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2 de outubro de 2025

As Mentiras que as Mulheres contam

 

Editora Objetiva

Luís Fernando Veríssimo primeiro publicou as mentiras que os homens contam, mas em tempos de igualdade de gênero, as mulheres não podiam ficar para trás, então eis aqui As mentiras que as mulheres contam. Com seu humor peculiar, ele nos apresenta a primeira mentira que os homens ouvem: "olha o aviãozinho". E sim, que certeiro!

Não é o seu melhor livro, mas ainda é bom. Que descanse em paz.



8 de junho de 2014

Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos

Editora Objetiva

Quando se pensa num livro de contos de Luís Fernando Veríssimo, vem a mente o que o imortalizou com Comédias da Vida Privada: humor rápido e inteligente, uma leitura leve, mas com conteúdo. Para essa expectativa, "Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos" é uma decepção. 

Há boas histórias, claro, mas há duas ou três, que são longas (mais do que as 3-4 páginas usuais) e simplesmente não foram feitas para serem engraçadas. Há um toque de ironia, mas resta mais o desconforto do que o humor propriamente dito e isso simplesmente não é o que se espera do Veríssimo. Para quem lê tudo dele, coloque na fila e só gerencie a expectativa...

16 de outubro de 2012

Mammy Walsh's A-Z of the Walsh Family

Editora Penguin

Marian Keyes lançou recentemente mais dois livros sobra a família Walsh - personagens da maioria dos seus livros, um deles um romance propriamente dito sobre Helen ("The Mistery of Mercy Close") e o outro é como um "teaser" de filme, um e-book curtinho: "Família Walsh de A a Z - pela Mamãe Walsh" (numa tradução minha de "Mamy Walsh's A-Z of the Walsh Family").

É uma leitura curta, de uma hora ou menos, mas muito divertida. Está ali pingando de ironia e o humor ácido da Marian Keyes que você pode conhecer de outros livros. Além disso, é uma boa perspectiva unificada dessa família (confesso que eu já me perdi entre tantas irmãs e histórias). Algumas partes são apelativas - é estranho pensar numa mãe - avó falando tanto sobre sexo, mas também é interessante ver um pouco de "gente real" com bons e maus sentimentos de uma forma tão cândida.

Eu sou fã das Walshs, então o segundo livro sobre a Helen é definitivamente um dos próximos da minha lista!

30 de junho de 2012

As Esganadas

Editora Companhia das Letras - Capa Victor Burton & AngeloAllevato Bottino
Assim como em "O Xangô de Baker Street", o tema de "As Esganadas" de Jô  Soares são os assassinatos em série "de época", aqui, no Rio de Janeiro de 1938, época de Getúlio Vargas e o mundo pré II Guerra Mundial. E foi exatamente isso que eu gostei no livro: a ambientação da época, as citações sobre as ruas, corrida de carros, transmissões de rádio com propagandas de produtos que seriam inimagináveis hoje (ou não, eu sei).

A história inclui um ex-investigador português com características de Sherlock para ajudar o delegado brasileiro a descobrir quem está matando as gordinhas "esganadas", ou seja, sufocadas com comida. Além de dois personagens mais secundários mas igualmente cativantes, o auxiliar do delegado, um pouco medroso, mas com uma vida paralela bem peculiar e a jornalista - repórter de Assis Chateaubriand - corajosa e petulante.

O livro é puro entretenimento, para ler num sábado a tarde, e se divertir enquanto se descobre junto com os personagens quem é esse serial killer brasileiro que nunca existiu.

2 de abril de 2012

Um Brasileiro em Berlim

Editora Nova Fronteira

João Ubaldo Ribeiro (colunista do Estadão) foi convidado pelo DAAD (uma organização de intercâmbio acadêmico Brasil - Alemanha) para morar por um ano em Berlim, com a família, em 1990. Como escritor trabalha em qualquer lugar, lá foi ele de mala e cuia e esse livro, com o título óbvio de Um Brasileiro em Berlim, contém as  crônicas que ele fez sobre o cotidiano dele lá, que foram publicadas em um jornal alemão.

O livro é realmente engraçado, abusando dos clichês das diferenças culturais entre brasileiros e alemães, João Ubaldo faz você rir alto. Até porque algumas coisas são exageros, mas outras não, ainda mais há 20 anos, onde um mundo globalizado pela internet mal despontava. (E algumas particulares,  como os bicicleteiros da cidade continuam bem verdadeiras, eu sei).

