O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón, é meu livro, graças a Marcella, que me tirou ano passado no amigo secreto, e estava na prateleira, enquanto eu corria para ler e devolver vários livros emprestados.
Eu já tinha gostado do outro livro dele, A sombra do vento, e fiquei curiosa para ler esse, novamente em Barcelona, começo do século XX, anterior a história de Daniel Sempere, para aqueles que leram o outro romance. Dessa vez, um jovem escritor, David Martín, faz um pacto muito estranho que envolve escrever uma "fábula" que crie uma religião, em troca de dinheiro, e otras cositas más...
A história começa devagar, contextualizando, mas a medida em que o personagem se enrola na trama, ela vai ficando mais emocionante e agitada. Lá pelo meio do livro, aparece Isabella, uma garota (17 anos) muito esperta e determinada que se torna amiga de David, que gosta e quer ajudá-lo de verdade, e rende os melhores diálogos do livro (isso é um detalhe muito importante: o livro tem relativamente bastante diálogos, rápidos, ao contrário do que parece não é assim tão comum conversas em romances, ou pelo menos conversas em que os personagens não estão preocupados em fazer discursos enormes ou falar o óbvio).
Além disso, eu gosto muito do tipo de prosa e humor do autor, às vezes irônico, às vezes sarcástico, mas muito bem elaborado. Anotei algumas frases que eu mais gostei para compartilhar com vocês, queridos 12 leitores, e com eles eu encerro:
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"E de passagem leia a Bíblia de cabo a rabo. É uma das maiores histórias jamais contadas. Não cometa o erro de confundir a palavra de Deus com a indústria do missal que dela vive."
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"Nada é justo. O máximo que se pode desejar é que seja lógico. A justiça é uma enfermidade rara num mundo que, de resto, é saudável como um carvalho."
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" - Dizem que quase todos os advogados acalentam um desejo secreto de abandonar o exercício da profissão para serem escritores...
- ... até a hora em que comparam os venciomentos."
(para vc, ania!)
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"Apoiei a cabeça contra a janela e em alguns minutos o bonde arrancou com um sacolejo. Fechei os olhos e me abandonei a um desses cochilos que só se pode usufruir a bordo de algum engenho mecânico, o senho do homem moderno."
(isso eu conheço!!!!)
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"Estou falando de um uma mulher de verdade, daquelas que fazem você ser aquilo que tem que ser."
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"Hora de bancar o gavião. De paquerar, ou, em linguagem científica, de arrastar a asa. Olhe, Sempere, por algum motivo estranho, séculos de suposta civilização nos conduziram a uma situação em que não podemos mais ir derruabando as mulheres nas esquinas ou propondo casamento sem mais nem menos. Primeiro é preciso fazer a corte."
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"Entrei na livraria e aspirei aquele perfume de papel e magia que, inexplicavelmente, ninguém ainda tinha tido a ideia de engarrafar."
(se já engarrafaram, eu também quero!)