30 de janeiro de 2026

Ilhas Suspensas

 

Editora Companhia das Letras

Entre tantos livros sobre maternidade, "Ilhas Suspensas" é um sobre a maternidade não realizada: quando o tratamento para engravidar não dá certo (e surpreendentemente o casamento permanece). Tem o cachorro de certa idade, companheiro de vida. Há também uma mudança de país por conta do trabalho do marido, ou seja, essa desconexão com o conhecido da vida no Brasil e ser imigrante.

O livro é em primeira pessoa, e passeia entre eventos, lembranças e reflexões da Mariana, o que lembra livros de auto ficção - mas o nome diferente da autora - Fabiane Secches - talvez seja um sinal de que tudo ali é realmente construído. 

Nessa conversa, vamos pensando sobre identidade e amizade, num livro leve apesar dos temas difíceis. Acredito que vai ressoar bastante em mulheres com situações parecidas. Gostei particularmente de tantas referências literárias contemporâneas e clássicas (um deles, por exemplo, fiquei com muita vontade de ler: A Corneta, também traduzido pela autora do livro).

Eu recebi uma cópia avançada do livro através do netgalley, pela qual agradeço à editora. 




28 de janeiro de 2026

O Imperador da Felicidade

 

Editora Rocco

Ao ler esse livro, me pareceu que Ocean Vuong trouxe a luz personagens tão marginais dos Estados Unidos, que eu li tudo com um misto de assombro e encanto. 

Eu vi críticas que o livro não parece realista - mas discordo. Não que eu conheça os Estados Unidos assim tão bem, mas conheço gente estranha o suficiente (no Brasil e na literatura), para saber que dá para existir gente assim, e é um desconforto e um alento lembrar do vasto mundo ao nosso redor.

Há algumas dicas de que algo é autobiográfico, como a dedicatória a alguém que tem o mesmo nome de uma das personagens principais e numa simples busca na internet as peças se encaixam. Ou o nome Hai. 

Mas o bonito mesmo é o retrato das amizades e como elas podem ser redentoras. Adoro livros de amizade, e recomendo esse para quem gosta desse assunto também.


25 de janeiro de 2026

O filho de Mil Homens

Editora Biblioteca Azul

Valter Hugo Mãe escreveu um livro belíssimo: O Filho de Mil Homens, no qual narra como se forma uma família, e os laços de amizade possíveis entre pessoas diferentes.

Ele escreve de forma poética, mas nada é muito meloso, talvez agridoce, porque a rudeza da vida também se faz presente, as dores e dificuldades.

É um lindo livro, e eu recomendo para todos.


21 de janeiro de 2026

Terra Partida

 

Editora Intrínseca

Eu vi o hype desse livro, Terra Partida, no bookgram ano passado e fiquei com MUITA vontade de ler. Aí, uma amiga ganhou, adorou, me emprestou e eu - finalmente! - li e... não gostei tanto assim.

Achei um dramalhão de uma mulher chata... mas pode ser um cinismo que eu desenvolvi em relação a quem confunde paixão e amor. Pode ser uma chatice minha também (considerando o tanto que vendeu e o tanto de gente que amou).

Mas é uma leitura rápida, de entretenimento (com dramas e gatilhos), mas pode ser que renda um filme bom também. Aguardemos. (um possível contrato para cinema - eu não sei se vai ter filme!)


17 de janeiro de 2026

Caixa 19

 

Editora Companhia das Letras

Claire-Louise Bennett escreve uma obra que parece uma longa carta para uma amiga: há algo sobre sua vida, reflexões sobre leituras e escolhas, pedaços de contos lembrados e reescritos... É uma mistura que nos leva a conhece-la (ou uma personagem?), ver seu amadurecimento. 

O que eu mais gostei foram suas citações de leituras - há inclusive Clarice Lispector, vê-la falar de livros clássicos que já li ou não, que fizeram parte de sua formação como estudante de literatura e/ou escritora.

O título é meio nada a ver (ela trabalhava num supermercado, sempre no caixa 19), mas acho que ajuda a não trazer expectativas para esse livro.




13 de janeiro de 2026

Eva

 

Editora Todavia

Eu gostei do começo do livro "Eva", da Nara Vidal, mas depois achei tão confuso, difícil de saber em que momento se está no livro, ou até, na última parte, quem estava contando a história...

Ele traz temas sérios sobre a mulher - maternidade, violência, se xualidade, mas achei pesado e difícil de acompanhar. 


12 de janeiro de 2026

Shogun

 

Editora Companhia das Letras

Eu gosto de ficções históricas - é sempre possível aprender mais sobre a cultura e os acontecimentos de um povo ou nação através da literatura. É necessário dar um peso para a veracidade, é claro, não se trata de uma aula de história, mas algo construído para entreter.

No caso de Shogun, ainda no começo do livro, eu fui achando tão estranho como os japoneses estavam sendo descritos, que comecei a desconfiar que havia um certo exagero ali, embora para o lado positivo. Pelo que eu vi de resenhas na internet, o autor James Clavell buscava sim posicionar a cultura japonesa como algo superior a cultura ocidental que ele fazia parte (nasceu na Austrália, cresceu na Inglaterra, morou nos Estados Unidos). Então, acabei achando algumas descrições bem artificiais, e realmente não sei o que é água do banho e o que é o bebê.

Isto posto, o livro é interessante, com bastante ação e personagens femininas fortes e objetificadas (me pareceu um livro para homens). Não assisti a série, mas entendo como deve ser um adaptação impressionante.

No entanto, o final me pareceu muito súbito - e fiquei sem saber se era o final mesmo ou um problema no arquivo que eu recebi via NetGalley em troca de uma resenha. Fiquei querendo saber mais.

Quem já leu para trocar ideias comigo?