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26 de fevereiro de 2026

Catedrais

 

Editora Primavera

O livro de Claudia Piñeiro já me surpreendeu ao apresentar os nomes das irmãs (Ana e Lía, quase igual às minhas filhas), e depois ao falar das planta Santa Rita na Argentina, que aqui é a Primavera ou Bougainvillea (ou suas variações ortográficas), que é o nome da minha mãe. 

É um livro sobre uma família e uma grande tragédia que afetou a vida de todos de maneiras diferentes. É interessante que temos diferentes pontos de vista - irmã, pai, neto, amiga da família, detetive - e não tem como não tomar partido contra os que se dizem cristãos. Afinal, todo mundo peca, mas o jeito que eles lidam com esse pecado... é o famoso emenda pior que o soneto. Uma tristeza.


4 de maio de 2025

O parque das irmãs magníficas

 

Editora Tusquets

Um livro triste, tristíssimo.

6 de abril de 2025

As coisas que perdemos no fogo

 

Editora Intrínseca

"As coisas que perdemos no fogo" não é um título maravilhoso?

Mariana Enriquez escreve contos de terror - algo de sobrenatural, algo de violência urbana, um retrato peculiar e não turístico da Argentina moderna.

São histórias interessantes, mas não tão horripilantes assim... O pior momento está relacionado a uma aflição imensa que eu tenho de unhas, hahahaha. Então fica aí esse alerta de gatilho.



22 de setembro de 2023

O Jogo da Amarelinha

 

Editora Companhia das Letras

Li o clássico de Julio Cortázar, O Jogo da Amarelinha, e não gostei. 

Comecei do primeiro capítulo e li na ordem sugerida pelo autor, pulando figurativamente de um lado para outro (muito fácil de fazer isso no kindle, embora perca a sensação do livro físico). 

É um livro sobre um homem branco triste, e foi simplesmente uma frustração ver as personagens femininas renegadas a segundo ou terceiro plano. Cansativo. 

Entendo o valor para a literatura em geral, e talvez se eu tivesse acesso a alguma análise ou aula, valorizaria mais, mas, como entretenimento, só posso dizer: leiam mais autoras.

13 de agosto de 2017

Mulheres Visíveis, Mães Invisíveis

Editora Best Seller - Capa Marianne Lépine

O livro mais famoso da "Laura Gutman" é "A Maternidade e o encontro com a própria sombra" que, convenhamos, é algo que parece um pouco esotérico e muito alternativo. Eu sou mais pé no chão, praticidade e objetivo. No entanto, já ouvi mais de uma pessoa falando bem desse livro, então entrou na lista de interesses.

Contudo, o que cruzou o meu caminho primeiro - por estar no unlimited da amazon - foi "Mulheres visíveis, mães invisíveis", que é um coletânea de textos da mesma autora. Li tudo, fiquei encantada, fiquei admirada, estou recomendando por aí.

Não é um tratado sobre maternidade, mas a Laura Gutman vai abordando cada aspecto desse assunto, principalmente na época de bebês e crianças pequenas. Ela é radical - no sentido de pregar uma maternidade que praticamente não existe mais e pode parecer um tanto irreal nesse mundo moderno de mãe que trabalha fora, mas é uma maternidade que já existiu em algumas comunidades. 

Ela defende que a mãe dá conta do bebê. Ela carrega ele para cima e para baixo, amamenta quando precisa, faz dormir quando precisa, dorme junto, dá carinho, dedica-se totalmente a ele. O bebê irá se desenvolver saudável e seguro.

O que a mãe não dá conta - de fazer comida para ela mesma, lavar roupa, limpar a casa - tem "a comunidade de apoio": as avós, as irmãs, as vizinhas, outras mães, que vão assumir essas tarefas para que a mãe se dedique ao bebê, amparada. 

A mãe também precisa de um suporte emocional para lidar com as mudanças que estão acontecendo na sua vida, e no fato de ter uma pessoinha que a suga física e emocionalmente. Essa comunidade feminina originalmente também vai ajudar nesse sentido, por meio de conversas, presença e carinho.

