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12 de dezembro de 2021

Life

 

Kindle Editions

Life, de Lu Yao, fala sobre um homem no interior da China e sua trajetória como jovem adulto - a perda de emprego para o filho de alguém mais influente, a volta para o trabalho braçal, e mais para frente duas possíveis candidatas ao seu coração, e o que o amor representa numa sociedade tão regulamentada ou controlada a fim de funcionar bem.

Escrito por um chinês, é uma forma de conhecer pequenos mecanismos da sociedade, que nem sendo turista seria fácil de observar. 



23 de março de 2018

As Rãs

Editora Companhia das Letras - Capa Carlo Giovani

O livro "As Rãs" foi escrito pelo autor chinês Mo Yan, ganhador do Prêmio Nobel em 2012. É incrivelmente perturbador por focar a narrativa a médica / parteira de uma região do interior, que também tem a responsabilidade de colocar em vigor a política de Filho Único do governo, o que inclui abortos de "filhos não autorizados", operações de vasectomia, e colocações de DIU em pessoas reticentes.

É chocante.

Incrível que eu nunca tinha parado para pensar no que realmente significava a política de filho único na China. Algo impessoal como: as pessoas só podem ter um filho, e assim elas faziam e pronto. Mas não, óbvio, não basta uma lei para decidir isso - ainda mais para pessoas cujos filhos representam riqueza em mão de obra... Como deve ter sido difícil!

O narrador passa uma ideia de insensibilidade também, não só com essa questão social como nos seus próprios relacionamentos, o que dá um teor estranho para o livro - o que é aprofundado pelas diferenças culturais entre brasileiros e chineses.

Não posso dizer que eu adorei o livro, mas recomendo, claro, porque é sempre interessante ler sobre outras culturas num livro de um bom autor reconhecido.

24 de outubro de 2010

A montanha e o rio


Esse é o terceiro livro chinês que eu leio - os outros foram As boas mulheres da china e Cisnes Selvagens. Mas esse é o 1o escrito por um homem. E o primeiro de ficção. A diferença é grande, assim como a diferença entre homem e mulher na China é enorme.
Ler um livro sobre a China, é mergulhar num universo totalmente diferente do nosso mundo ocidental, religião, política, trabalho, liberdade. Ainda são homens e mulheres, os sentimentos são os mesmos, mas a realidade é toda outra. Os dois livros que eu li antes, são emocioanantes, relato da história e do cotidiano de um outro povo, do ponto de vista feminino, sofredor, real. Esse também é assim, mas o foco está em 2 homens, o que eu acho que muda tudo.
Na contra-capa você fica sabendo que a há uma mulher na história, divida entre dois amores: Shento e Tan, dois irmãos - "um morreria por mim e outro não viveria sem mim". Dramático demais. Assim como o livro - tudo é demais. Os homens são bons demais. Corajosos demais. Inteligente demais. A nossa heroína também não é lá muito comum - órfã, abandonada, numa vida difícil, mas sempre "muito" também - estudiosa, inteligente, esperta, batalhadora. As desgraças e retomadas são demais também. Os personagens vão da miséria total para o absoluto poder e vice-versa.
Acontece que o livro é interessante, por contar um pouco do cenário histórico da China (décadas de 60 a 80), mas achei tudo forçado demais. E se é para forçar a verossimilhança, que seja para ter um romance bem bonito, daqueles de chorar. Pareceu-me que a mulher estava ali só para criar mais uma tensão entre os dois personagens masculinos, a história era deles (se não bastasse um ser filho legítimo e outro o bastardo abandonado, que pegam raiva um do outro por n motivos).
Ah, algo que eu gosto na cultura chinesa  é como eles trocam (ou trocavam?) de nomes. Uma criança chamava Ming - que queria dizer luz, brilhante, e em determinado momento resolvem chamar (apelidar?) de Tai Ping, ou o oceano Pacífico. Gosto que os nomes tenham significado, por mais estranho que isso possa parecer...
Agora a dona do livro - minha amiga de pais chineses - Debô (ou a gata) pode dizer o que ela achou...