Mostrando postagens com marcador maternidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador maternidade. Mostrar todas as postagens

25 de outubro de 2024

As Abandonadoras

 

Editora Zahar

Mães são tão valorizadas hoje em dia (e talvez por toda a história), que é difícil até conceber que algumas delas abandonam seus filhos espontaneamente. Neste livro, a jornalista (e mãe que não abandonou seus filhos) Begoña Gómez Urzaiz traz relatos sobre as pessoas reais e personagens fictícias que são "As abandonadoras".

O subtítulo do livro é mais esclarecedor: "Histórias sobre maternidade, criação e culpa", e nisso já embarca praticamente todas as mães modernas - ainda mais numa época de rede social propagandeando níveis surreais de maternidade para todos os lados (que a autora inclusive cita no livro). 

Eu gostei muito de ler o livro, compartilhei os "e se" da autora na vida dessas mulheres, imaginei eu mesma vivendo em outras épocas e lugares e, é claro, suspirei aliviada de ser uma mãe melhor. Eu estou aqui, não é?


4 de julho de 2023

This must be the place

 

Editora Tinder Press

Maggie O'Farrell escreve brilhantemente sobre maternidade, e "This must be the place" é uma das provas disso. Uma história com personagens complexos, em que vamos viajando através do tempo e espaço com os personagens e nos emaranhando no que é a vida real de uma maneira belamente literária. 

6 de junho de 2022

Mom & Me & Mom

 

Editora Random House


Maya Angelou escreveu um livro maravilhoso sobre sua mãe, sua relação com ela, e como tudo isso afetou sua própria maternidade e também sua maturidade na vida adulta. Recomendo: Mamãe & eu & Mamãe para todo mundo. 

4 de junho de 2021

Sight

 

Editora John Murray

"Sight" é um livro sobre maternidade, mas não somente sobre ter filhos, mas também sobre ser filha, ser mãe e se relacionar com a mãe. É um livro denso, profundamente sensível e honesto, que eu gostei muito de ter lido, e que eu gostaria de ter lido enquanto minha mãe era viva, e que ela lesse também.

A autora Jessie Greengrass também fala sobre a história da medicina - a criação da máquina de raio X, que permite ver dentro do corpo, o desenvolvimento da psicanálise - ver dentro da mente, e o desenvolvimento das cirurgias - em que se abre para ver o interior.

Assim, o título "Visão" trata do literal da medicina e também de como nos vemos e como vemos àqueles mais próximos de nós - as mães, as filhas, as avós, e como é difícil realmente ver se ser vista. 




12 de setembro de 2018

O mito da mãe perfeita

Editora vida Melhor - Capa Rafael Brum

Ao ler o título desse livro: "O mito da mãe perfeita", você pode pensar assim: "sim! eu sempre soube que se trata de um mito! não dá mesmo para fazer tudo!" e passar adiante, mas você pode ler o livro - que é fácil e rápido - e aquecer o seu coração ao ver histórias de outras mães, que pregam o "não julgamento", o apoio mútuo e uma forma mais leve de maternar.

Karen Ehman e Ruth Schwenk apresentam "Dez coisas sobre a maternidade das quais você precisa desapegar", e algumas você já pode ter desapegado, outras estão mais arraigadas ou você está trabalhando com elas na etapa de "negação", mas eu tenho certeza que vão ressoar fundo na sua vida e levá-la a pensar diferente. Elas não escrevem para um tipo de mãe (que trabalha fora / que fica em casa / nova / mais velha / com filho único / com muitos filhos / casada / solteira), mas para todas as mães que estão buscando ser a melhor (perfeita, pronto, eu disse) mãe para seus filhos (-as, -o, -a).

As autoras são cristãs e falam de Deus na criação dos filhos. Confesso que é um pouco mais fácil ser mãe quando você sabe que não é superpoderosa, mas tem alguém superpoderoso cuidando deles pessoalmente - e é essa perspectiva que elas apresentam ao longo do livro. Mas também há menção há estudos científicos e experiências de vida delas, de amigos e conhecidos. 

Elas tem blog ativo na internet, e especialmente o da Ruth Schwenk tem sido fonte de inspiração, alento e consolo para mim recentemente: www.bettermom.com, dá para programar para receber os textos em inglês diretamente no seu e-mail.

Eu realmente adorei esse livro (que eu li digital), e fiquei tão empolgada com ele que comprei mais cópias para presentear minhas amigas.

