3 de maio de 2026

Orgulho e Preconceito

Editora Antofágica

Li de novo Orgulho e Preconceito, como se a TBR não existisse?

Sim.

Valeu a pena?

Sim.

Depois de assistir a série da BBC no Prime da Amazon, resolvi ir ao original da Jane Austen para saber o quanto do humor é da autora e quanto é da adaptação, assim, nos detalhes, e sim, senhoras e senhores, o livro tem muito de irônico e engraçado, e o que às vezes ficou estranho na adaptação, é muito bom no papel.

Que genialidade é esse texto!

Essa edição da Antofágica é repleta de ilustrações muito boas de Jess Vieira. Recomendo! (Li no biblion.)


 

1 de maio de 2026

Trilogia dos Gêmeos

 

Editora Dublinense

Ágota Kristof, húngara, escreveu livros geniais - uma afirmação nada ousada, depois de ler Trilogia dos Gêmeos.

O primeiro livro, O Grande Caderno, dá arrepios. Todo escrito em "nós" fala de guerra, família, identidade. Muito muito bom.

O segundo livro, A Prova, parece um balde de água fria - faz perder o rumo e está em outro lugar (e eu não achei tão bom quanto os outros dois, parece mais "comum" de certa forma, relativo aos outros dois.

O terceiro livro, aí sim, partimos numa viagem com a autora, Klaus Lucas, Claus, Lucas (um ANAGRAMA), uma loucura. Genial.

Recomendo de olhos fechados (mas é bom mantê-los abertos).


27 de abril de 2026

Proust and the Squid

 

Editora Harper

Um colega de trabalho me indicou esse livro, sobre a história e a ciência do cérebro leitor (acredito que o título aqui no Brasil é esse mesmo, Cérebro Leitor, apesar do título em inglês ser um pouco mais literário Proust (o escritor) e o Polvo). 

Maryanne Wolf é uma neurocientista e nos apresenta informações históricas e neurológicas de como a humanidade desenvolveu a leitura e a escrita, e como isso acontece no cérebro de cada um de nós - já que não há uma parte do cérebro destinada a "ler", assim como há partes destinadas a controlar partes do corpo, ver, falar, etc. É algo incrível e muito interessante. Ela também fala de maneira muito sensível sobre a dislexia, e como não é "preguiça", mas uma configuração cerebral diferente que dificulta muito o processo de leitura, mas permite outras habilidades, como a criatividade em geral.

Uma das partes mais fofas é ela descrevendo crianças que participam dos estudos no centro de pesquisa que ela trabalha para exemplificar o que ela explica na teoria. É bonito de ver uma ciência que não é só teórica mas se desdobra em impacto real na vida de tanta gente.


26 de abril de 2026

Os Malaquias

Editora Companhia das Letras

Eu gostei muito do livro A Pediatra, e fiquei animada de ler Os Malaquias, da escritora Andréa Del Fuego também. Mas NÃO É A MESMA COISA. Livros completamente diferentes, com estilos diferentes. Denota o talento da escritora? (Ainda mais considerando que esse ganhou o Prêmio José Saramago) SIM. Mas é outra pegada.

Eu me senti um pouco perdida com tanto personagem, e cria-se uma angústia, uma falta de realização, e a linguagem - poética - dificulta um pouco também. É um bom livro e uma história com pitadas de realismo fantástico muito boa também, mas eu realmente esperava outra coisa.

(Em PS, na mesma semana, comecei a ler Ó, de Nuno Ramos, que também ganhou esse prêmio, um brasileiro que é mais artista visual do que escritor, e tive que desistir de ler, porque realmente achei chato, e a linguagem era bem poética também. Acho que existe algo comum aqui).

 

24 de abril de 2026

Meridiana

 

Editora Companhia das Letras

Eliana Alves Cruz escreve um livro sensível sobre uma família negra em ascensão para classe média, e tangencia TANTOS tópicos críticos da realidade contemporânea brasileira, que faz sentido o nome do livro ser Meridiana - o nome da filha caçula que é dado em referência às linhas imaginárias que repartem o mundo.

