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4 de junho de 2023

Estresse e ansiedade: Encarando a epidemia nas garotas

 

Editora Primavera Editorial

A autora Lisa Damour tem podcast e perfil no instagram que a levaram a fama como psicóloga (ela é consultora do filme Divertidamente), mas certamente seu conhecimento e experiência com adolescentes é extraordinário.

Nesse livro, Estresse e Ansiedade, ela discute o fato das garotas serem mais vezes diagnosticadas com ansiedade que os garotos, o que as leva a isso, e como manejar a educação das filhas para evitar que esses fatores se agravem. 

É um livro muito bom e recomendo para todos os pais e mães de filhas meninas.


8 de abril de 2020

Raising Worry-Free Girls

Editora Bethany House
"Raising Worry-Free Girls" parece ser um livro bem específico - como educar meninas que não sejam preocupadas - e é mesmo, embora os conhecimentos podem ser aplicados para outras pessoas (como adultos e meninos).

No entanto, a autora Sissy Goff explica que viu um aumento muito grande de crianças ansiosas nos últimos anos em seu consultório, e que a maioria delas é menina. A partir disso, veio a ideia do livro, de dar orientações específicas para esse público.

Eu gostei muito da abordagem - é explicado o contexto, como se manifesta a ansiedade, e abordagens de curto, médio e longo prazo dependendo da situação (e de como a preocupação ou a ansiedade se manifesta ), assim como indicação de quando é necessário uma ajuda profissional, e as vantagens de ter um acompanhamento externo a família.

A autora também é muito cuidadosa com as preocupações dos pais que estão lendo esse livro, que estão querendo "resolver" uma situação que não é simples e geralmente não é incluída naqueles cursos de "como cuidar do seu bebê". Aliás, como há muito mais a se aprender para ser a mãe que a gente quer ser, além de trocar fralda e fazer refeições nutritivas, né?

1 de março de 2019

The Year of Magical Thinking

Editora Harper Collins - Capa

Quando eu estava pesquisando livros sobre luto, essa obra de Joan Didion, "The year of magical thinking", aparecia em várias listas. Eu comprei, e demorei vários meses para começar a ler. Só a sinopse mostra o tamanho da tragédia: a filha de Joan é internada de emergência numa UTI, inconsciente. O marido morre de ataque cardíaco. Algum tempo depois, sendo escritora, ela começa a escrever sobre esse processo.

No prefácio, há uma citação do The Guardian dizendo que esse livro não tem respostas fáceis. Aliás, acredito que nem resposta tenha. É sobre o luto de alguém, elaborado em palavras, com algumas informações técnicas e psicológicas sobre como se lida com a morte e as doenças graves. 

Uma das informações que eu achei interessante é que já caracterizaram o luto como uma doença, dada às alterações emocionais e físicas que ele causa. Embora seja algo a que praticamente todas as pessoas passam, não se parece tornar mais simples a medida que a humanidade "evolui". A morte não nos é natural mesmo.

Além disso, é um retrato sobre um casamento duradouro e feliz, algo que parece tão raro hoje em dia, principalmente entre famosos. Joan e seu marido Jonh tem um relacionamento estável, com respeito e conhecimento mútuo profundo. De certa forma, além de falar de luto, esse livro fala também desse tipo de amor, e o que ele deixa de vazio quando uma parte vai embora - sem briga, sem conflito, sem um aviso prévio.

É um livro triste, real, relevante. Sem respostas, sem soluções, sem saídas. É um livro humano.


23 de julho de 2017

O sexo no casamento

Editora Best Seller - Capa Tita Nigri

"O sexo no casamento" tem duas linhas: dois contos que envolvem o assunto do título por Flávio Braga (um no período medieval, outro contemporâneo), e textos da Regina Navarro Lins sobre a psicologia da coisa. Os contos são bem mais ou menos, mas o triste mesmo é a conclusão do livro de que "não dá" para passar a vida toda fazendo sexo só com uma pessoa. Tem duas alternativas: terminar o relacionamento para "resolver" essa situação, ou abrir o relacionamento, e manter a relação estável enquanto se satisfaz por aí.

