21 de abril de 2019

A mulher segundo a Bíblia

Editora Cultura Cristã - Capa Lela Design

Eu gosto de ler sobre cristianismo e temas femininos - é uma polêmica pronta nos dias de hoje, e eu acho que informação nunca é demais se o senso crítico estiver ligado.

Rebecca Jones deu um título ousado para seu livro: O Cristianismo oprime as mulheres?, mas a versão brasileira resolveu ir de "A mulher segundo a Bíblia", e talvez esse tenha sido um acerto. Os dois ou três primeiros capítulos discutem um pouco do papel feminino no mundo de hoje e o que é "certo" do ponto de vista cristão. Aí, em certa altura, ela coloca a culpa na vítima (algo como: se a mulher sofre abuso sexual, é porque não tem uma atitude correta, se o marido resolve abandonar a mulher e os filhos, é porque ela quis se dar liberdades), e convenhamos que 2019 não está aí para isso, nem 2005 quando o livro foi publicado, nem em nenhum ano desse planeta.

Quando pediram para Jesus julgar uma mulher adúltera (um "crime" horroroso na época), ele abriu espaço para que cada um percebesse o seu próprio erro e e não fez uma comparação de quem é mais santo, ou discorreu como aquela mulher era pecadora. Ele a perdoou e a liberou para "não pecar mais", ou seja, a todos é dada a oportunidade de fazer o melhor frente a Deus.

Os outros capítulos fazem breves perfis de mulheres citadas na bíblia e o que podemos aprender com cada uma delas, mas, é algo bem rápido e rasteiro. O livro realmente me perdeu no começo e eu só li até o final para ver se algo se aproveitava. Leiam outras coisas.




10 de abril de 2019

The Proposal

Editora Headline Eternal

A Reese Whiterspoon mantém um "clube do livro" virtual, divulgado pela internet, e esse foi o livro de abril: The Proposal, da autora Jasmine Guillory. É um chick lit, claro, fácil e simples. Eu gostei que a mocinha era negra e o mocinho era latino - na ensolarada Califórnia - e embora a questão de raça estivesse lá, não era o foco da história, e me pareceu tudo tratado de uma forma leve e ponderada.

Interessante foi o mocinho, Carlos, mencionar que ele não foi criado falando espanhol pelos pais que o queriam bem adaptado ao Estados Unidos, e aí - com a maior cara de latino - ele sofria o estranhamento de não saber falar espanhol e queria aprender após adulto.

Não é dos melhores da categoria, mas eu achei que vale a pena. 

6 de abril de 2019

A história da sua vida e outros contos

Editora Intrínseca

Eu adorei o filme "A Chegada", e quando vi que era baseado em um conto de Ted Chiang, coloquei o livro todo na minha lista de desejos. Comprei em promoção, claro, e adorei. São livros de ficção científica, mas não quer dizer que sempre ocorram no futuro, uma das histórias é claramente de uma civilização de centenas de anos atrás, enquanto outra parece uma história de amor com algumas referências ao que não existe.

Eu gostei do estilo do autor também, sem muitos rodeios, enfeites ou sentimentalismo, mas trazendo assuntos interessantes para o centro da história - e porque não - ao centro do debate. Um dos contos, sobre a estética e a influência em nossas vidas, contada por várias fontes diferentes, é incrivelmente perturbador e, embora no terreno da ficção científica, totalmente verossímil num curto espaço de tempo.

Um livro ótimo de se ler.

16 de março de 2019

A glória e seu cortejo de horrores

Editora Companhia das Letras - Capa Alceu Chiesorin Nunes

Fernanda Torres é muita conhecida por ser atriz, e filha da Fernanda Montenegro, mas ela também é escritora e eu gosto muito dos dois livros que eu li dela: o Fim e esse mais recente: "A glória e seu cortejo de horrores", que só o título já é ótimo.

