14 de novembro de 2018

Na Dor e na Alegria

Editora Cultura Cristã - Capa Ideia Dois Design

Eu gosto de ler livros sobre casamentos - afinal, não é nada trivial uma empreitada em que se pretende passar décadas.

"Na dor e na alegria" já se mostra interessante por ter sido escrito por um casal, Jim e Sally Conway, que nós vamos descobrindo ter vários anos de casados e vários anos de aconselhamento a outros casais, como pastor e líderes da igreja. O livro foi escrito na década de 90, e realmente não sofre os efeitos do tempo: "as características de um casamento duradouro", como diz o subtítulo, parecem continuar as mesmas.

Eles são bem diretos para apontar dedos para atitudes erradas típicas de um e de outro lado da relação, mas também mostram o caminho para entender quem pode ser essencialmente diferente de você. Diante de qualquer crise, vale a máxima: o que você pode fazer para mudar e melhorar essa situação? E não esperar que o outro magicamente fique melhor.

Em vários pontos do livro, eles se referem a uma pesquisa que fizeram com centenas de casais, separando as respostas de "casais felizes" e "casais em crise", então dá para diferenciar o que um tem e por isso deve estar relacionado com o sucesso do casamento e o que faltou para o outro.

Como spoiler especial, a característica mais importante que eles consideram como preditivo de um bom casamento é o compromisso. (Vocês realmente não pensaram que era o amor, né?) Trata-se da decisão de ficar junto, comprometer-se com a outra pessoa, não importa a situação ou circunstância, na dor ou na alegria, na riqueza ou na pobreza, no stress ou nas férias.

Esse livro vale a leitura como momento de reciclagem para os casais casados há algum tempo, estejam passando por calmarias ou mares revoltos.

9 de novembro de 2018

O Amor segundo Buenos Aires

Editora Intrínseca - Capa Cláudia Warrak

Eu adorei esse livro do Fernando Scheller, a começar pela forma inusitada de narração. A cada capítulo, um personagem descreve outro, um amigo, o que acha dele, sua interação com essa outra pessoa. A partir daí, vamos entendendo cada um deles, de uma perspectiva de seus relacionamentos. O foco é realmente isso: relações que começam, que terminam, que se renovam - e não necessariamente amorosas, temos as relações de amigos também.

"O Amor segundo Buenos Aires" é sensível e romântico, e daria um filme, digno de seus personagens carismáticos. Aliás, a maioria deles é brasileiro vivendo lá, e junto com outros estrangeiros que passam por lá, temos um bom panorama de quem mora fora do seu país natal.

Por fim, Buenos Aires. A cidade está presente, onipresente, e, de certa forma, também se manifesta.

Um livrão de amor.

6 de novembro de 2018

The 7 habits of Highly Effective People

Editora RosettaBooks - Capa Alexia Garaventa

Para mim, "Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes" era um clássico da auto-ajuda do século passado. Interessante, mas não diferente de qualquer livro sobre o tópico voltado para o trabalho e a carreira. No entanto, eu realmente me surpreendi.

O autor Stephen R. Covey deixa claro que o livro foi feito após muita pesquisa e muita prática de consultoria. Ele repete reiteradas vezes que não está inventando estratégias ou hábitos, mas está compilando o que ele vê que funciona - e muita coisa não parece original mesmo, que eu já vi em treinamentos, palestras ou outros livros mais recentes que esse. Também não se trata de algo limitado ao trabalho, ou como se comportar relativo ao seu trabalho, é uma mudança pessoal que pode afetar todas as áreas da sua vida.

É realmente uma proposta de mudança profunda, bem fundamentada e coerente para cada pessoa, que obviamente não é fácil. Nessa edição especial de 25 anos, há uma entrevista com o autor um pouco antes do seu falecimento em que ele diz que ainda, todos os dias, tenta dominar os 7 hábitos, principalmente aqueles que são mais difíceis para ele - e que isso depende de pessoa para pessoa. Mesmo se parecer uma empreitada muito complicada, há dicas valiosas no livro, que podem ser usadas independente de seguir todos os 7 hábitos.

Eu terminei a leitura muito impactada pelo conteúdo e consegui fazer algumas mudanças na vida. Gostaria de fazer outras, claro, mas tudo tem seu tempo certo...




3 de novembro de 2018

As Vinhas da Ira

Editora Record - Capa Victor Burton

Eu comecei a ler As Vinhas da Ira, e parei. Achei descritivo demais, e não me parecia o momento. Voltei a ele por determinação de atingir a meta de leitura dos livros mais queridos da pesquisa da BBC - e como valeu a pena!

