17 de maio de 2026

Manual da Faxineira

 

Editora Companhia das Letras

Eu entendo que Lucia Berlin é uma grande escritora, e provavelmente a análise dos contos seja muito enriquecedora, mas como entretenimento, ler 500 páginas dos contos dela, realmente me cansou.

Tem bastante violência, alcoolismo, drogas, e cada conto deixa aquele desconforto de algo inacabado, ou um choque. Tem personagens que se repetem em diferentes contos, mas sem a preocupação de contar uma história linear ou, ao me ver, de manter uma coerência entre os contos. Alguns são mais interessantes do que outros, mas eu realmente cansei, e fui ficando cada vez mais distante.

Cada vez mais, eu estranho a sociedade dos Estados Unidos, principalmente como retratada aqui, sem conseguir me conectar emocionalmente - com a única exceção, da mulher que vai viver com sua irmã com câncer terminal - ainda tem o alcoolismo presente e uma desintegração de família que geralmente não vemos por aqui - mas pareceu bem mais humano e universal.

Talvez se esse livro fosse menor, eu teria curtido mais.


3 de maio de 2026

Orgulho e Preconceito

Editora Antofágica

Li de novo Orgulho e Preconceito, como se a TBR não existisse?

Sim.

Valeu a pena?

Sim.

Depois de assistir a série da BBC no Prime da Amazon, resolvi ir ao original da Jane Austen para saber o quanto do humor é da autora e quanto é da adaptação, assim, nos detalhes, e sim, senhoras e senhores, o livro tem muito de irônico e engraçado, e o que às vezes ficou estranho na adaptação, é muito bom no papel.

Que genialidade é esse texto!

Essa edição da Antofágica é repleta de ilustrações muito boas de Jess Vieira. Recomendo! (Li no biblion.)


 

1 de maio de 2026

Trilogia dos Gêmeos

 

Editora Dublinense

Ágota Kristof, húngara, escreveu livros geniais - uma afirmação nada ousada, depois de ler Trilogia dos Gêmeos.

O primeiro livro, O Grande Caderno, dá arrepios. Todo escrito em "nós" fala de guerra, família, identidade. Muito muito bom.

O segundo livro, A Prova, parece um balde de água fria - faz perder o rumo e está em outro lugar (e eu não achei tão bom quanto os outros dois, parece mais "comum" de certa forma, relativo aos outros dois.

O terceiro livro, aí sim, partimos numa viagem com a autora, Klaus Lucas, Claus, Lucas (um ANAGRAMA), uma loucura. Genial.

Recomendo de olhos fechados (mas é bom mantê-los abertos).


Estela a esta hora

 

Editora Todavia

Um título maravilhoso...

Uma capa incrível...

Ficou na minha lista de a ler por muito tempo... 

E aí quando eu finalmente leio (pelo biblion, salve!), simplesmente... me frustro.

Expectativa é a fonte da maioria das tristezas. 

Acho que eu ainda espero muito de médicos - mesmo os ficcionais - e ver alguém tão perdido e tão confuso é muito estranho - mas depois de ler A Pediatra, dá para saber que é possível chocar e trazer desconforto melhor que o proposto pela Natália Zuccala nesse livro. Não sei o que faltou, talvez uma maior conexão com essa personagem tão humana em suas imperfeições, mas o tanto que não é dito acabou fazendo falta.



27 de abril de 2026

Proust and the Squid

 

Editora Harper

Um colega de trabalho me indicou esse livro, sobre a história e a ciência do cérebro leitor (acredito que o título aqui no Brasil é esse mesmo, Cérebro Leitor, apesar do título em inglês ser um pouco mais literário Proust (o escritor) e o Polvo). 

Maryanne Wolf é uma neurocientista e nos apresenta informações históricas e neurológicas de como a humanidade desenvolveu a leitura e a escrita, e como isso acontece no cérebro de cada um de nós - já que não há uma parte do cérebro destinada a "ler", assim como há partes destinadas a controlar partes do corpo, ver, falar, etc. É algo incrível e muito interessante. Ela também fala de maneira muito sensível sobre a dislexia, e como não é "preguiça", mas uma configuração cerebral diferente que dificulta muito o processo de leitura, mas permite outras habilidades, como a criatividade em geral.

