29 de setembro de 2023

Solução de dois estados

 
Editora Companhia das Letras

Eu adoro a escrita e as histórias de Michel Laub - tem várias obras dele aqui no blog - mas esse me deixou um pouco incomodada, parece que a construção do enredo foi mais para fazer uma crítica do que para desenvolver os personagens. É um bom livro, mas não está no nível dos outros que eu gostei (como Diário da Queda e O Tribunal da Quinta-feira).

Forget "having it all"

 

Editora Seal Press

Eu adoro ler sobre maternidade e esse livro de não ficção vai ao cerne do assunto cultural: Esqueça "ter tudo" - como a América estragou a maternidade - e como consertar, de Amy Westervelt. Embora tenha muitos pontos específicos sobre políticas nos Estados Unidos (como a famosa licença maternidade curtíssima), muito é aplicável aqui para o Brasil.

Um dos dados mais interessantes é que pesquisaram quantos minutos por semana uma mãe que trabalha passa com os filhos agora, no século XXI e quantos minutos por semana uma mãe que não trabalha passa com os filhos na década de 1960 e, ao contrário do esperado, hoje uma mãe que trabalha fica muito mais com os filhos. Como o mundo mudou, não é? 

Com certeza, é valioso o propósito de incentivar uma maternidade e um cuidado da infância melhores, com embasamento científico, psicológico, pedagógico, etc, mas que estão sendo criados padrões inalcançáveis, isso sim. Esse livro é para se pensar, com certeza.

(E se não dá para consertar os EUA, ou o Brasil, cada um conserte o que pode - a si mesmo como mãe, e no apoio a outras mães, sendo amigas ou membros da mesma equipe ou empresa).

27 de setembro de 2023

Incidentes na vida de uma menina escrava

 

Editora Todavia

Publicado em 1861, é um relato autobiográfico sobre uma garota escravizada nos Estados Unidos, com detalhes espantosos, mas fiquei com a impressão que houve um direcionamento editorial bem forte - o que ficou um pouco artificial... Mas é um bom registro histórico. 

24 de setembro de 2023

A Camareira

 

Editora Intríseca

Meu clube do livro teve uma ideia bem legal: ler um livro de mistério até a metade, fazer uma reunião para discutir o que achamos que vai acontecer, e depois acabar de ler - e esse foi o escolhido - A Camareira de Nita Prose.

Infelizmente, todas as nossas previsões eram melhores do que realmente aconteceu no livro.

Além disso, temos aí uma personagem principal claramente neurodivergente - e isso é usado pela autora da forma mais conveniente: quando precisa, as pessoas notam e se aproveitam disso, e quando não é conveniente para a trama, as pessoas não percebem. Achei isso bem problemático. 

Então, assim: não recomendo.

22 de setembro de 2023

O Jogo da Amarelinha

 

Editora Companhia das Letras

Li o clássico de Julio Cortázar, O Jogo da Amarelinha, e não gostei. 

Comecei do primeiro capítulo e li na ordem sugerida pelo autor, pulando figurativamente de um lado para outro (muito fácil de fazer isso no kindle, embora perca a sensação do livro físico). 

É um livro sobre um homem branco triste, e foi simplesmente uma frustração ver as personagens femininas renegadas a segundo ou terceiro plano. Cansativo. 

Entendo o valor para a literatura em geral, e talvez se eu tivesse acesso a alguma análise ou aula, valorizaria mais, mas, como entretenimento, só posso dizer: leiam mais autoras.

18 de setembro de 2023

First Phone

 

Editora Tarcher

"Primeiro Telefone" é exatamente o que o subtítulo promete: O Guia da criança para Responsabilidade, Segurança e Etiqueta Digital. Ele é voltado para crianças de 9 a 12 anos, então a linguagem é fácil, e cada capítulo tem exemplos e recomendações importantes e questões para conversarem com os pais.

Ele realmente aborda tudo - desde prestar atenção na conversa com a avó e não no celular, até o risco de falar coisas que não se deve, enviar fotos ou mensagens das quais é possível se arrepender depois. Não substitui o monitoramento, mas COM CERTEZA ajuda a ter conversas importantes sobre tudo o que envolve ter uma telinha dessas nas mãos.

A ideia aqui em casa foi deixar a criança ler cada capítulo, e depois uma conversa com o pai - só depois de tudo lido e discutido, elas ganharam o celular (na transição do Ensino Fundamental I para II, com quase 11 anos de idade). 

Seria melhor que o livro da Catherine Pearlman estivesse disponível em português, mas o vocabulário e a estrutura do livro não é tão difícil mesmo. 

Assim, eu recomendo sem sombra de dúvida - dá para comprar pela Amazon.

17 de setembro de 2023

Um defeito de cor

 

Editora Record

Ana Maria Gonçalves escreveu o melhor tipo de livro: aquele que a gente não quer que acabe (mesmo já sendo enorme). Apesar de histórias sofridas, a gente se envolve com a Kehinde, e vai descobrindo vislumbres de Brasil que a gente conhece no meio de tanto que não é apresentado, discutido, aprendido. 

É um livro maravilhoso, essencial para a nossa cultura. 


9 de setembro de 2023

The Left Hand of Darkness

 

Editora Ace Books

"A Mão esquerda da Escuridão" não é um título maravilhoso?

Já vale a leitura só para descobrir de onde veio isso, mas o livro é fantástico por si só (em todos os sentidos de fantástico), porque estamos falando de uma ficção científica da Ursula K. Le Guin, uma das grandes autoras do gênero.

O livro dá uma boa discussão sobre papeis de gênero também: uma obra escrita em 1969! É gente, esse assunto não é novo mesmo.

Recomendo muito.

2 de setembro de 2023

De Dentro para Fora

 


Editora Betânia

Minha psicóloga indicou o livro, De Dentro para Fora, de Larry Crabb (sim, ela é cristã), e eu gostei muito mesmo. Ele traz um alinhamento claro entre a Bíblia e a experiência pastoral do autor, ou seja, bem alinhado com a realidade atual. 

Mostra como é possível mudar, mas sem prometer milagres desse lado do "ainda não" do Reino de Deus. É um alento e uma esperança.