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8 de maio de 2026

A menina e a pipa

 

Editora Intrínseca

A mim, parece que Laetitia Colombani se preocupa mais em ensinar sobre um assunto que lhe interessa, do que realmente em fazer uma história. É aquele livrinho com moral escritos para crianças pequenas, mas na escala de literatura adulta. Nesse, o foco é a população pobre da Índia, e a falta de acesso a educação, principalmente das meninas. Tema sério e preocupante, claro, mas o livro parece um panfleto. Bom, é isso, embora a capa seja muito bonita, não gostei.





16 de novembro de 2025

O lugar

 

Editora Fósforo

Finalmente li um livro da Annie Ernaux - O Lugar - porque ele caiu nas minhas mãos (obrigada, Debô!). 

Pequeeeeeeeeeno, menos de 70 páginas, li de uma sentada só numa tarde tranquila de domingo. 

É bom, a leitura flui e parece que você vai vendo as pessoas (ela descreve bem fotografias, por exemplo, como essa da capa), e é interessante conhecer uma realidade diferente (pobres da França durante o século XX), mas não fiquei com vontade de comprar os livros dela - só se realmente cair nas minhas mãos novamente.



9 de outubro de 2025

Água Fresca para as Flores

Editora Intrínseca

Água Fresca para as Flores, de Valérie Perrin, tem quase 500 páginas, e é um livro que flui, levando-nos a descobrir os detalhes com a narrativa que vai e volta no tempo, mas nada muito complexo, e eu estava precisando de algo assim mais despretensioso.

Eu fiquei curiosa a respeito de um mistério (relacionado a uma investigação de crime) e depois ele me pareceu um anti-clímax... Mas uma amiga me disse que o livro não era sobre isso, e sim sobre a vida da personagem principal, bem comum, a Violette. Bem, se olhar por essa ótica, o livro é melhor do que eu achei.

Eu também não gostei muito dos interesses românticos masculinos, eu acho que o livro seria melhor se eles não fossem tão obcecados por uma só pessoa a vida toda.

Assim, com vários poréns, eu ainda recomendo esse livro para mulheres, e para clubes de leitura, especificamente.


 

15 de janeiro de 2025

Eu, Tituba

 

Editora Rosa dos Tempos

O evento, que virou história, que virou livro, que virou filme, chamada "As bruxas de Salém" é muito famoso - e se você não conhece, é um bom momento para fazer uma busca. Neste livro, Maryse Condé pega uma das pessoas que existiram relacionada a esse fato histórico, Tituba, escravizada das colônias da América Central vivendo em Salém, acusada de bruxaria, e dá vida a ela.

Acompanhamos Tituba criança, jovem, e toda sua trajetória até sua morte nesse enrosco religioso. É um retrato da cultura das colônias, dos escravizados, dos Estados Unidos do final do século XVII, mas é uma narrativa seca, sem muito encanto, e talvez por isso eu esperava mais do livro. 


22 de outubro de 2024

Stardust

 

Editora Autêntica Contemporânea

Léonora Miano nasceu em Camarões, e foi educada em francês. Com uma bolsa do governo, foi fazer faculdade na França, e engravidou do seu namorado de adolescência em Paris. Ao saber disso, a mãe do rapaz cortou a mesada, e eles ficaram sem ter onde morar, interromperam os estudos, o relacionamento sofreu - e ela ficou sozinha com a criança pequena dependendo do assistencialismo do governo francês. 

Este livro, Stardust, é baseado em suas memórias dessa época, como foi transitar essa camada escondida da cidade mais turística do mundo, e como é ser mãe solteira em ambiente tão inócuo. É uma história sofrida, que a autora só se permitiu contar depois de tanto tempo - 20 anos depois - e toca temas de vulnerabilidade social, racial, política. 

É uma janela para uma França que vemos pouco daqui.


