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4 de janeiro de 2020

Amigos e Amantes

Editora Vida Nova - Capa 

A proposta da Série Cruciforme é apresentar livros simples sobre temas relevantes para a vida prática do cristão, e com esse livro de Joel R. Beeke, eles acertam em cheio. "Amigos e Amantes" tem pouco mais de 100 páginas, texto fácil com dicas práticas e pertinentes, sem delongas.

Como o próprio autor fala, é fácil ver livros sobre relacionamentos amorosos falando de amor, sexo, finanças, resolução de conflitos, etc, mas não tanto sobre amizade. Geralmente um namoro começa com a amizade, mas parece que isso "tem que acabar" quando se é "promovido a cônjuge". Não são mais amigos, são casados. Acredito que a lembrança de que amizade importa e sempre importará é muito válida.

Recomendo o livro para homens e mulheres casados - é realmente rápido de ler e com dicas práticas, embasando o subtítulo: "como cultivar a amizade e a intimidade no relacionamento".

1 de dezembro de 2019

A Redescoberta do Mundo

Editora Nova Fronteira

O livro de Thrity Umrigar começa com uma mulher de origem indiana, nos Estados Unidos, descobrindo que possui câncer cerebral em estágio terminal e decide convidar as 3 melhores amigas da juventude (na época da faculdade) a ir visita-la para uma despedida. Duas delas continuam amigas, mais de 20 anos depois, mas a outra "sumiu" e não tem contato nem com os próprios pais. 

A partir daí somos levadas pela retomada da amizade e lembranças da trajetória de cada uma, num momento de reflexão sobre a vida toda que só uma crise como essa proximidade da morte pode trazer. É literalmente "A redescoberta do mundo", título da obra.

Embora com uma carga sentimental bem alta, a história é dinâmica, tocada pelo próprio andamento da doença, que vai se agravando e trazendo urgência para todo processo. Ele nos leva a pensar sobre o que define as amizades da juventude e como elas permanecem (ou não) em nossas vidas. Além disso, é muito interessante o retrato cultural da Índia, um pouco da pluralidade religiosa, das disputas políticas, e as classes sociais. 
 
É mais um romance do que um retrato cultural, mas acredito que isso realmente enriquece a literatura, quando você tem uma ótima história muito bem amparada no seu mundo literário (seja ele real ou imaginário).

18 de novembro de 2017

Relationships - a mess worth making

Editora New Growth Press - Capa Matt Nowicki

"Relacionamentos - uma confusão que vale a pena" é um livro fantástico que ultrapassa os limites do que se espera ler sobre relacionamentos - já que ele não fala só somente relações amorosas, mas todas - entre amigos, colegas, companheiros de trabalho.

O ponto de Timothy S. Lane e Paul David Tripp é que Deus se apresenta como um ser e 3 pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, que se relacionam entre si. Mais que isso, é um Deus que procura se relacionar com a humanidade - a Bíblia está aí como a história desse relacionamento, que permanece vivo através das igrejas, e na relação de salvação pessoal.

Dessa forma, eles afirmam que os relacionamentos são importantes. No entanto, isso não quer dizer que são fáceis. A relação entre duas pessoas tende a causar conflito, e é por meio dessa bagunça / confusão que se amadure, se aprende, chega-se a patamares que valem a pena.

Eu realmente gostei muito desse livro, aprendi muito com ele - principalmente no tocante a amizades (assim como a série de mensagens da IBAB nesse ano de 2017, que falam sobre amizades), e o recomendo para todos que quiserem entender porque não é bom que se viva só.

20 de julho de 2015

Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento

Editora Globo - Capa Mariana Newlands

Alice Munro ganhou o Nobel de Literatura de 2013 e assim mostrou a importância dos contos. Talvez isso faça sentido nos dias atuais, de correria e enxurrada de informações - a literatura também se apressando, mas o fato é que ela é muito boa. Seus contos são acessíveis e mostram a complexidade da natureza humana de forma simples e direta.

Vários livros dela estão disponíveis para quem assina o "kindle unlimited", e é uma das poucas coisas boas desse catálogo. Eu gostei muito de ler "Ódio, amizade, namoro, amor, casamento", livro no qual esses sentimentos estão em foco - mas quando é que não estão?


