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18 de dezembro de 2013

O fio das missangas

Editora Companhia das Letras - Capa Rita da Costa Aguiar

Mia Couto se aproxima um pouco do fantástico, um pouco do absurdo, mas sempre escrevendo sobre a humanidade de uma maneira bela e poética. No livro de contos "O fio das missangas", as pequenas histórias nos apresentam diversos personagens que poderiam ser distantes, ser próximos, ser nós mesmos.

Esse livro é para quem procura um pouco de poesia na prosa, momentos de leveza e momentos de densidade, com histórias que tocam a alma.

Deixo aqui uma citação em homenagem aos avós (do conto "O adiado avô", que é todo lindo):

"E vai ver que esse nosso neto nos vai fazer sermos nós, menos sós, mais avós."

19 de janeiro de 2012

Heartburn

Editora Vintage
Eu "descobri" Nora Ephron numa entrevista da revista Lola, mas se ela não é muito conhecida de nome, dificilmente você não assistiu algum filme dela, como Harry e Sally, Mensagem para você ou Julia e Julie. Eu gostei muito do papo dela e fui procurar seus livros, e escolhi Heartburn pelo título - que é intraduzível em português, já que significa "gastrite", "queimação", rementendo a comidas, mas sem o jogo de palavras do coração sendo machucado.

Sabe aquela amiga que não para de falar, vai emendando uma história na outra com muitos comentários paralelos para explicar esta ou aquela pessoa que vai surgindo, ou as emoções que ela está sentido? Esta é Rachel Samstat, que começou com uma coluna de jornal em que entrevistava pessoas e passava receitas delas, e tornou-se uma pequena "celebridade" com programa de TV e livros culinários na mesma linha, em que as receitas fazem parte de um contexto maior (neste, não é diferente, há diversas receitas no meio de parágrafos, a medida em que ela associa uma situação a um prato, como carne assada ou torta de limão).

O ponto de partida do livro é quando ela descobre que, grávida de 7 meses, o marido a está traindo desde praticamente o começo da gravidez (eles tem outro filho pequeno também). Então ela vai contando como tudo aconteceu, com flashbacks do namoro, do 1o casamento dela, de amigos, do trabalho, tudo numa linha contínua como um monólogo. Ela é engraçada e fala coisas muito inusitadas, então o livro não fica melancólico, embora a situação seja grave e ela esteja triste.

O livro é da década 80, então é interessante também ver referências a um mundo tão diferente em certos sentidos (em que grávidas tomavam drinks), mas não tão diferentes nas relações entre homem e mulher. Há muitas citações que eu gostaria de compartilhar aqui, mas eu vou colocar duas (longas, eu sei):

"Às vezes, eu acredito que o amor morre mas a esperança dura eternamente.
Às vezes, eu acredito que a esperança morre, mas o amor dura eternamente.
Às vezes, eu acredito que sexo mais culpa igual a amor,
e, às vezes, eu acredito que sexo mais culpa igual a sexo bom.
Às vezes, eu acredito que amor é tão natural como as marés,
e, às vezes, eu acredito que amor é um ato de vontade.
Às vezes, eu acredito que algumas pessoas são melhores no amor do que outras,
e, às vezes, eu acredito que todo mundo está fingindo.
Às vezes, eu acredito que amor é essencial,
e, às vezes, eu acredito que a única razão do amor ser essencial é que de outra forma você passaria toda sua vida procurando-o."

"Muito tem sido escrito recentemente sobre o fato de que homens não choram o suficiente. Chorar é tido como uma coisa desejável, um sinal de sensibilidade masculina madura, e acredita-se geralmente que quando meninos pequenos são ensinados que chorar não é coisa de homem, eles crescem incapazes de lidar com dor e angústia e desapontamento e sentimentos em geral. Eu gostaria de falar duas coisas sobre isso. A primeira é que eu sempre acreditei que chorar é uma atividade superestimada: mulheres fazem demais, e a última coisa que devemos querer é que isso se torne um excesso universal. A segunda coisa que eu quero dizer é: cuidado com homens que choram. É verdade que homens que choram são sensíveis aos e em contato com sentimentos, mas os únicos sentimentos que eles tendem a ser sensíveis a e em contato com são seus próprios."

