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21 de dezembro de 2022

Out of the silence

 

Editora Amazon Crossing

No livro "Desde o silêncio", um dos sobreviventes daquela terrível queda de um avião nos Andes, Eduardo Strauch, conta sua história, com o apoio de Mireya Soriano. Esta não é a versão principal usada para adaptações cinematográficas, e tem uma pegada mais mística, ou espiritual, sobre os acontecimentos.

É interessante o suficiente para não me animar a reviver tudo na adaptação da Netflix, mas não deve ser o melhor livro sobre o ocorrido.




25 de fevereiro de 2019

50 Brasileiras Incríveis para Conhecer antes de Morrer

Editora Record - Capa Renata Vidal

Esta aí uma moda boa: livros com perfis de mulheres para divulgação de conquistas e sucessos de pessoas reais. O livro "50 Brasileiras Incríveis para Conhecer antes de Morrer" é o exemplar tupiniquim dessa tendência, preparado por Débora Thomé.

O livro de capa dura é para durar bastante tempo, os textos são breves e claros, sem linguagem difícil, bom para crianças mesmo (sugiro a partir de 5 ou 6 anos), e cada brasileira tem seu retrato lindamente ilustrado. São várias ilustradoras diferentes, então é uma beleza apreciar diferentes estilos.

A autora compilou mulheres antigas e mulheres recentes, algumas ainda vivas, das diferentes áreas - ciência, humanas, artes, esporte. É uma grande inspiração para todas as meninas e meninos.

2 de agosto de 2015

MTV, bota essa P#@% pra funcionar!

Editora Panda Books

Zico Goés começou a trabalhar na MTV como estagiário e chegou a vice presidente de conteúdo em 20 anos de empresa. Nesse livro, ele conta algumas histórias e episódios da emissora, tão emblemática da década de 90, e que acompanhou a minha adolescência e de muitos da minha geração.

O título do livro "MTV, bota essa P#@% pra funcionar"  remete a frase de Caetano Veloso no VMB de 2004 quando ele teve que recomeçar a música mais de uma vez por conta de problemas técnicos - Zico explica o que aconteceu e também ressalta a importância da engenharia de áudio ao longo de toda história da empresa e defende que os profissionais da MTV eram os melhores do país, já que essa parte técnica era fundamental para o tipo de conteúdo que eles faziam.

Um dos casos interessantes é quando ele conta como foi fazer o primeiro programa gay do "Beija, sapo" (se não me engano - o programa mudou de nome ao longo dos anos) - que eles não tinham nenhum patrocinador e foi preciso transmitir em um horário diferente do normal para que não se vinculasse aos patrocinadores usuais - e agora, menos de 20 anos depois, temos a propaganda do dia dos namorados do Boticário...

Zico Góes também revela que eles sim manipulavam o resultado do Disk MTV, para não ter muita variação de um dia para o outro (e aí eu penso naqueles grupos de fãs que resolviam passar o dia ligando para lá...). 

Ele também comenta as críticas feitas pelos "crescidos": "na minha época, a MTV era diferente / melhor". Ela deveria ser diferente mesmo para se renovar e continuar jovem, eles não tinham interesse - a princípio - de continuar falando com o público ao redor de 30 anos - mesmo sabendo que adolescente não é o melhor público consumidor para atrair patrocinadores.

O livro não é muito grande, nem tem a pretensão de ser completo ou exatamente linear, mas vale a pena para lembrar um pouco dessa empresa que fez parte da vida de tanta gente, de certa maneira, principalmente se você foi uma dessas pessoas.


27 de julho de 2014

Grace - A Princesa de Mônaco

Editora Leya

Esse livro conta sobre mais de uma transformação - de uma atriz em uma princesa e também de um pequeno principado em uma referência mundial em sofisticação.

A história de Grace Kelly com o Príncipe Rainier Grimaldi é uma história de amor do tipo conto de fadas. Contada por um amigo da família, Jeffrey Robinson, ele contam como duas pessoas naturalmente reservadas lidaram com a fama e a atração da mídia e do público e tornaram toda essa exposição em vantagem para o Principado. Com diversos festivais culturais e investimento em indústrias específicas, além do turismo, eles transformaram os turistas usuais de Monte Carlo, nobres europeus falidos e ocasionais milionários nos casinos, em turistas mais interessantes economicamente: os que vão para serem vistos e os que vão para ver.