26 de dezembro de 2014

Looking for Alaska


Contos:
The Imperfectionists - Tom Rachman

Infantil:
Ter um patinho é útil - Isol

Contemporâneo:
Não me abandone jamais - Kazuo Ishiguro

Clássico:
To kill a Mockingbird (O sol nasce para todos) - Harper Lee

Não ficção:
Crianças Francesas não fazem manha - Pamela Druckerman

Hors Concurs:
Harry Potter, claro!

8 de março de 2013

Fazes-me falta

Editora Objetiva - Capa Erika Azuma e Rodrigo Disperati

"Fazes-me falta" é um livro lindo. Lírico. Sensível. Uma história de amor. De amizade. Diferente.

Um homem e uma mulher dialogam, próximos, mas numa distância infinita: ele tenta superar a morte prematura dela, que também revive sua vida e seus relacionamentos.

Inês Pedrosa nos envolve aos poucos dentro desse universo, (sua prosa parece ter outro ritmo, apesar de ser o mesmo português), e vamos nos aproximando cada vez mais desse casal, indo para dentro de suas mentes e corações - e podemos até encontrar um pouco de nós mesmos e nossos sentimentos...


23 de dezembro de 2012

The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society

Editora Dell - Capa Roberto de Vicq de Cumptich
"A Sociedade Literária e da Torta de Casca de Batata de Guernsey" é  um retrato maravilhoso de uma pequena comunidade pós a ocupação alemã da ilha de Guernsey no canal da Mancha. A história é tão singular e os personagens, carsmáticos, que você deseja que eles existam, e seus filhos e netos estejam vivos por aí até hoje como uma lembrança viva do que se passou.
 
O romance é espitolar, ou seja, tudo o que lemos são as cartas que os personagens trocam, numa época que não havia a pressa da comunicação instantânea, e embora você ficasse curiosa em receber logo uma resposta - ou conhecer pessoalmente o outro! - tudo era feito com mais calma, o que, por sua vez, tornava comum que visitas durassem semanas quando uma viagem realmente acontece.
 
É triste saber que não teremos mais livros como esse, pois a primeira autora, Mary Ann Shaffer, faleceu. Ela era idosa quando escreveu esse livro, e precisou da ajuda da sobrinha, Annie Barrows, para finaliza-lo.
 
Uma nota final: o livro não tem a receita da torta de casca de batata que eles faziam durante a guerra, mas há algumas receitas na internet, e eu pretendo testar alguma um dia!

28 de outubro de 2012

The perks of being a wallflower

Editora Gallery Books
Quando eu comentei com algumas pessoas que eu estava lendo o livro do filme "As vantagens de ser invisível", o que eu mais ouvi foi: "que filme é esse?", embora ele tenha estreado no cinema esse mês, e conte com pelo menos uma atriz famosa - Emma Watson, a Hermione. Então, se o filme não alcançou um grande público, imagina o livro de Stephen Chbosky, escrito no final da década de 90... Mas pelo que eu pesquisei, ele foi sim um best-seller nos Estados Unidos, e o seu retrato da adolescência estereotipada americana - com sexo, bebidas, drogas e até rock n'roll - chegou a ser proibido em alguns estados.

O livro é uma coletânea de cartas do personagem principal, Charlie, que decide escrever para alguém que ele não conhece sobre sua vida, suas emoções e seus pensamentos. É nítido que o garoto não é normal, tem algum tipo de imaturidade emocional que torna deturpada a sua visão de mundo. E ele chora muito. É um pouco irritante até, o tanto que ele chora, por diversos motivos. (Mas talvez seja eu, um pouco sem coração).

Eu não conheço os outros atores, mas puder ler o livro todo vendo a Emma Watson no papel de Sam, então perdi a vontade de ver o filme no cinema - é como se já tivesse assistido tudo na minha cabeça. Fora que é algo beeeeeeem adolescente, então, se você está próximo dessa época, pode rolar uma identificação e empatia, eu já estou acá pensando "crianças..." :-D Incrível como envelhecer altera mesmo as suas lentes de ver o mundo (e isso não é ruim). 

19 de maio de 2011

Nosso último verão

Editora Objetiva - Capa Silvana Mattievich 
Ok, estou de férias na praia (1 semana), então esse post foi inspirado nesse tema e preparado antes de ir. Depois eu conto das minhas leituras praianas.

