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18 de abril de 2026

A Filha Perdida

 

Editora Intrínseca

Elena Ferrante entrega uma ótima história para discutir maternidade em A Filha Perdida. Eu já tinha visto o filme (desviando do normal por aqui), e achado suficiente, mas me empolguei quando uma amiga começou a comentar sobre o livro. Ele traz dimensões que não estavam presentes na película (como esperado), e achei realmente um ótimo livro para clube do livro com outras mães.



4 de agosto de 2025

A Consciência de Zeno

 

Editora Nova Fronteira

"A Consciência de Zeno" começa com um psicanalista dizendo que resolveu publicar sim os textos que um de seus pacientes escreveu quando convidado a refletir sobre sua vida - lembrar do que aconteceu para "se curar". Curar-se do quê? Do hábito de fumar, o qual ele passou a vida toda sempre a ponto de parar, mas nunca parando.

Italo Svevo cria um personagem chato - o Zeno - mas muito interessante, porque ele mesmo sendo o narrador da sua vida, dá para perceber o quanto ele se engana (aparentemente) ao contar o que acontece, e o tanto que dá para presumir da realidade ou das pessoas ao seu redor.

A ideia é ser engraçado, eu suponho, mas dá raiva também de como pode ser tão besta um homem sem necessidade de trabalhar e sem muita inteligência (o próprio pai deixa um testamento dizendo que ele não pode administrar os próprios bens recebidos em herança).

É uma boa leitura e rendeu ótimas discussões no clube do livro desse mês.

11 de dezembro de 2024

O deserto dos tártaros

 


Editora Nova Fronteira

O livro do italiano Dino Buzzati pode ser um clássico, mas, para mim, ainda é um livro de homem branco triste - uma categoria toda minha para juntar livros que se afastam muito da minha realidade, e, eu acredito, das mulheres em geral.

"O Deserto dos Tártaros" fala uma companhia militar que guarda um forte esperando uma invasão que nunca chega, e a vida vai passando sem propósito - ou pelo menos com essa motivação que nunca se realiza. 

Não há um só personagem mulher decente - e o livro tem menos de 100 anos.

Se você é um homem em crise de meia idade, recomendo.

15 de fevereiro de 2023

Laços

 

Editora Todavia

O nome do autor Domenico Starnone está associado a Elena Ferrante, e eu li o livro já com esse óculos, mas, na comparação, prefiro a Ferrante. A história é boa, bem escrita, mas é a história de um homem ainda.

11 de julho de 2021

As Aventuras de Pinóquio

 

Editora Companhia das Letrinhas

Todo mundo conhece o Pinóquio - o boneco de madeira que contava mentiras e crescia o nariz, graças a Disney. Mas quem teve essa ideia genial foi Carlo Collodi, um italiano, há 140 anos atrás. 

O livro "As Aventuras de Pinóquio" foi publicado por capítulos, numa revista para crianças, e imagino que a história foi se construindo também com o retorno do público. A história vai ficando cada vez mais fantástica - tem personagem que morre e volta - sem perder o humor, e também a "moral da história": se não for para a escola e obedecer aos pais, tudo vai dar errado e você pode virar um burro, literalmente.

Eu li esse livro para as minhas filhas ao longo de algumas semanas, e foi ótimo ver elas se divertindo com a história, envolvidas com o Pinóquio - diferente da minha experiência de leitura como adulta há alguns anos, em que eu só fiquei admirada com o nonsense e não gostei muito.

O comentário pertinente da Lia, minha mais nova de 6 anos, foi perceber que não tinham meninas no livro - fora a personagem da Fada, só há garotos e homens. Quando eu expliquei que o autor era um homem de outra época e por isso deve ter preferido só falar de garotos, ela me perguntou: e onde estavam as autoras meninas?

Além disso, a versão açucarada da Disney não representa o humor - muitas vezes pastelão - que o autor coloca no texto e também faz sucesso com a criançada. Não assisti o filme mais recente (com gente de verdade), mas já me disseram que é mais fiel a história original.

Assim, minha recomendação sobre esse livro é: leiam para as crianças.


