23 de setembro de 2016

O leitor do trem das 6h27

Editora Intrínseca - Capa Mariana Newlands
A editora Cosac Naify está considerando destruir o estoque de livros restantes, e há bons motivos - comerciais e logísticos - para tanto, e se a maioria das pessoas estranha o ato, o diretor da editora diz que se trata de uma "prática comum de mercado", o que pode parecer mais estranho ainda.

Nisso, lembrei do livro "O leitor do trem das 6h27", em que o personagem principal trabalha num lugar de destruir os livros, em Paris. Caminhões chegam todo dia carregados de obras que são jogadas na máquina chamada "A Coisa", e o operador principal - o tal leitor do título - sente a gravidade do "crime" contra os livros - mas é o seu trabalho, e sua ação é salvar algumas folhas diariamente que ele lê no trem do dia seguinte, para quem quiser ouvir.

Esse é só o contexto da história, depois temos um manuscrito misterioso, uma busca pela autora, uma cruzada por todas as impressões de um livro, duas velhinhas simpáticas, eventos e pessoas que enriquecem esse pequeno livro de Jean-Paul Didierlaurent. 

Gosto do mundo em que destruir livros é polêmica. Gosto mais ainda do mundo que lê os livros.


7 de setembro de 2016

A Vida do Livreiro A.J. Fikry

Editora Paralela - Capa estúdio insólito
"Nenhum homem é uma ilha, cada livro é mundo" é o slogan da livraria do personagem título de "A vida do livreiro A. J. Fikry", e eu concordo com isso mesmo - em cada livro, um universo. 

O que mais me atrai nos livros é a possibilidade de observar várias vidas, diferentes trajetórias, complexas interações. Esse livro de Gabrielle Zevin apresenta, obviamente, o livreiro A. J. Fikry, mas ela também inclui personagens secundários muito interessantes, com suas histórias que traçam uma rede em torno da livraria - todos estão interconectados, às vezes de maneiras ainda mais profundas do que eles jamais saberão. (Sim, eu gosto de histórias bem amarradas - e o gênio dessa arte é Charles Dickens).

Além disso, no começo de cada capítulo há uma indicação literária, sincera e direta, da maneira como você recomenda um livro para um amigo. Eu mesma fui anotando os que mais me chamaram atenção na minha lista de desejos de leituras (que só cresce).

O livro é curtinho e gostoso de ler. Depois fiquei sabendo que essa autora escreve livros "Young Adult", mas esse é só "adulto" mesmo, com todos seus dramas, sem ser dramático. 

6 de setembro de 2016

A Caribbean Mistery

Editora Harper Collins
Mais um livro da Agatha Christie sobre a Miss Marple: Mistério no Caribe - sim! a senhorinha mais fofa e perspicaz da Inglaterra viaja para o Caribe e, claro, desvenda um assassinato lá. Como era de se esperar, o que aparenta ser não é verdade, e temos a Miss Marple clamando por Nêmesis (a deusa grega da vingança) durante a noite. Quem conhece sabe que a Nêmesis Marple ainda volta mais uma vez (num livro com o mesmo nome).
Vale também a variação do cenário: da chuvosa vila St. Mary Mead para o calor das ilhas caribenhas - tem gostinho de férias esse livro.

24 de julho de 2016

The mirror crack'd from side to side

Editora Harper

Eu li "A Maldição do Espelho" da Agatha Christie há muitos anos, e o reli agora, e eu nem sei dizer se realmente gosto dele, pois o que mais me impressiona e deixa desconfortável é o motivo do assassinato. Algo assim que pode acontecer com qualquer pessoa... E talvez entrar no rol de "motivos justos", embora eu não acredite em motivos justos para matar alguém.

17 de julho de 2016

Editora Record - Capa Leonardo Iaccarino

Eu realmente gostei da filosofia educacional da Tania Zagury, equilibrada e coerente, por isso recomendo mesmo seus livros (alguns estão no kindle unilimited). "Limites sem trauma - Construindo cidadãos" explora o tema de como criar e defender os limites para as crianças, tão necessários, sem apelar para o famoso cantinho do pensamento ou mesmo para as também famosas palmadas. 

Tania Zagury é adepta principalmente de um reforço positivo, mas é claro que sem exageros - sem apelar a toda hora para presentes comprados ou uma chantagem (se você fizer isso, ganha isso, se você me obedecer, eu te dou isso), que torna tanto o pai como a criança reféns do negócio.

Sinceramente, eu gosto realmente de ouvir a minha filha de 3 anos dizer: "mãe, não fala brava comigo, fica feliz, eu vou obedecer você", porque ela está aprendendo que os sentimentos das pessoas ao redor é o que há de mais importante nos relacionamentos.

12 de julho de 2016

A probabilidade estatística do amor à primeira vista

Editora Galera - Capa Izabel Barreto

Ok, eu tenho uma queda por livros com títulos nerds como "A probabilidade estatística do amor à primeira vista" de Jennifer E. Smith. Fora o mega título (em tamanho, vai, sei que não é uma genialidade), o livro não é algo marcante, faz algumas semanas que eu li e lembro só de algumas coisas da trama (sim, o blog está meio atrasado).

O mote é garota vai viajar dos Estados Unidos para Inglaterra para o casamento do pai ainda cheia de mágoa do divórcio da sua mãe, mas se atrasa, perde o voo, e encontra o amor da sua vida. É romance adolescente, nada profundo, para se distrair e esquecer.

4 de julho de 2016

Como pensar mais sobre sexo

Editora Objetiva - Capa adaptada por Trio Studio sobre design original de Marcia Mihotich
Eu posso dizer que não cheguei nesse livro pelo título e vocês podem discordar, certo? Afinal, trata-se de uma coleção chamada "A Escola da Vida", que procura discutir questões fundamentais sobre o indivíduo e esse livro é claro: "Como pensar mais sobre sexo".

O fato é que Alain de Botton, o autor e filósofo em questão, não dá essa receita de bolo. Ele discute o sexo sim, em cada um dos capítulos, mas explicando porque a sociedade moderna está tão enrolada com esse assunto delicado, mesmo ele estando cada vez mais escancarado em nosso dia-a-dia.

É interessante que não se trata de um estudo científico e sim filosófico. Ou seja, o autor não procura mostrar estatística ou dados de estudos clínicos / psicológicos controlados, mas sim discute com razão e lógica as questões apresentadas. É possível argumentar contra, claro, e então tem-se um debate. 

No entanto, seus pensamentos sobre relacionamento amoroso, expectativas, traições ficaram muito próximo dos ensinamentos cristãos que eu tenho escutado, e então concordei animadamente com o que era dito, vendo reflexos da minha própria vida e de amigos (sem, é claro, ser um livro cristão, ou mencionar a Bíblia).

Definitivamente, um dos melhores livros sobre sexo que eu já li (não que eu tenha lido vários, claro, mas aí está a minha opinião).