Por fim, esse livro foi publicado recentemente no Brasil como "O Amor é Fogo", mas o filme adaptado do livro, com Meryl Streep e Jack Nicholson, chama-se "A difícil arte de amar" e é de 1986.

22 de dezembro de 2011

Desculpa se te chamo de amor

Editora Planeta - Capa Renata Milan
Sim, eu tenho minhas reservas. Coisas que eu não gosto. Ou não boto fé. Desconfio. Preconceito, se você quiser. Casos de Lolitas são justamente uma dessas coisas. Amor verdadeiro de um cara mais velho, meia-idade, e uma adolescente. 20 anos de diferença. E esse é justamente o tema do livro, que já avisa na contra-capa: E se for amor, amor de verdade?

ok, pode até ser amor de verdade, e tenho certeza que você, caro leitor, conhece alguém ou um amigo de alguém, ou a prima do amigo de alguém, que passou por uma história dessas e deu suuuper certo, então isso é possível e tal. Mas fazer o quê? Eu desconfio.

E não gosto dos clichês: adolescente linda, cheia de vida, animada, mas sentimentalmente madura para a idade; homem de meia idade, inteligente, com boa forma, bem sucedido, precisando de "vida", alguém que o relembre de como é se sentir pleno. E é claro que dá certo. Muito certo, em todas as áreas.

É verdade que eu comecei a ler esse livro com os dois pés atrás, mas acabei me decepcionando com outros detalhes também: como tramas paralelas dispensáveis, personagens caricatos demais, e uma tradução não lá muito boa (como se fosse literal, mas simplesmente não funciona em português. Algumas construções de frases pareciam bem estranhas).

Por outro lado, há vantagens também, como poder ler um romance contemporâneo italiano e ver como é um pouco da socidade (se alguém souber mais sobre o que se trata o tal exame de maturidade que eles fazem, contem aí - é um nome bem engraçado para um exame final de colegial) e da paisagem (descrições de Roma e algumas redondezas), e mais que isso, vale para ter a visão de um homem italiano - que, receio, atende a todos os esterótipos também, a ponto de ter a seguinte frase sobre uma noite do casal em Paris:

"E uma noite que perde os seus limites. E por fim até aquelas estrelas francesas devem admitir. Sim. É mais uma vitória. Os italianos o fazem melhor."

rá-rá-rá.

Bom, se você quiser saber um pouco mais sobre a história lendo outra crítica desfavorável (com a qual eu concordo), clique aqui. Sem mais.

13 de novembro de 2011

Middlemarch - Um estudo da vida provinciana

Editora Record
Eu adoro histórias da Inglaterra no século XVIII e XIX - por essa afirmação, entenda-se Jane Austen e Charles Dickens. Quando eu vi esse livro para vender, Middlemarch, um tijolo de quase 900 páginas de George Eliot, contemporâneo a esses meus escritores favoritos, por uma verdadeira pechincha (12 reais), não resisti a levar para casa e esperar que um momento oportuno de leitura se apresentasse.

Aí eu descobri que George Eliot era um pseudônimo de Mary Ann Evans e aumentei ainda mais minhas expectativas - em ler um romance delicioso. No entanto, ao começar a ler, fiquei decepcionada - um pouco pelo estilo da autora e um pouco pela tradução (palavras rebuscadas e antiquadas, frases longas, muitas tramas paralelas em que os personagens eram apresentados com muitos detalhes). Foi muito difícil encarar as primeiras 150 páginas, então deixei o livro de lado e achei Guerra dos Tronos, e só depois de superar a minha dependência direta aos livros de George. R. R. Martín, consegui voltar para esse tijolinho (que provou porque custava tão barato ao ir descolando da lombada por pura manipulação de leitura).

Depois o enredo me ganhou, sendo o estudo realmente das relações humanas de uma pequena vila, as interações sociais entre os diferentes tipos, e mesmo os relacionamentos conjugais que se apresentaram. O olhar de George Eliot é realmente mordaz para nos levar a realidade de uma sociedade que não mudou tanto assim em sua essência nos últimos 200 anos. (Mas confesso que considerei exageradas as descrições do conhecimento médico da época e da situação política, contudo sempre há quem se interesse!)