O livro é incrível, forte, impressionante.

Apresenta um momento histórico dos Estados Unidos que eu não conhecia: a migração humana dos camponeses substituídos por máquinas no centro-sul, para a colheita das frutas na Califórnia. É algo como uma desgraça social tão grande, tão revoltante, que não é possível ficar passivo. O drama humano foi tão belamente retratado por John Steinbeck, que solidarizar-se mesmo com personagens sem nomes (tem a vó, o vô) é compulsivo.

Falando assim, parece um pouco com Vidas Secas, mas o estilo dos autores é diferente e no livro do Steinbeck mais coisas acontecem - há também o choque da chegada ao lugar a que eles se dirigiam.

Esse livro deve ser leitura obrigatória nos Estados Unidos, por ser um clássico, e aqui também o poderia ser. Ele está disponível no kindle unlimited!

31 de outubro de 2018

A Estrela mais Brilhante do Céu

Editora Bertrand Brasil - Capa Carolina Vaz

Marian Keyes nunca decepciona, gente.

No livro "A Estrela mais Brilhante do Céu", o ponto de partida é um personagem - espírito? força? energia? - que observa os moradores de um prédio, de uma forma quase onisciente, conseguindo não só ver o que eles fazem assim como também o que eles estão pensando, e uns vislumbres de passado e futuro. Esse personagem indica que tem um prazo a cumprir, uma decisão a fazer, e a medida em que as tramas dos personagens se desenrolam, também vamos entendendo um pouco mais desse personagem misterioso (mas ele faz parte do gran finale mesmo!).

Eu li esse livro de mais de 500 páginas em 3 dias, porque não dá para parar de ler. É muito envolvente, ir conhecendo as pessoas que parecem reais, seus relacionamentos e seus dramas. Marian Keyes sempre traz um tema pesado a baila, e esse livro não é diferente, mas ele não tinge de preto todo o livro, embora seja sensível e relevante.

É muito difícil Marian Keyes em promoção, mas podem gastar a mais, sempre vale a pena.


28 de outubro de 2018

Olive Kitteridge

Editora Simon & Schuster

Olive Kitteridge ganhou o Pulitzer em 2009 e já é uma série da HBO, que eu não assisti, mas adorei o livro. São vários contos que circulam em torno de um longo período de tempo, cada um focando em uma pessoa dessa cidadezinha no interior dos Estados Unidos, mas principalmente a personagem título.

Uma amiga não gostou desse livro, achou chato mesmo, mas ele focar o cotidiano, o trivial, personagens mais velhos - nada de muita ação ou grandes romances por aqui, faça dessa obra de Elizabeth Strout pouco atrativa.

No entanto, eu amei os dramas humanos, principalmente os ligados ao envelhecimento. De certa forma, já me sinto na 2a metade da vida, e esse livro me fez pensar muito sobre o que eu espero que aconteça no futuro. Sinto que, às vezes, os nossos planos de adolescência se resumem a se formar numa profissão, casar, ter filhos (esses grandes eventos) e pouco pensamos sobre o que vai ser o dia a dia depois dessas metas serem concluídas.

Reitero como é muito satisfatório ler livros bons, e o Pulitzer tem se mostrado um selo muito bom de qualidade.




12 de outubro de 2018

Outros Jeitos de Usar a Boca

Editora Planeta - Capa Victor Igual, S.L.

Um livro de poesia! Algo que é raro nas minhas listas de leitura - não é que eu não goste de poesia, mas ler um livro inteiro de poesia de uma vez só, não me empolga muito. Eu gosto de ler uma ou outra aqui e ali - ou melhor, eu adoro ouvir poesias lidas pelo Fábio Malavoglia, de segunda a sexta, por volta de 9h25, na rádio Cultura FM. Ele dá o contexto do autor, do poema, e lê maravilhosamente (ele também é o tradutor de vários poemas).

Voltando ao assunto do post, foi fácil ler "Outros jeitos de usar a boca", são poemas curtos, então o livro todo não me custou 1h, para ler de uma sentada só. A autora, Rupi Kaur, é jovem, e publicou muito dos seus poemas no instagram, então eles são breves, diretos, com temas jovens - auto-afirmação, romance, separação, sexo, abuso (não necessariamente nessa ordem). São fortes, intensos, poéticos. 

Eu consegui entender como ela se alinha com a cabeça de muitas mulheres por aí, que devem se identificar com os assuntos ou o formato, mas acredito que o público é realmente mais jovem do que eu. Vale a leitura - está no kindle unlimited.