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10 de setembro de 2025

Despertar

 

Editora Recriar

O livro "Despertar" de Karen Colares é uma introdução sobre teologias feministas, e ela explica as principais vertentes, diferenciando os pressupostos de cada linha.

Os primeiros capítulos parecem ter uma linguagem mais técnica, de quem estuda Humanas, e para mim, ficou menos fluido, mas os capítulos de interpretação prática são mais claros.

A autora questiona o Cânone das Escrituras e a autoria de alguns livros, mas contribui para nossa reflexão sobre o texto bíblico, o contexto cultural e a identidade e o papel da mulher hoje, mostrando claramente como Jesus, além de Salvador, foi totalmente disruptivo em relação a sociedade da época, respeitando e valorizando as mulheres com as quais interagia, e os conhecimentos que passava.

Eu recomendo para quem se interessa sobre feminismo e fé cristã.


31 de janeiro de 2025

Igreja é Essencial

 

Editora Fiel

Com a pandemia, muita coisa foi questionada - e embora o novo normal seja bem parecido com o antigo normal - algumas coisas mudaram.  Os autores americanos Collin Hansen e Jonathan Leeman escreveram esse livro para justificar o porquê - ou os vários porquês - a participação em uma igreja física, real, ainda é relevante e importante para a caminhada cristã.

Embora seja voltado para os Estados Unidos, é pertinente para o Brasil, fácil de ler, e bom para discussão em pequenos grupos na comunidade local.

3 de julho de 2021

De Eva a Ester: Um Relato sobre Grandes Mulheres da Bíblia

 

Editora Thomas Nelson Brasil

Débora Otoni e 12 amigas escreveram breves histórias baseadas em mulheres - muito conhecidas ou pouco conhecidas - do Antigo Testamento da Bíblia, que formam esse livro "De Eva a Ester". 

O projeto gráfico é lindo, no mesmo tom dessa ilustração linda da capa. Ou seja: não compre o livro digital, esse livro é para apreciar o texto e as ilustrações encherem as páginas. 

É um livro de ficção - ou seja, a partir do que está escrito na Bíblia, são desenvolvidas curtas narrativas - em primeira ou terceira pessoa, em prosa ou poesia, mais ou menos atualizadas. 

Por serem muitas autoras, a qualidade do texto é irregular, há claramente uns melhores que os outros. Mas o principal mérito do livro é justamente trazer luz para mulheres da Bíblia que são citadas, mas não são foco de pregações ou aulas. Mesmo para quem lê a Bíblia regularmente, pode não ter notado algumas dessas mulheres, e voltar ao texto original para re-conhecê-las é muito gostoso.

9 de maio de 2021

A anatomia de uma dor

 

Editora Vida

Uma das perguntas mais difíceis da vida é justamente sobre a morte. Como lidar?

A religião, a filosofia, a ciência, a psicologia buscam respostas e explicações, mas talvez elas sejam mais efetivas em trazer consolo e suporte para aqueles que ficam, do que propriamente respostas.

No livro "A Anatomia de uma dor", C. S. Lewis fala sobre o seu próprio luto ao perder a esposa Joy, e como um dos maiores teólogos do século XX, a caminhada vale a pena. 


17 de setembro de 2015

"Heretics" e "Ortodoxia"

Domínio Público

Editora Mundo Cristão

Ortodoxia é um clássico da literatura cristã escrito por G. K. Chesterton, que produziu muitas obras ao longo da sua vida. No prefácio dessa edição da editora Mundo Cristão escrito por Philip Yancey, são apresentadas anedotas da vida do autor que o tornam ainda mais fascinante - como a resposta que ele deu a um jornal ao ser perguntado qual era o problema do mundo - "Eu.". Ele era bem popular na sua época (final do século XIX, início do século XX), quando debates filosóficos ainda atraiam o interesse de muita gente - ele era um interlocutor costumaz de Bernard Shaw, por exemplo.

No primeiro capítulo de "Ortodoxia", ele diz que escreveu essa obra para responder a críticas ao seu livro "Heretics", que é basicamente negativo - ou seja, ele critica as filosofias que ele considera hereges frente ao cristianismo. Assim, eu parei por ali mesmo e fui procurar esse livro, que eu encontrei gratuito na Amazon. Eu achei um pouco difícil de acompanhar algumas partes não pela linguagem ou pelo nível de discussão filosófica, mas porque Chesterton considera que você conhece a filosofia ou linha de pensamento que ele está criticando, então é como ouvir só um lado da história (e o lado que só acha furo).

