12 de dezembro de 2018

O Inferno dos Outros

Editora Companhia das Letras - Editora Alceu Chiesorin Nunes

Eu comprei esse livro depois que ouvi David Grossman falar numa entrevista. Judeu israelense, primeiro foi militar depois começou a escrever livros. "O Inferno dos Outros" é sobre um comediante de stand up. Realmente não é uma mistura que a gente vê todos os dias, então eu tinha que comprar o livro mesmo. (Comprei assinado, então valeu a pena mesmo tendo demorado anos para finalmente lê-lo. Eu aderi completamente aos livros digitais).

Nessa história, Dovale convida um amigo de infância para assistir ao seu show de stand up e dar um parecer sobre o que ele vê - um parecer técnico, de alguém que é um juiz aposentado, e passou a vida analisando as pessoas. Por mais estranho que seja - e por mais sem graça que seja (não é um livro engraçado, definitivamente) - é um livro emocionante sobre amizade e gentileza. Como você pode não entender outra pessoa, às vezes convivendo com ela quase que diariamente. Como é difícil ser gentil com as pessoas, se você as conhece ou não, e como a gentileza não é valorizada ao se ver acontecer - quando se é foco da atitude, pode marcar uma vida.

Eu gostei muito desse livro, mas sei que causa realmente uma estranheza, um desconforto. Mas será que não é isso que os bons comentários sarcásticos fazem? 

10 de dezembro de 2018

A Torre Negra

Editora Planeta - Capa

A Torre Negra é um livro para fãs do C.S. Lewis. A começar que a história que dá título ao livro não está completa. Há trechos faltando no manuscrito original. A história não acaba! E é uma ficção científica bem estranha. Eu fiquei com uma sensação de deja vu - de já ter lido ou visto um filme com a mesma proposta dessa história, mas não consegui identificar onde. (E reparem que há um livro mais famoso com o mesmo título do Stephen King).

Essa edição inclui "outras histórias" que são contos mais interessantes (mais curtos e com a grande vantagem de estarem completos). O que eu mais gostei foi um que coloca um mistério na lua, para onde já foram vários astronautas que nunca voltaram. Era um mundo mais mágico esse que dava para imaginar mistérios logo ali na Lua. (Agora eles não estão nem em Marte).

Eu realmente prefiro o C.S. Lewis não ficcional.

4 de dezembro de 2018

Pastoral Americana

Editora Companhia das Letras - Capa Ângelo Venosa
Philip Roth sempre esteve cotado para ganhar um prêmio Nobel - e aí ele morreu esse ano, e isso acabou não acontecendo. Um dos seus livros mais famosos é Pastoral Americana, e agora que eu o li, posso dizer que realmente merece a fama.

A história é ótima - e embora não seja recente - continua muito atual e pertinente, mesmo sendo um retrato da sociedade ali do meio do século XX para a frente. Um clássico. Um ponto de início de reflexão - sobre sociedade, preconceito, riqueza, relacionamentos, liberalismo, educação de filhos. Um exemplo de maestria em cunhar literatura - a forma da narrativa, o estilo, a fala de cada personagem é um primor. 

É um livro que flui, mas é um livro que também incomoda, e torna os personagens tão vivos como se a gente pudesse encontra-los nas páginas dos jornais. Hoje, em 2018. Quem puder, não deixe de ler.

2 de dezembro de 2018

How to Fall in Love

Editora Harper Collins

Cecelia Ahern começa zuando os livros de auto-ajuda que prometem ensinar alguma coisa - qualquer coisa - em alguns passos. A personagem Christine Rose tem obsessão por esses livros, e os coleciona aos montes, e planeja escrever o seu próprio um dia. Essa é a linha cômica da história.

Até que um dia, logo depois do seu divórcio e em sitação inusitada, ela encontra um carinha que, obviamente, é "O" cara perfeito, mas ela se coloca numa empreitada para ajuda-lo a reconquistar a ex. Tem mais detalhes nessa história, mas esse resumo e o estilo da autora já basta para perceber que teremos um final feliz, não?

A parte surpreendente para mim foi a abordagem do assunto sério do livro (essa literatura melhor para garotas sempre tem um assunto sério para dar peso emocional), que foi muito sensível e coerente. Recomendo muito essa jornada para descobrir como se apaixonar (acho que tem umas dicas boas mesmo).

