21 de junho de 2010

Chatô, o Rei do Brasil

Atendendo a pedidos, vou falar do livro do Chatô, ou Assis Chateaubriand, que foi o Roberto Marinho da sua época, com seus "Diários Associados" e fundador da  TV Tupi. O cara era um cabra macho da Paraíba, que se inventou e reinventou tendo uma importância histórica incrível, mas rapidamente esquecida.
Esse livro, sua biografia de Fernando Morais, é um espetáculo. Se Olga, por sua vez, fala da história de Prestes, e daí você sabe um pouco de política brasileira, russa e alemã pré-segunda-guerra, com esse livro você conhece um outro lado do Brasil, empresarial, cultural, e claro, político também (pouca coisa se faz aqui longe do Estado).
Se Olga é um livro triste e soturno, Chatô, como o personagem, é de gargalhar. Sim, gargalhar. Porque não dá para não rir alto com as peripécias do Sr. Chatô, algumas que ficaram marcadas na minha cabeça mesmo depois de anos que eu li esse livro (uns 10, certeza!)
O cara era o esperto típico brasileiro, que tinha que sair ganhando, de qualquer forma. Então ele fazia das suas, às vezes legais, às vezes nem tanto. Veja bem, ele era o dono de vários jornais, influência política imensa, o que lhe dava grande margem de manobra para fazer, bem, o que queria. Só para vocês terem uma ideia:
Ele queria que as fábricas de fósforo publicassem anúncios em seu jornal. Ora, mas para que fabricante de fósforo fazer propaganda? Todo mundo precisa de fósforo, é simples, barato - elas recusam. Dias depois, Chatô publica uma reportagem investigativa: as caixas de fósforo dizem que contém 50 fósforos. Mas depois de uma pesquisa intensa (dos próprios funcionários do jornal contando e contando fósforos), descobre-se que a média é 47 fósforos por caixa. Alguns tem menos! Resultado: anúncio de fósforo no jornal, e agora as caixas apresentam um texto: "contém APROXIMADAMENTE 50 fósforos"
Quando a Rainha Elizabeth foi coroada, ele queria encontrá-la de qualquer forma, e para isso pensou: vou dar um presente para ela, aí é só entregar em mãos - fazendo parte da comitiva brasileira. O que você faria? Compraria um presente? Chatô, não. Ele publica no seu jornal, com o devido destaque, uma lista das pessas que irão "contribuir generosamente" com certo valor determinado, para um presente do povo brasileiro para a Rainha. Depois de toda a publicidade, é claro que houve a contribuição, e o Chatô conseguiu o que queria - e a Rainha ganhou uma tiara e brincos de água marinha, citada na wikipedia como "Brazil Parure" (parure é um conjunto de jóias).
Chatô é fenomenal, e o livro também, recomendo! É um livro enorme, mas não se descoraje, é diversão de primeira!

Um comentário:

  1. aee Taci! Olha que eu nem lembrava mais de algumas partes que você citou.

    Eu adoro o Fernando Morais, mas ele tem alguma biografia mais recente?
    Eu não me lembro de ter visto.

    Bjos!

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