O autor também conta sobre os filhos do casal, Caroline, Albert e Stephanie, até a morte do príncipe Rainier, em 2005. 

O filme com Nicole Kidman foi baseado nesse livro "Grace - A Princesa de Mônaco", que já estreeou em boa parte do mundo desde maio desse ano, mas o lançamento aqui no Brasil está previsto para 2015 (segundo o IMDB). Mas, pelas críticas que eu li, aparentemente há outras fontes, porque o livro defende bem o relacionamento dos dois, assim como a posição de Grace Kelly de desistir da carreira, por amor e por Mônaco.

17 de junho de 2014

A Dama Dourada

Editora José Olympio - Capa Cristiana Barreto e Flavia Caesar
O personagem principal: o quadro "Retrato de Adele Bloch Bauer" de Gustav Klimt.
O cenário: Áustria.
O período: do final do século XIX até o começo do século XX.
Incluindo: arte e política, duas guerras mundiais, o Holocausto, brigas familiares e uma batalha judicial.

Esse livro tinha tudo para ser muito interessante, mas acabou sendo uma decepção...

"A Dama Dourada - Retrato de Adele Bloch Bauer" se resume na "extraordinária história da obra-prima de Gustav Klimt". O livro inicia contando sobre a vida do autor, seus relacionamentos, como ele conheceu Adele, um possível caso amoroso, como o retrato foi pintado. Adele morre, Gustav Klimt morre, e chegam os nazistas, arianizando tudo, e o retrato de uma senhora judaica proeminente da sociedade austríaca no início do século XX se torna "A Dama Dourada". Com a segunda guerra, o quadro fica com o Museu Austríaco, apesar de ser propriedade do marido de Adele, que acaba fugindo da Áustria. Na década de 1990, a sobrinha de Adele, uma dos 5 herdeiros da família, une-se a um advogado para reaver essa e outras obras de arte da família. Eles conseguem o quadro, leiloam, ganham 135 milhões, os quais 40% vão para o advogado (!!!) e você pode vê-lo no Neue Galerie em Nova York.

Está aí o resumo para você ver se realmente interessa saber mais detalhes dessa história, principalmente sobre Áustria, e como foi a perseguição aos judeus ricos e o que os nazistas faziam para conseguir suas propriedades (além do óbvio, torturar e matar).

Como eu já disse, infelizmente, não gostei do estilo da autora, Anne-Marie O'Connor, uma jornalista. A história é aparentemente linear, mas há alguns pulos na cronologia, principalmente na forma de flashback, e digressões que não parecem naturais, apesar de potencialmente interessantes. Confusa com a introdução de tantos personagens paralelos sem explora-los adequadamente, e "Alguns anos antes,... " em demasia, peguei bronca do livro, e só acabei de lê-lo para, como eu disse, saber mais sobre essa história que eu achei bem interessante, apesar de tudo.




14 de maio de 2014

Sh*t my dad says

Editora Harper Collins - Capa Milan Bozic

Uns anos atrás, um twitter fez muito sucesso: "Sh*t my dad says", e o filho do tal cara, jornalista, aproveitou para lançar um livro com o mesmo título, que aqui no Brasil virou: "Meu pai fala cada m*rda". Eu coloquei esse livro na wishlist faz bastante tempo, porque fico curiosa com essas pessoas assim, super sinceras, e só li recentemente.

Justin Halpern voltou a morar com os pais perto dos 30 anos, quando estava sem namorada, sem casa, e com pouca renda - então o livro contempla essa sua fase da vida, mas é basicamente memórias da sua adolescência, quando o pai deu lições de vida valiosas e engraçadas por serem tão diretas. É claro que o pai é um cara legal, e o final do livro é desnecessariamente meloso, mas sendo curto, é um entretenimento leve.

Fizeram uma série com esse nome, retratando esse período da vida do Justin Halpern com seu pai, e sim, a recente série "Surviving Jack" é baseada nos mesmos personagens, só que agora na década de 90, com o filho ainda adolescente.  

24 de abril de 2014

Quinze tons de constrangimento


Nem eu sei porque gosto de Ana Paula Barbi, considerando que odeio filmes de humor escrachado e não dá para dizer que você vai encontrar algo com muito mais classe em seus livros ou seus blogs... Talvez seja porque eu me impressiono com fato de que tudo o que ela conta tenha acontecido realmente, e ela sabe extrair humor de situações tristes, para não dizer outra coisa.

