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13 de outubro de 2026

Cristianismo Leve

 

Editora Mundo Cristão

Eu escolhi esse livro do Pedro Pamplona, Cristianismo Leve, para o primeiro clube do livro do ministério da Livraria da minha igreja, e com certeza, não poderia ter sido mais certeiro. O subtítulo já reforça a proposta: "o antídoto bíblico contra uma cultura de legalismo", e é isso que o livro faz, traz conteúdo bíblico - de forma leve, simples - para restaurar corações feridos pelo legalismo.

Depois de apresentar o tema que nasceu das dores que o autor observa no seu gabinete pastoral, ele mergulha em duas questões polêmicas que pode ser fonte de opressão na comunidade cristã: casamento e filho, e ideologias políticas. Assuntos muito atuais e relevantes.

Recomendo sem sombra de dúvida, para lembrar do amor e misericórdia de Deus em nosso dia a dia.

"Venham a mim, todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração; e vocês acharão descanso para a sua alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." (Jesus, no evangelho de Mateus, capítulo 11, vs. 28 a 30).


29 de setembro de 2026

O homem não existe

 

Editora Zahar

O livro "O homem não existe", da Ligia Gonçalves Diniz, é um livro que dá vontade de falar sobre, trazer as observações que ela faz para a mesa de bar - mas as minhas tentativas começavam tentando explicar como "O homem não existe" é uma provação a expressão "a mulher não existe" (pode dar um google).

A autora não procura ser extensiva nos seus exemplos da masculinidade como retratada na literatura, apenas algumas obras emblemáticas são citadas em cada tema, muito do gosto pessoal dela - que, sinto em dizer, não coincidiu muito com o meu (e tudo bem). 

O livro é bom, senhoras e senhores (embora acredite que será mais lido por senhoras mesmo).




5 de setembro de 2026

Economia do Reino

 

Editora Thomas Nelson

O assunto de dinheiro - riqueza e pobreza - na perspectiva cristã sempre foi do meu interesse, e já vi muita discussão sobre isso, com diferentes pontos de vista.

Matheus Ortega, em seu livro Economia do Reino, apresenta uma abordagem simples e clara, estruturada em 4 perfis de pessoas que agem juntas em favor do reino de Deus (diferentes partes, o mesmo corpo). Para cada perfil, ele cita 3 boas características específicas e 2 perigos, ou seja, não há melhor ou pior. O fato de ser estruturado dessa maneira ajuda no entendimento (assim como partes ficcionais do livro), mas não me convenci completamente que todas as pessoas cabem exatamente nessas 4 caixinhas.

No entanto, não é esse o ponto - as pessoas podem mudar, e podem agir de maneiras diferentes em diferentes situações, então o entendimento do que é ensinado biblicamente sobre o assunto é o que importa. Há muitas citações bíblicas e referências a teólogos e escritos cristãos do primeiro século até hoje, então é realmente um livro repleto de ensinamentos muito ricos.

Eu recomendo com certeza, para aprender e também descansar em Deus sobre esse assunto.


26 de agosto de 2026

Auto da Compadecida

 

Editora Agir

Incrivelmente, demorei quase uma vida inteira para ler esse livro delicinha do Ariano Suassuna, Auto da Compadecida.

Eu lembro de ler peças teatrais na escola ou mesmo um pouco de Shakespeare, mas foi o Clube do Livro no meu trabalho que me ajudou a colocar Auto da Compadecida na lista de leituras, com muito sucesso - é divertido, fácil de ler, e ainda faz pensar.

O filme substitui bem, claro, porque é literalmente o livro todo com imagens e música, mas por que não ir à fonte? 


20 de agosto de 2026

O meu pé de Laranja Lima

 

Editora Melhoramentos

"O meu pé de laranja lima", de José Mauro de Vasconcelos, é um clássico - virou até novela - e a minha memória era que ele foi o primeiro livro que me fez chorar. Mesmo assim, tantos anos depois, eu não lembrava exatamente o que acontecia de tão triste.

Eu li com as minhas crianças recentemente (11 e 13 anos), e fiquei espantada com tanta coisa que acontecia para o pequeno Zezé (que, a toda hora, o autor nos lembra que tinha apenas 5 anos). É uma infância dolorida, de restrição financeira e castigos físicos, mas também de estripulias e uma certa independência, que parece não existir mais.

(Assim como livros chamados infantis com palavrões - literalmente palavrões - na boca do personagem principal).

Não choramos.

E também não sei se eu recomendo para outras famílias. Esse livro definitivamente não é infantil, mas com certeza é um retrato de uma outra época do nosso país.



