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12 de setembro de 2025

Mentiras em que as meninas acreditam e a verdade que as liberta

 

Editora Vida Nova

É só um livro cristão dos Estados Unidos fazer sucesso que vão surgir inúmeras variações. Aqui, a obra original é "Mentiras em que as mulheres acreditam e a verdade que as liberta", de Nancy Leigh DeMoss, do ano 2000. Vinte e cinco anos depois, já temos mentiras sobre homens, garotos, garotas, meninos, meninas...

É um bom livro: muito claro, com atividades para interação e momentos claros que falam: vai contar isso para a sua mãe! (e, adivinhem, um livro específico para as mães ajudarem as crianças a lerem esse livro). (não comprei nem um nem outro, li no kindle unlimited).

Em um dos capítulos, que fala sobre a mentira de ter mais liberdade, a autora justifica que as meninas precisam primeiro de mais responsabilidade, afinal, com 14 anos antigamente já se casava... Mas no capítulo sobre namoro, fala que não é para namorar porque se é muito novo - ou seja, o mesmo argumento não vale. (Não sou a favor de namoro para meninas de 8 a 12 anos, a quem esse livro é destinado, mas não gosto de argumentos fracos sobre esse assunto).

O outro ponto é que eu achei bem radical a regra de aplicar a todo entretenimento em Filipenses 4.8. Eu acredito que deve existir limites, claro, mas vai sobrar pouca coisa no mundo se aplicarmos as regras que a autora sugere:

- Não tem nenhuma inverdade, como ensinar sobre evolução ou dizer que Deus não é real.

- Não tem cenas, letra ou situações que fazem coisas coisas ruins, como beber ou usar drogas, parecer atraentes

- Seus pais diriam que não tem problema você assistir ou ouvir (A única regra que deve valer, na minha opinião)

- As pessoas se vestem e falam com recato.

- Não deixa em sua mente pensamentos ou imagens feias ou violentas.

- Você mostraria para seus pais, seu pastor, seus professores e outros.

- Foi criado com cuidado e a ajudou a usar a imaginação.

- Você recomendaria para outros.

Claro que, provavelmente, a ideia seja levar a não assistir por nografia, mas vai pelo ralo quase tudo.

Assim, eu estou considerando ler com minhas filhas, acho que tem muitas lições valiosas, mas tem realmente esses dois poréns.

14 de maio de 2020

Os 4 temperamentos na educação dos filhos

Editora Kirion - Capa Gabriela Haeitmann

Italo Marsili é um psiquiatra que, recentemente, tornou-se celebridade de instagram, com mensagens de encorajamento e comportamentais. Um coach? Um consultor? Um terapeuta? Pode ser tudo isso, e, se você já o ouviu falar, sabe também que adora uma polêmica.

Nesse livro: Os 4 temperamentos na educação dos filhos, não há polêmica, não há política, só realmente uma apresentação sobre os temperamentos e aplicações práticas na educação dos filhos (nisso ele está fazendo PhD: já são 6). No final do livro, ele também menciona a sua teoria das camadas (eu já o tinha ouvido muito falar sobre isso, mas nunca tinha visto um estruturação formal). 

Depois que eu acabei de ler esse livro, vi uma resenha que diz que é a transcrição de um curso, então justifica um pouco o formato de algumas partes da obra, em que alguns temperamentos recebem mais detalhes que os outros, e que a linha de raciocínio não é a mesma para todos - característico de uma fala oral. 

Como eu já disse, o final do livro fala sobre personalidade e a teoria das camadas, e o começo do livro apresenta uma filosofia sobre os temperamentos, e ambas eu não achei tão interessantes. No entanto, o "miolo", a parte em que são apresentados os temperamentos e as implicações práticas, são realmente muito boas. Consegui ver as minhas filhas em alguns perfis, e entender melhor como lidar com cada uma delas - algo que eu já intuía e ele confirmou, ou então dicas muito boas. 

Há considerações específicas sobre as interações, por exemplo, pais de um temperamento e filhos de outro, como deve ser o caso geralmente. Gosto também da abordagem dele sobre educação que envolve a formação do caráter, de um ser humano responsável e livre. Não é disciplina autoritária, nem educação livre, me parece um meio do caminho que sempre me interessou.

