5 de agosto de 2018

Regarding Anna

Publicado por Florence Osmund - Capa Tugboat Design

Confesso que li "Regarding Anna" só porque tinha "Anna" no título, e continuei para ver no que ia dar. É uma história de mistério na década de 60 nos Estados Unidos, com a personagem principal (Grace) descobrindo que era adotada após os pais morrerem num acidente com monóxido de carbono em sua própria casa - então fica a curiosidade de saber quem é a mãe dela, e porque há um rastro de violência e ganhadores de dinheiro na sua história. Mas é uma trama um pouco forçada, e a escrita de Florence Osmundo não ajuda muito. É um livro só para quem gosta muito de livros de mistério e não tem mais o que ler mesmo.

1 de julho de 2018

Harry Potter and the Cursed Child

Editora Scholastic

Finalmente, li "Harry Potter e a criança amaldiçoada" - o livro que não ia existir e, bem, praticamente não existe, já que é uma peça de teatro. Confesso que eu estava guardando - essa última expectativa de acompanhar a história do Harry Potter e os incríveis personagens que o rodeiam (não me venham com Bichos Fantásticos, que ainda não rolou uma motivação para ler o livro ou assistir a série. Não é HP sem HP).

Eu acredito que John Tiffany e Jack Thorne, os criadores da peça e do roteiro que envolveram J.K. Rowling nesse projeto, para nossa felicidade, fizeram um ótimo trabalho. A história, 19 anos depois, é ótima. Continua trazendo conflitos humanos num universo mágico, e também dá respostas ou sacia o apetite para os fãs que ficam remoendo revisitando a história original.

Eu fiquei obviamente muito curiosa para ver a peça ao vivo - deve ser algo realmente impressionante, porque as cenas descritas são realmente coisas de filme. Depois de Londres e NY, será que é uma peça que chegará aos mares brasileiros? Esperamos que sim!

24 de junho de 2018

The Woman in White


"A Mulher de branco", de Wilkie Collins é um tijolo - 800 páginas e bem poucos personagens, então a história é lenta, cheia de enroscos - mas é interessante: um mistério bem articulado com pressupostos assassinatos e roubos de fortunas - e o pior de tudo: perdas de honra! (Aí prova-se que o romance tem mais de 150 anos mesmo).

Há um professor de desenho, Hartright, que conhece uma mulher, que, de costas, olhando por uma janela, é linda, elegante, interessante - e ela vira e ele se choca: é feia! Aí aparece a meia-irmã, muito parecida nas proporções, na elegância e - é linda! A primeira é inteligente, decidida, e sabe que é feia - então já se conformou em continuar solteira e apoiar a irmã linda (e rica) no que ela precisar. (Ou ela sabe que o melhor é não ter um marido que vá tolher sua relativa liberdade de solteirona). A irmã bonita é toda frágil, naive, limitada mesmo, mas por ser linda (e rica) tem os homens aos seus pés, inclusive o professor de desenho - que, verdade seja dita, amou-a pela beleza, por ser esse ideal feminino, e não por sua riqueza.

Vi agora que a BBC fez uma série, mantendo a época, mas dando toques atuais para alguns diálogos - deve valer a pena.


31 de maio de 2018

A Guerra não tem Rosto de Mulher

Editora Companhia das Letras - Capa Daniel Trench

Svetlana Aleksiévitch ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2015, e comentaram que sua escrita era documental, baseada em relatos de depoimentos relacionados a sobreviventes da II Guerra Mundial e Tchernobyl. Fiquei curiosa, é claro, e esse ano chegou a hora de me surpreender.

"A guerra não tem rosto de mulher" é incrível, supreendente, um lado da humanidade - um lado da guerra - que a gente não imagina, não consegueria imaginar se não fosse contado para a gente. Incrível que tem tantos filmes e livros sobre guerra, e como essa visão feminina não tenha aparecido antes. Sabemos da Joana D´Arc, claro, mas e todas as mulheres que resolveram pegar em armas? As espiãs? As com funções administrativas? As enfermeiras? As mulheres que lavavam roupas... existiam lavadeiras na guerra, e eu nunca tinha pensado nisso.

Esse livro reforça a minha ideia de que homens e mulheres são diferentes sim. Mesmo nas mesmas funções, no mesmo lugar, no mesmo evento - são diferentes. E isso não é ruim.

No livro, a autora tanto descreve o que ela ouviu das mulheres que entrevistou, assim como também a sua jornada de busca por depoimentos, e como foi filtrar / escolher o que entraria no livro e até com que ela queria falar, já que era muitas mulheres mesmo que a começaram a procurar quando descobriram o trabalho que ela estava fazendo.

Realmente, digna de ganhar um prêmio nobel e, seu livro, digno de ser lido por todo mundo que quer conhecer o que é humanidade.

21 de maio de 2018

O Gato diz Adeus

Editora Companhia das Letras - Capa warrakloureiro
O Michel Laub tem um estilo peculiar de contar histórias, fazendo com que a forma seja tão importante quanto a história em si. Em "O Gato diz Adeus", um dos seus primeiros livros, já vemos o nascimento desse estilo, através de uma narrativa por 3 personagens, em que um deles vai tendo sua própria história revelada a medida em que escreve.