20 de abril de 2018

Crianças Dinamarquesas

Editora Schwarcz - Capa Jess Morphew
Eu gosto muito de ler sobre educação infantil - é uma forma de me educar para ser mãe, já que não é algo que se aprenda na escola. Há muitas fontes de informação para "parentar": a sua própria intuição, a inspiração dos seus próprios pais - ou de outros que foram observados, além dos pares e as infinitas conversas com outras mães. Mas eu gosto de ler algo mais estruturado, às vezes até científico. E quando eu identifico com algo - algo que eu possa dizer: isso! eu quero fazer isso! nisso eu acredito! - eu fico extremamente feliz.

Recentemente, o livro Crianças Dinamarquesas me deixou super feliz - algo tão razoável, tão coerente - com recomendações que eu já sigo, e outras que eu quero seguir. Logo no começo do livro, eu já comecei a falar dele para minhas amigas, e eu recomendo de coração para todos nessa jornada de serem os melhores pais possíveis. É CLARO que nem todo mundo vai concordar com tudo, ou vai querer fazer tudo, mas as autoras já consideram essa possibilidade, não é uma doutrinação que elas buscam - só o fato de dar a informação e permitir que haja discussão de possibilidades diferentes, já há um enriquecimento de vida.

As autoras Jessica Joelle Alexander e Ibsen Dissing Sandahl são amigas, uma jornalista e outra psicóloga, uma dinamarquesa e outra norte-americana, e resolveram escrever o livro depois de começarem a discutir a possibilidade do segredo da felicidade do povo dinamarquês ser a criação dos filhos - quando elas próprias já eram mães. Houve um trabalho de pesquisa, houve uma estruturação da teoria, e há referências científicas de pesquisas em outros lugares do mundo, embora a maioria das referências seja realmente dinamarquesa.

Como eu já disse, a leitura vale. Não é um texto vazio para vender livros com base num bom slogan ("o que as pessoas mais felizes do mundo sabem sobre criar filhos confiantes e capazes), mas realmente um bom trabalho de pesquisa e estruturação que pode enriquecer bastante a vida dos pais por aí.

13 de agosto de 2017

Mulheres Visíveis, Mães Invisíveis

Editora Best Seller - Capa Marianne Lépine

O livro mais famoso da "Laura Gutman" é "A Maternidade e o encontro com a própria sombra" que, convenhamos, é algo que parece um pouco esotérico e muito alternativo. Eu sou mais pé no chão, praticidade e objetivo. No entanto, já ouvi mais de uma pessoa falando bem desse livro, então entrou na lista de interesses.

Contudo, o que cruzou o meu caminho primeiro - por estar no unlimited da amazon - foi "Mulheres visíveis, mães invisíveis", que é um coletânea de textos da mesma autora. Li tudo, fiquei encantada, fiquei admirada, estou recomendando por aí.

Não é um tratado sobre maternidade, mas a Laura Gutman vai abordando cada aspecto desse assunto, principalmente na época de bebês e crianças pequenas. Ela é radical - no sentido de pregar uma maternidade que praticamente não existe mais e pode parecer um tanto irreal nesse mundo moderno de mãe que trabalha fora, mas é uma maternidade que já existiu em algumas comunidades. 

Ela defende que a mãe dá conta do bebê. Ela carrega ele para cima e para baixo, amamenta quando precisa, faz dormir quando precisa, dorme junto, dá carinho, dedica-se totalmente a ele. O bebê irá se desenvolver saudável e seguro.

O que a mãe não dá conta - de fazer comida para ela mesma, lavar roupa, limpar a casa - tem "a comunidade de apoio": as avós, as irmãs, as vizinhas, outras mães, que vão assumir essas tarefas para que a mãe se dedique ao bebê, amparada. 

A mãe também precisa de um suporte emocional para lidar com as mudanças que estão acontecendo na sua vida, e no fato de ter uma pessoinha que a suga física e emocionalmente. Essa comunidade feminina originalmente também vai ajudar nesse sentido, por meio de conversas, presença e carinho.

Essa abordagem é na contra mão da independência e auto-suficiência feminina / materna. Parece que pedir ajuda é admitir-se imperfeita, quando todo mundo por aí apregoa um papel de super mãe / super mulher. Eu acho que a mulher dá conta de ser mãe - mas pela minha experiência, é uma mãe muito melhor se pode contar com a ajuda tanto para o básico de sobrevivência e manutenção da ordem doméstica (sem esquecer de licença maternidade real do trabalho) - e eu sou grata pelo apoio incondicional da minha mãe nesse aspecto.

A Laura Gutman também fala um pouco sobre paternidade, ressaltando como o papel do pai mudou e tem mudado. Com a diminuição da unidade familiar - sem essa comunidade feminina de apoio - caiu tudo nas costas do pai / marido (quando presente): a cobrança para ajudar com o bebê, com a casa, com o sustento financeiro, e com o apoio emocional para a mãe, que pode estar a ponto de surtar com essa nova situação de vida. É muita coisa para o pai moderno, assim como tudo isso também é muita coisa para a mãe moderna (e solo). 

