19 de fevereiro de 2017

O Papai é Pop

Editora BelasLetras - Capa Celso Orlandin Jr.

Meu marido me mostrou um vídeo sobre paternidade do Marcos Piangers (ele é pop mesmo, está no facebook, na globo, no TED, talvez você já o tenha visto por aí), e lá pelas tantas ele disse que publicou um livro e o lucro vai para crianças carentes, porque ele não precisa ficar rico. Eu já gosto de comprar livro - se é de alguém legal e ainda vai ajudar alguém, não precisa falar duas vezes. Eu comprei na hora o ebook na Amazon "O Papai é Pop", super baratinho, e li mais rapidinho ainda.

O livro é ótimo, bem humorado, com passagens sensíveis, de alguém criado pela mãe sem conhecer o pai, mas que quer ser o melhor pai possível para suas duas filhas, Anita e Aurora. Lendo o livro, dá para entender que a família valoriza mesmo o ficar junto, a diversão em família, e não ficar rico mesmo. É um sopro de ar fresco nesse mundo que anda tão consumista, e com o coração colocado em lugares tão errados. É centralizar de volta no que realmente importa, a família, seus valores, e não na correria e na cobrança de alcançar sempre mais. De uma maneira bem divertida. 

29 de janeiro de 2017

Estação das Chuvas

Editora Língua Geral Livros  - Capa Rico Lins
José Eduardo Agualusa é um autor angolano de renome internacional - um dos seus livros traduzidos foi indicado ao Man Booker Prize International ano passado. Eu já tinha ouvido falar sobre ele antes, e por isso comprei "Estação das Chuvas" num sebo ano passado, sem nem ver sinopse nem nada. O livro é sobre uma escritora angolana, Lídia do Carmo Ferreira - sua história e suas opiniões, dadas em entrevista ao narrador. Mas mais do que isso é um panorama da história da Angola no século XX, principalmente os movimentos políticos de independência e lutas pelo poder.

No entanto, a história é não linear, e são capítulos curtos que vão trazendo um episódio ou outro da Lídia, além de fatos e pessoas da história do país, fazendo uma colcha de retalhos. Para mim, que não tenho noção nenhuma da história angolana, não tenho as referências das pessoas de lá, realmente me perdi no livro. 

Achei tão diferente de Meio Sol Amarelo que através dos personagens ficcionais nos aproxima do conflito - aqui, há tantas siglas e lutas e mudanças de lado, que foi depois de procurar informações sobre o livro que eu descobri que ele é sobre a escritora - que realmente existiu - e não sobre os conflitos do país.

Outro agravante é a quantidade imensa de palavras locais, algumas notas - outras não, e mesmo quando "traduzidas", a falta de contexto prejudica o entendimento. Talvez uma edição com mais notas e comentários seja mais fácil de ler e compreender do que essa, que dificultou até apreciar o autor.

28 de janeiro de 2017

Enclausurado

Editora Companhia das Letras - Capa Cláudia Espínola de Carvalho

Nós já conhecemos narradores mortos - mas certamente Enclausurado é o primeiro livro de projeção internacional em que o narrador é um feto. Isso mesmo. Uma criança, antes de nascer. Inteligentíssima. Transtornada por saber que sua mãe, a quem já ama, claro, está planejando assassinar seu pai, junto com o amante.

Ian McEwan escreve uma obra incrível - incrível, literal e figurativamente - em torno de um tema bem banal, o crime passional. O narrador traz o inusitado e subverte aquela perspectiva do bebê que não pensa, só sente, e é tão inocente e tão ignorante do mundo. Esse feto, enclausurado, gosta de vinho e conhece os diferentes sabores. Sabe de política internacional, a crise europeia, novos empreendimentos, etc - baseado em diversos podcasts que a mãe gosta de ouvir.

Eu me surpreendo como a informação está tão mais disponível para a geração atual, que a um clique via google ou youtube pode ser tornar especialista em assuntos tão diversificados como vinho, bicho-preguiça, viagens rodoviárias no Alasca, ou o sistema prisional dinamarquês. Eu sou da última geração que estudava em enciclopédia e se quisesse saber mais detalhe, procurava livros sobre o tema (ou recortes de jornais que a minha mãe colecionava, com as perspectivas atuais sobre assuntos importantes). 

Pode ser surpreendente, mas a carga de informação que um feto pode ter acesso só ao ouvir esse tipo de conteúdo que chega via podcast, vídeo, TED, não é nada inconcebível. Com trocadilho intencional.

22 de janeiro de 2017

Mundo sem Fim

Editora Arqueiro - Capa Fiction

Em "Mundo sem Fim", Ken Follet começa com 4 personagens crianças, e os acompanha até a velhice, numa pequena cidade da Inglaterra que gira em torno do Priorado, onde vivem monges e freiras. Há um casal principal, Caris e Merthin, e várias reviravoltas sociais e políticas que o impedem de ficar juntos, e a gente vai torcendo por eles, mas o que mais vale a pena é o retrato histórico da época.