Voltando para "Ortodoxia", ele afirma que irá apresentar um relato pessoal de como o cristianismo fez sentido para a sua vida, discutindo seus principais conceitos, com muitas analogias e figuras para explicar as ideias. É interessante porque muita coisa faz sentido (nos dois livros), mesmo eles tendo mais de 100 anos.

Não é preciso ler Heretics para entender Ortodoxia, o qual é mais atemporal e fácil de entender (daí se entende porque ele é o clássico). Recomendo essa edição da Mundo Cristão por conta do prefácio também.

7 de junho de 2013

Contos Reunidos

Editora Companhia das Letras - Capa  Hélio de Almeida
Engraçado como parece que na escola existem vários livros de contos, e depois eles somem da nossa lista de leituras... Gostei de ler essa grande coletânea do Moacyr Scliar, "Contos Reunidos", e conhecer mais desse autor. Ele realmente gosta de temperar suas histórias com pontos de absurdo e nem sempre "resolve" a situação, deixando o incômodo com o leitor, sem dó.

Vale notar as histórias "bíblicas", recontando algumas passagens com a perspectiva de outros personagens, como a família egípcia que sofre as 10 pragas do Egito no tempo de Moisés - não é que eu nunca tinha pensado nisso?

3 de junho de 2013

Altar Ego

Editora Zondervan - Capa Jason Gabbert Design

Eu conheci o autor Craig Groeschel no Summit de Liderança da Willow Creek (que eu muito recomendo) e eu gostei tanto de ouvi-lo falar, que resolvi arriscar a leitura do seu novo livro, Altar Ego - Tornando-se quem Deus diz que você é. Foi uma ótima escolha, porque ele escreve como fala, de uma maneira simples e direta.

É um livro de auto-ajuda, sim, mas baseado na Bíblia e sem forçar a barra - Groeschel fala sobre sua experiência e, mesmo sendo pastor, é bem sincero quanto aos seus pecados e suas dificuldades, o que torna a sua abordagem mais realista e convincente - e sem perder o humor (há alguns comentários bem engraçados). Esse livro é uma injeção de ânimo, daqueles livros de grifar e voltar a ler os trechos mais marcantes, e, de preferência, usar na vida mesmo.

16 de maio de 2013

Tiago - Transformando Provas em Triunfo

Editora Hagnos

Hernandes Dias Lopes reuniu nesse livro de comentário sobre a epístola bíblica de Tiago textos referentes a suas pregações sobre a carta. Assim como o livro bíblico não é longo, cada texto é curto, e a leitura de "Tiago - Transformando provas em triunfo" é fácil, embora não seja superficial em conteúdo. 

(Aliás, um dos textos, sobre a unção de enfermos, é o mais longo e cheio de referências e realmente destoa do livro, ficando muito acadêmico - o que não acho que faz sentido para o leitor médio, embora possa ser usado como referência.) 

Esse livro foi usado como referência para a escola bíblica dominical da minha igreja na classe dos jovens, e foi um ótimo ponto de partida para diversas discussões de assuntos relevantes para a nossa vida atual - recomendo então tanto como livro texto de aula como para ler em casa e edificar-se sozinho.

24 de abril de 2013

Vida Cristã Fora da Caixa

Editora Ultimado – Capa Ana Cláudia Nunes

Tem pessoas que fogem do comum – e ler um livro de uma delas é um refresco bem merecido para os dias de hoje, ainda mais quando se fala em cristianismo. Tem tanta gente falando besteira por aí, criando regras, passando ideias erradas, que acaba por afastar os outros, principalmente os jovens, de Cristo.

Por isso, o livro do Marcos Botelho, “Vida Cristã Fora da Caixa”, é tão importante para esse público – que não quer a fórmula enlatada, mas uma visão crítica que não menospreza a inteligência, nem deixa a Bíblia de lado, ou tira Deus do centro.

Em textos curtos e diretos, Botelho caminha por assuntos diferentes – oração, vocação, sexo, namoro, violência, política, arte, igreja, que podem ser pontos de partidas para pregações ou conversas de bar (por que não?), ou no mínimo para ficar incomodando dentro da cabeça e fazer agir diferente. Sair da caixa pode não ser fácil, mas abre todo um horizonte...