21 de novembro de 2017

Série Napolitana


Editora Globo - Capa Mariana Bernd

Eu li a Série Napolitana de Elena Ferrante. São livros incríveis, que realmente não dá vontade de parar de ler - queremos acompanhar a vida da Lenú, saber o que vai acontecer com a Lila, e todos aqueles amigos de infância que seguem caminhos diferentes, que se cruzam e se interrompem.

Embora se passe há décadas atrás na periferia de Nápoles, há temas universais relacionadas ao universo feminino - carreira, namoro, casamento, sexo, maternidade, a relação com a mãe, a sogra, a empregada, o marido e os filhos. Mas o tema principal de maior destaque é a amizade entre Lenú e Lila, e como essa relação muda da infância para adolescência, da vida adulta para a maturidade, e como há um carinho - quiçá um amor - entre elas, as circunstâncias afetam esse relacionamento de maneiras imprevistas.

Outro tema que também chama a atenção é essa trajetória de independência feminina e como isso muda e torna confuso o relacionamento com os homens, que, nessa época (não agora! de jeito nenhum!), ainda não sabiam lidar com tanta emancipação. Aliás, a própria mulher ainda não sabe como lidar com suas expectativas amorosas - e podem agir muito bobamente em algumas situações. (Não entro em detalhes para não dar spoilers).

Não é literatura profunda, são livros para entretenimento, e bom para ler com uma amiga, ou num clube de leitura, para discutir alguns temas ali apresentados - o que elas pensavam? O que nós pensamos? Como nossa vida mudou e o que continua igual, e, principalmente, para onde queremos ir?





18 de julho de 2017

Good Night Stories for Rebel Girls

Timbuktu Labs - Capa Pemberley Pond

Feminismo de cá, feminismo de lá, algumas pessoas começaram a fazer estudos sobre a presença de mulheres no cinema, na literatura adulta, na literatura infantil. Muitos livros não tem nem uma personagem feminina, e se elas existem, elas não se pronunciam (não tem falas). Não de maneira explícita isso acaba por influenciar as crianças - o papel das mulheres passa a ser de coadjuvante e, de preferência, calado.

Isso claramente tem mudado nos últimos anos, mas "Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes" de Elena Favilli e Francesca Cavallo vai além e entrega o que o subtítulo promete: 100 contos de mulheres extraordinárias. Sim, histórias verdadeiras de mulheres atuais, do século passado, do milênio passado, que sonharam mais alto, chegaram mais longe, brilharam - basicamente, fizeram o que queriam fazer.

Não é que elas são extraordinárias comparando com a maioria das mulheres. Elas são extraordinárias comparadas com a humanidade em geral. São sucessos na ciência, no esporte, na política, em serviços humanitários, na arte, e até na pirataria. Existes homens que também são bem sucedidos e brilhantes? Sim. Mas é incrível como parece difícil citar 100 mulheres de sucesso em diversas áreas - e esse livro o faz, assim como o volume 2 que está sendo lançado também em crowdfunding. 

A proposta desse livro é clara e nobre: mostrar para as crianças do mundo que não tem nada que uma mulher não possa fazer que alguma outra já não tenha feito também - pode não ter sido fácil e pode não ser fácil, mas isso não é motivo para não sonhar alto e correr atrás do que se quer fazer.

2 de julho de 2013

Pinocchio - The Tale of a Puppet

Edição Kindle
O italiano Carlo Collodi escreveu a história original do Pinóquio - o conto de um fantoche - no século XIX. É possível identificar os elementos que inspiraram o filme da Disney, que provavelmente popularizou em nível mundial essa história. No entanto, inicialmente era bem mais nonsense: o Grilo Falante morre logo no começo esmagado pelo boneco, mas reaparece como um "fantasma" e a Fada Azul aparece como jovem, depois rapidamente envelhece para um papel de "mãe".

Eu não gostei muito da leitura, porque tem muita coisa nada a ver no estilo "alegoria" que o autor usa, mas para quem tem interesse, fica a dica - o livro é gratuito pela Amazon. 

12 de setembro de 2012

Decamerão


A primeira coisa que eu fiquei sabendo sobre Decamerão é que era um livro da idade média proibido pela Igreja Católica (o famoso Index). Mas também é um clássico da literatura mundial, então eu fiquei interessada em ler, claro.