9 de outubro de 2024

A diferença invisível

 

Editora Nemo

História em quadrinhos lembra muito gibi, da Mônica, do Tio Patinhas, aqueles que comprávamos em bancas quando crianças.

Então, quando se fala desse gênero na literatura - ou como expressão artística - o termo mais usado é "Novela gráfica" ou "Graphic Novel", em inglês mesmo.

Dessa forma que esse livro foi apresentado no Clube de Leitura de que faço parte, para ser apreciado nos seus detalhes: não só o que está escrito com palavras no texto, mas também o desenho, as cores, os formatos dos quadrinhos. 

(E nada contra gibi da turma da Mônica - que também tem sua própria linha de Graphic Novel, feita por artistas incríveis).

O livro em questão aqui é francês, escrito por Julie Dachez e desenhado por Mademoiselle Caroline, num esforço conjunto para falar sobre o autismo - "A Diferença Invisível" no título. (Nem sempre há dois autores, muitos são desenhados e escritos pela mesma pessoa).

A história é da própria autora, como ela se notava diferente e como foi a trajetória de diagnóstico e aceitação tanto de si mesma como de amigos e da sociedade em geral. 

Saúde mental - ainda bem - é um assunto cada vez mais presente, mas em termos de inclusão e respeito temos ainda um longo caminho pela frente. No Clube de Leitura, com a presença tanto de adultos que foram diagnosticados com autismo, como pais de crianças com autismo, deu para perceber como ter livros como esse que toquem a sensibilidade das pessoas ao assunto é importante para toda sociedade.



28 de outubro de 2023

Suzette ou le grand amour

 

Editora Nemo

Nessa graphic novel de Fabien Toulmé, temos a conversa entre a avó e a neta, enquanto a última ajuda a primeira a procurar o seu primeiro grande amor. Achei interessante, mas um pouco forçado. 

29 de junho de 2023

The strange journey of Alice Pendelbury

 

Editora Amazon Crossing

Sim, esse livro me fez desistir de ler outras obras de Marc Levy. Que chato!

"A estranha jornada de Alice Pendelbury" parece interessante, mas fica previsível não satisfatório. Não recomendo.

11 de maio de 2023

Se adaptar

 

Editora Dublinense

A obra "Se adaptar" ganhou um prêmio de literatura francês, escolhido por adolescentes - e isso já mostra como é uma história acessível.

Clara Dupont-Monod  escreve a história a partir de um narrador inusitado (as pedras do muro da casa), e é uma narrativa bem delicada sobre uma família, particularmente do cuidado e amor entre irmãos, sendo que um possui alguma deficiência.

É um livro muito bom.


7 de abril de 2023

A vida dos elfos

 

Editora Companhia das Letras

O livro "A Elegância do Ouriço" é um dos livros mais fenomenais que eu já li - então foi com animação que eu peguei para ler "A vida dos Elfos", também escrito pela Muriel Barbery. 

MAS... simplesmente não tem a mesma pegada. É um livro que flerta com a fantasia e o fantástico, mas, simplesmente, não entrega. Parece que tem uma continuação, mas não me interessou.

Quem puder, fique só com A Elegância do Ouriço, mesmo!


21 de fevereiro de 2023

O ladrão de Casaca: As primeiras aventuras de Arsène Lupin

 

Editora Zahar

Maurice Leblanc criou Arsène Lupin como opositor a Sherlock Holmes, e embora a premissa seja interessante, a narrativa é meio estranha e realmente dá para entender porque Sherlock fez bem mais sucesso. 

(Não assisti a série da Netflix, mas só ouvi falar bem).

9 de dezembro de 2022

A Dama das Camélias

 

Editora Martin Claret

O livro de Alexandre Dumas Filho é tão famoso que seu título, A dama das Camélias, é uma expressão comum - mas eu realmente acho que ele não é tão lido quanto falado sobre.

