21 de novembro de 2017

Série Napolitana


Editora Globo - Capa Mariana Bernd

Eu li a Série Napolitana de Elena Ferrante. São livros incríveis, que realmente não dá vontade de parar de ler - queremos acompanhar a vida da Lenú, saber o que vai acontecer com a Lila, e todos aqueles amigos de infância que seguem caminhos diferentes, que se cruzam e se interrompem.

Embora se passe há décadas atrás na periferia de Nápoles, há temas universais relacionadas ao universo feminino - carreira, namoro, casamento, sexo, maternidade, a relação com a mãe, a sogra, a empregada, o marido e os filhos. Mas o tema principal de maior destaque é a amizade entre Lenú e Lila, e como essa relação muda da infância para adolescência, da vida adulta para a maturidade, e como há um carinho - quiçá um amor - entre elas, as circunstâncias afetam esse relacionamento de maneiras imprevistas.

Outro tema que também chama a atenção é essa trajetória de independência feminina e como isso muda e torna confuso o relacionamento com os homens, que, nessa época (não agora! de jeito nenhum!), ainda não sabiam lidar com tanta emancipação. Aliás, a própria mulher ainda não sabe como lidar com suas expectativas amorosas - e podem agir muito bobamente em algumas situações. (Não entro em detalhes para não dar spoilers).

Não é literatura profunda, são livros para entretenimento, e bom para ler com uma amiga, ou num clube de leitura, para discutir alguns temas ali apresentados - o que elas pensavam? O que nós pensamos? Como nossa vida mudou e o que continua igual, e, principalmente, para onde queremos ir?





20 de novembro de 2017

Menos é Mais

Editora Lampejos Livreteria
Se Menos é Mais como dizem por aí, esse livro que leva essa expressão no nome, também o levou para o conteúdo e forma: é um pequeno livro, poucas páginas e pouca altura, e os capítulos são objetivos e breves.

O autor André Botelho escolheu alguns pontos e contrapôs o que se vê muito por aí, e o que seria melhor que perseguíssemos, coerente com uma vida cristã: menos popularidade, mais amigos, menos publicidade, mais testemunho, menos conectados, mais contemplativos. Mudanças de atitude que não são simples, mas que podem nos libertar da pressão de satisfazer os outros e nos tornar menos ansiosos, mais alegres.

Não é um livro que basta em si mesmo, mas pode servir de inspiração para mudanças maiores.

19 de novembro de 2017

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

Editora Companhia das Letras - Capa Kiko Farias / Elisa Cardoso / Máquina Estúdio

Marçal Aquino foi criativo com o título do seu livro: "Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios", e ainda mais criativo ao contar a história de um fotógrafo de prostitutas no interior do Pará, Cauby, que se apaixona por uma mulher casada, Lavínia.

A história não é linear, se mistura a uma conversa numa varanda de uma pequena estalagem às memórias do narrado, o Cauby, que vão e vem pelo que ocorreu nos últimos anos. Embora a narrativa vá e vem, ela não é complicada de seguir, e o leitor mergulha nesse universo tão parecido com o real - gente real, problemas reais, sem uma dicotomia de bem / mal.

Acima de tudo, é um romance, uma história de amor de um homem por uma mulher, que ultrapassa o entendimento, mas que não precisa de castelo e cavalo branco para acontecer.

18 de novembro de 2017

Relationships - a mess worth making

Editora New Growth Press - Capa Matt Nowicki

"Relacionamentos - uma confusão que vale a pena" é um livro fantástico que ultrapassa os limites do que se espera ler sobre relacionamentos - já que ele não fala só somente relações amorosas, mas todas - entre amigos, colegas, companheiros de trabalho.

O ponto de Timothy S. Lane e Paul David Tripp é que Deus se apresenta como um ser e 3 pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, que se relacionam entre si. Mais que isso, é um Deus que procura se relacionar com a humanidade - a Bíblia está aí como a história desse relacionamento, que permanece vivo através das igrejas, e na relação de salvação pessoal.

Dessa forma, eles afirmam que os relacionamentos são importantes. No entanto, isso não quer dizer que são fáceis. A relação entre duas pessoas tende a causar conflito, e é por meio dessa bagunça / confusão que se amadure, se aprende, chega-se a patamares que valem a pena.

Eu realmente gostei muito desse livro, aprendi muito com ele - principalmente no tocante a amizades (assim como a série de mensagens da IBAB nesse ano de 2017, que falam sobre amizades), e o recomendo para todos que quiserem entender porque não é bom que se viva só.

