27 de março de 2011

"Paula" e "La suma de los días"





Eu descobri esses dois livros porque sim, eu leio o livro que a pessoa do meu lado está lendo no trem. É uma leitura dinâmica, discreta, só da parte "visível" no meu ângulo, mas vale a pena: para saber do que se trata aquele best seller e para descobrir coisas novas, como esses dois livros.

Eu comecei a ler o livro da moça, e achei muito interessante, era alguém contando uma história para outra, como se fosse uma carta, com vocativos e comentários. É como se você lesse a conversa de alguém, muito íntimo. Conquistou-me na hora.

Quando a pessoa levantou para ir embora, eu fiz uma pequena ginástica e li a capa do livro: "La Suma de los Días", e bastou uma pesquisa na internet para descobrir que era escrito por Isabel Allende, e a continuação do livro "Paula". Esse, por sua vez, foi o livro que ela escreveu para a filha, quando ela estava em coma por causa de uma doença chamada porfiria (a qual, curiosamente, é associada aos mitos dos vampiros e lobisomens).

O primeiro livro foi publicado em 1995, e são as memórias de Isabel, da vida de toda sua família ao mesmo tempo que ela fala sobre a situação "atual", a doença da filha e o convívio com os médicos e o próprio tratamento. É um diário de uma saga, embora trate de 3 gerações da família, não perde o tom coloquial de uma conversa entre a mãe e a filha, talvez ali numa mesa de cozinha, ao mesmo tempo que tem a dor da Isabel por sua filha que está inconsciente (e não sabe como irá voltar, se voltar). O segundo livro, com esse título poético de A soma dos dias, foi publicado em 2007, e as memórias continuam a partir do ponto em que pararam em Paula.

Eu aproveitei e li os dois seguidos, que a minha amiga Fér trouxe de uma de suas viagens a Argentina - livros lá são bem mais baratos e o espanhol da Isabel Allende é bem fácil de ler. Fácil só de ler, porque em alguns momentos, você pode chorar...

23 de março de 2011

Casais Inteligentes Enriquecem Juntos

Atenção, casais e candidatos a casais!

Recomendo fortemente esse livro! Fiquei realmente impressionada, porque eu não esperava um livro tão bom. Parece auto-ajuda e é auto-ajuda, mas da melhor categoria: clara, focada, objetiva. O Gustavo Cerbasi tem a proposta de ensinar educação financeira para casais e ele faz isso de maneira muito simples, embora deixe claro que sabe o quanto o assunto é espinhoso.

Ele dá estratégias claras de como economizar dinheiro (não gastando, claro) mas com um foco claro. E se você espera que ele fale: ah, economizem tudo o que puder e aos 31 anos vocês terão o seu primeiro milhão - nada disso! Ele defende a ideia de que poupar e garantir o futuro é bom, mas que é preciso também ter uma "verba" para celebrações e satisfações de curto prazo.

Como o site dele, Mais Dinheiro, fala: "enriquecer é uma questão de escolha", mas isso não quer dizer que seja um escolha fácil. Ele até fala sobre técnicas para não desistir ou cair na tentação de gastos maior que a renda. Eu não me considero muito impressionável, mas fiquei admirada de como ele consegue motivar a pensar sobre esse assunto e a discutir estratégias como casal, que é o foco desse livro.

O marido já conhecia o site, e a planilha de orçamento que a gente usa a mais de 3 anos veio de lá. Eu não explorei muito (só descobri que ele dá palestras gratuitas em todo o Brasil e recomendo a leitura da seção Seu Plano), mas é um bom ponto de partida para conhecer mais do trabalho desse cara.

Eu recomendo mesmo a leitura por namorados, noivos e casados. Talvez não dê para seguir todas as dicas do Gustavo Cerbasi, mas é possível aproveitar boas ideias aplicáveis no dia a dia. O que eu li (em 2 dias!) é emprestado do meu amigo leitor de trem Vagner, mas eu vou comprar um para mim. Realmente vale a pena!

15 de março de 2011

The Screwtape letters

Em português, o título desse livro é bem mais explícito: "Cartas de um diabo ao seu aprendiz", ao invés de "As Cartas de Screwtape", que é sim o nome próprio do diabo em questão e até um verbo segundo o Wikitionary, significando exatamente: "bagunçar, corromper, ser diabólico".

