16 de dezembro de 2014

Oliver Twist

Editora Penguin

Eu resolvi reler Oliver Twist, porque o Charles Dickens é um dos meus autores favoritos. Gosto da atmosfera inglesa de seus livros, da humanidade dos seus relatos, de suas histórias de crise e redenção. 

Eu nem lembrava a primeira vez que tinha lido esse livro, mas algumas peças do musical que eu assisti em Londres há 4 anos ainda estavam na minha memória e foi interessante reviver o livro com essa experiência. 

Eu escutei a maior parte desse livro, sendo lido para mim pelo kindle enquanto eu dirigia, e aí está uma boa dica para quem acha difícil ler Charles Dickens no original por causa da fala coloquial dos seus personagens. Pronunciar alto o que está escrito para perceber a similaridade com palavras mais conhecidas do vocabulário...

14 de dezembro de 2014

The Day of the Storm

Editora Hodder

A autora Rosamunde Pilcher escreve romances daqueles novelões, que você sabe muito bem como vai acabar, mas e daí, o que importa é a distração mesmo. Em "O Dia da Tempestade", no momento que a Rebecca Bayliss encontra o mocinho - o qual ainda nem é parte direta da trama - você pode ver as fagulhinhas pulando de um lado para o outro, e aí é só esperar para ver quanto tempo vai demorar para desenrolar os enroscos antes de eles ficarem juntos para sempre.

Ah, foi muito spoiler? Quem gosta desse tipo de livro, sabe que isso não importa mesmo...

13 de dezembro de 2014

Death in Venice and Other Stories

Editora Bantam Classic
Fato é que eu fui uma leitora adolescente de biblioteca pública municipal - ou seja, ou você atacava os clássicos, ou não teria muito outra opção. Eu lembro ainda de quando uma tia sugeriu a leitura de A Montanha Mágica, um livro lindo e enorme, o que era ótimo porque "não acabava logo". Eu lembro poucas coisas desse livro, agora, 15 anos depois, e com certeza não foi bem apreciado pela minha mente imatura. Principalmente a parte que o "mocinho" e a "mocinha" (tremam nas bases os conhecedores do livro - o que me interessava era o romance mesmo) resolvem finalmente ter uma longa conversa. Em francês. Sem notas de rodapé ou tradução no final do volume. Edição primorosa do meio do século quando as pessoas aprendiam francês na escola aqui mesmo nesse país, eu suponho, já que o restante do livro era português brasileiro mesmo.

Depois dessa experiência com Thomas Mann, resolvi esse ano ler "Morte em Veneza e outras histórias", que também é considerada uma obra prima do autor, no formato de contos. Senhoras e senhores, isso sim é boa literatura. Nessa edição da Bantam Classic para o kindle, estão primeiro os contos mais curtos, aí você vai se familiarizando com o estilo do autor. Ele é bem descritivo, realmente sabe construir a cena e o clima, é possível ver os personagens, como eles são, como eles se movem, como eles se comportam. As histórias não são intrincadas ou complexas, mas na simplicidade está ali um confronto, um impasse, uma ruptura, e muito fica com o leitor para apreciar, analisar, concluir. 

Gostei muito desse livro que não é longo, mas fui lendo aos pouquinhos, enquanto ele punha o meu cérebro para funcionar.

25 de novembro de 2014

Outros 500 - Uma conversa sobre a alma brasileira

Editora Senac - Capa Moema Cavalcanti

A proposta do livro "Outros 500" está explicada em seu subtítulo: uma conversa sobre a alma brasileira. Mais que isso, é uma psicanálise da tal alma do Brasil, feita por uma analista junguiano. Em um formato de conversa, a jornalista Lucy Dias dialoga com Roberto Gambini sobre temas diversos - a origem, trauma da infância, complexos, do povo e do país. Só nessa sinopse, eu acho que muita gente já ia decidir não ler esse livro. Eu dou uma chance.

Lendo esses livros de psicologia analítica é que eu me descubro mais engenheira e exata. Cada capítulo é sobre um assunto específica e, em vários momentos eu não consegui ver muito nexo entre uma resposta e a pergunta seguinte (e, às vezes, confesso, entre a pergunta e a resposta). Esse negócio de generalizar o país e o povo como uma entidade minimamente homogênea, que pode ser considerada "algo específico" e tirar conclusões psicológicas é realmente muito estranho - e muito difícil de eu aceitar também.

Algumas coisas fazem sentido (como o jeitinho brasileiro), mas outras são muito estranhas - como dizer que o professor é uma mulher frustrada que precisa ser desconstruída e se reconhecer como um ser ignorante e aprendente. E eu: hein??

Além disso, o Roberto Gambini estudou bastante os indígenas brasileiros, então ele propõe como saída um "retorno às origens" e uma maior identificação e até adesão a cultura indígena. Tipo argumentar que bebê índio não chora, porque fica amarrado no corpo da mãe o tempo todo, de cara para o peito, mamando a vontade, enquanto ela carrega ele para cima e para baixo - então a brasileira deve repensar a sua maternidade... E eu: oi??

Tem alguns pontos que eu achei interessante, e que o país deu sinais de mudança nesses últimos anos (o livro foi escrito na virada do século), como uma certa conscientização política (estou falando de sinais!), mas realmente acredito que esse livro faça sentido para o pessoal de Psicologia mesmo, ou que goste bastante desse assunto.

