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10 de dezembro de 2017

Treasure Island

Editora Wisehouse Classics - Capa Louis Rhead

A ilha do tesouro é o clássico livro infanto-juvenil de pirata. Já tem mais de 130 anos, mas o apelo de buscar um tesouro escondido numa ilha e fazer fortuna não deixa de ser atual. Acredito que o livro de Robert Louis Stevenson funciona para os pré-adolescentes de hoje, no entanto com uma linguagem atualizada seja mais fácil de levar.

30 de maio de 2011

The Apostle


Editora Pocket Books
 Esse é um livro de garotos, ou seja, parece um filme de ação com muitas armas, brigas e conspirações - "a thriller". Pela capa, você pode imaginar que é um daqueles filmes americanos, que o mocinho dos states salva o mundo no final e é quase isso. E embora isso tudo possa depor contra o livro, ele é incrivelmente bom.

A história é ao redor de uma médica americana que é sequestrada no Afeganistão e o resgate pedido é um líder do talibã que acaba de ser preso pelos afegães. O detalhe é que a mãe dela é uma super poderosa da mídia que acabou de eleger o presidente americano e o chantageia para se envolver no resgate - já que o povo lá não que o dinheiro que ela ofereceu. Para o negócio não virar público e político, Mr. President contacta um ex-agente SEAL (sim, esses que mataram o Bin Laden), para que ele faça o trabalhinho de maneira secreta. A partir daí, a história se separa em duas - no Afeganistão, em que "O Apóstolo" do título (ou "embaixador" ou "mensageiro", na tradução que melhor lhe apetecer) relaciona-se com americanos, canadenses e afegães para pegar o líder talibã e trocar pela médica sem envolver o nome do governo americano nisso - e a outra parte da história, em que uma agente secreta, que ouviu a super poderosa chantagear o presidente, tenta descobrir o que ele está tentando esconder.

Os personagens e as tramas são muito bem construídos, sem forçar a barra só para a ação acontecer, o que realmente me impressionou. Quando você vê um filme assim, acha que tudo é pretexto para as lutinhas, o que tornaria a leitura um ato de martírio. Mas esse livro de Brad Thor pode virar um filme sim e não seria o dos mais bobos - sem, é claro, esquecer o patriotismo americano e tal - se você não suporta isso, fique longe. (Ah, e realmente ajuda se você é um garoto com interesse em armas, eles citam vários equipamentos por siglas que eu não fazia a mínima ideia do que se tratava).

No entanto, outro ponto surpreendente é a maneira em que o Afeganistão é retratado: como uma cultura diferente, e num pontos difíceis de compreender para os olhos ocidentais (eles tem até o bordão "TIA", ou "This is Afghanistan", "esse é o afeganistão", não questione), mas até com certo respeito. Diferente de livros como O Caçador de Pipas e Cidade do Sol, ele foca mais nesse sub mundo de terrorismo, segurança, e o contato do talibã e do Afeganistão em geral com os ocidentais que já se encontram ali, então você vê o que é um mundo globalizado mesmo. Não é possível dizer se tudo que está descrito no livro é real, mas parece bem convincente.

Esse livro eu ganhei de aniversário de um casal muito querido, o que não o salvou de tomar um caldo nas férias, ao qual ele sobreviveu! Já está disponível para empréstimo.

18 de abril de 2011

20000 leagues under the sea

Editora Geddes & Grosset

Depois de muito tempo sem ver a última página de um livro, hoje eu terminei Vinte mil léguas submarinas, da minha coleção de "Livros para Meninos", da qual eu também li "Sequestrado". E tanto esse como aquele são livros clássicos, antigos (séc. XIX) e difíceis de ler, seja pela linguagem seja pelo ritmo narrativo. Não sei se em francês Julio Verne é mais simples, mas numa busca rápida por capas de livros na internet, percebi que é muito mais fácil encontrar versões "condensadas" ou "adaptadas" em português do que o texto original.

Se você encarar o texto integral, vai se deparar com muitos detalhes científicos que explicam o funcionamento do submarino, navegação, a geografia submarina, a vida de diferentes espécieis embaixo da água e até um pouco de história. Se você quiser só ver a ação mesmo, a versão deve ser muito mais agradável. Ou mesmo um filme! Porque o livro é realmente cheio de aventura.

