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21 de maio de 2026

Malária

 

Editora Tinta da China

Carmen Stephan é alemã e morou aqui no Brasil por um tempo, essa história - Malária - não podia nascer de outra forma. Eu quis ler porque o narrador é um mosquito - a mosquita fêmea que pica a personagem principal e transmite a doença. Apesar de ter muito mais justificativa do que seria necessário para uma história com tal premissa, viajamos com elas através de cidades, hospitais e a história da doença. 

É um livro interessante, com um pensamento ecológico, uma leve crítica aos médicos, e escrito há mais de 10 anos, e só agora publicado no Brasil. Vale a leitura.

25 de outubro de 2025

O Catecismo de Heidelberg

Editora Clire

Gostei de ler O Catecismo de Heidelberg, achei simples e objetivo. São muitas referências bíblicas, e a edição seria melhor se os textos estivessem inseridos para acompanharmos a leitura. 

17 de agosto de 2025

Teologia Pastoral

 

Editora Thomas Nelson

Martin Bucer publicou esse livro em 1538 - quase 500 anos atrás - e praticamente tudo o que ele diz aqui é bastante pertinente para os tempos atuais - com exceção, talvez, da discussão com a igreja católica romana que é bem característica do período da Reforma.

O autor realmente foca no que o subtítulo diz: sobre o verdadeiro cuidado das almas, e baseado em Ezequiel 34, define o serviço do pastor, como selecionar e formar pessoas para exercer esse serviço, e também classifica os tipos de ovelhas, e como podem ser cuidadas em cada caso. É lindo de se ver. 

Ele também fala do argumento dos pastores casarem: para alguém cuidar da vida deles enquanto eles se dedicam ao trabalho ministerial - e enquanto é um serviço por deveras nobre e respeitável, não menciona nada sobre mulheres também trabalharem para o serviço de Deus (parece que as freiras e outras mulheres de vocação ao serviço ministerial foram esquecidas nesse momento).

Recomendo fortemente. Está no kindle unlimited e no aplicativo Pilgrim.

8 de maio de 2025

A Consulta

 

Editora Fósforo

Lá pelas tantas nesse livro, A Consulta, de Katharina Volckmer, eu comecei a pensar: não gosto do narrador personagem ou não gosto do livro? E, se chegamos a esse ponto, senhoras e senhores, é porque o livro é bom - não importa quão incômodo ele seja (menos de 100 páginas, e eu resolvi lê-lo aos pouquinhos).

Porque é realmente incômodo, então não vou sair por aí recomendando para todo mundo, ou para qualquer um, ou para ninguém. 

4 de outubro de 2024

O dia em que Selma sonhou com um Ocapi

 

Editora Planeta

Mariana Leky entrega um livro com vários elementos que eu adoro: título curioso (O dia em que Selma sonhou com um Ocapi), personagens idosos interessantíssimos, uma trama sobre relacionamentos humanos.

No interior da Alemanha, temos tudo o que gostaríamos para alimentar nossa curiosidade sobre gente, e uma pergunta não respondida: do que essa pessoas vivem?

Muito bom.

4 de junho de 2022

You, Me, and the colors of Life

 

Editora AmazonCrossing

Confesso que quis ler esse livro pelo título poético: Você, eu e as cores da vida. A capa do livro é linda também! Também achei interessante ler um romance contemporâneo de uma autora alemã, Noa C. Walker. Mas confesso que não achei tão legal assim. Algumas partes são muito forçadas, mesmo para um chicklit. Mas é isso aí, deve ressoar bem para algumas pessoas.


11 de agosto de 2019

O rei se inclina e mata


Editora Globo Livros - Capa Delfin

O livro "O rei se inclina e mata" tem um título intrigante, e a explicação que a autora Herta Müller dá para essa expressão também é, de certa forma, intrigante. Esse livro não é ficção, mas trata-se mais de um ensaio em que ela comenta suas memórias e vai desenrolando alguns assuntos que lhe povoam a mente.