14 de agosto de 2026

De Jogos e Festas

 

Editora Companhia das Letras

Esse é o primeiro livro que eu leio de José J. Veiga: De Jogos e Festas, que contém 3 contos (pequenas histórias? novelas?). A primeira, de um homem lidando com a morte do irmão, um mistério repleto de personagens, sem o esquema de uma história tradicional. Na terceira história, sobre um governador lembrando seus dias de juventude, eu já me deixei levar pela estranheza.

Agora, a segunda história é genial: "Quando a Terra era redonda". Ela é a menor de todas, e eu não sei o seu impacto em 1980, mas em 2026 - considerando todo a discussão da terra plana recente - é espetacular. Recomendo muito.



9 de agosto de 2026

Bom dia, Inverno

 

Editora Companhia das Letras


Eu não gosto de frio e inverno, mas ler sobre uma mulher brasileira que resolveu passar meses sozinha no pólo norte (ou bem próximo disso), parecia uma boa ideia - e é realmente uma boa ideia.

De forma leve, Tamara Klink nos leva nessa aventura de dizer "Bom dia, Inverno", e apresentar-se como personagem principal dessa história, mas também uma representante da geração mais jovem, de 20 e tantos anos, que pensa diferente em alguns pontos, iguais a mim em outros pontos, e tem qualidades e defeitos, como todo mundo.

Incrível como a história de uma viagem em solitário tem tanto personagem secundário interessante, e traz temas tão bons. Virei fã. 

28 de julho de 2026

Árvore Velha


Árvore Velha é um livro sobre velhice, escolhas de vida e relações familiares. Sem papas na língua, de uma narradora muito interessante, de uma escritora brasileira muito boa: Marta Barbosa Stephens.

De vez em quando, livros assim, me fazem pensar se agora é tudo auto-ficção, mas um livro de literatura contemporânea bem escrito é realmente algo tão bem feito que poderia ser a vida, mas é tão engenhoso para ser sobre a vida, e como não é sempre sobre a vida?
 

21 de julho de 2026

Lanterna de mar

 

Editora Heziom

O Guilherme Iamarino pode ser mais conhecido por ser parte do Projeto Sola, mas ele também começou uma carreira de autor literário, com livro infantil e agora um livro para adultos, Lanterna de Mar.

É muito interessante termos histórias com uma estrutura cristã, sem mencionar diretamente Deus e Jesus, o que é feito aqui. Há referências que são mais diretas, mas há uma sensação sobre algo maior, que pode levar a boas conversas.

17 de julho de 2026

Cidades afundam em dias normais

 

Editora Rocco


Em "Cidades afundam em dias normais", Aline Valek parte de uma cidade que foi tomada pelas águas (lago? represa?) e depois de alguns anos começa a ressurgir (poucos anos, é algo bem contemporâneo, entre afundar e ressurgir passam uns 20 anos, se muito). 

É uma boa premissa, mas parece de certa forma pretexto para apresentar personagens interessantes, e apontar para várias direções possíveis sem exaurir nenhuma delas (é um livro curto). 


3 de julho de 2026

Lésbia

 

Editora 106

Maria Benedita Borman escreveu "Lésbia", sob o pseudônimo "Délia" em 1890 e isso já explica que, nesse caso, o título não indica um romance com personagem lésbico - mas é uma referência a uma sociedade que daria sim mais liberdade para as mulheres.

É incrível ver mulheres de outras gerações falando conosco através dos livros, e desmistifica essa "mulher do passado" que a gente acha que conhece (e até o homem - nesse caso, a personagem quer se separar, e o pai fala: pode voltar para casa, para que ficar sofrendo aí).

Muito bom esse movimento de publicar as brasileiras que conseguiram escrever numa outra época e depois foram esquecidas. Disponível no biblion!


29 de junho de 2026

Caminhando com os mortos

 

Editora Companhia das Letras

Esse é o terceiro livro que eu leio da Micheliny Verunschk. Em "Caminhando com os mortos", ela traz a história do fanatismo religioso de uma família, que leva a morte queimada de uma mulher. Em capítulos curtos, conhecemos vários personagens que participam mais e menos dessa história, alguns muito característicos do Brasil, o que passa uma incrível verossimilhança, mesmo apesar da situação crítica.

No entanto, me parece que falta algo - fica um desassossego em todos os livros da autora, como se ele não completasse totalmente o potencial que apresenta.

Por enquanto, o que eu mais gostei mesmo foi "Depois do Trovão".




25 de junho de 2026

Catorze Camelos para o Ceará

Editora Todavia

O título do livro é "Catorze Camelos para o Ceará", o que, com certeza, atraiu mais leitores se fosse "A história da primeira expedição científica brasileira" (o subtítulo) - mas, fato é, que o livro está mais para o subtítulo do que para o título.

Não é que Delmo Moreira não conte sobre os camelos - quem teve a ideia, como vieram, o que fizeram, e prováveis fins - mas realmente me pareceu só um gancho para contar a história da expedição, com contexto histórico, geográfico, sociológico. 

