20 de junho de 2026

Mil navios para Troia

 

Editora Jangada

As tragédias gregas marcaram tanto nossa civilização ocidental, que é impressionante lembrar que não lemos os originais (Odisseia, Ilíada, e outros autores gregos da mesma época), mas sabemos tanto dessa cultura e de alguns personagens.

Aí, quando temos recontos como "Mil Navios para Troia" de Natalie Haynes, é uma ótima oportunidade não só para conhecer mais um pouco do que já sabemos como apreciar uma expansão do que não ficou relatado, como a versão das mulheres, foco desse livro.

Realmente o que mais me impressionou, afinal, foi o Epílogo em que a autora fala sobre suas fontes, e o que ela acha sobre uma visão machista dos "heróis" das histórias. Coloca o livro todo numa perspectiva boa.

Discutimos esse leitura no clube do livro do meu trabalho e cada pessoa trouxe algo que impressionou em relação às personagens - e como a Penélope é a personagem mais chata porque ela só fala sobre o Odisseu e não sobre ela. 

Que venha o filme (Odisseia, Christopher Nolan) nesse mês de julho!


13 de junho de 2026

Uma igreja chamada tov

 

Editora Mundo Cristão

O livro "Uma Igreja chamada Tov" é uma resposta a diversos escândalos de pastores nos Estados Unidos - de mega igrejas e igrejas não tão megas - que resolveram se defender e negar acusações em caso de denúncias de más condutas. 

Os autores, Scot McKinght (Teólogo) e Laura Barringer (sua filha), abordam diretamente as questões - citando reportagens e entrevistas pessoais com envolvidos, principalmente da Willow Creek que ela frequentava. Mas eles também são propositivos: descrevem o que uma igreja "tov" ou "boa" poderia ser e como a liderança deve agir, de maneira bíblica, para ser uma igreja da maneira que Deus pensou.

Li outros livros mais fáceis de aplicar aqui no Brasil para liderança e igreja, mas talvez seja uma boa fonte para se pensar em mega igrejas aqui no Brasil também.

7 de junho de 2026

Cláudia Vera Feliz Natal

 

Editora Todavia

Mariana Salomão Carrara é advogada da Defensoria Pública e escreve "nas férias" como ela mesmo diz, mas, seus últimos livros - de uma maturidade literária admirável - passeiam por diversos temas - infância, plantações de tabaco, amizades e luto. Só agora ela traz para o foco sua área de formação, através do narrador que é um juiz - alocado nas pequenas cidades do interior do Mato Grosso: Cláudia, Vera, Feliz Natal, que formam o título desse livro recém lançado.

É uma história de homem branco triste - que geralmente me cansa - mas essa tem humor, sensibilidade e abre uma janela para todo um mundo que eu desconhecia, tão perto aqui do nosso quintal, mas mesmo assim tão distante.

Gostei muito e recomendo.

5 de junho de 2026

Uma vida pequena

 

Editora Record

Cheguei no hype: li as quase 800 páginas de Uma Vida Pequena, de Hanya Yanagihara. 

Um livro sofrido. Dolorido. Mais sofrido. Quando você acha que não dá para piorar - até porque as circunstâncias parecem estar melhorando - dá sim. Piora.

Saúde mental é assim mesmo: não linear, que não é lógico, não resolve o que já passou, só se aprende a lidar.

Achei muito sofrido e não recomendo.

Mas o que eu gostei menos (e aqui tem spoiler) é que uma história de amizade virou romance. Eu gosto muito de livros de amizades, e acredito que amizade é um dos relacionamentos mais bonitos da vida, e não entendo essa desvalorização que às vezes acontece. Como se ela não pudesse bastar por si só e precisa virar um relacionamento amoroso. Claro que aqui foi uma escolha da autora, fez todo sentido, mas eu estou gostando mais de ver amizades redentoras, amizades interessantes, amizades amorosas. Amizades tudo de bom. Fiquei aqui meu pequeno protesto. 

4 de junho de 2026

A ilha das árvores perdidas

 

Editora Harper Collins

Eu já tinha lido outro livro da Elif Shafak antes, mas esse parece escrito por outra pessoa e também é muito bom. Mais suave, traz eventos da história do Chipre e choques culturais entre turcos, gregos e ingleses.

Além disso, temos a voz da Figueira e muitas informações sobre árvores e biologia.

Eu, que adoro árvores, amei "A Ilha das Árvores Perdidas" e estou recomendando por aí.


2 de junho de 2026

Veríssimas

 

Editora Objetiva

É a primeira vez que eu leio um livro de citações - e todas do mesmo autor, o Luís Fernando Veríssimo. O Jornalista Marcelo Dunlop organizou em ordem alfabética frases marcantes - as Veríssimas - e mostrou como (quase) tudo continua bem atual. Tem desenhos e quadrinhos também. Uma leitura leve, como deveria ser.

Paraíso

 

Editora Companhia das Letras

Paraíso é o segundo livro que eu li do prêmio Nobel Abdulrazak Gurnah e, na minha humilde opinião, é realmente o mais legal. Embora seja um livro de 300 páginas, flui bem, tanto o estilo como a história. No clube de leitura da Livraria da Travessa, rendeu bastante a conversa, com visões diferentes e tantos personagens e aspectos para comentar.

É incrível como conhecemos tão pouco da África - essa costa leste com negros, árabes, indianos, principalmente, tão culturalmente rica. Recomendo muito!