Uma das partes mais fofas é ela descrevendo crianças que participam dos estudos no centro de pesquisa que ela trabalha para exemplificar o que ela explica na teoria. É bonito de ver uma ciência que não é só teórica mas se desdobra em impacto real na vida de tanta gente.


26 de abril de 2026

Os Malaquias

Editora Companhia das Letras

Eu gostei muito do livro A Pediatra, e fiquei animada de ler Os Malaquias, da escritora Andréa Del Fuego também. Mas NÃO É A MESMA COISA. Livros completamente diferentes, com estilos diferentes. Denota o talento da escritora? (Ainda mais considerando que esse ganhou o Prêmio José Saramago) SIM. Mas é outra pegada.

Eu me senti um pouco perdida com tanto personagem, e cria-se uma angústia, uma falta de realização, e a linguagem - poética - dificulta um pouco também. É um bom livro e uma história com pitadas de realismo fantástico muito boa também, mas eu realmente esperava outra coisa.

(Em PS, na mesma semana, comecei a ler Ó, de Nuno Ramos, que também ganhou esse prêmio, um brasileiro que é mais artista visual do que escritor, e tive que desistir de ler, porque realmente achei chato, e a linguagem era bem poética também. Acho que existe algo comum aqui).

 

24 de abril de 2026

Meridiana

 

Editora Companhia das Letras

Eliana Alves Cruz escreve um livro sensível sobre uma família negra em ascensão para classe média, e tangencia TANTOS tópicos críticos da realidade contemporânea brasileira, que faz sentido o nome do livro ser Meridiana - o nome da filha caçula que é dado em referência às linhas imaginárias que repartem o mundo.

Não dá para ser brasileiro, ler esse livro, e não lembrar de conhecidos, amigos, notícias no jornal, e como fatos comuns (por exemplo, o plano Collor) impacta de maneiras diferentes brancos e negros. A autora expande mesmo isso: cada parte é um relato de um membro da família (pai, mãe, 3 filhos), e cada um deles tem percepções diferentes e muitas vezes não entendem as escolhas ou comportamentos uns dos outros, ou mesmo, supõem pensamentos e emoções que não são  verdadeiros - ou, pelo menos, não são a história toda.

Há em todos nós narradores não confiáveis, para usar um termo atual, e talvez muitos conflitos poderiam ser evitados se déssemos tempo para ouvir verdadeiramente o outro e, para mim, essa é a maior lição do livro.

 

20 de abril de 2026

Minha irmã, a Serial Killer

 

Editora Kapulana

Se o título é "Minha irmã, a serial killer", você sabe que não se trata de uma história de mistério e, lendo o livro da nigeriana Oyinkan Braithwaite, você não sabe se é uma comédia, drama, ou o quê.

Realmente ele rompe com as expectativas, e é de leitura fácil, mas fica um estranhamento, como se algo mais poderia ser desenvolvido. Três estrelas.

18 de abril de 2026

A Filha Perdida

 

Editora Intrínseca

Elena Ferrante entrega uma ótima história para discutir maternidade em A Filha Perdida. Eu já tinha visto o filme (desviando do normal por aqui), e achado suficiente, mas me empolguei quando uma amiga começou a comentar sobre o livro. Ele traz dimensões que não estavam presentes na película (como esperado), e achei realmente um ótimo livro para clube do livro com outras mães.



16 de abril de 2026

The Beatrice Letters

 

Editora Harper Collins

Para finalizar "Desventuras em série", eu e minhas filhas lemos "The Beatrice Letters", em tradução simultânea, e muita discussão sobre de quem se trata em cada caso.

Esse livro é muito bonito, com folhas e formatos diferentes, e nunca chegou a ser traduzido (imagino que sairia muito caro). 

Eu gostaria que ele tivesse mais respostas? Sim. Mas a vida é assim também.


15 de abril de 2026

O Morro dos Ventos Uivantes

 

Editora Nova Século

Essa é a segunda vez que eu leio "O Morro dos Ventos Uivantes" e foi bem melhor porque foi junto com o clube do livro do trabalho. Eu só lembrava que não tinha gostado do livro quando li a primeira vez e, embora eu continue não gostando da história e dos personagens, consigo apreciar bem mais o talento de Emily Brontë, assim como as diferentes perspectivas de leituras.

Na minha opinião, as pessoas que idealizam o Heathcliff como o ideal de homem apaixonado tem questões psicológicos - assim como ele - então, para usar um termo moderno que foi mencionado na discussão, trata-se bem mais de uma história sobre "trauma geracional" do que uma história de amor. 