Um dos pontos interessantes é ver como a cultura mudou nesses 150 anos: existia muito mais formalidade e todo o conceito de "senhor" e "servo" era bem claro. O Prof. Aaronax, seu criado e um marinheiro são levados para dentro do submarino: o professor é honrado com cabine especial e conversas particulares, entre iguais, com o capitão do Nautilus, já o criado e o marinheiro dividem uma cabine, e embora sejam muito elogiados pelo professor, são claramente de uma classe inferior. O criado está disposto a morrer pelo professor, e este o chama de amigo, mas a situação social não muda... Agora fico imaginando: a sociedade realmente mudou, ou simplesmente somos mais politicamente corretos na superfície?

Outro ponto é a linguagem extremamente formal e polida, já que a história é narrada em 1a pessoa pelo professor, parece de uma afetação tamanha! Isso já é realmente diferente do que já estamos acostumados, com internet e twitter.

O livro é mesmo para garotos: não há nenhum - NENHUM - personagem feminino. Nada de romancezinhos, ou passagens fofas. E o trecho mais romântico do livro é esse:

"Assim os antigos, observando seus olhares suaves e expressivos, que não podem ser sobrepujados pelo olhar mais maravilhoso que uma mulher pode dar, os seus olhos claros voluptuosos, suas posições charmosas, e a poesia de seus trejeitos, os metamorfoseia, o macho em um tritão e a fêmea em uma sereia."

E ele está falando de uma foca. Pode?

Vale a nota: se você lembra do Nemo, do filme da Pixar, o capitão Nemo do livro é totalmente diferente no quesito doçura.

Por fim, eu sempre achei que as 20 mil léguas submarinas eram no sentido vertical: ou seja, eles iam até a profundidade de 20 mil léguas submarinas e encontravam vários bichos estranhos e tal. Mas não, caro leitor, admito a ignorância: essa distância (que no livro é especificado 1 légua como 4km, ou seja 80 mil km) é o que o submarino percorre durante a história nos 7 mares incluindo até o Polo Sul - a viagem ao centro da terra (outro livro!) é bem mais curta...

1 de setembro de 2010

Gulliver's Travels


Quem não conhece as Viagens de Gulliver?

Todo mundo.

Se você lembra claramente da história do Gulliver (homem ou gigante) que chega em Liliput, terra dos homens pequenininhos, e é preso por eles (como mostra a capa do livro), e acha que essa é a história do Gulliver, enganou-se, assim como eu.

Vou contar a história, mas é spoiler total - se você se interessar por ler o livro, os detalhes vão valer a pena, o objetivo aqui é só cultura geral (ou "informações para falar de um livro que você não leu").

Para começar, o livro tem 4 partes, ou seja, são 4 viagens que se estendem por 16 anos, nos lugares mais diferentes e bizarros - nunca dantes visitados por um homem. A narração é feita em 1a pessoa como se tudo fosse verdade mesmo.

Como é que ele conhece tantos lugares desconhecidos?

3 naufrágios.

Na 4a viagem, para não ter outro naufrágio (como se 3 não fossem forcação de barra suficiente), a solução foi um motim da tripulação que abandonou o capitão Gulliver numa ilha desconhecida.

As quatro viagens são:

1) Liliput: com os homens do tamanho de um polegar, que dominam Gulliver. É lá que o povo discute com os vizinhos (Blesfucu) sobre qual lado se deve quebrar um ovo. Ele passa vários meses ali, com esses miúdos o alimentando e vestindo, inclusive. Sobre essa parte, que vai ser o filme Viagens de Gulliver que estreiará no final do ano com Jack Black.

2) Brobdingnag: terra dos gigantes (agora é o Gulliver que é do tamanho de um polegar), ele é primeiro apresentado com uma atração de feira em feira, e depois fica na corte real como "mascote" do rei.