Eu realmente me surpreendi pelo narrador ser o tal apaixonado pela renomada Marguerite, e a trajetória de sua paixão - e realmente é um livro sobre uma história de amor de 200 anos atrás, mas hoje, certamente seria um relacionamento tóxico para os dois envolvidos.

19 de novembro de 2022

Viagem ao Centro da Terra

 

Editora Zahar

Ler Viagem ao Centro da Terra é uma experiência curiosa porque há uma descrição imensa de conhecimento científico, que nos leva a querer acreditar no que ele está contando e ignorar o que a ciência já avançou nesses quase 180 anos que o livro foi escrito.

Algo que é importante lembrar é que Jules Verne escrevia literatura popular, acessível, interessante para o público - os nossos bestsellers - então os livros podem ser facilmente lidos por crianças mais velhas e adolescentes. Recomendo!

19 de dezembro de 2021

Os Últimos de Nossos Pais

 

Editora Intrínseca

Mais um livro sobre a II Guerra Mundial, com um ângulo diferente: franceses são recrutados pelo Serviço Secreto Britânico para serem agentes secretos - eles passam por treinamentos intensos, tornam-se muitos amigos, quase uma família, e são encaminhados para missões separadas. 

É guerra, então obviamente não vai ser um livro feliz - embora eu realmente tenha torcido pelo contrário. Ainda por cima, lá pela metade, diferentes linhas da história se cruzam de uma forma que parece um pouco forçada - mas pode ser por causa do estilo rebuscado que o autor Joël Dicker usa de vez em quando.

Para quem gosta do tema, pode ser interessante - e é uma leitura rápida.

13 de agosto de 2021

A volta às aulas do Pequeno Nicolau

 

Editora Rocco

O Pequeno Nicolau (Petit Nicolas) é um personagem infantil famoso na França. Há dezenas de histórias curtas com esse garoto típico da década de 50, que ia para a escola, aprontava, circulava na rua com os amigos, do alto dos seus 8 ou 9 anos. É leve e bem humorado, e embora agora exista TV, video game e celular, algumas atitudes das crianças são as mesmas, e essa identificação que é muito simpática.

As minhas filhas já tinham assistido ao filme mais recente (disponível no netflix), e então elas tinham uma ideia mental do ambiente e das crianças, mas elas se divertiram com as histórias "novas" desse livro. Como elas são curtas, é uma leitura boa para antes de dormir. 

Em tempo, o autor René Goscinny também é criador de outro personagem famoso francês: Asterix. 

30 de maio de 2020

A Estranha Madame Mizu

Editora Companhia das Letrinhas - Capa Silvia Ribeiro

A minha filha de 7 anos trouxe "A Estranha Madame Mizu" da biblioteca da escola, e cá estamos a quarentena toda com essa obra de Thierry Lenain que eu nunca tinha ouvido falar.

Nele, a garota Zoé passa muito tempo sozinha em seu apartamento, e preenche de imaginação e criatividade a vida, principalmente conjecturando sobre a vizinha do andar de cima, a Madame Mizu, que deve ser uma bruxa, de acordo com vários indícios da cabeça dela. 

O que eu mais gostei desse livro é a que o narrador, a princípio onisciente, entra na história quando algum personagem fala com ele ("ei você que está escrevendo a história"), e emite opiniões sobre se deve ou não participar de algum acontecimento. Eu sempre gostei desse tipo de narrador, e ainda mais num livro de criança.

Se você quiser saber o que a Anna achou desse livro, pode ver aqui.

1 de dezembro de 2017

Contos da Rua Brocá


Editora Martins Fontes - Capa Manu Santos
Esse ano, na classe da minha filha de 4 anos, a professora apresentou uma nova proposta de livro: com mais texto, poucas ilustrações, mas igualmente infantil e divertido. Lendo um pouco por dia, "A bruxa do armário de vassouras" fez sucesso com a turma, especialmente com a Anna, que comentou  bastante desse livro de 1o ano, que a fez se sentir "criança grande".