O livro reúne 10 jovens, 7 mulheres e 3 homens, que fugiram da peste que se espalhava pela Europa e, todo fim de tarde, cada um contava uma história - isso por 10 dias. Então, o livro é grandinho, mas são mil contos curtos. O fato é que eles eram muito realistas para o século XIV, mas dificilmente vão escandalizar qualquer jovem adulto do século XXI (e sim, claro, alguns realmente tem conteúdo sexual).

Além disso, não é uma daquelas obras difíceis de ler só porque tem quase 700 anos. Se houver oportunidade, mesmo se não for ler inteiro, vale a pena ver alguns desses contos de Boccaccio para conhecer um pouco da cultura italiana, ou melhor dizendo, europeia da época feudal.

5 de maio de 2012

Se um viajante numa noite de inverno

Editora Schwarcz - Capa Andréa Vilela de Almeida
"Se um viajante numa noite de inverno" não parece um título de livro, mas sim um começo de uma história e é isso mesmo, mas o livro do Italo Calvino é muito mais que isso: uma viagem - das mais loucas - pelo próprio processo de leitura e escrita de literatura. Uma ficção em metalinguagem (ou uma metalinguagem em ficção?) que não tem como não encantar quem gosta desse mundo dos livros.
 
Esse livro tem um dos trechos sobre a relação do leitor e os livros que eu mais gostei e, embora eu tenha lido há alguns anos, nunca esqueci e agora vou deixar aqui para vocês pensarem e se auto-analisarem... Quem quiser fazer uma auto-declaração, os comentários estão aí para isso :).
 
"Sua casa, sendo o lugar em que você lê, pode dizer-nos qual é o lugar que os livros ocupam na sua vida, se eles constituem uma defesa para manter distante o mundo exterior, se são um sonho no qual você mergulha como numa droga ou se, ao contrário, são pontes que você lança para fora, rumo ao mundo que tanto lhe interessa, a ponto de você pretender multiplicá-lo e dilatar-lhe as dimensões por meio dos livros."

22 de dezembro de 2011

Desculpa se te chamo de amor

Editora Planeta - Capa Renata Milan
Sim, eu tenho minhas reservas. Coisas que eu não gosto. Ou não boto fé. Desconfio. Preconceito, se você quiser. Casos de Lolitas são justamente uma dessas coisas. Amor verdadeiro de um cara mais velho, meia-idade, e uma adolescente. 20 anos de diferença. E esse é justamente o tema do livro, que já avisa na contra-capa: E se for amor, amor de verdade?

ok, pode até ser amor de verdade, e tenho certeza que você, caro leitor, conhece alguém ou um amigo de alguém, ou a prima do amigo de alguém, que passou por uma história dessas e deu suuuper certo, então isso é possível e tal. Mas fazer o quê? Eu desconfio.

E não gosto dos clichês: adolescente linda, cheia de vida, animada, mas sentimentalmente madura para a idade; homem de meia idade, inteligente, com boa forma, bem sucedido, precisando de "vida", alguém que o relembre de como é se sentir pleno. E é claro que dá certo. Muito certo, em todas as áreas.

É verdade que eu comecei a ler esse livro com os dois pés atrás, mas acabei me decepcionando com outros detalhes também: como tramas paralelas dispensáveis, personagens caricatos demais, e uma tradução não lá muito boa (como se fosse literal, mas simplesmente não funciona em português. Algumas construções de frases pareciam bem estranhas).

Por outro lado, há vantagens também, como poder ler um romance contemporâneo italiano e ver como é um pouco da socidade (se alguém souber mais sobre o que se trata o tal exame de maturidade que eles fazem, contem aí - é um nome bem engraçado para um exame final de colegial) e da paisagem (descrições de Roma e algumas redondezas), e mais que isso, vale para ter a visão de um homem italiano - que, receio, atende a todos os esterótipos também, a ponto de ter a seguinte frase sobre uma noite do casal em Paris:

"E uma noite que perde os seus limites. E por fim até aquelas estrelas francesas devem admitir. Sim. É mais uma vitória. Os italianos o fazem melhor."

rá-rá-rá.

Bom, se você quiser saber um pouco mais sobre a história lendo outra crítica desfavorável (com a qual eu concordo), clique aqui. Sem mais.