Há o clero, há a burguesia emergente, há a nobreza, e os conflitos e cooperação entre eles. Merthin e Caris são particularmente inteligentes, mas há uns burros e astutos, que conseguem chegar tão longe que dá até raiva.

No meio da história, estoura a Peste Negra, e é impressionante o efeito na população e na vida diária. São milhares de mortes, com um impacto econômico incrível. Difícil se colocar na mesma situação, ou trazer para os dias atuais. Quero crer que uma doença que mata em 3-5 dias e se alastra naquela velocidade não pode acontecer novamente.

Por fim, é interessante ver muitas mulheres em posição de liderança, não só como Madre Superiora, mas dirigindo comércio e a cidade. Pensei que poderia ser um exagero, uma pitada moderna demais, mas depois lembrei que é o país que teve uma rainha no século XVI. Parece que as mulheres só quiseram independência e respeito nos últimos 50 anos, mas aposto que muitas foram pioneiras em todos os lugares do mundo, nessas centenas de anos de história. E não poucas, mas realmente mais do que imaginamos (e menos do que gostaríamos).

31 de dezembro de 2016

Top 2016

Minhas melhores leituras de 2016:

Literatura
  • Garota Exemplar
  • Pequenas Grandes Mentiras
  • Poderoso Chefão
  • Quarto
  • O rouxinol
  • Meio Sol Amarelo

Não ficção
  • Faça acontecer
  • Como pensar mais sobre sexo
  • O resgate do feminino
  • Como encontrar o trabalho da sua vida



Estatística 2016

Em 2016, ainda estou descobrindo o que é ter duas filhas pequenas e arranjar tempo para mim mesma e para leitura - eu realmente acredito que vai ser mais fácil a medida que elas crescerem.

Em números:

- 50 livros;
- 6 livros brasileiros (só... mas faltam promoções de bons autores no kindle);
- 44 estrangeiros;
- 8 livros físicos;
- 42 livros digitais (principalmente no aplicativo do kindle, que dá para ler em qualquer lugar. Meu foco foi comprar livros em promoção);
- 11 livros clássicos (com mais de 50 anos);
- 6 livros da Agatha Christie;
- 32 livros de autoras femininas - mais da metade!



Eu não consegui manter regularidade para os posts no blog esse ano, mas em dezembro consegui colocar tudo em dia.

Mesmo assim, a página no facebook aumentou um pouquinho e agora são 1027 curtidas.

As metas de 2016 eram:

  • Continuar lendo 1 livro por semana, em média - nada ousado, mas exequível, diante da minha rotina.
    • Quase cheguei lá - faltaram 2.
  • Ler os 100 livros mais amados do Reino Unido, uma lista da BBC de 2003 - eu já li 43, e espero ler todos os outros nos próximos 2 anos.
    • Eu li mais 6 livros da lista (total: 49) e percebi que não tenho vontade de ler todos, por exemplo, não quero ler outro livro de Thomas Hardy. Então a meta foi estendida para ler 80% dos livros até 2021.
  • Ler todos os livros da Agatha Christie. A minha meta é que isso aconteça nos próximos 5 anos, para ir lendo em doses homeopáticas.
    • Eu leio Agatha Christie desde os meus 11 anos (o primeiro foi "Os 13 problemas"), mas eu vou considerar só os livros com resenha aqui no blog. Custa nada reler tudo o que eu já li, hahaha. Então, nessa contagem, são 26 livros. 
Eu vou manter as mesmas metas para 2017, com prazo adaptado:

  • Ler 1 livro por semana;
  • Ler 80% dos livros da lista dos 100 livros mais amados do Reino Unido até 2021.
  • Ler todos os livros da Agatha Christie até 2021.

23 de dezembro de 2016

Meio Sol Amarelo

Editora Companha das Letras - Capa Mayurni Okuyama

"Meio Sol Amarelo" é uma história de guerra, guerra feia, mas focada nos personagens humanos, tão humanos.

No Brasil, não estudamos direito a história da África, não conhecemos suas particularidades, e, arrisco eu, mesmo com toda nossa história que nos une a eles, sabemos pouco de sua cultura. Então esse livro é uma ótima janela para um povo, os Ibos, e o que foi a revolução de Biafra contra a Nigéria na década de 60.

A autora Chimamanda Ngozi Adichie deixa claro que há só inspiração, não fatos reais, mas é impossível não entender que relatos jornalísticos podem não ser tão fidedignos assim, e suspeitar do que sabemos sobre conflitos atuais.

Aliás, mesmo dentro do conflito - como acontece nessa história - é possível observar com clareza como o controle das informações para criar o medo pode ser uma ferramenta potente em uma guerra, ao fragilizar tanto as pessoas, mesmo se as pessoas acreditam piamente na vitória.

É uma história tremendamente triste. E bonita. E incrível.