Esse livro do C.S.Lewis, autor de Crônicas de Nárnia, são cartas sucessivas do tio diabo para o seu sobrinho diabinho Wormwood, instruindo-o a como melhor tentar o humano que lhe compete trazer para o inferno - chamado de "paciente". O tal paciente se torna cristão logo no começo, então as sugestões do tio são muito em oposição a vontade de Deus, que é o "Inimigo". (Toda a nomenclatura é trocada: Nosso Pai Inferior é Satanás - Our Father Below).

Cada carta leva em consideração um tema: oração, ir a igreja, amizades de fora da igreja, amizades de dentro da igreja, apaixonar-se, relações familiares, guerra, pacifismo, coragem, solidariedade (a história se passa durante a 2a guerra mundial, na Inglaterra), etc. Mas sempre do lado de lá: o diabo tentando perverter o significado de cada coisa, cada emoção, cada pensamento, para que o paciente seja levado a pecar, e, de maneira duradoura e definitiva, afastar-se de Deus.

Eu não tenho palavras para dizer como eu gostei desse livro. É incrível! Primeiro, porque é uma história de ficção, e eu admiro muito os autores que conseguem colocar profundidade em romances ficcionais. Segundo, porque é simples (embora você tenha que prestar atenção porque como o C.S.Lewis fala : "o branco do personagem é o nosso preto") e nos leva a pensar em assuntos muito importantes como cristãos e nossa sociedade atual. Em 70 anos, não mudou muita coisa do essencial. Terceiro, porque é uma forma muito boa de aprender sobre cristianismo - seus conceitos estão contextualizados na realidade.

É claro que é uma história de ficção, mas cada carta - de 3 ou 4 páginas - pode gerar grandes discussões. Como quando ele fala que uma das artimanhas é o ataque emocional a fé, brincando / deturpando com o significado da palavra "real". 

"Eles dizem um aos outros de uma grande experiência espiritual, 'Tudo que realmente aconteceu foi que você escutou uma música num espaço iluminado'; aqui 'real' significa os simples fatos físicos, separados dos outros elementos da experiência que eles tiveram. Por outro lado, eles também dizem 'É tudo muito bom discutindo aquele mergulho alto sentado aqui na sua poltrona, mas espere até que você vá lá e veja como é realmente', aqui 'real' está sendo utilizado no sentido oposto para significar, não os fatos físicos (que eles já sabem enquanto discutem em suas poltronas) mas o efeito emocional desses fatos na consciência humana.Cada aplicação da palavra pode ser defendida; mas o nosso negócio é manter as duas rolando de uma só vez para que o valor emocional da palavra "real" possa ser posicionado agora em um lado da disputa, agora no outro, como melhor nos servir. (...) Assim no nascimento o sangue e a dor são 'reais', a alegria somente um ponto de vista subjetivo; na morte, o terror e a feiúra revela o que a morte 'realmente significa'."

Eu recomendo fortemente esse livro - assim como algumas pessoas que comentaram no post sobre o outro livro do C. S. Lewis, Cartas a uma Senhora Americana - para ter, ler e reler. Essa minha edição de 2002 (que eu comprei ano passado!), comemorativa dos 60 anos da obra, possui também o texto que o autor fez sob encomenda de um jornal americano "Screwtape propõe um brinde" e trata-se do diabrete fazendo o discurso da formatura de uma nova leva de diabinhos da escola preparatória - muito interessante também, é uma análise do pecado no mundo. Com certeza, um livro para entrar na minha lista de tops!

10 de março de 2011

Freakonomics

A quem interessar possa, essa foi minha leitura de carnaval, com alguns anos de atraso já que a primeira edição desse livro é de 2005. Pelo menos, eu li a versão revisada de 2009, com material extra (alguns artigos e perguntas e respostas com os autores). Essa versão pocket é minha e está disponível para empréstimos.

Eu lembro de como esse livro "estourou" assim que foi lançado, pela maneira não convencional de abordar assuntos polêmicos - através dos números, das medidas do meio ("economia"), da estatística. Os autores, Steve D. Levitt, economista, e Stephen J. Dubner, jornalista, gostam de partir de perguntas não convencionais, como "O que lutadores de sumô tem a ver com professores de escola?" e "Pais realmente importam?", e através de um banco de dados fazer análises simples de correlação e covariância. Às vezes eles apresentam uma relacão de causa e efeito, às vezes só mostram que duas variáveis estão relacionadas (ajuda se você lembra estatística), mas apresentar uma visão não ortodoxa sobre o tema é que importa - baseando-se em números.

