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24 de julho de 2025

O Perigo de estar lúcida

 

Editora Todavia


No segundo livro que eu leio da Rosa Montero, posso já dizer que eu sou fã da escritora? Gosto da maneira que ela mistura não ficção, ensaio, crônica, ficção e vai conversando com a gente sobre diversos assuntos. 

"O perigo de estar lúcida" é de 2022, e de maneira bem coerente com o mundo pós pandemia, discute loucura, lucidez, saúde mental e as relações humanas, claro.

Adorei.

25 de outubro de 2024

As Abandonadoras

 

Editora Zahar

Mães são tão valorizadas hoje em dia (e talvez por toda a história), que é difícil até conceber que algumas delas abandonam seus filhos espontaneamente. Neste livro, a jornalista (e mãe que não abandonou seus filhos) Begoña Gómez Urzaiz traz relatos sobre as pessoas reais e personagens fictícias que são "As abandonadoras".

O subtítulo do livro é mais esclarecedor: "Histórias sobre maternidade, criação e culpa", e nisso já embarca praticamente todas as mães modernas - ainda mais numa época de rede social propagandeando níveis surreais de maternidade para todos os lados (que a autora inclusive cita no livro). 

Eu gostei muito de ler o livro, compartilhei os "e se" da autora na vida dessas mulheres, imaginei eu mesma vivendo em outras épocas e lugares e, é claro, suspirei aliviada de ser uma mãe melhor. Eu estou aqui, não é?


14 de maio de 2023

A ridícula ideia de nunca mais te ver

 

Editora Todavia

Dá vontade de ler esse livro só pelo título inusitado: A ridícula ideia de nunca mais te ver - e não é algo assim que nos desperta alguns dos lutos da nossa vida?

Nesse livro, Rosa Montero fala sobre a morte do seu marido, e também sobre a vida da Marie Curie antes e depois do seu marido - e faz isso belamente, compartilhando dor, curiosidade e possibilidades. 

É um livro diferente, mas acessível para quem é acostumado a ler só ficção e quer se aventurar por diferentes paragens. 

10 de outubro de 2013

My Child Won't Eat

Editora Pinter & Martin

Na tal da blogosfera há informação sobre tudo, mas é legal quando você chega numa referência boa, e não fica considerando verdade o achismo de alguém. E numa dessas preocupações comuns de mãe (o que é normal? o que é normal?), descobri esse livro do médico espanhol Carlos González, "Meu filho não come - como aproveitar as horas das refeições sem preocupação".

Ele fala bastante sobre curvas de crescimento, ganho de peso, amamentação, introdução ao alimento, e, enfim, sobre como lidar com a alimentação do seu filho. Ele é defensor fervoroso da amamentação e de não introduzir alimentos até os 6 meses de idade, ou pelo menos não antes dos 4 meses (pena que isso pode ser muito difícil para mães que trabalham). Ele também derruba o mito de que se o seu filho não engorda com leite materno, ele vai engordar com comida. De uma maneira bem simples, ele vai explicando que o leite materno tem mais calorias que várias papinhas, que é normal a criança ir engordando menos por mês a medida que ela cresce (se ela engordasse sempre 20g por dia, aos 15 anos ela teria 100 quilos), e que tudo bem sua criança engordar pouco - o problema é quando realmente perde peso, por um período prolongado.

Além disso, o que eu gostei de ler foi algo bem óbvio: a criança não vai morrer de fome. Se for oferecido a ela alimento variado e saudável (principalmente saudável), a criança vai comer o que é necessário para ela - é o tal do instinto de sobrevivência. 

Não encontrei edições brasileiras desse livro, mas tem edições em espanhol e em inglês, eu li no kindle.