Achei realmente triste, pois acredito no casamento como instituição, como fundação para a família. É um privilégio encontrar alguém para dividir a vida, mas também é um trabalho manter uma relação saudável e satisfatória, em todos os níveis.

Cada um precisa traçar seu caminho individual para a alegria de viver, equilibrando todas as áreas da sua vida, e todos as faces do seu ser, mas eu, por mim, continuo desejando que as pessoas encontrem um amor para a vida inteira e que saibam construir sua felicidade em cada passo do caminho.

9 de março de 2015

Amor Líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos

Editora Zahar - Capa Sérgio Campante

Eu me interesso muito sobre relacionamentos humanos, principalmente os amorosos, por isso fiquei curiosa para ler esse livro de Zygmunt Bauman, um sociólogo polonês que, depois de descrever a sociedade atual como "líquida", escreveu o livro "Amor Líquido - sobre a fragilidade dos laços humanos".

Ao contrário das minhas expectativas, o autor não fala só sobre relacionamentos amorosos, mas de relacionamentos em geral, o que inclui por exemplo a relação entre refugiados e os cidadãos dos países que os recebem.

Para quem gosta de sociologia, é uma leitura interessante pela análise abrangente, principalmente considerando a questão dos relacionamentos virtuais e o comportamento das pessoas nas redes sociais (mas não algo muito extensivo). 

O único ponto que eu achei um pouco viagem do autor é do que ele fala sobre as separações entre as pessoas de classes sociais diferentes, que as pessoas "mais ricas" querem se sentir parte de grupos exclusivos, então criam muros e redes de segurança em volta de si mesmas para se manterem afastados das pessoas "mais pobres", como se a questão da violência urbana não existisse e fosse uma ameaça real a propriedade de pessoas muito ricas, ricas, e nem tão ricas assim (e Bauman cita especificamente São Paulo nesse capítulo).

23 de julho de 2012

Uma nova visão do amor

MG Editores - Capa Alberto Mateus
Flávio Gikovate é um psiquiatra que direcionou sua carreira para relacionamentos amorosos, elaborando teorias sobre o amor, sexo e afins e ajudando na prática milhares de pessoas através do que ele chama de terapia breve. Além de ter um programa de rádio semanal chamado "No divã com Gikovate", ele tem muitos  artigos e livros publicados, então é muito difícil você não ter esbarrado num texto dele por aí - ou mesmo numa novela que ele participou - mas talvez não ligue a pessoa a esse nome que eu cito aqui.

Interessada como sou pelo tema, escolhi começar a ler sua obra através do livro "Uma nova visão do amor", do começo da década de 90, mas revisado recentemente. É engenhoso ver como ele racionaliza o que nós acostumamos a chamar de sentimento, " que não dá para explicar e não faz sentido", de maneira lógica que nos faz pensar: "mas será que não é isso mesmo?" ao lembrarmos de amigos e amigas que encaixam direitinho no que ele está dizendo, ou mesmo até a gente...

Como teoria, Gikovate já deixa claro que o livro é a sua proposta do que melhor encaixa ao que ele vê acontecendo nos relacionamentos humanos. Talvez por isso que o "amor ideal" ou "+amor" que ele apresenta no final me parece o que é mais utópico e desconectado da realidade.

Ele diferencia bem um amor saudável de um problemático, que levará quase que certamente ao fracasso / divórcio, mas não apresenta soluções para esses problemas. De qualquer forma, o auto-conhecimento sempre pode ser um primeiro passo para se desenroscar de uma relação complicada e procurar mares mais tranquilos. 