Interessante que os dois livros tem narradores - e personagens principais - masculinos, e eu realmente nunca vi dentro da mente de um homem, mas a narrativa da Fernanda Torres é envolvente, e totalmente verossímil. No caso desse último livro, um ator conta toda sua vida desde a juventude no teatro até o sucesso na TV, passando por uma peça shakesperiana patrocinada com dinheiro público fracassada, e a chegada na emissora religiosa. 

Não parece ficção, parece realmente a biografia de alguém que existe de verdade tamanhas as referências a fatos culturais do nosso país, sem realmente incluir alguém realmente conhecido.

Por fim, eu fui no lançamento do livro em São Paulo e foi fenomenal vê-la pessoalmente e ver sua mãe lendo o seu livro e dando vida para o personagem, junto com Antônio Fagundes. Ótimo também foi ver o Michel Laub na plateia, que é um dos meus autores preferidos, com certeza.

8 de março de 2019

The One and Only

Editora Hodder & Stoughton

"The One & Only" é um chick lit padrão, com uma personagem feminina bonita, inteligente, independente, e seus conflitos para ter um romance a altura das outras áreas da sua vida. Encosta-se em um ou outro assunto mais sensível, mas é isso.

Eu precisei ler a sinopse para lembrar da história, então não é nada marcante. A personagem principal adora futebol americano, e se torna jornalista esportista, então o assunto aparece pelo livro todo.

3 de março de 2019

Americanah

Editora Companhia das Letras - Capa Cláudia Espínola de Carvalho

As questões de racismo e gênero estão a cada dia mais expostas e a cada dia mais polêmicas. Não sei onde isso vai parar, mas espero que seja um caminho para mais respeito e apreciação pelas diferenças.

Dessa forma, um livro como Americanah é uma joia rara, ao trazer uma visão não "tradicionalmente ocidental" do tema. Escrito pela Chimamanda Nogzi Adichie, nigeriana, é uma visão de uma negra da sociedade norte-americana atual, e é tão bem feito, tão perfeitamente contextualizado, que é fácil esquecer que é um trabalho de ficção.

A personagem principal, que vai para os Estados Unidos após a faculdade, até tem um blog em que comenta as questões raciais que se apresentam a ela, e ela vira uma referência no assunto, conseguindo até sobreviver de patrocínio e palestras - é uma vida de blogueira!

Outro ponto interessante do livro é o tanto de adjetivos e descritores para a pele negra - vários tons são diferenciados, e sempre de maneira positiva. 

Eu gostei muito de ler esse livro, assim como o outro livro dessa autora (Meio Sol Amarelo), e recomendo para todo mundo.

1 de março de 2019

The Year of Magical Thinking

Editora Harper Collins - Capa

Quando eu estava pesquisando livros sobre luto, essa obra de Joan Didion, "The year of magical thinking", aparecia em várias listas. Eu comprei, e demorei vários meses para começar a ler. Só a sinopse mostra o tamanho da tragédia: a filha de Joan é internada de emergência numa UTI, inconsciente. O marido morre de ataque cardíaco. Algum tempo depois, sendo escritora, ela começa a escrever sobre esse processo.

No prefácio, há uma citação do The Guardian dizendo que esse livro não tem respostas fáceis. Aliás, acredito que nem resposta tenha. É sobre o luto de alguém, elaborado em palavras, com algumas informações técnicas e psicológicas sobre como se lida com a morte e as doenças graves. 

Uma das informações que eu achei interessante é que já caracterizaram o luto como uma doença, dada às alterações emocionais e físicas que ele causa. Embora seja algo a que praticamente todas as pessoas passam, não se parece tornar mais simples a medida que a humanidade "evolui". A morte não nos é natural mesmo.

Além disso, é um retrato sobre um casamento duradouro e feliz, algo que parece tão raro hoje em dia, principalmente entre famosos. Joan e seu marido Jonh tem um relacionamento estável, com respeito e conhecimento mútuo profundo. De certa forma, além de falar de luto, esse livro fala também desse tipo de amor, e o que ele deixa de vazio quando uma parte vai embora - sem briga, sem conflito, sem um aviso prévio.

É um livro triste, real, relevante. Sem respostas, sem soluções, sem saídas. É um livro humano.