Não dá para ser brasileiro, ler esse livro, e não lembrar de conhecidos, amigos, notícias no jornal, e como fatos comuns (por exemplo, o plano Collor) impacta de maneiras diferentes brancos e negros. A autora expande mesmo isso: cada parte é um relato de um membro da família (pai, mãe, 3 filhos), e cada um deles tem percepções diferentes e muitas vezes não entendem as escolhas ou comportamentos uns dos outros, ou mesmo, supõem pensamentos e emoções que não são  verdadeiros - ou, pelo menos, não são a história toda.

Há em todos nós narradores não confiáveis, para usar um termo atual, e talvez muitos conflitos poderiam ser evitados se déssemos tempo para ouvir verdadeiramente o outro e, para mim, essa é a maior lição do livro.

 

20 de abril de 2026

Minha irmã, a Serial Killer

 

Editora Kapulana

Se o título é "Minha irmã, a serial killer", você sabe que não se trata de uma história de mistério e, lendo o livro da nigeriana Oyinkan Braithwaite, você não sabe se é uma comédia, drama, ou o quê.

Realmente ele rompe com as expectativas, e é de leitura fácil, mas fica um estranhamento, como se algo mais poderia ser desenvolvido. Três estrelas.

18 de abril de 2026

A Filha Perdida

 

Editora Intrínseca

Elena Ferrante entrega uma ótima história para discutir maternidade em A Filha Perdida. Eu já tinha visto o filme (desviando do normal por aqui), e achado suficiente, mas me empolguei quando uma amiga começou a comentar sobre o livro. Ele traz dimensões que não estavam presentes na película (como esperado), e achei realmente um ótimo livro para clube do livro com outras mães.



16 de abril de 2026

The Beatrice Letters

 

Editora Harper Collins

Para finalizar "Desventuras em série", eu e minhas filhas lemos "The Beatrice Letters", em tradução simultânea, e muita discussão sobre de quem se trata em cada caso.

Esse livro é muito bonito, com folhas e formatos diferentes, e nunca chegou a ser traduzido (imagino que sairia muito caro). 

Eu gostaria que ele tivesse mais respostas? Sim. Mas a vida é assim também.


15 de abril de 2026

O Morro dos Ventos Uivantes

 

Editora Nova Século

Essa é a segunda vez que eu leio "O Morro dos Ventos Uivantes" e foi bem melhor porque foi junto com o clube do livro do trabalho. Eu só lembrava que não tinha gostado do livro quando li a primeira vez e, embora eu continue não gostando da história e dos personagens, consigo apreciar bem mais o talento de Emily Brontë, assim como as diferentes perspectivas de leituras.

Na minha opinião, as pessoas que idealizam o Heathcliff como o ideal de homem apaixonado tem questões psicológicos - assim como ele - então, para usar um termo moderno que foi mencionado na discussão, trata-se bem mais de uma história sobre "trauma geracional" do que uma história de amor. 

Ainda bem que acabou.

14 de abril de 2026

The Seven Dials Mystery

 

Editora Harper Collins

Na trilha da mini série da Netflix baseada nesse livro, O Mistério dos Sete Relógios, resolvi matar minhas saudades de Agatha Christie para ver as diferenças entre o livro e o audiovisual. 

Realmente a Bundle, a detetive amadora, é uma personagem muito interessante - não a mocinha aristocrata que costumamos conhecer, e é bonito de ver como a autora nos engana descaradamente. É realmente uma gênia do crime. 

Recomendo!

8 de abril de 2026

No one you know

 

Editora She writes

O livro "No one you know", de Emma Tourtelot, é sobre uma mãe e sua filha adolescente - o que já poderia ser drama suficiente, mas a situação é especialmente tensionada pelo luto após a morte da melhor amiga da garota. 

O contexto é bem particular dos Estados Unidos, principalmente toda a questão de "pessoas da cidade morando no subúrbio", mas, depois, quando o descompasso entre mãe e filha aumenta, propulsionado por interferências da internet, a trama chegou ao meu coração. Deu um desespero, uma vontade de entrar na história para ajudar as duas, além do medo de não saber quão pior a situação poderia ficar.