Esse livron de Ann Brashares é sobre duas irmãs num triângulo amoroso por um amigo de infância, Paul. Eles se reencontram nas férias, numa daquelas cidadezinhas americanas litorâneas, em que o calor não é tão quente, e que tem mais gente andando de barco do que efetivamente deitado na areia.

É um livro sobre irmãs, família e amizade, mas eu ganhei de aniversário de amigas 3 anos atrás porque tinham duas loiras na capa.

Com esse título, "Nosso último verão", você pode esperar que aí vem tragédia, mas, até ela acontecer, certeza que você já está totalmente envolvida e vai derramar algumas lágrimas.

Sim, é um livro de garotas, sim, é um livro fácil de férias, sim, o final é feliz, sim, nós gostamos disso mesmo.

2 de maio de 2011

Diário de Bordo: China

Esse é um livro muito especial! Foi escrito por um amigo meu, o Leonardo Alves, ou Leo Branco, ou Leo - e isso é muito louco! Conhecer alguém, mas conhecer de verdade, que já publicou um livro, está disponível na Saraiva... Muito louco.

O Leo adora viajar, e já conheceu diferentes lugares do mundo, mas em 2009 ele foi para o lugar mais louco de todos: China, para passar um mês estudando mandarim, convivendo com chineses e conhecendo todos os pontos turísticos de Pequim. Ou Beijing.

Parênteses: Por que passamos a chamar Pequim de Beijing? Nós chamamos "London" de Londres, não? E "New York" de Nova York (ou Iorque!), não? Fecha parênteses.

É a visão da China e do mundo oriental de um estudante brasileiro de 20 e pouquinhos anos, bem aberto a conversar com as pessoas (mesmo se for uma chinesa na fila para ver o corpo embalsamado de Mao perguntando sobre Jackie Chan), bem aberto para experimentar coisas novas (literalmente, de cérebro de cavalo - booooom - a bicho de seda - nojeeeeento), e escrever um diário bem aberto sobre o que está pensando de toda situação e fazendo comparações com a cultura ocidental e nosso modo de pensar. Tudo de uma maneira bem informal e sincera, como emails enviados para amigos devem ser (e foram, literalmente).

Dá vontade de conhecer a China pessoalmente, mas é ótimo ter a visão de uma outra pessoa, que faz jus ao título de turista, fazendo coisas que eu nunca faria (como comer coisas estranhas). (E para relativamente corajosos para ir até lá: há opções de pizza hut e macdonalds a restaurantes brasileiros).

É uma leitura fácil, rápida e divertida. Eu recomendo e faço propaganda: é possível comprar o livro na Saraiva e na Loja Singular.

PS: Hoje é o dia dos parênteses.
PPS: (Hoje.)
PPPS: (Adoro!)

11 de novembro de 2010

As Brumas de Avalon

Lá pelos meus 14 anos, a tia Helô, muito querida, me entregou uma edição velhinha de Brumas de Avalon (não essa da foto), também em 4 volumes, e disse: "você tem que ler esse livro". Olha, era sobre o Rei Artur, magia, não fui muito com a cara não. Mas depois de começar a ler o primeiro livro, foi paixão. E passando rapidamente para o segundo, comecei um "clube do livro", e a Fér foi a próxima a ler, passando para a Ania e para não lembro mais quem.
E nós, um grupo de amigas (já chamado de Clube da Lulu), adoramos o livro, falávamos e discutíamos sobre ele, nos identificávamos. Naquela época de ICQ, adotamos os apelidos de acordo com as personagens que nos foram mais simpáticas, ou que mais tivemos identificação: a Ania virou a Morgana, Anacarol era Raven (se não me engano), a Fér era Dierna, e eu era Sianna (estas duas últimas de outro livro: A Senhora de Avalon que se passa antes de Brumas, e eu acabei comprando na época).
Porque, mais do que sobre o Rei Artur e magia, acredito que Brumas é um livro super feminista, que mostra a atuação da mulher apesar de uma socidade machista, como ela pode exercer um poder diferente do homem, às vezes mais sutil e "dos bastidores". Era o Girl Power das Spice Girls com mais cérebro, eu diria.
Esse discurso todo fala muito com a garota adolescente, está relacionado a auto-estima. Esse livro foi importante para a gente, mas está relacionado com uma época da nossa vida, que passou. Acho que nenhuma de nós leu de novo. (Mas é interessante ver que esse livro pode significar muito mais para outras pessoas, como a Cláudia, da Vaquinha Gertrudes, que agora tem uma filha chamada Morgana).
Mais do que isso, "Brumas" para mim está marcado como um aspecto da nossa amizade: de ler junto, conversar, discutir, analisar sempre nosso papel como mulher, nossa vida, desde aquela idade.
Por isso, esse post é para dar os Parabéns para as Anas e celebrar a amizade de todas nós. Feliz aniversário, garotas! Que venham mais eventos, livros, conversas e análises por aí!

