16 de março de 2019

A glória e seu cortejo de horrores

Editora Companhia das Letras - Capa Alceu Chiesorin Nunes

Fernanda Torres é muita conhecida por ser atriz, e filha da Fernanda Montenegro, mas ela também é escritora e eu gosto muito dos dois livros que eu li dela: o Fim e esse mais recente: "A glória e seu cortejo de horrores", que só o título já é ótimo.

Interessante que os dois livros tem narradores - e personagens principais - masculinos, e eu realmente nunca vi dentro da mente de um homem, mas a narrativa da Fernanda Torres é envolvente, e totalmente verossímil. No caso desse último livro, um ator conta toda sua vida desde a juventude no teatro até o sucesso na TV, passando por uma peça shakesperiana patrocinada com dinheiro público fracassada, e a chegada na emissora religiosa. 

Não parece ficção, parece realmente a biografia de alguém que existe de verdade tamanhas as referências a fatos culturais do nosso país, sem realmente incluir alguém realmente conhecido.

Por fim, eu fui no lançamento do livro em São Paulo e foi fenomenal vê-la pessoalmente e ver sua mãe lendo o seu livro e dando vida para o personagem, junto com Antônio Fagundes. Ótimo também foi ver o Michel Laub na plateia, que é um dos meus autores preferidos, com certeza.

8 de março de 2019

The One and Only

Editora Hodder & Stoughton

"The One & Only" é um chick lit padrão, com uma personagem feminina bonita, inteligente, independente, e seus conflitos para ter um romance a altura das outras áreas da sua vida. Encosta-se em um ou outro assunto mais sensível, mas é isso.

Eu precisei ler a sinopse para lembrar da história, então não é nada marcante. A personagem principal adora futebol americano, e se torna jornalista esportista, então o assunto aparece pelo livro todo.

3 de março de 2019

Americanah

Editora Companhia das Letras - Capa Cláudia Espínola de Carvalho

As questões de racismo e gênero estão a cada dia mais expostas e a cada dia mais polêmicas. Não sei onde isso vai parar, mas espero que seja um caminho para mais respeito e apreciação pelas diferenças.

Dessa forma, um livro como Americanah é uma joia rara, ao trazer uma visão não "tradicionalmente ocidental" do tema. Escrito pela Chimamanda Nogzi Adichie, nigeriana, é uma visão de uma negra da sociedade norte-americana atual, e é tão bem feito, tão perfeitamente contextualizado, que é fácil esquecer que é um trabalho de ficção.

A personagem principal, que vai para os Estados Unidos após a faculdade, até tem um blog em que comenta as questões raciais que se apresentam a ela, e ela vira uma referência no assunto, conseguindo até sobreviver de patrocínio e palestras - é uma vida de blogueira!

Outro ponto interessante do livro é o tanto de adjetivos e descritores para a pele negra - vários tons são diferenciados, e sempre de maneira positiva. 

Eu gostei muito de ler esse livro, assim como o outro livro dessa autora (Meio Sol Amarelo), e recomendo para todo mundo.

1 de março de 2019

The Year of Magical Thinking

Editora Harper Collins - Capa

Quando eu estava pesquisando livros sobre luto, essa obra de Joan Didion, "The year of magical thinking", aparecia em várias listas. Eu comprei, e demorei vários meses para começar a ler. Só a sinopse mostra o tamanho da tragédia: a filha de Joan é internada de emergência numa UTI, inconsciente. O marido morre de ataque cardíaco. Algum tempo depois, sendo escritora, ela começa a escrever sobre esse processo.

No prefácio, há uma citação do The Guardian dizendo que esse livro não tem respostas fáceis. Aliás, acredito que nem resposta tenha. É sobre o luto de alguém, elaborado em palavras, com algumas informações técnicas e psicológicas sobre como se lida com a morte e as doenças graves. 

Uma das informações que eu achei interessante é que já caracterizaram o luto como uma doença, dada às alterações emocionais e físicas que ele causa. Embora seja algo a que praticamente todas as pessoas passam, não se parece tornar mais simples a medida que a humanidade "evolui". A morte não nos é natural mesmo.

