16 de maio de 2021

Eugênia e os Robôs

 

Editora Rocco

Eugênia é uma garota genial, como o nome diz, mas não é boa em se relacionar com outras pessoas, o que a deixa sem amigos. Então ela cria três robôs (com referências a Asimov!), e numa jogada do ensino fica só com eles no mundo. Há uma moral aí, já que se trata de um livro infanto-juvenil, mas acredito que o melhor é colocar uma personagem feminina nessa posição de cientista e engenheira.

"Eugênia e os robôs" é um bom livro de Janaina Tokitaka, que eu recomendo para crianças a partir de 8 anos, embora a minha filha de 6 anos acompanhou bem. 

15 de maio de 2021

Hercule Poirot - the complete short stories

 

Editora Harper Collins

As histórias podem ser curtas, mas o livro que contém todos contos de Hercule Poirot, da Agatha Christie, é um tijolinho, quase mil páginas.

Não é maravilhoso que a autora de seu personagem preferido tenha escrito tanto sobre ele?

O livro no kindle ainda é bem baratinho - a edição está em inglês - e vale muito a pena.

9 de maio de 2021

A anatomia de uma dor

 

Editora Vida

Uma das perguntas mais difíceis da vida é justamente sobre a morte. Como lidar?

A religião, a filosofia, a ciência, a psicologia buscam respostas e explicações, mas talvez elas sejam mais efetivas em trazer consolo e suporte para aqueles que ficam, do que propriamente respostas.

No livro "A Anatomia de uma dor", C. S. Lewis fala sobre o seu próprio luto ao perder a esposa Joy, e como um dos maiores teólogos do século XX, a caminhada vale a pena. 


3 de maio de 2021

Peter Pan

 

Editora Martin Claret

Quem não conhece Peter Pan?

Mas aí a pergunta pertinente: você conhece o Peter Pan da Disney ou do J. M. Barrie?

Peter Pan faz parte da cultura da nossa sociedade, em filmes, outros livros, referências psicológicas ou conversas entre amigos. Então eu achava que eu realmente conhecia Peter Pan, mas só agora que eu li o livro original mesmo.

Não que o Peter Pan seja muito diferente do que conhecemos, mas conhecer o J.M. Barrie foi uma grata surpresa. Eu adoro narradores que fazem comentários e conversam com os leitores e ele é assim - ainda com uma dose de sarcasmo bem pertinente.

É interessante como ele lida com o papel da mãe e do pai, do homem e da mulher, então dá boas discussões. Também é ótima toda a realidade que ele inventa - um meio caminho entre brincadeira de faz de conta e mundo real.

Por fim, eu li alto para as minhas filhas de 6 e 8 anos, e elas curtiram, mas o vocabulário é bem requintado - então precisava parar com uma certa frequência para explicar o que é "ficar a mercê", "olhar cobiçoso", "letargia", "convicção", "desejo soturno", ou então porque Peter esqueceu dos amigos depois de algum tempo, ou porque algumas mães fecham as janelas...


1 de maio de 2021

A Falência

 

Editora Companhia das Letras

Como é diferente um livro escrito por mulher!

Depois de ler várias obras de José de Alencar e Machado de Assis, é possível ter um retrato da sociedade urbana carioca do final do século XIX, mas aí vem Júlia Lopes de Almeida e descortina todo um panorama: a rotina da casa, os servos, a educação das crianças, o simples andar na rua de um bairro pobre. Um olhar para as personagens femininas menos idealista e mais humano.

A falência vai falar de Teodoro, o dono da empresa que vai falir, mas as mulheres brilham ao logo de toda trajetória: a esposa, a filha adolescente, as filhas pequenas, a babá / ama / serva, a sobrinha, as tias velhas solteironas, a serva das tias velhas.

Há também algumas situações e observações que resistem ao teste do tempo e fazem sentido até hoje, como essa frase que soou fundo para mim:

"A pulsação do seu sangue alvoroçado dava-lhe a percepção fantástica de que o Brasil seria arrastado vertiginosamente pela maldade de uns, a ignorância de outros e a ambição de todos, em voragens abertas pela política amaldiçoada."

Até quando?

23 de abril de 2021

Queenie

 

Editora Orion Publishing

Na plataforma Goodreads, é dito que Queenie é uma encontro entre o Diário de Bridget Jones e Americanah, e esta pode ser uma boa dica do tom do livro, mas não dá para resumir nisso.

Queenie, nossa personagem principal na casa dos 20 anos, descobre que sofreu um aborto (apesar do DIU). O seu namorado está pedindo um tempo para pensar na vida - que inclui ela sair da casa em que eles moram juntos. Inicia-se uma crise de proporções épicas, e começam a sair todos os monstros da caixa - problemas no emprego, de identidade, relacionamentos com a família, com as amigas, com os homens - que poderia acontecer com qualquer mulher o mundo, mas, colocando a questão racial e todos os seus desdobramentos por cima, é de arregalar os olhos e sofrer junto.

É mais denso que a literatura chick lit normal - está mais na linha da Marian Keyes - mas é bom ter histórias assim que mostram o que as mulheres de diferentes tons tem de igual, e o que tem de diferente e o como a balança pesa para as mulheres negras, de qualquer condição social. 


9 de abril de 2021

The Vanishing Act of Esme Lennox

Eu sou fã de carteirinha da Maggie O'Farrell, então estou nessa jornada de ler todos os livros que ela escreveu e, entre eles, O ato de sumiço de Esme Lennox, que não tem disponível em português. O estilo da autora está lá, histórias começando em paralelo, que se cruzam e entre o passado e o presente a trama vai se desenrolando, segredos são revelados e você passa a entender mais os personagens. Há passagens chocantes (principalmente do ponto de vista psicológico), e uma visão interessante da psiquiatria no meio do século passado. Recomendo para quem gosta de tramas com boa densidade de personagens.