Eu gostei particularmente de algumas passagens sobre o comportamento feminino e conjugal, que eu anotei para compartilhar com vocês.

"Deste modo, os primeiros meses de casamento são com frequência tempos de tumulto crítico - seja num lago raso ou em águas profundas - que depois se acomodam no regozijo da paz."

Dorothea, ou Dodo é uma jovem viúva sem filhos. Celia é sua irmã, casada com Sir James, mãe de um bebê novinho, Arthur. Os próximos trechos se referem a momentos entre Dorothea e Celia, depois da primeira passar uma temporada com a segunda, que está absolutamente encantada por seu filho. 
"Depois de três meses, Freshitt se tornara um pouco opressiva: não daria certo sentar-se por várias horas do dia, como um modelo de Santa Catarina, a olhar em êxtase para o bebê de Celia, e manter-se em presença deste portento com desinteresse persistente era uma atitude que não iriam tolerar numa irmã sem filhos. Dorothea bem que seria capaz de carregá-lo alegremente por até mais de um quilômetro, caso houvesse necessidade, e de amá-lo com mais ternura ainda, tendo em vista o esforço; mas para uma tia que não reconhece como Buda seu sobrinho infante, e nada tem a fazer por ele, a não ser admirá-lo, o comportamento de um bebê pode parecer monótono, e o interesse em observá-lo, esgotável."

"Agora, Dodo, dizia Celia, ouça o que diz o James, porque senão você cai numa enrascada. Sempre o fez, e sempre o fará, quando resolve agir como lhe agrada. Acho que agora é afinal uma benção que tenha o James para pensar por você. Ele deixa você ter os seus planos, somente lhe impede de enredar-se neles. E esta é a vantagem de ter um cunhado ao invés de um marido. Um marido não deixaria você ter os seus planos."

Engraçado, não? Imagine-se num mundo desses!

29 de junho de 2011

O Pequeno Príncipe

Editora Agir
Se eu fosse miss, o meu livro favorito seria O Pequeno Príncipe. E o meu maior sonho, a paz mundial.

Mas como eu não sou, nem nunca fui, nem nunca serei miss, esse não é o meu livro favorito. (Ou por não ser meu livro favorito, eu não poderia ser miss?)

Esse livro foi escrito por Antoine Saint-Exupéry, que faria 111 anos hoje, e, no entanto, ele morreu jovem aos 43 anos num final digno de filme: o avião que pilotava durante operações na II Guerra Mundial desapareceu e até hoje seu corpo nunca foi encontrado (segundo a Wikipedia).

O seu livro "O Pequeno Príncipe" é um clássico, já foi traduzido para várias línguas (em edições que a minha amiga Fér coleciona) e ele fala sobre valores, sentimentos e relacionamentos universais: amizade e amor.

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

é uma das frases que eu sei de cor, até porque antes de ler esse livro, ainda criança, eu realmente não sabia o que cativar significava.

Esse livro pode ser lido e entendido por crianças e adultos, mas é claro que de maneiras diferentes. O que é uma cobra comendo um elefante simboliza outra coisa 20, 30 anos depois. Ele não é muito extenso e é o típico livro para reler várias vezes.

Entretanto, tamanho é o seu sucesso e sua infiltração na sociedade, que muitas frases são decoradas, impressas em cartões, dedicatórias, declarações e repetidas a exaustão mundo a fora. Eu acredito que isso o desgasta, e o torna, um pouco, lugar comum. (Ainda mais na onda de auto-ajuda que sofremos agora, cheio de frases prontas).

Muito animada pelos vários comentários do post anterior, resolvi aceitar a sugestão da querida Paulinha para falar desse autor através do seu livro, mas quero saber de vocês: o que vocês acham desse principezinho?

(E o próximo post vai ser finalmente de um livro que eu acabei de ler, ao contrário desses 2 últimos!)

22 de fevereiro de 2011

Vacaciones

Fonte: Ana Paula Barbi
Esse livro foi uma indicação ótima das garotas do Rodas de Notapé - através desse post aqui. O mais interessante é que ele pode ser baixado em pdf na internet pelo (atual) site da autora, Ana Paula Barbi: Ratito Mamita, o que eu fiz rapidamente - da web para o notebook, do note para o kindle.

