29 de julho de 2026

Dando nome ao elefante

Editora Monergismo

O nome do livro de James W. Sire é ótimo, Dando nome ao Elefante, mas a parte acessível do livro praticamente acaba aqui. Acho bem interessante o conceito de Cosmovisão, mas achei esse livro difícil, como se fosse necessário ter sido uma aluna de humanas (filosofia? sociologia? história do pensamento filosófico?) antes de ler esse livro - o que eu não sou.

Até as citações no livro são frustrantes: quando eu resolvia ir ler as notas de rodapé, achava só a referência ao livro que estava sendo citado, sem maiores explicações sobre a tal ideia do autor que estava sendo referenciada, sem considerar que, não sendo acadêmica nem filósofa, eu não vou ler lá no original.

Li inteiro porque fazia parte da matéria que eu estava cursando, mas realmente pouco me acrescentou (fora a tal história dos elefantes, a qual eu tenho muitos comentários - realmente me compadeço da criança que perguntou o que sustenta o mundo e ouviu "elefantes a perder de vista". Prefiro, inclusive, a versão da tartaruga. Aliás, prefiro explicar o big bang e a teoria gravitacional do que essa resposta de elefante. Afe.)

28 de julho de 2026

Árvore Velha


Árvore Velha é um livro sobre velhice, escolhas de vida e relações familiares. Sem papas na língua, de uma narradora muito interessante, de uma escritora brasileira muito boa: Marta Barbosa Stephens.

De vez em quando, livros assim, me fazem pensar se agora é tudo auto-ficção, mas um livro de literatura contemporânea bem escrito é realmente algo tão bem feito que poderia ser a vida, mas é tão engenhoso para ser sobre a vida, e como não é sempre sobre a vida?
 

26 de julho de 2026

Criaturas Extraordinariamente Brilhantes

 

Editora Tag

Temos um título incrível: Criaturas Extraordinariamente Brilhantes, temos um narrador incrível: o polvo Marcellus, temos uma idosinha incrível repensando a vida, Tova - ou seja, um livro irresistível. 

E o livro é bom mesmo, talvez falte alguma coisa para ser espetacular, mas até o fato de ser um pouco surpreendida pelo fim foi bom. 

Vale o hype!


21 de julho de 2026

Lanterna de mar

 

Editora Heziom

O Guilherme Iamarino pode ser mais conhecido por ser parte do Projeto Sola, mas ele também começou uma carreira de autor literário, com livro infantil e agora um livro para adultos, Lanterna de Mar.

É muito interessante termos histórias com uma estrutura cristã, sem mencionar diretamente Deus e Jesus, o que é feito aqui. Há referências que são mais diretas, mas há uma sensação sobre algo maior, que pode levar a boas conversas.

O Jogador de Xadrez

 

Editora Montecristo

Stefan Zweig é austríaco e judeu, fugiu da crise da primeira metade do século XX na Europa e veio parar no Brasil, onde, desiludido com a situação da humanidade, se suicidou com sua companheira. 

Um pouco antes disso, escreveu o conto "O Jogador de Xadrez", em que aborda a tortura psicológica de prisão. É uma história angustiante, mesmo sendo uma lembrança da prisão (através do personagem), e uma abordagem nem sempre descrita do nazismo. 


17 de julho de 2026

Cidades afundam em dias normais

 

Editora Rocco


Em "Cidades afundam em dias normais", Aline Valek parte de uma cidade que foi tomada pelas águas (lago? represa?) e depois de alguns anos começa a ressurgir (poucos anos, é algo bem contemporâneo, entre afundar e ressurgir passam uns 20 anos, se muito). 

É uma boa premissa, mas parece de certa forma pretexto para apresentar personagens interessantes, e apontar para várias direções possíveis sem exaurir nenhuma delas (é um livro curto). 


12 de julho de 2026

Da Magia à Sedução

 

Editora Jangada

Gente, que título terrível. "Da Magia à Sedução" parece bom, entendo que tem o filme com esse título que marcou a vida de muita gente, mas é simplesmente um título MUITO RUIM para esse livro. Temos magia, claro, mas ela realmente não leva à sedução, não me parece um caminho para sedução, e a história não é como se chegar a sedução.