26 de outubro de 2017

Gone with the wind

Editora Prabhat Books

Eu lembro de pedir para a minha mãe para assistir E o vento levou na TV, numa sessão noturna de filme da globo, de tão impressionada que eu fiquei com a propaganda. No entanto, não lembro de muita coisa do filme em si - então ler o livro agora, quase 20 anos depois, foi uma experiência totalmente nova.

É um romance daqueles, escrito por Margaret Mitchell, num contexto histórico incrível que é a guerra da Secessão nos Estados Unidos (quando o Norte brigou com o Sul por conta dos escravos).

Scarlett O'Hara é a mocinha não convencional, sem papas na língua e pronta para fazer inimizades. Rhett Butler também é um galã não convencional, pronto para chocar a sociedade conservadora e se dar bem no processo (mas ouso dizer que ele ainda sim consegue ser mais ético e moral que a Scarlett).

É uma história de amor, e também de sobrevivência e prioridades na vida. É um mundo completamente diferente do nosso - e também não muito. Eu gostei de ver um livro "feminista" de quase 100 anos (não exatamente com relação a Scarlett em toda sua trajetória, mas em partes dela).

Eu realmente gostei de ter lido esse livro, e poder ver como as pessoas da época do livro (1936) viam essa época da história americana - não dá muito para afirmar que era tudo daquele jeito mesmo. E vê-se como o livro tem apelo, o filme foi lançado apenas 3 anos depois! 


23 de outubro de 2017

On the Road

Editora L&PM Pocket - Capa Marcello Lima

"É um clássico", eles disseram. "Marcou uma geração", eles disseram. "O filme é bom", eles disseram. (Está na lista da BBC, eu disse).

Aí eu fui ler "On the Road", ou Pé na Estrada, de Jack Kerouac. Eu li tudo. Até o final. Cada alucinação. Cada loucura. Só para escrever que eu não gostei, não é o meu tipo de livro.

Contado em primeira pessoa, um cara que quer ser escritor viaja pelo interior dos Estados Unidos com os amigos, de um lado para o outro, com pouco dinheiro, mudando de garotas, se aproveitando da solidariedade alheia. Bebendo e se drogando e criando filosofias muito loucas. Fazendo filho por aí (estamos falando do começo da década de 50), sem se importar muito com isso. Amando muito, amando desesperadamente, amando loucamente cada mulher, sem saber o que  é amor mesmo.

Sim, sou careta.

Não vi o filme, mas já aviso você que pelo que eu fiquei sabendo ele é um resumo polido do livro. São várias viagens da costa oeste para a costa leste. Ida e volta. Vários carros diferentes. Vários romances diferentes ( começa com uma, surge outra, volta para uma, aí vem uma terceira, volta para a segunda, lembra da primeira, aí aparece a quinta e por aí vai...)

Eu realmente não curti - e acho que se você gostou do filme, fica com ele mesmo. 



20 de outubro de 2017

A música do silêncio

Editora Arqueiro - Capa Miriam Lerner

Patrick Rothfuss criou uma trilogia, mas só escreveu dois livros. E não há nenhuma perspectiva de fazerem uma série sobre seus livros, o que nos deixa em suspenso indefinidamente sobre quando saberemos o desfecho da história. (Ele tem um blog. Ele escreve muito nesse blog. Ele não fala sobre o 3o livro. Há boatos que ele só vai publicar o 3o livro quando vender os direitos para a indústria cinematográfica. E os leitores? Paciência. Assim, eu não gosto dele e me arrependi um pouco de ter começado a ler seus livros - o primeiro é mais ou menos, o segundo é melhorzinho).

De qualquer forma, ele publicou esse spin off sobre uma de suas personagens mais enigmáticas, Auri, que vive no subterrâneo da universidade. Na descrição do livro, ele diz que essa não é uma história tradicional, que é para quem gosta de mistério e segredo. De qualquer forma, o título original porcamente traduzido para "A música do silêncio" diz mais sobre o livro do que se pode achar num primeiro momento. O título é algo como "O lento conhecimento das coisas silenciosas" (The slow regard of silent things), ou seja, o livro é lento e cheio de adjetivos.

O texto é curto, pouco mais de 100 páginas, mas é basicamente muito descritivo - todas as coisas - TODAS AS COISAS - são personificadas, e a personagem Auri as ouve, as compreende, as nomeia, fala com elas. Ela passa por uma escada, e a considera x e y, e fica procurando o seu nome. Ou ela vê um objeto e percebe que ele não está feliz ali e vai encontrar uma prateleira com companhia que lhe seja agradável. 

Aí você pode considerar a beleza e poesia disso - não só da história, como da própria personagem - ou você pode considerar tudo uma loucura. O autor reconhece isso e avisa o leitor na descrição, tudo muito coerente.

Eu?

Só gostaria que ele publicasse o terceiro livro. É pedir muito?