Vacaciones (a arte de se divertir sempre que possível, ou como não levar a vida) é um livro composto por trechos do blog da Polly no período de 2004 e 2008, editado por uma turma de Produção Editorial da UFRJ. Nesse período, dos 21 aos 24 anos, ela morou em várias cidades do país, sempre com dinheiro curto e postando com muita sagacidade e bom humor o que acontecia na sua vida ou como ela estava se sentindo, com uma linguagem coloquial, como uma conversa mesmo (adorei os posts em que ela realmente transcreve diálogos com o amigo Didi, você vê tudo acontecendo!)

Realmente é um livro muito divertido, e inacreditável em alguns momentos. Mais inacreditável ainda se a sua vida é completamente diferente da dela, como a minha. Alguns trechos são chocantes seja pelo que ela viveu (imagina pedir carona para caminhoneiro e dar um jeito de não ser estuprada), pela linguagem (palavrões e algumas obscenidades, censura +/- 16 anos) ou pelas suas opiniões ácidas e sua filosofia de vida. No entanto, ela faz isso de uma maneira sarcástica, o que não deixa outra saída além de dar risada.

Os posts são cheios de referências pop e culturais recentes, e isso, juntamente com pertencer a mesma faixa etária da Ana Paula, aproxima muito o leitor jovem. Eu gostei de ver também que ela adora ler! E mesmo nos momentos mais complicados, ela sempre tinha seus livros.

Ela é do tipo de pessoa que você quer conhecer e parece acessível, certo? Então, quando eu acabei o livro hoje de manhã me perguntei: por que não? Como internet ajuda na cara de pau e email é de graça, eu enviei um para ela, para saber como andas, na maior camaradagem. O máximo que ela ia fazer era não responder, certo? Errado! Ela respondeu super rápido e eu fique super feliz de apresentar a primeira (mini) entrevista com o próprio autor nesse blog:

LNS: Atualmente, a sua única participação na internet é o site "Te dou um dado?"? O que você anda fazendo da vida?


Polly: Escrevo no TDUD? e para a Burn também. E é isso ae que to fazendo da vida.

LNS: No livro Vacaciones, assim que tudo fica bem, no período de 2006 - 2007 em São Paulo, você escreve menos no blog. Você acha que faz mais sentido escrever quando está se sentindo mal ou deprimida ou passando por algum problema? Compartilhar isso é mais fácil do que compartilhar alegrias?

Polly: Acho que não é questão de ser mais fácil compartilhar tristeza, mas de não ter mais a necessidade de compartilhar nada. Naquela época eu não tinha nem computador em casa, então se acontecia alguma coisa eu escrevia num papel e depois ia em alguma internet de graça postar. Hoje em dia se acontece alguma coisa eu twitto, sabe? Não vejo mais muito sentido em continuar tendo blog ~~~pessoal~~~

LNS: Se for verdade que você acha mais fácil escrever quando está "sofrendo", e o seu blog atual Ratito Mamita teve a última entrada em janeiro de 2010, a sua vida está muito-boa-obrigada agora?

Polly: tá bem boa sim, não tenho nada pra reclamar não, haha.

____________

Que ótimo para ela, né? Eu espero que ela continue escrevendo por aí, pois é algo que ela faz muito bem!

Bom, usando o kindle, eu postei alguns trechos pelo twitter:


Eu até tentei postar alguns outros, mas deu erro... De qualquer forma, o livro está aí inteirinho para vocês lerem e relerem, muito recomendo!! O site pede uma doação - legal, neám?

A Polly, quando o perrengue apertava, publicava o número da conta corrente e pedia doações - para comprar passagem, para ter onde dormir, para ir num show no aniversário dela. E o pessoal ajudava! Será que a boa vontade via web continua?

17 de dezembro de 2010

Toda a vida pela frente

Este livro é diferente já no primeiro parágrafo:


"A primeira coisa que eu posso dizer para vocês é que a gente morava no sexto andar por escada e que pra Madame Rosa, com aqueles quilos todos que carregava com ela e somente duas pernas, aquilo era uma verdadeira fonte de vida cotidiana, com todas as preocupações e sofrimentos. Ela sempre lembrava a gente disso, sempre que não estivesse reclamando de outra coisa, pois era igualmente judia. Não andava bem de saúde ainda por cima eposso lhes dizer também, desde o começo, que era uma mulher que merecia um elevador."