Ainda bem que acabou.

14 de abril de 2026

The Seven Dials Mystery

 

Editora Harper Collins

Na trilha da mini série da Netflix baseada nesse livro, O Mistério dos Sete Relógios, resolvi matar minhas saudades de Agatha Christie para ver as diferenças entre o livro e o audiovisual. 

Realmente a Bundle, a detetive amadora, é uma personagem muito interessante - não a mocinha aristocrata que costumamos conhecer, e é bonito de ver como a autora nos engana descaradamente. É realmente uma gênia do crime. 

Recomendo!

8 de abril de 2026

No one you know

 

Editora She writes

O livro "No one you know", de Emma Tourtelot, é sobre uma mãe e sua filha adolescente - o que já poderia ser drama suficiente, mas a situação é especialmente tensionada pelo luto após a morte da melhor amiga da garota. 

O contexto é bem particular dos Estados Unidos, principalmente toda a questão de "pessoas da cidade morando no subúrbio", mas, depois, quando o descompasso entre mãe e filha aumenta, propulsionado por interferências da internet, a trama chegou ao meu coração. Deu um desespero, uma vontade de entrar na história para ajudar as duas, além do medo de não saber quão pior a situação poderia ficar.

Foi muito interessante ler esse livro em paralelo com Deus na era secular, de Timothy Keller, porque esta história poderia ser a prática do que ele apresenta na teoria. Há uma necessidade espiritual no coração e na mente de todos nós, e por uma ideia vaga de que é possível "criar alguém sem religião", deixam crianças e adolescentes vulneráveis a encontrar respostas que não são boas, nem fazem bem. 

Eu agradeço por receber uma cópia através da plataforma NetGalley.

Deus na era secular

 

Editora Vida Nova

Este livro de Timothy Keller é escrito para céticos - ateus, não cristãos, etc - argumentando sobre a existência de Deus, e mais especificamente sobre o valor do cristianismo para o mundo hoje. 

A princípio, é bastante filosófico, e cita estudiosos tanto cristãos como seculares, e parece realmente um livro bem acadêmico. Depois, engrena, e fica um pouco mais direto, mas, ainda sim, bem fundamentado. 

Como boa presbiteriana, fiquei pensando em como todos esses argumentos lógicos se encaixam numa salvação pela graça, e por não ser o ponto do livro, isto não entra em discussão. O ponto realmente é usar a argumentação da época para mostrar como o cristianismo é a melhor resposta, e, se eu que acredito fiquei impressionada, imagino que os céticos também apreciarão a seriedade da discussão.

3 de abril de 2026

Índice Médio de Felicidade

 

Editora Dublinense

O livro "Índice Médio de Felicidade", de David Machado, fala sobre um cara, pai de família, e como ele lida com o impacto da crise econômica de 2012 em Portugal. Basicamente: mal. 

O livro tem uma pegada de redenção no final, mas até lá, eu já estava com uma raiva profunda desse homem branco triste tomando decisões ruins por toda a história. 

Não assisti o filme, e não sei se vale a pena.


Entendes o que lês?

 

Editora Vida Nova

O livro de Gordon D. Fee e Douglas Stuart já tem 45 anos, e está aí, na 4a edição, porque realmente é muito bom. Na minha opinião, "Entendes o que lês?" deveria ser leitura obrigatória para todo mundo que quer estudar a Bíblia, compreender o conjunto incrível de literatura e ensinamentos teológicos que está nela. 

Em cada capítulo, um tema é tratado, não de maneira profunda, mas abrangente e suficiente. Além disso, incentiva a agência de quem está lendo: validando o esforço, orientando de como pode estudar sozinho e não depender de comentários bíblicos. Mesmo assim, quem quiser aprender mais, os autores dão muitas referências para continuar os estudos.

Recomendo muito!


31 de março de 2026

Caminho de Pedras

 

Editora José Olympio

Caminho de Pedras é um livro de 1937 sobre mulheres, política, sociedade, escrito por uma mulher, Rachel de Queiroz, e isso faz toda a diferença. 

É possível relacionar passagens com a prateleira do amor, da Valeska Zanello, é possível ver como é difícil lutar por direitos e respeito pelas mulheres em qualquer época, é possível sofrer junto com essas mulheres tão diferentes, de um local e tempo diferente do meu, mas, que de alguma forma, tão relacionada com a brasileira que eu sou hoje.