Temos a infância no interior da Romênia numa vila de cultura alemã. O crescimento num governo totalitário, e a censura de pensamento e as restrições de movimentação. A perda de amigos, o distanciamento da família e a mudança de país e de cultura. A vida na literatura e a literatura como vida. São situações críticas e não usuais para a maioria de nós, assim como a forma da prosa de Herta Müller.

Não achei um livro fácil, e me falta o contexto político da Romênia para entender melhor algumas referências que ela faz e não explica, mas foi possível conhecer um pouco mais do universo particular dessa autora.

28 de dezembro de 2017

Coração de Tinta

Editora Cia das Letras - Capa Cornelia Funke
Cornelia Funke é alemã e quis escrever um livro para apaixonados por livros - cada capítulo tem uma citação (a maioria de outros livros infantis, muitos clássicos) e a história é sobre personagens que saíram do livro "Coração de Tinta" (igual o título do livro) e vieram para o mundo "real" e algumas pessoas que entraram para dentro do livro - uma troca possível pela leitura involuntariamente mágica de Mortimer (ou Mo ou Língua Encantada).

Pelo que eu li por aí, o livro é infantil (criança mesmo) e continua em uma trilogia - eu diria que é um livro ambicioso (de 450 páginas) para esse público. Mas eu entendo que um livro que você lê na "idade certa" pode torná-lo fã de carteirinha, o que não foi o meu caso.

Eu achei o livro lento: pouca coisa acontece, mas há bastante descrição de paisagem, personagens e bastante diálogo sobre o que está acontecendo, e como os personagens estão com medo ou receosos, e o que pode vir acontecer. Talvez quando as minhas filhas forem mais velhas, eu encare o livro e as continuações, talvez mesmo o filme, mas agora pelo menos eu matei a minha curiosidade sobre esse livro de capa tão bonita que eu sempre vi na parte infantil das livrarias.

4 de fevereiro de 2016

Criando Meninas

Editora Fundamento - Capa Commcepta Design

O livro "Criando Meninas" foi escrito pela psicóloga Gisela Preuschoff, e tem algumas perguntas interessantes na capa: "Por que elas ainda são frágeis?  Como as meninas aprendem? Quando se transformam em mulheres?". Escrito em 2004, parece algo ainda mais antigo, e bem baseado em experiências pessoais - "quando eu era criança...", "aconteceu isso com a uma amiga...", embora sejam citados alguns estudos científicos.

Uma das respostas é que os pais realmente tratam as meninas diferentes - permitem que elas desistam antes, não consideram elas realmente capazes como um garoto da mesma idade, e tendem as proteger de desafios, principalmente corporais. 

Preschoff procura tratar de vários temas relacionados a criação das meninas, as brincadeiras, a vaidade, a adolescência, a puberdade e namoro. Mas nada com muita profundidade, e contando muita "historinha", o que pode ser interessante, claro, mas não que se aplica a você e sua família.

De qualquer forma, há algumas dicas interessantes, por exemplo, como lidar com a chegada de um outro filho - sendo a menina a mais velha, e tendo um irmão ou irmã, ou vice versa. Nada muito profundo, mas indicando para tomar cuidado para não declaradamente preferir o menino a menina (porque pode criar problemas de feminilidade nessa última), ou não incentivar, mesmo não intencionalmente, uma disputa entre duas irmãs.

A parte que eu mais gostei, na verdade, é quando a autora critica a opinião de um outro psicólogo, Steve Biddulph, que é contra deixar as crianças aos cuidados de outros: "Mas, Steve Biddulph é um homem. Ele não sabe o que significa, na prática, ficar a sós com um bebê ou uma criança pequena, todo santo dia, em casa, porque ele exerce uma profissão privilegiada, exatamente como eu."

Acredito que esse livro é só para quem realmente gosta do tema, não achei ele distintivo o suficiente de um senso comum.