Quem conta a história é Momô, ou Maomé, filho de prostituta que é criada pela Madame Rosa, ex-mulher da vida, que cuida das crianças para que elas não sejam levadas pelo serviço social - e devidamente paga para tanto. Eles moram num suburbio em Paris e aí está uma vida muito menos glamourosa do que imaginamos na cidade luz.
Contada dessa forma infantil, sem uma educação propriamente dita, vamos vendo a vida através dos olhos de Momô, como uma colcha de recorte do que ele vê e o que os adultos dizem.
Além dessa prosa não convencional, que nos leva a pensar fora do óbvio, a história é muito bonita e sensível.
Não sei se esse livro é fácil de encontrar, a edição que eu li - essa da figura autografada pelo autor! (Emile Ajar é um pseudônimo de Romain Gary) - é de mais de 20 anos atrás. Quem me emprestou, é a querida Vivi, que era bem novinha quando ganhou esse livro. Quem encontrar, não deixe de ler.

5 de abril de 2010

O jogo do anjo

O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón, é meu livro, graças a Marcella, que me tirou ano passado no amigo secreto, e estava na prateleira, enquanto eu corria para ler e devolver vários livros emprestados.
Eu já tinha gostado do outro livro dele, A sombra do vento, e fiquei curiosa para ler esse, novamente em Barcelona, começo do século XX, anterior a história de Daniel Sempere, para aqueles que leram o outro romance. Dessa vez, um jovem escritor, David Martín, faz um pacto muito estranho que envolve escrever uma "fábula" que crie uma religião, em troca de dinheiro, e otras cositas más...
A história começa devagar, contextualizando, mas a medida em que o personagem se enrola na trama, ela vai ficando mais emocionante e agitada. Lá pelo meio do livro, aparece Isabella, uma garota (17 anos) muito esperta e determinada que se torna amiga de David, que gosta e quer ajudá-lo de verdade, e rende os melhores diálogos do livro (isso é um detalhe muito importante: o livro tem relativamente bastante diálogos, rápidos, ao contrário do que parece não é assim tão comum conversas em romances, ou pelo menos conversas em que os personagens não estão preocupados em fazer discursos enormes ou falar o óbvio).
Além disso, eu gosto muito do tipo de prosa e humor do autor, às vezes irônico, às vezes sarcástico, mas muito bem elaborado. Anotei algumas frases que eu mais gostei para compartilhar com vocês, queridos 12 leitores, e com eles eu encerro:
*
"E de passagem leia a Bíblia de cabo a rabo. É uma das maiores histórias jamais contadas. Não cometa o erro de confundir a palavra de Deus com a indústria do missal que dela vive."
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"Nada é justo. O máximo que se pode desejar é que seja lógico. A justiça é uma enfermidade rara num mundo que, de resto, é saudável como um carvalho."
*
" - Dizem que quase todos os advogados acalentam um desejo secreto de abandonar o exercício da profissão para serem escritores...
- ... até a hora em que comparam os venciomentos."
(para vc, ania!)
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"Apoiei a cabeça contra a janela e em alguns minutos o bonde arrancou com um sacolejo. Fechei os olhos e me abandonei a um desses cochilos que só se pode usufruir a bordo de algum engenho mecânico, o senho do homem moderno."
(isso eu conheço!!!!)
*
"Estou falando de um uma mulher de verdade, daquelas que fazem você ser aquilo que tem que ser."
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"Hora de bancar o gavião. De paquerar, ou, em linguagem científica, de arrastar a asa. Olhe, Sempere, por algum motivo estranho, séculos de suposta civilização nos conduziram a uma situação em que não podemos mais ir derruabando as mulheres nas esquinas ou propondo casamento sem mais nem menos. Primeiro é preciso fazer a corte."
*

"Entrei na livraria e aspirei aquele perfume de papel e magia que, inexplicavelmente, ninguém ainda tinha tido a ideia de engarrafar."
(se já engarrafaram, eu também quero!)