13 de março de 2012

O mundo pós-aniversário

Editora Intrínseca - Capa HarperCollins Publishers

Esse livro explora aquela famosa pergunta: "E se?" ao limite, criando na verdade dois mundos "pós-aniversário" paralelos - como aquelas dimensões de possibilidades da física - em capítulos alternados ao longo do livro. Você não precisa imaginar o que aconteceria (embora a personagem principal o faça isso, nas duas dimensões), mas vai acompanhando as duas possibilidades (ok, que são infinitas, mas um ponto só de ruptura é bem mais fácil, vai), muito bem construídas pela autora Lionel Shriver (a mesma de "Precisamos falar sobre Kevin", que eu não li, nem vi o filme).

No começo, o leitor é apresentado a dois casais que moram em Londres, Irina e Lawrence (americanos), e Jude e Ramsey (ingleses). Irina é ilustradora de livros infantis conheceu Jude que é a autora, e num jantar de casais, elas conhecem os respectivos maridos, Lawrence, um analista político e Ramsey, um jogador famoso de sinuca (estamos na década de 1990). Como o jantar é no dia do aniversário do Ramsey, isso acaba virando uma tradição, e num certo ano, mesmo com a separação de Jude e Ramsey, Lawrence, que é fã de sinuca e está viajando, incentiva a esposa a sair com Ramsey mesmo assim. (Ok, ainda não se perderam?) No final do jantar de aniversário, já na casa do Ramsey, rola um climinho quando ele vai ensiná-la a usar o taco (literalmente), e a partir daí temos a ruptura: em um universo, ela o beija e em outro, não.

Vou dizer que eu achei as personagens bem diferentes, embora gente comum, e não consegui muito empatizar com elas, ficou aquela estranheza. Mas a autora elaborou bem essa história de dois mundos, em que os mesmos eventos externos acontecem (como a morte da Lady Di, ou a queda das torres gêmeas), criando pontos comuns embora as reações sejam às vezes um pouco diferentes por causa das circustâncias.

O livro parece que tem uma moralzinha besta no final (que eu não posso contar, que pode fazê-lo torcer o nariz logo no início) - mas o principal ponto parece ser mesmo comparar um relacionamento seguro e tranquilo (entre Irina e Lawrence) de um quente e conturbado (entre Irina e Ramsey) e eu tenho certeza que cada pessoa tem suas próprias considerações sobre esse tema, baseado em suas próprias experiências ou de amigos. Mas quem tiver curiosidade de ver uma história completa sobre essas escolhas, talvez até para fazer um estudo psicológico, pode procurar esse livro.

1 de abril de 2011

O estranho caso do cachorro morto

Esse é um livro de 2003, sobre um cachorro morto.

Tudo bem, vai, na verdade é sobre Christopher, um garoto de 15 anos. A sua mãe morreu 2 anos antes, e ele vive com o pai. E então ele resolve investigar a morte do cachorro do vizinho em seu quintal. O título em inglês é mais interessante, algo como "O curioso incidente do cachorro a noite" (The curious incident of the dog in the night time).

A particularidade desse livro é que Christoph é autista, ou possui algum outro tipo de problema (limitação? politicamente corretos, perdoem-me), de comportamento e a história é contada do ponto de vista dele, e sempre é muito legal ler um livro em que a perspectiva é completamente diferente da sua.

Se bem que eu me identifiquei completamente com a cena em que ele pega um metrô em Londres, e quando as pessoas começam a deixar lotado o vagão, ele grita porque não suporta que toquem nele, e forma-se uma espaço vazio ao seu redor. Já tive muita vontade de fazer isso aqui...

Quem me emprestou esse livro do Mark Haddon foi a Fér, que inclusive ganhou um prêmio com a sua resenha sobre ele, que foi vinculada num programa de rádio de incentivo a leitura. No entanto, eu o associo a minha sogra, fisioterapeuta, que conhece muito esse mundo de crianças com características especiais. Ela tem verdadeira paixão pela sua profissão e seu trabalho, o que é muito inspirador. Para quem quiser conhecer mais sobre o assunto, recomendo o seu blog Fisioterapia e Inclusão Escolar. E ler esse e outros livros com essa temática, de quem vive no nosso mundo, mas de uma maneira totalmente diferente.