Em "Quinze Tons de Constrangimento", Polly conta 15 de seus casos sexuais (inclusive a primeira vez), quando vocë acha que não pode ficar pior, piora. Mas sem perder o humor. O livro é bem curto, para ler em meia hora meeeeesmo - e pelo menos você vai se divertir com o embaraço alheio... Ao contrário do outro livro de tons, que parece ser bem mais presunçoso que isso.

21 de abril de 2014

The Other Boleyn Girl

Editora Harper - Capa HarperCollins

Eu adoro a história da Inglaterra, mas não conhecia Philippa Gregory e seus romances históricos. Na verdade, eu já tinha assistido "A Outra", com Natalie Portman, então ler "A irmã de Ana Bolena" foi lembrar do filme, mas preenchendo algumas lacunas e tendo mais detalhes.

As duas irmãs Bolena são as personagens principais, e mostra como elas se tornaram as principais da corte do rei Henry VIII, sucessivamente - primeiro Mary, como amante e depois Anne, como rainha. (Por isso que o título inglês é melhor: A outra garota Bolena - porque quando uma era a principal, a outra era... a outra simplesmente.)

Eu ouvi esse livro, que é narrado do ponto de vista de Mary, e me lembro de pensar: nossa, como essa garota é idiota, uma hora ela quer algo, outra hora muda de ideia, e não sabe se gosta ou se odeia... Até que eu lembrei que ela tem uns 13 anos de idade no começo da narrativa... Naquela época, isso já era ser adulto - e agora, bom, veja bem...


27 de agosto de 2013

Guia Politicamente Incorreto da América Latina

Editora Leya
"Guia Politicamente Incorreto da América Latina" é, como se espera, um livro para sair do "senso comum" a respeito de fatos históricos da região. Menos variado do que o livro sobre o Brasil, é focado em política e grandes líderes dos dois últimos séculos como Che Guevara e Perón, além de um pouco sobre a colonização espanhola e francesa, conforme o caso. Justamente por ser "menos variado", os capítulos são mais longos e cheios de detalhe - principalmente o capítulo sobre Cuba e Che.

Se tudo o que você sabia sobre Che Guevara era "Hay que endurecerse pero sin perder la ternura jamás" e o filme Diários de Motocicleta (como eu), o que é apresentado do argentino que revolucionou Cuba é impressionante - para um lado muito mais escuro da força do que se podia imaginar. Outros dados surpreendentes era a relativa prosperidade em índices de Cuba antes de Che, do Haiti antes da revolução e da Argentina antes de Perón. Não que tudo era bom, claro, mas os autores apresentam perspectivas bem melhores se eles não tivessem sido mal administrados...

Leandro Narloch e Duda Teixeira não são socialistas, marxistas ou de esquerda, e deixam isso bem claro ao se posicionar contra "heróis" dessas correntes de pensamento. Claro que há parcialidade na análise - eu sei - sempre há um viés ideológico em livros históricos, mas eu admiro nesse livro o mesmo do livro anterior: há muitas referências biográficas, todas listadas, e eles também declaram ter visitados os diferentes países, para colher informações "da fonte". Para quem gosta de história, não importa o lado, vale a pena.


19 de agosto de 2013

Marias

Editora Campus - Capa Digital Happenings Design

A ideia do livro "Marias" é apresentada no subtítulo: "A Jornada heróica de 50 mulheres que fizeram história", o que é muito interessante - conhecer e se inspirar na vida de mulheres reais. No entanto, eu não gostei desse livro, e vou explicar meus motivos. 

O primeiro é que o livro é claramente parcial pela posição filosófica (ou religiosa?) dos autores (o livro começou a ser escrito por Eduardo Castor Borgonovi e depois de sua morte foi finalizado pela filha Lara Braun), que é a Teosofia - pelo menos 2 perfis são de mulheres relacionadas a essa filosofia, e eu tenho minhas dúvidas sobre a relativa importância delas frente a outras mulheres - as biografias dessas mulheres são até mais longas do que outras, mais conhecidas.

