14 de setembro de 2020

Kindred Spirits

 

Editora Macmillans Kids UK

Rainbow Rowell apresenta em Kindred Spirits uma história muito bem construída para seu curto tamanho. Personagens carismáticos e uma situação inusitada - uma fila iniciada 3 dias antes da estreia do Star Wars. Uma delicinha de ler de uma só vez.

13 de setembro de 2020

O Amanhã não está a venda

 

Editora Companhia das Letras

Ailton Krenak é um filósofo e escritor indígena que está aparecendo cada vez mais na mídia e trazendo mais luz para a cultura e a história indígena em terras brasileiras. 

O seu livro "O Amanhã não está a venda" tem apenas 22 páginas e é uma reflexão sobre o relacionamento do homem com a natureza - uma provocação e um vislumbre de uma cultura tão diferente da nossa. 

Para pensar.


Úrsula

Edições Câmara

Maria Firmina dos Reis é uma mulher bastarda negra do século XIX que fez história - no sentido de pessoalmente ter feitos atos notórios historicamente - mais de 100 anos depois. Um deles é a publicação desse livro, Úrsula, ainda enquanto era viva. (Outros estão relacionados a sua atuação como professora e diretora escolar.)

Nesse livro, lemos a história de Úrsula, nos moldes românticos da época - amor de morrer por, o vilão, o mocinho, as paisagens bucólicas, o decoro e a religião. Mas com posicionamentos claramente abolicionistas - não há como não se impressionar que os relatos sobre a vida, o sofrimento e a dor dos escravos estavam sendo narrados por alguém que viu tudo de perto. 

Interessante também é que esse livro foi publicado pela Câmara dos Deputados, junto com capas bonitas que aumentam o interesse pela leitura (mesmo do livro digital). Eu peguei de graça numa promoção da Amazon, mas este e outros livros clássicos estão disponíveis para venda também no site da Câmara

5 de setembro de 2020

Aqui Estou

Editora Alfaguara

 Jonathan Safran Foer é o autor de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, fonte do filme lindo com o Tom Hanks. Conhecendo esse precedente, e intrigada pelo título "Aqui Estou" que remete ao Antigo Testamento da Bíblia, comprei e li esse livro - enorme - e só permaneci na empreitada por pura determinação.

O livro se escorre, não engrena, junta muita coisa, e ficamos ali perdidos, no meio de tanta trama, tantos personagens, tanto tempo. Há algumas ideias realmente boas - como o terremoto em Israel e os desdobramentos - ou os jogos virtuais do filho do protagonista, mas ficou cheio demais, realmente passou do ponto.

Mas se alguém quiser conversar sobre essa possibilidade futura do Oriente Médio, aceito interlocutores.


 

25 de agosto de 2020

A Morte de Ivan Ilitch

 

Editora L&PM Pocket 

Leon Tolstoi é um gênio.

Não é preciso ler as centenas de páginas de Guerra e Paz para ver isso, basta ler esse pequeno livrinho chamado A Morte de Ivan Ilitch, e ver a profundidade e complexidade humanda que o Tolstoi traz para a literatura.

Está ali o doente na proximidade da morte sem saber lidar com sua finitude. Está ali a esposa preocupada com a burocracia da morte. Está ali a filha mais preocupada com a vida a ser vivida.

É uma obra de arte que nos inquieta e nos pergunta: como é viver na iminência da morte, nossa ou do outro? 

Não há respostas fáceis.


9 de agosto de 2020

O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam

 

Editora Record

Vocês não concordam que livros com títulos longos são uma ousadia por si só? É claramente uma declaração do autor que aí vem algo fora do comum - para o bem ou para o mal - mas acredito que na maioria das vezes para o bem. (Afinal, autores de obras mais ou menos irão tentar títulos o mais comerciais possíveis).

Agora, no caso desse livro de Evandro Affonso Ferreira, ganhador do prêmio Jabuti, sabemos que a ousadia é bem fundamentada. "O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam" nos leva para o mundo dos moradores de rua, ouvindo o tal personagem principal falar sobre sua vida, sua expectativa da volta da amada, seus companheiros e tudo o que ele vê ali. Tão tangível pelas palavras da obra, que é possível quase ver, ouvir, cheirar, sentir tudo o que está acontecendo (principalmente se você conhece um pouco dos arredores da Santa Casa em São Paulo, que é onde a história se passa).

Esse livro faz parte do programa do unlimited - no qual se encontram mais livros comerciais do que literatura contemporânea por assim se dizer - mas vejam só, é possível.


2 de agosto de 2020

O Fim da História

 

Editora José Olympio

Em "O Fim da História", acompanhamos o relato em primeira pessoa de romance que a personagem teve anos atrás, que durou pouco e a deixou arrasada. A escrita da história não é linear, e a personagem já comenta o fato de que a sua própria organização das memórias já modifica o que aconteceu, e a sua situação atual (muitos anos depois, em um relacionamento estável, geograficamente distante) também interfere no que ela está contando.

Então, a graça da história não é o que aconteceu mas como está sendo relatado e revivido pela narradora. É o tipo de personagem que dá vontade de entrar em diálogo, e questionar suas decisões de vida, aquela amiga que precisa de uma intervenção urgente, hahaha. 

Lydia Davis aparenta ser uma mestre em narração e alma feminina... Com certeza gostaria de ler outros livros dela.