30 de junho de 2026

A misteriosa confeitaria da meia-noite

 

Editora Paralela

"A Misteriosa Confeitaria da Meia Noite" tem uma capa fofa, doces e gatos, e mesmo uma tentativa de romance, mas o que mais me chamou a atenção é a apresentação de ideia religiosa do livro - passando um pouco do que seria uma "healing fiction" (ficção de cura), ao me ver. 

O livro de Lee Onhwa até traz a mesma estrutura: pequenas histórias com moral para nos tocar a "aproveitar melhorar a vida", mas a história básica, da Yeonhwa, que perde a avó e recebe de herança a tarefa de cuidar da confeitaria da família, parece construída de qualquer jeito, sem a preocupação de fazer sentido, de ter coerência entre os personagens e os eventos.

Por fora, bela viola...






29 de junho de 2026

Caminhando com os mortos

 

Editora Companhia das Letras

Esse é o terceiro livro que eu leio da Micheliny Verunschk. Em "Caminhando com os mortos", ela traz a história do fanatismo religioso de uma família, que leva a morte queimada de uma mulher. Em capítulos curtos, conhecemos vários personagens que participam mais e menos dessa história, alguns muito característicos do Brasil, o que passa uma incrível verossimilhança, mesmo apesar da situação crítica.

No entanto, me parece que falta algo - fica um desassossego em todos os livros da autora, como se ele não completasse totalmente o potencial que apresenta.

Por enquanto, o que eu mais gostei mesmo foi "Depois do Trovão".




28 de junho de 2026

The very Secret Society of Irregular Witches

 

Editora Berkley

Um livro perfeito da Sangu Mandanna para férias: A sociedade muito secreta de bruxas irregulares. Tem magia, tem rede social, tem diversidade étnica, tem senhorzinhos simpáticos, tem crianças encantadoras, confusões e um romance previsível.

Vale a pena!

27 de junho de 2026

O gato que salvou a biblioteca

Editora Planeta

"O gato que salvou a biblioteca" é um livro escrito por um médico com o objetivo claro de defender os livros num mundo muito apressado - com uma pegada de aventura para atrair os jovens (quiçá crianças até). Não é nada muito elaborado, mas é bem feitinho - e quem não ama gatos e crianças, e um final feliz?

 

25 de junho de 2026

Catorze Camelos para o Ceará

Editora Todavia

O título do livro é "Catorze Camelos para o Ceará", o que, com certeza, atraiu mais leitores se fosse "A história da primeira expedição científica brasileira" (o subtítulo) - mas, fato é, que o livro está mais para o subtítulo do que para o título.

Não é que Delmo Moreira não conte sobre os camelos - quem teve a ideia, como vieram, o que fizeram, e prováveis fins - mas realmente me pareceu só um gancho para contar a história da expedição, com contexto histórico, geográfico, sociológico. 

É interessante, mas não tão divertido com o título.

 

Corpo Desfeito

 

Editora Alfaguara

"Corpo Desfeito", de Jarid Arraes, não é um livro fácil porque não é sobre uma vida fácil, e sendo tão bruto e direto, consegue também ser muito sensível e tocante.

Dói, mas é muito bom.



22 de junho de 2026

O Mapa de Sal e Estrelas

 

Editora Dublinense

O livro de Zeyn Joukhadar traz duas histórias paralelas e emocionantes: da Rawiya, aprendiz de cartógrafa há mais de mil anos, numa aventura digna de as Mil e uma noites, e da Nur, uma refugiada da Síria em 2011. 

A forma narrativa é muito boa, a parte de "conto de fadas" dá uma aliviada de acompanhar o que é fugir de um país em guerra - crianças sofrendo perigos e vulneráveis ao pior lado da natureza humana. A gente vai sofrendo junto, mas como a IA do google fala, o final é esperançoso e dá tudo certo no final das duas viagens das histórias paralelas, aventuras memoráveis.

É muito bom um livro que nos faz viajar para uma cultura tão diferente da nossa.

 

21 de junho de 2026

Isto é filtro solar

Editora Montergismo

O Pr. Emilio Garofalo Neto fez uma série de pregações sobre Eclesiastes e transformou nesse livro de quase 500 páginas - bastante, né, para um livro bíblico tão curto - para tratar o assunto com profundidade, mas ele não faz isso como um estudo acadêmico (mesmo com muitas citações a comentários bíblicos).

Em capítulos curtos, recheados de citações a cultura popular, vamos aprendendo mais sobre a vida, Deus, e o que fazemos com isso tudo.

Eu imagino que deve ser muito legal conversar com alguém com tantas referências boas, e com certeza vou procurar os outros livros dele.

 

20 de junho de 2026

Mil navios para Troia

 

Editora Jangada

As tragédias gregas marcaram tanto nossa civilização ocidental, que é impressionante lembrar que não lemos os originais (Odisseia, Ilíada, e outros autores gregos da mesma época), mas sabemos tanto dessa cultura e de alguns personagens.

Aí, quando temos recontos como "Mil Navios para Troia" de Natalie Haynes, é uma ótima oportunidade não só para conhecer mais um pouco do que já sabemos como apreciar uma expansão do que não ficou relatado, como a versão das mulheres, foco desse livro.