Discuti esse livro no clube da Livraria da Travessa, e embora tenha uma perspectiva política e histórica muito forte, o que mais me impactou foi a parte das mulheres mesmo. Recomendo.

29 de março de 2026

Uma delicada coleção de ausências

 

Editora Companhia das Letras

Eu queria muito gostar desse livro: o título é pura poesia, a capa singela, a história sobre uma neta, uma avó, uma bisavó e uma mãe ausente... Mas o clímax do livro não é nada delicado, nem ausente, algo trágico e sofrido, que, assim como aconteceu em "Pequena Coreografia do Adeus", uma tristeza pungente sem fim.

Então eu vim pela história de maternidade - um interesse em mulheres que fogem com o circo, mulheres que abandonam os filhos - e realmente não é sobre isso, e o fato da reviravolta me tirar o chão, não atendeu às minhas expectativas.

A prosa poética continua bonita, e imagino que há fãs da forma (mais do que da história), mas, para ler obras da Alice Bei, é preciso ter estômago para lidar com as rudezas da vida.

Agradeço a Companhia das Letras pela cópia fornecida via NetGalley.

28 de março de 2026

Demon Copperhead

 

Editora Faber & Faber

O livro "Demon Copperhead" ganhou 2 prêmios que eu acompanho: Pulitzer de Ficção e Women's Prize for Fiction. Além disso, é uma releitura de David Copperfield, atualizado para o interior dos Estados Unidos, livro de um autor que eu amo, Charles Dickens. Assim, não foi difícil entrar para a minha lista de leitura (bastou uma promoção na Amazon).

Barbara Kingsolver escreve muito bem, e fez um retrato incrível de uma cidadezinha perdida da Virginia - que a gente torce muito para não ser verdadeira, mas provavelmente é. A descrição desse garoto passando fome me fez doer o estômago. Eu me senti numa montanha russa: muita tristeza, esperança, muita tristeza, alegria, tristeza, e, até o final, fui ali com o coração na mão, acompanhando esse garoto, torcendo por ele, como se real fosse.

Recomendo para quem quer sofrer, mas quer sentir um quentinho no coração também.

22 de março de 2026

Os Nomes

 

Editora Tag

Esse livro da Florence Knapp entrou na minha lista de desejados assim que eu vi a sinopse: histórias paralelas de como a vida das pessoas foram afetadas por diferentes escolhas do nome do bebê.

Eu sou obcecada por nomes próprios: tenho dicas de sites, contas de instagram e ainda lembro de histórias de nomes de pessoas - quem puder, veja a peça ou o filme "O nome do bebê", é ótimo!, e tenho minha própria jornada de escolha de nomes próprios para as minhas filhas. Acho sim que o nome tem um peso na vida da pessoa (olha o meu nome!), mas foi interessantíssimo ver isso levado ao extremo na literatura.

Eu gostei da estrutura do livro e como há uma complexidade nos personagens, e nas escolhas sutis das balizas das vidas das pessoas - o que é afetado pela escolha do nome e o que não é nas personalidades. 

É um livro com vários momentos difíceis - alguns gatilhos, como dizem atualmente - mas não é tão sofrido - só o tanto que você envolve na vida deles. Muito bom mesmo.


12 de março de 2026

A Herança da Mãe

 

Editora Carambaia

Eu simplesmente adorei o livro "A Herança da mãe" da Minae Mizumura. Com maestria, ela traça um panorama cultural das mulheres japonesas, através da vida das irmãs Mitsuki e Natsuki, sua mãe e sua avó.

A história vai indo leve - ela foi publicada em capítulos, semanalmente no Japão - mas é um descortinar de mundos cobertos, diferentes da nossa realidade brasileira, mas também com sentimentos e vivências muito parecidas.

Particularmente, ressoa bastante com as pessoas que estão na fase de passar a cuidar dos seus pais ou já cuidaram, porque é muito dessa dinâmica que é tratada nessa história e não há como isso não ser universal.

É um ótimo livro, um privilégio estar publicado aqui no Brasil, e está disponível no biblion.

11 de março de 2026

Lemony Snicket: Autobiografia não autorizada

Editora Companhia das Letras

Li os 13 livros de Desventuras em Série com as minhas filhas, e agora chegamos aos livros extras - o primeiro sendo Lemony Snicket: Autobiografia não autorizada, que continua o humor irônico do autor e NÃO DANDO RESPOSTAS que seriam muito interessantes ou importantes.

