16 de maio de 2017

The Miniaturist

Editora Ecco - Capa Allison Saltzman

Miniaturista é um livro que se passa na Holanda do século XVII, um cenário bem pouco usual. Estamos no burburinho da grande Amsterdã, com os burgueses e os protestantes, no ponto de virada do mundo medieval para o mundo moderno. Esse contexto histórico é um dos grandes atrativos do livro, e bem dirá seu ponto mais importante.

Na sinopse, uma jovem do interior casa-se com o burguês bem sucedido, e na estranheza da casa nova - onde também estão a cunhada e os empregados, ela ganha uma réplica da própria casa em miniatura, e verba para mobilia-la. A jovem faz encomendas, mas recebe peças misteriosas também - que indica segredos de seus novos familiares, a quem ela não conhece bem.

Ao que parece, era um costume da época essa brincadeira de casa de bonecas, e a história é realmente inspirada pela casa de miniatura que sobreviveu dezenas de anos e agora está em um museu, a casa de Bonecas de Petronella Oortman. (Petronella é também o nome da jovem dona da miniatura no livro):


A autora Jessie Burton parte desse objeto, mas não faz uma recriação histórica. Ela escreve fugindo da expectativa comum - apresenta o que poderia ser uma história de amor (a jovem do interior que casa com um burguês rico da cidade grande), apresenta um suspense envolvendo um pessoa misteriosa (quem é o miniaturista que entrega o que não é encomendado e sabe tanto da vida íntima das pessoas da casa), mas resolve discutir a posição feminina nessa sociedade, com diferentes personagem marcantes, com pitadas de assuntos religiosos, sexuais, financeiros, espirituais. 

Como eu mencionei, o que é mais interessante mesmo é esse retrato da época, tão difícil de ser retratada numa literatura de bestseller - esse livro ganhou prêmios e chegou a figurar em listas de livros populares. É um bom livro, que incomoda e não satisfaz, mas deixa uma forte impressão.

Para terminar, gostaria de deixar aqui uma citação que me chamou atenção por ser algo em que eu realmente acredito (em minha tradução):

"Eles se conhecem há muito tempo, e às vezes é difícil amar uma pessoa que você conhece tão bem. (...) Quanto você verdadeiramente passa a conhecer uma pessoa, Nella - quando você vê por baixo dos gestos doces, os sorrisos - quando você vê a raiva e o medo lamentável que cada um de nós esconde - então o perdão é tudo. Nós todos necessitamos desesperadamente de perdão."

15 de maio de 2017

The Return of Sherlock Holmes

Editora Wilco Publishing House

Eu comprei os três volumes de histórias do Sherlock Holmes há muitos anos atrás - 7 - e eu fiquei assim, guardando o último para ler depois para ver se não acabava. Mas acabou e foi muito bom! "The return of Sherlock Holmes" já mostra nosso amado personagem no auge da fama, escolhendo casos cada vez mais intrincados, no limite da criatividade do autor.

O que eu gostei dessa vez foi relacionar com a série da BBC - Sherlock - que fez um trabalho maravilhoso de adaptar as obras para a atualidade. É interessante ver como eles conseguiram preservar a essência dos personagens, e souberam ousar de maneira coerente com o universo fantástico de Arthur Conan Doyle. 

Pronto, gastei vários adjetivos como elogios - e mais um para terminar: isso é entrentenimento de qualidade!

14 de maio de 2017

The Message of Romans

Editora IVP Academic - Design Paul Airy

O livro de Romanos na Bíblia tem a fama de tratado teológico. Um livro denso, complexo, profundo.

John Stott tem a fama de grande pregador, um dos maiores teólogos contemporâneos (embora falecido há pouco tempo). 

Então, "A mensagem dos Romanos" prova que o livro da Bíblia é realmente denso e profundo, mas pode ser simples de entender.