Nós - mulheres e homens modernos - precisamos caminhar para uma situação familiar e comunitária em que todo mundo participe e que fique equilibrado e confortável - tanto do ponto de vista físico como emocional. Para isso, não existe uma receita de bolo - porque cada situação de adultos com filhos é diferente - mas cada um deve mesmo refletir sobre o seu papel nesse círculo de relacionamentos e agir para chegar juntos numa harmonia, que não é pesada para ninguém.

21 de fevereiro de 2017

A mamãe é rock

Editora BelasLetras - Capa Celso Orlandin Jr.

Na mesma toada do O Papai é Pop, Ana Cardoso, a esposa do Marcos Piangers também fez um livro de crônicas sobre sua maternidade real - "A Mamãe é Rock". A sinopse, ao meu ver, já diz tudo:

"Aqueles que leram O papai é pop estão convidados a conhecer o lado mais in/tenso da experiência. A mamãe é rock é um recorte sem filtro dos divertidos e comoventes malabarismos que um casal moderno faz todos os dias para criar suas filhas."

Embora os pais estejam cada dia mais ativos na criação dos filhos, ocupando seu papel de pai e não de "ajudante da mãe" como dizem por aí, não dá para negar que as mães, talvez até por sua capacidade multitarefa ou por se identificarem / se preocuparem com seu papel de mãe 100% do tempo, vivenciam o lado mais intenso e mais tenso do "parenting" (ou maternidade / paternidade).

Eu gostei de ver o outro lado dessa família (não que família tenha só dois lados), às vezes ver como a história na boca de um e na boca de outro fica diferente - não que alguém esteja mentindo, mas são perspectivas diferentes. 

A Ana Cardoso logo no prefácio já se prepara para o clássico julgamento entre mães, com a frase: "Para as mães, espero que se identifiquem ou que, ao menos, entendam melhor o meu subgrupo." E depois de ler o livro todo, eu acho que faço parte do subgrupo dela mesmo, hahahaha, ou algo bem ali perto. Ana, quer ser minha amiga?


19 de fevereiro de 2017

O Papai é Pop

Editora BelasLetras - Capa Celso Orlandin Jr.

Meu marido me mostrou um vídeo sobre paternidade do Marcos Piangers (ele é pop mesmo, está no facebook, na globo, no TED, talvez você já o tenha visto por aí), e lá pelas tantas ele disse que publicou um livro e o lucro vai para crianças carentes, porque ele não precisa ficar rico. Eu já gosto de comprar livro - se é de alguém legal e ainda vai ajudar alguém, não precisa falar duas vezes. Eu comprei na hora o ebook na Amazon "O Papai é Pop", super baratinho, e li mais rapidinho ainda.

O livro é ótimo, bem humorado, com passagens sensíveis, de alguém criado pela mãe sem conhecer o pai, mas que quer ser o melhor pai possível para suas duas filhas, Anita e Aurora. Lendo o livro, dá para entender que a família valoriza mesmo o ficar junto, a diversão em família, e não ficar rico mesmo. É um sopro de ar fresco nesse mundo que anda tão consumista, e com o coração colocado em lugares tão errados. É centralizar de volta no que realmente importa, a família, seus valores, e não na correria e na cobrança de alcançar sempre mais. De uma maneira bem divertida. 

3 de maio de 2016

Quarto

Editora Verus - Capa André S. Tavares da Silva e Fearn Cutler de Vicq

Emma Donoghue escreveu um livro impressionante e impactante, daqueles de prender a atenção e dar pesadelos depois: "Quarto", A história é tão boa, que, transformada em filme - O Quarto de Jack - foi nomeado e ganhou prêmios importantes (embora isso (livro bom - filme bom) claramente não seja uma regra). 

A narrativa é do ponto de vista de Jack, que nascido no cárcere privado em que sua mãe é mantida, nunca viu "o mundo lá fora", e realmente achava que nada existia - o que passa na TV é "de mentirinha". Sua mãe fez o melhor que podia nas suas circunstâncias, já que, o filho dela, (tadinha), não veio com manual de instruções para situações difíceis.

Eu mesma mãe de crianças pequenas me impressiono sempre como somos nós (pais, educadores, adultos ao redor) que construímos o universo da criança, explicando e interpretando o que ela vê, o que é dito, o que acontece e até o que ela sente. São inúmeros os "por que aconteceu isso?", "por que você disse isso?", "por que ela fez aquilo?", e cada resposta é um tijolinho na realidade daquela pessoa pequena. Para ser confirmado, desconstruído, derrubado e refeito ao longo da vida, mas sendo formado mesmo assim.

