18 de julho de 2017

Good Night Stories for Rebel Girls

Timbuktu Labs - Capa Pemberley Pond

Feminismo de cá, feminismo de lá, algumas pessoas começaram a fazer estudos sobre a presença de mulheres no cinema, na literatura adulta, na literatura infantil. Muitos livros não tem nem uma personagem feminina, e se elas existem, elas não se pronunciam (não tem falas). Não de maneira explícita isso acaba por influenciar as crianças - o papel das mulheres passa a ser de coadjuvante e, de preferência, calado.

Isso claramente tem mudado nos últimos anos, mas "Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes" de Elena Favilli e Francesca Cavallo vai além e entrega o que o subtítulo promete: 100 contos de mulheres extraordinárias. Sim, histórias verdadeiras de mulheres atuais, do século passado, do milênio passado, que sonharam mais alto, chegaram mais longe, brilharam - basicamente, fizeram o que queriam fazer.

Não é que elas são extraordinárias comparando com a maioria das mulheres. Elas são extraordinárias comparadas com a humanidade em geral. São sucessos na ciência, no esporte, na política, em serviços humanitários, na arte, e até na pirataria. Existes homens que também são bem sucedidos e brilhantes? Sim. Mas é incrível como parece difícil citar 100 mulheres de sucesso em diversas áreas - e esse livro o faz, assim como o volume 2 que está sendo lançado também em crowdfunding. 

A proposta desse livro é clara e nobre: mostrar para as crianças do mundo que não tem nada que uma mulher não possa fazer que alguma outra já não tenha feito também - pode não ter sido fácil e pode não ser fácil, mas isso não é motivo para não sonhar alto e correr atrás do que se quer fazer.

13 de julho de 2017

The reinvention of Mimi Finnegan

Editora Kissing Frog Publications

A reinvenção de Mimi Finnegan, de Whitney Dineen, é para ler sem pensar. Na história, a "patinho feio" da família verdade vai virar um cisne logo logo (afinal é tão bonita, inteligente, esperta como as irmãs, bem sucedidas, mas ainda por cima é um coração de ouro), apesar de sua baixa auto-estima. Se você pensar, você conclui que essas pessoas e essas situações forçadas não existem. Se você não pensar, pode ficar sonhando que isso ainda vai acontecer com você: tornar-se uma Giselle Bundchen casada com o Rodrigo Hilbert.

6 de julho de 2017

Operação Impensável

Editora Intrínseca - Capa Cláudia Warrak

Pode-se escolher um livro pela capa, pela história, por uma recomendação, por uma circunstância. Eu escolhi ler "Operação Impensável" porque a personagem principal chama Lia, igual a minha filha. Critério assim meio torto, mas o fato de ser uma autora brasileira - Vanessa Barbara (e eu gosto de ler literatura local) e também estar bem barato na versão digital do kindle, também pesaram na decisão.

A história é bem simples: o começo, o meio e o fim do relacionamento entre Lia e Tito - a história começa indicando que o casamento acabou. Mas não é um relato linear, parecem mais registros escritos ao longo desses anos, emails, recados, entradas em diários. (Tem muita piada interna do relacionamento deles, referências a filmes que eu não vi, e isso eu não consegui acompanhar - e convenhamos que piada interna não tem graça para quem está de fora mesmo).

A partir daí, é difícil ficar isento - ir apontando o que foi certo, o que foi errado, talvez até escolher algum lado, aquela típica atitude de julgamento ou então de identificação - algo como já passei por isso, ou tenho um amigo que já passou por isso e sei bem como é, olha aqui, ouve esse conselho (mas no caso dos personagens, essa parte de interferir no rumo das coisas não rola).

Um ponto interessante é que os personagens adoram a guerra fria - a Lia é historiadora estudante do assunto, então o livro é permeado por fatos e referência a esse assunto - aliás, Operação Impensável, é uma dessas referências.

Mas o que eu mais gostei é a pequena coletânea de piadas soviéticas da época do regime comunista, e ver como rir de si mesmo é uma característica humana que não depende de posição politica ou econômica. Como por exemplo essas:

Três prisioneiros estão num gulag na Sibéria contando como foram parar lá.
"Eu cheguei ao trabalho cinco minutos atrasado, então fui acusado de sabotagem."
"Eu cheguei cinco minutos mais cedo e fui acusado de espionagem."
"Eu cheguei na hora e fui acusado de possuir um relógio ocidental."

A professora pergunta à classe: "Quem são a mãe e o pai de vocês?"
Um aluno responde: "Minha mãe é a Rússia e o meu pai é Stálin."
"Muito bem!", retruca a professora. "E o que você gostaria de ser quando crescer?"
"Órfão."

Para terminar, o livro vai morno, mas o final é bem interessante. E completando o pacote: eu li por causa da personagem Lia, mas não é que apareceu uma Anna também? (nome da minha outra filha)






4 de julho de 2017

Big Brother

Editora Harper - Capa Milan Bozic
Eu gosto muito dos livros da Lionel Shriver, eles abordam temas controversos de maneira instigante, que nos tira da nossa posição de conforto em relação a eles. No caso de "Big Brother", o tema mais direto é a obesidade (e não a referência a 1984 como se pode associar), e também a questão dos relacionamentos familiares.

No livro, uma mulher perdeu o contato com o irmão há alguns anos, e fica sabendo que ele está sem emprego e levemente falido. Ela o convida para sua casa - onde ela mora com o marido e os enteados, e quando o busca no aeroporto tem o choque: ele está gigante, obeso, da companhia aérea decidir move-lo de cadeira de rodas.

A questão é que esse irmão  é um chato - metido a famoso músico de jazz - mas agora está numa pior e não consegue reconhecer. A questão é que ela também acha que está acima do peso, então ela toma uma decisão ousada para ajudar a o irmão: vai mudar com ele para um apartamento e vai fazer dieta com ele durante um ano inteirinho.

Dá para acreditar? Larga o marido, os enteados e vai se dedicar ao irmão que precisa de ajuda para melhorar de saúde - perder peso.

E aí, José, o que você faria no lugar? No que vai dar essa história?

O livro é muito bom e inquietante, como eu comentei no começo. Sempre vale a pena ler livros da Lionel Shriver.