O tema mais polêmico tratado é a relação entre a liberação do aborto nos Estados Unidos na década de 70 e a incrível queda de crimininalidade na década de 90. É um capítulo bem longo que mostra por A + B que nenhuma outra causa alegada pode ter tido tanta influência como essa, de que a morte de filhos indesejados de mulheres de baixa renda significaria menos adolescentes deliquentes alguns anos depois. É interessante que eles dizem só apresentar os dados, e não defender a posição moral do aborto - eles até mencionam que outras ações de apoio a essas mães que recorrem a essa atitude drástica e às crianças que nascem nesses lares poderiam ter o mesmo efeito. Será?

Eu gostei também do capítulo sobre os fatores que possuem uma forte correlação com o bom desempenho escolar das crianças (ensino fundamental mesmo, em Chicago) e os que não possuem. Fica a dica: existe correlação quando as mães tiveram seu 1o filho depois dos 30 anos e os pais tem muitos livros em casa.

Por fim, um capítulo que fala da incidência dos nomes de meninas e meninos na população, branca e negra, e mais educada e menos educada. Tem até uma tabela que mostra o tempo médio de educação das mães, em anos, para alguns nomes. E é claro que eles identificaram: nomes populares entre ricos e bem estudados hj, serão os nomes mais populares geral daqui a uns 10 anos.

O livro é fácil de ler, e vale como curiosidade. É para se questionar se os números realmente não mentem, mas também para pensar fora da caixa. Ah, bom também para jogar informações numa mesa de bar - é capaz de render boas discussões!

4 de março de 2011

O retorno

A minutos de sair para o feriadão, deixo aqui uma recomendação de livro para vocês, que a minha mãe comprou e deixou eu ler primeiro, ainda com cheirinho de livro novo, que gostoso... Obrigada, mamy!

"O retorno", da autora inglesa Victoria Hislop, é um romance com direito a saga familiar num cenário pitoresco e turbulento de política e guerra. Ele começa com Sonia Cameron, uma inglesa que gosta de dançar salsa - pois é - indo com uma amiga que também dança passar uns dias em Granada, no interior da Espanha, para fazer um curso de, claro, salsa. (Essa parte realmente me surpreendeu, ingleses dançando salsa?)

Lá, ela conhece o dono de um dos cafés do centro da cidade, Miguel, que acaba por lhe contar toda a história de uma família, os Ramirez: os pais Pablo e Concha, os filhos Antônio, Ignácio, Emilio e Mercedes. Cada um dos filhos é bem diferente do outro, um é professor, outro é toureiro, um gosto de música, e a garota gosta de flamenco. Eu sou apaixonada por flamenco, então todas as descrições de dança, roupa, música, me deixaram boquiaberta. (Particularmente, com muita vontade de ir para a Espanha também).

Logo rompe a Guerra Civil Espanhola, e embora seja uma obra de ficção, eu sempre gosta de acreditar que o autor tenha feito uma boa pesquisa histórica e todos os relatos me impressionaram demais. Nós não aprendemos muito a história espanhola, e essa disputa política que dizimou o país, prendeu muitas pessoas e tornou milhares refugiados me parece muito o noticiário que ouvimos a respeito da Líbia atualmente. Particularmente, há muita descrição dos embates aéreos em que se jogavam bombas em cima de cidades e seus civis, ou metralhava-se pessoas fugindo na estrada. Guernica, tem completamente outro significado para mim agora.

  
O enredo do livro é interessante, mas o ponto principal do livro é o relato sofrido da guerra, toda a história política. (E o flamenco, vai. É lindo demais!)

28 de fevereiro de 2011

Moacyr Scliar


O fato é que ninguém nasce escritor, mas certamente pode-se morrer escritor. Ok, acredito em dons natos para a literatura, mas o que eu quis dizer aqui é que não sabemos as obras e os textos que uma pessoa vai escrever quando nasce, só quando ela morre.

(Tudo isso só para o blog não ficar muito mórbido com essas notas de falecimento.)

Como vocês acompanharam no noticiário, entre BBBs e Oscars, morreu ontem Moacyr Scliar, autor do Rio Grande do Sul, membro da Academia Brasileira de Letras (candidatos??). Pela minha pesquisa básica pela internet, ele passeou por diversos gêneros literários como crônicas, contos, romances, livros infantis, ensaios, e até rolou adaptações ao cinema. (Para mais detalhes, visite você mesmo a wikipedia.) 