Ele também apresenta alguns pontos sobre espiritualidade, e, embora não defenda nenhuma religião, ele é católico e é possível ver esse viés nos exemplos dados, mesmo sem atrapalhar o texto para aqueles que professam outros pontos.

Assim, eu recomendo o livro, reforçando essa diferença entre autor e obra, que nem sempre pode ser feita (em termos de polêmica), mas aqui realmente independe.

8 de abril de 2020

Raising Worry-Free Girls

Editora Bethany House
"Raising Worry-Free Girls" parece ser um livro bem específico - como educar meninas que não sejam preocupadas - e é mesmo, embora os conhecimentos podem ser aplicados para outras pessoas (como adultos e meninos).

No entanto, a autora Sissy Goff explica que viu um aumento muito grande de crianças ansiosas nos últimos anos em seu consultório, e que a maioria delas é menina. A partir disso, veio a ideia do livro, de dar orientações específicas para esse público.

Eu gostei muito da abordagem - é explicado o contexto, como se manifesta a ansiedade, e abordagens de curto, médio e longo prazo dependendo da situação (e de como a preocupação ou a ansiedade se manifesta ), assim como indicação de quando é necessário uma ajuda profissional, e as vantagens de ter um acompanhamento externo a família.

A autora também é muito cuidadosa com as preocupações dos pais que estão lendo esse livro, que estão querendo "resolver" uma situação que não é simples e geralmente não é incluída naqueles cursos de "como cuidar do seu bebê". Aliás, como há muito mais a se aprender para ser a mãe que a gente quer ser, além de trocar fralda e fazer refeições nutritivas, né?

31 de janeiro de 2020

O cérebro da criança

Editora nVersos - Capa Misa Erder

Eu realmente gostei bastante do livro "O cérebro da Criança", tanto que eu gostaria de recomendar a todos os pais de crianças pequenas por aí. Com esse título que parece científico ou técnico, e escrito por um médico professor de psiquiatria, o Dr. Daniel J. Siegel, e uma psicoterapeuta, Tina Payne Bryson, é surpreendentemente simples. Os conceitos são explicados com clareza e há inclusive "histórias em quadrinhos" para que você explique os conceitos para as crianças.

É tão interessante ver que a educação é tratada como parceria entre o adulto e a criança, uma relação a ser trabalhada de maneira muito intencional. Tudo é tratado de maneira muito prática também, com dicas bem específicas, e não cheio de teorias difíceis de aplicar.

Acredito que é um dos melhores livros de educação para se ler logo após a criança fazer uns 2 anos, e ter ali na cabeceira para consultar sempre que necessário.

30 de dezembro de 2019

Be Frank with me

Editora Corvus

Esse livro eu escolhi pelo título: Be Frank with me, um trocadilho com o nome do personagem principal, Frank, uma criança excêntrica, filho de uma escritora excêntrica. Acho ótimo histórias que trazem um pouco do absurdo (verossímeis ou não) para um pouco mais perto de nós.

Esse livro foi escrito pela Julia Claiborne Johnson e não foi publicado no Brasil, só em Portugal com o título: "Quem não sonha voar, Alice?". É um livro fácil e com a quantidade de certa de eventos e revira-voltas para não ficar maçante e nem tão exagerado.

Há um "problema principal" que é resolvido de maneira bem criativa, e outros probleminhas com indicação de solução, mas eu fiquei incomodada com a falta de solução para o Frank especificamente. Por sua excentricidade, com características de autismo de alto desempenho, ele não se encaixa na escola, e lá pelas tantas é dito que ele já passou por várias escolas e foi convidado a se retirar. Eu acho esse assunto triste e complexo e fiquei um pouco decepcionada do livro não aborda-lo melhor - com uma indicação de solução que seja. Claro que Frank não é um menino real que precisa ser integrado e ter um cuidado específico, mas acredito que seria uma maneira de atingir pessoas que possam ter conhecidos, familiares ou amigos, nessa situação.


4 de maio de 2019

Garra

Editora Intrínseca

Eu vi uma palestra da Angela Duckworth sobre o seu conceito de "Garra" e achei muito interessante, e coloquei o livro na minha lista de leituras. Esse assunto é o tema da sua vida: "O poder da Paixão e da Perseverança", o que quer dizer que ela, como psicóloga, direcionou sua vida de estudos (pós gradução, doutorado) para levantar dados sobre o que é necessário para suceder na sua área de atuação, e ela identificou esse conceito de "Garra".

