras - e mesmo assim, eu anotei algumas dicas de livros para os quais ele despertou meu interesse. Acredito ser leitura obrigatória para professores de literatura, dá para tirar material para ilustrar uma aula, despertar o interesse, e talvez por associação de ideias, firmar um conteúdo na cabeça dos adolescentes.

No entanto, para quem busca Bizarrices, é melhor procurar em outro lugar...

4 de dezembro de 2017

O Tribunal da Quinta-feira

Editora Companhia das Letras - Capa Raul Loureiro

Esse é o terceiro livro que eu eu leio de Michel Laub, e o que o consolidou como meu autor favorito brasileiro contemporâneo. Seus livros são fenomenais, gente! Corram, corram, vão lê-los todos.

(Eu ainda não li todos, mas com os 3 últimos já deu para perceber que há consistência no estilo).

Estilo esse bem característico de contar a história de forma não linear, que vai descortinando a trama aos poucos, a medida em que se conhece mais os personagens (não só o narrador, como também os coadjuvantes), num mergulho psicológico mesmo, e aí a cada página pode vir uma surpresa, aquela pecinha do quebra-cabeça que revela mais do que todas as outras.

Além disso, o autor incorpora nas histórias assuntos polêmicos e os desenvolve de uma forma tão interessante, que dá vontade mesmo de falar sobre o enredo, sobre a ideia, sobre a polêmica, e trazer para a vida o que era "só" literatura.

Por meio da história de "O tribunal da quinta-feira", dá para discutir rede social, intimidade, sexo, relacionamentos, homossexualidade e embora não seja um livro "leve" (com toda essa carga de conteúdo), é um livro que não dá para parar de ler - e que acaba deixando a gente ansiosa por mais.

E eu espero mesmo que venha muito mais!


2 de dezembro de 2017

A menina que não sabia ler

Resultado de imagem para a menina que não sabia ler
Editora Leya - Capa Christiano Menezes / Retina 78
Confesso que me atraí pelo título desde que o vi pela primeira vez: A menina que não sabia ler. Parecia um pouco de metalinguagem irônica - ler sobre alguém que não sabia ler e esse era o foco da história (aí está o título para confirmar). Demorou muito até que eu chegasse a lê-lo mesmo, já sabendo que na verdade a garota tinha aprendido a ler sozinha. 

Logo no começo, eu já senti que o livro parecia muito com "A volta do parafuso" (de Henry James), mas com outra perspectiva, e a internet me confirmou que era isso mesmo. Como eu já conhecia a história original, já sabia o que me esperava - é um suspense, quase uma história de terror.

John Harding foi criativo com sua proposta de recontar a história preenchendo os espaços em branco do original (o título original cabe melhor na história: Florence and Giles, o nome da protagonista e seu irmão). Mas eu acredito que o mistério que circunda o clássico de Henry James é mais interessante, embora esse livro tenha feito tanto sucesso que levou o autor a escrever uma continuação - aí, pelo que eu vi da sinopse, totalmente apelativa com relação às circunstâncias.