13 de dezembro de 2014

Death in Venice and Other Stories

Editora Bantam Classic
Fato é que eu fui uma leitora adolescente de biblioteca pública municipal - ou seja, ou você atacava os clássicos, ou não teria muito outra opção. Eu lembro ainda de quando uma tia sugeriu a leitura de A Montanha Mágica, um livro lindo e enorme, o que era ótimo porque "não acabava logo". Eu lembro poucas coisas desse livro, agora, 15 anos depois, e com certeza não foi bem apreciado pela minha mente imatura. Principalmente a parte que o "mocinho" e a "mocinha" (tremam nas bases os conhecedores do livro - o que me interessava era o romance mesmo) resolvem finalmente ter uma longa conversa. Em francês. Sem notas de rodapé ou tradução no final do volume. Edição primorosa do meio do século quando as pessoas aprendiam francês na escola aqui mesmo nesse país, eu suponho, já que o restante do livro era português brasileiro mesmo.

Depois dessa experiência com Thomas Mann, resolvi esse ano ler "Morte em Veneza e outras histórias", que também é considerada uma obra prima do autor, no formato de contos. Senhoras e senhores, isso sim é boa literatura. Nessa edição da Bantam Classic para o kindle, estão primeiro os contos mais curtos, aí você vai se familiarizando com o estilo do autor. Ele é bem descritivo, realmente sabe construir a cena e o clima, é possível ver os personagens, como eles são, como eles se movem, como eles se comportam. As histórias não são intrincadas ou complexas, mas na simplicidade está ali um confronto, um impasse, uma ruptura, e muito fica com o leitor para apreciar, analisar, concluir. 

Gostei muito desse livro que não é longo, mas fui lendo aos pouquinhos, enquanto ele punha o meu cérebro para funcionar.

18 de setembro de 2011

O Tambor

Editora Nova Fronteira
Em 1999, Gunter Grass ganhou o prêmio Nobel de Literatura e a sua principal obra de referência era "O Tambor". Curiosa a respeito do mais novo laureado, alemão, peguei esse livro na Biblioteca Municipal de Valinhos. Na hora de passar pelo balcão, a senhora comenta: "Que engraçado, ninguém pegava esse livro há 10 anos e você é a terceira nesse mês." E eu: "É que o autor acabou de ganhar o prêmio Nobel". E ela: "Ah...".

Essa pequena anedota diz duas coisas:

1) Pessoas que trabalham em biblioteca não necessariamente gostam de livros e todo o seu mundo.

2) Livros de Nobel são assim: passam anos ignorados pela população em geral, até serem popularizados por algum instante. (Se alguém conhece a biblioteca de Valinhos, vai lá ver para mim desde quando ninguém lê esse livro, por favor).


Eu não  me lembrava com detalhes da história, mas a wikipedia me ajudou. O livro são as memórias de um anão, que está num asilo na década de 50, desde o seu nascimento na Polônia. É ele que toca o tambor, inclusive para entreter as tropas nazistas numa "trupe de anões". O livro foi escrito bem naquela época, então é um retrato da sociedade alemã contemporânea - e o que os entendidos gostam de chamar de "crítica social".

Eu não gostei tanto assim para me empolgar de ler outros, mas foi interessante conhecer um Nobel - e a literatura alemã que nem é tão conhecida por aqui.

19 de maio de 2010

O Diário de Anne Frank


Chegamos em Berlim, a cidade mais emblemática da 2a Guerra Mundial, marcada até hoje por resquícios do muro, cicatriz na pele da cidade. O primeiro livro que eu li sobre guerra, assim como muita gente (acredito eu) foi o Diário de Anne Frank, no comecinho do ginásio (ou, para os modernos, no 6o ou 7o ano). É a história de uma menina judia, da mesma idade que eu na época, que escreve um diário que começa assim bem normal, até começar a perseguição aos judeus e ela ir parar num sótão, escondida com a família.
O que era bem banal e corriqueiro na época, conversar com amigas, a primeira paixonite, vira a situação tão surreal para nós (longe, no brasil, décadas depois), que é de estar preso e não estar, conflitos pelo "enclausulamento", racionamento de comida e medo.

O livro é um choque, assim como todos os outros livros que eu já li que falam da guerra, os campos de concentração, a perseguição, as mortes, ou mesmo os que "explicam" a lógica do nazismo.

Não conheço o suficiente de história para falar muito sobre o assunto, ideologias e guerras, mas ele diz respeito a todos nós, em todas épocas. E se você nunca leu esse livro, seja adolescente ou adulto, nunca é tarde...