Ela própria é um bem sucedido exemplo de Garra, como mostra ter sido agraciada pela bolsa "MacArthur" normalmente dadas para "gênios" em seus campos de estudo.

Este é um dos livros de "auto-ajuda" mais consistentes que eu já li, pois não só apresenta o conceito, as instruções para atingir o conceito, alguns "cases" explicativos, mas também muitas pesquisas científicas que a Angela Duckworth fez ou que usou para endossar sua tese (de que Garra é o "segredo" do sucesso). Sendo cientista, ela explica exatamente a relevância de suas pesquisas, ou o que não tem relevância científica, como "o que é necessário para criar filhos que tenham Garra". Nessa época que muita gente afirma qualquer coisa em se preocupar em mostrar evidências reais, esse livro é um bálsamo racional.

Eu recomendo para todos aqueles que querem aprender mais sobre motivação, como atingir objetivos e também, apesar das limitações científicas, quem quer educar crianças que desempenhem bem o que quiserem fazer.



20 de abril de 2018

Crianças Dinamarquesas

Editora Schwarcz - Capa Jess Morphew
Eu gosto muito de ler sobre educação infantil - é uma forma de me educar para ser mãe, já que não é algo que se aprenda na escola. Há muitas fontes de informação para "parentar": a sua própria intuição, a inspiração dos seus próprios pais - ou de outros que foram observados, além dos pares e as infinitas conversas com outras mães. Mas eu gosto de ler algo mais estruturado, às vezes até científico. E quando eu identifico com algo - algo que eu possa dizer: isso! eu quero fazer isso! nisso eu acredito! - eu fico extremamente feliz.

Recentemente, o livro Crianças Dinamarquesas me deixou super feliz - algo tão razoável, tão coerente - com recomendações que eu já sigo, e outras que eu quero seguir. Logo no começo do livro, eu já comecei a falar dele para minhas amigas, e eu recomendo de coração para todos nessa jornada de serem os melhores pais possíveis. É CLARO que nem todo mundo vai concordar com tudo, ou vai querer fazer tudo, mas as autoras já consideram essa possibilidade, não é uma doutrinação que elas buscam - só o fato de dar a informação e permitir que haja discussão de possibilidades diferentes, já há um enriquecimento de vida.

As autoras Jessica Joelle Alexander e Ibsen Dissing Sandahl são amigas, uma jornalista e outra psicóloga, uma dinamarquesa e outra norte-americana, e resolveram escrever o livro depois de começarem a discutir a possibilidade do segredo da felicidade do povo dinamarquês ser a criação dos filhos - quando elas próprias já eram mães. Houve um trabalho de pesquisa, houve uma estruturação da teoria, e há referências científicas de pesquisas em outros lugares do mundo, embora a maioria das referências seja realmente dinamarquesa.

Como eu já disse, a leitura vale. Não é um texto vazio para vender livros com base num bom slogan ("o que as pessoas mais felizes do mundo sabem sobre criar filhos confiantes e capazes), mas realmente um bom trabalho de pesquisa e estruturação que pode enriquecer bastante a vida dos pais por aí.

17 de março de 2018

As bruxas

Editora WMF Martins Fontes - Capa Kátia Harumi Terasaka

O filme "A Convenção das Bruxas" fez parte da minha infância e por muito tempo essa foi a minha definição de bruxas (até Harry Potter, claro).

Então, ler esse livro agora foi uma delícia: lembrar da infância, imaginar lê-lo com as minhas filhas (no futuro, não recomendo para menos de 7 anos) e descobrir outro livro ótimo do Roald Dahl. 

Como é gostoso ler um bom livro infantil - com muitas páginas, poucas ilustrações, e ainda assim para crianças, e para viajar junto com essa história muito louca. 

24 de novembro de 2017

A criança de 5 a 10 anos

Editora Zahar - Capa Sérgio Campante

Eu acho curioso que se estuda muito no período da gestação - como lidar com a gravidez, como lidar com um bebê, mas daí por diante, a literatura oferecida diminui bastante - assim como a disponibilidade para ler, obviamente.

