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13 de junho de 2026

Uma igreja chamada tov

 

Editora Mundo Cristão

O livro "Uma Igreja chamada Tov" é uma resposta a diversos escândalos de pastores nos Estados Unidos - de mega igrejas e igrejas não tão megas - que resolveram se defender e negar acusações em caso de denúncias de más condutas. 

Os autores, Scot McKinght (Teólogo) e Laura Barringer (sua filha), abordam diretamente as questões - citando reportagens e entrevistas pessoais com envolvidos, principalmente da Willow Creek que ela frequentava. Mas eles também são propositivos: descrevem o que uma igreja "tov" ou "boa" poderia ser e como a liderança deve agir, de maneira bíblica, para ser uma igreja da maneira que Deus pensou.

Li outros livros mais fáceis de aplicar aqui no Brasil para liderança e igreja, mas talvez seja uma boa fonte para se pensar em mega igrejas aqui no Brasil também.

5 de setembro de 2025

Esboço

 

Editora Todavia

O livro de Rachel Cusk faz jus ao nome: Esboço. Parece um diário de viagem de uma professora de escrita criativa, relatando seus encontros numa viagem para a Grécia, principalmente o que ela ouve da história de vida das pessoas - a começar de um homem no avião.

A leitura flui sem esforço, mas parece não chegar em lugar nenhum - apesar de termos alguns vislumbres sobre a vida e características da narradora através da interação com outras pessoas. Consigo ver que a autora escreve bem, mas a histórica ficou um pouco sem sentido - ou sem direção - ou então abriram-se tantas possibilidades que não se chega a lugar algum. 

Nota 3.5, e recomendo apenas para quem já ouviu falar do livro e ficou curioso (Tem no app Biblion).

3 de janeiro de 2025

Enquanto houver limoeiros

 

Editora Verus

A canadense Zoulfa Katouh, filha de sírios, escreveu esse livro - uma mistura de romance Young Adult e relato de guerra - para falar sobre a Revolução Síria que estourou na década de 2010, e esteve nas notícias no final do ano passado.

Apesar de ser uma história ficcional, tanto a violência como o sofrimento da população são relatados de maneira bem gráfica, e foi bem difícil ler o livro todo.

É interessante ver um romance jovem em outra cultura, mas os personagens são simples e há partes da trama claramente forçadas. 

Assim, é difícil recomendar esse livro porque precisa ter estômago, mas a construção da história parece para adolescentes / jovens adultos. 




30 de agosto de 2022

Estação Onze

 

Editora Intrínseca

A pandemia de 2020 pareceu totalmente inesperada e imprevisível, mas aí vem esse livro de 2014, Estação Onze, escrito pela Emily St. John Mandel, e cria uma ficção muito parecida com a realidade 6 anos depois. 

Nesse livro, a gripe mortal realmente levou o mundo ao colapso, mas algumas pessoas ficaram e construíram um novo normal... É uma história boa, mas dá um pouco de nervoso pelas comparações inevitáveis com o mundo real.

21 de abril de 2022

Etta and Otto and Russel and James

 

Editora Fig Tree

Eu gosto de livros com pessoas mais velhas, acredito que há uma riqueza tanto de história como de tipo de narração - o narrador não confiável é simplesmente o tal do Alzheimer, ou há tanto que se viveu que os eventos mais estranhos podem ser corriqueiros ou então ter outra dimensão. 

Assim, achei interessante que Emma Hooper já propõe no título do seu livro os personagens principais: Etta, Otto, Russel e James (este último um animal, não um velhinho como os outros). No entanto, achei que poderia ser mais do que realmente foi. Há amor, amizade, sabedoria de vida, mas eu gostei mais de A improvável jornada de Harold Fry, que tem uma premissa parecida. 

12 de outubro de 2018

Outros Jeitos de Usar a Boca

Editora Planeta - Capa Victor Igual, S.L.

Um livro de poesia! Algo que é raro nas minhas listas de leitura - não é que eu não goste de poesia, mas ler um livro inteiro de poesia de uma vez só, não me empolga muito. Eu gosto de ler uma ou outra aqui e ali - ou melhor, eu adoro ouvir poesias lidas pelo Fábio Malavoglia, de segunda a sexta, por volta de 9h25, na rádio Cultura FM. Ele dá o contexto do autor, do poema, e lê maravilhosamente (ele também é o tradutor de vários poemas).

Voltando ao assunto do post, foi fácil ler "Outros jeitos de usar a boca", são poemas curtos, então o livro todo não me custou 1h, para ler de uma sentada só. A autora, Rupi Kaur, é jovem, e publicou muito dos seus poemas no instagram, então eles são breves, diretos, com temas jovens - auto-afirmação, romance, separação, sexo, abuso (não necessariamente nessa ordem). São fortes, intensos, poéticos. 