Este post é para a minha sogra querida, Nilcea, dando os parabéns pelo seu aniversário nesse domingo. Que Deus continue abençoando você em todas as áreas de sua vida, em todas suas paixões e todos os seus sonhos! 

10 de março de 2011

Freakonomics

A quem interessar possa, essa foi minha leitura de carnaval, com alguns anos de atraso já que a primeira edição desse livro é de 2005. Pelo menos, eu li a versão revisada de 2009, com material extra (alguns artigos e perguntas e respostas com os autores). Essa versão pocket é minha e está disponível para empréstimos.

Eu lembro de como esse livro "estourou" assim que foi lançado, pela maneira não convencional de abordar assuntos polêmicos - através dos números, das medidas do meio ("economia"), da estatística. Os autores, Steve D. Levitt, economista, e Stephen J. Dubner, jornalista, gostam de partir de perguntas não convencionais, como "O que lutadores de sumô tem a ver com professores de escola?" e "Pais realmente importam?", e através de um banco de dados fazer análises simples de correlação e covariância. Às vezes eles apresentam uma relacão de causa e efeito, às vezes só mostram que duas variáveis estão relacionadas (ajuda se você lembra estatística), mas apresentar uma visão não ortodoxa sobre o tema é que importa - baseando-se em números.

O tema mais polêmico tratado é a relação entre a liberação do aborto nos Estados Unidos na década de 70 e a incrível queda de crimininalidade na década de 90. É um capítulo bem longo que mostra por A + B que nenhuma outra causa alegada pode ter tido tanta influência como essa, de que a morte de filhos indesejados de mulheres de baixa renda significaria menos adolescentes deliquentes alguns anos depois. É interessante que eles dizem só apresentar os dados, e não defender a posição moral do aborto - eles até mencionam que outras ações de apoio a essas mães que recorrem a essa atitude drástica e às crianças que nascem nesses lares poderiam ter o mesmo efeito. Será?

Eu gostei também do capítulo sobre os fatores que possuem uma forte correlação com o bom desempenho escolar das crianças (ensino fundamental mesmo, em Chicago) e os que não possuem. Fica a dica: existe correlação quando as mães tiveram seu 1o filho depois dos 30 anos e os pais tem muitos livros em casa.

Por fim, um capítulo que fala da incidência dos nomes de meninas e meninos na população, branca e negra, e mais educada e menos educada. Tem até uma tabela que mostra o tempo médio de educação das mães, em anos, para alguns nomes. E é claro que eles identificaram: nomes populares entre ricos e bem estudados hj, serão os nomes mais populares geral daqui a uns 10 anos.

O livro é fácil de ler, e vale como curiosidade. É para se questionar se os números realmente não mentem, mas também para pensar fora da caixa. Ah, bom também para jogar informações numa mesa de bar - é capaz de render boas discussões!

19 de fevereiro de 2011

Seus pontos fracos

Esse é um livro clássico de auto-ajuda, mas já que foi muito bem recomendado e emprestado por uma amiga querida, eu resolvi ler.

Ele fala de pontos fracos que todo mundo tem, pelo menos um, em graus menores ou maiores - como preocupação, ansiedade, culpa, procrastinação, ira (raiva), ciúme, medo, dependência, etc. O foco do tal dr. Wayne W. Dier são nos casos extremos mesmo, quando a pessoa se incomoda porque aquele sentimento paralisa e limita a vida.

A didática dele é simples: ele explica a questão, fala das vantagens de ter aquele comportamento (ex: se você se sente culpado por um monte de coisa, é sempre a vítima, o coitadinho, as pessoas sentem dó de você e tratam-na bem), as possíveis origens (geralmente a educação dos pais, claro), e o que fazer para superar isso.

Veja bem, algumas dicas e alguns insigths são interessantes, a minha amiga mesmo disse que já a ajudou em algumas situações assim como a mim mesma (mas eu recebi as dicas de outra fonte, um tempo atrás). Mas a filosofia do cara não bate com a minha de jeito nenhum! A começar da definição de "amor": "amar é deixar a pessoa ser o que ela escolher ser". Ahn?