19 de fevereiro de 2013

Os Versos Satânicos

Editora Companhia das Letras - Capa Jeff Fisher
Às vezes parece que existe uma fórmula para um livro ganhar prêmios - e ela deve passar por uma história complexa, com saltos temporais, elementos fantásticos e abordagem inusitada de assuntos polêmicos. Tudo isso faz parte de "Versos Satânicos" de Salman Rushdie, o livro que o condenou a morte pelo Aiatolá Khomeini. Compreensível, pela versão que ele conta das circunstâncias das revelações do profeta Maomé...

É possível perceber como uma história vai ser não convencional quando o resumo do livro é: dois atores indianos caem de um avião que explode no ar e se transformam num anjo e num diabo. Vai ser realmente uma viagem. 

Esse livro é muito bem elaborado, original e criativo, mas é difícil de não se perder um pouco e, no meu caso, de criar empatia com os personagens. Talvez um pouco pela falta de familiaridade com a cultura indiana e, particularmente, a religião muçulmana - e há muitas referências a elas. Quem estiver curioso, precisa ter bastante motivação, essa edição de bolso tem 600 páginas.

7 de setembro de 2012

O avesso da vida

Editora Companhia das Letras - Capa Jeff Fisher

A proposta desse livro é inusitada: a cada capítulo, a narrativa volta e muda um ponto crucial da história, que é o que dá vontade de fazer com a nossa vida, às vezes - não em escolhas, mas em fatos grandes - o que aconteceria se fulano não tivesse morrido?

Se fosse só isso, o livro seria simplesmente uma viagem, mas o autor Philip Roth resolve mergulhar nas questões de identidade judaica, e aí, para o leitor brasileiro, o livro se torna realmente uma viagem. O núcleo principal são de judeus norte-americanos, mas há também uma viagem para Israel e para a Inglaterra, e há uma reflexão e discussão sobre o papel e a posição dos judeus no mundo, do ponto de vista de diferentes personagens. A história se passa cerca de 30 anos atrás, então, está muito mais próxima das guerras que consolidaram o território de Israel no pós-guerra.

Esse foi a leitura do clube do livro, e realmente não houve muita empatia, apesar dos pontos interessantes que ele pode aborda. Parece que há outros bons livros desse autor (super prestigiado nos Estados Unidos), mas acho que ele vai demorar para voltar a minha lista de leitura.

15 de agosto de 2012

A Cruz de Hitler

Editora Vida - Capa Marcelo Moscheta
Talvez você, como eu, já tenha lido mais sobre a II Guerra Mundial do que razoável, pois esse é um tema que realmente permeia muito da literatura ocidental recente - seja do ponto de vista dos alemães, dos judeus nos campos de concentração, dos sobreviventes, dos filhos dos sobreviventes. Talvez você, como eu, fuja um pouco desse assunto, porque é a quantidade de sofrimento gerada por ideologias racionalmente, humanamente, inexplicáveis é tão grande que pode fazer você perder a fome, o sono, ou a fé na humanidade.

No entanto, esse livro me foi recomendado e eu fiquei interessada, como cristã, pela abordagem desse pastor, Erwin Lutzer, em - tentar - explicar o papel da igreja cristã na Alemanha que se formava nazista. "A Cruz de Hitler" é a própria suástica, que, antes mesmo de começar a guerra, já era substituída - voluntariamente ou não - nas igrejas católicas e protestantes do país, segundo os registros históricos citados (e eles são vários).

Em resumo, a igreja foi "levada" a apoiar Hitler ou a se omitir frente às atrocidades cometidas, pelo mesmo motivo que influenciou todo o povo alemão (com honrosas exceções, tanto cristãs como não): as dificuldades econômicas e um discurso de valorização nacionalista toca fundo no coração das pessoas quando a realidade é de escassez e repressão. O que é óbvio, já que a igreja é formada por homens e mulheres, que podem se enganar, errar, pecar. Naquele momento, ela estava errada e ponto, principalmente porque seu comportamento não condizia com o que Deus da Bíblia esperava dos seus seguidores.

O autor também explica porque Deus permitiu que isso acontecesse com o seu povo (os judeus), ou porque, mas amplamente, Hitler existiu e agiu daquela forma, teologicamente falando, numa perspectiva do Deus que é amor. Para esse assunto, e uma explanação mais completa do que eu pincelei aqui, recomendo o livro original, claro (que pode ser controverso em algumas partes - adianto, para explicar que não concordo nem discordo de algumas posições do autor).

24 de junho de 2012

1 e 2 Timóteo e Tito - Introdução e Comentário

Editora Vida Nova
As cartas pastorais do apóstolo Paulo são um ponto levemente fora da curva entre os seus outros escritos do Novo Testamento, pela sua própria natureza: 1 e 2 Timóteo e Tito são cartas pessoais, de um homem mais velho para jovens a quem ele quer bem, com orientações, comentários sobre conhecidos em comum e pedidos - como por exemplo, para pedir sua capa e pergaminhos. Esse tipo de expressão não é normal na Bíblia, e particularmente com relação a Paulo, de quem sabemos tanto de sua vida "missionária" ou desua doutrina através do livro de Atos e das outras cartas, é como se o homem Paulo revelasse um pouco de sua vida pessoal, um vislumbre, é certo, que deu margem a muitas especulações, mas um vislumbre.

Esta introdução e comentário de J. N. D. Kelly é um livro de estudo, em que diversas alternativas para interpretação são apresentadas, trecho por trecho e comentadas. Não é um livro novo, então não é a referência última sobre estas 3 cartas, mas foi interessante como uma visão geral e um ponto de partida para estudos mais aprofundados, se houver vontade.  

2 de junho de 2012

Graça Divina

Editora Fôlego
Estudando o livro de Efésios, não poderia perder a oportunidade de ler "Graça Divina", o livro do mais novo pastor da minha igreja, Alcindo Almeida - um leitor ávido e um escritor frutífero. Ele alterna capítulos com o Pastor Gilberto Moraes, fazendo um estudo abrangente e claro da carta de Paulo aos Efésios, mais fácil de ler do que a obra sobre o mesmo assunto de John Stott (cuja dificuldade está mais relacionada a densidade e a profundidade que o assunto é apresentado, não da maneira que é escrito).

Eu recomendo a leitura deste, porque, além de um livro de estudo, pode ser considerado como um guia prático de conduta, referenciando-se outros livros da Bíblia e aproximando as escrituras da nossa vida hoje. Esse livro faz parte da série "Intimidade com a Palavra", que eu imagino que deve ser na mesma linha.

É muito bom saber que a literatura cristã brasileira  pode contar com um autor como o Pr. Alcindo, jovem, contemporâneo, que escreve sobre a luz da Bíblia e a sã doutrina para todo mundo, sem ser floreado ou acadêmico demais. E melhor ainda é ter o privilégio de escutá-lo aos domingos também!

8 de abril de 2012

Este mundo tenebroso

Editora Vida

Depois de ter deixada bem clara minha (má) opinião sobre Deixados para trás, gostaria de comentar aqui sobre outro livro de ficção cristã, mas positivamente dessa vez. "Este mundo tenebroso" é praticamente um clássico, até pela idade mesmo (1986). Dividido em 2 volumes, é uma história emocionante e bem construída, na qual os eventos espirituais não são desconectados do que é chamado vida real, e bem embasado biblicamente.

Frank E. Peretti traz para o centro da trama literalmente a guerra espiritual de Efésios 6:11-12:

"Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes."
Ou seja, temos bem claros anjos e demônios (não aqueles dos programas de TV, claro, mas bem mais sutis e perigosos), e no meio disso tudo os homens, que podem lutar em qualquer um dos lados - consciente ou inconscientemente. Então, junto com as personagens principais, vamos descobrindo do que se trata essa luta do mundo tenebroso, e que o mal existe mesmo, e o que o bem pode fazer nesse cenário. Entre os pontos principais, estão o poder da oração e a leitura da Bíblia.
O fato do livro ter sido escrito na década de 80 faz com que a história soe ultrapassada, porque o mundo mudou muito nesses últimos 30 anos, mas o que não mudou é o homem, pode ter certeza disso.

21 de março de 2012

Deixados para trás

Editora United Press

Quem ia em igreja no começo da década passada (tempão, hein), lá por 2001, 2002, pode ter conhecido essa série americana de livros apocalípticos - Deixados para trás, escrita por Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins. Eu comecei a ler naquela época e parei. Aí que uns meses atrás (muitos), tinha uma promoção em uma loja virtual para comprar todos os 13 livros por uma miséria e eu não resisti (mas agora eu entendo porque era tão barato).

No final do ano passado, decidi ler tudo em 2012, finalmente. E eis que: desisti. Cheguei até o 3o livro, sofrendo. Pessoas, é muito mal escrito. A história é bem rasa (isso eu lembrava) baseada numa das teorias interpretativas do livro Apocalipse da Bíblia (os crentes serão arrebatados para o paraíso, e os deixados para trás terão 7 anos de muitas tribulações, praga, doença, guerra, morte antes de Cristo voltar), mas eu realmente imaginei que poderia ser interessante ver como os autores construíram uma história de ficção em torno desse tema. Mas não dá. O livro é uma enrolação, bem pouco verossímil na construção da história e os personagens tem tanta profundidade psicológica como uma piscina de bebê. 

Eu poderia insistir em ler a série, só pela meta, mas tem tanto tanto livro bom nesse mundo, que perder o meu tempo com isso é um desperdício. Se você pulou essa modinha (teve até filme), muito bem, não perdeu nada mesmo. 

30 de julho de 2011

A mulher que escreveu a Bíblia


Editora Planeta DeAgostini
Quando o Moacyr Scliar morreu, eu nunca tinha lido um livro dele... Isso não é mais verdade, com este "A mulher que escreveu a Bíblia".

Para contextualizar, o autor começa com um personagem, ex-professor de história que se torna terapeuta de vidas passadas, ajudando as pessoas a fazer regressão. Embora a picaretagem não seja deixada explícita, ele explica que as pessoas vão se lembrando do que aconteceu, por exemplo, "estou vendo um castelo que parece francês", e ele ajuda descrevendo Versailles e contando a história do Rei Sol, como era a vida na época e a pessoa vai confirmando...

Num determinado momento, ele conhece uma mulher e se apaixona por ela, criada em colégio católico, ela volta para a época de Salomão em Israel para entender porque não deu certo um relacionamento agora, o tempo passa - tudo isso é praticamente a introdução, bem rápida - o amor da vida dela vem buscá-la para fugirem juntos e ela deixa para o terapeuta um manuscrito do que aconteceu na vida passada dela, como esposa de Salomão.

A tal da mulher é a filha mais velha do chefe de uma aldeia, que é muito muito feia de rosto, mas boa de corpo, e por ser rejeitada acaba recebendo as atenções do escriba da vila que a ensina a ler e escrever. Quando ela é enviada para casar-se com Salomão por política, ele acaba por descobrir que ela não só escreve como faz isso muito bem e a coloca para contar a história do seu povo até os dias correntes, sendo direcionada por anciãos.

Na contra-capa do livro, fala que a história se trata da "busca da dignidade da mulher", mas o que realmente se Vê no livro é a busca por amor, ou mais especificamente, por sexo. A personagem principal passa o livro inteiro querendo transar - primeiro com um pastorzinho da aldeia (aí ela se satisfaz com - momento para o choque - uma pedra de formato especial), depois com o Salomão (que é lindo-tipo-galã-de-novela) que a recusa por ser muito feia (ou melhor, brocha). Tudo que ela faz é visando chamar a atenção do rei para ele vir se deitar com ela... Em qual contexto isso pode ser chamado de busca por dignidade?

Vale o comentário: o livro cita muito "Cântico dos Cânticos", um livro curto da Bíblia que relata o, vamos dizer, namoro entre um homem e uma mulher. É um poema, em que os atributos físicos mútuos são elogiados com muitas figuras de linguagem, sendo bem romântico e sensual. No livro, a personagem escuta trechos das conversas de Salomão e a rainha de Sabá, e isso que se torna o livro bíbilico depois.
Scliar faz uma narração despretensiosa e usando termos contemporâneos que não existiriam naquela época. A leitura flui muito bem, mas o tanto que se fala de sexo é constragedor - censura 18 anos...

13 de julho de 2011

Love Wins

Editora Harper Collins
Rob Bell é um pastor americano, que não tem lá muita cara de pastor. Primeiro, eu vi uns vídeos dele no youtube, sempre no mesmo formato - falando e andando. Para quem tiver a curiosidade, recomendo esse sobre amor - Flame e esse sobre tempestades na nossa vida  - Rain (legendados em português).

Depois, fiquei sabendo que ele escrevia e um amigo recomendou esse livro, que só pelo título e subtítulo diz a que veio: "Love Wins - A book about heaven, hell, and the fate of every person who ever lived" algo como "Amor Vence - Um livro sobre o céu (paraíso), inferno, e o destino de toda pessoa que já viveu".

O autor escreve como se tivesse falando mesmo, frases curtas, simples, às vezes uma palavra em cada linha como se para dar o ritmo da leitura. (Mas eu não tenho certeza se o vocabulário ou os conceitos discutidos sejam tão claros para quem não tem uma familiaridade com as ideias cristãs). Para ter uma ideia: o "trailer" é um trecho do livro.

Rob Bell discute no livro sobre salvação e o que acontecerá depois da nossa morte, e qual é o papel de Deus nisso tudo. Há duas linhas para cada um dos assuntos: alguns vão para o céu e alguns vão para o inferno ou todos vão para o céu no final; Deus é soberano e define quem irá para o céu aceitando a salvação ou então Deus oferece a salvação e as pessoas podem recusar sua vontade. (Ok, estou tentando deixar isso simples, então levem isso em conta).

A doutrina presbiteriana é calvinista e defende a predestinação e a soberania de Deus, ou seja, Deus escolhe algumas pessoas, que receberão a fé para crer na salvação por meio de Jesus Cristo, que é irrecusável. O que o autor apresenta é quase o oposto disso: Deus quer que todas as pessoas sejam salvas, ou vão para o céu, mas a pessoa tem que aceitar. Se ela não quiser, então ela irá para o inferno, independente de qualquer coisa que Ele possa fazer.

Mesmo com entendimentos diferentes da Escritura, há um ponto em comum: a graça. Não há nada que alguém possa fazer para ir para o paraíso. Deus fez todo o trabalho: por meio da morte e ressurreição de Cristo, ele garantiu uma maneira das pessoas "irem para o céu", ou serem salvas, ou qualquer que seja o termo que você queira usar. Não existe mérito. Existe somente graça, algo que a gente recebe.

Mas mais que isso, o livro deixa claro dois pontos que eu acredito deveras importantes: Não dá para julgar quem vai para o céu e quem vai para o inferno. Não estamos aqui para isso. Não é trabalho nosso. Quem diz que sabe, está viajando. O segundo ponto é que, mais do que nos preocuparmos com o que vem depois, devemos viver nossa vida se preocupando e agindo para termos o Reino de Deus aqui e agora. Ou seja, trabalharmos pela justiça social, para que todos tenham comida e abrigo, para que o Amor de Deus seja algo real entre as pessoas, entre todas as pessoas.

Eu li este livro no kindle, então não posso emprestar para ninguém... Que droga que não seja permitido emprestar livros digitais!

29 de janeiro de 2011

The memoirs of Sherlock Holmes

Esse é o 2o livro da minha trilogia de contos do detetive Sherlock Holmes, cujo primeiro está resenhado aqui (composta por "Adventures of...", "Memoirs of..." e "Return of..." - recomendo fortemente ler na ordem!!!!). Estou lendo com intervalos para durar mais...
Para fazer jus ao nome do livro, há algumas narrativas que Holmes conta a Watson de quando ele era jovem e estava na faculdade - as memórias de Sherlock Holmes, sem a presença do elementar-meu-caro-Watson (adoro essa expressão mesmo!).

Em um dos contos, aparece o irmão de Sherlock, Mycroft (ô mãe criativa!), que segundo o querido detetive é mais talentoso para observações e deduções. "E por que então ele não é famoso? Não aparece nos jornais? Não está ajudando a desvender crimes por aí também?", pergunta Watson. A resposta é simples:

"Ele não tem ambição e energia. Ele não sai da sua rotina para verificar suas próprias soluções e prefere ser considerado errado do que se dar ao trabalho de se provar certo. Várias vezes eu levei um problema a ele e recebi uma explicação que depois se provou correta. E mesmo assim ele é absolutamente incapaz de trabalhar nos pontos práticos que devem ser resolvidos antes de um caso ser apresentado para um júri ou juiz."

