10 de maio de 2011

A Princesinha

Editora Penguin Books

Gostei da sugestão da minha irmã no último comentário e resolvi escrever sobre um dos meus livros preferidos de todos os tempos - A Princesinha.

Eu primeiro vi o filme de Alfonso Cuarón, que é muito bonito, tanto pela história como pelas imagens. O filme conta em paralelo uma história de um deus indiano, e isso rende imagens maravilhosas e cheias de fantasia (algo que não tem no livro). Eu estava numa fase sensível e chorei o filme inteiro... Aliás, eu já assisti n vezes esse filme (n tendendo ao infinito) e chorei várias vezes. É um filme infantil, claro, mas tão sensível!

Depois eu li o livro nessa versão pocket em inglês e adorei também. Várias partes são diferentes do filme, mas a ideia do filme é mantida e eu gostei da adaptação ao cinema (o que é meio difícil de acontecer). A autora, Frances Hodgson Burnett, escreveu outros livros sobre a mesma época com crianças como o hit da sessão da tarde O Jardim Secreto. (Eu gosto muito do século XIX na Inglaterra!)

A história é sobre Sarah, que perde a mãe quando bebê na Índia e depois é levada para Londres (no filme é NY) para estudar num colégio interno só para garotas. O pai a cerca de boas roupas e brinquedos, e a diretora do colégio - uma chata - a escolhe para ser sua "aluna de destaque", o que rende ciúmes de algumas garotas. Mas suas boas maneiras, sua gentileza e o dom de contar histórias conquista a maioria das amiguinhas. No meio tempo, o pai morre na Índia (no filme, é numa guerra) e ela fica sem dinheiro algum e agora precisa trabalhar no colégio fazendo limpeza em troca apenas de moradia e o mínimo para sobreviver.

O que eu acho mais legal é que a Sarah diz que gosta de se imaginar uma princesa para então se comportar como uma - e ser uma princesa significa ter valores morais muito elevados e agir de acordo com eles. (No filme, o pai diz que ela é uma princesa, porque todas as garotas são princesas). Mesmo na pobreza e no luto, ela continua acreditando nos seus princípios e valores, e que não importa a situação - ela é uma princesinha. Percebam o detalhe no título em inglês: Uma princesinha, que se perdeu na tradução - A little princess.
Além disso tudo, a música tema do filme é uma das minhas preferidas e tocou no meu casamento, logo antes de eu entrar (a letra só começa depois do primeiro minuto).
Kindle My Heart  - Patrick Doyle

As the moon kindles the night
As the wind kindles the fire
As the rain fills every ocean
And the Sun the Earth
your heart will kindle my heart

Take my heart
Take my heart
Kindle it with your heart
And my heart cannot be
Kindled without you
with your heart kindle my heart

Acende meu coração

Como a lua acende a noite
Como o vento acende o fogo
Como a chuva enche cada oceano
E o Sol, a Terra
O seu coração acenderá o meu coração

Pegue o meu coração
Pegue o meu coração
Acenda-o com o seu coração
E o meu coração não pode ser
Aceso sem você
Com seu coração acenda meu coração

Kindle: quer dizer "acender", "colocar fogo em", "estusiasmar", "estimular" - é uma palavra muito bonita, não?

5 de maio de 2011

Youth


Nos últimos tempos, eu esbarrei figurativamente em J. M. Coetzee três vezes. Na primeira, um amigo poeta me sugeriu o livro "Mecanismos Internos", depois eu vi a reportagem na veja falando sobre o mesmo autor e o lançamento desse livro, e então eu vi o Youth na mão de um amigo do trabalho. Pronto, modo cara de pau on, pedi emprestado para "experimentar" o autor.

E adorei! J. M. Coetzee é um escritor sul africano, que ganhou o Nobel em 2003. Ele escreve ficção, mas também é conhecido por ser um ótimo crítico literário (que é o assunto de Mecanismos Internos). Esse livro em questão, "Juventude", é uma auto-biografia ficcional, ou seja, ele escreve sobre si mesmo em 3a pessoa e não sabemos se tudo que é dito é verdade ou não. (E esse é o 2o livro em que ele faz isso, o primeiro chama "Boyhood" ou "Infância", e ainda tem um outro, chamada Springtime.)

