17 de setembro de 2021

Babbit

 

Editora Bibliolife

Babbit é uma sátira, ou seja, uma história contada com muita ironia para criticar os costumes da sociedade ou de uma parcela da mesma. Escrito por Sinclair Lewis na década de 1920, retrata a vida de um homem classe média no interior dos Estados Unidos - que venceu na vida por trabalho e motivos escusos, e seu relacionamento com a sociedade, a política, a igreja, o casamento e os filhos.

É interessante como estudo humano e cultural da época, mas - e é um grande mas - o personagem principal, que dá título ao livro é um grandíssimo chato.

Até entendo que era essa a intenção do autor, levar ao ridículo o homem comum norte-americano, mas foi bem difícil engatar no livro e fiquei imaginando que, se eu estivesse um pouco mais próxima do objeto do livro - geográfica ou temporalmente - teria aproveitado melhor.


23 de agosto de 2021

Identidade

 

Editora Harper Collins


Identidade é um livro da primeira metade do século XX sobre duas amigas negras com trajetórias diferentes na sociedade dos Estados Unidos - uma delas se passa por branca e está no meio de brancos profundamente racistas.

É uma história curta, mas muito intensa e profunda pelos temas de raça, amizade e família. A autora, Nella Larsen, escreveu sobre sua época e dizem que parte do livro é autobiográfica.

Um ponto interessante é que um dos personagens quer mudar para o Brasil, por ser uma sociedade menos opressora do ponto de vista racial. 


15 de agosto de 2021

Precisamos falar sobre Kevin

 

Editora Intrínseca

Lionel Shriver é uma ótima escritora para abordar temas complexos em ficções muito bem construídas. No caso desse livro, Precisamos falar sobre o Kevin, eu sabia que ia ser algo difícil, mas com certeza não imaginei que tanto.

Na página do livro na plataforma Goodreadas, há quem diga que é um livro de horror e, de certa forma, é mesmo. Incrivelmente perturbador. Assustador. Mas é um livro para se pensar bastante nas relações humanas.

Mais do que um livro sobre um jovem atirador - materializando tantos que existiram nos Estados Unidos nas últimas décadas - esse livro é sobre maternidade. A maternidade no extremo, é claro, pois não há tantas crianças que crescem para fazer barbáries como essa, graças a Deus, entretanto não há como não fazer paralelos até situações corriqueiras.

É um livro muito, muito bom mesmo. Mas a leitura não é simples, e se estiver despertando sentimentos complicados, não leia. Eu não pretendo ver o filme também.



13 de agosto de 2021

A volta às aulas do Pequeno Nicolau

 

Editora Rocco

O Pequeno Nicolau (Petit Nicolas) é um personagem infantil famoso na França. Há dezenas de histórias curtas com esse garoto típico da década de 50, que ia para a escola, aprontava, circulava na rua com os amigos, do alto dos seus 8 ou 9 anos. É leve e bem humorado, e embora agora exista TV, video game e celular, algumas atitudes das crianças são as mesmas, e essa identificação que é muito simpática.

As minhas filhas já tinham assistido ao filme mais recente (disponível no netflix), e então elas tinham uma ideia mental do ambiente e das crianças, mas elas se divertiram com as histórias "novas" desse livro. Como elas são curtas, é uma leitura boa para antes de dormir. 

Em tempo, o autor René Goscinny também é criador de outro personagem famoso francês: Asterix. 

7 de agosto de 2021

Saúde Mental, Gênero e Dispositivos

 

Editora Appris

"Saúde mental, gênero e dispositivos - Cultura e processos de subjetivação" é um livro técnico, como é possível perceber pelo título. Valeska Zanello é formada em psicologia e filosofia, professora da UnB com pós doutorado. 

Com exceção do primeiro capítulo, que eu achei difícil, os outros são acessíveis e interessantes, trazendo uma teoria completa sobre como a cultura afeta gênero e a saúde mental, não só do ponto de vista dos sintomas que as pessoas tem assim como o próprio diagnóstico e tratamento.

Esse livro abre perspectivas para analisar os próprios comportamentos assim como a sociedade ao redor, mesmo que não seja convencido por todas as afirmações da autora. Muitas das quais, é claro, estão relacionadas com suas próprias pesquisas e de outros estudiosos, identificadas claramente.

Se você não encarar a leitura do livro, mas tiver interesse, o canal da Valeska Zanello no YouTube possui vários vídeos, incluindo "lives" em julho de 2020 sobre o conteúdo do livro. 



25 de julho de 2021

Lições de Vida

 

Editora Novo Conceito

O primeiro ponto do meu comentário sobre esse livro de Anne Tyler é que tanto o título em português como essa capa estão redondamente equivocadas.

O título original é "Breathing Lessons", algo como "Aulas de Respiração" e há uma cena muito bem feita que faz alusão a esse termo, e não acho que nem a ideia traduz como "Lições de Vida".

A personagem principal é a Maggie, uma mulher lá pelos seus 40 anos (quando se já era avó aos 40 anos e nem se sentia mais jovem), e no único dia em que se passa a história ela faz uma viagem bem tensa de carro com seu marido. Nada que remeta a essa garota nessa paisagem idílica pensando sobre as tais lições de vida.

Isso posto, é um livro espetacular. Ganhador do Pulitzer, retrata muito bem a dinâmica familiar do casal, os filhos, a nora, a neta - e como alguém bem intencionado pode meter os pés pelas mãos recorrentemente.

Recomendo, com certeza.


11 de julho de 2021

As Aventuras de Pinóquio

 

Editora Companhia das Letrinhas

Todo mundo conhece o Pinóquio - o boneco de madeira que contava mentiras e crescia o nariz, graças a Disney. Mas quem teve essa ideia genial foi Carlo Collodi, um italiano, há 140 anos atrás. 

O livro "As Aventuras de Pinóquio" foi publicado por capítulos, numa revista para crianças, e imagino que a história foi se construindo também com o retorno do público. A história vai ficando cada vez mais fantástica - tem personagem que morre e volta - sem perder o humor, e também a "moral da história": se não for para a escola e obedecer aos pais, tudo vai dar errado e você pode virar um burro, literalmente.

Eu li esse livro para as minhas filhas ao longo de algumas semanas, e foi ótimo ver elas se divertindo com a história, envolvidas com o Pinóquio - diferente da minha experiência de leitura como adulta há alguns anos, em que eu só fiquei admirada com o nonsense e não gostei muito.

O comentário pertinente da Lia, minha mais nova de 6 anos, foi perceber que não tinham meninas no livro - fora a personagem da Fada, só há garotos e homens. Quando eu expliquei que o autor era um homem de outra época e por isso deve ter preferido só falar de garotos, ela me perguntou: e onde estavam as autoras meninas?

Além disso, a versão açucarada da Disney não representa o humor - muitas vezes pastelão - que o autor coloca no texto e também faz sucesso com a criançada. Não assisti o filme mais recente (com gente de verdade), mas já me disseram que é mais fiel a história original.

Assim, minha recomendação sobre esse livro é: leiam para as crianças.