Além disso, é um retrato sobre um casamento duradouro e feliz, algo que parece tão raro hoje em dia, principalmente entre famosos. Joan e seu marido Jonh tem um relacionamento estável, com respeito e conhecimento mútuo profundo. De certa forma, além de falar de luto, esse livro fala também desse tipo de amor, e o que ele deixa de vazio quando uma parte vai embora - sem briga, sem conflito, sem um aviso prévio.

É um livro triste, real, relevante. Sem respostas, sem soluções, sem saídas. É um livro humano.


25 de fevereiro de 2019

50 Brasileiras Incríveis para Conhecer antes de Morrer

Editora Record - Capa Renata Vidal

Esta aí uma moda boa: livros com perfis de mulheres para divulgação de conquistas e sucessos de pessoas reais. O livro "50 Brasileiras Incríveis para Conhecer antes de Morrer" é o exemplar tupiniquim dessa tendência, preparado por Débora Thomé.

O livro de capa dura é para durar bastante tempo, os textos são breves e claros, sem linguagem difícil, bom para crianças mesmo (sugiro a partir de 5 ou 6 anos), e cada brasileira tem seu retrato lindamente ilustrado. São várias ilustradoras diferentes, então é uma beleza apreciar diferentes estilos.

A autora compilou mulheres antigas e mulheres recentes, algumas ainda vivas, das diferentes áreas - ciência, humanas, artes, esporte. É uma grande inspiração para todas as meninas e meninos.

21 de fevereiro de 2019

O orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares

Editora Intrínseca - Capa (adaptada): Vivian Oliveira

Eu não sei o que veio primeiro: a ideia de escrever uma história e ilustrar com fotos com "efeitos especiais" antigas ou usar as fotos antigas para escrever uma história, e de ambas as formas é uma boa ideia. Ransom Riggs tornou crianças reais às antigas manipulações, e criou um universo em que elas tinham que se esconder para sobreviver. Em ambientes parecidos com escolas, onde elas vivem eternamente um único dia, não envelhecem e são supervisionadas por mulheres especiais. Aí chega o protagonista que é mágico sem saber que é mágico - e é surpreendido por uma missão de salvar o mundo. Bom, aí temos Harry Potter tudo de novo.

Os livros tem nomes interessantes: "O orfanato da Srta Peregrine para crianças peculiares", "A Cidades dos Etéreos" (Londres, by the way), e "Biblioteca das Almas". (Parece que lançaram um 4o livro, além do filme). (Mudaram praticamente todos os super poderes das principais crianças entre o livro e o filme, e realmente parece que mudaram cenas essenciais, porque as soluções do livro não vão funcionar na tela dessa forma - e eu não vou assistir para saber).

A ideia é boa, as situações inusitadas, mas realmente não me encantei pelos personagens - principalmente pelo garoto que fica sofrendo por 3 livros inteiros sem saber o que quer da vida. Ok que isso é a maioria dos adolescentes, deve ser intrínseco, mas eu prefiro que líderes sejam líderes com um pouco mais de determinação, mesmo que de vez em quando transpareça uma auto-dúvida (Sim, Harry Potter).

19 de fevereiro de 2019

Obra Completa

Editora Companhia das Letras

A Obra Completa de Raduan Nassar não é extensa, mas é incrivelmente densa. Com uma linguagem elaborada e um estilo característico, não é uma leitura simples. O leitor é jogado para dentro da mente do personagem, e fica ali, mudo de espanto, vendo se desenrolar um conflito imprevisível e tenso. 

Sem informações externas, temos o que o personagem vê, ouve, pensa, e vamos construindo uma realidade que talvez exista, talvez não exista, e é totalmente enviesada. Certamente, são histórias boas de ler com um amigo, e ir destrinchando o texto, discutindo pontos de vista, desdobrando toda profundidade psicológica que ele apresenta.

Literatura brasileira de qualidade.