2 de novembro de 2010

A elegância do ouriço

Editora Companhia das Letras - Capa Kiko Farkas e Elisa Cardoso

Esse livro é bem diferente dos últimos que eu tenho lido: com uma linguagem sofisticada, os personagens são muito mais elaborados e ele é ponteado por discussões filosóficas. No começo, é preciso insistir. O autor se coloca "dentro" da cabeça das duas personagens principais, e acompanhá-las não é nada simples. Com a entrada de um terceiro personagem, o ritmo se apressas, as coisas começam a acontecer - e pronto, o livro lhe conquistou.
Reneé, uma concierge (um tipo de zelador) em um prédio chique em Paris, é autodidata, adora arte, filosofia e literatura, e observa os seus vizinhos com olho clínico. Ela se esforça para não escapar do estereótipo de concierge, agindo como boba e não deixando transparecer sua rotina de ler, visitar bibliotecas e assistir filmes cults e não acompanhar nada da programação da TV. Ela possui uma amiga faxineira portuguesa, Manuela, que é uma personagem deliciosa e divertida.
Paloma, uma garota de 12 anos, filha de um político socialista, uma mãe perdida em medicação antidepressiva e uma irmã universitária riponga, ela é extremamente inteligente e desiludida do mundo, então ela começa 2 diários: um de pensamentos profundos e outro sobre movimentos do mundo, para deixar para a posteridade antes de colocar fogo no apartamento em que mora (no prédio da Reneé) e se matar.
O terceiro personagem é um senhor japonês que se muda para o prédio e acaba por mudar a vida das outras duas (e sim, nesse momento que o livro fica bem legal).
Alguns detalhes realmente mostram como livro de literatura é diferente de um blockbuster (por mais que esses útlimos sejam muito divertidos): demoramos dezenas de páginas para descobrir o nome da Paloma (afinal, ela está escrevendo um diário, ela não vira e fala: Oi, eu sou a Paloma, sabendo que existem outras formas de identificar os seus escritos), o livro Anna Karenina é um dos preferidos de Reneé, e ela lê e se relaciona com ele e seu conteúdo, não é só uma citação para significar que a personagem é inteligente e pronto (como em A última música, nas mãos de Ronnie), e no meio da história, há verdadeiras pérolas. A maioria das frases que eu gostei fazem muito sentido dentro do contexto do livro, mas eu vou copiar algumas aqui para vocês sentirem o livro também:

"Se vocês querem compreender nossa família, basta olhar para os gatos."

Teste do texto com a mirabela (uma fruta, mas eu não consegui encontrar referências no google!) Se resistem mutuamente às poderosas investidas, se a mirabela ficasse no intuito de me fazer duvidar do texto e se o texto não consegue estragar a fruta, então sei que estou em presença de uma obra importante e, digamos, excepcional de tal forma que são poucas as que, ridículas e fátuas, não são dissolvidas na extraordinária suculência daquelas bolinhas douradas."

"A gramática é um fim e não somente um objetivo: é um acesso à estrutura e a beleza da língua."

"Vocês são sensíveis à poesia desse termo? Avitualha-se um barco, aprovisiona-se uma cidade. A quem não entendeu que o encatamento da língua nasce dessas sutilezas dirijo o seguinte pedido: desconfiem das vírgulas."

"Tenha só uma amiga, mas a escolha bem."


Esse livro demorou para chegar até às minhas mãos: foi presente da Fér para Ania uns anos atrás, e sou muito grata por ter oportunidade de lê-lo, e mais grata ainda por ter essas amigas de literatura!