E dicas muito construtivas do tipo: ah, vc se preocupa com dinheiro? A vida é só uma, dura muito pouco perto dos milhares de anos da humanidade, é melhor vc sair e gastar tudo o que vc tiver, sem medida. Ou não seja ciumento e dependente, casamento são duas pessoas que convivem, e que aceitam as escolhas do outro, então cada um tem que ter suas atividades, e viver independentemente (Ok, sou super a favor de haver uma certa indepedência para sair com seus amigos, escolher seus hobbies, mas o cara apela). Para criar filhos independentes e seguros, é bom desde cedo tratá-los como amigos, e respeitar as suas vontades e escolhas. Se eles não querem arrumar a cama, é uma escolha deles, amá-los é deixar que façam isso. No quarto deles, deve haver privacidade, é melhor não interferir. Sério, eu não consigo pensar em tratar assim crianças de 4, 6 anos de idade, deixando livres dessa maneira!

Ah, e a melhor dica - o marido trai a mulher e sente culpa por isso, por manter uma amante. Mas não se resolve com quem ficar. O doutor sugere que talvez o sistema moral do cara na verdade aceita esse tipo de situação (ter esposa e amante) - não há certos e errados absolutos - então é melhor ele simplesmente se aceitar e parar de sentir culpa. Gostaria de saber se o sistema moral da senhora esposa do indivíduo e também vai concordar com isso!

Bom, eu simplemente não consigo compreender esse tipo de raciocínio então não gostei do livro, mas confesso que algumas dicas podem ser úteis para algumas pessoas que sofrem com essas angústias e problemas emocionais. Mas podem existir fontes melhores para chegar até esses pontos - sugiro o livro Inteligência Emocional de Daniel Coleman, por exemplo. 

7 de fevereiro de 2011

Lord of the flies

Eu esbarrei nesse livro com título diferente, Senhor das Moscas, pelo menos umas duas vezes na vida - inclusive por um ilustre desconhecido que o sugeriu, admirado pelo meu gosto por leitura (ao ler num ônibus em pé, em movimento).
Assim, ao receber meu admirável-brinquedo-novo, o kindle (que receberá um post especialmente em breve), foi o livro que eu procurei para comprar.

A história basicamente é de um avião que cai numa ilha, onde os únicos sobreviventes são meninos, na faixa de 6 a 12 anos. Enquanto a maioria pensa que tudo é brincadeira, e se empaturra de frutas para, ato contínuo, ter diárreia, alguns tentam organizar uma "sociedade". Há dois focos principais: manter um fogo aceso para ter um sinal para serem resgatados e matar um porco e comer carne. Eu achei muuuuuuito parecido com Lost, aparece até um monstro!

A princípio, eu achei que seria interessante - como crianças se organizariam sozinhas, mas o livro vai por uma tendência mais bruta e selvagem. É de impressionar realmente. Com certeza dá um debate sobre a maldade humana (conceito no que eu acredito, mas sempre me assombra).

Depois de terminar de ler, fui ver o resumo da wikipedia: se trata de alegoria, e há várias simbologias que eu de certo não compreendi na hora. Mas o autor, William Golding, não podia ganhar um Nobel a toa. (Se você for ler o livro, não leia a wikipedia - os acontecimentos surpresas são mais legais - eu não contei muita coisa - e o estudo sociólogico / antropológico que é importante).

Vale comentar que é um inglês meio difícil, e uma narrativa bem descritiva (principalmente de paisagens), com alguns saltos nos acontecimentos. Ou seja, exige um cérebro bem atento e alerta para não perder um detalhe e de repente ficar perdido (aconteceu comigo e eu tive que voltar várias vezes, hahahahaha).

Para quem se interessa por livros sobre crises e Literatura assim, com Nobel.