O segundo ponto é a estrutura de cada texto: os primeiros parágrafos são "um resumo" da resumida biografia, que tem de 3 a 4 páginas, então, dá a sensação de deja vu, realmente não necessária numa leitura que é tão breve.

Por último, um ponto mais pessoal, eu não gostei do estilo de escrita - parece redação de colégio (com direito a alguns erros internos, como idade e ano de morte não coerentes) - com mais adjetivos e advérbios do que substantivos e fatos. Os autores procuram "provar" que as mulheres são destinadas para seus feitos, mas os argumentos não são claros ou tão convincentes.

Para algumas pessoas, pode ser um ponto de partida para conhecer mais sobre algumas personalidades, para outras, valem as curiosidades para um papo variado, mas eu não achei uma leitura gostosa.


26 de junho de 2013

A Vida Descalço

Editora Cosac Naify
Alan Pauls escreveu um livro meio memórias meio crônicas em torno do tema praia com um belo título: "A Vida Descalço". Eu sempre associei praia a sol, verão, curtição, simplicidade - mas o argentino Pauls surpreende ao abordar o assunto com muito mais seriedade e complexidade - algo talvez até excessivo.  

O livro é rico em referências culturais - personalidades, filmes, livros - não muito recentes, já que está muito ligado a infância do autor (que nasceu em 1959). As frases são extremamente longas - como um fluxo de pensamento - o que demanda uma leitura mais atenta. Embora seja um pouco difícil de acompanhar no começo, foi interessante, e o livro me ganhou definitivamente nas últimas páginas...

Ponto curioso: o garoto da capa, assim como de outras fotos que ilustram o livro, é o próprio autor Alan Pauls. A edição, como é costume da Editora Cosac Naify, é primorosa. Agradeço a minha mãe pelo empréstimo!

21 de dezembro de 2012

Maus

Editora Companhia das Letras - Capa: Art Spiegelman e Louise Fili

A história de um judeu na II Guerra Mundial, em quadrinhos, onde judeus são ratos e alemães são gatos. Inusitado, não? Art Spiegelman realmente encarou um desafio e tanto ao escrever a história do seu pai nesse formato diferente. Em uma parte de "Maus", em que ele se permite a metalinguagem, Spiegelman reconhece que não é fácil transpor todo um relato de guerra e dor para o formato de quadrinhos - que pode aparentar ser tão superficial e leve. 

No entanto, Art Spiegelman conseguiu a proeza de fazer um livro lindo, emocionante, tão real - que você não vê desenhos de ratos (mesmo que muito bem feitos), mas sim um panorama da crueldade da II Guerra Mundial de causar arrepios. Com quase 300 páginas, o livro flui e marca o nosso coração, até pelos toques de humor ao mostrar como o autor lida com seu pai, muito velho e muquirana, morando nos Estados Unidos. 

Esse livro só caiu nas minhas mãos agora, mas ele não é recente: a sua primeira parte foi publicada no início da década de 70. Se você ainda não leu, eu recomendo, recomendo, recomendo. 

17 de agosto de 2011

O último teorema de Fermat

Google

Don't we all love Google's doodles?

Nós simplesmente amamos os doodles!

O Google desenvolveu uma marca tão forte nos últimos anos, que ele se permite eventualmente mudar o logo, para remeter a datas comemorativas e eventos ao redor do mundo, que são chamados de doodles. Pura criatividade online!

O doodle de hoje, 17 de agosto, não foi diferente: celebração do 410o ano do matemático Fermat, com direito a piada interna ao passar o mouse sobre o desenho, quando aparece a frase: "Tenho uma demonstração realmente maravilhosa para esta proposição, mas este doodle é muito pequeno para contê-la". Para entender, vamos ao livro que irei comentar hoje...

Editora Record
Fermat foi um grande matemático do século XVII que desenvolveu muita teoria matemática ensinada em escolas do mundo inteiro até hoje. Depois que ele morreu, no rodapé de um dos seus livros, foi encontrada uma nota sua dizendo que não existe um conjunto de números inteiros x, y e z que satisfaça a equação que está no doodle para n>2 e completou com a frase espertinha: "Encontrei uma demonstração verdadeiramente maravilhosa disto, mas esta margem é estreita demais para contê-la."