17 de outubro de 2010

Quando termina é porque acabou

Eu não gosto muito de livro de auto ajuda, mas posso dizer que esse autor é diferente - Greg Behrendt também escreveu "Ele simplesmente não está a fim de você", que eu também já li e achei o máximo.
Porque mulher tem um cérebro complicado e complica tudo mesmo. E quando está apaixonada? Aí que viaja mesmo! Vê coisas que não existe. Delírio. Então o "Ele simplesmente não está a fim de você" - é assim simples mesmo, para fazer o pé voltar ao chão. E o filme é ótimo também.
Se o primeiro livro é mais sobre começo de relacionamento, esse é do final - para aquelas pessoas (ou melhor, mais especificamente mulheres) que estão num relacionamento fracassado se agarrando a ele como a destroço de naufrágio, ou para aquelas que foram chutadas e estão na maior fossa. (O título em inglês é bem melhor: It's called break up because it's broken).
Com muito bom humor, dicas de auto estima, e historinhas deles mesmo e de outras pessoas, os autores (o Greg e sua esposa) vão construindo um programa de recuperação da fossa, que começa, por exemplo, com 60 dias sem falar ou mandar mensagem ou mandar email para a pessoa amada que não vai voltar.
Eu gostei muito de ler esse livro (e fico imaginando o que as pessoas no trem estavam pensando de mim, ali, com uma aliança de casamento, lendo esse livro: "coitada, está em processo de negação"). Eu também gostaria de dizer que a minha amiga que comprou esse livro para se auto-ajudar mesmo só teve benefícios e conseguiu se livrar da paixão pelo carinha que a fez sofrer - mas não posso. Ela tentou, não conseguiu, e eles estão juntos de novo - talvez não tivesse terminado, quebrado e despedaçado mesmo. Ou talvez ela seja muito talentosa mesmo em recuperação de patrimônio pós-terremoto. Agora, a nós, as amigas, só nos resta torcer para que não quebre de novo.
Mesmo assim, prefiro acreditar que esse livro pode ajudar alguém a se recuperar mesmo, ou a alguma amiga a ser o apoio necessário para quem precisar. E se isso não acontecer, eu garanto uma diversão rápida e gostosa - pelo menos para rir das desgraças alheias!

17 de julho de 2010

O Dia do Curinga

O Dia do Curinga é um livro incrível do mesmo autor de "O Mundo de Sofia", Jostein Gaarder. O livro da Sofia foi o que ficou mais famoso, lançado primeiro, toda uma nova abordagem em filosofia, mas, convenhamos, não deixa de ser um livro "didático", escrito para ser utilizado na sala de aula. (Então, para aqueles que não conseguiram chegar até o final, a minha sugestão é: leia só a história da Sofia, pulando a parte teórica - em cartas ou preleções. Vale a pena ler para ver o fim).
Agora o Dia do Curinga é diferente porque é um romance, mesmo, a história do pai e o filho que viajam de carro da noruega para a grécia a procura da mãe. No meio da jornada, algumas coisas bem estranhas acontecem - um anão dá ao garoto uma lupa e, por causa dela, ele ganha um livrinho de um padeiro que conta uma história fantástica sobre uma ilha em que as cartas de um baralho ganham vida. Um dos pontos mais interessantes do livro é o calendário da ilha: são 13 meses de 28 dias, cada um correspondente a uma carta do baralho (Ás, 2, 3, etc). Para dar 365 dias, tem mais o dia do curinga. A cada 4 anos, um dia do curinga a mais!
A filosofia está ali, nas reflexões do Hans Thomas, na interação do garoto com essa história do livrinho. É a parte séria, não sendo teorizada, mas vivida.
Esse livro é um dos preferidos da minha irmã Larissa, a aniversariante do dia 18 de julho. Esta loira linda não é uma leitora compulsiva como eu, o que lhe dá um filtro melhor para livros bons (é dela "Os Espiões"). Madura em seu 1/4 de século, é ainda a criança, alegria da casa e de todos que a conhecem. O Dia do Curinga combina com ela, uma história incrível, com humor, lances inteligentes e surpreendentes.
Recomendo muito ler, para se divertir e não ter medo de livros grandes. Recomendo muito conhecer a minha irmã, para se divertir e saber o que é uma grande amiga.
Amo muito você, pequena! Parabéns!