Ou não?

Acaba sendo uma experiência diferente ler livros que abrem possibilidades e dúvidas ao invés de serem claros e objetivos. Um treino para a vida, e para questionar um pouco também tudo de certo e claro que vemos em redes sociais por aí.

4 de março de 2026

Sagarana

 

Editora Global

Sou apaixonada por João Guimarães Rosa, e dada a sua obra exígua, nunca tive pressa de ler todos os livros dele: comecei por Terceiras Histórias, Campo Geral, Grande Sertão Veredas (amo de paixão) e, agora, por ocasião do clube do livro, Sagarana.

Sendo seu primeiro livro, é possível ver a variedade de quem ainda procura seu estilo - e apesar de ter ganhado um prêmio com o livro, quando foi publicar, o escritor cortou alguns contos que, segundo ele, não resistiram ao tempo. Essa coletânea resiste bem, e tem um pouco para todos os gostos. (Gosto é claro de quem entra nesse universo rosariano, mesmo estranhando a linguagem ou estar na fronteira do fantástico).

É lindo, é ótimo, mas se for para começar, eu sugiro Campo Geral, para se apaixonar por Manuelzão e Miguilim.

1 de março de 2026

Como ser as duas coisas

 

Editora Companhia das Letras

Um livro gostoso de ler - apesar de tratar do luto de uma adolescente por sua mãe - por ser leve e misturar dois tempos históricos. Ali Smith escreveu muito bem sobre "Como ser as duas coisas", e nos ajuda a refletir sobre identidade e nossas emoções. Embora tenha um pouco dessa temática "coming of age", me parece que faz sentido para adultos também. Recomendo.

26 de fevereiro de 2026

Catedrais

 

Editora Primavera

O livro de Claudia Piñeiro já me surpreendeu ao apresentar os nomes das irmãs (Ana e Lía, quase igual às minhas filhas), e depois ao falar das planta Santa Rita na Argentina, que aqui é a Primavera ou Bougainvillea (ou suas variações ortográficas), que é o nome da minha mãe. 

É um livro sobre uma família e uma grande tragédia que afetou a vida de todos de maneiras diferentes. É interessante que temos diferentes pontos de vista - irmã, pai, neto, amiga da família, detetive - e não tem como não tomar partido contra os que se dizem cristãos. Afinal, todo mundo peca, mas o jeito que eles lidam com esse pecado... é o famoso emenda pior que o soneto. Uma tristeza.


21 de fevereiro de 2026

Fora da rota

 

Editora Todavia

"Fora da Rota", de Evelyn Blaut, foi finalista do prêmio São Paulo de Literatura, e por isso que entrou no meu radar. É um livro dolorosamente confuso, feito para ser poético, mas eu me senti perdida tentando acompanhar. 

19 de fevereiro de 2026

Disciplina positiva para adolescentes

 

Editora Manole

Estando prestes a entrar nessa fase aqui em casa - de educar, criar e lidar com esses seres especiais, os adolescentes - resolvi finalmente ler esse livro de Jane Nelson e Lynn Lott, Disciplina positiva para adolescentes.

Achei o livro realmente muito razoável, deixa bem claro que é impossível controlar um adolescente, mas apresenta técnicas possíveis para lidar com essa fase. A vida familiar saudável faz toda a diferença, mas informação clara sobre atos e consequências também tem seu peso nessa fase de aventurar-se em descobrir novos horizontes.

Recomendo!

17 de fevereiro de 2026

The Camomile

 

Editora British Library Women Writers

Catherine Carswell publicou "A Camomila" em 1922, a história da jovem Ellen que mora em Glascow, após ter feito curso de piano em Frankfurt. Ela quer ser escritora, tem amigas, um irmão que quer se mudar para os Estados Unidos, e depois de uma viagem de férias em Londres, um noivado com um partidão (irmão da amiga que é médico na Índia).

A partir desses fatos esparsos, conhecemos um pouco da cultura da época e, se 100 anos nos separam, as aspirações diferentes das mulheres parecem que continuam as mesmas. Algumas querem carreira, algumas querem casamento e filhos, algumas focam na vida religiosa, algumas ficam solteiras, algumas ficam viúvas. Cada uma no seu caminho, e o que parece muito recente, talvez não seja tão recente assim. É só uma visão diferente da sociedade, fora das balizas patriarcais.