Por mais de 350 anos, matemáticos profissionais e amadores procuraram então a demonstração para este que é chamado de último teorema de Fermat, e o livro de Simon Singh é sobre essa busca e quem se envolveu nela. Um romance matemático, por assim dizer. O final é feliz, já que Andrew Wiles demonstrou que isso é verdade em 1994, com uma matemática que nem se sonhava em existir na época de Fermat. Resta a dúvida se ele realmente sabia a tal demonstração maravilhosa ou simplesmente fez uma das maiores pegadinhas do mundo matemático...


3 de agosto de 2011

Deu no New York Times

Editora Objetiva - Capa Tita Nigrí
Quem lembra daquele jornalista americano que quase foi expulso do Brasil porque escreveu numa reportagem que Lula bebia, hum, muito? Esse livro é do próprio, Larry Rohter, que tem uma história bem maior com o Brasil, a começar pela esposa que ele conheceu nos Estados Unidos na década de 70.

Sendo correspondente do New York Times aqui no Brasil por anos (mas não só aqui), ele acompanhou muito da história recente do país, não só na política, mas na cultura e sociedade também. Este livro é dividido em seções temáticas - economia e ciência, política, amazônia, cultura e até uma "lula e eu" - em que ele introduz sua opinião sobre o assunto, contextualiza e depois tem os artigos publicados nos últimos anos.

É interessante ver o olhar de alguém de fora, que nasceu em outro "mundo" e ficou curioso para conhecer o país, mas isso não quer dizer que ele seja um apaixonado ou romântico, muito pelo contrário, ele foi bem crítico. Não tem como não concordar com ele em alguns sentidos, e é impressionante como ele cita brasileiros que endossam sua opinião do calibre de Nelson Rodrigues e Tom Jobim, mas também pode ser um pouco irritante alguém com opiniões tão fortes e negativas, defendendo os Estados Unidos. Mas é essa pessoa que admiravelmente, faz reportagens sobre a população de jumentos no nordeste que foi substituída por tratores e carros por causa da melhora da economia, ou a literatura de cordel, ou a xilografia que já chegou no Louvre e a gente nem tem conhecimento. O que a gente não conhece do Brasil enche livros e livros...

Agradeço a Fér o empréstimo desse livro, que morou por meses aqui em casa, mas vai reencontrá-la em breve na sua visita ao Brasil...

10 de julho de 2011

Roots: The Saga of an American Family

Editora Vanguard Press
Lembrei-me desse livro conversando com um amigo, que eu li emprestado há alguns anos, numa edição bem velhinha, em inglês mesmo. "Roots: The Saga of an American Family", traduzido aqui por "Negras Raízes: a saga de uma família americana", foi publicado na década de 70 nos Estados Unidos e foi seguido por uma adaptação para TV, de grande sucesso.

Alex Haley, o autor, começa a história com a família Kunta Kinte, um jovem na África que é capturado e vendido como escravo nos Estados Unidos no século XVIII. A narração continua acompanhando sua descendência na América "até os dias de hoje" com as mudanças na história - escravidão, guerra, liberdade, miséria, dreitos civis...

A história foca na tradição oral do povo africano, de contar para as crianças o que aconteceu com os pais, os avós, os bisavós, e repetir e repetir até que esteja registrado no cérebro e no coração, para que não se esqueçam... Nós que estamos tão acostumados com a riqueza da informação escrita - salve o google - esquecemos do poder das estórias para passar informação, de manter a tradição viva nas famílias. Acho que estas estórias aproximam gerações e conectam os membros da família de uma forma que vemos pouco hoje em dia. Não é muito impressionate descobrir como somos parte de uma perspectiva muito maior, uma história que começou centenas de anos atrás?

Outro fato do livro que me marcou foi a tradição de nomear a criança na tribo africana em questão. O pai escolhe o nome e, depois que a criança nasce, ele primeiro conta para ela, em seu ouvido, e depois anuncia para a tribo. A criança é digna de ser a primeira saber como ela será chamada... Muito bonito isso, não?

Para quem gosta de sagas, recomendo fortemente. Para estimular a descobrir sua própria saga também. Todo mundo tem uma.

5 de maio de 2011

Youth


Nos últimos tempos, eu esbarrei figurativamente em J. M. Coetzee três vezes. Na primeira, um amigo poeta me sugeriu o livro "Mecanismos Internos", depois eu vi a reportagem na veja falando sobre o mesmo autor e o lançamento desse livro, e então eu vi o Youth na mão de um amigo do trabalho. Pronto, modo cara de pau on, pedi emprestado para "experimentar" o autor.