Foi muito interessante ler esse livro em paralelo com Deus na era secular, de Timothy Keller, porque esta história poderia ser a prática do que ele apresenta na teoria. Há uma necessidade espiritual no coração e na mente de todos nós, e por uma ideia vaga de que é possível "criar alguém sem religião", deixam crianças e adolescentes vulneráveis a encontrar respostas que não são boas, nem fazem bem. 

Eu agradeço por receber uma cópia através da plataforma NetGalley.

Deus na era secular

 

Editora Vida Nova

Este livro de Timothy Keller é escrito para céticos - ateus, não cristãos, etc - argumentando sobre a existência de Deus, e mais especificamente sobre o valor do cristianismo para o mundo hoje. 

A princípio, é bastante filosófico, e cita estudiosos tanto cristãos como seculares, e parece realmente um livro bem acadêmico. Depois, engrena, e fica um pouco mais direto, mas, ainda sim, bem fundamentado. 

Como boa presbiteriana, fiquei pensando em como todos esses argumentos lógicos se encaixam numa salvação pela graça, e por não ser o ponto do livro, isto não entra em discussão. O ponto realmente é usar a argumentação da época para mostrar como o cristianismo é a melhor resposta, e, se eu que acredito fiquei impressionada, imagino que os céticos também apreciarão a seriedade da discussão.

3 de abril de 2026

Índice Médio de Felicidade

 

Editora Dublinense

O livro "Índice Médio de Felicidade", de David Machado, fala sobre um cara, pai de família, e como ele lida com o impacto da crise econômica de 2012 em Portugal. Basicamente: mal. 

O livro tem uma pegada de redenção no final, mas até lá, eu já estava com uma raiva profunda desse homem branco triste tomando decisões ruins por toda a história. 

Não assisti o filme, e não sei se vale a pena.


Entendes o que lês?

 

Editora Vida Nova

O livro de Gordon D. Fee e Douglas Stuart já tem 45 anos, e está aí, na 4a edição, porque realmente é muito bom. Na minha opinião, "Entendes o que lês?" deveria ser leitura obrigatória para todo mundo que quer estudar a Bíblia, compreender o conjunto incrível de literatura e ensinamentos teológicos que está nela. 

Em cada capítulo, um tema é tratado, não de maneira profunda, mas abrangente e suficiente. Além disso, incentiva a agência de quem está lendo: validando o esforço, orientando de como pode estudar sozinho e não depender de comentários bíblicos. Mesmo assim, quem quiser aprender mais, os autores dão muitas referências para continuar os estudos.

Recomendo muito!


31 de março de 2026

Caminho de Pedras

 

Editora José Olympio

Caminho de Pedras é um livro de 1937 sobre mulheres, política, sociedade, escrito por uma mulher, Rachel de Queiroz, e isso faz toda a diferença. 

É possível relacionar passagens com a prateleira do amor, da Valeska Zanello, é possível ver como é difícil lutar por direitos e respeito pelas mulheres em qualquer época, é possível sofrer junto com essas mulheres tão diferentes, de um local e tempo diferente do meu, mas, que de alguma forma, tão relacionada com a brasileira que eu sou hoje.

Discuti esse livro no clube da Livraria da Travessa, e embora tenha uma perspectiva política e histórica muito forte, o que mais me impactou foi a parte das mulheres mesmo. Recomendo.

29 de março de 2026

Uma delicada coleção de ausências

 

Editora Companhia das Letras

Eu queria muito gostar desse livro: o título é pura poesia, a capa singela, a história sobre uma neta, uma avó, uma bisavó e uma mãe ausente... Mas o clímax do livro não é nada delicado, nem ausente, algo trágico e sofrido, que, assim como aconteceu em "Pequena Coreografia do Adeus", uma tristeza pungente sem fim.