A história é sobre um rapaz da África do Sul, Jonh, estudante universitário que quer se tornar um artista  - poeta - e faz matemática porque ele a considera como o pensamento mais puro que se pode ter... (Vai entender!) Estamos na década de 60, e como ele não vê muito futuro num país que promete ser destroçado pelos embates em volta do apartheid, ele vai para Londres - "onde a vida pode acontecer".

Ele gosta muito de literatura e estuda bastante o assunto, então no livro há várias partes em que ele comenta sobre os autores, compara estilos, discute obras de uma maneira impressionante, e torna o livro delicioso.  Ele incita a nossa vontade para ir atrás desses escritores e ver por nós mesmos o que ele viu.

No entanto, Jonh parece ser muito ingênuo, com relação a carreira de escritor e principalmente com as mulheres. No primeiro tópico, ele acha que a inspiração para fazer uma obra espetacular virá como mágica. No segundo, ele espera que magicamente encontre a mulher de sua vida - e ele acha que precisa de uma, porque todos os artistas possuem amantes. No entanto, quando uma garota se interessa por ele, Jonh desconfia que é por ter visto a chama de artista que existe dentro de si, a qual as mulheres (todas, em geral) não tem, e que quando elas fazem amor com um artista é para roubar essa chama... (hein?)

Eu recomendo esse livro para todos que tiverem interesse em literatura, ou para quem quer ver um retrato de uma época via uma pessoa não lá muito normal...  A leitura é fácil, nada do que você possa imaginar de um Nobel - simplicidade é uma arte!

2 de maio de 2011

Diário de Bordo: China

Esse é um livro muito especial! Foi escrito por um amigo meu, o Leonardo Alves, ou Leo Branco, ou Leo - e isso é muito louco! Conhecer alguém, mas conhecer de verdade, que já publicou um livro, está disponível na Saraiva... Muito louco.

O Leo adora viajar, e já conheceu diferentes lugares do mundo, mas em 2009 ele foi para o lugar mais louco de todos: China, para passar um mês estudando mandarim, convivendo com chineses e conhecendo todos os pontos turísticos de Pequim. Ou Beijing.

Parênteses: Por que passamos a chamar Pequim de Beijing? Nós chamamos "London" de Londres, não? E "New York" de Nova York (ou Iorque!), não? Fecha parênteses.

É a visão da China e do mundo oriental de um estudante brasileiro de 20 e pouquinhos anos, bem aberto a conversar com as pessoas (mesmo se for uma chinesa na fila para ver o corpo embalsamado de Mao perguntando sobre Jackie Chan), bem aberto para experimentar coisas novas (literalmente, de cérebro de cavalo - booooom - a bicho de seda - nojeeeeento), e escrever um diário bem aberto sobre o que está pensando de toda situação e fazendo comparações com a cultura ocidental e nosso modo de pensar. Tudo de uma maneira bem informal e sincera, como emails enviados para amigos devem ser (e foram, literalmente).

Dá vontade de conhecer a China pessoalmente, mas é ótimo ter a visão de uma outra pessoa, que faz jus ao título de turista, fazendo coisas que eu nunca faria (como comer coisas estranhas). (E para relativamente corajosos para ir até lá: há opções de pizza hut e macdonalds a restaurantes brasileiros).

É uma leitura fácil, rápida e divertida. Eu recomendo e faço propaganda: é possível comprar o livro na Saraiva e na Loja Singular.

PS: Hoje é o dia dos parênteses.
PPS: (Hoje.)
PPPS: (Adoro!)

26 de abril de 2011

Ensemble, c'est tout

Editora Le Dilettante - Capa: Atelier Civard

Sabe quando ler um livro é um verdadeiro desafio?

Pois é, esse foi. Não parece, mas, em 3D, ele é um tijolo de 600 páginas. No entanto, o desafio não foi por isso, o "problema" dá para perceber pelo título "Ensemble, c'est tout" é um livro francês. E claro que o problema na verdade é a minha falta de vocabulário nessa língua e muita teimosia para ler até o final do livro, recomendação e empréstimo da Fér, depois que eu li "Uma outra chance para a felicidade" da mesma autora, Anna Gavalda.

