17 de março de 2018

Dying to Read

Editora Revell

Eu peguei esse livro de graça numa promoção na Amazon, principalmente por causa do título algo como "Morrendo para Ler - uma Novela" (de Lorena McCourtney).

É um livro de mistério, do tipo "whodunit" (quem fez?), ou seja, a linha é descobrir o assassinato do cadáver que aparece no primeiro capítulo. No caso, uma senhora que está morta quando as amigas chegam para um clube do livro na casa dela.

A personagem principal, Kate, não está dando certo na vida e resolve ajudar o tio na empresa de investigação particular e acaba sendo levada para o meio desse "mistério".

Eu achei interessante que a personagem é cristã, então tem uma referência aqui e ali, mas não é o tema do livro nem o assunto principal. No entanto tem algumas partes bem forçadas, principalmente quando aparece o mocinho da história.

O que me decepcionou mesmo foi que, fora a morta estar participando de um clube de leitura, não tem mais nada a ver com "livro" ou "ler", que era o que eu esperava a partir do título.

As bruxas

Editora WMF Martins Fontes - Capa Kátia Harumi Terasaka

O filme "A Convenção das Bruxas" fez parte da minha infância e por muito tempo essa foi a minha definição de bruxas (até Harry Potter, claro).

Então, ler esse livro agora foi uma delícia: lembrar da infância, imaginar lê-lo com as minhas filhas (no futuro, não recomendo para menos de 7 anos) e descobrir outro livro ótimo do Roald Dahl. 

Como é gostoso ler um bom livro infantil - com muitas páginas, poucas ilustrações, e ainda assim para crianças, e para viajar junto com essa história muito louca. 

7 de março de 2018

A Restauração das Horas

Editora Nova Fronteira

A maior vantagem de ler os ganhadores do Pulitzer é que são livros bons. Livros que foram lidos, analisados, e receberam um selo de qualidade, que nem todos - aliás a maioria - tem.

No entanto, não quer dizer que todas as histórias vão ser realmente legais - como esse "A Restauração das Horas", de Paul Harding (em inglês: Tinkers, que pode ser traduzido como Latoeiro). Aqui, um homem está no leito de morte - literalmente a horas de morrer (o autor informa: "faltando 86 horas para que o fulano morra"), e ele começa a divagar sobre a sua vida, e o narrador vai misturando com relatos da vida do seu pai e do seu avô.

É um retrato cultural interessante do interior dos Estados Unidos - como em 3 gerações há tanta mudança de ocupação, convívio familiar, tipo de domicílio - mas não sei se pela profusão de personagens masculinos, não me envolvi tanto com a história como em outros casos. Em li em paralelo com o livro As Horas, e este foi tão melhor!

Mas, é claro, que se trata de um livro bom.


1 de março de 2018

The Hours

Editora Picador USA

Além de ter ganhado um Pulitzer, "As Horas" foi adaptado para um filme de sucesso com Meryl Streep, Nicole Kidman e Juliane Moore. Eu não lembro de ter assistido o filme, então fui me surpreendendo com a história, de um dia na vida dessas 3 mulheres em momentos de vida e épocas tão diferentes, mas tão naturalmente similares.

Michael Cunnigham realmente me surpreendeu pela sensibilidade de apresentar um fluxo de pensamento tão coerente para pessoas do sexo oposto. Eu sei que é isso que os bons escritores fazem: se multiplicam em diversos personagens, mas isso é feito com maestria nessa obra.

Parece ser um dia comum para as três, mas enquanto a superfície é calma e rotineira, por dentro, borbulham inquietações, dúvidas e crises. Com relação a Virgínia Wolf, sabemos o que irá acontecer por ser um fato histórico (mas que ocorre no futuro do tempo do livro), mas para as outras duas, vamos acompanhando passo a passo como vai se desenrolar.

A história começa mais devagar - porque é uma apreciação dessa superfície inócua, mas a medida que os eventos aceleram - na verdade, a medida que as conhecemos melhor (o que inclui lembranças, conversas, reflexões), o livro vai se tornando muito mais interessante e é difícil parar até chegar ao fim.



26 de fevereiro de 2018

Se vivêssemos em um lugar normal

Editora Companhia das Letras - Capa Elisa von Randow 

Eu gosto muito das crônicas do Juan Pablo Villalobos no blog da Companhia das Letras, e gostei muito do primeiro livro que li dele - Festa no Covil (foi até um dos meus top livros de 2015), mas nesse livro com um título ótimo: Se vivêssemos em um lugar normal, eu acredito que ele perdeu um pouco a mão.

A história começa bem, uma família de pai professor, 7 filhos com nomes gregos,  a mãe que todo dia serve quesadillas no jantar - tão recheadas quanto possível, variando com a renda do dia, na periferia de uma cidade no interior do México. É interessante, é engraçado, mas lá pelas tantas o autor desbanca tanto para o fantástico, com ETs e tudo o mais, que causa muito estranhamento e parece que um limite foi transpassado sem vantagem para o leitor.

Para comentar melhor minha frustração - um spoiler de uma parte que me entristeceu logo abaixo.

No começo da história, os filhos gêmeos da família somem - são perdidos no meio de uma confusão num supermercado, em que a mãe estava tentando comprar comida, e não viu para onde eles foram. Ela fica desesperada, claro, o pai também - e no começo sobra mais comida para os outros irmãos - mas é isso. Eles são tão pobres e pouco importantes, que esse sumiço não dá em nada, e, no meu ponto de vista, nem é parte da trama principal. É triste como isso pode acontecer - e tenho certeza que acontece até hoje - e só ficou a sensação de que eu sofri mais com isso do que os próprios personagens.

Acho que a leitura do livro vale para conhecer a cultura, a situação econômica e social do México na década de 80, mas Festa no Covil é melhor.



24 de fevereiro de 2018

O Fantástico Senhor Raposo

Editora WMF Martins Fontes - Capa Kátia Harumi Terasaka

A história de "O Fantástico Senhor Raposo" parece um conto antigo, desses de tradição oral que muitos autores infantis registraram em seus livros. Nessa obra de Roald Dahl, um raposo e sua família são perseguidos por 3 donos de fazendas muito chatos e folgados, que querem vingança por tantos anos de roubo. Claro que a construção é tão bem feita, que ficamos automaticamente do lado do pequeno ladrão, que pelo menos tem um bom caráter (?!) ao roubar para alimentar sua família, e se há em excesso dividir com os vizinhos.

A história é divertida, e boa como início de conversa com as crianças.

19 de fevereiro de 2018

Os Íntimos

Publicações Dom Quixote

Eu gostei muito desse livro da Inês Pedrosa, assim como eu gostei do primeiro que li dela (Fazes-me falta), e principalmente porque eu gosto muito da sua prosa, o seu jeito de escrever poético e sensível, como nesse trecho:

"Estou dentro de um cenário de cinema. Como se as casas fossem de cartão prensado, e a vida se suspendesse para poder ser inventada, debaixo das luzes que vacilam na noite por causa da chuva, uma chuva miudinha, falsa, melodiosa, regulada como banda sonora."

Em "Os Íntimos", a autora descreve uma noitada entre amigos homens, em que a voz narrativa passa de um para outro - mas mais seus pensamentos e falas, monólogos que não temos certeza se são pronunciados em voz alta.

Há personagens femininas, mas elas são secundárias - e eu achei o livro muito interessante e bonito, mas eu o terminei sem saber se o retrato dos homens é convincente, ou só como uma visão feminina.