Eu comprei a versão digital no kindle (mais barata, mais fácil de eu carregar por aí) para preparar aulas para a minha igreja, mas a versão traduzida ainda é vendida pela Editora Ultimato - e eu recomendo para quem quiser conhecer mais sobre esse livro e o significado da salvação para os cristãos reformados.

13 de maio de 2017

Guia de uma ciclista em Kashgar

Editora Intrínseca - Capa Sarah Greeno

Esse livro eu escolhi primeiro pela capa - a combinação de cores e um desenho delicado. Depois pelo título - Guia de uma ciclista em Kashgar: uma ciclista? onde fica Kashgar? E, em terceiro, pela descrição breve da história, que cruza uma inglesa na Londres atual e outra mulher, há mais de 100 anos, numa missão cristã na oriente.

Kashgar, é uma cidades mais ocidentais (geograficamente falando) da China, perto do Uzbesquistão. No livro, Evangeline, sua irmã e uma amiga tem sua viagem missionária interrompida nessa cidade a ajudar o parto de uma adolescente - que morre, e as pessoas querem julga-las culpadas. Estamos na década de 20, e são 3 mulheres jovens inglesas viajado sozinhas pela Ásia. É sempre algo que não acharíamos que fosse possível, mas deveria ser (não em grande escala, claro, mas ainda assim possível).

Ao mesmo tempo, conhecemos Frieda, uma mulher solitária em Londres que ajuda um árabe chamado Tayeb, provavelmente ilegal e sem onde morar - e cá estamos no assunto atual de imigrantes e refugiados.

O livro de Suzanne Joinson é realmente interessante por unir personagens femininas fortes e não usuais, sem ser piegas ou combativo. 

2 de maio de 2017

Tequila and Tea Bags

Editora Createspace

De vez em quando, rola um livrinho bobo (e gratuito) para desestressar por aqui. A bola da vez foi Tequila & Tea Bags, de Laura Barnard. A garota queria ir para o Caribe com a amiga (vide: tequila), mas foi despachada para a casa da prima no interior da Inglaterra (vide: saquinhos de chá), e todas as pessoas com mais de 20 anos se comportam como adolescentes - hormônios aflorados, sexo, drama drama drama.


15 de abril de 2017

Cenas da Vida na Aldeia

Editora Companhia das Letras - capa warrakloureiro

Esse livro entrega exatamente o que avisa no título: Cenas da Vida na Aldeia. Cada capítulo (ou seria um conto?) acompanha um personagem dessa aldeia, em alguma crise ou conflito, mas que não passa de uma cena. Amós Oz nos deixa com aquela sensação de quero mais, quero saber o que aconteceu, e agora? Faz parte do seu talento de nos envolver tanto com aquela história, em poucas páginas, que o fim - quase abrupto - é triste.

Outro aspecto interessante é mergulhar nessa aldeia, no interior de Israel. Um mundo tão distante do nosso aqui no Brasil, culturalmente falando. Muitas vezes as nossas referências de judeus são o holocausto, a comunidade judia nos Estados Unidos, a guerra diária com os palestinos, e ali está todo um país com suas particularidades, sua rotina, sua vida que segue, além dos grandes fatos históricos.

28 de março de 2017

Dubliners

Editora Wisehouse Classics - Capa Rudolph Buchner
Irlanda é um país tão pequenininho, e nos deu James Joyce, e toda sua riqueza de observação humana. Em Dublinenses (Dubliners), cada história é um pequeno conto, focado em indivíduos totalmente diferentes - gênero, idade, circunstâncias, sem relação entre si.

Eu achei interessante, e eu sei que é bom - boa literatura, realmente boa literatura - mas não provocou sentimentos mais profundos, uma vontade de ler mais do autor.

Eu já li Ulisses - no auge do tempo livro da adolescência - e só achei muito louco, ou seja, talvez tivesse sido precipitada na minha busca pelos clássicos. Agora, mais velha madura, coloco um "ok" novamente no autor, e bola para frente, que há muito ainda por ler.