20 de novembro de 2018

Breve História de 7 Assassinatos

Editora Intrínseca
O livro de James chama-se "Breve história de sete assassinatos", mas de breve não tem nada - são quase 800 páginas - uma longa jornada de leitura. Eu achei interessante o começo: quem estava narrando a história era um morto, me deu aquela sensação de Brás Cubas. Mas os personagens vão se alternando como narradores dos capítulos, ou personagens brevemente principais, e a história fica bem confusa. Além de violenta.

Muito violenta. O livro se passa na Jamaica, na época de Bob Marley (citado sempre como "O Cantor"), e retrata as comunidades, as gangues, as disputas de poder do submundo. Então é muita violência, muito palavreado xulo, muita construção de frase que eu acho difícil de seguir. Claro que isso é mérito do autor: trazer para a grande literatura (e ganhar o Man Booker Prize) um relato sobre a periferia de um país de 3o mundo, mas não é confortável de ler.

Nada confortável. Então eu pensei em desistir, demorei algumas semanas, insisti novamente de pura curiosidade para ver aonde estava indo. Gostei da personagem Nina e de sua posição na história e de toda sua trajetória (o livro dá um salto no tempo, então mesmo no tempo da história não é nada breve). Achei interessante ver esse outro lado da vida - e fiquei pensando se a história numa favela do Rio não seria parecida.

Parecida, mas diferente em muitos aspectos. Acredito que vale a leitura caso você se interesse por uma cultura diferente no espaço e no tempo, uma trama urbana, uma literatura experimental (e foi classificado exatamente assim pelo pessoal do prêmio), mas é um livro a se conquistar com labuta, e não facilidade.

14 de novembro de 2018

Na Dor e na Alegria

Editora Cultura Cristã - Capa Ideia Dois Design

Eu gosto de ler livros sobre casamentos - afinal, não é nada trivial uma empreitada em que se pretende passar décadas.

"Na dor e na alegria" já se mostra interessante por ter sido escrito por um casal, Jim e Sally Conway, que nós vamos descobrindo ter vários anos de casados e vários anos de aconselhamento a outros casais, como pastor e líderes da igreja. O livro foi escrito na década de 90, e realmente não sofre os efeitos do tempo: "as características de um casamento duradouro", como diz o subtítulo, parecem continuar as mesmas.

Eles são bem diretos para apontar dedos para atitudes erradas típicas de um e de outro lado da relação, mas também mostram o caminho para entender quem pode ser essencialmente diferente de você. Diante de qualquer crise, vale a máxima: o que você pode fazer para mudar e melhorar essa situação? E não esperar que o outro magicamente fique melhor.

Em vários pontos do livro, eles se referem a uma pesquisa que fizeram com centenas de casais, separando as respostas de "casais felizes" e "casais em crise", então dá para diferenciar o que um tem e por isso deve estar relacionado com o sucesso do casamento e o que faltou para o outro.

Como spoiler especial, a característica mais importante que eles consideram como preditivo de um bom casamento é o compromisso. (Vocês realmente não pensaram que era o amor, né?) Trata-se da decisão de ficar junto, comprometer-se com a outra pessoa, não importa a situação ou circunstância, na dor ou na alegria, na riqueza ou na pobreza, no stress ou nas férias.

Esse livro vale a leitura como momento de reciclagem para os casais casados há algum tempo, estejam passando por calmarias ou mares revoltos.

9 de novembro de 2018

O Amor segundo Buenos Aires

Editora Intrínseca - Capa Cláudia Warrak

Eu adorei esse livro do Fernando Scheller, a começar pela forma inusitada de narração. A cada capítulo, um personagem descreve outro, um amigo, o que acha dele, sua interação com essa outra pessoa. A partir daí, vamos entendendo cada um deles, de uma perspectiva de seus relacionamentos. O foco é realmente isso: relações que começam, que terminam, que se renovam - e não necessariamente amorosas, temos as relações de amigos também.

"O Amor segundo Buenos Aires" é sensível e romântico, e daria um filme, digno de seus personagens carismáticos. Aliás, a maioria deles é brasileiro vivendo lá, e junto com outros estrangeiros que passam por lá, temos um bom panorama de quem mora fora do seu país natal.

Por fim, Buenos Aires. A cidade está presente, onipresente, e, de certa forma, também se manifesta.

Um livrão de amor.