É um livro curto, para ler de uma sentada só, bem curioso - assim como o título que não entrega nada.


18 de maio de 2018

Os Pilares da Terra

Editora Arqueiro - Capa Ana Paula Daudt Brandão

Logo na introdução, o autor Ken Follett fala sobre sua saga de escrever um livro sobre a construção de uma igreja na época medieval - como nasceu seu interessa, sua pesquisa, os vários anos detalhando a história - e depois como foi difícil publica-lo, e como o sucesso veio organicamente, através do boca a boca e influenciadores especiais, como a Oprah, que divulgou o livro em seu clube de leitura. Hoje, já existe até uma minissérie sobre ele.

"Os Pilares da Terra" é um mega tijolo - mais de 800 páginas - numa história que cobre várias décadas. Há personagens cativantes, mulheres fortes e empreendedoras (o que eu não sei dizer se é projeção da nossa modernidade ou algo real), mas muito muito sofrimento como só uma civilização na base do salve-se como puder pode oferecer a você.

Eu desanimei um pouco no começo do livro porque eu imaginava as centenas de páginas que faltavam (no livro digital não são fisicamente tangíveis) e pensava: nossa, como eles ainda vão sofrer!... Mas perseverei, e cheguei no bom final.

Esse livro é anterior ao Mundo sem Fim, que também foi escrito depois. Eu achei Pilares da Terra muito interessante, mas eu gostei mais do Mundo sem Fim, achei mais elaborado, talvez, mais tramas principais que evitam que tudo de mal e de bem aconteçam com os mesmos mocinhos das história. No entanto, ambos valem muito a leitura pelo panorama incrível da Idade Média que trazem e nós desconhecemos em sua maioria.

29 de abril de 2018

Como ser mulher

Editora Paralela - Capa Alessandra Kalko

"Como ser mulher" tem o seguinte subtítulo: "Um divertido manifesto feminista" e é exatamente disso que se trata: uma discussão feminista sobre temas práticos e diretos - trabalho, estética, maternidade - sem papas na língua e uma ótima dose de humor.

Eu me diverti muito com  a Caitlin Morán, ela parece ser uma mulher muito engraçada e culta também. O mais interessante é que ela é a mais velha de 7 ou 8 irmãos, e foi criada por pais "hippie" no interior da Inglaterra, e não teve nada parecido com uma educação formal - pelo visto, em sua adolescência, ela era "ensinada" em casa pelos pais, o que significava na prática: ler todos os livros que ela quisesse da biblioteca. Minha teoria é então que livros podem complementar e até substituir a escola, desde que, é claro, seja bons livros - e não qualquer livro para adolescentes que estão abundando por aí. 

Eu realmente gostei muito de tudo o que ela escreveu, e achei que faz todo o sentido mundo, e eu concordo bastante com quase tudo - menos com o capítulo sobre o aborto - aí divergimos completamente.

Eu grifei alguns trechos e passei para alguns amigos e um dos que eu mais gostei foi esse:

"Por que não fizemos nada? Com base em minhas próprias experiências pessoais, 100 mil anos de superioridade masculina têm sua origem no simples fato de que os homens não pegam cistite. Por que não foi uma mulher que descobriu a América em 1492? Porque, na época anterior aos antibióticos, que mulher ia se arriscar a chegar no meio do Atlântico e passar o resto da viagem agarrada à latrina chorando e ocasionalmente berrando pela escotilha: “Alguém aí já está vendo Nova York? Preciso de um cachorro-quente”. Do ponto de vista físico, somos o sexo frágil. Não somos tão boas erguendo pedras, matando mamutes ou remando. Além do mais, o sexo com frequência acarreta na complicação adicional de nos deixar grávidas e faz com que nos sintamos “gordas demais”para liderar um exército que vai invadir a Índia. Não é coincidência que as iniciativas em prol da emancipação feminina só tenham começado a surgir depois das exegeses gêmeas da industrialização e da contracepção —quando as máquinas fizeram com que ficássemos iguais aos homens no local de trabalho e a pílula fez com que ficássemos iguais aos homens na expressão do desejo. Em épocas mais primitivas —que eu pessoalmente considero qualquer época antes do lançamento de Uma secretária de futuro, em 1988 —, o vencedor sempre seria qualquer um que tivesse força física suficiente para derrubar um antílope e uma libido que não terminasse com gravidez e morte no parto. Por isso, aos poderosos era dada educação, discussão e concepção da “normalidade”. Ser um homem e viver como um homem era o normal: todo o resto era “o outro”. E, como “o outro”—sem cidades, filósofos, impérios, exércitos, políticos, exploradores, cientistas e engenheiros —, as mulheres saíam perdendo. Não acho que o fato de as mulheres serem vistas como inferiores seja um preconceito com base no ódio que os homens têm de nós. Quando se olha para a história, é um preconceito baseado em fatos."

Piada, com fundo de verdade. A melhor forma de piada e de verdade.