Eu gosto da literatura que nos leva ao extremo da realidade - e se acontecesse esse absurdo? - e coloca gente de verdade ali - não heróis perfeitos, mas pessoas que procuram fazer o seu melhor, e possuem fraquezas, medos e erram. Gosto de ver uma mãe que tenta proteger ao máximo o filho, fazer o melhor por ele, mas não é a mãe perfeita sempre, porque ninguém é. E não deixa de ser fantástica por isso.

24 de janeiro de 2016

Faça acontecer - Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar

Editora Companhia das Letras - Capa Peter Mendelsund

Se eu pudesse recomendar um livro para toda garota no colegial ou na faculdade seria esse: Faça Acontecer, de Sheryl Sandberg. É um livro realmente bom, com bastante embasamento em pesquisas científicas e, claro, na experiência da autora, chefe de operações (CFO) do Facebook - e considerada uma das mulheres mais poderosas do mundo hoje. Ou para ser justa, uma das pessoas mais poderosas do mundo hoje. (Esse é um dos tópicos do livro: por que "mulher" tem que ser qualitativo diferencial de alguém no mundo profissional?)

Sheryl diz, e eu concordo, que nem todas mulheres querem trabalhar fora quando tiverem filhos, ou terem posições de liderança ou carreiras executivas. Mas esse livro é para aquelas que querem, e acabam desistindo no meio do caminho. Ou são desestimuladas pelas circunstâncias. Ou para entender porque pode ser tão difícil competir com os homens em pé de igualdade - já que pé de igualdade não há na maioria dos casos. 

Ela, por exemplo, tem dois filhos e tirou licenças maternidades bem curtas. Eu não faria isso, e ela não vende isso como "ideal" - Sheryl defende sim que toda mulher deve poder escolher o que fazer com sua vida e sua carreira, pensando no melhor para ela e para sua família. Ela menciona por exemplo a mãe, que não trabalhava fora, mas se envolvia em programas beneficentes e ajudava centenas de pessoas - voluntário, não remunerado, mas trabalho e também deveria ser valorizado - acredito que a maioria das mães que ficam em casa acabam se envolvendo com programas assim, em instituições de caridade ou igrejas, e fazendo a diferença não só em suas casas. Ela também menciona o valor do trabalho de educar a próxima geração e quem se dedica exclusivamente para isso. Acredito que todas as opções tem seu valor e devem ser respeitadas - mas esse livro, claro, é principalmente para as mulheres, antes e depois de serem mães, que decidiram trabalhar fora - e eu me encaixo nessa categoria.

Posto isso, a parte que eu mais gostei para lidar com a culpa de ser mãe e profissional (e Sheryl vai mais longe e trata também das culpas que toda mulher carrega, independente de ser mãe) são as pesquisas citadas sobre os efeitos de ter os dois pais que trabalham fora sobre os filhos. Numa das notas de rodapés, é mencionado:

 "Um estudo no Reino Unido com 11 mil crianças revelou que as crianças que demonstravam os níveis mais altos de bem-estar pertenciam a lares onde os dois genitores trabalhavam fora. Tendo como variáveis o grau de instrução maternal e o rendimento doméstico, os filhos de famílias nos quais o casal trabalhava fora, especialmente as meninas, apresentaram o menor número de problemas de comportamento, como hiperatividade ou sentimentos de tristeza e preocupação. Ver Anne Mc Munn et al., "Maternal Employment and Child Socio-Emotional Behaviour in the UK: Longitudinal Evidence form the UK Millennium Cohort Study", Journal of Epidemiology & Community Health 66, no 7 (2012): 1-6".

Também fala-se que em 1975 uma mãe que não trabalhava fora dedicava cerca de 11 horas por semana aos cuidados específicos com as crianças - como contar histórias, brincar, etc. Hoje, as mães que trabalham fora dedicam esse mesmo tempo. Ou seja, há uma mudança cultural de valorização da criança, e mesmo as mães que trabalham fora tem dado mais ênfase a isso.

Embora eu tenha abordado aqui a mãe que trabalha, vale a pena ler o livro para quem está só começando na carreira. Há dicas importantes de postura, abordagem, e mesmo direcionamento do que fazer. Sheryl Sanderberg é privilegiada pela sua inteligência, sua formação, suas oportunidades de trabalho que a levaram tão longe, e até pelo marido que a apoiava demais (e infelizmente faleceu no ano passado). Nem todo mundo vai ter a vida dela - ou disposição para se dedicar e trabalhar o tanto que ela trabalha ("o facebook está disponível 24 horas por dia, e virtualmente eu também" - ela disse), mas o livro abre a mente para infinitas possibilidades - mesmo para homens que vão lidar com mulheres como suas chefes, pares e subordinadas.