24 de março de 2010

Anna Karenina

Era uma vez, a muito tempo atrás, uma garota que viu um livro chamado Anna Karenina e achou o título muito bonito. Karenina, que nome diferente. Aí ela resolveu ler, claro. Era um livro enorme, com letras pequenas, mas o título!
Foi assim que eu comecei a ler e gostar de livros russos. Esses livros que os personagens tem vários nomes e vários apelidos e você fica perdida. Esses livros antigos que se passam num lugar longe que não existe mais daquela maneira. Esses livros que os personagens, pobres e ricos, urbanos e rurais, discutem filosofia e política na mesa do jantar.
Adorei.
Claro que aos 14 anos de idade, não são muito fáceis de ler, e eu acabei pulando umas partes (prometo que vou ler de novo inteiro!), mas Anna Karenina me fez me apaixonar por livros russos, e eu li quase todos da seção de literatura russa na biblioteca municipal de Valinhos.
Biblioteca que era o ponto de encontro com outra Ana, a Ana Paula, durante todo nosso colegial. Era sair de casa a pé, ir para a biblioteca, trocar os livros que já tínhamos lido por novos, sentar na praça e tomar sorvete. E conversar, conversar, conversar. Essa é uma das lembranças mais queridas da minha adolescência, que não faz tanto tempo assim, mas não volta mais...
Dez anos depois, a amizade permanece, assim como o apelido também: Ania, como as russas dos livros que a gente leu.

PS: Karenina é o feminino de Karenin, o marido de Anna - eu só descobri Kariênina depois e não gostei. Mas isso eu acho que só funciona na Rússia, que não ia ser nada bonito eu sendo chamada de Taciana Triga.

PPS: Anna Karenina é sobre uma mulher que entra em crise no casamento, apaixona-se por outro. Mas veja bem, quase toda literatura russa dessa época é uma discussão sobre a situação atual deles, a crise política, a sociedade, a revolução iminente e filosofia. Eles são cristãos ortodoxos geralmente, ou ateus, e muito críticos. Depois eu li Crime e Castigo, Dr. Jivago, A mãe, O Idiota, e outros, mas os que eu mais gostei foram Irmãos Karamazóv e, top dos tops, Guerra e Paz.

20 de março de 2010

The Soloist

O Solista é uma história real, escrito na primeira pessoa por Steve Lopez, um jornalista que cruza o caminho de Nathaniel Anthony Ayers, um músico, que, por causa da esquizofrenia, acaba morando nas ruas de Los Angeles. A cidade de Beethoven, segundo o próprio, por causa de uma estátua perto da sala de concerto da Disney. Essa aqui ó:
 
Já fizeram o filme desse livro, mas eu não assisti, e não sei se vou assitir. Não sei se o filme é tão legal quanto o livro, e sempre fico receosa nesses casos.
Essse livro pode ser visto como um livro sobre solidariedade, ou a miséria nas ruas de uma grande cidade, o poder da música ou sobre uma pessoa talentosa marcada por uma doença mental, mas eu prefiro dizer que é sobre amizade. Como a amizade pode nascer, na maneira que você menos espera, e o que é ser amigo de verdade. Em determinado ponto do livro, um médico diz ao Steve que a amizade entre eles teve algum efeito bioquímico no cérebro do Nathaniel - relacionando com o início da mudança na vida dele. Não é emocionante isso?
Outro ponto que eu achei bem legal é a sinceridade do autor, que escreve sobre os seus conflitos em ajudar o Nathaniel, porque ele se interessava, queria ajudar, mas ao mesmo tempo não sabia como, e às vezes se sentia "desperdiçando" o seu tempo, perdendo tempo que ele poderia curtir com sua família - esposa e filha pequena (no filme, me disseram que elas não existem). Tudo isso sem fazer pose de mártir, vítima, ou com uma falsa hipocrisia ou orgulho por estar ajudando outra pessoa "necessitada".
Gostei muito de ler esse livro, tão humano no sentido real da palavra, com suas coisas boas e ruins. Agradeço a Juliana, que me deu esse presente de natal ano passado. E aproveito para agradecer a todas as minhas grandes amigas queridas, longe ou perto, por suas amizades, Lari, Lalá, Ju, Debô, Tati, Fér, Ania (viu, vc apareceu no blog!). Amo vocês.
Por fim, como curiosidade, Mr. Lopez e Mr. Ayers: