29 de setembro de 2026

O homem não existe

 

Editora Zahar

O livro "O homem não existe", da Ligia Gonçalves Diniz, é um livro que dá vontade de falar sobre, trazer as observações que ela faz para a mesa de bar - mas as minhas tentativas começavam tentando explicar como "O homem não existe" é uma provação a expressão "a mulher não existe" (pode dar um google).

A autora não procura ser extensiva nos seus exemplos da masculinidade como retratada na literatura, apenas algumas obras emblemáticas são citadas em cada tema, muito do gosto pessoal dela - que, sinto em dizer, não coincidiu muito com o meu (e tudo bem). 

O livro é bom, senhoras e senhores (embora acredite que será mais lido por senhoras mesmo).




A Correspondente

 

Editora Tag

O livro da Virginia Evans, A Correspondente, foi uma sensação nos últimos tempos, e essa edição da Tag está realmente muito bonita, a começar pela capa que coloca um livro literalmente num envelope.

Livros epistolares não são muito comuns, mas são muito interessantes. Esse deixa algumas lacunas, apesar de preencher as principais, então não recomendo para quem gosta de tudo muito detalhadamente descrito. 

Além disso, a personagem principal é uma mulher mais velha, o que sempre me interessa na literatura. 

Há muitas referências a livros, e a amizade da narradora com a melhor amiga me lembrou minhas amizades de adolescência, que sempre volta para um: o que você está lendo, o que eu estou lendo. Maravilhoso, de deixar o coração quentinho. Recomendo.



24 de setembro de 2026

Orbital

 

Editora DBA

Orbital, de Samantha Harvey, ganhou o The Booker Prize de 2024 e entrou no meu radar: uma história um dia de 6 astronautas na estação espacial mais para lírica do que ficção científica, certamente é algo que me interessa.

O livro é realmente bonito, toca em vários aspectos da identidade humana, os relacionamentos ocasionais e longos, a tensão entre tecnologia e o mundo natural, até o propósito da vida de cada um. Acredito que, num clube do livro com as pessoas certas, o sentido poderia até se expandir e meu apreço pelo livro também, mas não consegui dar as 5 estrelas que eu imaginei que teria. É um ótimo livro mesmo assim. 

18 de setembro de 2026

The Remains of the Day

 

Editora Farber & Farber

Eu lembro vagamente de assistir o filme Os Vestígios do Dia, e só depois de realmente gostar do livro Never let me go, colocar "The Remains of the Day" na lista de interesse. Posso então afirmar com certeza: Kazuo Ishiguro, ganhador de prêmio Nobel, não decepciona.

Logo no começo da história, eu já estava encantada pelos personagens, pela forma delicada de narrativa, pelo tecido literário que nos envolve. Existem as dimensões humana, sociais e políticas da narrativa, mas nada é forçado ou demasiado, é denso, sem ser pesado. 

Brilhante, eu diria.


13 de setembro de 2026

Fique Comigo

 

Editora Harper Collins

Vejam bem, eu gosto de livros tristes. Tragédias. Mas novelão pelo novelão, sem algum requinte literário, tem me deixado apenas mal humorada com tanto drama. Talvez seja por conta da idade, mas "Fique comigo" da Ayọ̀bámi Adébáyọ̀, acabou caindo nessa categoria.

Começa com uma questão de infertilidade, e aí passa por perda de filhos, crise no casamento, infidelidades, com um pano de fundo político que eu acho que só foi sendo tecido ao longo do enredo para uma cena ficar mais tensa, mas sem um sentimento real envolvido. 

Eu entendo o apelo, de verdade, entendo quem se comoveu, sofreu, chorou, achou ótima a história, mas realmente me cansou a beleza. Não desisti porque é difícil mesmo prever aonde isso tudo ia parar, mas recomendo só para quem gosta de drama mesmo.

7 de setembro de 2026

The sea, the sea

 

Editora Penguin


"O mar, o mar", escrito por Iris Murdoch, ganhou o Booker Prize em 1978, e por isso que entrou na minha lista de leitura.

Antes mesmo de saber que o livro são as memórias de um ator-diretor inglês, não parece que existe algo de teatral, dramático e empoado nesse título? 

Charles Arrowby vai viver numa casa a beira-mar e já declara que está escrevendo suas memórias, mas também um diário. O livro tem mais de 500 páginas e, na primeira parte do livro, eu tive a impressão de que simplesmente QUALQUER coisa poderia acontecer. É um drama? Um romance? Vai surgir um ser mitológico e começaremos uma fantasia? Simplesmente qualquer coisa.

Logo em seguida, quando surgiram interações com mais personagens, comecei a perceber que Charles era a definição de narrador não confiável - até por seu excessivo egocentrismo, não era simplesmente possível acreditar no que ele estava escrevendo. Eu comecei a achar que ele estava mentindo propositadamente, depois achei que ele não percebia que estava mentido, ou se enganando. 

Continuei lendo, deveras curiosa, e sinto em dizer que continuo muito curiosa com tantas interpretações. Fico igual às leitoras de young adult: cadê o POV da mulher? Do outro personagem? de qualquer um?

Se você já leu, por favor, entre em contato. 


5 de setembro de 2026

Economia do Reino

 

Editora Thomas Nelson

O assunto de dinheiro - riqueza e pobreza - na perspectiva cristã sempre foi do meu interesse, e já vi muita discussão sobre isso, com diferentes pontos de vista.

Matheus Ortega, em seu livro Economia do Reino, apresenta uma abordagem simples e clara, estruturada em 4 perfis de pessoas que agem juntas em favor do reino de Deus (diferentes partes, o mesmo corpo). Para cada perfil, ele cita 3 boas características específicas e 2 perigos, ou seja, não há melhor ou pior. O fato de ser estruturado dessa maneira ajuda no entendimento (assim como partes ficcionais do livro), mas não me convenci completamente que todas as pessoas cabem exatamente nessas 4 caixinhas.

No entanto, não é esse o ponto - as pessoas podem mudar, e podem agir de maneiras diferentes em diferentes situações, então o entendimento do que é ensinado biblicamente sobre o assunto é o que importa. Há muitas citações bíblicas e referências a teólogos e escritos cristãos do primeiro século até hoje, então é realmente um livro repleto de ensinamentos muito ricos.

Eu recomendo com certeza, para aprender e também descansar em Deus sobre esse assunto.


1 de setembro de 2026

Histórias Apócrifas

 

Editora 34

Histórias Apócrifas foram escritas por Karel Capek há cerca de 100 anos, mas poderiam ter sido escritas ontem - de tão atuais. O autor da Tchéquia pega eventos da mitologia, bíblia ou mesmo de Shakespeare, e reconta trazendo muita humanidade, uma universalidade de emoções e desejos, tudo com muito bom humor.

Um livrinho gostoso de ler e de fazer pensar. Quem diria?