Então eu vim pela história de maternidade - um interesse em mulheres que fogem com o circo, mulheres que abandonam os filhos - e realmente não é sobre isso, e o fato da reviravolta me tirar o chão, não atendeu às minhas expectativas.

A prosa poética continua bonita, e imagino que há fãs da forma (mais do que da história), mas, para ler obras da Alice Bei, é preciso ter estômago para lidar com as rudezas da vida.

Agradeço a Companhia das Letras pela cópia fornecida via NetGalley.

28 de março de 2026

Demon Copperhead

 

Editora Faber & Faber

O livro "Demon Copperhead" ganhou 2 prêmios que eu acompanho: Pulitzer de Ficção e Women's Prize for Fiction. Além disso, é uma releitura de David Copperfield, atualizado para o interior dos Estados Unidos, livro de um autor que eu amo, Charles Dickens. Assim, não foi difícil entrar para a minha lista de leitura (bastou uma promoção na Amazon).

Barbara Kingsolver escreve muito bem, e fez um retrato incrível de uma cidadezinha perdida da Virginia - que a gente torce muito para não ser verdadeira, mas provavelmente é. A descrição desse garoto passando fome me fez doer o estômago. Eu me senti numa montanha russa: muita tristeza, esperança, muita tristeza, alegria, tristeza, e, até o final, fui ali com o coração na mão, acompanhando esse garoto, torcendo por ele, como se real fosse.

Recomendo para quem quer sofrer, mas quer sentir um quentinho no coração também.

22 de março de 2026

Os Nomes

 

Editora Tag

Esse livro da Florence Knapp entrou na minha lista de desejados assim que eu vi a sinopse: histórias paralelas de como a vida das pessoas foram afetadas por diferentes escolhas do nome do bebê.

Eu sou obcecada por nomes próprios: tenho dicas de sites, contas de instagram e ainda lembro de histórias de nomes de pessoas - quem puder, veja a peça ou o filme "O nome do bebê", é ótimo!, e tenho minha própria jornada de escolha de nomes próprios para as minhas filhas. Acho sim que o nome tem um peso na vida da pessoa (olha o meu nome!), mas foi interessantíssimo ver isso levado ao extremo na literatura.

Eu gostei da estrutura do livro e como há uma complexidade nos personagens, e nas escolhas sutis das balizas das vidas das pessoas - o que é afetado pela escolha do nome e o que não é nas personalidades. 

É um livro com vários momentos difíceis - alguns gatilhos, como dizem atualmente - mas não é tão sofrido - só o tanto que você envolve na vida deles. Muito bom mesmo.


12 de março de 2026

A Herança da Mãe

 

Editora Carambaia

Eu simplesmente adorei o livro "A Herança da mãe" da Minae Mizumura. Com maestria, ela traça um panorama cultural das mulheres japonesas, através da vida das irmãs Mitsuki e Natsuki, sua mãe e sua avó.

A história vai indo leve - ela foi publicada em capítulos, semanalmente no Japão - mas é um descortinar de mundos cobertos, diferentes da nossa realidade brasileira, mas também com sentimentos e vivências muito parecidas.

Particularmente, ressoa bastante com as pessoas que estão na fase de passar a cuidar dos seus pais ou já cuidaram, porque é muito dessa dinâmica que é tratada nessa história e não há como isso não ser universal.

É um ótimo livro, um privilégio estar publicado aqui no Brasil, e está disponível no biblion.

11 de março de 2026

Lemony Snicket: Autobiografia não autorizada

Editora Companhia das Letras

Li os 13 livros de Desventuras em Série com as minhas filhas, e agora chegamos aos livros extras - o primeiro sendo Lemony Snicket: Autobiografia não autorizada, que continua o humor irônico do autor e NÃO DANDO RESPOSTAS que seriam muito interessantes ou importantes.

Ou não?

Acaba sendo uma experiência diferente ler livros que abrem possibilidades e dúvidas ao invés de serem claros e objetivos. Um treino para a vida, e para questionar um pouco também tudo de certo e claro que vemos em redes sociais por aí.