E adorei! J. M. Coetzee é um escritor sul africano, que ganhou o Nobel em 2003. Ele escreve ficção, mas também é conhecido por ser um ótimo crítico literário (que é o assunto de Mecanismos Internos). Esse livro em questão, "Juventude", é uma auto-biografia ficcional, ou seja, ele escreve sobre si mesmo em 3a pessoa e não sabemos se tudo que é dito é verdade ou não. (E esse é o 2o livro em que ele faz isso, o primeiro chama "Boyhood" ou "Infância", e ainda tem um outro, chamada Springtime.)

A história é sobre um rapaz da África do Sul, Jonh, estudante universitário que quer se tornar um artista  - poeta - e faz matemática porque ele a considera como o pensamento mais puro que se pode ter... (Vai entender!) Estamos na década de 60, e como ele não vê muito futuro num país que promete ser destroçado pelos embates em volta do apartheid, ele vai para Londres - "onde a vida pode acontecer".

Ele gosta muito de literatura e estuda bastante o assunto, então no livro há várias partes em que ele comenta sobre os autores, compara estilos, discute obras de uma maneira impressionante, e torna o livro delicioso.  Ele incita a nossa vontade para ir atrás desses escritores e ver por nós mesmos o que ele viu.

No entanto, Jonh parece ser muito ingênuo, com relação a carreira de escritor e principalmente com as mulheres. No primeiro tópico, ele acha que a inspiração para fazer uma obra espetacular virá como mágica. No segundo, ele espera que magicamente encontre a mulher de sua vida - e ele acha que precisa de uma, porque todos os artistas possuem amantes. No entanto, quando uma garota se interessa por ele, Jonh desconfia que é por ter visto a chama de artista que existe dentro de si, a qual as mulheres (todas, em geral) não tem, e que quando elas fazem amor com um artista é para roubar essa chama... (hein?)

Eu recomendo esse livro para todos que tiverem interesse em literatura, ou para quem quer ver um retrato de uma época via uma pessoa não lá muito normal...  A leitura é fácil, nada do que você possa imaginar de um Nobel - simplicidade é uma arte!

2 de maio de 2011

Diário de Bordo: China

Esse é um livro muito especial! Foi escrito por um amigo meu, o Leonardo Alves, ou Leo Branco, ou Leo - e isso é muito louco! Conhecer alguém, mas conhecer de verdade, que já publicou um livro, está disponível na Saraiva... Muito louco.

O Leo adora viajar, e já conheceu diferentes lugares do mundo, mas em 2009 ele foi para o lugar mais louco de todos: China, para passar um mês estudando mandarim, convivendo com chineses e conhecendo todos os pontos turísticos de Pequim. Ou Beijing.

Parênteses: Por que passamos a chamar Pequim de Beijing? Nós chamamos "London" de Londres, não? E "New York" de Nova York (ou Iorque!), não? Fecha parênteses.

É a visão da China e do mundo oriental de um estudante brasileiro de 20 e pouquinhos anos, bem aberto a conversar com as pessoas (mesmo se for uma chinesa na fila para ver o corpo embalsamado de Mao perguntando sobre Jackie Chan), bem aberto para experimentar coisas novas (literalmente, de cérebro de cavalo - booooom - a bicho de seda - nojeeeeento), e escrever um diário bem aberto sobre o que está pensando de toda situação e fazendo comparações com a cultura ocidental e nosso modo de pensar. Tudo de uma maneira bem informal e sincera, como emails enviados para amigos devem ser (e foram, literalmente).

Dá vontade de conhecer a China pessoalmente, mas é ótimo ter a visão de uma outra pessoa, que faz jus ao título de turista, fazendo coisas que eu nunca faria (como comer coisas estranhas). (E para relativamente corajosos para ir até lá: há opções de pizza hut e macdonalds a restaurantes brasileiros).

É uma leitura fácil, rápida e divertida. Eu recomendo e faço propaganda: é possível comprar o livro na Saraiva e na Loja Singular.

PS: Hoje é o dia dos parênteses.
PPS: (Hoje.)
PPPS: (Adoro!)

