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29 de janeiro de 2023

Pachinko

Editoral Grand Central Publishing

Pachinko é uma história familiar, longa e muito bem escrita, ou seja, uma maravilha de leitura. A obra de Min Jin Lee traz perspectiva sobre a história da Coreia do Sul e sua relação com o Japão durante o século XX. 

Confesso que eu fiquei esperando aparecer uma personagem chamada Pachinko, até chegar na metade do livro e perceber que era um jogo de azar e um negócio dos personagens 😅, mas fica aqui como informação prévia da história e uma sugestão de nome para bichinho de estimação. 

18 de maio de 2018

Os Pilares da Terra

Editora Arqueiro - Capa Ana Paula Daudt Brandão

Logo na introdução, o autor Ken Follett fala sobre sua saga de escrever um livro sobre a construção de uma igreja na época medieval - como nasceu seu interessa, sua pesquisa, os vários anos detalhando a história - e depois como foi difícil publica-lo, e como o sucesso veio organicamente, através do boca a boca e influenciadores especiais, como a Oprah, que divulgou o livro em seu clube de leitura. Hoje, já existe até uma minissérie sobre ele.

"Os Pilares da Terra" é um mega tijolo - mais de 800 páginas - numa história que cobre várias décadas. Há personagens cativantes, mulheres fortes e empreendedoras (o que eu não sei dizer se é projeção da nossa modernidade ou algo real), mas muito muito sofrimento como só uma civilização na base do salve-se como puder pode oferecer a você.

Eu desanimei um pouco no começo do livro porque eu imaginava as centenas de páginas que faltavam (no livro digital não são fisicamente tangíveis) e pensava: nossa, como eles ainda vão sofrer!... Mas perseverei, e cheguei no bom final.

Esse livro é anterior ao Mundo sem Fim, que também foi escrito depois. Eu achei Pilares da Terra muito interessante, mas eu gostei mais do Mundo sem Fim, achei mais elaborado, talvez, mais tramas principais que evitam que tudo de mal e de bem aconteçam com os mesmos mocinhos das história. No entanto, ambos valem muito a leitura pelo panorama incrível da Idade Média que trazem e nós desconhecemos em sua maioria.

21 de novembro de 2017

Série Napolitana


Editora Globo - Capa Mariana Bernd

Eu li a Série Napolitana de Elena Ferrante. São livros incríveis, que realmente não dá vontade de parar de ler - queremos acompanhar a vida da Lenú, saber o que vai acontecer com a Lila, e todos aqueles amigos de infância que seguem caminhos diferentes, que se cruzam e se interrompem.

Embora se passe há décadas atrás na periferia de Nápoles, há temas universais relacionadas ao universo feminino - carreira, namoro, casamento, sexo, maternidade, a relação com a mãe, a sogra, a empregada, o marido e os filhos. Mas o tema principal de maior destaque é a amizade entre Lenú e Lila, e como essa relação muda da infância para adolescência, da vida adulta para a maturidade, e como há um carinho - quiçá um amor - entre elas, as circunstâncias afetam esse relacionamento de maneiras imprevistas.

Outro tema que também chama a atenção é essa trajetória de independência feminina e como isso muda e torna confuso o relacionamento com os homens, que, nessa época (não agora! de jeito nenhum!), ainda não sabiam lidar com tanta emancipação. Aliás, a própria mulher ainda não sabe como lidar com suas expectativas amorosas - e podem agir muito bobamente em algumas situações. (Não entro em detalhes para não dar spoilers).

Não é literatura profunda, são livros para entretenimento, e bom para ler com uma amiga, ou num clube de leitura, para discutir alguns temas ali apresentados - o que elas pensavam? O que nós pensamos? Como nossa vida mudou e o que continua igual, e, principalmente, para onde queremos ir?





25 de junho de 2017

Bellefleur

Editora Ecco

Eu li "Bellefleur" para conhecer a autora Joyce Carol Oates. Eu não sabia muito bem onde eu estava me metendo, e aí em paralelo a uma leitura beeeeeeeem leeeeeeeeeeenta, eu descobri que esse é um romance da sua saga gótica. Aí que eu não tenho uma definição teórica sobre isso, mas, na prática, a história é bem sombria com toques surrealistas. 