3) Laputa: uma ilha "voadora" com adamantio na base - ela é navegada por um super imã, pelo rei. O povo tem um olho para cima (no céu) e um para baixo (chão), e só falam de astronomia e música. O resto do "país" está no "chão", Lagado, em que a população vive na miséria porque só se importa com descobertas científicas bizarras, por exemplo, como fazer uma máquina para transformar cocô em comida de novo. Nessa viagem, ele vai também para um país (Glubbdubdrib) que o rei é necromante, e conjura espíritos para serví-lo por 24 horas. Ele deixa o Gulliver chamar todos os mortos notáveis que ele quer, o que inclui reis, filósofos da antiguidade e do renascimento e coloca eles para conversarem - estranho. O próximo lugar, Luggnagg, tem alguns seres imortais, nascidos assim - e o Gulliver se empolgou todo com a possibilidade de ter a vida toda para estudar e se tornar a pessoa mais sábia de todas - mas essa mortalidade ocorre depois de todo o processo de envelhecimento normal, ou seja, é uma imortalidade com um corpo decadente, problemas de memória e raciocínio... Nada muito atraente.

4) O último lugar é o mais bizarro: terra dos Houyhnhnms e dos Yahoos. Os primeiros são cavalos racionais - altamente virtuosos, racionais, com várias regras de convivência, como por exemplo - cada casal só tem um filho de cada sexo. Se tem 2 fêmeas, troca com alguém que tem dois machos, para manter a população constante. Os yahoos são seres muito parecidos com homens, mas totalmente irracionais e selvagens - tanto que eles servem os tais cavalos.

Sobre o Gulliver, ele é um médico obcecado com viagens, ele larga a mulher e os filhos e vai para essas longas viagens de navio, para ganhar dinheiro e conhecer novos lugares. Gulliver diz que tem facilidade para idiomas, por isso que toda vez que ele chega num lugar, ele aprende a se comunicar com os seres (sim, até linguagem de relinchos de cavalos).

O livro, ao apresentar tantas sociedades diferentes, e comparando com a Inglaterra (pela visão do viajante) é muitas vezes uma crítica a humanidade em geral. Então os detalhes realmente que são interessantes, e tornam o livro um clássico - mas não divertido, porque tudo é muito sério. Eu particularmente, achei um pouco enfadonho porque o tal do Gulliver é um chato pedante - sempre muito culto e conhecedor de tudo, muito rápido para aprender línguas, e para julgar qualquer outro ser e a si mesmo.

A quem quiser, o livro é meu e agora está disponível para empréstimos.

10 de fevereiro de 2010

Azincourt

Fonte: Editora Rocco
Bernard Cornwell, o autor desse livro escreve sobre a "idade média" do Reino Unido, quando mal existiam reinos quanto mais unidos! E se você for considerar a perspectiva dele, lá só acontencia guerra! Eu já li vários livros dele, em português e inglês, motivada principalmente por dois bons amigos fãs do autor (e que efetivamente compram os livros!) Esse, especialmente, é sobre uma batalha entre ingleses e franceses, e dada as crueldades de alguns trechos, dá para vislumbrar o ódio que eles sentiam entre si.

Porque um dos talentos do Cornwell é descrever batalhas, com riquezas de detalhes, aonde as pessoas andam, quem atira acerta aonde, o que acontece com o elmo, e depois com o crânio, até aparecer o cérebro como uma gosma... Sim, é muito nojento! Mas além disso, nesse livro, tem muitas cenas de torturas e assassinatos de prisioneiros, de estupro e mutilação de mulheres e crianças. É algo terrível de ler. Chega a doer fisicamente só de imaginar.

Eu comecei a pensar como o homem pode ser tão cruel. (E é irônico você considerar que tem gente que acredita que o homem "é bom" e que "o ato de ser humano" é ser sensível e caridoso com outras pessoas.

Talvez se você considerar o êxtase da batalha (que é citado muitas vezes), pode falar que matar é a empolgação dos caras. Mas e quando se faz a sangue frio? Não é o "racional"?

Eu só posso ficar feliz de viver nessa época, em que a minha aldeia não corre o risco de ser invadida de uma hora por outra e que o melhor que pode acontecer é "morrer rápido"... De qualquer forma, não me iludo, a crueldade humana não mudou em mil anos de "civilização"...

(Veja bem, essa é uma resenha um pouco dolorida, mas o livro é bom, a prosa é gostosa de ler, mas ao considerar todos os livros do autor, aí eu recomendo realmente a trilogia do Rei Artur, por exemplo).

Obrigada, Luquinhas, o melhor estagiário fornecedor de livros que já existiu!