Gostei de ler esse livro e agradeço a editora que me enviou uma cópia digital do livro através da plataforma NetGalley.





7 de fevereiro de 2026

O Expresso de Tóquio

 

Editora Todavia

"O Expresso de Tóquio" (ou em tradução literal Pontos e Linhas), de Seicho Matsumoto é tipo Agatha Christie, mas japonês, como escrito na capa, só que de um jeito gelado e extremamente formal. É curioso porque os ingleses também tem essa fama de formalidade, mas só quem já ouviu um mexerico da Miss Marple sabe que não é esse o caso. 

Eu acho que essa diferença cultural fez o mistério perder um pouco da graça, mas a fórmula está exatamente aí: um caso suspeito de suicídio, que vira assassinato, descobre-se o porquê, como e quem no final. Tudo com um tempero japonês. Recomendo somente para interessados.

4 de fevereiro de 2026

Cinzas do Norte

 

Editora Companhia das Letras

Em Cinzas do Norte, estamos em Manaus, vendo uma confusão familiar se desdobrar entre personagens complexos e difíceis - mas tudo isso numa boa leitura fluida.

Dá vontade de discutir com quase todos os personagens - oras, tomem um rumo, caiam em si, superem - e acho que isso mostra como uma boa ficção pode ser muito realista. Além de, é claro, provocar reflexão sobre escolhas de vida, destino, e necessidade generalizada de terapia para todo mundo.

Recomendo.


30 de janeiro de 2026

Ilhas Suspensas

 

Editora Companhia das Letras

Entre tantos livros sobre maternidade, "Ilhas Suspensas" é um sobre a maternidade não realizada: quando o tratamento para engravidar não dá certo (e surpreendentemente o casamento permanece). Tem o cachorro de certa idade, companheiro de vida. Há também uma mudança de país por conta do trabalho do marido, ou seja, essa desconexão com o conhecido da vida no Brasil e ser imigrante.

O livro é em primeira pessoa, e passeia entre eventos, lembranças e reflexões da Mariana, o que lembra livros de auto ficção - mas o nome diferente da autora - Fabiane Secches - talvez seja um sinal de que tudo ali é realmente construído. 

Nessa conversa, vamos pensando sobre identidade e amizade, num livro leve apesar dos temas difíceis. Acredito que vai ressoar bastante em mulheres com situações parecidas. Gostei particularmente de tantas referências literárias contemporâneas e clássicas (um deles, por exemplo, fiquei com muita vontade de ler: A Corneta, também traduzido pela autora do livro).

Eu recebi uma cópia avançada do livro através do netgalley, pela qual agradeço à editora. 




28 de janeiro de 2026

O Imperador da Felicidade

 

Editora Rocco

Ao ler esse livro, me pareceu que Ocean Vuong trouxe a luz personagens tão marginais dos Estados Unidos, que eu li tudo com um misto de assombro e encanto. 

Eu vi críticas que o livro não parece realista - mas discordo. Não que eu conheça os Estados Unidos assim tão bem, mas conheço gente estranha o suficiente (no Brasil e na literatura), para saber que dá para existir gente assim, e é um desconforto e um alento lembrar do vasto mundo ao nosso redor.

Há algumas dicas de que algo é autobiográfico, como a dedicatória a alguém que tem o mesmo nome de uma das personagens principais e numa simples busca na internet as peças se encaixam. Ou o nome Hai. 

Mas o bonito mesmo é o retrato das amizades e como elas podem ser redentoras. Adoro livros de amizade, e recomendo esse para quem gosta desse assunto também.


25 de janeiro de 2026

O filho de Mil Homens

Editora Biblioteca Azul

Valter Hugo Mãe escreveu um livro belíssimo: O Filho de Mil Homens, no qual narra como se forma uma família, e os laços de amizade possíveis entre pessoas diferentes.

Ele escreve de forma poética, mas nada é muito meloso, talvez agridoce, porque a rudeza da vida também se faz presente, as dores e dificuldades.

É um lindo livro, e eu recomendo para todos.


21 de janeiro de 2026

Terra Partida

 

Editora Intrínseca

Eu vi o hype desse livro, Terra Partida, no bookgram ano passado e fiquei com MUITA vontade de ler. Aí, uma amiga ganhou, adorou, me emprestou e eu - finalmente! - li e... não gostei tanto assim.