"Juntos, isso é tudo" (minha tradução ao pé da letra, espero que a Fér se manifeste com uma melhor) é uma história bem bonita e romântica, mas assim como o outro livro da mesma autora tem uma narrativa esmerada, em que as ações descritas, os pensamentos são importantes para você curtir o livro. Não basta só entender a história mais ou menos, o valor do livro está em como ele é escrito também. (Não é da outra categoria, em que o livro vale pela história e só).

Ou seja, a solução foi comprar um dicionário francês - inglês (que era baratinho na kindle store) e tasca ler o livro com dicionário do lado, para perceber as nuances. (Legal mesmo era quando eu não entendia em inglês, aí apelava para o dicionário inglês - inglês do kindle, era um cascateamento). Ah, e não era só isso - tinha as gírias também! E um dos personagens principais, Frank, só fala na linguagem coloquial, com várias gírias e palavrões. Para compensar, o outro personagem, Philibert só fala difícil :-). Aí foi apelar para a Fér por email e para outros amigos que moraram por lá.

De teimosia, depois de praticamente 1 mês, consegui terminar esse livro! E eu gostei sim, e recomendo, principalmente se ele estiver na sua língua materna... A história de Franck, um cozinheiro criado pela vó e Camille, uma artista que trabalha como faxineira, que se encontram por causa de Philibert, filho de nobres falidos que mora num apartamento enorme "para ocupar o lugar", que é disputado numa questão de herança.

Embora não seja um comédia romântica óbvia, sim, tem seus momentos engraçados e também faz você torcer para o casal ficar junto, e no final, você fica com uma saudadezinha, uma vontade de continuar acompanhando a vida deles para saber até onde vai... (Ou isso porque eu passei tanto tempo lendo esse livro, que já faz parte da minha vida!)

Ah, por fim, tem um filme! Com a Audreu Tatou, a eterna Amélie Poulain.

18 de abril de 2011

20000 leagues under the sea

Editora Geddes & Grosset

Depois de muito tempo sem ver a última página de um livro, hoje eu terminei Vinte mil léguas submarinas, da minha coleção de "Livros para Meninos", da qual eu também li "Sequestrado". E tanto esse como aquele são livros clássicos, antigos (séc. XIX) e difíceis de ler, seja pela linguagem seja pelo ritmo narrativo. Não sei se em francês Julio Verne é mais simples, mas numa busca rápida por capas de livros na internet, percebi que é muito mais fácil encontrar versões "condensadas" ou "adaptadas" em português do que o texto original.

Se você encarar o texto integral, vai se deparar com muitos detalhes científicos que explicam o funcionamento do submarino, navegação, a geografia submarina, a vida de diferentes espécieis embaixo da água e até um pouco de história. Se você quiser só ver a ação mesmo, a versão deve ser muito mais agradável. Ou mesmo um filme! Porque o livro é realmente cheio de aventura.

Um dos pontos interessantes é ver como a cultura mudou nesses 150 anos: existia muito mais formalidade e todo o conceito de "senhor" e "servo" era bem claro. O Prof. Aaronax, seu criado e um marinheiro são levados para dentro do submarino: o professor é honrado com cabine especial e conversas particulares, entre iguais, com o capitão do Nautilus, já o criado e o marinheiro dividem uma cabine, e embora sejam muito elogiados pelo professor, são claramente de uma classe inferior. O criado está disposto a morrer pelo professor, e este o chama de amigo, mas a situação social não muda... Agora fico imaginando: a sociedade realmente mudou, ou simplesmente somos mais politicamente corretos na superfície?

Outro ponto é a linguagem extremamente formal e polida, já que a história é narrada em 1a pessoa pelo professor, parece de uma afetação tamanha! Isso já é realmente diferente do que já estamos acostumados, com internet e twitter.

O livro é mesmo para garotos: não há nenhum - NENHUM - personagem feminino. Nada de romancezinhos, ou passagens fofas. E o trecho mais romântico do livro é esse:

"Assim os antigos, observando seus olhares suaves e expressivos, que não podem ser sobrepujados pelo olhar mais maravilhoso que uma mulher pode dar, os seus olhos claros voluptuosos, suas posições charmosas, e a poesia de seus trejeitos, os metamorfoseia, o macho em um tritão e a fêmea em uma sereia."