Realmente o que mais me impressionou, afinal, foi o Epílogo em que a autora fala sobre suas fontes, e o que ela acha sobre uma visão machista dos "heróis" das histórias. Coloca o livro todo numa perspectiva boa.

Discutimos esse leitura no clube do livro do meu trabalho e cada pessoa trouxe algo que impressionou em relação às personagens - e como a Penélope é a personagem mais chata porque ela só fala sobre o Odisseu e não sobre ela. 

Que venha o filme (Odisseia, Christopher Nolan) nesse mês de julho!


13 de junho de 2026

Uma igreja chamada tov

 

Editora Mundo Cristão

O livro "Uma Igreja chamada Tov" é uma resposta a diversos escândalos de pastores nos Estados Unidos - de mega igrejas e igrejas não tão megas - que resolveram se defender e negar acusações em caso de denúncias de más condutas. 

Os autores, Scot McKinght (Teólogo) e Laura Barringer (sua filha), abordam diretamente as questões - citando reportagens e entrevistas pessoais com envolvidos, principalmente da Willow Creek que ela frequentava. Mas eles também são propositivos: descrevem o que uma igreja "tov" ou "boa" poderia ser e como a liderança deve agir, de maneira bíblica, para ser uma igreja da maneira que Deus pensou.

Li outros livros mais fáceis de aplicar aqui no Brasil para liderança e igreja, mas talvez seja uma boa fonte para se pensar em mega igrejas aqui no Brasil também.

7 de junho de 2026

Cláudia Vera Feliz Natal

 

Editora Todavia

Mariana Salomão Carrara é advogada da Defensoria Pública e escreve "nas férias" como ela mesmo diz, mas, seus últimos livros - de uma maturidade literária admirável - passeiam por diversos temas - infância, plantações de tabaco, amizades e luto. Só agora ela traz para o foco sua área de formação, através do narrador que é um juiz - alocado nas pequenas cidades do interior do Mato Grosso: Cláudia, Vera, Feliz Natal, que formam o título desse livro recém lançado.

É uma história de homem branco triste - que geralmente me cansa - mas essa tem humor, sensibilidade e abre uma janela para todo um mundo que eu desconhecia, tão perto aqui do nosso quintal, mas mesmo assim tão distante.

Gostei muito e recomendo.

5 de junho de 2026

Uma vida pequena

 

Editora Record

Cheguei no hype: li as quase 800 páginas de Uma Vida Pequena, de Hanya Yanagihara. 

Um livro sofrido. Dolorido. Mais sofrido. Quando você acha que não dá para piorar - até porque as circunstâncias parecem estar melhorando - dá sim. Piora.

Saúde mental é assim mesmo: não linear, que não é lógico, não resolve o que já passou, só se aprende a lidar.

Achei muito sofrido e não recomendo.

Mas o que eu gostei menos (e aqui tem spoiler) é que uma história de amizade virou romance. Eu gosto muito de livros de amizades, e acredito que amizade é um dos relacionamentos mais bonitos da vida, e não entendo essa desvalorização que às vezes acontece. Como se ela não pudesse bastar por si só e precisa virar um relacionamento amoroso. Claro que aqui foi uma escolha da autora, fez todo sentido, mas eu estou gostando mais de ver amizades redentoras, amizades interessantes, amizades amorosas. Amizades tudo de bom. Fiquei aqui meu pequeno protesto. 

4 de junho de 2026

A ilha das árvores perdidas

 

Editora Harper Collins

Eu já tinha lido outro livro da Elif Shafak antes, mas esse parece escrito por outra pessoa e também é muito bom. Mais suave, traz eventos da história do Chipre e choques culturais entre turcos, gregos e ingleses.

Além disso, temos a voz da Figueira e muitas informações sobre árvores e biologia.

Eu, que adoro árvores, amei "A Ilha das Árvores Perdidas" e estou recomendando por aí.


2 de junho de 2026

Veríssimas

 

Editora Objetiva

É a primeira vez que eu leio um livro de citações - e todas do mesmo autor, o Luís Fernando Veríssimo. O Jornalista Marcelo Dunlop organizou em ordem alfabética frases marcantes - as Veríssimas - e mostrou como (quase) tudo continua bem atual. Tem desenhos e quadrinhos também. Uma leitura leve, como deveria ser.

Paraíso

 

Editora Companhia das Letras

Paraíso é o segundo livro que eu li do prêmio Nobel Abdulrazak Gurnah e, na minha humilde opinião, é realmente o mais legal. Embora seja um livro de 300 páginas, flui bem, tanto o estilo como a história. No clube de leitura da Livraria da Travessa, rendeu bastante a conversa, com visões diferentes e tantos personagens e aspectos para comentar.

É incrível como conhecemos tão pouco da África - essa costa leste com negros, árabes, indianos, principalmente, tão culturalmente rica. Recomendo muito!

Alice no país das maravilhas

 

Editora Ática


Li o meu livro de infância da Alice no País das Maravilhas com as minhas filhas e foi ótimo. Vale a leitura acompanhada - teve até crise de riso, e uma compreensão mais clara da história, sem a edição dos filmes da Disney.

Literatura boa é assim, sempre vale a pena.