22 de dezembro de 2010

Mamãe e o sentido da vida

Com esse título sugestivo, resolvi presentear a minha mãe com esse livro no natal do ano passado. Do autor, Irvin D. Yalom, já tinha lido Quando Nietsche chorou e A cura de Schopenhauer e gostado e ela também.
Doze meses depois, fui ler o livro - e não gostei tanto assim. Os outros eram mais ficção, contavam histórias de divã, mas romanceadas, novelão. Eu acho que quem é psciólogo, terapeuta, analista, (sinônimos??), etc, vai gostar mais, porque tem muito sobre teoria de análise, técnicas e métodos. Há algumas histórias - reais e adapatadas, mas assim muito secas para quem gosta de romance como eu (e não de diálogos terapêuticos).
Tem uma parte bem Freud sobre sonhos e eu descobri que, para esse tipo de terapia, tem até importância o 1o sonho que você conta para seu analista, que vai demorar o tratamento todo para ser compreendido! (Sério!)
Bom, além de algumas curiosidades gerais, o que eu levo disso? Levar a sério subtítulos.

20 de setembro de 2010

O ponto da virada

Esse é outro livro do mesmo autor de Blink, que eu li no começo do ano. E tal qual, eu gostei muito!
Super fácil de ler, prosa gostosa de quem está ensinando mas sabe não ser pedante. Sou fã do cara! Eu gosto de teorias de psciologia, sociologia, antropologia e tal desde que tenham historinhas. Adoro historinhas da vida real, que contextualizam a filosofia ou a ideia, explicando melhor o que todas aquelas frases bonitas e compridas querem provar.
Nesse livro, trata-se de entender o conceito de ponto de virada, como situações foram alteradas drasticamente com relativamente pouco esforço, o que está por trás de epidemias (de doenças, modismos, ideias) ou fenômenos culturais mais complexos como a criminalidade de nova york.
Ele mostra que existem pessoas especiais, que tem habilidades de vender uma ideia (Vendedores), guardar informações específicas sobre um assunto e passá-las adiante quando requisitado (Experts) e aquelas pessoas que ligam diferentes grupos da sociedade (Comunicadores). Além disso, o autor mostra como o contexto pode ter uma influência muito grande na vida das pessoas.
Ok, teoria é teoria, e eu não sei se me convenci de tudo, mas achei interessante e o livro é bem convincente. Recomendo para os curiosos em geral!
Obrigada, Debô, minha companheira de leituras!


11 de agosto de 2010

Clarice na cabeceira

Este é um livro de contos da Clarice Lispector diferente. Pediram para algumas pessoas escolherem seu conto favorito da autora e comentá-lo para entrar nessa coletânea.
É interessante ver como as pessoas criam essa relação passional com a Clarice, e mais que isso, com seus escritos. E pessoas completamente diferentes como Luís Fernando Veríssimo, Beth Goulart, Fernanda Takai, Benjamin Moser (autor de sua biografia), Rubem Fonseca, Lya Luft.
Depois de ler alguns textos dela, fica fácil entender porque isso acontece. Suas histórias são viagens ao fundo da alma, é como ler pensamentos, é como também ser lido.
Se você já tentou ler os livros de Clarice e achou uma viagem total (Paixão segundo G.H. A hora da estrela), comece com os contos para ir experimentando aos poucos, baixando as guardas, para sentir o livro mais do que entendê-lo.
(Confesso que se você for mulher, provavelmente será mais fácil de conseguir uma certa identidade... Geralmente os contos são do ponto de vista delas).
Nessa coletânea, também escolhi meu preferido: Felicidade Clandestina, o mesmo de Malu Mader (que na verdade oscila entre três).

