24 de setembro de 2026

Orbital

 

Editora DBA

Orbital, de Samantha Harvey, ganhou o The Booker Prize de 2024 e entrou no meu radar: uma história um dia de 6 astronautas na estação espacial mais para lírica do que ficção científica, certamente é algo que me interessa.

O livro é realmente bonito, toca em vários aspectos da identidade humana, os relacionamentos ocasionais e longos, a tensão entre tecnologia e o mundo natural, até o propósito da vida de cada um. Acredito que, num clube do livro com as pessoas certas, o sentido poderia até se expandir e meu apreço pelo livro também, mas não consegui dar as 5 estrelas que eu imaginei que teria. É um ótimo livro mesmo assim. 

18 de setembro de 2026

The Remains of the Day

 

Editora Farber & Farber

Eu lembro vagamente de assistir o filme Os Vestígios do Dia, e só depois de realmente gostar do livro Never let me go, colocar "The Remains of the Day" na lista de interesse. Posso então afirmar com certeza: Kazuo Ishiguro, ganhador de prêmio Nobel, não decepciona.

Logo no começo da história, eu já estava encantada pelos personagens, pela forma delicada de narrativa, pelo tecido literário que nos envolve. Existem as dimensões humana, sociais e políticas da narrativa, mas nada é forçado ou demasiado, é denso, sem ser pesado. 

Brilhante, eu diria.


13 de setembro de 2026

Fique Comigo

 

Editora Harper Collins

Vejam bem, eu gosto de livros tristes. Tragédias. Mas novelão pelo novelão, sem algum requinte literário, tem me deixado apenas mal humorada com tanto drama. Talvez seja por conta da idade, mas "Fique comigo" da Ayọ̀bámi Adébáyọ̀, acabou caindo nessa categoria.

Começa com uma questão de infertilidade, e aí passa por perda de filhos, crise no casamento, infidelidades, com um pano de fundo político que eu acho que só foi sendo tecido ao longo do enredo para uma cena ficar mais tensa, mas sem um sentimento real envolvido. 

Eu entendo o apelo, de verdade, entendo quem se comoveu, sofreu, chorou, achou ótima a história, mas realmente me cansou a beleza. Não desisti porque é difícil mesmo prever aonde isso tudo ia parar, mas recomendo só para quem gosta de drama mesmo.

7 de setembro de 2026

The sea, the sea

 

Editora Penguin


"O mar, o mar", escrito por Iris Murdoch, ganhou o Booker Prize em 1978, e por isso que entrou na minha lista de leitura.

Antes mesmo de saber que o livro são as memórias de um ator-diretor inglês, não parece que existe algo de teatral, dramático e empoado nesse título? 

Charles Arrowby vai viver numa casa a beira-mar e já declara que está escrevendo suas memórias, mas também um diário. O livro tem mais de 500 páginas e, na primeira parte do livro, eu tive a impressão de que simplesmente QUALQUER coisa poderia acontecer. É um drama? Um romance? Vai surgir um ser mitológico e começaremos uma fantasia? Simplesmente qualquer coisa.

Logo em seguida, quando surgiram interações com mais personagens, comecei a perceber que Charles era a definição de narrador não confiável - até por seu excessivo egocentrismo, não era simplesmente possível acreditar no que ele estava escrevendo. Eu comecei a achar que ele estava mentindo propositadamente, depois achei que ele não percebia que estava mentido, ou se enganando. 

Continuei lendo, deveras curiosa, e sinto em dizer que continuo muito curiosa com tantas interpretações. Fico igual às leitoras de young adult: cadê o POV da mulher? Do outro personagem? de qualquer um?

Se você já leu, por favor, entre em contato. 


5 de setembro de 2026

Economia do Reino

 

Editora Thomas Nelson

O assunto de dinheiro - riqueza e pobreza - na perspectiva cristã sempre foi do meu interesse, e já vi muita discussão sobre isso, com diferentes pontos de vista.

Matheus Ortega, em seu livro Economia do Reino, apresenta uma abordagem simples e clara, estruturada em 4 perfis de pessoas que agem juntas em favor do reino de Deus (diferentes partes, o mesmo corpo). Para cada perfil, ele cita 3 boas características específicas e 2 perigos, ou seja, não há melhor ou pior. O fato de ser estruturado dessa maneira ajuda no entendimento (assim como partes ficcionais do livro), mas não me convenci completamente que todas as pessoas cabem exatamente nessas 4 caixinhas.

No entanto, não é esse o ponto - as pessoas podem mudar, e podem agir de maneiras diferentes em diferentes situações, então o entendimento do que é ensinado biblicamente sobre o assunto é o que importa. Há muitas citações bíblicas e referências a teólogos e escritos cristãos do primeiro século até hoje, então é realmente um livro repleto de ensinamentos muito ricos.

Eu recomendo com certeza, para aprender e também descansar em Deus sobre esse assunto.