Achei um dramalhão de uma mulher chata... mas pode ser um cinismo que eu desenvolvi em relação a quem confunde paixão e amor. Pode ser uma chatice minha também (considerando o tanto que vendeu e o tanto de gente que amou).

Mas é uma leitura rápida, de entretenimento (com dramas e gatilhos), mas pode ser que renda um filme bom também. Aguardemos. (um possível contrato para cinema - eu não sei se vai ter filme!)


17 de janeiro de 2026

Caixa 19

 

Editora Companhia das Letras

Claire-Louise Bennett escreve uma obra que parece uma longa carta para uma amiga: há algo sobre sua vida, reflexões sobre leituras e escolhas, pedaços de contos lembrados e reescritos... É uma mistura que nos leva a conhece-la (ou uma personagem?), ver seu amadurecimento. 

O que eu mais gostei foram suas citações de leituras - há inclusive Clarice Lispector, vê-la falar de livros clássicos que já li ou não, que fizeram parte de sua formação como estudante de literatura e/ou escritora.

O título é meio nada a ver (ela trabalhava num supermercado, sempre no caixa 19), mas acho que ajuda a não trazer expectativas para esse livro.




13 de janeiro de 2026

Eva

 

Editora Todavia

Eu gostei do começo do livro "Eva", da Nara Vidal, mas depois achei tão confuso, difícil de saber em que momento se está no livro, ou até, na última parte, quem estava contando a história...

Ele traz temas sérios sobre a mulher - maternidade, violência, se xualidade, mas achei pesado e difícil de acompanhar. 


12 de janeiro de 2026

Shogun

 

Editora Companhia das Letras

Eu gosto de ficções históricas - é sempre possível aprender mais sobre a cultura e os acontecimentos de um povo ou nação através da literatura. É necessário dar um peso para a veracidade, é claro, não se trata de uma aula de história, mas algo construído para entreter.

No caso de Shogun, ainda no começo do livro, eu fui achando tão estranho como os japoneses estavam sendo descritos, que comecei a desconfiar que havia um certo exagero ali, embora para o lado positivo. Pelo que eu vi de resenhas na internet, o autor James Clavell buscava sim posicionar a cultura japonesa como algo superior a cultura ocidental que ele fazia parte (nasceu na Austrália, cresceu na Inglaterra, morou nos Estados Unidos). Então, acabei achando algumas descrições bem artificiais, e realmente não sei o que é água do banho e o que é o bebê.

Isto posto, o livro é interessante, com bastante ação e personagens femininas fortes e objetificadas (me pareceu um livro para homens). Não assisti a série, mas entendo como deve ser um adaptação impressionante.

No entanto, o final me pareceu muito súbito - e fiquei sem saber se era o final mesmo ou um problema no arquivo que eu recebi via NetGalley em troca de uma resenha. Fiquei querendo saber mais.

Quem já leu para trocar ideias comigo?



7 de janeiro de 2026

Asymmetry

Editora Simon & Schuster

Assimetria é composto por 3 histórias - e embora eu tenha lido na sinopse que as duas primeiras contam sobre relações assimétricas (ou seja, alguém tem mais poder que o outro), a terceira foi para mim muito confusa - nada como a internet para explicar o caso.

Lisa Halliday escreve bem, e eu gostei particularmente da segunda (que fala sobre imigração) e também traz uma perspectiva cultural diferente.

1 de janeiro de 2026

Ladeira da Preguiça

 

Editora Todavia


Para começar o ano, firme no objetivo de ler mais livros brasileiros do que de qualquer outro país, li o curtinho "Ladeira da Preguiça", de Evanilton Gonçalves, baiano, sobre Salvador.

Ano passado, quando li "Na minha pele", do Lázaro Ramos, ele comentou que só na Bahia ele poderia ser qualquer personagem de Shakespeare além do clássico Iago, porque lá todos os atores são negros e isso não importa. Acho que eu nunca tinha reconhecido isso, a Bahia com a população majoritariamente de negros (ou pretos), já que ainda me lembrava de Jorge Amado, Caetano Veloso, e até alguns parentes que viviam lá... 

Nesse livro, encontramos personagens da cidade, populares como dizem, negros, trabalhadores, pobres. É uma Bahia diferente da praia e do carnaval. Vale a leitura para o encontro com uma diferente face do Brasil.