Essa abordagem é na contra mão da independência e auto-suficiência feminina / materna. Parece que pedir ajuda é admitir-se imperfeita, quando todo mundo por aí apregoa um papel de super mãe / super mulher. Eu acho que a mulher dá conta de ser mãe - mas pela minha experiência, é uma mãe muito melhor se pode contar com a ajuda tanto para o básico de sobrevivência e manutenção da ordem doméstica (sem esquecer de licença maternidade real do trabalho) - e eu sou grata pelo apoio incondicional da minha mãe nesse aspecto.

A Laura Gutman também fala um pouco sobre paternidade, ressaltando como o papel do pai mudou e tem mudado. Com a diminuição da unidade familiar - sem essa comunidade feminina de apoio - caiu tudo nas costas do pai / marido (quando presente): a cobrança para ajudar com o bebê, com a casa, com o sustento financeiro, e com o apoio emocional para a mãe, que pode estar a ponto de surtar com essa nova situação de vida. É muita coisa para o pai moderno, assim como tudo isso também é muita coisa para a mãe moderna (e solo). 

Nós - mulheres e homens modernos - precisamos caminhar para uma situação familiar e comunitária em que todo mundo participe e que fique equilibrado e confortável - tanto do ponto de vista físico como emocional. Para isso, não existe uma receita de bolo - porque cada situação de adultos com filhos é diferente - mas cada um deve mesmo refletir sobre o seu papel nesse círculo de relacionamentos e agir para chegar juntos numa harmonia, que não é pesada para ninguém.

30 de maio de 2014

Ter um patinho é útil

Editora Cosac Naify

Agora, eu tenho uma ótima desculpa para expandir meus horizontes literários de volta para a literatura infantil - a Anna. Certo é que para ela interessou primeiro virar as páginas e ver figuras, e agora ela nos entrega os livros e espera que contemos uma história, mas há poucos interesses em comum entre eu e uma criança de 1 ano no que se refere a livros. Aliás, infelizmente, pelo nível de algumas publicações, há pessoas que consideram bebês como pessoas sem capacidade mental alguma - justamente porque eles estão aprendendo sobre o mundo, as histórias deveriam fazer algum sentido, viu? 

O fato é que no meio de tudo isso, a Anna ganhou de outra Ana, um livro que é uma pérola (indicação do Arthur): Ter um Patinho é Útil, da argentina Isol (Marisol Misenta). Há uma história, há desenhos (meio feiosos, mas simpáticos, vai - eu que não entendo de arte), e há uma surpresa incrível no final. (Se você procurar na internet, descobre o que eu estou falando, mas eu gostei demais do fator surpresa). E aí eu li 300 vezes o livro e me senti realmente emocionada. Isso que é literatura infantil. 

A Anna ainda não entendeu, claro, mas vai entender. E vai rir e vai adorar. E vai querer ler 300 vezes. E eu vou ler 300 vezes junto, porque vale a pena mesmo. Obrigada pelo presente! Mirou a filha, acertou a mãe. :)

26 de junho de 2013

A Vida Descalço

Editora Cosac Naify
Alan Pauls escreveu um livro meio memórias meio crônicas em torno do tema praia com um belo título: "A Vida Descalço". Eu sempre associei praia a sol, verão, curtição, simplicidade - mas o argentino Pauls surpreende ao abordar o assunto com muito mais seriedade e complexidade - algo talvez até excessivo.  

O livro é rico em referências culturais - personalidades, filmes, livros - não muito recentes, já que está muito ligado a infância do autor (que nasceu em 1959). As frases são extremamente longas - como um fluxo de pensamento - o que demanda uma leitura mais atenta. Embora seja um pouco difícil de acompanhar no começo, foi interessante, e o livro me ganhou definitivamente nas últimas páginas...

Ponto curioso: o garoto da capa, assim como de outras fotos que ilustram o livro, é o próprio autor Alan Pauls. A edição, como é costume da Editora Cosac Naify, é primorosa. Agradeço a minha mãe pelo empréstimo!