Eu consegui entender como ela se alinha com a cabeça de muitas mulheres por aí, que devem se identificar com os assuntos ou o formato, mas acredito que o público é realmente mais jovem do que eu. Vale a leitura - está no kindle unlimited. 



30 de março de 2018

O Conto da Aia

Editora Rocco - Capa Laurindo Feliciano

Eu li O Conto da Aia! Mas ainda não vi a série.

A história de Margaret Atwood é incrível e fantástica - escrita há 30 anos atrás, relata um futuro distópico - quando os Estados Unidos são dominados por um poder religioso cristão que proíbe as mulheres de terem cidadania. A ideia dos líderes é voltar ao tempo bíblico de Abraão, no que é conveniente e da forma que é conveniente, o que dá uma boa discussão sobre tradição, religião, cristianismo e poder.

A narrativa é feita por uma mulher, a Aia do título, rememorando o que se passou. No entanto, a forma em que isso é feito - a velocidade dos acontecimentos, as explicações, mesmo a própria personagem - deixa muito a desejar. Dá para entender porque esse livro ficou no esquecimento por tanto tempo (não havia uma edição disponível para venda aqui no Brasil quando a série foi lançada). Aliás, seu sucesso atual é por conta da série realmente - ouvi muitos comentários positivos - que deve ser mais emocionante que o livro.

Geralmente o livro é melhor que o filme, mas aqui não parece ser o caso. Vale a leitura se você não for assistir a série, ou se quiser mesmo saber detalhes da história.

21 de julho de 2015

Amiga de Juventude

Editora Globo - Capa Mariana Newlands

O segundo livro da Alice Munro que eu li foi "Amiga de Juventude", título do primeiro conto dessa coletânea (e também disponível no kindle unlimited). 

Há muitos livros atuais cujas personagens principais tem 20 e poucos anos (ou menos) e fazem parecer que as mulheres de 30 anos, balzaquianas, ainda são as "velhas" da literatura. A vida é muito mais do que isso, certo? Ainda mais no século XXI. Por isso, é ótimo ver Alice Munro colocar em foco mulheres com mais de 40, 50, 60, vivendo e acontecendo. 

É incrível como ela descreve a vida e os conflitos das personagens com leveza, como se fosse um mergulho lento no universo pessoal de alguém, até você esquecer que o que está ali é só um pedacinho da história e ficar um pouco órfã no final. Há uma conclusão, é claro, mas depois de se aproximar tanto da personagem, é estranho quando acaba. Não é uma delícia ler histórias assim?  

26 de julho de 2010

A vida de Pi

Editora Rocco - Capa
Eu ainda lembro quando eu li a resenha desse livro em seu lançamento aqui no Brasil (em 2004), junto com a polêmica de ser um plágio do livro Max e os felinos de Moacyr Scliar, um autor brasileiro. O próprio Moacyr não considerou plágio, e restou só a discussão - detalhes que agora lembro por causa do google - eu mesma nunca li o livro brasileiro. Só fui ler esse agora porque foi um dos deixados para trás pela Fernanda antes de ir para a França - obrigada, fér!
A vida de Pi é sobre um indiano com o nome bizarro (Pi é apelido) de Piscine Martel, uma piscina pública da França, que seu tio, nadador, admirava. Ele nasceu hindu, mas ao longo da infância / adolescência se tornou ecumênico, segundo o próprio - plenamente hindu, cristão e muçulmano, o que é bizarro e interessante, mas ao longo do livro se perde.
Porque a trama principal mesmo é o fato de ele sofrer um naufrágio, junto com a família, quando eles estavam mudando para o Canadá. Na mudança, estão também animais do zoológico que o pai tinha, e foram vendidos para zoológicos da América do Norte. Do naufrágio, sobrevive num bote: o Pi, uma zebra, uma hiena, um orangotango e um tigre chamado Richard Parker. A hiena come a zebra, mata o orangotango. O tigre mata a hiena. E restam no bote somente o Pi e o Richard Parker - essa sobrevivência é a parte mais louca e interessante do livro. Um estudo humano realmente.
Mais do que a discussão inicial sobre religião e ecumenismo, a parte de zoologia e comportamento de animais em zoológicos foi o que mais me interessou. Não sei se tudo é acurado, mas algumas coisas sobre isso nem tinha me passado pela cabeça - por exemplo: o maior desafio do zoológico é diminuir a distância de "fuga" dos animais, porque cada um tem uma distância que considera segura para ficar perto do homem, que pode ser de 70, 100 metros. Imagina uma jaula desse tamanho! Ia sempre precisar de binóculo!
Agora, para aproveitar melhor o livro, precisa entender um pouco de embarcações, e o que é um bote salva vidas de navio - nada daqueles botinhos de plástico que a capa do livro tenta reproduzir. O autor descreve, mas talvez por falta de conhecimento prévio, eu não consegui visualizar mesmo do que se trata.
E sinceramente? Não quero nem ter oportunidade de descobrir!