Com a minha filha mais velha prestes a fazer 5 anos, achei interessante achar o livro "A criança de 5 a 10 anos" numa promoção. O livro foi escrito por um pediatra do Reino Unido, Abrahão H. Brafman, contando sobre a etapa de desenvolvimento da criança e sua experiência no consultório. Lá, as criança entram na escola propriamente dita com essa idade (seria o equivalente a mudança de ir para o 1o ano do fundamental), então a criança tem mais contato social, o tempo na escola aumenta, e sua interação com os pais muda.

O que eu aprendi com esse livro é a importância de manter o diálogo aberto desde já. Ele disse que a criança tende a diminuir a conversa com os pais, principalmente se ela sente que será criticada ou se não está recebendo atenção e consideração - quando o pai não está realmente interessado no que aconteceu com a criança, ou se quer resolver o que ela pergunta sem se preocupar com o que ela está pensando e sentindo. Dessa forma, acredito que essa fase é importante para diminuir o impacto para a transição para a adolescência, que é uma crise por si só, mas provavelmente deve ser muito mais difícil manter o diálogo se antes ele já era mínimo.


21 de dezembro de 2016

Stopping Stress before It Stops You: A Game Plan for Every Mom

Editora Revell

Eu me interessei pelo título e por ser voltado para mães, mas Stopping Stress Before It Stops You foi escrito na década de 80 e realmente aparenta isso, está completamente datado.

Há bom senso com relação a priorizar atividades, ter momentos de folga, e na indicação de que o relacionamento dos pais é a base de uma família saudável.

E embora haja um capítulo focado em mães solteiras (que realmente aguentam uma barra), o autor Kevin Leman ainda advoca que a mãe fique em casa com os filhos, para diminuir o stress de todos os envolvidos (há inclusive uma seção chamada Você realmente precisa daquela jacuzzi? Hahahaha).

Os meninos da Rua Paulo

Editora Cosac-Naify - Foto da Capa Tony Linck - Time Life Pictures / Getty Images

Os meninos da rua Paulo de Ferenc Molnar é um livro curtinho, quase conto, assim tão belo e singular. É um livro sobre guerra, uma disputa de território - entre duas facções de rua - o que inclui, claro, coragem e honra, mas tratam-se de crianças. Não adolescentes ainda. Não homens ainda. Crianças.

Nós podemos lembrar dessa ocasião de nossas vidas. Quando é importante a posse , o status, o fazer parte de um grupo. E nós podemos lembrar de sentir, mais do que saber, que todo mundo é igual, apesar disso.

Realmente, um livro belo e singular.

17 de julho de 2016

Limites sem Trauma

Editora Record - Capa Leonardo Iaccarino

Eu realmente gostei da filosofia educacional da Tania Zagury, equilibrada e coerente, por isso recomendo mesmo seus livros (alguns estão no kindle unilimited). "Limites sem trauma - Construindo cidadãos" explora o tema de como criar e defender os limites para as crianças, tão necessários, sem apelar para o famoso cantinho do pensamento ou mesmo para as também famosas palmadas. 

Tania Zagury é adepta principalmente de um reforço positivo, mas é claro que sem exageros - sem apelar a toda hora para presentes comprados ou uma chantagem (se você fizer isso, ganha isso, se você me obedecer, eu te dou isso), que torna tanto o pai como a criança reféns do negócio.

Sinceramente, eu gosto realmente de ouvir a minha filha de 3 anos dizer: "mãe, não fala brava comigo, fica feliz, eu vou obedecer você", porque ela está aprendendo que os sentimentos das pessoas ao redor é o que há de mais importante nos relacionamentos.

4 de fevereiro de 2016

Criando Meninas

Editora Fundamento - Capa Commcepta Design

O livro "Criando Meninas" foi escrito pela psicóloga Gisela Preuschoff, e tem algumas perguntas interessantes na capa: "Por que elas ainda são frágeis?  Como as meninas aprendem? Quando se transformam em mulheres?". Escrito em 2004, parece algo ainda mais antigo, e bem baseado em experiências pessoais - "quando eu era criança...", "aconteceu isso com a uma amiga...", embora sejam citados alguns estudos científicos.

Uma das respostas é que os pais realmente tratam as meninas diferentes - permitem que elas desistam antes, não consideram elas realmente capazes como um garoto da mesma idade, e tendem as proteger de desafios, principalmente corporais. 