Contudo, eu só confirmei o que eu desconfiava: nunca li um livro dele. O que eu cheguei mais perto foi A vida de Pi, que disseram que era plágio do livro dele Max e os Felinos (veja o link para o meu comentário sobre o primeiro).

Então eu pergunto, senhores, quem já leu um livro do Moacyr Scliar? Recomenda?

22 de fevereiro de 2011

Vacaciones

Fonte: Ana Paula Barbi
Esse livro foi uma indicação ótima das garotas do Rodas de Notapé - através desse post aqui. O mais interessante é que ele pode ser baixado em pdf na internet pelo (atual) site da autora, Ana Paula Barbi: Ratito Mamita, o que eu fiz rapidamente - da web para o notebook, do note para o kindle.

Vacaciones (a arte de se divertir sempre que possível, ou como não levar a vida) é um livro composto por trechos do blog da Polly no período de 2004 e 2008, editado por uma turma de Produção Editorial da UFRJ. Nesse período, dos 21 aos 24 anos, ela morou em várias cidades do país, sempre com dinheiro curto e postando com muita sagacidade e bom humor o que acontecia na sua vida ou como ela estava se sentindo, com uma linguagem coloquial, como uma conversa mesmo (adorei os posts em que ela realmente transcreve diálogos com o amigo Didi, você vê tudo acontecendo!)

Realmente é um livro muito divertido, e inacreditável em alguns momentos. Mais inacreditável ainda se a sua vida é completamente diferente da dela, como a minha. Alguns trechos são chocantes seja pelo que ela viveu (imagina pedir carona para caminhoneiro e dar um jeito de não ser estuprada), pela linguagem (palavrões e algumas obscenidades, censura +/- 16 anos) ou pelas suas opiniões ácidas e sua filosofia de vida. No entanto, ela faz isso de uma maneira sarcástica, o que não deixa outra saída além de dar risada.

Os posts são cheios de referências pop e culturais recentes, e isso, juntamente com pertencer a mesma faixa etária da Ana Paula, aproxima muito o leitor jovem. Eu gostei de ver também que ela adora ler! E mesmo nos momentos mais complicados, ela sempre tinha seus livros.

Ela é do tipo de pessoa que você quer conhecer e parece acessível, certo? Então, quando eu acabei o livro hoje de manhã me perguntei: por que não? Como internet ajuda na cara de pau e email é de graça, eu enviei um para ela, para saber como andas, na maior camaradagem. O máximo que ela ia fazer era não responder, certo? Errado! Ela respondeu super rápido e eu fique super feliz de apresentar a primeira (mini) entrevista com o próprio autor nesse blog:

LNS: Atualmente, a sua única participação na internet é o site "Te dou um dado?"? O que você anda fazendo da vida?


Polly: Escrevo no TDUD? e para a Burn também. E é isso ae que to fazendo da vida.

LNS: No livro Vacaciones, assim que tudo fica bem, no período de 2006 - 2007 em São Paulo, você escreve menos no blog. Você acha que faz mais sentido escrever quando está se sentindo mal ou deprimida ou passando por algum problema? Compartilhar isso é mais fácil do que compartilhar alegrias?

Polly: Acho que não é questão de ser mais fácil compartilhar tristeza, mas de não ter mais a necessidade de compartilhar nada. Naquela época eu não tinha nem computador em casa, então se acontecia alguma coisa eu escrevia num papel e depois ia em alguma internet de graça postar. Hoje em dia se acontece alguma coisa eu twitto, sabe? Não vejo mais muito sentido em continuar tendo blog ~~~pessoal~~~

LNS: Se for verdade que você acha mais fácil escrever quando está "sofrendo", e o seu blog atual Ratito Mamita teve a última entrada em janeiro de 2010, a sua vida está muito-boa-obrigada agora?

Polly: tá bem boa sim, não tenho nada pra reclamar não, haha.

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Que ótimo para ela, né? Eu espero que ela continue escrevendo por aí, pois é algo que ela faz muito bem!

Bom, usando o kindle, eu postei alguns trechos pelo twitter:


Eu até tentei postar alguns outros, mas deu erro... De qualquer forma, o livro está aí inteirinho para vocês lerem e relerem, muito recomendo!! O site pede uma doação - legal, neám?

A Polly, quando o perrengue apertava, publicava o número da conta corrente e pedia doações - para comprar passagem, para ter onde dormir, para ir num show no aniversário dela. E o pessoal ajudava! Será que a boa vontade via web continua?