26 de julho de 2010

A vida de Pi

Editora Rocco - Capa
Eu ainda lembro quando eu li a resenha desse livro em seu lançamento aqui no Brasil (em 2004), junto com a polêmica de ser um plágio do livro Max e os felinos de Moacyr Scliar, um autor brasileiro. O próprio Moacyr não considerou plágio, e restou só a discussão - detalhes que agora lembro por causa do google - eu mesma nunca li o livro brasileiro. Só fui ler esse agora porque foi um dos deixados para trás pela Fernanda antes de ir para a França - obrigada, fér!
A vida de Pi é sobre um indiano com o nome bizarro (Pi é apelido) de Piscine Martel, uma piscina pública da França, que seu tio, nadador, admirava. Ele nasceu hindu, mas ao longo da infância / adolescência se tornou ecumênico, segundo o próprio - plenamente hindu, cristão e muçulmano, o que é bizarro e interessante, mas ao longo do livro se perde.
Porque a trama principal mesmo é o fato de ele sofrer um naufrágio, junto com a família, quando eles estavam mudando para o Canadá. Na mudança, estão também animais do zoológico que o pai tinha, e foram vendidos para zoológicos da América do Norte. Do naufrágio, sobrevive num bote: o Pi, uma zebra, uma hiena, um orangotango e um tigre chamado Richard Parker. A hiena come a zebra, mata o orangotango. O tigre mata a hiena. E restam no bote somente o Pi e o Richard Parker - essa sobrevivência é a parte mais louca e interessante do livro. Um estudo humano realmente.
Mais do que a discussão inicial sobre religião e ecumenismo, a parte de zoologia e comportamento de animais em zoológicos foi o que mais me interessou. Não sei se tudo é acurado, mas algumas coisas sobre isso nem tinha me passado pela cabeça - por exemplo: o maior desafio do zoológico é diminuir a distância de "fuga" dos animais, porque cada um tem uma distância que considera segura para ficar perto do homem, que pode ser de 70, 100 metros. Imagina uma jaula desse tamanho! Ia sempre precisar de binóculo!
Agora, para aproveitar melhor o livro, precisa entender um pouco de embarcações, e o que é um bote salva vidas de navio - nada daqueles botinhos de plástico que a capa do livro tenta reproduzir. O autor descreve, mas talvez por falta de conhecimento prévio, eu não consegui visualizar mesmo do que se trata.
E sinceramente? Não quero nem ter oportunidade de descobrir!

5 de janeiro de 2010

Blink

 Esse livro já é bem diferente do anterior (gosto de variar bem os temas entre um livro e outro), é de psicologia. Mas é livro de psicologia do jeito que eu gosto: com historinha. Ou com váriso causos como dizem os antigos.
O autor fala sobre coisas que pensamos sem pensar, processos que o nosso cérebro faz - conclusões, ideias elaboradas sem que percebamos, mas nos influencia fortemente.
E ele explica o que é isso com várias historinhas diferentes - do cara que se tornou presidente americano por que tinha cara de gente boa (e ele vai até uma pesquisa que os CEOs das maiores empresas tendem a ser mais altos que a média da população), de um incidente em que policiais atingem num cara inocente e indefeso porque pensaram que ele tinha uma arma até jogos de guerra americanos, de estátuas arqueológicas faltas até uma pesquisa que prevê com 95% de acurácia quais recem-casados irão se divorciar no futuro.
Ou seja, bem amplo mesmo e muito interessante.
(A dica para não rolar divórcio é que em qq interação, mesmo discussões, a taxa de sentimentos bons por sentimentos ruins deve ficar em 5 para 1. Alta assim mesmo, por isso é bom exercitar a aceitação e o reconhecimento mútuo entre cônjuges, hahaha. Os caras são os especialistas! O site do pesquisador desse assunto é http://www.gottman.com/)
Recomendo de verdade, principalmente para aqueles que se interessaram pela série "Lie-to-me". Um dos capítulos é quase todo sobre o desenvolvimento da ciência de reconhecimento das micro-expressões faciais pelos caras que "descobriram" que uma expressão de medo, raiva ou felicidade é igual em todos os lugares do mundo e então resolveram formular um "manual" com todas as expressões possíveis de existir, hehehe. E sim, como é dito no seriado, é possível aprender a ler essas micro-expressões, basta um pouco de treino... Cuidado, mentirosos de plantão!
Esse livro também é emprestado, do eclético Thiago, que gosta dessas leituras "técnicas-filosóficas", mas me empresta Stephanie Meyer e é fã mesmo do Stephen King. Obrigada!