Preschoff procura tratar de vários temas relacionados a criação das meninas, as brincadeiras, a vaidade, a adolescência, a puberdade e namoro. Mas nada com muita profundidade, e contando muita "historinha", o que pode ser interessante, claro, mas não que se aplica a você e sua família.

De qualquer forma, há algumas dicas interessantes, por exemplo, como lidar com a chegada de um outro filho - sendo a menina a mais velha, e tendo um irmão ou irmã, ou vice versa. Nada muito profundo, mas indicando para tomar cuidado para não declaradamente preferir o menino a menina (porque pode criar problemas de feminilidade nessa última), ou não incentivar, mesmo não intencionalmente, uma disputa entre duas irmãs.

A parte que eu mais gostei, na verdade, é quando a autora critica a opinião de um outro psicólogo, Steve Biddulph, que é contra deixar as crianças aos cuidados de outros: "Mas, Steve Biddulph é um homem. Ele não sabe o que significa, na prática, ficar a sós com um bebê ou uma criança pequena, todo santo dia, em casa, porque ele exerce uma profissão privilegiada, exatamente como eu."

Acredito que esse livro é só para quem realmente gosta do tema, não achei ele distintivo o suficiente de um senso comum.

21 de maio de 2015

Filhos: manual de instruções para pais das gerações X e Y

Editora Record

Para uma engenheira, nada como um livro que usa a expressão: "manual de instruções", ou seja, propõe-se claro e objetivo. Tania Zagury não decepciona com o seu livro "Filhos: manual de instruções para pais das gerações X e Y", ou seja, para nós, agora aos 30 e poucos anos, colocando gente no mundo.

Ela logo explica que depois de uma fase super autoritária e por consequência uma fase muito permissiva, essa geração sabe o que não fazer (não bater, não deixar tudo), mas ficou meio perdida com relação a como então educar e criar limites. Para propor alternativas, Zagury é bem direta: para os tópicos principais de educação ("alimentação", "escola", "birra", etc), ela explica quais as vantagens e motivos para atuar, e o que fazer. Em tópicos, senhoras e senhores, em tópicos! Sem blá blá blá. 

A autora não promete milagres, nada como a super nanny que resolve tudo em 3 dias. Com relação a birra, por exemplo, suas estimativas vão de 3 semanas a 3 meses, dependendo da criança - e dos pais, claro. É um manual de instruções, que entende que cada família tem um modelo diferente em casa - mas semelhante o suficiente para que o método funcione. Esta, é claro, é a promessa dela baseada em sua experiência como educadora.

Eu realmente gostei do livro, da filosofia da autora, e usarei como livro de referência.

16 de setembro de 2014

Crianças francesas não fazem manha

Editora Objetiva
Pamela Druckerman é uma norte-americana que casou com um inglês e foi morar na França. Quando eles resolvem ter filhos, é nesse país que eles serão criados, então ela começa a estudar a diferença da paternidade / maternidade em um local e no outro, mais especificamente, os Estados Unidos (o pai é a parte engraçada da história, parece que tudo que ele quer é não esquentar muito a cabeça - que só pensa no futebol holandês - piada interna, irresistível).

As comparações começam a partir da gestação, e principalmente do parto - e aí a questão não é normal x cesárea (o que é o debate aqui no Brasil, e que eu não vou discutir), e sim parto com (França) e sem (EUA) anestesia. Outro mundo realmente.

Depois, há vários comentários sobre a criação de filhos, e não é basicamente um livro de auto-ajuda, com dicas e fórmulas (embora elas existem), mas a autora mergulha nas diferentes concepções da criação de filhos nos dois países, voltando na história dos dois países com relação a criação de filhos (ou vocês pensam que os direitos das crianças começaram há quatro mil anos?) (ok, ela volta só uns 200 anos).

Confesso que me identifiquei muito mais com o jeito francês de pensar sobre a criação de filhos - o jeito norte-americano (e, suspeito, brasileiro) é a criação de pequenos reis e rainhas, que não só podem tudo, como merecem tudo. Entretanto, simplesmente não dá para ser francesa fora da França - lá todas as circunstâncias, da família aos amigos a escola, tudo "conspira" para um posicionamento dos pais e das crianças diferente. Mesmo assim, é ótimo conhecer uma filosofia diferente de criação - baseada na "descoberta", na liberdade com limites, e claro, na valorização da mãe como um ser humano diferente e também merecedor de cuidados e atenção, principalmente de si mesma.