27 de março de 2011

"Paula" e "La suma de los días"





Eu descobri esses dois livros porque sim, eu leio o livro que a pessoa do meu lado está lendo no trem. É uma leitura dinâmica, discreta, só da parte "visível" no meu ângulo, mas vale a pena: para saber do que se trata aquele best seller e para descobrir coisas novas, como esses dois livros.

Eu comecei a ler o livro da moça, e achei muito interessante, era alguém contando uma história para outra, como se fosse uma carta, com vocativos e comentários. É como se você lesse a conversa de alguém, muito íntimo. Conquistou-me na hora.

Quando a pessoa levantou para ir embora, eu fiz uma pequena ginástica e li a capa do livro: "La Suma de los Días", e bastou uma pesquisa na internet para descobrir que era escrito por Isabel Allende, e a continuação do livro "Paula". Esse, por sua vez, foi o livro que ela escreveu para a filha, quando ela estava em coma por causa de uma doença chamada porfiria (a qual, curiosamente, é associada aos mitos dos vampiros e lobisomens).

O primeiro livro foi publicado em 1995, e são as memórias de Isabel, da vida de toda sua família ao mesmo tempo que ela fala sobre a situação "atual", a doença da filha e o convívio com os médicos e o próprio tratamento. É um diário de uma saga, embora trate de 3 gerações da família, não perde o tom coloquial de uma conversa entre a mãe e a filha, talvez ali numa mesa de cozinha, ao mesmo tempo que tem a dor da Isabel por sua filha que está inconsciente (e não sabe como irá voltar, se voltar). O segundo livro, com esse título poético de A soma dos dias, foi publicado em 2007, e as memórias continuam a partir do ponto em que pararam em Paula.

Eu aproveitei e li os dois seguidos, que a minha amiga Fér trouxe de uma de suas viagens a Argentina - livros lá são bem mais baratos e o espanhol da Isabel Allende é bem fácil de ler. Fácil só de ler, porque em alguns momentos, você pode chorar...

10 de março de 2011

Freakonomics

A quem interessar possa, essa foi minha leitura de carnaval, com alguns anos de atraso já que a primeira edição desse livro é de 2005. Pelo menos, eu li a versão revisada de 2009, com material extra (alguns artigos e perguntas e respostas com os autores). Essa versão pocket é minha e está disponível para empréstimos.

Eu lembro de como esse livro "estourou" assim que foi lançado, pela maneira não convencional de abordar assuntos polêmicos - através dos números, das medidas do meio ("economia"), da estatística. Os autores, Steve D. Levitt, economista, e Stephen J. Dubner, jornalista, gostam de partir de perguntas não convencionais, como "O que lutadores de sumô tem a ver com professores de escola?" e "Pais realmente importam?", e através de um banco de dados fazer análises simples de correlação e covariância. Às vezes eles apresentam uma relacão de causa e efeito, às vezes só mostram que duas variáveis estão relacionadas (ajuda se você lembra estatística), mas apresentar uma visão não ortodoxa sobre o tema é que importa - baseando-se em números.

O tema mais polêmico tratado é a relação entre a liberação do aborto nos Estados Unidos na década de 70 e a incrível queda de crimininalidade na década de 90. É um capítulo bem longo que mostra por A + B que nenhuma outra causa alegada pode ter tido tanta influência como essa, de que a morte de filhos indesejados de mulheres de baixa renda significaria menos adolescentes deliquentes alguns anos depois. É interessante que eles dizem só apresentar os dados, e não defender a posição moral do aborto - eles até mencionam que outras ações de apoio a essas mães que recorrem a essa atitude drástica e às crianças que nascem nesses lares poderiam ter o mesmo efeito. Será?

Eu gostei também do capítulo sobre os fatores que possuem uma forte correlação com o bom desempenho escolar das crianças (ensino fundamental mesmo, em Chicago) e os que não possuem. Fica a dica: existe correlação quando as mães tiveram seu 1o filho depois dos 30 anos e os pais tem muitos livros em casa.

Por fim, um capítulo que fala da incidência dos nomes de meninas e meninos na população, branca e negra, e mais educada e menos educada. Tem até uma tabela que mostra o tempo médio de educação das mães, em anos, para alguns nomes. E é claro que eles identificaram: nomes populares entre ricos e bem estudados hj, serão os nomes mais populares geral daqui a uns 10 anos.

