6 de novembro de 2018

The 7 habits of Highly Effective People

Editora RosettaBooks - Capa Alexia Garaventa

Para mim, "Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes" era um clássico da auto-ajuda do século passado. Interessante, mas não diferente de qualquer livro sobre o tópico voltado para o trabalho e a carreira. No entanto, eu realmente me surpreendi.

O autor Stephen R. Covey deixa claro que o livro foi feito após muita pesquisa e muita prática de consultoria. Ele repete reiteradas vezes que não está inventando estratégias ou hábitos, mas está compilando o que ele vê que funciona - e muita coisa não parece original mesmo, que eu já vi em treinamentos, palestras ou outros livros mais recentes que esse. Também não se trata de algo limitado ao trabalho, ou como se comportar relativo ao seu trabalho, é uma mudança pessoal que pode afetar todas as áreas da sua vida.

É realmente uma proposta de mudança profunda, bem fundamentada e coerente para cada pessoa, que obviamente não é fácil. Nessa edição especial de 25 anos, há uma entrevista com o autor um pouco antes do seu falecimento em que ele diz que ainda, todos os dias, tenta dominar os 7 hábitos, principalmente aqueles que são mais difíceis para ele - e que isso depende de pessoa para pessoa. Mesmo se parecer uma empreitada muito complicada, há dicas valiosas no livro, que podem ser usadas independente de seguir todos os 7 hábitos.

Eu terminei a leitura muito impactada pelo conteúdo e consegui fazer algumas mudanças na vida. Gostaria de fazer outras, claro, mas tudo tem seu tempo certo...




3 de novembro de 2018

As Vinhas da Ira

Editora Record - Capa Victor Burton

Eu comecei a ler As Vinhas da Ira, e parei. Achei descritivo demais, e não me parecia o momento. Voltei a ele por determinação de atingir a meta de leitura dos livros mais queridos da pesquisa da BBC - e como valeu a pena!

O livro é incrível, forte, impressionante.

Apresenta um momento histórico dos Estados Unidos que eu não conhecia: a migração humana dos camponeses substituídos por máquinas no centro-sul, para a colheita das frutas na Califórnia. É algo como uma desgraça social tão grande, tão revoltante, que não é possível ficar passivo. O drama humano foi tão belamente retratado por John Steinbeck, que solidarizar-se mesmo com personagens sem nomes (tem a vó, o vô) é compulsivo.

Falando assim, parece um pouco com Vidas Secas, mas o estilo dos autores é diferente e no livro do Steinbeck mais coisas acontecem - há também o choque da chegada ao lugar a que eles se dirigiam.

Esse livro deve ser leitura obrigatória nos Estados Unidos, por ser um clássico, e aqui também o poderia ser. Ele está disponível no kindle unlimited!

31 de outubro de 2018

A Estrela mais Brilhante do Céu

Editora Bertrand Brasil - Capa Carolina Vaz

Marian Keyes nunca decepciona, gente.

No livro "A Estrela mais Brilhante do Céu", o ponto de partida é um personagem - espírito? força? energia? - que observa os moradores de um prédio, de uma forma quase onisciente, conseguindo não só ver o que eles fazem assim como também o que eles estão pensando, e uns vislumbres de passado e futuro. Esse personagem indica que tem um prazo a cumprir, uma decisão a fazer, e a medida em que as tramas dos personagens se desenrolam, também vamos entendendo um pouco mais desse personagem misterioso (mas ele faz parte do gran finale mesmo!).

Eu li esse livro de mais de 500 páginas em 3 dias, porque não dá para parar de ler. É muito envolvente, ir conhecendo as pessoas que parecem reais, seus relacionamentos e seus dramas. Marian Keyes sempre traz um tema pesado a baila, e esse livro não é diferente, mas ele não tinge de preto todo o livro, embora seja sensível e relevante.

É muito difícil Marian Keyes em promoção, mas podem gastar a mais, sempre vale a pena.


28 de outubro de 2018

Olive Kitteridge

Editora Simon & Schuster

Olive Kitteridge ganhou o Pulitzer em 2009 e já é uma série da HBO, que eu não assisti, mas adorei o livro. São vários contos que circulam em torno de um longo período de tempo, cada um focando em uma pessoa dessa cidadezinha no interior dos Estados Unidos, mas principalmente a personagem título.

Uma amiga não gostou desse livro, achou chato mesmo, mas ele focar o cotidiano, o trivial, personagens mais velhos - nada de muita ação ou grandes romances por aqui, faça dessa obra de Elizabeth Strout pouco atrativa.