Interessante, não? Acho que isso acontece mais vezes do que imaginamos, no nosso próprio círculo de amigos e conhecidos. Pessoas talentosas que não sabem o que fazer com seu dom, ou não aproveitam para obter resultados que podem ser bons para ela ou para outras pessoas, e pessoas nem-tão-talentosas assim que chegam muito mais longe. Vejam bem, é claro que Sherlock também é muito talentoso - mas ele próprio reconhece seu irmão como seu superior nas qualidades que lhe são fonte de renda e fama. Mas é aquela história: tem tanta gente com a faca e o queijo na mão e não faz nada com isso! Falta a vontade de cortar!

Depois dessa rápida reflexão a partir de um livro que é bem leve e gostoso de ler, quero colocar aqui outra citação que eu achei muito bonita mesmo - é o próprio Holmes que diz:

"Não há nada em que a dedução seja tão necessária quanto na religião. Pode ser construída como uma exata ciência pelo pensador. Nossa mais alta garantia da bondade da Providência parece para mim vir das flores. Todas as outras coisas, nossos poderes, nossos desejos, nossa comida, são todas realmente necessárias para a nossa existência em primeira instância. Mas essa rosa é um extra. Seu aroma e sua cor são um embelezamento da vida, não uma condição dela. É somente a bondade que dá extras, e por isso eu digo novamente que temos muita esperança por causa das flores."

18 de janeiro de 2011

Código Penal Celeste

Código Penal Celeste é o segundo livro que eu leio do Nilton Bonder (talvez algumas pessoas o conheçam pela obra A Alma Imoral, que já foi até adaptada para o teatro). Com isso, estou "aumentando" meu conhecimento sobre o judaísmo. Digo aumentando entre aspas, porque realmente não dá para estudar uma religião dessa forma, através de obras isoladas sobre elas. Então, o que eu tenho agora é uma visão bem parcial do Judaísmo por Nilton Bonder, esse rabino carioca, que não é muito convencional e aceito dentro de sua própria comunidade.
Considerando essa ressalva, posso comentar que o judaísmo é mais esotérico do que eu imaginava. Segundo a wikipedia, "esoterismo é o nome genérico que designa um conjunto de tradições e interpretações filosóficas das doutrinas e religiões que buscam desvendar seu sentido supostamente oculto." O que mais pode ser dito a respeito de um livro que interpreta os 10 mandamentos dando a eles um significado totalmente diferente e figurado?
Ele afirma ao longo do livro que Deus (ou D'us, já que o nome do Senhor não pode ser usado assim a toa)não se interessa entre o que é feito entre as pessoas, mas só entre a pessoa e Ele. Por exemplo, "não assassinarás":

"Os tribunais celestes não penalizam os assassinos por tirarem a vida da vítima. A violência, as lesões ou mesmo o homicídio são prerrogativas do livre arbítrio. Toda morte é parte do jogo da vida. (...) Os assassinatos acolhidos como infrações do fórum celeste serão sempre qualificados. A qualificação não é pela maldade ou malícia ao outro, porque responde por escolhas não-feitas ou por assassinatos de possibilidades. Todo assassino ou mesmo toda violência se origina na ilusão da falta de outra opção. É na inexorabilidade de seu ato que o assassino demonstra a sua incapacidade de perceber escolhas a ele disponíveis. Sua ausência é crime por algo não-feito - uma livre escolha. Todo assassinato se inicia numa morte interna através da negação de aspectos de si que constituem pequenos suicídios. Na verdade, todo assassino é um suicida. Matar o outro é escapar de perceber-se matando a sim mesmo."

Fui só eu ou vocês também se perderam no que é sentido figurado e o que é sentido literal? Todo assassinato literal é um suicídio figurado por não escolha? Ou toda não escolha literal é um assassinato figurado?
Bom, por aí vocês vêem o grau que eu não entendi o livro. Alguns pontos são interessantes sim, mas acho que é necessário muita boa vontade para pegar uma parte assim da Bíblia e expandir para tantos sentidos ocultos. (É interessante que várias referências, historinhas de exemplos, vem da tradição judaica - caso você não saiba, a tradição vale tanto quanto a Bíblia, ou quase, o que é bem diferente do cristianismo pós reforma).
Agradeço a Ania pelo empréstimo, e aguardo o livro A Alma Imoral! Outros livros dele, só se já forem validados (recomendados) mesmo.