29 de dezembro de 2010

O Sári Vermelho

Essa é a biografia de Sonia Gandhi, italiana que se tornou parte de uma das famílias indianas mais poderosas do país e uma grande líder. De quebra, o livro conta toda a trajetória da família Nehru-Gandhi que governou a Indía praticamente por todo século XX a partir de sua independência.
Para começar, o Gandhi dessa família não tem nada a ver com o Mahatma, embora o patriarca, Nehru, tenha lutado pela independência junto com o líder pacifista. Lendo esse livro, entendemos como as mulheres, principalmente a sogra Indira Gandhi, tornaram-se líderes de uma sociedade aparentemente machista, mas que compreendia quase 1/5 da população mundial.
Sonia conheceu o filho de Indira, Rajiv, quando os dois estudavam na Inglaterra. Ela vinha de uma família simples do interior da Itália (Turim) que prosperou no ramo da construção. Ele era o filho tímido da primeira-ministra da Índia, que assumiu o posto depois da morte de seu pai, Nehru.
Por amor, Sonia mudou para a Índia e se tornou tanto quanto possível uma típica indiana, que na cozinha fazia lasanhas maravilhosas para toda família.
O mais interessante desse livro é mesmo a história política de um país subdesenvolvido, tão diferente do nosso, mas que está tão visado agora, no chamado BRIC (grupo de países emergentes com grande potencial de crescimento: Brasil, Rússia, Índia e China). Não é costume aprendermos sobre ele em nossas escolas, então esse livro, um romance do autor espanhol Javier Moro, ajuda muito nisso.
A foto da capa é de Sonia e seu marido Rajiv, mas para quem interessar, sugiro um passeio pela wikipedia em inglês, que tem mais fotos. (A versão em português é bem resumida - como tudo que sabemos da Índia aqui, pelo jeito).
Agradeço novamente a Vivi pelo empréstimo! E como eu gostei do livro, espero que isso a motive a arranjar tempo para ler também rapidinho!

5 de abril de 2010

O jogo do anjo

O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón, é meu livro, graças a Marcella, que me tirou ano passado no amigo secreto, e estava na prateleira, enquanto eu corria para ler e devolver vários livros emprestados.
Eu já tinha gostado do outro livro dele, A sombra do vento, e fiquei curiosa para ler esse, novamente em Barcelona, começo do século XX, anterior a história de Daniel Sempere, para aqueles que leram o outro romance. Dessa vez, um jovem escritor, David Martín, faz um pacto muito estranho que envolve escrever uma "fábula" que crie uma religião, em troca de dinheiro, e otras cositas más...
A história começa devagar, contextualizando, mas a medida em que o personagem se enrola na trama, ela vai ficando mais emocionante e agitada. Lá pelo meio do livro, aparece Isabella, uma garota (17 anos) muito esperta e determinada que se torna amiga de David, que gosta e quer ajudá-lo de verdade, e rende os melhores diálogos do livro (isso é um detalhe muito importante: o livro tem relativamente bastante diálogos, rápidos, ao contrário do que parece não é assim tão comum conversas em romances, ou pelo menos conversas em que os personagens não estão preocupados em fazer discursos enormes ou falar o óbvio).
Além disso, eu gosto muito do tipo de prosa e humor do autor, às vezes irônico, às vezes sarcástico, mas muito bem elaborado. Anotei algumas frases que eu mais gostei para compartilhar com vocês, queridos 12 leitores, e com eles eu encerro:
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"E de passagem leia a Bíblia de cabo a rabo. É uma das maiores histórias jamais contadas. Não cometa o erro de confundir a palavra de Deus com a indústria do missal que dela vive."
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"Nada é justo. O máximo que se pode desejar é que seja lógico. A justiça é uma enfermidade rara num mundo que, de resto, é saudável como um carvalho."
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" - Dizem que quase todos os advogados acalentam um desejo secreto de abandonar o exercício da profissão para serem escritores...
- ... até a hora em que comparam os venciomentos."
(para vc, ania!)
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"Apoiei a cabeça contra a janela e em alguns minutos o bonde arrancou com um sacolejo. Fechei os olhos e me abandonei a um desses cochilos que só se pode usufruir a bordo de algum engenho mecânico, o senho do homem moderno."
(isso eu conheço!!!!)
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"Estou falando de um uma mulher de verdade, daquelas que fazem você ser aquilo que tem que ser."
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"Hora de bancar o gavião. De paquerar, ou, em linguagem científica, de arrastar a asa. Olhe, Sempere, por algum motivo estranho, séculos de suposta civilização nos conduziram a uma situação em que não podemos mais ir derruabando as mulheres nas esquinas ou propondo casamento sem mais nem menos. Primeiro é preciso fazer a corte."
*

"Entrei na livraria e aspirei aquele perfume de papel e magia que, inexplicavelmente, ninguém ainda tinha tido a ideia de engarrafar."
(se já engarrafaram, eu também quero!)