Eu não conhecia o livro "Contos da Rua Brocá" ou o autor Pierre Gripari, e o inclui na minha biblioteca pessoal, para que um dia minhas filhas também possam ler. São contos curtos de temática fantástica - há magia, há seres mágicos, as crianças da tal rua vivem diversas aventuras e correm perigos, mas sempre voltam a salvo para suas casas.

Eu me encantei com livros ilustrados nesses últimos anos, mas estou feliz de ir começando aos poucos conhecer e retomar livros infantis com histórias mais longas. (Eu pensei em falar ricas, complexas, completas - mas bons livros ilustrados podem ser tudo isso também - o problema é que eles acabam rápido mesmo.)

16 de outubro de 2017

O chamado do anjo

Editora Verus - Capa André S. Tavares da Silva

O começo de "O Chamado do Anjo" é meio besta: duas pessoas completamente diferentes (um homem e uma mulher) trombam no aeroporto de Nova York, deixam cair algumas coisas, e acabam trocando de celular. Elas só percebem que fizeram essa troca quando chegam em seus destinos: Paris e São Francisco. Aí começam a fuçar nos celulares - porque obviamente não há senha, nem bloqueio de tipo algum e ficam curiosos a respeito do outro - talvez uma atração incipiente e começam a trocar mensagens e ligações.

Eu achei super hiper mega blaster forçado esse início, mas é claro que tem mais coisa relacionando os dois personagens - que cruzaram ali por uma forcinha a mais do destino - e aí a trama muda para um suspense eletrizante com crimes, quadrilhas, assassinatos e perseguições - tudo o que franceses gostam (histórias policiais).

Resumindo, é forçado e violento - não tenho muita vontade de ler outras coisas do mesmo autor, Guillaume Musso, mas para quem gosta da temática, pode aproveitar: está no unlimited do kindle.

18 de dezembro de 2016

O voo da Libélula

Editora Arqueiro - Capa Retina78
O Voo da Libélula é um livro de suspense com um ponto de partida bem intrigante: um avião cai nos Alpes, e uma bebê é a única sobrevivente. Havia duas crianças na lista de passageiros. Quem é ela? As duas famílias brigam pela guarda, mas o mistério dura 18 anos, e esconde segredos de ambas as partes...

Sobreviventes de um acidente aéreo são sempre foco de muita curiosidade - destino, proteção divina, acaso? - então esse mote é bem interessante, e o autor Michel Bussi entrega várias reviravoltas adicionais, o que torna bem difícil de prever o final. É uma leitura assim, de férias, sem muito compromisso, com emoção - um filme seria bem legal.

23 de setembro de 2016

O leitor do trem das 6h27

Editora Intrínseca - Capa Mariana Newlands
A editora Cosac Naify está considerando destruir o estoque de livros restantes, e há bons motivos - comerciais e logísticos - para tanto, e se a maioria das pessoas estranha o ato, o diretor da editora diz que se trata de uma "prática comum de mercado", o que pode parecer mais estranho ainda.

Nisso, lembrei do livro "O leitor do trem das 6h27", em que o personagem principal trabalha num lugar de destruir os livros, em Paris. Caminhões chegam todo dia carregados de obras que são jogadas na máquina chamada "A Coisa", e o operador principal - o tal leitor do título - sente a gravidade do "crime" contra os livros - mas é o seu trabalho, e sua ação é salvar algumas folhas diariamente que ele lê no trem do dia seguinte, para quem quiser ouvir.

Esse é só o contexto da história, depois temos um manuscrito misterioso, uma busca pela autora, uma cruzada por todas as impressões de um livro, duas velhinhas simpáticas, eventos e pessoas que enriquecem esse pequeno livro de Jean-Paul Didierlaurent. 

Gosto do mundo em que destruir livros é polêmica. Gosto mais ainda do mundo que lê os livros.