Que tristeza.

Posto isso, e toda minha revolta sobre esse assunto, Alice Hoffman escreve um livro muito bom, sobre mulheres, família, e uma época ligeiramente diferente (a década de 80/90, o livro foi publicado em 1995).

Eu adorei. Achei realmente muito bom. Não assisti ainda o filme, mas amigas que eu respeito muito disseram que o filme é ótimo - entrou na lista, quem sabe eu assisto o original e a continuação ainda esse ano?

7 de julho de 2026

A Contagem dos Sonhos

 

Editora Companhia das Letras

Eu já li alguns livros da Chimamanda Ngozi Adichie e esse foi, particularmente, um dos mais difíceis de engatar. Um tanto pelo livro trazer o cenário da pandemia com todo o impacto que foram os primeiros meses de 2020, um tanto pelas descrições dos relacionamentos entre Chiamaka e homens tóxicos. Dá vontade de entrar na história e sacudir essa mulher até ela dar conta de si (ou recomendar o podcast Não Inviabilize).

Então, apesar de temas duros, Chimamanda nos entrega novamente sua análise sensível da vida das mulheres e seu momento histórico. O foco está um pouco mais na classe abastada da Nigéria, ricos que não temos nem noção (em certo momento, uma personagem secundária comenta que vai fazer compras de mercado em Londres toda semana), e Kadiatou (da Guiné) traz a realidade completamente oposta, já nos Estados Unidos. 

"A Contagem dos Sonhos" nos leva a um redemoinho de pesadelos, mas saímos mais empáticos dele.

Agradeço a Editora Companhia das Letras que me ofereceu uma cópia do livro em troca de uma crítica sincera. 

4 de julho de 2026

Um Cavalheiro em Moscou

 

Editora Intrínseca

Eu procurei brevemente na internet se o nome desse autor, Amor Towles, é por conta da palavra Amor em português mesmo - e não encontrei (e os irmãos chamam Stokley e Kimbrough, então reparem na peculiaridade). Mas o que eu tenho certeza é que esse livro, Um Cavalheiro em Moscou, é um amor. 

O personagem principal é um encanto, e toda a história nos transporta para um outro mundo - em tempo e espaço - e dá vontade sim de conhecer essas pessoas e morar um hotel para sempre (mas talvez não na antiga URSS).

A história nos surpreende, diverte e ainda dá esperança na humanidade. Não dá para querer mais que isso. Vou entrar na fila para ler outros do mesmo autor, com altas expectativas.


3 de julho de 2026

Lésbia

 

Editora 106

Maria Benedita Borman escreveu "Lésbia", sob o pseudônimo "Délia" em 1890 e isso já explica que, nesse caso, o título não indica um romance com personagem lésbico - mas é uma referência a uma sociedade que daria sim mais liberdade para as mulheres.

É incrível ver mulheres de outras gerações falando conosco através dos livros, e desmistifica essa "mulher do passado" que a gente acha que conhece (e até o homem - nesse caso, a personagem quer se separar, e o pai fala: pode voltar para casa, para que ficar sofrendo aí).

Muito bom esse movimento de publicar as brasileiras que conseguiram escrever numa outra época e depois foram esquecidas. Disponível no biblion!


1 de julho de 2026

A Ascensão dos Lobos

 

Editora Companhia das Letras

Na saga de procurar uma romantasia que valha a pena enquanto não vem o livro 4 de Quarta Asa, trago a vocês: A Ascensão dos Lobos, de Sable Sorensen. Aparentemente, foi escrito em paralelo ao livro da Rebecca Yarros, então não é inspirado dele, mas é MUITO parecido. Tem uma magia específica, uma escola, provas mortais, realeza fazendo decisões duvidosas. No entanto, lobos (mesmo lobos gigantes como é enfatizado em cada página) não são dragões.

Quem curte mais violência e mais conteúdo explícito pode gostar mais, mas não é o meu caso. O plot twist é interessante, e o segundo volume promete ação, mas aaaaaaaah, que venha o quarto livro.