Também digna de nota é a curiosa sensação de familiaridade com o "personagem" Bento, seu filho de 9  anos que protagoniza vários causos. Hoje ele é conhecido por ser VJ da MTV (fez também comerciais e novelas da globo).

Embora o fator político não esteja em questão, o fato do ano ser 1990, recém-caído o muro, permeia as histórias através do seu impacto cultural. Mas é primordialmente um livro leve e engraçado, para ser ler num dia. Vou colocar aqui uns trechos para inspirar vocês a procurarem o livro.

"Formada em meio a esse cetismo, a família estava, naturalmente, desprevinida para os rigores do inverno. Senti-me na obrigação de realizar pelo menos um seminário preparatório. Comecei com informações básicas, numa conferência preliminar em que abordei vários tópicos, tais como o que é o inverno, o que é frio (com uma aula prática mais ou menos dentro da geladeira), o que é uma ceroula, por que não se pode passear no Halensee de bermudas e sem camisa em janeiro, como se ecplica que neve não é algodão nem tem açúcar, e assim por diante."

"Dir-se-ia então que é mais difícil um brasileiro ser atropelado em Berlim do que um nadador olímpico se afogar numa piscina infantil. Ledo engano, conclusão precipitada. Tanto eu quanto minha mulher, que sobrevivemos rotineiramente à travessia das ruas mais conflagradas do Rio de Janiero, já fomos atropelados diversas vezes em Berlim. O recordista sou eu, com uns oito casos, todos sem maiores consequências, a não ser uma contusãozinha ou outra e protestos indignados por parte dos atropeladores. Sim, porque não fui atropelado por carros, ônibus ou caminhões, mas pelo mais terrível, impiedoso e ameaçador veículo que circula pelas ruas de Berlim: a bicicleta."

23 de janeiro de 2012

Dilbert 6 - Terapia em Grupo

Editora L&PM

Quem trabalha com engenharia, principalmente de software, já leu alguma tirinha do Dilbert e lembrou de situações e pessoas muito parecidas com as retratadas ali em seu escritório (às vezes exageradas, às vezes cruelmente reais) e deu risada... Eu acho legal também porque mostra que "não estamos sozinhos" e às vezes nossos problemas são bem parecidos com o de muita gente por aí (a ponto de virar uma tirinha).

Dilbert foi publicado pela primeira vez em 89 por Scott Adams, que realmente foi programador (igual ao personagem), mas continua bem atual e contemporâneo: esse livreto tem as tirinhas de 2009, bem pontuado com o assunto do momento na época: a crise financeira.

Para quem gosta, eu recomendo o site oficial, dá para se inscrever e receber uma tirinha por dia direto na sua caixa de emails. Para quem não conhece, vai aí um tira gosto:

(Carol: Esse escritório está congelando.. Por que você não está com frio?
Dilbert: Meu cérebro é muito maior que o seu. Ele aquece meu corpo inteiro quando eu penso.
Dilbert: Mas seja o que for que você estiver fazendo parece estar funcionando também.)
Scott Adams - publicada em 01/mai/2009



10 de janeiro de 2012

Orgias

 Editora Objetiva - Capa Crama Design Estratégico

Não é inusitado que o senhor simpático retratado como um fofo boneco na capa do livro escreva um livro chamado Orgias? Quem conhece Luis Fernando Veríssimo não se surpreende, e sabe que não encontrará entre as crônicas nenhuma que seja ofensiva ou pornográfica, por assim dizer. Só humor de qualidade, de rir alto, dar risadinhas disfarçadas e ver o mundo ali retratado de forma muito sagaz.

As orgias do título se referem a diversas situações em que os instintos ganham da racionalidade ou civilidade, entre carnaval e festa de final de ano da empresa, entre festinhas infantis regadas a brigadeiro e papos de bar regados a cerveja. Tudo muito familiar a grande parte da população (se você ainda está nos papos de bar, talvez ainda não chegou nas festinhas de criança, mas se ainda participa das festas de criança, talvez ainda não chegou nos papos de bar).

Com diálogos rápidos e várias referências contemporâneas, o livro é leve e delicioso. De ler em um dia, e reler sempre que puder.