1 de setembro de 2026

Histórias Apócrifas

 

Editora 34

Histórias Apócrifas foram escritas por Karel Capek há cerca de 100 anos, mas poderiam ter sido escritas ontem - de tão atuais. O autor da Tchéquia pega eventos da mitologia, bíblia ou mesmo de Shakespeare, e reconta trazendo muita humanidade, uma universalidade de emoções e desejos, tudo com muito bom humor.

Um livrinho gostoso de ler e de fazer pensar. Quem diria?



31 de agosto de 2026

Felizes os felizes

 

Editora Âyiné

No primeiro capítulo de "Felizes os Felizes", uma personagem vai para a fila do queijo no supermercado, que está muito longa. Não precisa dizer mais nada para caracterizar o local da história como "França". Mas há sim outras referências (que eu sei porque minha amiguíssima Fernanda mora lá e eu já a visitei algumas vezes) que criam as circunstâncias específicas para esse livro da Yasmina Reza, que estava ali bobeando no kindle unlimited.

Cada capítulo é quase um conto, focando em um personagem, mas há tanta gente envolvida, que eu realmente me perdi no quem é quem a medida que os pontos de vista mudam. É um bom livro, mas nada fenomenal, interessante para ver uma cultura diferente e pessoas inusitadas.


29 de agosto de 2026

Canto eu e a montanha dança

 

Editora Mundaréu

Amo títulos diferentes. 

Assim, "Canto eu e a montanha dança" é simplesmente irresistível.

Já me leva a lugares diferentes, sensações diferentes mesmo, do que pode ser esse mundo de uma montanha dançando.

É com alegria que digo: Irene Solà corresponde às expectativas e esse livro fantástico, repleto de lirismo (telúrico, como é dito no prefácio), é realmente maravilhoso.

Ele quebra expectativas, traz personagens diferentes, e vai construindo uma história humana e poética.

Recomendo, com certeza.


27 de agosto de 2026

Mulher Única

 

Editora Universidade da Família

Não fiz o curso, mas li o livro Mulher Única, de Edwin Louis Cole e Nancy Corbett Cole, e agora posso criticar com propriedade.

Embora seja um livro escrito originalmente em 1991, não é tão conservador quanto alguns conservadores poderiam apreciar (por exemplo, defende que uma mulher tenha uma carreira e um emprego), mas tem algumas passagens no mínimo estranhas, como aconselhar a deixar o seu marido errar com as finanças ou a administração da casa (mesmo se a mulher souber lidar melhor com dinheiro), porque "assim ele aprende" e "não faz mal". 

Entendo que fazer parte de um grupo de estudos sobre esse livro pode criar bons relacionamentos de apoio e suporte, mas eu poderia discutir bastante sobre a base teológica de alguns pontos apresentados como verdade nesse livro. 



26 de agosto de 2026

Auto da Compadecida

 

Editora Agir

Incrivelmente, demorei quase uma vida inteira para ler esse livro delicinha do Ariano Suassuna, Auto da Compadecida.

Eu lembro de ler peças teatrais na escola ou mesmo um pouco de Shakespeare, mas foi o Clube do Livro no meu trabalho que me ajudou a colocar Auto da Compadecida na lista de leituras, com muito sucesso - é divertido, fácil de ler, e ainda faz pensar.

O filme substitui bem, claro, porque é literalmente o livro todo com imagens e música, mas por que não ir à fonte? 


22 de agosto de 2026

Corra com os cavalos

 

Editora Mundo Cristão

Eugene Peterson é um teólogo cristão e um pastor muito sensível, então, com esse livro sobre o livro de Jeremias (e também sobre o próprio profeta), temos um estudo bíblico com orientações práticas.

O livro foi primeiro publicado em 1983, então em termos de circunstâncias sociais, bastante coisa mudou - mas a humanidade continua a mesma, seja em 2026, 1983 ou na época de Jeremias. 




21 de agosto de 2026

Tethered

 

Editora Penguin

Tracy Anne Ong, a autora desse livro, conta com muita vulnerabilidade a sua jornada de recuperação de um derrame cerebral com 35 anos. É algo tão impensado para nós, uma doença tão debilitante, que não dá para ler sem se impressionar com o relato. A sua determinação em melhorar, e o apoio da família também foram fundamentais - assim como sua boa condição de vida. Um bom lembrete de como a vida pode mudar repentinamente.

20 de agosto de 2026

O meu pé de Laranja Lima

 

Editora Melhoramentos

"O meu pé de laranja lima", de José Mauro de Vasconcelos, é um clássico - virou até novela - e a minha memória era que ele foi o primeiro livro que me fez chorar. Mesmo assim, tantos anos depois, eu não lembrava exatamente o que acontecia de tão triste.

Eu li com as minhas crianças recentemente (11 e 13 anos), e fiquei espantada com tanta coisa que acontecia para o pequeno Zezé (que, a toda hora, o autor nos lembra que tinha apenas 5 anos). É uma infância dolorida, de restrição financeira e castigos físicos, mas também de estripulias e uma certa independência, que parece não existir mais.

(Assim como livros chamados infantis com palavrões - literalmente palavrões - na boca do personagem principal).

Não choramos.

E também não sei se eu recomendo para outras famílias. Esse livro definitivamente não é infantil, mas com certeza é um retrato de uma outra época do nosso país.