E ele está falando de uma foca. Pode?

Vale a nota: se você lembra do Nemo, do filme da Pixar, o capitão Nemo do livro é totalmente diferente no quesito doçura.

Por fim, eu sempre achei que as 20 mil léguas submarinas eram no sentido vertical: ou seja, eles iam até a profundidade de 20 mil léguas submarinas e encontravam vários bichos estranhos e tal. Mas não, caro leitor, admito a ignorância: essa distância (que no livro é especificado 1 légua como 4km, ou seja 80 mil km) é o que o submarino percorre durante a história nos 7 mares incluindo até o Polo Sul - a viagem ao centro da terra (outro livro!) é bem mais curta...

6 de abril de 2011

Estômago


Para não fugir do meu usual, é sobre um filme que eu não assisti, mas ouvi um amigo falando muito bem. Esse é o roteiro original, que inclui cenas que foram cortadas, além de ter um prólogo dos autores.

Estômago é sobre Raimundo Nonato que chega numa cidade "grande" e acaba morando num quartinho dos fundos de um bar, onde descobre um talento para cozinhar. Em paralelo, vemos ele na prisão, cozinhando lá também - onde é chamado de Alecrim. A história se desenvolve para você entender como um cara que parece tão inocente (que a princípio aceita um regime de quase escravidão no bar - cozinhando e trabalhando em troca de casa e comida) para a prisão.

É uma história bem crua, com bastante palavrão, sexo e até um pouco de violência, claro. Mas tem seus momentos de humor e ironia... Vale a pena, porque vai realmente rápido, é leve. Mas é claro que você não pode ter algo contra ler teatro, o tipo de texto que só tem diálogos e algumas marcações de cena.

Eu li esse livro (roteiro) no Kindle, e ele é disponibilizado pela Imprensa Oficial, junto com outras obras que são chamadas de Coleção Aplauso nesse site. Para quem procura cultura de graça e gosta de ler filmes também!

Ah, esse tem um bônus: todas as receitas feitas ao longo do filme, com comentários do Alecrim. Dá vontade de cozinhar!!!

1 de abril de 2011

O estranho caso do cachorro morto

Esse é um livro de 2003, sobre um cachorro morto.

Tudo bem, vai, na verdade é sobre Christopher, um garoto de 15 anos. A sua mãe morreu 2 anos antes, e ele vive com o pai. E então ele resolve investigar a morte do cachorro do vizinho em seu quintal. O título em inglês é mais interessante, algo como "O curioso incidente do cachorro a noite" (The curious incident of the dog in the night time).

A particularidade desse livro é que Christoph é autista, ou possui algum outro tipo de problema (limitação? politicamente corretos, perdoem-me), de comportamento e a história é contada do ponto de vista dele, e sempre é muito legal ler um livro em que a perspectiva é completamente diferente da sua.

Se bem que eu me identifiquei completamente com a cena em que ele pega um metrô em Londres, e quando as pessoas começam a deixar lotado o vagão, ele grita porque não suporta que toquem nele, e forma-se uma espaço vazio ao seu redor. Já tive muita vontade de fazer isso aqui...

Quem me emprestou esse livro do Mark Haddon foi a Fér, que inclusive ganhou um prêmio com a sua resenha sobre ele, que foi vinculada num programa de rádio de incentivo a leitura. No entanto, eu o associo a minha sogra, fisioterapeuta, que conhece muito esse mundo de crianças com características especiais. Ela tem verdadeira paixão pela sua profissão e seu trabalho, o que é muito inspirador. Para quem quiser conhecer mais sobre o assunto, recomendo o seu blog Fisioterapia e Inclusão Escolar. E ler esse e outros livros com essa temática, de quem vive no nosso mundo, mas de uma maneira totalmente diferente.

Este post é para a minha sogra querida, Nilcea, dando os parabéns pelo seu aniversário nesse domingo. Que Deus continue abençoando você em todas as áreas de sua vida, em todas suas paixões e todos os seus sonhos!