15 de março de 2011

The Screwtape letters

Em português, o título desse livro é bem mais explícito: "Cartas de um diabo ao seu aprendiz", ao invés de "As Cartas de Screwtape", que é sim o nome próprio do diabo em questão e até um verbo segundo o Wikitionary, significando exatamente: "bagunçar, corromper, ser diabólico".

Esse livro do C.S.Lewis, autor de Crônicas de Nárnia, são cartas sucessivas do tio diabo para o seu sobrinho diabinho Wormwood, instruindo-o a como melhor tentar o humano que lhe compete trazer para o inferno - chamado de "paciente". O tal paciente se torna cristão logo no começo, então as sugestões do tio são muito em oposição a vontade de Deus, que é o "Inimigo". (Toda a nomenclatura é trocada: Nosso Pai Inferior é Satanás - Our Father Below).

Cada carta leva em consideração um tema: oração, ir a igreja, amizades de fora da igreja, amizades de dentro da igreja, apaixonar-se, relações familiares, guerra, pacifismo, coragem, solidariedade (a história se passa durante a 2a guerra mundial, na Inglaterra), etc. Mas sempre do lado de lá: o diabo tentando perverter o significado de cada coisa, cada emoção, cada pensamento, para que o paciente seja levado a pecar, e, de maneira duradoura e definitiva, afastar-se de Deus.

Eu não tenho palavras para dizer como eu gostei desse livro. É incrível! Primeiro, porque é uma história de ficção, e eu admiro muito os autores que conseguem colocar profundidade em romances ficcionais. Segundo, porque é simples (embora você tenha que prestar atenção porque como o C.S.Lewis fala : "o branco do personagem é o nosso preto") e nos leva a pensar em assuntos muito importantes como cristãos e nossa sociedade atual. Em 70 anos, não mudou muita coisa do essencial. Terceiro, porque é uma forma muito boa de aprender sobre cristianismo - seus conceitos estão contextualizados na realidade.

É claro que é uma história de ficção, mas cada carta - de 3 ou 4 páginas - pode gerar grandes discussões. Como quando ele fala que uma das artimanhas é o ataque emocional a fé, brincando / deturpando com o significado da palavra "real". 

"Eles dizem um aos outros de uma grande experiência espiritual, 'Tudo que realmente aconteceu foi que você escutou uma música num espaço iluminado'; aqui 'real' significa os simples fatos físicos, separados dos outros elementos da experiência que eles tiveram. Por outro lado, eles também dizem 'É tudo muito bom discutindo aquele mergulho alto sentado aqui na sua poltrona, mas espere até que você vá lá e veja como é realmente', aqui 'real' está sendo utilizado no sentido oposto para significar, não os fatos físicos (que eles já sabem enquanto discutem em suas poltronas) mas o efeito emocional desses fatos na consciência humana.Cada aplicação da palavra pode ser defendida; mas o nosso negócio é manter as duas rolando de uma só vez para que o valor emocional da palavra "real" possa ser posicionado agora em um lado da disputa, agora no outro, como melhor nos servir. (...) Assim no nascimento o sangue e a dor são 'reais', a alegria somente um ponto de vista subjetivo; na morte, o terror e a feiúra revela o que a morte 'realmente significa'."

Eu recomendo fortemente esse livro - assim como algumas pessoas que comentaram no post sobre o outro livro do C. S. Lewis, Cartas a uma Senhora Americana - para ter, ler e reler. Essa minha edição de 2002 (que eu comprei ano passado!), comemorativa dos 60 anos da obra, possui também o texto que o autor fez sob encomenda de um jornal americano "Screwtape propõe um brinde" e trata-se do diabrete fazendo o discurso da formatura de uma nova leva de diabinhos da escola preparatória - muito interessante também, é uma análise do pecado no mundo. Com certeza, um livro para entrar na minha lista de tops!

6 comentários:

  1. Taciana, gostei muito da sugestão de leitora. Como cristã também, acho muito importante esse tipo de literatura na nossa vida e C.S.Lewis foi um grande autor, do qual gosto muito também.

    Parabéns pela resenha!

    beijos

    Sandra
    http://apenasumavez.wordpress.com

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  2. Quisera eu ter essa voracidade na leitura de livros... Esse, definitivamente, parece ser um livro que deve ser lido por todos. Cristãos ou não-cristãos, pois trata da sociedade em que vivemos.

    Somente um autor do porte do senhor Lewis para escrever uma reflexão como essa pelo ponto de vista contrário, e ainda assim uma forte crítica ao mesmo tempo.

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  3. Oi, Taciana!
    Voltei para ler sua resenha! Muito bacana! Não esperava que você gostasse tanto assim da leitura, mas ela é interessante mesmo. Recomendo!

    (também queria ter essa voracidade, mas não tenho. Curiosamente, gosto mais de escrever do que de ler)

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  4. Taciana, adorei a dica! Infelizmente, leitura comigo é 5 minutos por dia. Mais do que isso não tô dando conta...
    Lewis era amigo do Tolkien... nem li e já gostei.. é mto amor! hehehehehe...
    bjs

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  5. Acabei vindo parar aqui por indicação de um aluno. Achei o livro interessante. Em tempos de leituras curtas e coisa mal escritas, uma leitura dessas seria legal.

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    1. Que legal, Bruno! Espero que você coloque esse livro na lista de leituras... O C.S. Lewis era um gênio!

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