14 de agosto de 2026

De Jogos e Festas

 

Editora Companhia das Letras

Esse é o primeiro livro que eu leio de José J. Veiga: De Jogos e Festas, que contém 3 contos (pequenas histórias? novelas?). A primeira, de um homem lidando com a morte do irmão, um mistério repleto de personagens, sem o esquema de uma história tradicional. Na terceira história, sobre um governador lembrando seus dias de juventude, eu já me deixei levar pela estranheza.

Agora, a segunda história é genial: "Quando a Terra era redonda". Ela é a menor de todas, e eu não sei o seu impacto em 1980, mas em 2026 - considerando todo a discussão da terra plana recente - é espetacular. Recomendo muito.



10 de agosto de 2026

Warbreaker

 

Editora Gollancz

Li o meu primeiro Brandon Sanderson!

Warbreaker (O sopro dos deuses) é bom, diverte, flui, tem magia, tem emoção, tem um mundo muito bem construído e apresentado. 

Fiquei feliz que é volume único (com mais de 600 páginas), mesmo tendo um possível gancho para aventuras futuras. 

Pena que é tããããão caro aqui no Brasil (até a versão kindle, que não paga papel e transporte, é mais cara que a versão física).




9 de agosto de 2026

Bom dia, Inverno

 

Editora Companhia das Letras


Eu não gosto de frio e inverno, mas ler sobre uma mulher brasileira que resolveu passar meses sozinha no pólo norte (ou bem próximo disso), parecia uma boa ideia - e é realmente uma boa ideia.

De forma leve, Tamara Klink nos leva nessa aventura de dizer "Bom dia, Inverno", e apresentar-se como personagem principal dessa história, mas também uma representante da geração mais jovem, de 20 e tantos anos, que pensa diferente em alguns pontos, iguais a mim em outros pontos, e tem qualidades e defeitos, como todo mundo.

Incrível como a história de uma viagem em solitário tem tanto personagem secundário interessante, e traz temas tão bons. Virei fã. 

3 de agosto de 2026

Sanatório sob o signo da clepsidra

 

Editora 34

O estranho título desse livro, Sanatório sob o signo de clepsidra, fala bastante sobre os contos de Bruno Schulz reunidos aqui.

Clepsidra é um relógio de água (igual tem no shopping iguatemi da faria lima em São Paulo), então, intrinsicamente impreciso. 

Signo, nesse caso, quer dizer símbolo.

Sanatório é o lugar que as pessoas vão para ficar saudáveis - de doenças físicas, e algumas vezes mentais. Doidos, que chamavam?

O autor apresenta histórias doidas, incômodas, manipulando o tempo de maneiras não usuais. É bastante desconfortável, mas, como disseram no meu clube do livro, parece que o cara é um gênio.

A minha história preferida é a do pai que se tornou um lagostim (pré-kafka).




29 de julho de 2026

Dando nome ao elefante

Editora Monergismo

O nome do livro de James W. Sire é ótimo, Dando nome ao Elefante, mas a parte acessível do livro praticamente acaba aqui. Acho bem interessante o conceito de Cosmovisão, mas achei esse livro difícil, como se fosse necessário ter sido uma aluna de humanas (filosofia? sociologia? história do pensamento filosófico?) antes de ler esse livro - o que eu não sou.

Até as citações no livro são frustrantes: quando eu resolvia ir ler as notas de rodapé, achava só a referência ao livro que estava sendo citado, sem maiores explicações sobre a tal ideia do autor que estava sendo referenciada, sem considerar que, não sendo acadêmica nem filósofa, eu não vou ler lá no original.

Li inteiro porque fazia parte da matéria que eu estava cursando, mas realmente pouco me acrescentou (fora a tal história dos elefantes, a qual eu tenho muitos comentários - realmente me compadeço da criança que perguntou o que sustenta o mundo e ouviu "elefantes a perder de vista". Prefiro, inclusive, a versão da tartaruga. Aliás, prefiro explicar o big bang e a teoria gravitacional do que essa resposta de elefante. Afe.)

28 de julho de 2026

Árvore Velha


Árvore Velha é um livro sobre velhice, escolhas de vida e relações familiares. Sem papas na língua, de uma narradora muito interessante, de uma escritora brasileira muito boa: Marta Barbosa Stephens.

De vez em quando, livros assim, me fazem pensar se agora é tudo auto-ficção, mas um livro de literatura contemporânea bem escrito é realmente algo tão bem feito que poderia ser a vida, mas é tão engenhoso para ser sobre a vida, e como não é sempre sobre a vida?
 

26 de julho de 2026

Criaturas Extraordinariamente Brilhantes

 

Editora Tag

Temos um título incrível: Criaturas Extraordinariamente Brilhantes, temos um narrador incrível: o polvo Marcellus, temos uma idosinha incrível repensando a vida, Tova - ou seja, um livro irresistível. 

E o livro é bom mesmo, talvez falte alguma coisa para ser espetacular, mas até o fato de ser um pouco surpreendida pelo fim foi bom. 

Vale o hype!