2 de novembro de 2014

Os três incríveis

Editora Moderna

No colégio que eu frequentava no primário (como chamava o ensino fundamental I no meu tempo), os livros para essa idade eram separados por série - 1a, 2a, 3a e 4a - a disposição das crianças. Um ano, não lembro qual, eu li o livro "Os 3 incríveis", da Stella Carr, e adorei: a história dos trigêmeos Leo, Lia e Lino, que eram pequenos e ruivos, e executaram vários planos para desacreditar o valentão da classe (que tinha repetido um ano e era maior que todo mundo). 

Eu gostei tanto da história que ficava com vontade de reler de tempos em tempos e quem me ajudava a achar o livro entre a "bagunça" que eram as prateleiras por série (sem indexação por autor ou título) era a bibliotecária - geralmente de um dia para o outro, porque não era fácil  achar um livro fininho naquela variedade de literatura infantil. Numa dessas fases de vontade de reler, a minha mãe comprou o livro e me deu de presente, assim sem motivo especial, e eu fiquei super feliz! 

Um dos pontos que eu mais gosto é da Lia cortar o cabelo curtinho para ficar igual aos irmãos e facilitar as brincadeiras de confundir que os 3 gostavam de fazer com as outras pessoas. Para mim, é um dos exemplos de que meninas e meninos são iguais para fazer o que quiserem. 

Assim, fico feliz de chamar minha segunda filha de Lia (sugerido pelo pai primeiramente), sem saber se ela vai ser levada ou meiga, gostar de boneca ou carrinho, se vai dançar ballet ou tocar violão, ou se ela vai ser levada E meiga, gostar de boneca E carrinho, dançar ballet E tocar violão. Ela vai ser o que quiser ser, e vai ser incrível, e é a vida dela que eu sempre vou ter vontade ler e reler. 

20 de setembro de 2014

The Luminaries

Editora Granta

Eu encontrei esse livro na mão de uma pessoa em Manaus e era um pequeno tijolo - então eu anotei o nome e comprei depois no kindle. No meio tempo, descobri que a autora Eleanor Catton foi a mais jovem ganhadora do prêmio Man Book exatamente com esse livro, seu segundo, The Luminaries. 

A princípio, ele parece interessante - uma história no século XIX na Nova Zelândia, num pequeno vilarejo que gira em torno da corrida pelo ouro. Há apenas três mulheres: uma prostituta, a esposa do chefe da prisão, e a dona de uma casa de entretenimento, que chega depois. Cada um dos personagens masculinos estabelece uma relação diferente com essas mulheres, principalmente a primeira, Anna Wetherell. Engraçado que, em pensamento, muitos gostam dela, e querem protege-la ou cuidar dela, mas suas atitudes não condizem com isso.

O fluxo da narrativa é um pouco confuso - são vários personagens com histórias paralelas, que vão se entrelaçando, ou já estavam entrelaçadas, porque muito é contado em flashback, de até um ano antes do início da história, quando doze homens se encontram para discutir os eventos das duas semanas, desde a noite quando um ermitão morre, Anna foi encontrada na rua entorpecida por ópio, um político chega para fazer campanha, e o jovem de grande sucesso nas minas some.

A trama toda é muito bem feita, mas eu pensava: porque ela não escreveu um pouco menos?  Para que tanto flashback? Realmente não consegui apreciar o estilo, o que seria esperado num livro ganhador de prêmio literário. 

Para terminar, logo no começo, ela fala que no livro são usados os signos como deveriam estar no céu no século XIX, e não agora, algo assim e cada capítulo tem um título do tipo "Mercúrio em Sagitário", "Saturno em Libra" que deve fazer sentido só para os iniciados no assunto...      

16 de setembro de 2014

Crianças francesas não fazem manha

Editora Objetiva
Pamela Druckerman é uma norte-americana que casou com um inglês e foi morar na França. Quando eles resolvem ter filhos, é nesse país que eles serão criados, então ela começa a estudar a diferença da paternidade / maternidade em um local e no outro, mais especificamente, os Estados Unidos (o pai é a parte engraçada da história, parece que tudo que ele quer é não esquentar muito a cabeça - que só pensa no futebol holandês - piada interna, irresistível).

As comparações começam a partir da gestação, e principalmente do parto - e aí a questão não é normal x cesárea (o que é o debate aqui no Brasil, e que eu não vou discutir), e sim parto com (França) e sem (EUA) anestesia. Outro mundo realmente.

Depois, há vários comentários sobre a criação de filhos, e não é basicamente um livro de auto-ajuda, com dicas e fórmulas (embora elas existem), mas a autora mergulha nas diferentes concepções da criação de filhos nos dois países, voltando na história dos dois países com relação a criação de filhos (ou vocês pensam que os direitos das crianças começaram há quatro mil anos?) (ok, ela volta só uns 200 anos).

Confesso que me identifiquei muito mais com o jeito francês de pensar sobre a criação de filhos - o jeito norte-americano (e, suspeito, brasileiro) é a criação de pequenos reis e rainhas, que não só podem tudo, como merecem tudo. Entretanto, simplesmente não dá para ser francesa fora da França - lá todas as circunstâncias, da família aos amigos a escola, tudo "conspira" para um posicionamento dos pais e das crianças diferente. Mesmo assim, é ótimo conhecer uma filosofia diferente de criação - baseada na "descoberta", na liberdade com limites, e claro, na valorização da mãe como um ser humano diferente e também merecedor de cuidados e atenção, principalmente de si mesma.