7 de fevereiro de 2026

O Expresso de Tóquio

 

Editora Todavia

"O Expresso de Tóquio" (ou em tradução literal Pontos e Linhas), de Seicho Matsumoto é tipo Agatha Christie, mas japonês, como escrito na capa, só que de um jeito gelado e extremamente formal. É curioso porque os ingleses também tem essa fama de formalidade, mas só quem já ouviu um mexerico da Miss Marple sabe que não é esse o caso. 

Eu acho que essa diferença cultural fez o mistério perder um pouco da graça, mas a fórmula está exatamente aí: um caso suspeito de suicídio, que vira assassinato, descobre-se o porquê, como e quem no final. Tudo com um tempero japonês. Recomendo somente para interessados.

4 de fevereiro de 2026

Cinzas do Norte

 

Editora Companhia das Letras

Em Cinzas do Norte, estamos em Manaus, vendo uma confusão familiar se desdobrar entre personagens complexos e difíceis - mas tudo isso numa boa leitura fluida.

Dá vontade de discutir com quase todos os personagens - oras, tomem um rumo, caiam em si, superem - e acho que isso mostra como uma boa ficção pode ser muito realista. Além de, é claro, provocar reflexão sobre escolhas de vida, destino, e necessidade generalizada de terapia para todo mundo.

Recomendo.


30 de janeiro de 2026

Ilhas Suspensas

 

Editora Companhia das Letras

Entre tantos livros sobre maternidade, "Ilhas Suspensas" é um sobre a maternidade não realizada: quando o tratamento para engravidar não dá certo (e surpreendentemente o casamento permanece). Tem o cachorro de certa idade, companheiro de vida. Há também uma mudança de país por conta do trabalho do marido, ou seja, essa desconexão com o conhecido da vida no Brasil e ser imigrante.

O livro é em primeira pessoa, e passeia entre eventos, lembranças e reflexões da Mariana, o que lembra livros de auto ficção - mas o nome diferente da autora - Fabiane Secches - talvez seja um sinal de que tudo ali é realmente construído. 

Nessa conversa, vamos pensando sobre identidade e amizade, num livro leve apesar dos temas difíceis. Acredito que vai ressoar bastante em mulheres com situações parecidas. Gostei particularmente de tantas referências literárias contemporâneas e clássicas (um deles, por exemplo, fiquei com muita vontade de ler: A Corneta, também traduzido pela autora do livro).

Eu recebi uma cópia avançada do livro através do netgalley, pela qual agradeço à editora. 




28 de janeiro de 2026

O Imperador da Felicidade

 

Editora Rocco

Ao ler esse livro, me pareceu que Ocean Vuong trouxe a luz personagens tão marginais dos Estados Unidos, que eu li tudo com um misto de assombro e encanto. 

Eu vi críticas que o livro não parece realista - mas discordo. Não que eu conheça os Estados Unidos assim tão bem, mas conheço gente estranha o suficiente (no Brasil e na literatura), para saber que dá para existir gente assim, e é um desconforto e um alento lembrar do vasto mundo ao nosso redor.

Há algumas dicas de que algo é autobiográfico, como a dedicatória a alguém que tem o mesmo nome de uma das personagens principais e numa simples busca na internet as peças se encaixam. Ou o nome Hai. 

Mas o bonito mesmo é o retrato das amizades e como elas podem ser redentoras. Adoro livros de amizade, e recomendo esse para quem gosta desse assunto também.


25 de janeiro de 2026

O filho de Mil Homens

Editora Biblioteca Azul

Valter Hugo Mãe escreveu um livro belíssimo: O Filho de Mil Homens, no qual narra como se forma uma família, e os laços de amizade possíveis entre pessoas diferentes.

Ele escreve de forma poética, mas nada é muito meloso, talvez agridoce, porque a rudeza da vida também se faz presente, as dores e dificuldades.

É um lindo livro, e eu recomendo para todos.


21 de janeiro de 2026

Terra Partida

 

Editora Intrínseca

Eu vi o hype desse livro, Terra Partida, no bookgram ano passado e fiquei com MUITA vontade de ler. Aí, uma amiga ganhou, adorou, me emprestou e eu - finalmente! - li e... não gostei tanto assim.

Achei um dramalhão de uma mulher chata... mas pode ser um cinismo que eu desenvolvi em relação a quem confunde paixão e amor. Pode ser uma chatice minha também (considerando o tanto que vendeu e o tanto de gente que amou).

Mas é uma leitura rápida, de entretenimento (com dramas e gatilhos), mas pode ser que renda um filme bom também. Aguardemos. (um possível contrato para cinema - eu não sei se vai ter filme!)


17 de janeiro de 2026

Caixa 19

 

Editora Companhia das Letras

Claire-Louise Bennett escreve uma obra que parece uma longa carta para uma amiga: há algo sobre sua vida, reflexões sobre leituras e escolhas, pedaços de contos lembrados e reescritos... É uma mistura que nos leva a conhece-la (ou uma personagem?), ver seu amadurecimento. 

O que eu mais gostei foram suas citações de leituras - há inclusive Clarice Lispector, vê-la falar de livros clássicos que já li ou não, que fizeram parte de sua formação como estudante de literatura e/ou escritora.

O título é meio nada a ver (ela trabalhava num supermercado, sempre no caixa 19), mas acho que ajuda a não trazer expectativas para esse livro.