O livro é fácil de ler, e vale como curiosidade. É para se questionar se os números realmente não mentem, mas também para pensar fora da caixa. Ah, bom também para jogar informações numa mesa de bar - é capaz de render boas discussões!

22 de fevereiro de 2011

Vacaciones

Fonte: Ana Paula Barbi
Esse livro foi uma indicação ótima das garotas do Rodas de Notapé - através desse post aqui. O mais interessante é que ele pode ser baixado em pdf na internet pelo (atual) site da autora, Ana Paula Barbi: Ratito Mamita, o que eu fiz rapidamente - da web para o notebook, do note para o kindle.

Vacaciones (a arte de se divertir sempre que possível, ou como não levar a vida) é um livro composto por trechos do blog da Polly no período de 2004 e 2008, editado por uma turma de Produção Editorial da UFRJ. Nesse período, dos 21 aos 24 anos, ela morou em várias cidades do país, sempre com dinheiro curto e postando com muita sagacidade e bom humor o que acontecia na sua vida ou como ela estava se sentindo, com uma linguagem coloquial, como uma conversa mesmo (adorei os posts em que ela realmente transcreve diálogos com o amigo Didi, você vê tudo acontecendo!)

Realmente é um livro muito divertido, e inacreditável em alguns momentos. Mais inacreditável ainda se a sua vida é completamente diferente da dela, como a minha. Alguns trechos são chocantes seja pelo que ela viveu (imagina pedir carona para caminhoneiro e dar um jeito de não ser estuprada), pela linguagem (palavrões e algumas obscenidades, censura +/- 16 anos) ou pelas suas opiniões ácidas e sua filosofia de vida. No entanto, ela faz isso de uma maneira sarcástica, o que não deixa outra saída além de dar risada.

Os posts são cheios de referências pop e culturais recentes, e isso, juntamente com pertencer a mesma faixa etária da Ana Paula, aproxima muito o leitor jovem. Eu gostei de ver também que ela adora ler! E mesmo nos momentos mais complicados, ela sempre tinha seus livros.

Ela é do tipo de pessoa que você quer conhecer e parece acessível, certo? Então, quando eu acabei o livro hoje de manhã me perguntei: por que não? Como internet ajuda na cara de pau e email é de graça, eu enviei um para ela, para saber como andas, na maior camaradagem. O máximo que ela ia fazer era não responder, certo? Errado! Ela respondeu super rápido e eu fique super feliz de apresentar a primeira (mini) entrevista com o próprio autor nesse blog:

LNS: Atualmente, a sua única participação na internet é o site "Te dou um dado?"? O que você anda fazendo da vida?


Polly: Escrevo no TDUD? e para a Burn também. E é isso ae que to fazendo da vida.

LNS: No livro Vacaciones, assim que tudo fica bem, no período de 2006 - 2007 em São Paulo, você escreve menos no blog. Você acha que faz mais sentido escrever quando está se sentindo mal ou deprimida ou passando por algum problema? Compartilhar isso é mais fácil do que compartilhar alegrias?

Polly: Acho que não é questão de ser mais fácil compartilhar tristeza, mas de não ter mais a necessidade de compartilhar nada. Naquela época eu não tinha nem computador em casa, então se acontecia alguma coisa eu escrevia num papel e depois ia em alguma internet de graça postar. Hoje em dia se acontece alguma coisa eu twitto, sabe? Não vejo mais muito sentido em continuar tendo blog ~~~pessoal~~~

LNS: Se for verdade que você acha mais fácil escrever quando está "sofrendo", e o seu blog atual Ratito Mamita teve a última entrada em janeiro de 2010, a sua vida está muito-boa-obrigada agora?

Polly: tá bem boa sim, não tenho nada pra reclamar não, haha.

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Que ótimo para ela, né? Eu espero que ela continue escrevendo por aí, pois é algo que ela faz muito bem!

Bom, usando o kindle, eu postei alguns trechos pelo twitter:


Eu até tentei postar alguns outros, mas deu erro... De qualquer forma, o livro está aí inteirinho para vocês lerem e relerem, muito recomendo!! O site pede uma doação - legal, neám?

A Polly, quando o perrengue apertava, publicava o número da conta corrente e pedia doações - para comprar passagem, para ter onde dormir, para ir num show no aniversário dela. E o pessoal ajudava! Será que a boa vontade via web continua?