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2 de agosto de 2015

MTV, bota essa P#@% pra funcionar!

Editora Panda Books

Zico Goés começou a trabalhar na MTV como estagiário e chegou a vice presidente de conteúdo em 20 anos de empresa. Nesse livro, ele conta algumas histórias e episódios da emissora, tão emblemática da década de 90, e que acompanhou a minha adolescência e de muitos da minha geração.

O título do livro "MTV, bota essa P#@% pra funcionar"  remete a frase de Caetano Veloso no VMB de 2004 quando ele teve que recomeçar a música mais de uma vez por conta de problemas técnicos - Zico explica o que aconteceu e também ressalta a importância da engenharia de áudio ao longo de toda história da empresa e defende que os profissionais da MTV eram os melhores do país, já que essa parte técnica era fundamental para o tipo de conteúdo que eles faziam.

Um dos casos interessantes é quando ele conta como foi fazer o primeiro programa gay do "Beija, sapo" (se não me engano - o programa mudou de nome ao longo dos anos) - que eles não tinham nenhum patrocinador e foi preciso transmitir em um horário diferente do normal para que não se vinculasse aos patrocinadores usuais - e agora, menos de 20 anos depois, temos a propaganda do dia dos namorados do Boticário...

Zico Góes também revela que eles sim manipulavam o resultado do Disk MTV, para não ter muita variação de um dia para o outro (e aí eu penso naqueles grupos de fãs que resolviam passar o dia ligando para lá...). 

Ele também comenta as críticas feitas pelos "crescidos": "na minha época, a MTV era diferente / melhor". Ela deveria ser diferente mesmo para se renovar e continuar jovem, eles não tinham interesse - a princípio - de continuar falando com o público ao redor de 30 anos - mesmo sabendo que adolescente não é o melhor público consumidor para atrair patrocinadores.

O livro não é muito grande, nem tem a pretensão de ser completo ou exatamente linear, mas vale a pena para lembrar um pouco dessa empresa que fez parte da vida de tanta gente, de certa maneira, principalmente se você foi uma dessas pessoas.


24 de fevereiro de 2014

Histórias de Canções - Vinicius de Moraes

Capa Sergio Campante - Editora Leya

Vinicius de Moraes era da época que não se vivia de literatura ou música, mas tinha-se um emprego também, fora da esfera artística, no caso dele, funcionário público. Mas, acima de tudo, Vinicius era poeta, poetaço, Poetinha. 

É muito bom conhecer mais sobre sua obra musical, e não só dele, mas de seus parceiros que fizeram melodias que hoje não conseguimos separar de suas poesias, no livro História de Canções - Vinicius de Moraes, de Wagner Homem e Bruno de La Rosa. Há histórias engraçadas com seus amigos, como a música que e ele nunca escreveu com Toquinho, mas achava que sim, ou a discussão de uma letra com Chico Buarque por carta. Há episódios com suas esposas, porque Vinicius não é Vinicius se não estava casado, com o amor eterno enquanto dure. Há sua biografia musical, passagem por passagem, de uma amadurecimento que nem precisava melhorar porque já nasceu ótimo.

Para quem gosta de poesia, para quem gosta de música, para quem gosta de Vinicius, ou para quem ainda não o conheceu.


30 de agosto de 2011

Juliet, naked

Riverhead Books - Capa: Claire Nayon Vaccaro

Nick Hornby é um autor inglês cujos livros se encaixariam num categoria "guys lit" em oposição a chick lit. Um dos seus livros mais famosos é High Fidelity, ou Alta-Fidelidade, que também virou um filme, ainda que a ação tenha sido transferida de Londres para os Estados Unidos.

Assim como os outros livros que exploram o universo cultural masculino, esse gira em torno de um artista de rock da década de 80, que depois de um disco fantástico sumiu da vida artítistica, deixando somente uma pequena legião de fãs obcecados tanto por suas músicas como por ele. Na história, um desses fãs ardorosos mantém um relacionamento com uma mulher há 15 anos (algo que nem ele chama de casamento nem namoro), e, numa viagem pelos Estados Unidos para ver pessoalmente cada lugar que remete a episódios da vida do ídolo, ela começa a questionar o seu papel secundário na vida dele. Já de volta para a cidade minúscula em que eles vivem na Inglaterra, eles recebem uma versão "não trabalhada" do último e mais famoso álbum do carinha, que chamava-se "Juliet" - ou seja "Juliet, naked"(Juliet, nua) e as opiniões divergentes tornam-se o gatilho da ruptura - mas quem ia imaginar que o antigo astro em si entraria pessoalmente na vida desses dois?

O livro é bem gostoso e rápido de ler, mas talvez o ponto mais interessante é ele ter sido escrito por um homem, e ser um livro atual, de cultura pop, que não é meloso. Ou seja, tanto para garotas como para garotos...

8 de junho de 2011

Chico Buarque - Histórias de canções

Editora Leya - Capa: Sérgio Campante

Sabemos que o Chico Buarque também é um escritor (e ele começou assim, escrevendo crônicas para o jornal do colégio), mas esse é um livro sobre suas músicas, escrito por Wagner Homem, responsável pelo site do cantor que está no ar há mais de 15 anos, o que é desde sempre na internet praticamente...

Esse livro é para ler aos pouquinhos, porque não é uma história mesmo e exige - tipo livro de poesia, sabe? Tem que ler aos pouquinhos para apreciar e não ir devorando como eu geralmente faço. É apresentada a letra da música e vem a anedota depois, algo sobre a origem da letra, ou a interpretação que foi dada depois, ou se ela foi usada em teatro ou cinema, gravada por outro intérprete. São textos curtos e diretos ao ponto, sem enrolar mesmo. A letra, o fato, próxima.

Definitivamente não é uma biografia e não se demora muito na vida pessoal do Chico, se é que você está interessado nos motivos do divórcio, by the way. A cada ano, existe uma introdução para explicar a conjuntura política / social da vida dele e do nosso país, para poder contextualizar as canções.

Interessante é saber que a muitas foi atribuído um significado político que não era intencional, e a maioria das mulheres retratadas não existiram... Ele também recebia muita encomenda de música, e é muito louco isso: porque ele parece tão artista, que espera a inspiração chegar, mas fazer letra para uma música, ou música para uma letra, ou uma canção para uma peça teatral com tema definido é algo bem... profissional, não? Algo como jornalista que precisa escrever e para amanhã. A diferença para o Chico é que ele estourava prazos... Fitas ficaram esperando 15 anos para ele inventar a letra, e a música para a série Anos dourados ficou pronta 6 meses depois...

Vale a pena ler mesmo se você não conhece todas as músicas, como eu, porque as letras são bonitas e elaboradas, conteúdo de qualidade mesmo, gostoso de ler. Agradeço ao meu amigo Rubens que me emprestou o livro e teve a maior paciência com a minha demora para para devolver...