Nesse livro, é contada a história da família Bellefleur, por décadas, de maneira não linear. Apesar da genealogia logo na primeira página, é difícil de acompanhar alguns pulos, até você pescar um nome e ir achar mais ou menos o ponto em que se está na cronologia. Embora muito seja bem verossímil, vira e mexe algo fantástico acontece: uma ave enorme captura e leva embora um bebê, um marido se revela um vampiro que bebe lentamente o sangue da esposa, um homem volta 50 anos depois de ter sido levado por uma enchente. 

A família é marcada por assassinatos, disputas e brigas, então não é mesmo um passeio no campo, apesar de ter alguns momentos bonitos e reflexivos, principalmente relacionados a histórias de amor. Pode-se dizer até que é um livro sobre relacionamentos amorosos, nas suas mais diversas formas.

Eu geralmente gosto disso - romance - mas achei o livro difícil de fluir, de se envolver. É interessante, mas não é gostoso. A autora é uma das candidatas frequentes ao Prêmio Nobel de Literatura, mas não pretendo encarar outro livro dela no médio prazo.

15 de maio de 2012

A Feast for Crows e A Dance with Dragons

Editora HarperCollins Publishers
Os últimos dois livros lançados da série de Guerra dos Tronos, juntos, tem mais de duas mil páginas e dezenas de personages principais (aqueles que são nomes de capítulos). "Um Banquete para os Corvos" e "Uma dança com dragões" são respectivamente o quarto e o quinto livro da série de George R. R. Martín, a quem incluímos nas nossas orações para que não morra antes de escrever os dois livros que faltam.

É difícil comentar algo da história sem fazer spoilers, mas esse é a minha proposta aqui - continuamos torcendo para alguns personagens, mas o autor continua sem dó para ceifar cabeças e nos surpreender com uma reviravolta que é de tirar o chão, isso principalmente mais para o final do 5o livro, quando a trama acelera.

Pois o que é admirável nessa obra - a forma como G. R. R. Martín descreve todos os jogadores desse jogo de poder, sejam eles grandes ou pequenos - também é o que a deixa inconstante: afinal gostamos mais de alguns personagens, que são mais interessantes ou simpáticos, mas para dar conta de andar com todas as tramas paralelamente, os "preferidos" demoram para aparecer - talvez até deliberadamente para aguçar ainda mais nossa curiosidade.

A trama é realmente complexa e muito bem construída: além de estar contando sobre a vida de centenas de pessoas, nesses livros há mais revelações sobre a história de Westeros e do resto desse mundo que não sei como cabe na mente de um homem só. De ficar boquiaberta, e torcer para o próximo livro ser lançado logo. Corra, Martín, corra!

9 de maio de 2012

O tempo e o vento

Editora Companhia das Letras
"O tempo e o vento" é a saga de uma família no Rio Grande do Sul, ou a saga do Rio Grande do Sul contada através de uma família. São 7 livros, em 3 partes: "O Continente", "O retrato" e "O arquipélago", de uma riqueza narrativa incrível. Eu li em poucas semanas muitos anos atrás, e fiquei muito encantada a ponto de colocar no meu top 10 - tanto por gostar muito dessas histórias compridas, como por gostar de como Érico Verissimo construiu os personagens e histórias.

As personagens femininas são as mais fortes, e se não houvesse tanta oposição, eu chamaria minha filha de Bibiana, que justamente se casa com o certo capitão Rodrigo (parte da história que é mais cobrada em vestibulares e deve ser a mais popular).

Já ocorreram adaptações para TV e teatro, e esse ano está sendo feito o filme, mas lê-lo é realmente uma aventura em si, um mergulho na cultura de um povo, a nossa cultura mesmo, assim como outros autores fizeram com o sertão nordestino. Quem tiver coragem para encarar, eu realmente recomendo - e quem não tiver, pode me dar de presente. :)