É interessante, mas não tão divertido com o título.

 

Corpo Desfeito

 

Editora Alfaguara

"Corpo Desfeito", de Jarid Arraes, não é um livro fácil porque não é sobre uma vida fácil, e sendo tão bruto e direto, consegue também ser muito sensível e tocante.

Dói, mas é muito bom.



21 de junho de 2026

Isto é filtro solar

Editora Montergismo

O Pr. Emilio Garofalo Neto fez uma série de pregações sobre Eclesiastes e transformou nesse livro de quase 500 páginas - bastante, né, para um livro bíblico tão curto - para tratar o assunto com profundidade, mas ele não faz isso como um estudo acadêmico (mesmo com muitas citações a comentários bíblicos).

Em capítulos curtos, recheados de citações a cultura popular, vamos aprendendo mais sobre a vida, Deus, e o que fazemos com isso tudo.

Eu imagino que deve ser muito legal conversar com alguém com tantas referências boas, e com certeza vou procurar os outros livros dele.

 

7 de junho de 2026

Cláudia Vera Feliz Natal

 

Editora Todavia

Mariana Salomão Carrara é advogada da Defensoria Pública e escreve "nas férias" como ela mesmo diz, mas, seus últimos livros - de uma maturidade literária admirável - passeiam por diversos temas - infância, plantações de tabaco, amizades e luto. Só agora ela traz para o foco sua área de formação, através do narrador que é um juiz - alocado nas pequenas cidades do interior do Mato Grosso: Cláudia, Vera, Feliz Natal, que formam o título desse livro recém lançado.

É uma história de homem branco triste - que geralmente me cansa - mas essa tem humor, sensibilidade e abre uma janela para todo um mundo que eu desconhecia, tão perto aqui do nosso quintal, mas mesmo assim tão distante.

Gostei muito e recomendo.

2 de junho de 2026

Veríssimas

 

Editora Objetiva

É a primeira vez que eu leio um livro de citações - e todas do mesmo autor, o Luís Fernando Veríssimo. O Jornalista Marcelo Dunlop organizou em ordem alfabética frases marcantes - as Veríssimas - e mostrou como (quase) tudo continua bem atual. Tem desenhos e quadrinhos também. Uma leitura leve, como deveria ser.

17 de maio de 2026

Se eu soubesse contar infinitos

 

Editora Rocco

Esse livro começa ali na ditadura, fala de artistas se exilando na Europa, mas com uma fortuna de fazendeiro por trás, aí eles voltam e se mantém em algo que pode ser definido como a fatia privilegiada da população do Rio de Janeiro. Não é que seja tudo bom - há muitos problemas e dramas - mas o dinheiro não é uma questão, e parece algo tão fora da nossa realidade. Mas por que o livro brasileiro precisa ser a realidade? Aliás, geralmente ele não é, ele pode falar só de personagens específicos em situações bem específicas e mesmo assim ganhar nosso coração.

Eu não sei explicar porque esse livro pareceu tão artificial, mas é assim que me pareceu, mas com certeza pode fazer sentido para outras pessoas.

1 de maio de 2026

Estela a esta hora

 

Editora Todavia

Um título maravilhoso...

Uma capa incrível...

Ficou na minha lista de a ler por muito tempo... 

E aí quando eu finalmente leio (pelo biblion, salve!), simplesmente... me frustro.

Expectativa é a fonte da maioria das tristezas. 

Acho que eu ainda espero muito de médicos - mesmo os ficcionais - e ver alguém tão perdido e tão confuso é muito estranho - mas depois de ler A Pediatra, dá para saber que é possível chocar e trazer desconforto melhor que o proposto pela Natália Zuccala nesse livro. Não sei o que faltou, talvez uma maior conexão com essa personagem tão humana em suas imperfeições, mas o tanto que não é dito acabou fazendo falta.



26 de abril de 2026

Os Malaquias

Editora Companhia das Letras

Eu gostei muito do livro A Pediatra, e fiquei animada de ler Os Malaquias, da escritora Andréa Del Fuego também. Mas NÃO É A MESMA COISA. Livros completamente diferentes, com estilos diferentes. Denota o talento da escritora? (Ainda mais considerando que esse ganhou o Prêmio José Saramago) SIM. Mas é outra pegada.

Eu me senti um pouco perdida com tanto personagem, e cria-se uma angústia, uma falta de realização, e a linguagem - poética - dificulta um pouco também. É um bom livro e uma história com pitadas de realismo fantástico muito boa também, mas eu realmente esperava outra coisa.

(Em PS, na mesma semana, comecei a ler Ó, de Nuno Ramos, que também ganhou esse prêmio, um brasileiro que é mais artista visual do que escritor, e tive que desistir de ler, porque realmente achei chato, e a linguagem era bem poética também. Acho que existe algo comum aqui).