No entanto, eu amei os dramas humanos, principalmente os ligados ao envelhecimento. De certa forma, já me sinto na 2a metade da vida, e esse livro me fez pensar muito sobre o que eu espero que aconteça no futuro. Sinto que, às vezes, os nossos planos de adolescência se resumem a se formar numa profissão, casar, ter filhos (esses grandes eventos) e pouco pensamos sobre o que vai ser o dia a dia depois dessas metas serem concluídas.

Reitero como é muito satisfatório ler livros bons, e o Pulitzer tem se mostrado um selo muito bom de qualidade.




12 de outubro de 2018

Outros Jeitos de Usar a Boca

Editora Planeta - Capa Victor Igual, S.L.

Um livro de poesia! Algo que é raro nas minhas listas de leitura - não é que eu não goste de poesia, mas ler um livro inteiro de poesia de uma vez só, não me empolga muito. Eu gosto de ler uma ou outra aqui e ali - ou melhor, eu adoro ouvir poesias lidas pelo Fábio Malavoglia, de segunda a sexta, por volta de 9h25, na rádio Cultura FM. Ele dá o contexto do autor, do poema, e lê maravilhosamente (ele também é o tradutor de vários poemas).

Voltando ao assunto do post, foi fácil ler "Outros jeitos de usar a boca", são poemas curtos, então o livro todo não me custou 1h, para ler de uma sentada só. A autora, Rupi Kaur, é jovem, e publicou muito dos seus poemas no instagram, então eles são breves, diretos, com temas jovens - auto-afirmação, romance, separação, sexo, abuso (não necessariamente nessa ordem). São fortes, intensos, poéticos. 

Eu consegui entender como ela se alinha com a cabeça de muitas mulheres por aí, que devem se identificar com os assuntos ou o formato, mas acredito que o público é realmente mais jovem do que eu. Vale a leitura - está no kindle unlimited. 



6 de outubro de 2018

Serena

Editora Companhia das Letras
Ian McEwan não me decepciona. Eu li que "Serena" não é dos seus melhores livros, que tem gente que não gostou, mas eu gostei sim. É uma prosa gostosa, uma história interessante - que brinca com o tema espionagem e interferência cultural, algo meio teoria da conspiração (no sentido de que a gente acha que fazem isso mesmo), mas que é um romance - há um relacionamento no centro da história.

A história se passa há décadas atrás, pós II Guerra, e fala do papel da literatura, pelo potencial de influenciar uma sociedade a tomar uma decisão ou outra, a ir num caminho ou outro. Agora na era da comunicação rápida, vejo isso ocorrer de maneira muito mais danosa ao se propagar notícias falsas e análises sem profundidade de maneira tão corriqueira e afetar uma eleição em nosso país.

Acredito que o papel da literatura - e principalmente da literatura na sala de aula, como forma de aprender interpretação de texto, análise, pensamento crítico - torna-se cada vez mais importante e essencial. Mas para algumas pessoas, isso já foi tarde demais.


12 de setembro de 2018

O mito da mãe perfeita

Editora vida Melhor - Capa Rafael Brum

Ao ler o título desse livro: "O mito da mãe perfeita", você pode pensar assim: "sim! eu sempre soube que se trata de um mito! não dá mesmo para fazer tudo!" e passar adiante, mas você pode ler o livro - que é fácil e rápido - e aquecer o seu coração ao ver histórias de outras mães, que pregam o "não julgamento", o apoio mútuo e uma forma mais leve de maternar.

Karen Ehman e Ruth Schwenk apresentam "Dez coisas sobre a maternidade das quais você precisa desapegar", e algumas você já pode ter desapegado, outras estão mais arraigadas ou você está trabalhando com elas na etapa de "negação", mas eu tenho certeza que vão ressoar fundo na sua vida e levá-la a pensar diferente. Elas não escrevem para um tipo de mãe (que trabalha fora / que fica em casa / nova / mais velha / com filho único / com muitos filhos / casada / solteira), mas para todas as mães que estão buscando ser a melhor (perfeita, pronto, eu disse) mãe para seus filhos (-as, -o, -a).

As autoras são cristãs e falam de Deus na criação dos filhos. Confesso que é um pouco mais fácil ser mãe quando você sabe que não é superpoderosa, mas tem alguém superpoderoso cuidando deles pessoalmente - e é essa perspectiva que elas apresentam ao longo do livro. Mas também há menção há estudos científicos e experiências de vida delas, de amigos e conhecidos. 

Elas tem blog ativo na internet, e especialmente o da Ruth Schwenk tem sido fonte de inspiração, alento e consolo para mim recentemente: www.bettermom.com, dá para programar para receber os textos em inglês diretamente no seu e-mail.

Eu realmente adorei esse livro (que eu li digital), e fiquei tão empolgada com ele que comprei mais cópias para presentear minhas amigas.